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sábado, 23 de março de 2013

OS TRUNFOS DO PSDB

 



MERVAL PEREIRA17.3.2013 10h33m
 
O senador Aécio Neves também vem se movimentando nos bastidores para pavimentar possíveis acordos partidários quando sua candidatura à presidência da República for confirmada oficialmente pelo PSDB. Ele joga com os mesmos descontentamentos que seu provável adversário Eduardo Campos vem tentando explorar na aliança governista, e ambos dependem também da economia para viabilizar suas candidaturas.
Campos mais que Aécio, pois terá que romper com o governo para lançar-se candidato, enquanto o senador mineiro é a escolha natural dos tucanos em 2014. Além disso, o PSDB tem sido o repositório da votação oposicionista nas últimas três eleições, por pior que seja sua situação interna ou a fraqueza de sua atuação no Congresso.
Na hora decisiva, ainda é a sigla que une os que não querem um governo petista, tendo tido uma média de 40% dos votos nacionais no segundo turno, fosse qual fosse o candidato. Na eleição de 2010 o PSDB chegou a ter 45% dos votos, mais devido à fragilidade da candidata Dilma do que por seus próprios méritos. Passar desse nível para desbancar o PT do governo depende, sobretudo, da situação do país e da campanha que fizer.
As circunstâncias das últimas campanhas levaram o PSDB para uma posição mais conservadora do que seria necessário para ampliar essa votação no segundo turno, a tal ponto que o hoje governador Geraldo Alckmin teve menos votos no segundo turno de 2006 do que no primeiro.
É ponto pacífico entre os políticos que um acordo formal entre os candidatos no segundo turno não é tão importante quanto o candidato classificado encarnar uma proposta capaz de ser aceita pelos eleitores que, no primeiro turno, votaram contra a candidatura oficial. No caso de 2014, a se confirmarem as candidaturas de Marina Silva, Eduardo Campos e Aécio Neves, não é provável que todos estejam juntos no segundo turno.
No momento, o PSB não admite apoiar Marina Silva, por exemplo, considerando-a uma fundamentalista que prejudicaria o país com suas ideias. É provável até mesmo que já no primeiro turno os dois divirjam mais do que concordem.
Tanto Campos quanto Aécio têm mais possibilidades de receberem apoio mútuo, mas o PSDB não tem tantas divergências assim com Marina e poderia receber o apoio dela e de Campos num segundo turno, sendo claro que Aécio tem um perfil conciliador que facilita os acordos. Campos quase certamente receberia o apoio de Aécio, e de parte do eleitorado de Marina que busca uma alternativa nova, independente do radicalismo das ideias ambientais.
O senador Aécio Neves pretende dar a sua campanha um ar mais progressista, evitando a armadilha petista de colocar os tucanos como reacionários na política e entreguistas na economia. O que Aécio Neves teria a mais que seus companheiros oposicionistas é a estrutura partidária do PSDB espalhada pelo país. Devido a isso, o PSDB considera que no momento decisivo, parceiros tradicionais como o PPS e o DEM permanecerão coligados.
Aécio vem conversando nas mesmas áreas em que o governador de Pernambuco está testando suas possibilidades, como o PDT, mas também com o PTB e o PP, presidido pelo senador Francisco Dornelles, de quem é muito próximo. Mas só aceitará concorrer se estiver convencido de que a seção paulista do PSDB ficará ao seu lado, mesmo que Serra não seja persuadido a aderir ao projeto.
Assim como o governador de Pernambuco Eduardo Campos, também o senador Aécio Neves trabalha com a hipótese de o PMDB do Rio romper com o governo devido não apenas à questão dos royalties do petróleo como também à candidatura de Lindbergh Farias pelo PT ao governo do Rio. Nesse caso, Aécio tem a vantagem do relacionamento estreito que mantém não apenas com o governador Sérgio Cabral, mas com o prefeito do Rio Eduardo Paes, ambos vindos dos quadros do PSDB.
Além disso, Aécio pretende explorar sua ligação pessoal com o Rio de Janeiro, e também trabalha para conseguir um acordo sobre os royalties. Ele sabe, porém, que o partido terá pela frente, provavelmente no ano da eleição, que encarar o julgamento do chamado “mensalão mineiro”, que envolve o hoje deputado federal Eduardo Azeredo, à época presidente nacional do partido.
A partir da decisão do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do mensalão do PT, de que não há caixa 2 com desvio de dinheiro público, as chances de Azeredo escapar de uma condenação são mínimas. Ele já foi avisado de que, ao contrário do PT, o PSDB não pretende assumir sua defesa, e se não se desligar do partido, será expulso se condenado.
 
Fonte: O Globo

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

2013, O ANO QUE JÁ TERMINOU


     O ano de 2012 se encerrou de forma absolutamente normal no Congresso Nacional. Em sua última sessão, o Senado aprovou um trem da alegria para os Três Poderes, com a criação de milhares de cargos numa só canetada. É normal porque a caneta era de José Sarney, companheiro de Dilma Rousseff, uma aliança que, todos sabem, serve ao Brasil de todos – todos os que fizeram as amizades certas. Se você está fora dessa, terá de cumprir em 2013 o destino trágico dos reles mortais, esses infelizes que não têm uma Rosemary para chamar de sua – e que ainda fazem uma coisa primária que os companheiros revolucionários não precisam mais fazer: trabalhar.

Mas não se desespere. A vida dos excluídos (do banquete petista) tem lá suas compensações. É bem verdade que você nunca verá um filho seu ficar famoso da noite para o dia por ter arranjado uma boquinha na Anac ou no Senado. Nunca o convidarão, também, para uma reunião com José Dirceu para “reforçar o Marco Maia”.

Enfim, você não tem a menor importância na República do Oprimido, mas nem tudo são espinhos. Ninguém lhe pedirá para cantar “olê, olê, olê, olá, Lula, Lula” em desagravo ao filho do Brasil – o que já é um vidão.

Para consolar os excluídos, os que vivem miseravelmente sem acesso a uma única teta do Estado brasileiro, uma ponderação: o Brasil se tornou um país previsível, de rumo firme. Isso torna possível antecipar o que acontecerá em 2013. Isso jamais seria possível antes do Descobrimento (em 2003) – portanto, não reclame de barriga cheia.

Em março, Dilma Rousseff convocará a primeira cadeia nacional de rádio e TV da série 2013. Fará um pronunciamento à nação pelo Dia Internacional da Mulher. Falará com a voz embargada, sobre um fundo de violinos, e, se a iluminação do estúdio estiver correta, parecerá ter os olhos molhados. Encherá os brasileiros de orgulho por ser governados por uma “presidenta” – palavra que seus assessores saberão encaixar no discurso – e anunciará algum programa social novo, tipo Brasil Caridoso, Brasil Sem Tristeza ou Brasil Fofo. Apresentará uma estatística impressionante, encomendada ao Ipea e à FGV, mostrando que nos anos Fernando Henrique lugar de mulher era na cozinha.

