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terça-feira, 5 de julho de 2011

MACUNAÍNAS PETISTAS.

Min Aloizio Mercadante e Min Ideli Salvatti - ligações com os aloprados, segundo a revista Ministros envolvidos no escândalo dos aloprados continuam sem explicar sua participação no caso.
Nos últimos anos, a política brasileira tem sido pródiga em produzir histórias fantásticas, cheias de vilões, mas sem nenhum herói. Enfim, isso mudou na semana passada. O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, foi convidado a ir ao Senado para falar sobre seu envolvimemo como protagonista do escândalo dos aloprados, aquele em que petistas foram pilhados, nas vésperas da eleição de 2006, comprando por 1,7 milhão de reais, em dinheiro vivo, um falso dossiê destinado a enredar o tucano José Serra num esquema de desvio de verbas do Ministério da Saúde.

VEJA revelou a existência de uma confissão gravada de Expedito Veloso, um dos petistas aloprados, na qual apontava o ministro como mentor do escândalo e também responsável pela arrecadação de parte do dinheiro apreendido pela polícia.

Fonte: Revista Veja

Peito estufado, dedo em riste, Mercadante fez pose de indignação. Adversário de Serra na disputa pelo governo de São Paulo quando ocorreu a farsa, o ministro disse que a compra do dossiê foi obra de petistas adeptos do vale-tudo eleitoral. Um mal que, segundo ele, infelizmente ainda viceja no partido. "Essa militância acha que é assim que se combate a corrupção, acha que tem uma missão heróica", ensinou. Um dos "heróis" presos pela polícia era exatamente um de seus assessores diretos na camapanha. Os outros eram todos velhos companheiros do partido - mas Mercadante, é claro, não sabia de nada. A contrário, prova de que ele não tinha nada a ver com a história é que, ao explodir o escândalo, ele demitiu sumariamente o assessor. E o que o ministro disse sobre as acusações enfáticas do heroico Expedito Veloso? Nada. E não disse nada porque teme que o colega de partido possa resolver contar mais detalhes da verdadeira história do dossiê, o que não seria bom para ninguém.

Expedito Veloso pode revelar, por exemplo, o que ele foi fazer no gabinete de Mercadante dia antes da prisão dos aloprados, em setembro de 2006, quando se reuniu, entre outros, com a atual ministra Ideli Salvatti, das Relações Institucionais. VEJA publicou na semana passada reportagem que mostra que no encontro foi discutida a melhor forma de divulgar o dossiê sem deixar as impressões digitais do PT. A então senadora Ideli ficou responsável pela tarefa e chegou a procurar jornalistas para oferecer os documentos falsos. Cinco anos depois, afetada por uma crise de amnésia, ela se esqueceu completamente do encontro com Mercadante, Expedito, Osvaldo Bargas e Jorge Lorenzetti, todos do chamado "grupo de inteligência" do partido e diretamente envolvidos na compra do falso dossiê ""Essa reunião nunca existiu" garantiu Ideli a VEJA. Na semana passada, porém, a ministra recobrou parte da memória. Lembrou-se da reunião no gabinete de Mercadante, da presença de um ou outro aloprado, mas garantiu que em nenhum momento nada foi discutido sobre dossiês contra adversários.

Assim são os heróis do PT.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O GERME DO AUTORITARISMO.

O País apresenta uma situação assaz curiosa. De um lado, observamos estranha complacência com os mais distintos descalabros relativos à coisa pública, tratada, na verdade, como coisa de uns poucos. É como se a Nação estivesse adormecida. De outro, notamos uma espécie de cruzada contra alguns comportamentos, tidos por nocivos à saúde e ao bem de cada um, como se coubesse ao Estado ingerir nas escolhas individuais. É uma espécie de puritanismo de Estado.

A Nação está adormecida. Governantes e parlamentares estão dando uma amostra do que não deveria ser um comportamento exemplar de representantes do povo. O exemplo funciona ao contrário, como aquilo que não deveria ser feito. A mensagem que esses representantes passam aos cidadãos é a seguinte: locupletem-se com o dinheiro público, com os impostos de cada um de nós.

A aprovação de leis na Câmara e no Senado torna-se objeto de barganha pública por cargos, emendas e benesses dos mais diferentes tipos, como se o mérito de cada uma das iniciativas não devesse ser considerado enquanto tal. Estamos mesmo perdendo o sentido da hipocrisia. Nesta, um tributo é ainda pago à virtude, pois os que dela fazem uso procuram, ao menos, encenar um outro comportamento, voltado para o "bem". Na ausência da hipocrisia, até essa encenação desaparece.

