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domingo, 21 de abril de 2013

LULA E ROSEMARY: SILÊNCIO CADA VEZ MAIS REVELADOR

Ex-presidente fez 27 pronunciamentos em 148 dias - mas nada sobre Rose

Gabriel Castro e Marcela Mattos, de Brasília
Rosemary Nóvoa de Noronha e Lula
Rosemary Nóvoa de Noronha e Lula (AE e Reuters)

Nos oito anos que passou no Palácio do Planalto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sempre teve como característica o hábito de falar constantemente e sobre tudo. Em tempos de crise, chegou a ser aconselhado por assessores diretos e marqueteiros a manter relativa distância dos microfones.

Mas, quase nunca, a recomendação foi seguida. É quase unânime a avaliação de aliados que convivem com Lula há décadas que o silêncio nunca lhe agradou, ainda que o tema seja dos mais espinhosos, como o mensalão, que quase lhe custou o mandato. Porém, há cinco meses, um assunto é proibido ao redor do ex-presidente: Rosemary Noronha.

A edição de VEJA desta semana detalha a atuação de Rosemary, ou Rose, como era conhecida, nas entranhas do poder. A mulher que chefiava o escritório da Presidência da República em São Paulo e acompanhava Lula em viagens internacionais usava a proximidade com o petista para negociar favores.

Na época do estouro da Operação Porto Seguro, a Polícia Federal desmontou uma quadrilha que traficava influência nos altos escalões do governo federal. Paulo Vieira, ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), comandava o grupo.

Rosemary Noronha deve a Lula sua ascensão no poder público. Intimamente ligada ao petista, ela tinha privilégios e integrou, diversas vezes, comitivas presidenciais no exterior. Apesar da grande expectativa a respeito do que o petista teria a dizer sobre o episódio, Lula silenciou desde a operação Porto Seguro, deflagrada em 23 de novembro. Foram 27 pronunciamentos, entre discursos e entrevistas. Mas, em 148 dias, nada explicou sobre as graves acusações envolvendo a mulher que era sua amiga íntima e que foi indicada por ele para chefiar o escritório da Presidência em São Paulo.
Nesse período, Lula deu ordens a secretários do prefeito paulistano Fernando Haddad (PT), despachou com ministros do governo Dilma Rousseff, recebeu prêmios, deu palestras, se reuniu com líderes mundiais, prestou consultoria a empresas brasileiras. Sobre Rose, uma frase discreta, a contragosto, quando questionado se tinha sido surpreendido pelas revelações da Polícia Federal: "Não fiquei surpreso, não".

Lula avalia que não tem nada a ganhar comentando o episódio. Ele afirma, reservadamente, que o silêncio evita que o caso seja associado a ele e contribui para que o escândalo perca força no noticiário.

A postura revela o quanto o ex-presidente se sente desconfortável com a revelação de que a antessala do poder era usada para negociações escusas. Mesmo titubeante, Lula não evitou tecer comentários sobre outros escândalos, como o mensalão, o dossiê dos aloprados ou a morte do prefeito Celso Daniel, um fantasma que assombra o PT. Mas, a cada nova revelação sobre as andanças de Rose, pode se supor o que Lula tanto teme.

Fonte: Revista Veja

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

A DEPRESSÃO DE ROSE

Rose está cada vez mais deprimida e desesperada. Terá de comparecer a juízo periodicamente, e a imprensa a qualquer momento poderá encontrá-la. O comando do PT e a direção do Instituto Lula não sabem mais o que fazer. Como se diz no linguajar jurídico, estão mantendo “em local incerto e não sabido” a ex-chefe de gabinete da Presidência Rosemary Noronha, mas juíza federal Adriana Freisleben de Zanetti, da 5ª Vara Criminal de São Paulo, decidiu proibir que a Rose deixe a cidade de São Paulo sem permissão judicial.

Isso significa que a ex-assessora dos presidentes Lula e Dilma deve comparecer a juízo periodicamente, não pode deixar a cidade sem autorização, não pode exercer função pública e estará submetida a pagamento de fiança no caso de faltar a qualquer uma dessas obrigações.

Como se sabe, Rosemary é investigada por formação de quadrilha, corrupção passiva, falsidade ideológica e tráfico de influência. Era destacada integrante do esquema criminoso liderado pelo ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA) Paulo Vieira que produzia pareceres do setor público para atender a interesses privados, conforme ficou revelado na Operação Porto Seguro, desencadeada pela Polícia Federal e do Ministério Público Federal.