A inflação em 2013 continuará subindo, e a aprovação a Dilma tambémEm 2013, o Brasil sofrerá novos apagões, provocados por raios neoliberais e elitistas. A tarifa populista de energia será implantada, ajudando a sucatear as empresas do setor, que por isso investirão menos ainda em manutenção – mas os blecautes não terão nada a ver com isso. O ministro Edison Lobão explicará que nosso sistema é um dos melhores do mundo e que essa mania de ter luz o tempo todo é coisa de burguesia consumista. Sarney ficará orgulhoso de seu afilhado – e pedirá a Roseana, com jeito, que deixe Lobão governar um pouquinho o Maranhão (“Filha, agora descansa e deixa seu colega brincar também.”).

A inflação em 2013 continuará subindo, e a aprovação a Dilma também. Explica-se o paradoxo: a principal causa da subida dos preços será um novo aumento explosivo dos gastos públicos, incluindo a distribuição de mais dinheiro de graça para a população – através dos programas carinhosos, o Bolsa Tudo. É a “destruição invisível” da economia nacional, que em 2013 será caprichada, porque em 2014 tem eleição. Os simpatizantes do governo popular ficarão felizes com a farta distribuição de bolsas, cargos, convênios a granel para os ministérios parasitários, e Dilma marchará tranquila para a reeleição. Aécio Neves assistirá a tudo escondido nas Alterosas e rezando para que Eduardo Campos o ultrapasse na corrida para não chegar.

Joaquim Barbosa, o redentor, fará muitos comícios sociais na presidência do Supremo, deixando pela primeira vez os brasileiros na dúvida: talvez exista outro ser tão bonzinho quanto Lula da Silva. Barbosa evidentemente será mordido pela mosca azul, mas o eleitor acabará ficando mesmo com o pacote Lula/Dilma, para não arriscar a mesada (o mensalão popular).

Rosemary não entregará seu chefe. Terá um ano sofrido, sem passaporte diplomático, mas ficará firme. Afinal, Lula não sabia (dona Marisa muito menos), e o amor sempre vence.

Como se vê, 2013 já foi. Se quiser uma passagem direta para 2014, passe no caixa da revolução, que o pessoal da Rose na Anac arranja para você.

Guilherme Fiúza

terça-feira, 13 de março de 2012

A PESCARIA DE AÉCIO

Aécio Neves vai aproveitar a sucessão municipal para desfilar ao lado de aliados de Dilma coligados com os tucanos em várias capitais do país. Assim, faz seus comerciais pelo Brasil e ajuda a colocar mais uma cunha entre os partidos e o PT

No ano passado, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) comentava com amigos que, tão logo passasse a eleição municipal, a extensa base do governo se desintegraria. Era impossível para qualquer gestor político administrar tantas cobranças, insatisfações e frustrações decorrentes da disputa eleitoral. Ele então, teria caminho livre para coletar aliados. Tudo parece ter se antecipado, em meio à interminável reforma ministerial da presidente Dilma Rousseff.


Por isso, antes de embarcar para Washington, onde foi tratar de assuntos de Minas Gerais, Aécio teve várias conversas. Suas andanças incluíram conversas com representantes de Pernambuco e Amazonas, e passaram também pelo Centro-Oeste. Não por acaso, o senador Blairo Maggi (PR-MT), sempre cotado para assumir o Ministério dos Transportes no governo Dilma, teve publicada uma frase dizendo que votará em Aécio para presidente, só não sabe se em 2014 ou em 2018.

Por falar em Blairo...
A frase pegou mal entre os caciques petistas e a turma do Planalto. Há quem tenha anotado a declaração para fazer a presidente Dilma perceber que fica esquisito ela chamar para compor o seu governo alguém que declara o voto futuro no adversário. Ou seja, um aliado que não é lá muito fã do modus operandi. Senão de Dilma, do PT.

Vale lembrar que, no ano passado, o então ministro da Defesa, Nelson Jobim, terminou saindo do governo por criticar a interlocução política de Dilma e, ao mesmo tempo, declarar que havia votado em José Serra na corrida presidencial. Blairo, pelo visto, "queimou esta segunda largada" para o ministério. (De outra vez, ele, convidado, recusou).

Por falar em José Serra...
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, trabalha silenciosamente a ida do PSB para a campanha de Serra à prefeitura de São Paulo. Faz isso mesmo depois de o presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, ter deixado claro que não abandonará Lula — e não dá para esquecer que o ex-presidente coloca a conquista de São Paulo como um projeto pessoal.

Kassab, que de bobo não tem nada, já percebeu que a fresta capaz de levar o PSB a apoiar Serra é o PT. Os petistas têm feito tantos desaforos para com o PSB paulista que podem terminar construindo um discurso que leve Eduardo Campos a tomar a seguinte atitude: "Fiz a minha parte, mas o PT não nos estendeu o tapete vermelho".

Por falar em PSB...
O fato de o PT tripudiar em cima dos socialistas paulistas pode até não ser suficiente hoje para tirar Eduardo Campos do lado do PT. Mas termina por deixar parte do PSB mais próxima de uma carreira solo em parceira com Gilberto Kassab ou mesmo dos tucanos. Afinal, PSDB e PSB são parceiros no Paraná, em Minas Gerais, em São Paulo, na Paraíba e por aí vai. Este mês, Campos estreita os laços com Teotônio Vilela (PSDB-AL) para a construção de um aeroporto comum, que sirva ao turismo do sul de Pernambuco e do norte de Alagoas.

Não é à toa que Aécio vai aproveitar a sucessão municipal para desfilar ao lado de aliados de Dilma coligados com os tucanos em várias capitais do país. Especialmente, o PSB. Assim, enquanto faz seus comerciais pelo Brasil, ajuda a colocar mais uma cunha na base governista. E, do jeito que base balança, essa tarefa está cada vez mais fácil.

Fonte:
Denise Rothenburg
Correio Braziliense

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

FATOR SERRA ATRAPALHA ALIANÇAS DO PT

Os partidos se preparam para a disputa pela Prefeitura de São Paulo – a mais importante disputa do ano – de olho nas alianças partidárias e, principalmente, no tempo de televisão a que tem direito cada partido.

Foi muito mais neste aspecto que a candidatura de José Serra atingiu a candidatura de Fernando Haddad, do PT.

O partido esperava repetir este ano um amplo arco de alianças, mas a candidatura de Serra acabou atraindo outros partidos que estão com o PT nacional e, ainda, está estimulando o lançamento de outros candidatos – como Tiririca, do PR e Paulo Pereira da Silva, do PDT, partidos que apóiam o governo Dilma em Brasília, além do PSD, com o qual o PT chegou a flertar.

