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domingo, 9 de março de 2014

VERGONHOSO APOIO A MADURO

O Estado de S.Paulo
Em vez de assumir suas responsabilidades e pressionar o governo da Venezuela a dialogar com a oposição para superar a violenta crise no país, o governo brasileiro prefere fazer de conta que nada está acontecendo. O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, esteve recentemente na Venezuela e disse que há uma "valorização midiática" dos confrontos. "O país não parou, as coisas estão funcionando", afirmou Garcia. Não se trata de autismo, mas de uma estudada farsa, cujo objetivo é fazer crer que Nicolás Maduro tem a situação sob controle e que as manifestações só são consideradas importantes pelos "veículos de comunicação internacionais".
Desse modo, o governo petista continua a seguir a estratégia de desmerecer os protestos contra o chavismo, como se estes fossem mero alarido de quem foi derrotado nas urnas, e não uma legítima expressão de descontentamento com os rumos que o país tomou nos últimos anos. Essa política explica por que o Brasil aceitou subscrever a indecente nota do Mercosul que criminalizou os oposicionistas venezuelanos.
Enquanto Garcia finge que tudo não passa de invenção da imprensa - segundo ele, Maduro vai se encontrar com jornalistas estrangeiros para "aclarar os fatos" -, a situação na Venezuela se deteriora a cada dia. Um dos mais importantes sinais de que a desestabilização pode estar se espalhando inclusive entre os militares foi a destituição de três coronéis da Guarda Nacional Bolivariana. Eles são acusados de criticar a repressão aos manifestantes.
Além disso, em inegável tom de confronto, Maduro ordenou, durante um desfile militar, que as milícias chavistas dissolvessem barricadas erguidas por manifestantes. Esses grupos paramilitares, que agem impunemente à margem da lei, são justamente a vanguarda da repressão oficial aos manifestantes. O número de mortos em um mês de protestos já chega a 20, e há inúmeras denúncias de violações de direitos humanos por parte das forças governistas.
Foi diante desse quadro que um grupo de ex-presidentes latino-americanos, entre os quais Fernando Henrique Cardoso, decidiu publicar uma carta na qual critica a "repressão desmedida" contra "manifestações estudantis de protesto pacífico" e cita, com preocupação, os testemunhos de "tortura e tratamento desumano e degradante por parte de autoridades". A mensagem exorta Maduro a, "sem demora", criar condições para o diálogo com a oposição, pedindo o "fim imediato" da perseguição a estudantes e dirigentes oposicionistas, o fim da hostilidade à imprensa independente e a libertação dos detidos nos protestos, em especial do líder Leopoldo López - acusado pelo governo de ser o principal articulador dos protestos.
Era essa a mensagem que deveria constar das manifestações da diplomacia brasileira em relação à crise venezuelana, e não o cinismo de quem acha que nada está acontecendo. Mas o governo petista prefere endossar a beligerância de Maduro - que rompeu relações com o Panamá apenas porque esse país sugeriu uma reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA) para discutir a situação. A OEA, como se sabe, é para os chavistas o equivalente à encarnação do diabo, por ter os Estados Unidos como membro.
Conforme informou Marco Aurélio Garcia, a única instância aceitável de diálogo para Maduro é, claro, a União de Nações Sul-americanas (Unasul) - aquela que, em sua última reunião de cúpula, exaltou o "impulso visionário" do falecido caudilho Hugo Chávez para a criação da entidade e que é atualmente presidida pelo notório Dési Bouterse, ex-ditador e atual presidente do Suriname, procurado pela Interpol por narcotráfico.
Sem poder contar com os países vizinhos mais importantes para constranger Maduro a interromper a violência e negociar de fato, resta à oposição seguir a prudência de Henrique Capriles, seu principal líder. Para ele, embora os protestos sejam legítimos, a única solução para a crise é a "saída eleitoral", porque "a maioria do país apoia a Constituição e quer viver numa democracia".

