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sábado, 6 de novembro de 2010

OPERAÇÃO AÉCIO.

Marcelo de Moraes / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Com apoio de partidos da base governista, o senador eleito Aécio Neves (PSDB-MG) deflagrou articulação política para conquistar a presidência do Senado, acenando em troca com apoio para os parceiros de empreitada controlarem a Câmara.

Eugênio Sávio/Imprensa MGDesafios. Aécio Neves, em Belo Horizonte: ex-governador tem apoio garantido dentro do PP e trânsito fácil no PSB, mas precisa conquistar partidos adversários

Na chamada "operação Aécio", bancada por PSDB e DEM e com o apoio informal de setores do PSB e do PP - podendo ter a adesão de PDT e PC do B -, seria formada uma ampla aliança entre esses partidos. Isso garantiria ao grupo uma expressiva quantidade de votos na Câmara e no Senado, ameaçando a parceria entre PMDB e PT para controlar as duas Casas.

No Senado, a soma do bloco de oposição formado por PSDB, DEM e PPS garante 18 votos, total que pode subir para 21, com a adesão de senadores dissidentes do PMDB. É pouco para impor perigo à dupla PMDB-PT. Mas a costura de um acordo com PP (5 senadores), PDT (4 senadores) PSB (3 senadores) e PC do B (2 senadores) mudaria esse patamar para 32 senadores, o que garantiria uma largada forte nessa disputa contra outros 17 senadores do PMDB e 14 do PT. Assim, a decisão da questão se daria por meio da captura dos votos de partidos mais flutuantes, como PTB e PR, por exemplo.

Não se trata de uma equação fácil, muito menos de efeito garantido, já que o poder de fogo do governo federal é muito grande e pode fazer com que parlamentares da base governista desistam de embarcar no projeto de Aécio, sob pena de retaliação política. Dentro do Palácio do Planalto ainda não surgiu a ordem para explodir os planos tucanos. Mas apenas a existência dessa movimentação já preocupa o governo, que não deseja ver um adversário em potencial da próxima disputa presidencial comandando a pauta e a agenda do Senado e deve atuar para impedir sua vitória.

PMDB. A negociação de Aécio preocupa mais ainda ao PMDB, que sempre tem a Presidência de pelo menos uma das duas Casas e não quer abrir mão desse poder.

Quando conquistou a presidência da Câmara, em 2001, Aécio se movimentou de forma semelhante, atraindo apoio de partidos adversários, e derrotou, na época, o favorito Inocêncio Oliveira, então do PFL. Na ocasião, os tucanos também não tinham a maior bancada em nenhuma das duas Casas. Em compensação, tinham o controle do governo federal, com o presidente Fernando Henrique Cardoso, o que, certamente, facilitou a tarefa.

Agora, alinhado com a oposição à presidente eleita Dilma Rousseff, Aécio terá muito mais problemas para fazer a operação avançar. A seu favor, porém, conspiram vários fatores.

Primeiro, a disputa entre PT e PMDB para definir quem indicarão para presidir Câmara e Senado. Os partidos negociam um rodízio, mas a discussão está longe de apresentar um consenso. Uma má solução para esse acordo pode gerar espaço para o avanço do ex-governador mineiro.

Articulação. Outro ponto positivo é a forte capacidade de articulação de Aécio. Além de ser consensual entre a oposição, ele conta com apoio garantido dentro do PP, presidido pelo senador Francisco Dornelles (RJ), seu primo.

Com o PSB, seu trânsito também é forte. A parceria política com os socialistas é antiga e já rendeu, por exemplo, uma ampla aliança em Minas Gerais, com a eleição do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), com o apoio do então governador tucano.

A mesma parceria entre PSDB e PSB também produziu frutos no Paraná, onde Luciano Ducci (PSB) assumiu a Prefeitura de Curitiba depois que o tucano Beto Richa se desincompatibilizou do cargo para concorrer e ganhar o governo estadual.