Segundo cálculos de petistas e tucanos, embora as negociações estejam ainda em curso, José Serra deverá contar com o apoio de PSDB, PV, PPS, DEM, PSD e PP. Já o PT poderá contar com o PSB, conforme promessa do presidente do partido, Eduardo Campos, e ainda do PR – se o partido desistir da candidatura do deputado Tiririca. Gabriel Chalita do PMDB está com compromisso com PSC, PSL, PTC, PHS.

Todos disputam o apoio do PTB e do PC do B, mas segundo petistas, o PTB não deve ir para o palanque de Serra; assim como o PC do B também não quer repetir a aliança com o PT em São Paulo porque não recebeu o apoio dos petistas no Rio Grande do Sul, por exemplo.

As articulações pelas alianças estão intensas, mas todos concordam que a entrada de Serra na disputa acabou gerando um fato importante.

- Foi muito bom para o PSDB que terá tranquilidade até 2014 (se Serra ganhar ou perder, não será desde já candidato à presidência) e, principalmente, para Aécio Neves, que terá o caminho livre – reconheceu um petista.

Aécio Neves, por sua vez, fez questão de elogiar a decisão de José Serra, a quem chamou de “grande líder” do partido, e aproveitou para dar uma estocada no PT.

- A candidatura de Serra demonstrou que o PT deu dois tiros no pé ao tentar se aproximar do PSB: o primeiro, porque estimulou o lançamento da candidatura de Serra. e o segundo porque perdeu apoios e o discurso crítico a Kassab pois, o eleitor de São Paulo vai entender que não pode o PT ver virtudes em Kassab quando quer tê-lo como aliado e só defeitos quando não está aliado- disse.

O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, também fez elogios à decisão de Serra, observando que agora o PSDB tem chances fortes de vitória em São Paulo.

Os tucanos não contavam com uma declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em que ele recoloca Serra na lista de possíveis candidatos do PSDB à presidência. Aécio disse que não se sente compelido a se dedicar à uma pré-campanha, alegando que seria pretensão se apresentar desde já:

- Ainda não vejo essa relação direta da candidatura de Serra a prefeito ( com sua uma candidatura à presidência). O Serra já assumiu seus compromissos, mas nós políticos não somos donos de nosso destino. Estamos decidindo porque isso é uma questão para 2014 e não podemos esquecer que o partido tem Geraldo Alckmin, Beto Richa, Marcone Perillo, e pela vitalidade que tem demonstrado, por que não falar em Fernando Henrique Cardoso – disse Aécio

Cristiana Lôbo

sábado, 28 de janeiro de 2012

OPOSIÇÃO SEM RUMO

Nesta semana fomos surpreendidos por uma entrevista de Fernando Henrique Cardoso. Não pela entrevista, claro, mas pela análise absolutamente equivocada da conjuntura brasileira. Esse tipo de reflexão nunca foi seu forte. Basta recordar alguns fatos.


Em 1985 iniciou a campanha para a Prefeitura paulistana tendo como aliados o governador Franco Montoro e o governo central, que era controlado pelo PMDB, além da própria Prefeitura, sob o comando de Mário Covas. Enfrentava Jânio Quadros, um candidato sem estrutura partidária, sem programa e que entrou na campanha como livre atirador. Fernando Henrique achou que ganharia fácil. Perdeu.

No ano seguinte, três meses após a eleição municipal, propôs, em entrevista, que o PMDB abandonasse o governo, dias antes da implementação do Plano Cruzado, que permitiu aos candidatos da Aliança Democrática vencer as eleições em todos os Estados. Ele, aliás, só foi eleito senador graças ao Cruzado.

Passados seis anos, lutou para que o PSDB fizesse parte do governo Fernando Collor. Ele seria o ministro das Relações Exteriores (e o PSDB receberia mais duas pastas). Graças à intransigência de Covas, o partido não aderiu. Meses depois, foi aprovado o impeachment de Collor.

Em 1993, contra a sua vontade, foi nomeado ministro da Fazenda por Itamar Franco. Não queria, de forma alguma, aceitar o cargo. Só concordou quando soube que a nomeação havia sido publicada no Diário Oficial (estava no exterior quando da designação). E chegou à Presidência justamente por esse fato - e por causa do Plano Real, claro.

Em 2005, no auge da crise do mensalão, capitaneou o movimento que impediu a abertura de processo de impeachment contra o então presidente Lula. Espalhou aos quatro ventos que Lula já era página virada na nossa História e que o PSDB deveria levá-lo, sangrando, às cordas, para vencê-lo facilmente no ano seguinte. Deu no que deu, como sabemos.

Agora resolveu defender a tese de que a oposição tenha um candidato presidencial, com uma antecedência de dois anos e meio do início efetivo do processo eleitoral. É caso único na nossa História. Nem sequer na República Velha alguém chegou a propor tal antecipação. É uma espécie de dedazo, como ocorria no México sob o domínio do PRI. Apontou o dedo e determinou que o candidato tem de ser Aécio Neves. Não apresentou nenhuma ideia, uma proposta de governo, nada. Disse, singelamente, que Aécio estaria mais de acordo com a tradição política brasileira. Convenhamos que é um argumento pobre. Ao menos deveria ter apresentado alguma proposta defendida por Aécio para poder justificar a escolha.

A ação intempestiva e equivocada de Fernando Henrique demonstra que o principal partido da oposição, o PSDB, está perdido, sem direção, não sabendo para onde ir. O partido está órfão de um ideário, de ao menos um conjunto de propostas sobre questões fundamentais do País. Projeto para o País? Bem, aí seria exigir demais. Em suma, o partido não é um partido, na acepção do termo.

Fernando Henrique falou da necessidade de alianças políticas. Está correto. Nenhum partido sobrevive sem elas. O PSDB é um bom exemplo. Está nacionalmente isolado. Por ser o maior partido oposicionista e não ter definido um rumo para a oposição, acabou estimulando um movimento de adesão ao governo. Para qualquer político fica sempre a pergunta: ser oposição para quê? Oposição precisa ter programa e perspectiva real de poder. Caso contrário, não passa de um ajuntamento de vozes proclamando críticas, como um agrupamento milenarista.

Sem apresentar nenhuma proposta ideológica, a "estratégia" apresentada por Fernando Henrique é de buscar alianças. Presume-se que seja ao estilo petista, tendo a máquina estatal como prêmio. Pois se não são apresentadas ideias, ainda que vagas, sobre o País, a aliança vai se dar com base em qual programa? E com quais partidos? Diz que pretende dividir a base parlamentar oficialista. Como? Quem pretende sair do governo? Não será mais uma das suas análises de conjuntura fadadas ao fracasso?

