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quarta-feira, 26 de junho de 2013

DE REPENTE ELES FICARAM BONZINHOS, CUIDADO!!!

PROTESTOS: De repente, com medo das ruas, instituições se põem em movimento e políticos viram bonzinhos — mas há capitulações perigosas diante do radicalismo e da demagogia



Deputados comemoram rejeição da emenda que restringia poderes do Ministério Público. De gravata vermelha, o líder do PSDB, deputado Carlos Sampaio (SP), membro do MP de São Paulo (Foto: Isabel Braga / O Globo)
Amigas e amigos do blog, é uma coisa espantosa: como num passe de mágica, por temor das ruas e também por esperteza, começa a haver uma enorme movimentação por parte de políticos, governantes e ocupantes de outros cargos públicos por mudanças — nem que seja apenas de atitudes.
Há providências de efeito imediato, há promessas claramente demagógicas, há outras razoáveis, há algumas que podem não dar em nada, mas que sinalizam na direção certa, e há, também, atos de capitulação diante de grupos radicais.
Sem nos preocupar necessariamente com a ordem de importância, vamos dar alguns exemplos:
1. Fim da ameaça ao Ministério Público. A Câmara dos Deputados rejeita espetacularmente a PEC-37, a proposta de emenda constitucional que castrava atribuições investigativas do Ministério Público — uma das poucas instituições ainda respeitadas “neztepaiz” — por 420 v0t0s a 9, quando até dias atrás havia um vasto apoio à medida, que claramente se destinava a encurralar e retaliar o MP por sua ação recente e enérgica, especialmente no caso dos mensaleiros.
2. Cadeia para o deputado, já. O Supremo Tribunal Federal reconhece nesta quarta-feira que a condenação do deputadoNatan Donadon (PMDB-RO) é definitiva e determina a expedição do mandado de prisão contra ele.
É medida histórica, por tratar-se do primeiro caso em que um parlamentar no exercício do mandato tem a prisão determinada pelo Supremo desde 1988, quando entrou em vigor a atual Constituição.
Donadon fora condenado a mais de 13 anos de cadeia já em 2010 pelos crimes de peculato e formação de quadrilha, mas desde então vinha empurrando a prisão com a barriga com uma bateria de recursos. Por 8 votos a 1, o Supremo resolveu que se tratavam apenas de recursos protelatórios e mandou prendê-lo. Parece um recado do que pode ocorrer com os mensaleiros.
3. Acaba o anonimato na votação de cassações. Mais uma medida de deputados “bonzinhos”: a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou proposta de emenda à Constituição instituindo o voto aberto dos parlamentares em processos de cassação de mandato. Ainda falta a aprovação pelo plenário, em dois turnos, e, depois, pelo Senado, nas mesmas condições.
Mas é outra reivindicação da sociedade que estava há anos sendo cozinhada no Congresso. Agora, por medo ou esperteza, está indo adiante.
4. Que haja candidatos sem partido. O presidente do Supremo Tribunal, ministro Joaquim Barbosa, visita a presidente Dilma no Palácio do Planalto e sai dizendo que “o povo cansou de conchavos”, que “chega”, e propõe que, nas eleições, candidatos avulsos, sem ligação com os partidos políticos que a rua repudia, possam se apresentar.
5. Renan, acuado, lança agenda e quer trabalho no recesso. O presidente do Senado, Renan Calheiros — fingindo que não a exigência de que renuncie ao cargo está na boca e nos cartazes dos manifestantes — indica que o recesso de julho do Congresso poderá ser suspenso, para que o Legislativo trabalhe nas férias, e desfia uma série de 17 propostas, inclusive a instituição de passe livre para estudantes de todo o país, com parte do dinheiro que virá do pré-sal.
Demagogia barata e concessão absurda aos garotos extremistas do tal do Movimento Passe Livre (MPL), como se pode ver.
Se estudante pode ter passe livre, por que não também o trabalhador? E o desempregado? E o portador de deficiência física? E aposentado que ganha pouco? A velha visão do coronel alagoano de que o Estado deve ser sugado por todos os lados prevaleceu. E daqui a pouco o dinheiro do pré-sal vai acabar antes que o petróleo saia do fundo do mar.
6. Transporte vira “direito social”. Quem paga? Em outra concessão ao Movimento Passe Livre, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou correndo uma proposta de emenda constitucional que inclui os transportes entre os “direitos sociais” dos brasileiros. É a velha história: o Congresso é pródigo em conceder direitos, sem esclarecer bem que os pagará, e extremamente econômico em fixar deveres. Outra capitulação aos gatos pingados radicais do tal MPL.
7. Médicos de toda parte, por toda parte. De repente, como se caísse do céu, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha — que quer ser candidato do PT ao governo de São Paulo — anuncia que vão ser criadas 14 mil vagas de residência médica “neztepaiz”. Pergunta-se porque não se criou antes, se eram (como são) necessárias.
E os médicos estrangeiros, que eram 6 mil cubanos, agora subiram para 10 mil. Compreensivelmente, entidades médicas de todo o país preparam uma greve geral.
8. Os radicais do MPL ganhando mais status. O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), lança um “pacto de transparência” na área de transportes, diz que vai permitir o acesso dos interessados aos números dos contratos com as empresas de ônibus, permite que sua base parlamentar deixe ser aprovada uma CPI dos Transportes na Câmara Municipal e, em outra concessão ao MPL, deverá integrá-lo num Conselho Municipal de Transportes que incluirá membros da “sociedade civil”.
9. Sem-teto no palácio. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, recebe uma comissão de sem-teto no Palácio dos Bandeirantes e, entre outros compromissos, assume o de elevar de 300 para 400 reais por mês o auxílio-aluguel pago a quase 2.000 famílias da Grande São Paulo que aguardam moradia dos programas estaduais de construção de casas.
O governador já recuara no aumento dos preços das passagens do metrô e dos trens urbanos e suburbanos e, igualmente, fizera acordo com as concessionárias de rodovias estaduais para que não aumentassem o valor dos pedágos. Os cofres estaduais serão sacrificados nos três casos.
Ricardo Setti - Veja