Como conseqüência da Operação Porto Seguro, veio a público o relacionamento íntimo de Rose com o ex-presidente Lula, iniciado na década de 90. A imprensa levantou que Lula empregou o ex-marido, o atual e uma filha de Rose, criou para ela o cargo de chefe de gabinete em São Paulo e se fez acompanhar da assessora em 24 viagens internacionais no período de menos de três anos, com visita a 32 países.

DEPRESSÃO PROFUNDA
Em função do escândalo, a presidente Dilma Rousseff imediatamente demitiu Rose e a família inteira. Lula estava em viagem ao exterior e desde então passou a evitar a imprensa.

No Brasil, as providências foram tomadas pelo comando do PT e pela direção do Instituto Lula, que tiraram Rose de casa e evitam que ela tenha contatos externos, para evitar que faça declarações à imprensa. E foram escalados três advogados para defender a ex-chefe do gabinete, sob coordenação do ex-ministro da Justiça Marcio Thomaz Bastos.

O resultado dessa situação é que Rose, que tem temperamento instável e explosivo, entrou em profunda depressão e está sob cuidados médicos. A obrigatoriedade dela comparecer periodicamente a juízo é um problema gravíssimo para o PT e o Instituto Lula, porque a imprensa pode começar a fazer plantão diante da 5ª Vara Criminal de São Paulo.

E se Rose desobedecer à ordem judicial e não comparecer em juízo, poderá ter sua prisão preventiva decretada.

Carlos Newton

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

COMUNISTA DE BOTECO

(Foto: Luiz CArlos Murauskas - Folhapress)

A desfaçatez de Lula é algo tão acintoso que chega a provocar náuseas. Na manhã desta quarta-feira (19), o ex-presidente participou do evento de posse da nova diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, entidade que o catapultou para o mundo da política.

Durante discurso, que só os presentes acreditaram, Lula disse que voltará a andar pelo País em 2013 e que não será derrotado por qualquer “vagabundo”. “Só existe uma possibilidade de me derrotarem: trabalhar mais do que eu. Se ficar um vagabundo numa sala com ar condicionado falando mal de mim, vai perder”, declarou o enrolado Luiz Inácio da Silva, acusado de chefiar os mais impressionantes escândalos de corrupção ocorridos na última década.

Durante o palavrório que durou mais de quarenta minutos, Lula elogiou o próprio governo e teceu loas à presidente Dilma Rousseff, o que é um disfarce, pois o ex-metalúrgico sonha em voltar ao Palácio do Planalto em 2015. Esse sonho reacendeu depois que recente pesquisa de opinião apontou que, se a eleição presidencial fosse hoje, ele derrotaria qualquer outro candidato, assim como Dilma.

Ao falar da crise econômica brasileira, que ele próprio ajudou a fomentar com sua irresponsabilidade, Lula colocou a culpa na instabilidade da economia internacional, pois ele, como semideus, não comete erros. É magnânimo, preposto do Senhor nesta barafunda chamada Terra.

Essa reaparição no cenário político emoldurada por ataques chicaneiros já era esperada, pois só assim Lula consegue força para negar envolvimento nos escândalos de corrupção e dizer que de nada sabia. O discurso agressivo acontece um dia depois que Lula recebeu, em seu instituto, oito governadores que viajaram a São Paulo para prestar solidariedade àquele que foi acusado de ser o chefe maior do Mensalão do PT e de ter colocado a namorada, Rosemary Noronha, no topo de uma quadrilha que fraudava pareceres oficiais.

Lula não tem o direito de classificar como vagabundo cada um dos seus críticos e adversários, não sem antes se olhar no espelho. Feito isso e uma profunda reflexão, Lula poderá tecer críticas aos que lhe criticam, mas jamais ressuscitar o nível dos discursos que fazia nos botecos mequetrefes de porta de fábrica, pois o Brasil não é movido à pinga e a extensa maioria do povo brasileiro não tem vocação para o alcoolismo.

Aqui no ucho.info, Lula, sobram críticas à sua pessoa, ao seu comportamento, à sua falsa inocência, ao seu legado desastroso, mas nenhum dos integrantes da equipe aceita ser chamado de vagabundo, pois trabalhamos duro na tentativa de salvar o Brasil de uma quadrilha que, sob sua liderança, saqueou e destruiu o Brasil de forma escandalosa.

Se o “vagabundo” proferido em seu discurso serve para algum dos seus adversários, problema de cada um deles, mas no nosso caso aconselhamos uma dose dupla de creolina antes de nos dirigir a palavra, mesmo que seja para elogios, o que é absolutamente impossível.