Palavras perdem o seu sentido ou passam a significar algo totalmente distinto, como se ilícitos ou crimes fossem brincadeiras de crianças, coisas de "aloprados". O escândalo dos aloprados ganhou nova dimensão com a revelação, pela revista Veja, do "desabafo" de um "qualificado" militante petista de que suas ações "inqualificáveis" tiveram apoio partidário para desqualificar a candidatura de José Serra ao governo do Estado de São Paulo, em 2006. Foi mais preciso ainda ao dizer que o mesmo instrumento já havia sido utilizado com sucesso para desqualificar uma companheira do partido, Serys Slhessarenko, e o tucano Antero Paes de Barros, em Mato Grosso. Nem os companheiros são poupados.

Num país "acordado", essa nova revelação teria efeito bombástico, sendo propriamente um fato novo que deveria ensejar novas investigações da Polícia Federal e do Ministério Público e uma atitude firme do Congresso. Até agora, nada aconteceu. O ministro Aloizio Mercadante, apontado por seu companheiro de partido como um dos mentores daquela ação criminosa, compareceu ao Senado e nada aconteceu. A própria oposição mostrou desinteressar-se do caso. O ministro chegou ao desplante de dizer que a militância envolvida no episódio achava que, assim, iria destruir a corrupção: "Eles entendiam que havia blindagem na imprensa em relação às ações do governo Lula. Então eles achavam que tinham essa missão heroica de combater isso".

A bandidagem mudou de nome, agora se chama "missão heroica". Está entendido. Os "aloprados" deveriam ser considerados "heróis", embora possam ter-se equivocado em sua ação. Trata-se de uma enormidade. O problema, porém, reside em como podemos ter chegado lá, quando uma frase desse tipo é dita no Senado sem que produza comoção. Isso só se explica pela degradação moral do ambiente político.

Por outro lado, o governo transmite uma outra mensagem, compartilhada também por governos de outras agremiações partidárias nos níveis estadual e municipal. O Estado estar-se-ia ocupando da saúde dos indivíduos, do seu bem. No país do carnaval e da cachaça, a mensagem é a de um puritanismo alicerçado no Estado.

As medidas de cerceamento da liberdade de escolha, em diferentes níveis, só se têm acentuado. Começam insensivelmente, de modo a não produzir grandes reações. Funcionam como uma espécie de anestesia progressiva. Progressiva porque não se trata de uma anestesia comum, que deixa de produzir os seus efeitos após um breve período.

As coisas funcionam anodinamente. Numa espécie de longa história, ela começa com o cinto de segurança. Deveria ser função do Estado informar sobre os eventuais malefícios de dirigir sem o cinto de segurança, cabendo a cada um decidir se seguirá ou não essa orientação, assumindo, evidentemente, as suas consequências. A história prossegue com uma cruzada contra o fumo e as bebidas alcoólicas, como se as pessoas fossem incapazes de discriminar por si mesmas o que é melhor para elas. Para evitar qualquer tipo de mal-entendido, não estou advogando que uma pessoa em ambiente fechado fume na cara de outra, o que seria um evidente desrespeito ao direito alheio, mas que se possam frequentar lugares exclusivos para uns e outros. Tampouco que bêbados dirijam pelas ruas. Se causarem um acidente por isso, devem, evidentemente, ser severamente punidos. Daí não se segue uma legislação puritana que só tem equivalente no mundo em países como a Arábia Saudita. Uma legislação mais tolerante seria muito mais adequada, como ocorre em vários países europeus. Um cálice ou dois de vinho não causam embriaguez!

A situação de restrição à escolha individual chega às raias da insensatez, obrigando as pessoas a usarem um padrão de tomada determinado, como se cada um não pudesse fazer sua opção. Parece não haver limites para a intromissão do Estado, obrigando até mesmo os médicos a não prescreverem certos tipos de remédios para emagrecer, como se não fossem pessoas qualificadas para o exercício de sua profissão. A lista é longa e se estende à compra de antibióticos nas farmácias sem receita especial, além de outras que já se anunciam quanto à publicidade de comidas gordurosas ou contendo alto teor de sódio. Telefones celulares estão igualmente na mira, pelas ondas que utilizam.

