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sexta-feira, 26 de julho de 2013

REMENDO NO "MAIS MÉDICOS"

O Estado de S.Paulo
As mudanças que o governo quer introduzir no seu polêmico programa Mais Médicos - destinado a aumentar o número desses profissionais, em especial nas regiões mais carentes do País -, como resposta às duras críticas que ele vem recebendo desde que foi lançado, só complicam as coisas. Não poderiam ser mais infelizes as medidas com as quais o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, pretende dar consistência a um programa que, como ficou claro desde o início, foi formulado canhestramente por pessoas que parecem não entender suficientemente do assunto.
De acordo com uma delas, instituições privadas de ensino que estiverem dispostas a fazer doações ao Sistema Único de Saúde (SUS), na forma de investimentos, tanto em prédios como em equipamentos, terão maiores facilidades que seus concorrentes na abertura de novas Faculdades de Medicina. Pesará nesse caso também o preço das mensalidades a serem cobradas dos alunos.
Com essa fórmula, aparentemente engenhosa, o governo pretende ao mesmo tempo fortalecer o SUS e atingir a sua ambiciosa meta de criar 11.447 novas vagas em cursos de Medicina, em 60 municípios, até 2017 - 7.832 em instituições privadas e 3.615 em universidades federais.
O ministro não vê problemas em fazer aquela troca de doações por vagas, desde que se garanta a qualidade dos novos cursos, porque a seu ver os donos das instituições privadas ganham muito com a utilização da rede de hospitais e ambulatórios do SUS, onde se faz a formação prática de seus estudantes.
As coisas não são exatamente como pretende o ministro. Ele se esquece de que hospital do SUS não é hospital-escola, ou seja, não é nele que se faz aquela formação. Logo, as faculdades privadas não ganham nem perdem com o SUS. Portanto, se fizerem alguma doação, não será porque se julgam devedoras do governo, mas porque isso vale a pena pelas facilidades que receberão em troca.
Em vez de ajudar a melhorar as relações do governo com as entidades representativas dos médicos a respeito do Mais Médicos, essa medida tende a piorá-las, a julgar pela reação do Conselho Federal de Medicina (CFM). Segundo seu vice-presidente, Carlos Vital, ela é "um equívoco na sua essência", porque o Brasil já possui número suficiente de médicos. "Hoje o número disponível de vagas já é mais do que suficiente para a projeção do crescimento demográfico. É uma irresponsabilidade abrir vagas nos cursos médicos quando se deveria qualificar a formação profissional", diz ele.
Em outras palavras, precisamos mesmo é de médicos mais qualificados. Quanto ao critério do custo das mensalidades, Vital adverte que pode criar um "balcão de negócios", no qual terá preferência para abrir novos cursos quem oferecer o menor preço. Nem sempre alto custo garante boa qualidade, argumenta. Ele pode vir acompanhado de má qualidade.
A outra medida anunciada por Mercadante é igualmente polêmica - a transformação em residência médica dos dois anos que os estudantes de Medicina terão de trabalhar obrigatoriamente no SUS, pagos com uma bolsa do Ministério da Educação, depois de concluído os seis anos do curso. O que levou o governo a isso foi a péssima repercussão na classe médica tanto daquele trabalho compulsório como da extensão em mais dois anos do curso de Medicina, segundo a proposta original. Contabilizar esse tempo como residência seria uma forma de resolver o problema, se ele fosse assim tão simples.
A primeira pergunta que o ministro Mercadante terá de responder, quando oferecer detalhes de sua proposta, é como essa residência poderá ser feita na rede do SUS, se os seus não são hospitais-escola. Residência não se faz em qualquer hospital. E os cinco hospitais universitários que ele promete construir não poderão, evidentemente, cumprir esse papel, porque suas vagas nem de longe serão suficientes.
Esse é mais um remendo que reforça a impressão de que o Mais Médicos resultou de uma lamentável improvisação pela qual se poderá pagar caro.