O medo de assumir uma postura oposicionista tem levado o partido à paralisia. É uma oposição medrosa, envergonhada. Como se a presidente Dilma Rousseff tivesse sido eleita com uma votação consagradora. E no primeiro turno. Ou porque a administração petista estivesse realizando um governo eficiente e moralizador. Nem uma coisa nem outra. As realizações administrativas são pífias e não passa uma semana sem uma acusação de corrupção nos altos escalões.

O silêncio, a incompetência política e a falta de combatividade estão levando à petrificação de um bloco que vai perpetuar-se no poder. É uma cruel associação do grande capital - apoiado pelo governo e dependente dele - com os setores miseráveis sustentados pelos programas assistencialistas. Ou seja, o grande capital se fortalece com o apoio financeiro do Estado, que o brinda com generosos empréstimos, concessões e obras públicas. É a privatização em larga escala dos recursos e bens públicos. Já na base da pirâmide a estratégia é manter milhões de famílias como dependentes de programas que eternizam a disparidade social. Deixam de ser miseráveis. Passam para a categoria da extrema pobreza, para gáudio de alguns pesquisadores. E tudo temperado pelo sufrágio universal sem política.

Em meio a este triste panorama, não temos o contradiscurso, que existe em qualquer democracia. Ao contrário, a omissão e a falta de rumo caracterizam o PSDB. Para romper este impasse é necessário discutir abertamente uma proposta para o País, não temer o debate, o questionamento interno, a polêmica, além de buscar alianças programáticas. É preciso saber o que pensam as principais lideranças. Numa democracia ninguém é líder por imposição superior. Tem de apresentar suas ideias.

MARCO ANTONIO VILLA, HISTORIADOR, É PROFESSOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS (UFSCAR) - O Estado de São Paulo

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

CAVALARIA TUCANA

Economistas ligados a Fernando Henrique Cardoso e a Aécio Neves montam a agenda do PSDB para 2014. A transição no PSDB começa hoje

Depois de passarem este primeiro ano do governo Dilma Rousseff praticamente isolados em suas brigas internas, os tucanos parecem dispostos a sair do casulo e da mesmice. Pelo menos, é esse o plano com um seminário hoje, no Hotel Sheraton, na Avenida Niemeyer, um endereço nobre entre Leblon e São Conrado. E, apostando nos tempos de alegria que os economistas e sociólogos lhe renderam uma era de ouro nos anos 1990, é a eles que o partido agora recorre para elaborar a "A nova agenda: desafios e oportunidades para o Brasil", o pomposo título do encontro.

A lista de palestrantes mescla gente nova no ninho a vozes experientes na área pública. Na ala dos menos conhecidos em Brasília estão os economistas Mônica de Bolle, Armando Castelar, Marcelo Caetano, André Médici e o sociólogo Claudio Beato, que coordenou o programa de governo de Antonio Anastasia em Minas Gerais. Os rostos carimbados na capital da República são os pais do real, Edmar Bacha e Pérsio Arida, e os ex-presidentes do Banco Central Gustavo Franco e Armínio Fraga.

E também o sociólogo, cientista político e administrador Simon Schwartzman, que já presidiu o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Parece ironia reunir os pais do Real para jogar o PSDB no futuro, mas não é. O PSDB sabe que perdeu seu discurso da estabilização da economia como pilar do avanço social que o Brasil obteve nos últimos anos. Essa conta do bem foi para o portfólio de Lula, que, ao longo dos últimos nove anos, abriu um diálogo direto com a população, com seu linguajar simples e de fácil entendimento por todos os brasileiros. Nesse período, o PSDB sentiu o gosto amargo de três derrotas eleitorais. Nas três campanhas presidenciais, faltou ao PSDB a coragem de defender o governo Fernando Henrique Cardoso e as privatizações. Na área de telefonia, por exemplo, foi essa iniciativa que permitiu a popularização do telefone celular.

A avaliação do partido é a de que não adianta brigar pelo que passou e sim olhar para frente, usando os mesmos atributos que permitiram a criação do Real — a ousadia e o conhecimento técnico. E a partir daí, feito o programa, o próximo passo é pedir aos marqueteiros que embalem tudo para presente, como um pacote bem bonito para ser exibido no horário eleitoral gratuito. Foi assim que funcionou nas duas campanhas vitoriosas de Fernando Henrique Cardoso, que, aliás, irá encerrar o seminário na tarde de hoje.

O novo plano vai incorporar segurança pública, Previdência Social e medidas criativas de promoção dos empregos. Marcelo Caetano é claro num artigo que escreveu recentemente: "A política ideal é aquela que oferece aos cidadãos alternativas de saída da pobreza por meio do seu trabalho e que não simplesmente reponham renda quando perderam condição de gerá-la". É uma crítica ao programa que transfere renda sem dar as condições de empregabilidade ao cidadão, leia-se Bolsa Família. A nova classe C quer algo mais e é isso que os tucanos tentam se preparar para oferecer.

O seminário é um ponto de partida, mas politicamente não resolve o crucial: mostrar uma unidade no PSDB. Prova de que nem tudo vai bem no ninho é a ausência do ex-governador de São Paulo José Serra. Ele avisou que só volta ao Brasil na terça-feira. A não ser que chegue hoje de surpresa, estará fora das discussões, portanto, se sentirá à vontade depois para criticar qualquer projeto que sair da reunião.

Serra não convive bem com Gustavo Franco nem Pérsio Arida, economistas convidados. E, a olhar a composição do debate, a preferência por Aécio Neves é clara. Claudio Beato, que estará à mesa no debate sobre a agenda social do Brasil, é da UFMG e coordenou vários programas do PSDB mineiro.

Como dizem alguns tucanos, não há mais divisão no PSDB. A maioria é Aécio. E agora só falta montar um programa que sirva de alicerce ao candidato. Para isso, vem a cavalaria de FHC e do próprio Aécio. Não estarão ali como palestrantes nem Mauro Ricardo Costa nem Andrea Calabi, economistas ligados a Serra. A transição do PSDB começa hoje

Fonte: Correio Brasiliense

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

EI, PSDB, O MUNDO NÃO VAI ACABAR EM TRÊS ANOS

Alguém faria um grande favor à oposição e às instituições do Estado Democrático de Direito no Brasil se lembrasse ao tucanato de alta plumagem que ainda faltam mais de três anos para a eleição presidencial e, antes dela, está agendada uma disputa por votos em todos os municípios brasileiros. Os dois principais ex-governadores do Brasil, o de São Paulo, José Serra, e o de Minas Gerais, Aécio Neves, agem como se ambos não tivessem acabado de protagonizar um dos maiores malogros eleitorais da História do Brasil: a derrota para uma adversária jejuna, desprovida de cintura e sem nenhum charme pessoal, dispondo apenas da alavanca do extraordinário prestígio eleitoral de um presidente no fim do segundo mandato. Quem perdeu foi Serra, dirão os adeptos de Aécio, como se este não tivesse trocado o governo de um Estado da importância capital que Minas Gerais sempre teve no cenário político nacional por um desempenho pífio e impotente num Congresso no qual à legenda dos dois não se atribui sequer o papel de figurante interpretando uma horda indígena num western spaghetti.

