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sábado, 1 de fevereiro de 2014

QUEM TEM MEDO DE DENISE ABREU?


(Foto: Ella Durst)
(Foto: Ella Durst)
Caiu na rede – Quando oucho.info afirmou que Denise Abreu, ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) preocupa os palacianospróximos à presidente Dilma Rousseff, muitos pensaram ser um exagero de nossa parte, mas isso vem se confirmando a cada dia. E se fizemos tal afirmação é porque as informações recebidas dão conta que essa é de fato a situação que reina no Palácio do Planalto quando surge em alguma conversa o nome de Denise. (Clique e confira a entrevista)
Fora isso, Denise Abreu causa muita preocupação aos integrantes da cúpula do partido dos Trabalhadores. A razão é muito simples: ela sabe demais sobre as entranhas do partido e conhece em minúcias o modus operandi de governar do PT.
Pré-candidata do Partido Ecológico Nacional (PEN) à Presidência da República, Denise é, pelo menos por enquanto, a única pessoa com capacidade e preparo para enfrentar Dilma em um debate. Não apenas por tudo o que sabe, mas, sim, pela experiência acumulada ao longo dos anos.
No domingo (2), às 22 horas (horário de Brasília), Denise Abreu estará no Lobão Entrevista, na rede mundial de computadores. Ex-Procuradora do Estado de São Paulo (1986/2003), Denise teve sua reputação assassinada ao contrariar os interesses privados de integrantes do governo petista de Luiz Inácio da Silva. Essa operação covarde se deu no vácuo de um compadrio ancorado pelo lobista Lula, cujos operadores eram Roberto Teixeira (compadre do ex-presidente) Dilma Vana Rousseff, à época ministra-chefe da Casa Civil.
Na corrida presidencial, Denise Abreu promete fazer valer os valores conservadores, ou seja, não se deixará contaminar pelo populismo barato que escorre pela rampa do Palácio do Planalto, da mesma maneira que não pegará carona na bolha de virtuosismo que o PT insiste em manter no ar para não estourar.
Se eleita, Denise tem como metas a implantação da visão de Estado, não de Governo, na administração pública, valorizando a meritocracia e o resgate dos valores éticos e tradicionais da sociedade brasileira. Até porque, reparar o estrago que Lula e Dilma impingiram ao País, em apenas treze anos, exigirá dos brasileiros de bem pelo menos cinquenta anos de esforço continuado.
Em sua página no Facebook, o senador Alvaro Dias (PSDB/PR) escreveu um fato real acerca da entrevistada do roqueiro Lobão: “Denise Abreu é verdadeiro arquivo vivo de denuncias que amedrontam o governo! É corajosa e tem muito a dizer! Pretende disputar a presidência para encontrar espaço para suas denúncias!”
Para quem já conhece Denise Abreu, a entrevista a Lobão será uma ótima oportunidade para confirmar a disposição e o destemor que essa brasileira tem para, enfrentando o lado truculento dos atuais ocupantes do poder, disputar o direito de colocar o Brasil nos trilhos. Para quem não conhece Denise, eis a chance para descobrir o que ela pode fazer pelo País. Assista ao “Lobão Entrevista” através do linkhttp://goo.gl/XYBnJg

Fonte: Ucho.Info

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A PPP DE LULA

É ao mesmo tempo irônico e acintoso que a Agência Nacional de Águas seja colhida por um escândalo de distribuição de propinas enquanto o Nordeste enfrenta a pior seca em 50 anos.
Ou que a Agência Nacional de Transportes Aquaviários vire alvo de ridicularias justamente quando o Planalto retoca licitações e metas de desempenho para o setor portuário, um dos mais dramáticos gargalos de infraestrutura do país.

Ou que a Agência Nacional de Aviação Civil seja exposta como um cabidão de empregos no momento em que as companhias aéreas catapultam tarifas, extinguem linhas populares e demitem centenas de funcionários --e o governo redige os termos da concessão de dois aeroportos e completa a migração para a iniciativa privada de outros três.

Ou que fique patente a vulnerabilidade do MEC em pleno processo de aperfeiçoamento de cadastros e regulação universitária.

Ou, ainda, que a cúpula da Advocacia-Geral da União enfrente denúncias de corrupção logo quando era requisitada para sanar impasses de enorme impacto nacional, como a divisão dos royalties do petróleo.

A quadrilha desbaratada pela Polícia Federal impressiona, primeiro, pelos danos que causou e/ou pretendia causar ao erário. Uma única negociata no porto de Santos envolvia R$ 2 bilhões.
Impressiona, também, pelo apetite: além dos órgãos já citados, o grupo conseguiu se intrometer no Tribunal de Contas da União, na Secretaria do Patrimônio, no Banco do Brasil, na Brasilprev, nos Correios...

Mas impressiona, sobretudo, que toda essa rapinagem só tenha prosperado porque o governo se pôs de joelhos para atender o desejo de Lula. Rosemary Noronha virou chefe de gabinete apenas por (e para) privar da intimidade do presidente. É errado culpá-la sozinha pela mistura de agendas nessa lamentável parceria público-privada.

Melchiades Filho

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A COR DA GATA E A MORTE DO RATO.

Desculpe, dona Solange, não se ofenda. A gata é a senhora. Mas, lendo o artigo, verá que o título foi por boa causa.


Em 2007 a crise aérea rivalizou com a seleção brasileira: todos tinham opiniões, diagnósticos e estratégias. O ministro da Defesa disse que o caos aéreo seria resolvido. Poucos problemas: recapear as pistas e um novo presidente para a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Disse ele que, na aviação civil, a cor da gata era irrelevante. O importante era que ela matasse o rato.