domingo, 14 de julho de 2013

MERCADANTE, O ARTICULADOR DO CAOS

Na condição de articulador de iniciativas da doutora Dilma, o comissário Aloizio Mercadante patrocinou três lances de gênio. A saber:
1) A convocação de uma constituinte exclusiva para fazer uma reforma política. Durou 24 horas.
2) A convocação de um plebiscito para que o eleitorado definisse os marcos da reforma. Durou duas semanas.
3) Com o copatrocínio do ministro Alexandre Padilha, da Saúde, propôs a reorganização do ensino médico, aumentando-o de seis para oito anos.
Na semana passada informou-se aqui que as burocracias do MEC e das universidades federais faziam uma exigência maluca para médicos formados no exterior que quisessem revalidar seus diplomas. Caso queira trabalhar no Brasil, um doutor que se formou em Harvard e trabalha na clínica de Cleveland é obrigado a atestar que mora em Pindorama, mesmo tendo nascido aqui. Sem isso não pode pedir a revalidação, que demora até um ano. Até lá, vive de quê?
A exigência será eliminada, tudo bem, mas havia coisa pior. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, Inep, não sabe dizer quem pôs o jabuti na forquilha do programa Revalida, muito menos por quê. Essa mesma condição é exigida na rotina das revalidações de universidades federais. Puro obstáculo para blindar o mercado. Produto da onipotência dos educatecas.
Agora Mercadante e Padilha querem que os estudantes de medicina trabalhem no SUS por dois anos. Novamente, trata-se de um exercício de onipotência.
Ele se esconde atrás do argumento do aperfeiçoamento dos médicos. Trata-se de uma lorota, pois o Brasil tem medicina há séculos e suas deficiências não derivam da formação dos doutores, mas do desperdício de dinheiro público e da ganância dos interesses privados, inclusive de médicos.
Imagine-se dois estudantes. Aloizio é filho de um banqueiro, estudou em bons colégios e entrou para uma das melhores faculdades de medicina. Como são todas públicas, fará o curso sem desembolsar um tostão. Alexandre é filho de um bancário que trabalha para o pai de Aloizio. Não teve boas escolas, mas foi aprovado numa instituição privada. A família cacifou algo como R$ 300 mil, só em anuidades.
Seria razoável que Aloizio devolvesse em serviços para o SUS os seis anos de faculdade gratuita. Essa é uma antiga proposta de médicos do setor público. Alexandre, contudo, precisa trabalhar para aliviar o orçamento do pai bancário. Tem 26 anos, estuda há dezoito e agora querem obrigá-lo a ir para um regime de liberdade condicional trabalhando no SUS por mais dois, ganhando entre R$ 3 mil e R$ 8 mil (só os mandarins de Brasília acham que essas duas quantias são similares).
Se os comissários fossem menos onipotentes, os dois anos de serviço ao SUS seriam opcionais para quem estudou medicina em faculdade privada.
Quem entende do assunto jura que essa iniciativa, que começaria a valer em 2015, terá o mesmo destino que a constituinte e o plebiscito, pois é mais fácil mudar um cemitério de lugar do que alterar os currículos das faculdades de medicina.

Elio Gaspari

terça-feira, 21 de junho de 2011

UM ESCÂNDALO RESSURGE.

A Polícia Federal (PF) não pode se negar a reabrir o inquérito dos aloprados, agora que chegou à imprensa o desprevenido "desabafo" de um dos acusados de envolvimento com o escândalo. Segundo a revista Veja, o bancário Expedito Veloso, atual secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal, sem saber que as suas palavras estavam sendo gravadas, disse a interlocutores petistas que o ex-senador e hoje ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, não só teve conhecimento, como participou do esquema da compra de documentos destinados a compor um dossiê que incriminaria o tucano José Serra, seu adversário na disputa pelo governo paulista em 2006.