O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), defendeu publicamente dentro de seu partido a candidatura de Aécio. Apesar de dizer oficialmente ser contra esse acordo, o presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, conversou nos últimos dias com pelo menos dois governadores tucanos, Beto Richa e Teotônio Vilella Filho (AL).

Cargos. A confirmação desses apoios passa por discussões mais complicadas dentro da Câmara. Partidos governistas de porte médio deverão formar blocos parlamentares para ampliar seu tamanho. Assim, conseguiriam cargos melhores na divisão do controle de postos nas Mesas Diretoras e no comando das comissões técnicas e relatorias da Casa.

O PSB estuda reeditar com PDT e PC do B o antigo bloquinho, aliança política reunindo os três partidos que garantiria uma bancada de 77 deputados na Câmara. PP, PR e PTB podem também se juntar e montar uma aliança com 103 deputados, superior ao PT, maior partido da Casa, que elegeu 88 deputados.

Aécio também poderia trazer para o Senado a imagem de renovação tão desejada, depois de um período de muitas crises, provocada pela descoberta do inchaço da estrutura da Casa e do pagamento de benefícios exagerados para parlamentares e funcionários por meio de atos secretos.


FATORES QUE CONTRIBUEM PARA O PLANO DO TUCANO

Aliança

Mesmo de lados opostos, PSB e PSDB têm consolidado uma parceria informal. Aécio Neves se relaciona bem com os principais líderes do PSB

Espaço

Desejo de partidos da base governista, como PSB, PDT e PC do B, em conquistar maior espaço de poder dentro do Congresso

Ocupação

Tentativa de isolamento do PMDB para quebrar sua hegemonia na ocupação dos melhores postos tanto na Câmara quanto no Senado

Trânsito

Capacidade de articulação política de Aécio Neves, que tem trânsito forte entre oposição e governo e até mesmo dentro de PMDB e PT

Estratégia

Disputa entre PT e PMDB pelo controle da Câmara e do Senado. Para salvar a parceria, os dois partidos já estudam um rodízio

Contraponto

Necessidade dos partidos de oposição de ocupar um espaço onde possa fazer

contraponto com o governo federal

sexta-feira, 7 de maio de 2010

PSDB PROCURA ALIANÇAS NO ESP. SANTO.

Rompido desde 2008 com o vice-governador Ricardo Ferraço (PMDB), o deputado federal e pré-candidato ao governo Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) sinalizou para uma reaproximação com o ex-colega de partido. Em reunião em que oficializou ao DEM e ao PPS, ontem, o convite para integrar sua chapa, o tucano, em busca de aliados, afirmou querer conversar não só com o vice, mas com a frente de partidos – entre eles PR, PDT, PMDB e PP – que era aliada de Ferraço na corrida ao governo.




“Quero dialogar com todas as forças que estavam no projeto de Ferraço. Critiquei o modo como foi construído o projeto, mas os que entraram nele o fizeram de boa fé, querendo acertar. Quero dialogar com o próprio Ferraço, se ele se dispuser”, observou.



Caracterizando como “condomínio de poder” a aliança pró-Ferraço, Luiz Paulo manifestou sinais de solidariedade ao vice, ao criticar “a intervenção do PT nacional” na retirada do vice-governador da corrida sucessória do Palácio Anchieta, em favor do senador Renato Casagrande (PSB). Na última semana, o socialista foi alçado pelo governador Paulo Hartung (PMDB) como seu candidato ao governo, e Ferraço virou pré-candidato ao Senado – mas sinaliza rompimento com Hartung.



Na reunião de ontem, entre as executivas estaduais do PSDB, PPS e DEM, na sede do Democratas, em Vitória, o tucano buscou se aproximar do DEM e PPS, que caminhavam para parceria com Ferraço ao governo. Houve informações de bastidores relatando uma possível atuação do tucano em Brasília para segurar DEM e PPS locais em sua base.