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

DITADURA VERMELHA


nicolas_maduro_16Ditadura vermelha – Com seis mortes confirmadas, na quarta-feira (19), desde o início dos protestos na última semana, o governo do delinquente bolivariano Nicolás Maduroanunciou que poderá decretar Estado de exceção em algumas regiões da Venezuela, para conter o que “chama de plano de conspiração contra a estabilidade”, como se o país vivesse na estabilidade política e social.
A primeira região a ser alcançada pela eventual medida será Táchira (na Região Andina), onde foram registrados sérios distúrbios, com o uso de barricadas, incêndios e atentados a tiros contra manifestantes.
“Se tenho que decretar estado de exceção especial para Táchira, estou pronto para decretá-lo e mandar os tanques, as tropas, a aviação, mandar toda a força militar da pátria. Estou pronto para fazê-lo. Primeiro, tenho as faculdades constitucionais para fazê-lo, tenho a claridade estratégica e tenho a lei habilitante”, disse Maduro em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão.
A situação também agravou-se na cidade de Valência, capital do estado de Carabobo, onde ocorreram fortes confrontos e os ânimos estavam bastante acirrados na quarta-feira, após a morte da Miss Turismo local, Génesis Carmona, de 22 anos, ferida um dia antes durante protesto.
O calouro em tirania informou que determinou a detenção dos infiltrados nas manifestações, que, de acordo com o presidente venezuelano, são parte do plano para amedrontar e criar medo na classe média e “injetar o ódio no país”.
Maduro destacou que as ações não fazem parte do chavismo. “Aqui não há ninguém enviado nem autorizado [a agir com violência], se alguém tomou essa iniciativa, eu desconheço e chamo para que volte atrás. Vamos respeitar a convivência em paz das pessoas, dos vizinhos. Eu assumo a minha responsabilidade e que vocês assumam a de vocês, chefes da oposição”.
O que Nicolás Maduro não reconhece publicamente, apesar de saber o que se passa nos bastidores do chavismo, é que seu governo tornou-se refém de supostos aliados que tentam tomar o poder. A ação golpista conta com a ajuda de agentes cubanos, que desde os tempos de Hugo Chávez frequentam de forma assídua o Palácio de Miraflores. Com a morte de Chávez e a chegada de Maduro à presidência da Venezuela, a cornucópia bolivariana que alimentava os cofres de Havana perdeu força, o que teria irritado os irmãos ditadores Fidel e Raúl Castro, que à distância comandam a investida contra. O governo de Caracas, por sua vez, atribui a violência aos infiltrados, supostamente ligados a grupos da extrema direita, o que é uma enorme falácia. OS oposicionistas aproveitaram a instabilidade dentro do próprio grupo de apoio a Maduro, que saiu às ruas para provocar o caos e gerar instabilidade.
Entre os opositores e manifestantes há um consenso de que parte da onda violenta é fruto da repressão policial e também da ação de grupos motorizados armados, situação que confirma as notícias veiculadas pelo ucho.info acerca da crise que chacoalha a Venezuela. Em muitos protestos que se espalham pelo país sul-americano, os estudantes denunciam a presença de grupos socialistas, acusados pela oposição de atuarem como paramilitares, com a conivência do governo.
Acontece que essa incursão desses coletivos socialistas decorre da discórdia que tomou conta do núcleo duro do governo de Nicolás Maduro, cuja derrocada está por um fio. Em pronunciamento à nação, Maduro defendeu esses tais “coletivos socialistas”, afirmando que não aceitaria a “demonização desses grupos”, que segundo ele não têm qualquer ligação com os recentes atentados.
“Eu lhes dou garantias de que o que esses coletivos estão fazendo é trabalhar e produzir cultura”, disse. No entanto, o presidente admite o porte de armas entre esses grupos. “No passado, eles se armaram, se organizaram para proteger sua comunidade”, declarou Nicolás Maduro, que revelou a existência de um plano de setores oposicionistas para “assassinar Leopoldo López”, detido desde a última terça-feira (18) e que permanecerá preso por pelo menos mais 45 dias.
Fonte: Ucho.Info