Fonte: Ucho.Info

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

LULA VIVE NOVO INFERNO ASTRAL


As acusações não partiram de nenhum "mequetrefe", mas do próprio operador do mensalão, condenado por isso mesmo a 40 anos de prisão

Já encrencado com o "Caso Rosemary Noronha", o ex-presidente Lula sofre agora um golpe ainda mais duro, sendo acusado de comandar o esquema do mensalão em seu governo. As acusações não partiram de nenhum "mequetrefe", mas do próprio operador do mensalão, condenado por isso mesmo a 40 anos de prisão.
Desde que deixou o poder, esse é o momento mais crítico do ex-presidente. Sua reputação está sendo colocada a toda prova. Por mais que o empresário Marcos Valério seja condenado ou um "canalha", como disse Roberto Jefferson, as acusações são graves demais para passarem em branco.

Não é à toa que o presidente do STF, Joaquim Barbosa, e o Ministério Público Federal defendem abertura de investigação para apurar o possível envolvimento de Lula nas denúncias.

Como visto nas páginas anteriores, entre várias acusações, Valério disse que Lula deu o "ok" para os empréstimos que serviram para pagar o mensalão, e também teve despesas pessoais pagas pelo dinheiro usado no esquema. O empresário atingiu outros petistas, como José Dirceu e Antonio Palocci, citou ainda um encontro com Lula no Palácio do Planalto, e chegou a dizer que foi ameaçado de morte.

Pelas declarações que deu no depoimento e pelas informações que parece ter, Valério se tornou definitivamente homem-bomba da República. É cedo para dizer o alcance do que veio à tona, mas está claro que Lula e PT vivem seu pior momento.

Maior estrela do partido e com status de mito, Lula nunca foi alvo de uma investigação mais consistente. Agora isso pode ocorrer. O momento é grave: o ex-presidente e seu partido são alvos de dois escândalos simultâneos. E essa onda negativa acaba tendo repercussão no governo Dilma, que continua o projeto do anterior.

Curiosamente, o PT chegou ao poder fazendo campanhas eficientes em defesa da ética na política. Quando Lula foi eleito presidente pela primeira vez, em 2002, a campanha nacional do partido era "Xô corrupção", que dizia: "Se a gente não acabar com eles, eles vão acabar com o Brasil".

Agora o partido termina seu décimo ano comandando o país com o pilar da ética danificado, querendo regulamentar a imprensa, atacando STF e com seu maior líder envolto em suspeitas. Ontem, Lula só disse que as acusações de Valério são "mentira". Mas a declaração parece ter convencido tanto quanto àquelas sobre ter sido apunhalado ou traído. O momento atual faz lembrar mais uma vez a famosa frase de Nelson Rodrigues sobre Brasília, nos anos 70: "Todos são inocentes e todos são cúmplices"

Radanezi Amorim

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

ESTRAGO QUE "MADAME" FEZ EM NOME DE LULA

Na entrevista coletiva em que foi apresentado como técnico da seleção nacional, Luiz Felipe Scolari fez uma brincadeira sobre a pressão sofrida por qualquer ocupante de seu novo emprego. "Se não quer pressão, é melhor não jogar na seleção, vão trabalhar no Banco do Brasil", disse ao completar a declaração de que ganhar a Copa de 2014 é uma obrigação. Bastou isso para que o mundo desabasse sobre sua cabeça. Apesar de ser esta notoriamente dura, seu dono, o autor da graçola, submetido a críticas de sindicatos de bancários e diretores e funcionários do BB, terminou pedindo desculpas em público.



O autor destas linhas é do tempo em que passar no concurso para o Banco do Brasil era quase como ganhar na loteria da Caixa Econômica Federal. Perceba que a sorte neste país está sempre sob chancela estatal. Emprego estável garantido, prestígio social e, como insinuou Felipão, vida mansa. Hoje já não se pode dizer o mesmo, mas também não é uma ocupação de que alguém venha a arrepender-se algum dia, principalmente diante das vicissitudes da economia, que às vezes provocam dores de cabeça nos assalariados da iniciativa privada, mas nunca prejudicam as evidentes vantagens de quem vive sob os auspícios da viúva.

De pouco adiantou o currículo do técnico, o último a dirigir uma seleção brasileira campeã do mundo, em 2002, na Ásia: ele teve de ajoelhar no milho e se penitenciar perante a corporação. Logo depois de seu triunfo, a gestão federal do Partido dos Trabalhadores (PT) empreendeu um esquema de compra de votos de bancadas aliadas para apoiar projetos no Congresso Nacional. E parte do dinheiro que usou foi surrupiado dos cofres do banco cuja honra foi agora defendida com tanto denodo por seus funcionários. O então diretor de Marketing nomeado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Henrique Pizzolato, mandou depositar R$ 73,9 milhões nas contas das agências publicitárias mineiras DNA, Graffiti e SMPB, que os repassaram em forma de propina a partidos e políticos da base.

Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 12 anos e 7 meses de prisão, o ex-funcionário de carreira e petista da linha de frente terá de amargar pelo menos 2 anos e 1 mês numa cela e pagar R$ 1,3 milhão de multa. É muito dinheiro, mas praticamente nada comparado com o total que se sabe que foi furtado. O companheiro pisoteou e jogou no lixo a credibilidade de uma instituição financeira com mais de 200 anos de existência e excelente reputação no mercado financeiro mundial. Seus colegas e correligionários, entretanto, preferiram execrar a Justiça pela sentença que condenou o ladrão à merecida prisão e reclamar do técnico da seleção pela piada, que nem é das mais pesadas.

Tão zelosa em negar os próprios privilégios, a corporação do BB nunca se mostrou particularmente interessada em salvaguardar a boa imagem dela. Ao desbaratar a quadrilha dos "bebês da Rosemary", os irmãos Vieira, que compraram as graças da ex-chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo Rosemary Nóvoa de Noronha, a Polícia Federal (PF) comprovou isso. Pois constatou que essa senhora, acusada de desvio de conduta na Operação Porto Seguro, conseguiu que Luiz Carlos Silva, presidente da empresa Cobra, braço tecnológico do BB, contratasse a New Talent, de João Vasconcelos, marido da moça, e seu genro, Carlos Alexandre Damasco Torres. Assinado em maio de 2010, quando o vice-presidente de tecnologia do BB era José Luiz Salinas, o contrato levou em conta um atestado de capacidade técnica que os agentes federais presumem ser falso. Genuína mesmo era a ligação de Salinas com José Dirceu, o ex-chefe da Casa Civil de Lula, como Pizzolato condenado (por corrupção ativa e formação de quadrilha), e com o ex-presidente do PT Ricardo Berzoini, que o apadrinharam para o cargo. Salinas, hoje na Ásia, era também frequentador habitual do gabinete de "madame Rosemary".

Ainda há tempo para a corporação do BB protestar contra a malsinada influência em créditos evidentemente desastrosos, que também comprometem a credibilidade do banco público, mas nem a Velhinha de Taubaté acredita nessa hipótese. Pois os indignados com a gracinha do sisudo Felipão nunca vieram a público reclamar do aparelhamento promovido pelo PT dos bancários Berzoini e Luiz Gushiken na antes respeitável instituição financeira. Ao contrário, todos neste momento estão empenhados em encontrar uma desculpa qualquer, similar à do caixa 2 de campanha, com a qual tentaram desacreditar o julgamento do mensalão.

Enquanto isso, dirigentes do PT, falsos ingênuos e blogueiros ditos progressistas fazem de tudo para desmoralizar pelo menos um dos responsáveis pela condenação dos companheiros Dirceu e José Genoino. A bola da vez não é o ex-presidente do STF Carlos Ayres de Brito nem o atual chefe máximo do Judiciário e relator do julgamento, Joaquim Barbosa, mas Luiz Fux.

O ministro está sendo acusado à boca pequena, como é comum no gulag de intrigas do PT, de ter-se comprometido a absolver os mensaleiros em troca da vaga no Supremo. A calúnia não se apoia em documentos nem na lógica e padece de um defeito de origem: quem mereceria recriminação, um jurista que aceita chegar ao topo da carreira renegando a independência e a honra de julgador ou um estadista que seja capaz de exigir dele tal promessa? A pergunta nem merece resposta, tão implausível é a injúria.

Mas há outras duas que não podem ser caladas. Qual a pior hipótese: a de uma secretária de luxo ter poderes para nomear e promover usando o santo nome do ex-presidente Lula em vão, sendo sempre atendida, ou a de este avalizar seus pedidos? Seria pior para a República o advogado-geral da União fazer tráfico de influência ou ele nunca ter percebido a quadrilha operando no gabinete ao lado, de um amigo que promoveu?

Pelo visto, o mensalão é pinto comparado com o estrago feito pela madame em nome de Lula.

José Nêumanne

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

LULA E ROSE - INTIMOS NO PÚBLICO E NO PRIVADO

Jornal decide contar ao leitor o que jornalistas e governo sabiam há muito: Lula e Rosemary, no centro do novo escândalo, eram amantes desde 1993
Um homem público ter uma amante é ou não assunto relevante? Nos EUA, basta para liquidar uma carreira política, como estamos cansados de saber. Foi um caso extraconjugal que derrubou o todo-poderoso da CIA e quase herói nacional David Petraeus.