Luiz Paulo lançou ontem o convite às duas siglas, mas não há decisões fechadas. “DEM e PPS têm como prioridade as chapas proporcionais”, disse o vereador de Vitória Max da Mata (DEM). As duas legendas, hoje mais próximas de Luiz Paulo, querem coligação para eleger deputados federais e estaduais. “Queremos também participar das discussões da chapa majoritária, caso fechemos com Luiz Paulo”, frisou Max. Leia-se as vagas de vice e a segunda de senador – uma já está com a deputada federal Rita Camata (PSDB).



Luiz Paulo concordou com as propostas. “Acho que não tem dificuldade. É legítimo”. Para o presidente estadual do PPS, Luciano Rezende, “DEM e PPS não estão condenados a repetir alianças nacionais”. A avaliação é de que DEM e PPS teriam dificuldades de eleger federais em coligação com o PSDB, que teriam nomes como César Colnago (PSDB) e Max Filho (PTB) na chapa. Luiz Paulo sinalizou para uma aliança “branca”. “Se eles (PPS e DEM) quiserem fazer a proporcional fora da majoritária, vamos entender”. (Com colaboração de Isabela Bessa)



Mais um dia de silêncio de Hartung

O governador Paulo Hartung (PMDB) manteve, ontem, o silêncio sobre as pesadas declarações feitas na última segunda-feira por seu vice, Ricardo Ferraço (PMDB), em evento peemedebista. O pronunciamento de Ferraço foi o primeiro após a reviravolta política nas pré-candidaturas para o governo colocadas no Espírito Santo. Na quarta-feira da semana passada, Hartung anunciou a retirada da candidatura de Ferraço, então líder de intenções nas pesquisas de opinião – e declarou apoio à pré-candidatura do senador Renato Casagrande (PSB). Na segunda-feira, Ferraço explicou aos seus colegas de partido que seria “candidato do governo sem o aopio do governo”. “Era uma contradição. Eu era candidato palaciano com que tipo de apoio?”, declarou o vice. “Para mim, foi um ‘abril sangrento’. Eu sangrei e todos sabem porquê”, pontuou Ferraço. Ele ainda desabafou: “O fogo amigo me corroeu. A essa altura da minha vida, tudo que quero é restaurar minha dignidade”. As declarações foram interpretadas no mercado político como indiretas a Hartung. Na manhã de ontem, o governador participou da passagem de comando da Polícia Militar, almoçou com o urbanista Jaime Lerner e, segundo sua assessoria, passou a tarde em agenda administrativa no governo, sem reuniões políticas. Hoje, às 10h30, Hartung participará, em Linhares, da inauguração de uma fábrica de processamento de cacau.



Serra fará caminhada na Glória na segunda

O presidenciável tucano José Serra visitará o Estado na próxima segunda-feira, dia 10, confirmou ontem à noite Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB). Serra chega para cumprir uma agenda popular. Terá um almoço com lideranças em um encontro de representantes da colônia italiana em Campo Grande, Cariacica.



Depois, o ex-governador de São Paulo segue para uma visita ao polo de confecções da Glória, em Vila Velha. Passa, em seguida, pelo Mercado da Vila Rubim, no Centro de Vitória.



O final da agenda será no bar do Ceará, em Jucutuquara, bairro da Capital. O tucano viaja ainda na segunda-feira. Luiz Paulo já havia solicitado a visita de Serra ao Estado e aguardada definições de agenda do candidato.



Encontros com PDT E PP

Estreitando conversas partidárias com a saída do vice-governador Ricardo Ferraço (PMDB) da disputa ao governo, o pré-candidato ao Palácio Anchieta Luiz Paulo, com a Executiva do PSDB, se reuniu ontem com a Executiva do PP. Mais à noite, os tucanos se encontraram com o PDT do prefeito da Serra, Sérgio Vidigal.



Luiz Paulo convidou os pepistas para integrar sua chapa ao governo, embora a conversa seja inicial. O PP mantém decisões em conjunto com um bloco de partidos – PDT, PR, PSC e PRB – que firmaram ontem um protocolo de intenções.