"Se for a vontade do partido, estarei pronto para disputar com qualquer candidato do campo do PT, seja Lula ou Dilma", disse o neto de Tancredo Neves à repórter Christiane Samarco, da sucursal deste Estado em Brasília. Depois da divulgação do feito espetacular da presidente, que ultrapassou o índice alcançado por seus dois popularíssimos antecessores em princípio de governo, Fernando Henrique Cardoso, correligionário de Aécio, e Lula da Silva, companheiro de Dilma, na terceira avaliação de desempenho pessoal e de governo, a afirmação do mineiro está mais para bravata do que para promessa. É claro que até 2014 muita água movimentará os moinhos eleitorais e, com Mantega e Tombini e sem Palocci nem Meirelles, a chefe do governo pode dar com seus burros nessas águas.

Mas, mesmo na política, uma dama mais trêfega e caprichosa do que a cantada por Rossini na ópera O Barbeiro de Sevilha, o anúncio soa mais como bilhete de suicida do que como convite para festa. Será que Sua Excelência não percebeu que um partido incapaz de constituir uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) e de aproveitar as oportunidades que o PT e seus aliados têm dado não terá chance de chegar ao topo?

O senador das Alterosas disse que o partido dele e de Serra "amadureceu o suficiente para ver que, ou vamos unidos, ou não teremos êxito". Bem, essa poderia ter sido a amarga lição da derrota para Dilma, provocada pela convicção de Serra de que é melhor perder para os petistas a eleição e a Presidência do que ter de compartilhar o eventual poder após a vitória com os adversários internos de Minas e por ter Aécio preferido a solidão do plenário ao convívio com um parceiro hostil e enfezado. A prova, contudo, de que a lição dolorosa não foi devidamente aprendida, nem sequer assimilada, é a sofreguidão com que, contrariando a prudência dos ancestrais, o neto do símbolo do político manhoso de Minas opta pelo fato consumado, encerrando a conversa ao pé do borralho.

Se a afirmação de Aécio se apoiasse em fatos, ele não teria assumido publicamente o que todo mundo, inclusive Serra, está careca de saber, mas consumiria o imenso tempo de ócio que lhe permite o mandato senatorial de oito anos para encontrar uma solução para desalojar os adversários federais do comando da capital de seu Estado. Ao que parece, o inegável êxito obtido pelo ex-governador em sua bem-sucedida gestão não foi suficiente para permitir que ouça o óbvio ululante de que lhe será menos difícil apear do vagão compartilhado com petistas e aliados a substituir na prefeitura de Belo Horizonte do que derrotar seja Lula, seja Dilma, que, sem dúvida, terão o voto dos aliados locais de ocasião dele.

Mais fácil ainda será para seu desafeto paulistano derrotar na disputa municipal em São Paulo Fernando Haddad, candidato petista da preferência de Lula, ou Gabriel Chalita, mesmo que o noviço peemedebista receba de Alckmin, amigo tucano no governo estadual, mais suporte do que lhe permite a camisa de força partidária. No entanto, Serra não admite sequer discutir a hipótese, de vez que a vitória municipal significará o fim de qualquer ilusão presidencial em 2014. A impotência da cadeira isolada no Senado de nada serviu a Aécio, que também se mostra incapaz de aprender que o capricho dos eleitores reduz a pó vãs ilusões de projetos aparentemente imbatíveis. E a humilhação de perder para um poste arrastado por um mito também não demoveu em um milímetro a prepotência de Serra, que apanha, mas não aprende.

Com um cacife menor do que o de ambos, o prefeito paulistano, Gilberto Kassab, acaba de lhes prestar inestimável serviço ao demonstrar que o desmanche da oposição é muito mais iminente do que sonham os caciques sem índios do PSDB e os coronéis sem jagunços do DEM. A porta de emergência aberta pelo PSD para a fuga dos oposicionistas que não suportarão mais um mandato longe dos cabides das máquinas públicas municipais, estaduais e federal transmite um sinal claro aos ex-governadores dos Estados com os maiores colégios eleitorais do País. Ou eles cuidam de fortalecer as máquinas partidárias do PSDB e do DEM - não criando diretórios onde não existem, mas mantendo as prefeituras de que dispõem e tomando outras de adversários, ainda que se fantasiem de aliados locais -, ou não terão nenhuma chance na disputa presidencial, seja a chapa adversária encabeçada por Lula, Dilma, Marta ou Mantega.

Fato é que 2014 ainda está muito longe no tempo e é quase inalcançável pelo bico dos tucanos, por mais longo e faminto que seja. Mas não é o fim do mundo nem a data da última disputa presidencial no Brasil. Aécio pode muito bem esperar. Serra, nem tanto. Mas antes um galho para pousar e um ninho para se abrigar do que o abismo inevitável de mais uma queda anunciada.

José Nêumane - O Estado de São Paulo

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

PARA OPOSIÇÃO, AÉCIO JÁ ABRIU DEBATE ELEITORAL.

Para a oposição, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) abriu o debate sobre a sucessão presidencial ao dizer ao Estado está preparado para enfrentar Dilma ou Lula.
Líderes da oposição avaliam declaração do senador mineiro como positiva, mas lembram que ela não antecipa definição do candidato

A entrevista do senador Aécio Neves (PSDB-MG) ao Estado, publicada ontem, foi vista na oposição como a abertura de um debate público sobre a eleição presidencial de 2014. Aécio disse estar preparado para enfrentar tanto a presidente Dilma Rousseff quanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas terá ainda de se cacifar dentro de seu partido e conquistar alianças para chegar ao posto de candidato da oposição daqui a três anos.

Dentro do PSDB, o maior obstáculo é a insistência do ex-governador paulista José Serra. No DEM, principal aliado dos tucanos na oposição, há o sonho de uma candidatura própria.
Para o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), a manifestação do senador mineiro visa a reafirmar a posição dele no tabuleiro de 2014. "O Aécio quer deixar claro que está no jogo e não está brincando", analisa. Guerra não vê, porém, uma antecipação do período eleitoral. "Ele está cumprindo o papel que lhe cabe como líder nacional. Não há antecipação da eleição, mas um posicionamento claro dele. Ele sabe que a definição de 2014 ainda não começou."