Desde quando estourou o mais recente escândalo da República, todos os jornalistas que cobrem política e toda Brasília sabiam que Rosemary Nóvoa Noronha tinha sido — se ainda é, não sei — amante de Lula. Assim define a palavra o Dicionário Houaiss: “Amante é a pessoa que tem com outra relações sexuais mais ou menos estáveis, mas não formalizadas pelo casamento; amásio, amásia”.

Embora a relação fosse conhecida, a imprensa brasileira se manteve longe do caso. Quando, no entanto, fica evidente que a pessoa em questão se imiscui em assuntos da República em razão dessa proximidade e está envolvida com a nomeação de um diretor de uma agência reguladora apontado pela PF como chefe de quadrilha, aí o assunto deixa de ser “pessoal” para se tornar uma questão de interesse público.

O caso, com todos os seus lances patéticos e sórdidos, evidencia a gigantesca dificuldade que Lula sempre teve e tem de distinguir as questões pessoais das de Estado. Como se considera uma espécie de demiurgo, de ungido, de super-homem, não reconhece como legítimos os limites da ética, do decoro e das leis.

Outro dia me enviaram um texto oriundo de um desses lixões da Internet em que o sujeito me acusava de “insinuar”, de maneira que seria espúria, uma relação amorosa entre Rose e Lula. Ohhh!!! Não só isso: ao fazê-lo, eu estaria, imaginem vocês!, desrespeitando Marisa Letícia, a mulher com quem o ex-presidente é casado. Como se vê, respeitoso era levar Rose nas viagens a que a primeira-dama não ia e o contrário.

Mas isso é lá com eles. A Rose que interessa ao Brasil é a que se meteu em algumas traficâncias em razão da intimidade que mantinha com “o PR”. Lula foi o presidente legítimo do Brasil por oito anos. A sua legitimidade para nos governar não lhe dava licença para essas lambanças. Segue trecho da reportagem da Folha. Volto para encerrar.
*
A influência exercida pela ex-chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, no governo federal, revelada em e-mails interceptados pela operação Porto Seguro, decorre da longa relação de intimidade que ela manteve com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Rose e Lula conheceram-se em 1993. Egressa do sindicato dos bancários, ela se aproximou do petista como uma simples fã. O relacionamento dos dois começou ali, a um ano da corrida presidencial de 1994.

À época, ela foi incorporada à equipe da campanha ao lado de Clara Ant, hoje auxiliar pessoal do ex-presidente. Ficaria ali até se tornar secretária de José Dirceu, no próprio partido. Marisa Letícia, a mulher do ex-presidente, jamais escondeu que não gostava da assessora do marido. Em 2002, Lula se tornou presidente. Em 2003, Rose foi lotada no braço do Palácio do Planalto em São Paulo, como “assessora especial” do escritório regional da Presidência na capital. Em 2006, por decisão do próprio Lula, foi promovida a chefe do gabinete e passou a ocupar a sala que, na semana retrasada, foi alvo de operação de busca e apreensão da Polícia Federal.

Sua tarefa era oficialmente “prestar, no âmbito de sua atuação, apoio administrativo e operacional ao presidente da República, ministros de Estado, secretários Especiais e membros do gabinete pessoal do presidente da República na cidade de São Paulo”. Quando a então primeira-dama Marisa Letícia não acompanhava o marido nas viagens internacionais, Rose integrava a comitiva oficial. Segundo levantamento da Folha tendo como base o “Diário Oficial”, Marisa não participou de nenhuma das viagens oficiais do ex-presidente das quais Rosemary participou.
(…)
Procurado pela Folha, o porta-voz do Instituto Lula, José Chrispiniano, afirmou que o ex-presidente Lula não faria comentários sobre assuntos particulares.

Encerro
Como se vê, Lula considera Rosemary um “assunto particular”, o que soa como confissão. Só que ela era chefe de gabinete do escritório da Presidência em São Paulo. O Brasil pagava o salário do “assunto particular” do Apedeuta. Ainda assim, ela poderia ter sido uma funcionária exemplar. Não parece o caso…

É um modo de ver a República. O mesmo Lula que classifica a chefe de gabinete da Presidência em São Paulo de “assunto particular” não distingue a linha que separa o interesse público de seus impulsos privados.

PS – Não deixem que a sordidez da história contamine os comentários. Há sempre o risco de se ultrapassar a linha do decoro em temas assim. Façam o que Lula não fez.
 

Por Reinaldo Azevedo

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A PPP DE LULA

É ao mesmo tempo irônico e acintoso que a Agência Nacional de Águas seja colhida por um escândalo de distribuição de propinas enquanto o Nordeste enfrenta a pior seca em 50 anos.
Ou que a Agência Nacional de Transportes Aquaviários vire alvo de ridicularias justamente quando o Planalto retoca licitações e metas de desempenho para o setor portuário, um dos mais dramáticos gargalos de infraestrutura do país.