“Foi uma abertura de diálogo”, frisa o presidente do PP, Nilton Baiano. “Nossa conversa foi mais de coligação majoritária. Estamos ouvindo os candidatos, já que estávamos com Ferraço e o jogo zerou”. Luiz Paulo encontra com o bloco na quinta-feira.



Já no encontro com o PDT, segundo Vidigal, o PSDB abriu a possibilidade de aliança majoritária. “Nós agradecemos. Não estamos condicionando adesão a uma vaga de vice ao PDT. Queremos construir juntos”. Vidigal, depois do encontro, relativizou um espaço de vice que antes o PDT reivindicava.



“Não temos um vice fabricado. De repente uma outra pessoa agregue mais que uma do nosso partido. O PDT quer tratamento proporcional ao seu tamanho e está aberto ao diálogo”, disse o prefeito. “Estamos fazendo análise de conjuntura. Falamos de proporcionais, mas sem loteamento”, frisou Luiz Paulo.



PTB admite que está mais próximo de aliança com tucanos

O PTB definiu: amanhã, após reunião de correligionários que já anunciaram pré-candidaturas, vai anunciar qual chapa majoritária apoia nas eleições de outubro. Segundo a presidente do partido no Estado, Marília Belotti, a inclinação do grupo é aderir à chapa do deputado federal Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) ao governo.



A presidente ressaltou que a sensação no PTB é de que a chapa tucana tem mais espaço a oferecer aos aliados. “Antes da reviravolta política da última semana, tínhamos uma conversa mais próxima com o senador Renato Casagrande (PSB). Contudo, agora vemos que ‘o trem está cheio’ na chapa do PSB, e sobraria pouco espaço para nós”.



Marília considerou, ainda, que o rearranjo político pode ter prejudicado os socialistas. Fazem parte do PTB os ex-prefeitos José Carlos Elias, Max Filho e o ex-governador Max Mauro.



Como foi a briga entre Luiz Paulo e Ferraço

2008. A briga entre o deputado federal Luiz Paulo Vellozo Lucas e o vice-governador Ricardo Ferraço ocorreu no período eleitoral de 2008. Ferraço era do PSDB.



Fidelidade. Após as sucessivas participações do vice – já apontando como o número um da fila sucessória ao governo – em palanques de candidatos adversários do PSDB, Luiz Paulo criticou duramente sua postura. O rastro de infidelidade de Ferraço ocorreu em municípios da Grande Vitória e do interior. Ele pediu votos para João Coser (PT), em Vitória, Hércules Silveira (PMDB), em Vila Velha, e Guerino Zanon (PMDB), em Linhares.



Adversário. O bate-boca entre os dois subiu o tom. Eis algumas frases de Luiz Paulo: “Mas ele (Ferraço) nem se deu ao trabalho de se desfiliar do partido, para então chamar o PSDB para ser seu adversário principal nas eleições. Seria mais digno se ele fizesse isso”. “Fui surpreendido, mas não fiquei surpreso. O gesto político dele atingiu violentamente nossas candidaturas. Desqualificou e enfraqueceu a posição do PSDB no processo eleitoral deste ano”.



Pessoal. O vice-governador revidou. “Ele (Luiz Paulo) faz o que ele quer, como um menino mimado. Ele colocou o partido debaixo do braço, e, com seu estilo narcisista de se achar, está levando o PSDB à destruição e ao isolamento”. “Ele está muito mal acostumado. Há muito tempo ele não disputa uma eleição sem a proteção de Paulo Hartung. Aliás, a eleição que ele iria disputar, que era a deste ano para prefeito de Vitória, ele correu. Ele fugiu porque é um omisso, e é um acomodado”. “Eu devo adverti-lo que para ser candidato a governador, e para governar, tem que gostar de trabalhar. (...) E gosto pelo trabalho é o que ele não tem”.



Consenso. A executiva estadual do PSDB, também com atuação do governador Paulo Hartung (PMDB), acertou uma desfiliação consensual, de modo a permitir que Ferraço deixasse o PSDB sem perder o mandato por infidelidade partidária. O vice foi para o PMDB.