domingo, 6 de outubro de 2013

U MA FARSA ATRÁS DA OUTRA

O Estado de S.Paulo
Parecia uma cena copiada de Bananas, a clássica comédia de Woody Allen, filmada em 1971, sobre golpes e revoluções na América Latina, em que o autor interpreta um impagável Fidel Castro. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, surge em rede nacional de TV para anunciar, em meio a um patriótico discurso comemorativo de uma batalha travada há 200 anos no norte do país, a expulsão de três diplomatas americanos. Ele os acusa de "fazerem ações (sic) para sabotar o sistema de eletricidade" nacional. E apela para o velho mote: "Yankees, go home!".
Na Venezuela chavista, diferentemente da máxima de Marx de que a história se repete primeiro como tragédia, depois como farsa, a história oficial é uma sequência interminável de farsas. Em março, pouco antes de comunicar a morte do caudilho a quem havia sucedido ainda em vida, Maduro mandou expulsar dois adidos militares dos Estados Unidos, sob a acusação de urdir "planos desestabilizadores". Na semana passada, deixou de participar da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, alegando riscos à sua "integridade física".
O trio inclui a principal enviada de Washington a Caracas, a encarregada de negócios Kelly Keiderling. Desde 2010, as respectivas representações estão sem embaixadores, embora os EUA sejam o maior comprador do petróleo venezuelano. Antes de se ir, a diplomata tomou a incomum iniciativa de convocar uma entrevista para responder à delirante versão de que ela e seus dois colegas haviam instigado atos de sabotagem contra o sistema elétrico venezuelano, além de repassar fundos à oposição, tendo em vista as eleições municipais de 7 de dezembro próximo no país.
O governo americano reagiu conforme o protocolo. Repeliu a invencionice contra os seus representantes e expulsou igual número de diplomatas venezuelanos. Com isso, esfumam-se as irrealistas expectativas de que a morte de Chávez pudesse levar a uma distensão das relações bilaterais, depois de 14 anos de ataques do bolivariano ao "maldito império del dólar", com o qual nunca deixou de fazer negócios.
Mas, como sempre, tudo vale na tentativa de jogar areia nos olhos do povo e impedir que o partido do regime se saia mal no pleito que se aproxima - e que Maduro considera um referendo sobre a sua gestão. Ela tem sido um completo desastre. Nada, rigorosamente nada, melhorou para os venezuelanos desde a eleição encharcada de fraudes do antigo vice de Chávez, em abril último. A rigor, quase tudo piorou. Segundo o Banco Central da Venezuela, o desabastecimento subiu para 20%, puxado pelos bens de consumo cotidiano - do leite ao papel higiênico. A inflação é da ordem de 40%, a mais alta da América Latina.
No paralelo, o dólar vale 42 bolívares, ante 6,3 no oficial. O volume das reservas em moeda forte desceu ao menor nível em nove anos, amputando a capacidade do país de importar gêneros de primeira necessidade, pagando em dólar. A criminalidade, a corrupção e os apagões seguem o seu curso habitual. Assim também as farsas. Maduro fala em adotar "medidas especiais" contra os meios de comunicação que estimulariam a corrida aos supermercados ao abordar a crise de escassez no país.
Seria um caso típico da proverbial profecia que se cumpre por si mesma, não fosse por um detalhe que desmancha a teoria conspiratória da "guerra psicológica contra a segurança alimentar do povo", no dizer de Maduro. Vários periódicos, sobretudo no interior, tiveram a circulação suspensa ou simplesmente fecharam por falta de tinta e papel de impressão. "O governo acusa os empresários privados de provocar desabastecimento", protestou o presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa da SIP, o uruguaio Claudio Paolillo. "Mas omite a falta de insumos para a publicação de jornais, sendo o único responsável por permitir sua importação." Maduro quer evitar a todo custo que o desabastecimento se torne tema da campanha eleitoral, constata o sociólogo venezuelano Luis Vicente León. "Por isso, ameaça a imprensa com a censura ou a autocensura."

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

TRUCULÊNCIA CHAVISTA

O Estado de S.Paulo
O presidente Nicolás Maduro anunciou que a Venezuela não se submeterá mais à Corte Interamericana de Direitos Humanos. Desse modo, os venezuelanos perseguidos pelo regime, que não conseguem denunciar seus algozes nos viciados tribunais locais, não terão mais a quem recorrer na região, pois o país ficará fora da jurisdição do tribunal.