Ou que a Agência Nacional de Aviação Civil seja exposta como um cabidão de empregos no momento em que as companhias aéreas catapultam tarifas, extinguem linhas populares e demitem centenas de funcionários --e o governo redige os termos da concessão de dois aeroportos e completa a migração para a iniciativa privada de outros três.

Ou que fique patente a vulnerabilidade do MEC em pleno processo de aperfeiçoamento de cadastros e regulação universitária.

Ou, ainda, que a cúpula da Advocacia-Geral da União enfrente denúncias de corrupção logo quando era requisitada para sanar impasses de enorme impacto nacional, como a divisão dos royalties do petróleo.

A quadrilha desbaratada pela Polícia Federal impressiona, primeiro, pelos danos que causou e/ou pretendia causar ao erário. Uma única negociata no porto de Santos envolvia R$ 2 bilhões.
Impressiona, também, pelo apetite: além dos órgãos já citados, o grupo conseguiu se intrometer no Tribunal de Contas da União, na Secretaria do Patrimônio, no Banco do Brasil, na Brasilprev, nos Correios...

Mas impressiona, sobretudo, que toda essa rapinagem só tenha prosperado porque o governo se pôs de joelhos para atender o desejo de Lula. Rosemary Noronha virou chefe de gabinete apenas por (e para) privar da intimidade do presidente. É errado culpá-la sozinha pela mistura de agendas nessa lamentável parceria público-privada.

Melchiades Filho

domingo, 2 de dezembro de 2012

ÚLTIMO A SABER DA OPERAÇÃO PORTO SEGURO, CARDOZO ESTEVE POR UM FIO

Supreendida pela investigação da Polícia Federal, Dilma ficou irritada e pensou em demitir seu ministro da Justiça. VEJA desta semana traz a história completa de Rosemary Noronha e de como ela se tornou íntima de Lula e de José Dirceu

CADÊ O MINISTRO? - Ao não conseguir falar com Cardozo, da Justiça, Dilma cogitou demiti-lo
CADÊ O MINISTRO? - Ao não conseguir falar com Cardozo, da Justiça, Dilma cogitou demiti-lo  (Ailton de Freitas/ Agência O Globo)
A presidente Dilma Rousseff soube da Operação Porto Seguro pouco depois das 8 da manhã de sexta-feira por um telefonema de Luís Inácio Adams, advogado-geral da União. Adams havia sido acordado momentos antes por seu número 2, José Weber Holanda, um dos investigados. Dilma pediu para localizar o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, mas ele não atendia aos telefonemas. Já irritada, a presidente só conseguiu falar com o ministro duas horas depois, quando soube que ele não tinha conhecimento de nada.
A operação pegou Cardozo e o chefe da Polícia Federal, Leandro Daiello, de surpresa, já que foi feita pela superintendência da Polícia Federal de São Paulo, sem comunicação a Brasília. Três dias depois, Cardozo não conseguia dizer à chefe com segurança se havia ou não escutas telefônicas envolvendo Rosemary e o ex-presidente Lula, como chegou a ser noticiado. Só na manhã de terça-feira o ministro confirmou que não houve quebra de sigilo nas comunicações de Rose. Dilma fez duras críticas à atuação do ministro. Chegou a pensar em demiti-lo - desistiu por temer passar a imagem de que não aceita que a PF investigue seu governo.
Por mais incômoda que possa ter sido para Lula e para setores do governo, a operação foi conduzida dentro das normas da PF. Uma mudança na estrutura da autarquia feita na gestão de Tarso Genro (2007-2010) descentralizou as grandes operações. As superintendências regionais ganharam competência para promover ações sem avisar Brasília. Sob Márcio Thomaz Bastos (2003-2007), os trabalhos eram centralizados. O então diretor do órgão, Paulo Lacerda, tinha um responsável pela inteligência e um pela atuação. As ações deviam ser autorizadas por um dos dois e sempre saíam de Brasília - o governo era avisado na véspera. De início, a descentralização foi considerada positiva. Mas ela veio acompanhada de uma restrição orçamentária que praticamente engessou a PF. No governo, a Operação Porto Seguro foi interpretada como um “recado” da PF paulista, que não gosta do gaúcho Daiello (considerado um interventor e criticado pela rigidez com que comandou a superintendência paulista entre 2008 e 2010) nem de Cardozo (que deixou a segurança da Olimpíada e da Copa para as Forças Armadas). Questionado por emissários do governo, o superintendente da PF em São Paulo, Roberto Troncon, negou que a operação tenha tido motivação política.     
Quem é a mulher que sabe demais
Reportagem de VEJA desta semana mostra que, quando conheceu Lula e José Dirceu, nos anos 80, Rosemary Nóvoa de Noronha era uma morena de cabelos longos e contornos voluptuosos que, trabalhando como bancária, passou a frequentar o sindicato da categoria em São Paulo. Ex-colegas daquele tempo lembram que ela chegou a participar de plenárias e discussões partidárias, mas nunca se destacou como dirigente de expressão. Fazia mais sucesso nas festas que aconteciam nas quadras do sindicato, que ficava ao lado da sede nacional do PT, no centro da cidade. A proximidade entre as categoria e o partido contribuiu para que ela logo chamasse a atenção de próceres petistas, como o então deputado José Dirceu, de quem se aproximou. Ele a contratou como secretária logo depois. Meses mais tarde, Rose conheceu Lula, então candidato derrotado duas vezes em disputas à Presidência. A partir daí, embora oficialmente continuasse a trabalhar para Dirceu, passou a cuidar da agenda de Lula e a pagar suas contas. A proximidade entre os dois cresceu ao longo dos anos. Quando Lula chegou ao poder, criou um escritório para a Presidência da República em São Paulo, na esquina da avenida Paulista com a rua Augusta, e Rose foi imediatamente encaixada na lista de funcionários. Foi ela a responsável pela reforma do escritório e sua decoração, que inclui um grande mural do petista vestido com a camisa do Corinthians e chutando uma bola. Sobre os sofás, almofadas revestidas com reproduções de fotos do ex-presidente. Logo após a reforma, Rose foi promovida a chefe do escritório. 