O escândalo dos aloprados tem esse nome porque foi assim que o então presidente Lula se referiu aos petistas presos em um hotel de São Paulo, às vésperas do primeiro turno das eleições, com R$ 1,75 milhão que serviria para pagar as supostas evidências das ligações de Serra com o negociante Luiz Antonio Vedoin, denunciado em outro escândalo que atingiu membros do Congresso Nacional, o da máfia das ambulâncias. Lula não condenou o jogo sujo dos companheiros. Apenas criticou a estupidez com que agiram. Mercadante, como se sabe, perdeu o pleito estadual já no primeiro turno. Por sua vez, não fossem as imagens da dinheirama na televisão, o presidente Lula teria se reelegido (contra Geraldo Alckmin) já na mesma rodada inicial.

O que mais viria a chamar a atenção na história foi a aparente incapacidade da Polícia Federal de esclarecer o caso, de forma a sustentar a abertura de um processo consistente contra os autores e mentores da torpeza. Como lembra a Veja, "a PF colheu 51 depoimentos, realizou 28 diligências, ordenou 5 prisões temporárias, quebrou o sigilo bancário e telefônico dos envolvidos, mas não chegou a lugar algum". Mercadante foi indiciado, por ser objetivamente o beneficiário do esquema. Mas o então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, não encontrou indícios de participação do candidato no episódio. Ao fim e ao cabo, o Supremo Tribunal Federal mandou arquivar o inquérito.

Procurado pela revista, Veloso não a desmentiu. Apenas demonstrou surpresa por alguém ter gravado o que chamou de "desabafo dirigido a colegas do partido". Os seus motivos, assim como as intenções de quem registrou e repassou o teor da conversa, são obscuros. De todo modo, as suas referências a Mercadante são inequívocas. A ideia da montagem de um dossiê anti-Serra, afirmou, contou com "o conhecimento e a autorização" do petista. Além disso, ele ficou "encarregado de arrecadar parte do dinheiro" para financiar a patifaria. Sempre segundo o inadvertido acusador, Mercadante recorreu ao caixa 2 da campanha - e, principalmente, ao então dirigente do PMDB paulista, Orestes Quércia, falecido no ano passado.

"Os dois fizeram essa parceria, inclusive financeira", declarou Veloso. "Em caso de vitória do PT, ele (Quércia) ficaria com um naco do governo." O que mais seria preciso para desengavetar a apuração do escândalo? "As investigações sobre os aloprados acabaram sendo arquivadas por falta de provas", argumenta o líder da bancada tucana na Câmara dos Deputados, Duarte Nogueira. "Se havia falta de provas, agora não há mais." Já no domingo, a oposição anunciou que ingressará com uma representação no Ministério Público Federal e oficiará à Polícia Federal. Pretende também que Mercadante seja convocado a depor numa das comissões da Câmara. Veloso, por seu turno, será convidado a falar.

Em nota, o ministro se disse vítima de "falsas insinuações", ao ter o seu nome envolvido "em uma suposta trama que teria a ocorrido há 5 anos". Não se trata de insinuações. Um petista como ele, exercendo uma função no governo do Distrito Federal, deu a companheiros uma versão do ocorrido que o incrimina diretamente. Ele pode ter dito a verdade ou mentido. Mas não renegou as palavras que se sentiu à vontade para pronunciar. De mais a mais, a aloprada tentativa do dossiê antitucano não foi uma suposição, mas um fato. O que tarda é a elucidação das responsabilidades do ministro na vexaminosa história.

Fonte: O Estadão

segunda-feira, 20 de junho de 2011

OPOSIÇÃO QUER ABRIR CASO DOS ALOPRADOS.


Mercadante

Líderes da oposição defenderam ontem a reabertura das investigações pela Polícia Federal e pelo Ministério Público para apurar o envolvimento de petistas na compra de um dossiê para tentar incriminar o candidato do PSDB às eleições ao governo de São Paulo, José Serra.