Maduro cumpre assim a ameaça feita há um ano pelo falecido caudilho Hugo Chávez, cuja campanha sistemática contra essa e outras instâncias de defesa dos direitos humanos no âmbito da Organização dos Estados Americanos (OEA) é mais uma prova contundente do caráter autoritário do chavismo.
Maduro justificou sua decisão dizendo que o tribunal interamericano é um instrumento do governo dos Estados Unidos para intrometer-se em assuntos internos dos países da região. Segundo ele, a corte "lamentavelmente se degenerou" e se crê "um poder supranacional", que atua "acima de governos legítimos do continente".
Em fevereiro de 2010, bem ao seu estilo, Chávez foi ainda mais explícito: para ele, a corte e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) formam "uma máfia", que "faz tudo, menos defender os direitos humanos". Em sua visão, trata-se de "um corpo politizado, utilizado pelo império para agredir governos como o venezuelano".
Com base nessa ideia de que um governo "soberano" é aquele que pode abusar dos cidadãos como bem entende, os países ditos bolivarianos se articularam nos últimos anos para esvaziar o poder da comissão de direitos humanos da OEA, em especial no que diz respeito à defesa da liberdade de expressão.
Tornaram-se notórias as tentativas dessa turma de promover uma reforma cujo objetivo explícito era acabar com a autonomia da CIDH, depois que a comissão denunciou arbitrariedades cometidas pelos líderes de Venezuela, Equador e Bolívia. Para o governo equatoriano, a comissão protege apenas a "liberdade de extorsão do jornalismo", ao defender jornalistas condenados por supostamente injuriar o presidente Rafael Correa.
Felizmente, as manobras na CIDH foram contidas, mas o chavismo não desistiu de sua cruzada truculenta contra o Estado de Direito.
O chanceler venezuelano, Elías Jaua, disse que a única forma de fazer o país retornar à jurisdição da Corte Interamericana seria promover "uma transformação integral do sistema de direitos humanos". A julgar pela subserviência absoluta da Justiça venezuelana ao governo, é possível concluir que essa "transformação" proposta pelos chavistas significa simplesmente esvaziar as instâncias de defesa dos direitos humanos da OEA, tornando-as meras fachadas para justificar toda sorte de abusos cometidos em nome da chamada "revolução bolivariana".
Ao lamentar a decisão de Maduro, a Anistia Internacional lembrou que o direito de recorrer à Corte Interamericana é garantido pela própria Constituição da Venezuela, em seu artigo 31. Se o governo chavista finge não saber o que está escrito na Constituição, não surpreende que as 16 sentenças condenatórias emitidas pela Corte Interamericana até 2012 contra a Venezuela tenham sido olimpicamente ignoradas.
Essas sentenças favorecem 250 vítimas das arbitrariedades do Estado. Alguns desses crimes foram cometidos antes de Chávez chegar ao poder, em 1999, mas vários dos militares responsáveis por eles são hoje leais generais a serviço do chavismo. Ademais, as sentenças da corte foram as únicas relativas a esses casos de violações de direitos humanos - a Justiça venezuelana omitiu-se vergonhosamente.
Para completar o quadro, a recente reforma do Código Orgânico de Processo Penal da Venezuela impede que organizações de defesa dos direitos humanos representem vítimas de violações em processos contra autoridades. Ironicamente, por não dispor de recursos para se defender da violência do Estado, quem mais sofre com essas restrições são os pobres, justamente aqueles que a "revolução bolivariana" diz favorecer.

sábado, 20 de abril de 2013

FINALMENTE CONSELHO ELEITORAL DA VENEZUELA CONCORDA EM AMPLIAR AUDITORIA DE VOTOS




Demorou, mas aconteceu – O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela anunciou nesta sexta-feira (19) que acatou o pedido do candidato da oposição nas eleições presidenciais, Henrique Capriles, e que será feita a auditoria de 100% dos votos eletrônicos das eleições do último domingo. Inicialmente rechaçada pelo CNE, a recontagem dos votos foi decidida depois de Nicolás Maduro ser anunciado como presidente eleito e reconhecido oficialmente como tal por governos latino-americanos que apoiam o chavismo.