sábado, 1 de dezembro de 2012

DEPOIS DO MENSALÃO, O CASO ROSE

Radanezi Amorim
Ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, "Rose" foi assessora de Dirceu por quase 12 anos

Em poucos dias, o “caso Rosemary Noronha” tirou do foco o histórico julgamento do mensalão e, desde então, não param de vir à tona fatos de arrepiar. Ironicamente, as denúncias chamuscaram por tabela o ex-ministro José Dirceu, personagem central no esquema sentenciado no Supremo.
Ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, “Rose” foi assessora de Dirceu por quase 12 anos. Chegou a ligar para ele pedindo ajuda durante as buscas da Polícia Federal na Operação Porto Seguro em seu apartamento. E ele seria citado pelas iniciais “JD” em e-mails trocados entre Rose e integrantes do esquema.

Contudo, desta vez até o ex-presidente Lula aparece em situação complicada. Não só porque a ex-chefe de gabinete o acompanhava em viagens ao exterior. Mas, principalmente, porque ela parecia se valer das relações com Lula para emplacar parentes e amigos em cargos de peso na administração federal.

Foi o que indicou, por exemplo, a troca de e-mails entre Rose e Lula, obtidos pela Polícia Federal nas investigações. As mensagens foram divulgadas nos últimos dias.

Até agora o ex-presidente evita se explicar sobre o caso. Questionado por repórteres, num evento na quinta-feira, ele nada falou sobre Rose ou sobre a operação da PF. E a declaração de que foi “apunhalado pelas costas”, atribuída a ele por aliados, soa quase como piada: remete ao que ele próprio disse em 2005, no auge do mensalão.

E o fato é que surgem cada vez mais pontos de sombra. Começam a sobrar cacos para todo o lado, como o fato surpreendente de o Senado ter aprovado um dos nomes indicados por Rose para a Agência Nacional de Águas (ANA), depois de já tê-lo rejeitado por duas vezes.
A ex-chefe de gabinete demonstra ter sido investida de um poder muito além do que sua função, como se tivesse sempre o aparo de “superiores” a ela.

De todo modo, as denúncias envolvendo Rose são o ponto mais visível de um grande esquema de corrupção entranhado em órgãos federais, por meio do aparelhamento operado no poder público por “camaradas” e “companheiros”.

É mais um caso da falta de limites entre o público e o privado, com a máquina estatal sendo usada em proveito próprio, como se pertencesse ao grupo que está no poder.
Diante do que tem sido revelado, é provável que o “caso Rose” ainda dê muito o que falar, com novos escândalos vindo à tona. Sobretudo porque os estilhaços podem atingir figuras pilhadas em outros “malfeitos”, como Dirceu, Valdemar Costa Neto. Sem contar o risco eventual de arranhões a Lula. De qualquer forma, o atual governo volta ter a imagem arranhada pela “herança maldita” do que o antecedeu.