O pronunciamento de Aécio, porém, levou lideranças tucanas a reafirmarem a defesa das prévias para a escolha de um candidato a presidente daqui a três anos. "A busca de uma legitimidade da candidatura através das primárias torna muito mais forte o nome. Seria bom até para o Aécio", diz o
líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR).

O líder tucano na Câmara, Duarte Nogueira (SP), lembrou que o senador mineiro já tinha manifestado a intenção de disputar a eleição de 2014 em encontro com a bancada do partido. Para Nogueira, a afirmação de Aécio de se colocar à disposição para enfrentar também o ex-presidente Lula anima a oposição. "Ele confidenciou que gostaria de ter o Lula como oponente. Essa foi uma provocação positiva porque nos dá uma expectativa de poder. A oposição se constitui com mais robustez no momento em que demonstra viabilidade eleitoral."

Aliado. Na visão do presidente do DEM, senador José Agripino (RN), Aécio fez um discurso para o PSDB, deixando a discussão de alianças em segundo plano. "Ele se coloca como uma linha antagônica ao PT. Expõe-se como candidato do PSDB. Com relação aos aliados, faz menções superficiais. Foi mais uma movimentação interna do PSDB do que uma sinalização para a oposição como um todo."
Agripino ressalta ainda não ser o momento de discutir alianças e observa que seu partido poderá ter nome próprio em 2014.

O líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), julgou a entrevista positiva por Aécio propor um enfrentamento com o governo federal. "O Aécio desceu do muro e vai para a guerra. Ele está certo, não adianta querer fazer política contemporizando com quem ele vai disputar."

O presidente tucano reconhece que a aparição pública de Aécio aconteceu depois de uma cobrança feita por correligionários. A expectativa dos tucanos é deque o senador mineiro se torne mais ativo no Congresso. "Ele precisa se desinibir, ir para o embate oferecendo contrastes ao governo, com a contundência da oposição. Agir com responsabilidade, mas com firmeza. Não deixar o governo respirar", diz Duarte

Fonte: O Estado de São Paulo

domingo, 29 de maio de 2011

AÉCIO GANHA FORÇA NO PSDB NACIONAL.

Grupo do senador derrotou o de José Serra e vai assumir principais postos de controle no partido

O ex-governador José Serra saiu derrotado na briga interna pelo comando do PSDB e pela liderança na fila de pré-candidatos da legenda ao Planalto em 2014. No novo balanço de poder do partido, o grupo político do senador Aécio Neves (MG) obteve o comando de postos-chave na máquina partidária. Como prêmio de consolação, Serra vai presidir o Conselho Político do PSDB.

Depois de uma madrugada tensa de negociações, Serra recuou do desejo de presidir o Instituto Teotônio Vilela (ITV). Para minimizar danos e não aprofundar o racha partidário, os caciques do partido decidiram turbinar o Conselho, atribuindo-lhe funções práticas, como a edição de normas internas. Mas apesar de presidir o novo órgão, Serra não terá ali maioria. Do mesmo colegiado farão parte o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o próprio Aécio, e os governadores Geraldo Alckmin (SP) e Marconi Perilo (GO).

A luta pelo ITV, que será presidido pelo ex-senador cearense Tasso Jereissati, mais afinado com Aécio, era o pano de fundo da convenção nacional do PSDB que reelegeu o deputado Sérgio Guerra (PE) presidente nacional do partido. A disputa antecipou 2014, em uma espécie de primeira etapa das prévias partidárias que irão escolher o candidato tucano à sucessão da presidente Dilma Rousseff. O objeto real do duelo entre aecistas e serristas era o controle da estrutura partidária para a construção de uma candidatura presidencial.

Com auditório cheio de convencionais, Aécio, Serra e FHC chegaram juntos ao evento. O trio foi recepcionado por um coro que ora pedia um "tucano na Presidência", ora "Aécio presidente" No palanque, porém, todos os discursos foram de união partidária.

O fato é que nunca antes na história tucana, o racha foi exposto de forma tão clara e o risco de uma ruptura ficou tão iminente. (Agência Estado)

Instituto daria mais poder a Serra no partido
Na noite de sexta-feira, o embate fez subir a temperatura da crise interna a tal ponto que as três maiores estrelas do PSDB de São Paulo - Fernando Henrique, o governador Geraldo Alckmin e José Serra - ameaçaram boicotar a convenção e não vir a Brasília. Foi um alívio quando Serra desembarcou sábado na capital. Convencidos de que o ITV é uma estrutura poderosa para Serra trabalhar seu projeto de candidatura presidencial em todo o Brasil, os aecistas avaliaram que se comandasse o instituto, Serra montaria uma presidência paralela no partido.

Fonte: A Gazeta. 


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

OS DESAFIOS DE AÉCIO.

O PSDB disputou a eleição presidencial de 2010 com o quadro político que considerava o mais preparado do campo oposicionista: José Serra, ex-governador de São Paulo. A briga foi para o segundo turno. Houve um momento em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva achou que Dilma Rousseff poderia perder. Mas a oposição fracassou.


Será que ela terá em 2014 mais chance do que neste ano? Apesar da precariedade de uma previsão com tanta antecedência, há fatores que indicam que a tarefa da oposição em 2014 será mais dura do que em 2010.

A chance de sucesso crescerá na mesma proporção do insucesso de Dilma. Na economia, existem algumas nuvens carregadas no cenário internacional. Dilma tende a contar com um vento internacional menos favorável do que Lula.

Mas o país é outro. O Brasil atravessou a crise mundial de 2008/2009 graças ao mercado interno, que se transformou no motor da nossa economia. Isso não vai desaparecer nos próximos quatro anos. Pelo contrário, vai crescer.

Se Dilma avançar no combate à miséria e aumentar o tamanho da nossa nova classe média, terá um cenário econômico interno favorável daqui a quatro anos. A presidente eleita precisará errar muito a mão para produzir um desastre econômico. Não parece provável.

Senador eleito por Minas, Aécio Neves é hoje o nome mais forte do PSDB para disputar a Presidência em 2014. Mas qual será o discurso?

Fernando Henrique Cardoso não endossará mais uma candidatura que não defenda as realizações tucanas entre 1995 e 2002. Aécio parece propenso a olhar mais para o futuro do que para o passado. O mineiro tem uma relação dúbia com Lula --morde e assopra. Serra tentou esse caminho no início da campanha eleitoral. Batia no PT, mas elogiava Lula. Não deu certo. Depois, fez críticas mais duras ao presidente. Também não deu certo. Aécio seguirá qual trilha, a de uma oposição light ou de desconstrução do lulismo?

Outros complicadores: Aécio enfrentará três fantasmas nos próximos anos.