A situação não deixa de ser paradoxal. Complacência completa com a imoralidade pública e imposição de comportamentos puritanos na esfera privada. Quem ganha com esse estranho jogo, o do germe do autoritarismo?

Denis Lerrer Rosenfield - O Estado de S.Paulo

segunda-feira, 27 de junho de 2011

PETISTAS ENROLADOS.

PSDB pedirá convocação de Ideli Salvatti para esclarecer participação no escândalo dos aloprados

O PSDB vai protocolar nesta terça-feira (28) requerimentos de convocação da ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, para esclarecer as denúncias da revista “Veja”. Segundo reportagem, ela teria participado de negociações para a compra de falso dossiê, na corrida eleitoral de 2006, contra o então candidato ao governo de São Paulo, José Serra, no escândalo dos aloprados.
O partido vai convidar ainda o secretário do Ministério da Educação, Carlos Abicalil. A revista aponta ligação entre ele, que teria atuado na fabricação de um dossiê semelhante no Mato Grosso, e a petista. Os documentos serão apresentados às comissões de Fiscalização Financeira e Controle e de Segurança Pública da Câmara.
O deputado Luiz Fernando Machado (SP) pede a apuração imediata dos fatos. “Vejo com preocupação que o núcleo central do governo, que trabalha na antessala da Presidência, esteja envolvido na compra de dossiê. Isso fere o princípio claro da democracia em um processo de disputa eleitoral. Aqueles que forem partícipes precisam prestar esclarecimentos à sociedade”, condenou.

“A denúncia é grave. Existem gravações que incriminam essas pessoas e merecem explicação. A população cobra a elucidação do caso. O nosso papel é apurar esses fatos e esclarecê-los”, acrescentou Reinaldo Azambuja (MS).
O deputado Raimundo Gomes de Matos (CE) reprovou a suposta participação de mais um ministro de Dilma Rousseff no esquema. “É triste a gente ver a imprensa apresentar documentos indicadores de que a corrupção aumenta a cada dia”, criticou.
Em entrevista ao jornal “O Globo”, o ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, defendeu Ideli e afirmou que há uma tentativa de atingir a colega e a gestão Dilma. O petista foi apontado pela “Veja” como um dos “mentores” do forjado dossiê contra Serra. As declarações de Mercadante foram rechaçadas. “O governo quer tapar o sol com a peneira e encobrir os fatos. Isso desestabiliza o Executivo e cria uma certa conivência. A oposição vai insistir e buscar todos os esclarecimentos necessários”, declarou Gomes de Matos.
Os tucanos convidarão a ex-senadora pelo PT-MT Serys Slhessarenko para falar às comissões de Fiscalização Financeira e Controle e de Segurança Pública. Em reportagem da “Folha de S. Paulo”, na quinta-feira (23), Serys afirmou que o petista Expedito Veloso admitiu em conversas com ela que integrantes do partido haviam montado dossiês.
Outras ações
→ O ministro Aloizio Mercadante participará de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado nesta terça-feira (28). O colegiado havia aprovado requerimento para que o ministro falasse do Plano Nacional de Ciência e Tecnologia. Diante das denúncias, Mercadante estaria disposto a falar sobre o caso dos aloprados.
→ O PSDB espera aprovar nesta semana os três requerimentos de convocação para o ministro explicar sua participação no esquema e dois convites a Expedito Veloso. Os pedidos foram protocolados nas comissões de Segurança Pública, de Ciência e Tecnologia e de Fiscalização Financeira e Controle na última terça-feira (21).

IDELI E MERCADANTE DEVEM SE EXPLICAR SOBRE ALOPRADOS, DIZ SARNEY

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), sugeriu nesta segunda-feira, 27, aos ministros da Ciência Tecnologia, Aloizio Mercadante, e das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, que prestem esclarecimentos sobre a denúncia de envolvimento no escândalo dos aloprados. Ele alega que esse tipo de procedimento deve partir de todos os que forem alvos de acusações. No caso, os ex-senadores e atuais ministros são acusados de envolvimento no esquema de forjar um dossiê contra José Serra, principal adversário de Mercadante na disputa de 2006 ao governo de São Paulo.
"Acho que a melhor fórmula é cada um se explicar naquilo que for acusado", propõe Sarney. Ele reforça sua sugestão, ao destacar que "não deve haver restrição de nenhuma maneira para que a pessoa possa (se) explicar". "Se agiu corretamente, não há por que deixar de fornecer as explicações que o Congresso pede", justifica.