“Depois de uma grande discussão para analisar o pedido, concordamos em estender a auditoria da verificação dos votos aos 46% que não foram auditados no dia da eleição”, disse a presidente do CNE, Tibisay Lucena. Ela justificou a decisão com a situação política excepcional que vive o país.
Minutos depois do anúncio do CNE, Capriles disse que apoia a decisão, que qualificou como um êxito dos seus eleitores. “Com isso, estamos onde queremos. O Comando Simón Bolívar [da campanha da oposição] aceita o que o CNE anunciou”, assinalou o candidato opositor. A auditoria do CNE, porém, não deverá ser tão completa quanto a exigida pela oposição.

“Com a auditoria, poderemos mostrar a verdade ao país”, disse o governador de 40 anos, lembrando que a análise das 12 mil caixas com comprovantes das urnas eletrônicas “com problemas” provará suas alegações. Ele pediu a seus seguidores que mantenham a calma e troquem as panelas usadas nos protestos por música.

A eleição de Maduro se deu à sobra da violação da Constituição venezuelana e de fraudes em diversos pontos do país sul-americano. Após o horário de encerramento da votação, algumas zonas eleitorais continuaram funcionando por algumas horas. Em outras localidades, o fornecimento de energia foi interrompido e, horas depois, algumas urnas foram queimadas.

É importante lembrar que no Palácio de Miraflores há um séquito de agentes cubanos a serviço de do governo de Havana, os quais atuaram de forma covarde nos bastidores da campanha presidencial e da eleição. Como a ditadura castrista precisa dos petrodólares venezuelanos, não deve descartar o uso de manobras sórdidas para garantir a vitória do chofeur bolivariano.

O presidente eleito da Venezuela, o chavista Nicolás Maduro, tomou posse nesta sexta-feira, em Caracas, com a presença das presidentes do Brasil, Dilma Rousseff; da Argentina, Cristina Kirchner; e dos presidentes do Uruguai, José Mujica; e da Bolívia, Evo Morales.

Maduro, que derrotou o rival Capriles por uma vantagem inferior a dois pontos percentuais, já foi reconhecido pela quase totalidade dos países latino-americanos. (Com informações do DW)

sábado, 13 de abril de 2013

O PONTO FRACO DE MADURO

O Estado de S.Paulo

Se as urnas deste domingo confirmarem as mais recentes pesquisas eleitorais na Venezuela, o herdeiro político de Hugo Chávez e presidente interino desde a morte do caudilho, em 5 de março último, obterá uma vitória com sabor de fracasso. Pelas sondagens, a diferença entre ele e o opositor Henrique Capriles não será "abismal", como gostaria - e necessita -, mas inferior a 10 pontos porcentuais, pouco aquém da vantagem de Chávez sobre o mesmo adversário na última disputa presidencial regular no país, em outubro do ano passado. O retrocesso será ainda maior quando se levam em conta os resultados das eleições estaduais de dezembro, já sob o impacto da recidiva do câncer que levou o caudilho a se tratar em Havana. A oposição perdeu 4 dos 7 governos que controlava, em um total de 23. Além disso, entre o início e o fim da campanha de menos de um mês encerrada na quinta-feira, Maduro perdeu 5 pontos - sinal de que não conseguiu encarnar o antecessor que o nomeara vice para depois ungi-lo como seu preferido se sobreviesse o pior.

E não foi por falta de tentar. Buscou por todos os meios identificar-se com o chefe endeusado, a ponto de dizer, grotescamente, que o seu espírito o visitara sob a forma de um passarinho canoro e de atribuir ao falecido a escolha do primeiro papa latino-americano, por sua sugestão ao ficar "cara a cara com Cristo". Ao mesmo tempo, desencadeou contra o "burguesito" Capriles uma ofensiva sórdida mesmo para os padrões chavistas, insinuando que o outro era homossexual e que um de seus assessores era o seu "mais íntimo amigo". Esforçou-se desesperadamente para parecer carismático, como se pudesse emular o El Comandante da noite para o dia, sem ter nem ao menos uma fração de seu dom. Anunciou que aumentaria o salário mínimo em 45% e prometeu "um novo modelo de governo itinerante, de rua". Capriles, por sua vez, tratou de assegurar que não desmancharia as realizações sociais da era Chávez, "mas não conseguiu apresentar nada de novo", na avaliação do cientista político venezuelano Oscar Reyes. Tampouco Maduro, exceto por abordar o problema da criminalidade no país - assunto tabu para o bolivariano.