Se Dilma for bem no governo, deverá concorrer em 2014 como presidente. Em nossa curta experiência com o expediente da recondução presidencial, o ocupante do Palácio do Planalto teve sucesso quando pediu um segundo mandato. FHC e Lula não tombaram no meio do caminho. Muito difícil, portanto, um presidente bem avaliado não ser reeleito.

Se o governo Dilma estiver mal das pernas, haverá Lula. Obviamente, ele será cobrado por um eventual decepção com a presidente. Mas a força que possui hoje autoriza a conclusão de que, se quiser disputar novamente a Presidência, Lula seria um candidato muito forte.

E tem ainda Marina Silva, do PV. O bom desempenho na eleição de 2010 poderá ser repetido em 2014. Os sinais são de que exercerá oposição a Dilma. Logo, competirá na mesma faixa do PSDB. Em relação a Aécio, Marina terá a vantagem de já ter disputado uma eleição presidencial e nacionalizado seu nome. Com sua guinada ao centro, o PT empurrou o PSDB para a direita. Marina pode empurrar o partido ainda mais nessa direção.

Aécio, portanto, seria um candidato fraco? Nada disso. Ele foi um dos grandes vencedores de 2010. Fez o sucessor, Antonio Anastasia, no governo mineiro. Elegeu o ex-presidente Itamar Franco (PPS) na outra vaga ao Senado. Hábil e jovem, é um político com futuro. No entanto, seus desafios não são pequenos.


Agito no ninho

No PSDB, Aécio Neves tem armadilhas a desarmar. Publicamente, está dando corda à possibilidade de o senador Tasso Jereissati, que não se reelegeu no Ceará, vir a presidir o PSDB. Nos bastidores, já sugeriu a FHC assumir essa posição. O ex-presidente hesita. Por ora, FHC aceitou liderar um time para reescrever o programa partidário.

O destino de Serra incomoda alguns dirigentes do PSDB. A hipótese mais plausível é a de uma candidatura a prefeito de São Paulo em 2012. Aécio é contra a ida de Serra para a presidência da legenda. Crê que sinalizaria uma tentativa de terceiro turno contra Dilma.

O mineiro está preocupado com o futuro do PSDB paulista. Após o fracasso de Serra, o governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin, tende a aglutinar o apoio dos que não querem a candidatura de Aécio em 2014. Alckmin pode ser considerado carta fora do baralho na disputa presidencial? Alguns tucanos dizem que não.

Implosão partidária

O DEM terá candidato próprio ou será coadjuvante de um tucano mais uma vez? Prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab tenta, simplesmente, acabar com o partido ao pregar uma fusão com o PMDB. Aécio contará com os democratas ou com o que sobrar do partido nos próximos anos?

Cavalo selado

Tem gente no PMDB que considera que Aécio perdeu uma oportunidade de ser candidato a presidente quando Lula ainda não tinha certeza sobre Dilma e cogitava apoiar um peemedebista como saída de emergência. Convidado a entrar no PMDB, o tucano não quis deixar seu partido. Preferiu correr risco no PSDB.

Kennedy Alencar

sábado, 6 de novembro de 2010

OPERAÇÃO AÉCIO.

Marcelo de Moraes / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Com apoio de partidos da base governista, o senador eleito Aécio Neves (PSDB-MG) deflagrou articulação política para conquistar a presidência do Senado, acenando em troca com apoio para os parceiros de empreitada controlarem a Câmara.

Eugênio Sávio/Imprensa MGDesafios. Aécio Neves, em Belo Horizonte: ex-governador tem apoio garantido dentro do PP e trânsito fácil no PSB, mas precisa conquistar partidos adversários

Na chamada "operação Aécio", bancada por PSDB e DEM e com o apoio informal de setores do PSB e do PP - podendo ter a adesão de PDT e PC do B -, seria formada uma ampla aliança entre esses partidos. Isso garantiria ao grupo uma expressiva quantidade de votos na Câmara e no Senado, ameaçando a parceria entre PMDB e PT para controlar as duas Casas.

No Senado, a soma do bloco de oposição formado por PSDB, DEM e PPS garante 18 votos, total que pode subir para 21, com a adesão de senadores dissidentes do PMDB. É pouco para impor perigo à dupla PMDB-PT. Mas a costura de um acordo com PP (5 senadores), PDT (4 senadores) PSB (3 senadores) e PC do B (2 senadores) mudaria esse patamar para 32 senadores, o que garantiria uma largada forte nessa disputa contra outros 17 senadores do PMDB e 14 do PT. Assim, a decisão da questão se daria por meio da captura dos votos de partidos mais flutuantes, como PTB e PR, por exemplo.

Não se trata de uma equação fácil, muito menos de efeito garantido, já que o poder de fogo do governo federal é muito grande e pode fazer com que parlamentares da base governista desistam de embarcar no projeto de Aécio, sob pena de retaliação política. Dentro do Palácio do Planalto ainda não surgiu a ordem para explodir os planos tucanos. Mas apenas a existência dessa movimentação já preocupa o governo, que não deseja ver um adversário em potencial da próxima disputa presidencial comandando a pauta e a agenda do Senado e deve atuar para impedir sua vitória.

PMDB. A negociação de Aécio preocupa mais ainda ao PMDB, que sempre tem a Presidência de pelo menos uma das duas Casas e não quer abrir mão desse poder.

Quando conquistou a presidência da Câmara, em 2001, Aécio se movimentou de forma semelhante, atraindo apoio de partidos adversários, e derrotou, na época, o favorito Inocêncio Oliveira, então do PFL. Na ocasião, os tucanos também não tinham a maior bancada em nenhuma das duas Casas. Em compensação, tinham o controle do governo federal, com o presidente Fernando Henrique Cardoso, o que, certamente, facilitou a tarefa.

Agora, alinhado com a oposição à presidente eleita Dilma Rousseff, Aécio terá muito mais problemas para fazer a operação avançar. A seu favor, porém, conspiram vários fatores.

Primeiro, a disputa entre PT e PMDB para definir quem indicarão para presidir Câmara e Senado. Os partidos negociam um rodízio, mas a discussão está longe de apresentar um consenso. Uma má solução para esse acordo pode gerar espaço para o avanço do ex-governador mineiro.

Articulação. Outro ponto positivo é a forte capacidade de articulação de Aécio. Além de ser consensual entre a oposição, ele conta com apoio garantido dentro do PP, presidido pelo senador Francisco Dornelles (RJ), seu primo.

Com o PSB, seu trânsito também é forte. A parceria política com os socialistas é antiga e já rendeu, por exemplo, uma ampla aliança em Minas Gerais, com a eleição do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), com o apoio do então governador tucano.

A mesma parceria entre PSDB e PSB também produziu frutos no Paraná, onde Luciano Ducci (PSB) assumiu a Prefeitura de Curitiba depois que o tucano Beto Richa se desincompatibilizou do cargo para concorrer e ganhar o governo estadual.