Mercadante é aguardado na terça-feira, 28, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), atendendo a convite para falar da importância da inovação como garantia da competitividade da economia. Ele confirmou a presença antes de a revista Veja publicar o depoimento do bancário Expedito Veloso à Polícia Federal acusando-o de ser o mentor do esquema dos aloprados. Já Ideli, segundo a revista, aparece na documentação da PF como integrante de uma reunião com outros envolvidos no esquema.

O PMDB evidencia que dará um tratamento diferenciado aos dois ministros. O partido deixa claro que nada fará em favor de Mercadante, dando sequência ao relacionamento tenso que sempre houve entre ele e a maior bancada de apoio ao governo. O líder do partido, Renan Calheiros (AL), se limitou a lembrar que Mercadante "não é mais senador", quando perguntado se ele vai usufruir do mesmo tratamento dado este ano ao então ministro-chefe da Casa Civil Antonio Palocci. O certo é que boa parte da bancada não tem boas lembranças da convivência com ele, sobretudo quando se indispôs contra a candidatura de Sarney para presidência e quando se omitiu nas crises contra Renan.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), acredita que o resultado da presença do ministro no Senado "vai depender da oposição". Quanto à Ideli, Jucá sinaliza que estará de prontidão para defendê-la. "Qualquer tentativa de convocar a Ideli é jogo requentado e nós vamos barrar", anuncia.

Por sua vez, o líder do PSDB, Álvaro Dias (PR), afirma que a oposição reagirá de acordo com a estratégia adotada pelo ministro. "Se ele tentar esvaziar os procedimentos que estão em curso na Câmara - convocação dele e de outros envolvidos e os pedidos de investigação ao Ministério Público -, iremos reiterar os pedidos no Senado", avisa.

terça-feira, 21 de junho de 2011

UM ESCÂNDALO RESSURGE.

A Polícia Federal (PF) não pode se negar a reabrir o inquérito dos aloprados, agora que chegou à imprensa o desprevenido "desabafo" de um dos acusados de envolvimento com o escândalo. Segundo a revista Veja, o bancário Expedito Veloso, atual secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal, sem saber que as suas palavras estavam sendo gravadas, disse a interlocutores petistas que o ex-senador e hoje ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, não só teve conhecimento, como participou do esquema da compra de documentos destinados a compor um dossiê que incriminaria o tucano José Serra, seu adversário na disputa pelo governo paulista em 2006.



O escândalo dos aloprados tem esse nome porque foi assim que o então presidente Lula se referiu aos petistas presos em um hotel de São Paulo, às vésperas do primeiro turno das eleições, com R$ 1,75 milhão que serviria para pagar as supostas evidências das ligações de Serra com o negociante Luiz Antonio Vedoin, denunciado em outro escândalo que atingiu membros do Congresso Nacional, o da máfia das ambulâncias. Lula não condenou o jogo sujo dos companheiros. Apenas criticou a estupidez com que agiram. Mercadante, como se sabe, perdeu o pleito estadual já no primeiro turno. Por sua vez, não fossem as imagens da dinheirama na televisão, o presidente Lula teria se reelegido (contra Geraldo Alckmin) já na mesma rodada inicial.

O que mais viria a chamar a atenção na história foi a aparente incapacidade da Polícia Federal de esclarecer o caso, de forma a sustentar a abertura de um processo consistente contra os autores e mentores da torpeza. Como lembra a Veja, "a PF colheu 51 depoimentos, realizou 28 diligências, ordenou 5 prisões temporárias, quebrou o sigilo bancário e telefônico dos envolvidos, mas não chegou a lugar algum". Mercadante foi indiciado, por ser objetivamente o beneficiário do esquema. Mas o então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, não encontrou indícios de participação do candidato no episódio. Ao fim e ao cabo, o Supremo Tribunal Federal mandou arquivar o inquérito.

Procurado pela revista, Veloso não a desmentiu. Apenas demonstrou surpresa por alguém ter gravado o que chamou de "desabafo dirigido a colegas do partido". Os seus motivos, assim como as intenções de quem registrou e repassou o teor da conversa, são obscuros. De todo modo, as suas referências a Mercadante são inequívocas. A ideia da montagem de um dossiê anti-Serra, afirmou, contou com "o conhecimento e a autorização" do petista. Além disso, ele ficou "encarregado de arrecadar parte do dinheiro" para financiar a patifaria. Sempre segundo o inadvertido acusador, Mercadante recorreu ao caixa 2 da campanha - e, principalmente, ao então dirigente do PMDB paulista, Orestes Quércia, falecido no ano passado.