Reportagem da revista Veja desta semana apontou o ex-senador e atual ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, que concorria com Serra ao governo paulista, como um dos mentores da operação. Em estratégia conjunta, o PSDB e o DEM tentarão aprovar a convocação de Mercadante na Câmara para prestar esclarecimentos sobre sua participação no que ficou conhecido como "escândalo dos aloprados".

"As investigações sobre os aloprados acabaram sendo arquivadas por falta de provas. As informações trazidas agora são suficientes para que a apuração prossiga. Se havia falta de provas, agora não há mais", disse o deputado Duarte Nogueira (SP), líder do PSDB na Câmara. Nogueira informou que o partido ingressará com representação no Ministério Público e encaminhará ofício à PF solicitando a reabertura do caso.

Hoje serão apresentados requerimentos de convocação de Mercadante nas comissões técnicas da Câmara, com convite ao atual secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal, Expedito Veloso, uma das testemunhas-chave da fraude, que seria a fonte da reportagem de Veja.

Segundo a Veja, Veloso, ex-diretor do Banco do Brasil, teria revelado em conversa com petistas que Mercadante não só sabia, como participou do esquema para comprar um falso dossiê vinculando Serra ao empresário Luiz Antônio Vedoin, denunciado no escândalo da máfia das ambulâncias.

"Evidente que é preciso reabrir as investigações. Comprova o que sabíamos, a participação do PT sob o comando do Mercadante", disse o líder do DEM na Câmara, deputado ACM Neto (BA).

Já o PT diz que as denúncias são requentadas. Para o líder do partido na Câmara, Paulo Teixeira (SP), não há fato que justifique a abertura das investigações. "Essa agenda é do passado. O Ministério Público e a PF arquivaram os processos". Mercadante abandonou o silêncio ontem e divulgou nota contestando a Veja. (Agência Globo)

Ministro diz que é alvo de falsas insinuações

O ministro Aloizio Mercadante divulgou nota para contestar as acusações da revista Veja e lembra que já foi inocentado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro diz que é alvo de "falsas insinuações". "A revista Veja publicou na sua última edição, de 22 de junho, matéria na qual sou alvo de falsas insinuações (...). Ao tentar envolver meu nome em uma suposta trama que teria ocorrido há cinco anos, quando fui candidato ao governo de São Paulo, a matéria agride valores essenciais ao Estado democrático de Direito".

Fonte: A Gazeta

domingo, 5 de dezembro de 2010

INDO PARA O MATADOURO DO OSTRACISMO.

(Giulio Sanmartini) Em agosto de 2009, o senador Aloisio Mercadante (PT-SP), líder do partido nessa casa, deu a entender que não aceitava os acordos feitos com seu partido para preservar o larápio José Ribamar, vulgo José Sarney, afirmando cheio de empáfia e autoridade que, caso isso acontecesse, deixaria a liderança do partido de forma irrevogável.


Mas por falta de caráter, de coragem e de honra, revogou o que era irrevogável, depois de conversar com o boçal oportunista presidente Luiz Inácio Lula a Silva.

Perdeu o respeito dos brasileiros que ainda conseguem enxergar alguma coisa e também do seu próprio partido, em bom português, esmerdou-se todo.

Mesmo assim ele teria sua eleição ao Senado garantida como demonstravam as pesquisas de opinião, todavia foi mas uma vez usado pelo pérfido Lula, para deixar de lado o Senado e candidatar-se a uma missão impossível, bater Geraldo Alckmin (PSDB), na disputa ao governo do Estado de São Paulo. O tucano venceu no primeiro turno e Mercadante em janeiro ficaria desempregado, portanto a dadivosa Dilma Rousseff o acolheu debaixo das asas de uma sinecura, paga pelo contribuinte, dando-lhe como prêmio de consolação o “importantíssimo” ministério da Ciência e Tecnologia, que ele humildemente aceitou.

É triste ver um homem que parecia sério encaminhar-se para um decadente final, como uma rês vai para o matadouro

Fonte: http://bit.ly/e3Zs24