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

SEGURANÇAS AGRIDEM PACIENTES EM PRONTO-SOCORRO


Três pessoas afirmaram ter sofrido agressões pela equipe de seguranças do Pronto-Socorro Central de São Bernardo na noite de ontem. Entre as vítimas estão duas mulheres. É o segundo caso de violência nesta semana em prontos-socorros de São Bernardo.

A confusão começou quando Lesle Guglielni, 35 anos, pediu para acompanhar a mulher, Karina, 29, até o corredor onde os pacientes aguardam o chamado do médico. Ela queixava-se de dores estomacais. Segundo o marido, ele pediu novamente para entrar e foi barrado de forma violenta. Em seguida, disse que chamaria a polícia. "De repente um segurança enfiou o dedo na minha cara e pegou no meu colarinho. Disse que ‘aqui ninguém acompanha ninguém' e que eu poderia pagar qualquer imposto, mas que a lei é deles. É muito despreparo", disse.
 Ao presenciar a agressão, a mulher da vítima interferiu e também foi agredida. "Torceram meu braço sem dó."
Indignada com a violência contra a mulher, outra paciente, Josenilda Rodrigues, 31, decidiu registrar a cena com seu celular. "Foi absurdo. Vi cinco homens em cima dela. Entrei de boba na situação, levei um soco no estômago e jogaram meu aparelho no chão." A vítima foi embora e disse que registraria boletim de ocorrência na Delegacia da Mulher. De acordo com pacientes, depois do incidente o chefe da segurança dispersou os funcionários e trocou o vigia da porta da unidade.

 Quem presenciou a confusão confirmou a versão dos pacientes e reclamou da falta de providências. "Ninguém deu nenhuma satisfação. E se essa mulher estivesse grávida?", disse Fábio Matos, 31.
 O serviço de segurança é terceirizado. O secretário de Saúde, Arthur Chioro, condenou a conduta e afirmou que abrirá sindicância hoje para apurar o caso. "Não admitimos qualquer ato de violência. As versões (dos seguranças e pacientes) diferem, mas vamos tomar as providências necessárias. É uma situação absurda e inadmissível." Caso as agressões sejam comprovadas, os funcionários poderão ser substituídos e a empresa deverá assumir as consequências.

Caso de violência envolvendo vigias é o segundo da semana

Na segunda-feira, quatro pessoas ficaram feridas após atirador invadir a Unidade de Saúde do Alvarenga e disparar contra pacientes e vigilantes. O autor continua foragido.
André Sousa de Oliveira, 35 anos, alvo do atirador, foi baleado com vários tiros de pistola automática quando se preparava para iniciar o turno de trabalho, às 19h. Ele continua internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Estadual Serraria, em Diadema. As demais vítimas tiveram ferimentos leves.

Segundo investigação do 3º Distrito Policial, o crime pode ter sido encomendado pela ex-mulher do vigilante, que disputa na Justiça a guarda dos dois filhos. Ontem, a polícia começou a procurar por imagens de câmeras de segurança das imediações para tentar identificar o autor dos disparos em fuga.

A única câmera do PS, anexo à unidade de Saúde, estava quebrada.

Maíra Sanches

Em tempo: São Bernardo é administrada pelo PT.