Caso o candidato oficial de fato não se eleja com uma votação consagradora, os seus rivais em potencial na cúpula do regime, a começar do presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello - que, pela lei, é quem deveria ocupar interinamente o Palácio Miraflores entre a morte de Chávez e a posse do presidente eleito -, mais do que depressa o responsabilizarão pelo resultado insatisfatório. Porque a parte deles terá sido feita - às escâncaras. Para ter ideia, Rafael Ramirez, presidente da PDVSA, a estatal do petróleo com 120 mil funcionários, que carreia para o país 96% de suas divisas, disse numa entrevista recente, citada no Brasil pelo jornal Valor, que "nossos trabalhadores farão isso (arregimentar votos para Maduro), não tem como ser diferente", porque "têm os seus direitos políticos intactos, assim como têm os soldados, os membros das nossas Forças Armadas...". Não bastasse a mobilização do ultra-aparelhado Estado venezuelano, que de há muito não se distingue do PSUV, o partido chavista, a própria data do pleito parece ter sido fixada para favorecer Maduro.
Em 14 de abril de 2002, Chávez reassumiu o poder do qual um golpe o havia destituído três dias antes. Naturalmente, os derradeiros comícios de Maduro concentraram-se no episódio. De um lado, associando Capriles aos golpistas; de outro, celebrando o triunfo do caudilho há 11 anos. O dia da eleição, bradou o candidato, "será um dia de ressurreição, porque Maduro vai ganhar e Chávez voltará".

Por mais que mova céus e terras, porém, ele não é Chávez - e essa é a sua fraqueza talvez irremediável diante dos olhos da população cansada da escassez de produtos, carestia e violência. Na Venezuela, onde o voto é facultativo, um fator crítico será o comparecimento às urnas. Segundo as pesquisas, 93% dos eleitores chavistas se dizem propensos a votar, ante apenas 66% entre os simpatizantes de Capriles. Se esse quadro mudar à última hora, a margem da provável vitória de Maduro se estreitará ainda mais.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

CHÁVEZ, O PASSARINHO

O Estado de S.Paulo

Hugo Chávez reencarnou num passarinho. A notícia foi dada pelo sucessor do caudilho venezuelano, o presidente postiço Nicolás Maduro, no início oficial da campanha para a eleição do próximo dia 14. Maduro disse que estava numa capelinha de madeira, rezando, quando entrou um "passarinho pequenininho", que deu três voltas sobre sua cabeça e pousou numa viga, momento em que começou a assoviar. Maduro, claro, assoviou de volta, porque, entre outras qualidades fantásticas, ele entende a linguagem dos bichos, e percebeu que se tratava de Chávez emplumado. "Eu senti o espírito dele. Eu o senti como uma bênção, dizendo-nos: 'Hoje começa a batalha. Rumo à vitória'. Eu o senti na minha alma", declarou Maduro, levando a campanha eleitoral de vez para o terreno do outro mundo, um caminho sem volta desde a morte de Chávez. Não se trata, pois, da eleição de um presidente, mas da unção do filho de Deus na Venezuela - e, nesse caso, seu opositor, Henrique Capriles, só pode ser o diabo.

Maduro está presidente da Venezuela apenas por obra e graça dos desejos do falecido caudilho e das desavergonhadas manobras governistas para rasgar a Constituição que eles juram respeitar. Foi a única maneira de estabelecer um mínimo de ordem nas hostes chavistas após a morte de seu líder, evitando, ao menos por ora, um conflito entre correligionários. De discreto assessor internacional do presidente, mais conhecido fora do que dentro do país, Maduro saltou para o estrelato bolivariano quando Chávez agonizava. Sem o carisma ou a capacidade de liderança de seu mentor, ele tem a responsabilidade de manter a coesão do movimento chavista, enfrentando a crescente desconfiança da base - que certamente vai se empenhar para elegê-lo, porque se trata de uma ordem do caudilho, mas que não lhe garante apoio incondicional depois disso. Com a Venezuela mergulhada em profunda crise econômica, uma desarrumação política entre os chavistas pode tornar o país definitivamente ingovernável.