O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), defendeu publicamente dentro de seu partido a candidatura de Aécio. Apesar de dizer oficialmente ser contra esse acordo, o presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, conversou nos últimos dias com pelo menos dois governadores tucanos, Beto Richa e Teotônio Vilella Filho (AL).

Cargos. A confirmação desses apoios passa por discussões mais complicadas dentro da Câmara. Partidos governistas de porte médio deverão formar blocos parlamentares para ampliar seu tamanho. Assim, conseguiriam cargos melhores na divisão do controle de postos nas Mesas Diretoras e no comando das comissões técnicas e relatorias da Casa.

O PSB estuda reeditar com PDT e PC do B o antigo bloquinho, aliança política reunindo os três partidos que garantiria uma bancada de 77 deputados na Câmara. PP, PR e PTB podem também se juntar e montar uma aliança com 103 deputados, superior ao PT, maior partido da Casa, que elegeu 88 deputados.

Aécio também poderia trazer para o Senado a imagem de renovação tão desejada, depois de um período de muitas crises, provocada pela descoberta do inchaço da estrutura da Casa e do pagamento de benefícios exagerados para parlamentares e funcionários por meio de atos secretos.


FATORES QUE CONTRIBUEM PARA O PLANO DO TUCANO

Aliança

Mesmo de lados opostos, PSB e PSDB têm consolidado uma parceria informal. Aécio Neves se relaciona bem com os principais líderes do PSB

Espaço

Desejo de partidos da base governista, como PSB, PDT e PC do B, em conquistar maior espaço de poder dentro do Congresso

Ocupação

Tentativa de isolamento do PMDB para quebrar sua hegemonia na ocupação dos melhores postos tanto na Câmara quanto no Senado

Trânsito

Capacidade de articulação política de Aécio Neves, que tem trânsito forte entre oposição e governo e até mesmo dentro de PMDB e PT

Estratégia

Disputa entre PT e PMDB pelo controle da Câmara e do Senado. Para salvar a parceria, os dois partidos já estudam um rodízio

Contraponto

Necessidade dos partidos de oposição de ocupar um espaço onde possa fazer

contraponto com o governo federal

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

CID GOMES DEFENDE AÉCIO NA PRESIDÊNCIA DO SENADO.

O governador reeleito do Ceará, Cid Gomes (PSB), defendeu hoje que a presidente eleita, Dilma Rousseff, acerte um pacto entre os partidos da base aliada para levar o tucano Aécio Neves, eleito senador por Minas Gerais, à presidência do Senado. "Seria um belo aceno", disse Cid Gomes.


Segundo Cid Gomes, não se trata de "cooptar" a oposição, e sim de fazer um "pacto" pela governabilidade. "Não estou falando em cooptar a oposição, em trazer o DEM e o PSDB para o governo. Falo em fazer um pacto para que estruturas do Poder possam ser compartilhadas", disse.

Gomes fala em discutir propostas que a oposição tenha para o Brasil e incluí-las - em parte ou totalmente - no projeto governista. Em contrapartida, a oposição ajudaria a aprovar projetos de interesse do governo. "Oposição por oposição, sinceramente não acho que tem que ter isso, não. Nós temos que ter propostas para o Brasil", disse.

Para Cid Gomes, existem vários tipos de oposição, a raivosa, a ideológica, e a bem-intencionada. "Oposição sempre existirá, mas tem que estar num patamar abaixo das preocupações fundamentais com o País". Cid Gomes e outros governadores eleitos pelo PSB participam hoje de reunião da Executiva Nacional do partido, em Brasília, para fazer um balanço das eleições.

CAROL PIRES - Agência Estado



Fonte: http://bit.ly/bZn0Za

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Serra e Aécio trocam elogios e passam um dia juntos em BH e no Rio.

Jornal do Brasil



RIO - O pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, esteve segunda-feira em Minas Gerais, onde foi recebido pelo ex-governador Aécio Neves em clima de amizade e cooperação. Na ocasião, Serra disse que defenderá o fim da reeleição no Brasil, dando a entender que, se for eleito, abrirá espaço para uma possível candidatura de Aécio em 2014. O governador mineiro já afirmou que, nas eleições deste ano, deve se candidatar ao Senado, e não à vice-presidência, como queriam muitos apoiadores tucanos. Para o cargo, já se especula o nome de Itamar Franco, fato que Serra nega-se a comentar. Após o evento em Minas, Serra e Aécio vieram ao Rio, onde participaram da inauguração de uma exposição em homenagem a Tancredo Neves.


Durante o evento mineiro, Aécio foi o mestre de cerimônias de Serra diante de um auditório lotado de empresários no anfiteatro da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). O ex-governador fez questão de citar o slogan que Serra passou a adotar desde o lançamento da sua pré-campanha: "O Brasil pode mais".


– Minas vive um extraordinário momento de crescimento. – disse Aécio. – Vejo sinceramente que podemos continuar, como você (Serra) tem dito, avançando mais.


Em entrevista, Serra elogiou a gestão de Aécio à frente do governo mineiro nos últimos sete anos. Ao ser questionado, o pré-candidato tucano confirmou ser a favor do fim da reeleição. Sobre Aécio, Serra evitou entrar na polêmica sobre quem seria seu candidato a vice, dizendo que “isso será tratado no final de maio e começo de junho”, e recusou-se a responder se Itamar Franco seria um bom nome para o posto.


– Aécio está nos ajudando. É um grande parceiro aqui em Minas Gerais e um grande parceiro no Brasil. Somos amigos, além de companheiros da vida política – disse Serra.


Aécio, por sua vez, disse que “desde que (Serra) lançou sua candidatura, ela não é mais sua. Ela é a nossa”. O mineiro, porém, discordou da tese contrária à reeleição.


Rio



No Rio, onde participaram do lançamento da mostra Centenário de Tancredo Neves, no Museu Histórico Nacional – onde também foram lançadas duas publicações organizadas pelo colunista do Jornal do Brasil, Mauro Santayana, sobre o ex-presidente – Serra e Aécio evitaram falar sobre eleições. Mas novamente questionado sobre as chances de Aécio ser seu vice, considerando a proximidade entre os dois nas últimas semanas, Serra disparou:


– Nós sempre fomos próximos, mas acho até que ele deixou a barba crescer para não correr risco de (ganhar) outro beijo – disse em referência à bitoca que espocou no rosto de Aécio durante o lançamento de sua pré-candidatura, em São paulo, no último dia 10.


Aécio devolveu:


– Com mais um beijo daquele, eu me apaixono de vez.


Serra e Aécio se retiraram do evento pouco antes da chegada do governador do Rio, Sérgio Cabral.