"Os dois fizeram essa parceria, inclusive financeira", declarou Veloso. "Em caso de vitória do PT, ele (Quércia) ficaria com um naco do governo." O que mais seria preciso para desengavetar a apuração do escândalo? "As investigações sobre os aloprados acabaram sendo arquivadas por falta de provas", argumenta o líder da bancada tucana na Câmara dos Deputados, Duarte Nogueira. "Se havia falta de provas, agora não há mais." Já no domingo, a oposição anunciou que ingressará com uma representação no Ministério Público Federal e oficiará à Polícia Federal. Pretende também que Mercadante seja convocado a depor numa das comissões da Câmara. Veloso, por seu turno, será convidado a falar.

Em nota, o ministro se disse vítima de "falsas insinuações", ao ter o seu nome envolvido "em uma suposta trama que teria a ocorrido há 5 anos". Não se trata de insinuações. Um petista como ele, exercendo uma função no governo do Distrito Federal, deu a companheiros uma versão do ocorrido que o incrimina diretamente. Ele pode ter dito a verdade ou mentido. Mas não renegou as palavras que se sentiu à vontade para pronunciar. De mais a mais, a aloprada tentativa do dossiê antitucano não foi uma suposição, mas um fato. O que tarda é a elucidação das responsabilidades do ministro na vexaminosa história.

Fonte: O Estadão

segunda-feira, 20 de junho de 2011

OPOSIÇÃO QUER ABRIR CASO DOS ALOPRADOS.


Mercadante

Líderes da oposição defenderam ontem a reabertura das investigações pela Polícia Federal e pelo Ministério Público para apurar o envolvimento de petistas na compra de um dossiê para tentar incriminar o candidato do PSDB às eleições ao governo de São Paulo, José Serra.

Reportagem da revista Veja desta semana apontou o ex-senador e atual ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, que concorria com Serra ao governo paulista, como um dos mentores da operação. Em estratégia conjunta, o PSDB e o DEM tentarão aprovar a convocação de Mercadante na Câmara para prestar esclarecimentos sobre sua participação no que ficou conhecido como "escândalo dos aloprados".

"As investigações sobre os aloprados acabaram sendo arquivadas por falta de provas. As informações trazidas agora são suficientes para que a apuração prossiga. Se havia falta de provas, agora não há mais", disse o deputado Duarte Nogueira (SP), líder do PSDB na Câmara. Nogueira informou que o partido ingressará com representação no Ministério Público e encaminhará ofício à PF solicitando a reabertura do caso.

Hoje serão apresentados requerimentos de convocação de Mercadante nas comissões técnicas da Câmara, com convite ao atual secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal, Expedito Veloso, uma das testemunhas-chave da fraude, que seria a fonte da reportagem de Veja.

Segundo a Veja, Veloso, ex-diretor do Banco do Brasil, teria revelado em conversa com petistas que Mercadante não só sabia, como participou do esquema para comprar um falso dossiê vinculando Serra ao empresário Luiz Antônio Vedoin, denunciado no escândalo da máfia das ambulâncias.

"Evidente que é preciso reabrir as investigações. Comprova o que sabíamos, a participação do PT sob o comando do Mercadante", disse o líder do DEM na Câmara, deputado ACM Neto (BA).

Já o PT diz que as denúncias são requentadas. Para o líder do partido na Câmara, Paulo Teixeira (SP), não há fato que justifique a abertura das investigações. "Essa agenda é do passado. O Ministério Público e a PF arquivaram os processos". Mercadante abandonou o silêncio ontem e divulgou nota contestando a Veja. (Agência Globo)

Ministro diz que é alvo de falsas insinuações

O ministro Aloizio Mercadante divulgou nota para contestar as acusações da revista Veja e lembra que já foi inocentado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro diz que é alvo de "falsas insinuações". "A revista Veja publicou na sua última edição, de 22 de junho, matéria na qual sou alvo de falsas insinuações (...). Ao tentar envolver meu nome em uma suposta trama que teria ocorrido há cinco anos, quando fui candidato ao governo de São Paulo, a matéria agride valores essenciais ao Estado democrático de Direito".

Fonte: A Gazeta