Por essa razão, Maduro precisa ver Chávez até nos passarinhos que pousam nas igrejas. A beatificação do falecido, como se sabe, começou logo depois de sua morte, mas, à medida que o tempo passa, os hagiógrafos estão perdendo qualquer pudor. Num comunicado interno da PDVSA, a estatal de petróleo que é o esteio do "socialismo do século 21", os funcionários ficaram sabendo que Chávez havia se transformado em Cristo, pois "padeceu por seu povo, consumiu-se a seu serviço, sofreu de seu próprio calvário, foi assassinado por um império, morreu jovem...". Ou seja, "preenche todos os requisitos para ser um Cristo, pois, ademais, fez milagres em vida". E o texto termina com uma exortação: "Oremos por Chávezcristo!".

Como entidade divina, portanto, Chávez é onipresente, e as leis terrenas não se aplicam a seus apóstolos. A campanha eleitoral não poderia começar antes de 2 de abril, mas o chavismo já está no palanque desde a morte do caudilho, há um mês, ocupando os principais canais de TV, primeiro com o interminável funeral de Chávez, depois com as redes obrigatórias e com a transmissão integral de longos eventos públicos oficiais. Como é apenas um mortal, Capriles que se vire com os dez dias de campanha a que tem direito, durante os quais enfrentará o rolo compressor a serviço do governo - incluindo o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, dizendo falar "em nome do Mercosul", interpretou a eleição de Maduro como um "sonho de Chávez".

Se havia necessidade de alguma prova adicional de que há na Venezuela de hoje uma brutal regressão da democracia, a despeito do que pensam os simpatizantes do chavismo no governo brasileiro, agora não há mais. Maduro, ou quem quer que os chavistas imponham ao país no futuro previsível, estará empenhado em impedir que seu poder seja contestado, lastreando-o não em elementos mundanos, como o respeito às instituições democráticas e às liberdades civis, e sim no mistério do "Chávezcristo".

VENEZUELA VIROU UM HOSPÍCIO

  Camisa de força – O devaneio começa a dominar a campanha presidencial na Venezuela, onde o bolivariano Nicolás Maduro

(Foto: Carlos Garcia Rawlins - Reuters)

continua apostando na popularidade do defunto de Hugo Chávez para permanecer no Palácio de Miraflores, onde se instalou como presidente interino depois de atropelar a Constituição do país, uma vez que foi indicado como vice-presidente por alguém que não foi empossado.

Com a campanha presidencial valendo oficialmente, Maduro insiste em faturar com fantasma do ex-caudilho, que transformou a Venezuela em um poço de miséria generalizada. Após dizer, semanas atrás, que a morte de Hugo Chávez foi um gesto de imolação do ex-presidente pelo povo e silenciar diante da notícia que ganhou a rede mundial de computadores afirmando que discos voadores acompanharam o féretro do ditador, Maduro iniciou sua campanha recorrendo ao absurdo.
Diante de uma multidão que se concentrou nas ruas de Sabaneta, cidade natal de Chávez, o presidente inconstitucional disparou: “De repente entrou um passarinho, pequenininho, e deu três voltas aqui em cima de mim”. E o fez apontando o indicador para a própria cabeça, como se Hugo Chávez o tivesse abençoado. “O senti aqui como uma bênção, nos dizendo: hoje começa a batalha. Rumo à vitória. Vocês têm nossas bênçãos. Eu o senti da minha alma”, declarou Nicolás Maduro.
Não bastasse o regime ditatorial que impera na Venezuela e socializou a miséria, especialidade de dez entre dez comunistas, o vizinho país é não apenas um território onde grassa o totalitarismo, mas um perigoso hospício a céu aberto, local propício para os marginais do poder saquearem os cofres oficiais

Fonte: Ucho.Info