Dona Solange chegou à presidência da Anac e as coisas pareceram começar a funcionar. De colete amarelo ela foi para a frente de batalha. Tudo parecia encaminhado e resolvido. As múltiplas vaidades envolvidas na administração do transporte aéreo civil pareciam engolidas pela decisão, energia e exemplo de dona Solange.

Faltavam duas coisas simples, mas raras: gestão e energia. Dona Solange chegou com ambas. Que pena, a cosmética foi feita, mas não adiantou muito. Filas aumentaram e atrasos também. Culparam os pobres, que começaram a viajar demais.

Minha animação levou um banho de água fria na entrevista que a senhora concedeu a Miriam Leitão no programa Espaço Aberto em 17 de fevereiro de 2011, três anos depois de ter assumido o cargo e já dele saindo.

Sua primeira afirmação, de que não há barreiras para a entrada de novas empresas aéreas no Brasil, me deixou pasmo. Por que será que só temos 7 ou 8 empresas aéreas? Faltam iniciativa e inventividade aos empreendedores brasileiros ou há alguma coisa oculta?

Segundo, a senhora disse que fechou os escritórios da Anac nos aeroportos porque tinham pouca utilidade. Eles eram ocupados por pessoas terceirizadas que pouco entendiam de aviação e a maioria das multas aplicadas às empresas acabava não se sustentando por falta de base legal. Ergo, eram inúteis.

A senhora enfatizou, também, que o objetivo da Anac é ser autossuficiente, cobrando por serviços e aplicando multas. E mais, a senhora disse que as multas aplicadas pela Anac subiram de cerca de R$ 800 mil, em 2007, para R$ 17 milhões, em 2010, e isso era um bom sinal no caminho da Anac para a autossuficiência.

Os passageiros, entretanto, não têm com quem reclamar porque os escritórios não existem mais. A saída foi criar um 0800. Parece o candidato a presidente José Serra em 2002: abordado por uma moradora de uma área de baixa renda, mal ouviu a pergunta e sugeriu à eleitora que lhe mandasse um fax?

Suponho que as pessoas, quando reclamam no 0800, recebem um número de protocolo. Lamento, dona Solange, mas sou descrente de que algo de bom vá ocorrer por essa via. Quando recebo esses números, monto um jogo da Mega Sena, invisto R$ 2 e ganho, de verdade, dois ou três dias de sonho a respeito do que farei com o prêmio da Mega Sena, caso o ganhe. Com os números de protocolo das agências não ganho nem as alegrias do sonho.

Considerar o aumento das multas um dos objetivos da Anac é um tapa na cara do passageiro. Só falta a agência fazer como o motorista de táxi de Salvador que, perguntado por um executivo apressado se não poderia andar mais rápido, respondeu: Meu rei, a pressa é toda sua!

Mais desconsolador foi ouvir a senhora confessar humildemente (e notei que a senhora baixou o tom de voz) que uma entidade pública como a Anac tem uma série de limitações e? reticências.

Eu me lembrava da senhora de colete de serviço, dando a cara nos aeroportos e mostrando que havia alguém encarregado de tentar resolver problemas, dando aos viajantes a noção personificada de que havia alguém à frente do processo.

Por essas e outras não me animei quando o presidente Lula anunciou o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, composto de empresários e pessoas bem-sucedidas, para ajudá-lo a governar melhor. Desse mato não saiu nenhum coelho. Não por que as pessoas que lá estavam não eram competentes, mas porque as limitações que a burocracia impõe aos que resolvem desafiá-la são implacáveis. Nada anda.

Circulou a notícia de que a presidente Dilma queria levar o empresário Jorge Gerdau Johannpeter para o governo, na esperança de que ele fosse capaz de desatar uma série de nós burocráticos. Como não se falou mais no assunto, acho que ele não aceitou. Aliás, melhor assim. Tomara que ele continue a comprar e a montar siderúrgicas mundo afora, administrando-as com critérios empresariais seus e de seus executivos.

Para que correr o risco de ser um Gulliver em Lilliput? Apesar do seu tamanho em matéria de competência e de seu gigantismo em matéria empresarial, por que entrar numa situação em que ficaria atado por milhares de anões cujo princípio básico é não mudar nada, sobretudo para não correr riscos?

Pode ser que haja muita coisa errada com a educação no Brasil (e há) quando se diz que ela não educa as pessoas para serem competitivas. Mas essa ausência de educação adequada não é o único empecilho. Mais do que isso é a plêiade de normas burocráticas governamentais que tudo tenta regular para reduzir os riscos de mudança (toda mudança é ameaçadora?).

Então, de uma vez por todas, gostaria de ajudar a jogar uma pá de terra na crença dos governantes de que conseguirão ser mais eficientes se levarem mais empresários eficientes em empresas privadas para dentro do governo.

O que conseguiremos será apenas um desperdício de talentos que mais bem aplicados estão crescendo com suas empresas, gerando empregos, lucro e multiplicando seus benefícios do que sendo atados ao chão como Gulliver, impedidos de levar a eficiência a que estão acostumados para um ambiente que recompensa os que nada fazem.

A última frustração, dona Solange, foi a senhora não ter dito - mas, honestamente, eu não esperava: "parabéns, passageiro, a multa é toda sua?"

Boa sorte no novo cargo.

Fonte: O Estadão - Alexandre Barros - http://bit.ly/e9Ms2K