Cena política
Diante da constatação de que Rosemary Noronha, a Rose, emplacou nomeações na Anac, na ANA e na Brasilprev, previdência privada ligada ao Banco do Brasil, uma malvada raposa política soltou esta ontem: “Esse esquema já está virando uma falência múltipla de órgãos e atingindo o coração do governo!”. É muita maldade da exagerada raposa...

LAMA NO VENTILADOR



A preocupação do Palácio do Planalto com os desdobramentos da Operação Porto Seguro é tamanha, que até o secretário da Presidência, Gilberto Carvalho, foi escalado para falar sobre o tema, em uma tentativa de reduzir o estrago.

Amigo e ex-chefe de gabinete de Luiz Inácio da Silva, o ministro Gilberto Carvalho afirmou nesta sexta-feira (30) que os e-mails que estão em poder da Polícia Federal não complicam em nada a vida do ex-presidente. “Não tem nenhuma complicação para o presidente Lula”, disse Gilberto Carvalho.

Que negou ter avisado o ex-presidente sobre a operação policial.
As mensagens analisadas pela PF mostram que a ex-assessora Rosemary Noronha, ex-chefe de gabinete do escritório da Presidência em São Paulo, acionou o ex-presidente Lula para conseguir cargos para aliados e para a própria filha, Michelle Noronha.

A questão não está nos e-mails, mas nos 122 telefonemas entre Lula e Rosemary Nóvoa de Noronha, cujo conteúdo, segundo quem teve acesso ao material, é explosivo e deixará o petista e situação constrangedora quando revelado.

Lula tem o dever moral de vir a público e explicar seu envolvimento no escândalo de corrupção, ao invés de evitar diuturnamente a imprensa, o que configura confissão de culpa.

Fosse um inocente nesse imbróglio, Lula não teria telefonado para líderes da oposição pedindo um voto de confiança, evitando assim a criação a CPI da Rosemary

Fonte: Ucho.Info

VERGONHA ZERO



 O governo federal agiu com rapidez no escândalo revelado pela Operação Porto Seguro e conseguiu excluir do inquérito os 122 telefonemas entre Luiz Inácio da Silva e sua mais que íntima assessora Rosemary Nóvoa de Noronha.

Por ordem superior, a Polícia Federal decidiu coloca o material de lado, o que irritou sobremaneira os policiais que participaram da operação. De acordo com o que informou o ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, à presidente Dilma Rousseff, o sigilo telefônico de Rosemary não foi violado.

Cardozo e Dilma por certo acreditam que o Brasil é um enorme picadeiro e apostam na teoria de que os brasileiros que pensam engolirão mais uma manobra criminosa do governo mais corrupto de toda a história nacional.

Por mais inexperiente que seja, um policial jamais começaria uma investigação desse porte sem monitorar os telefonemas dos suspeitos. De acordo com o que apurou o ucho.info, o conteúdo dos tais telefonemas é explosivo e não envolvem apenas negócios escusos, mas assuntos íntimos e pessoais.

Como antecipamos na edição de quinta-feira (29), a Polícia Federal precisa investigar se Rosemary, por ter sido detentora de passaporte diplomático durante a era Lula, fez uso da chamada “mala diplomática”, que de acordo com a Convenção de Viena, de 1961, não pode ser aberta ou retida por autoridades estrangeiras. Eis o ponto crítico e mais complexo do imbróglio que foi arquitetado no escritório da Presidência em São Paulo.

Fonte: Ucho.Info

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

AGORA, A ROSE E O LULA

Pois é… Vocês se deram conta das entrelinhas das reportagens? Uma assegura que Dilma teve de negociar com Lula a demissão daquela senhora. Outra informa que Gilberto Carvalho — o faz-tudo do Apedeuta no Planalto — teve de ser acionado porque a presidente sabia que o assunto poderia ser delicado. Outra ainda dá conta de que a funcionária era dotada de um temperamento difícil, que tinha de ser, não obstante, tolerado — e por que tinha? Uma quarta conta que, embora chefe do escritório da Presidência em São Paulo, acompanhara Lula em boa parte das viagens ao exterior…

Talvez seja o caso, então, de resgatar outro livro importante que ajuda a explicar a formação do Brasil: “Casa Grande & Senzala”, de Gilberto Freyre. Na formação do Brasil, as, como posso chamar?, “relações ancilares” tiveram grande importância, não é?, especialmente no período colonial. Traços dessa outra expressão de informalidade parece que se misturam também à formação do estado, muito especialmente este aí, “modernizado”, como se vê, pelo petismo. Uma coisa é certa: foi preciso negociar com Luiz Inácio Lula da Silva a demissão da chefe de gabinete da Presidência em São Paulo mesmo com as gravações da Polícia Federal a indicar que mulher era elo numa quadrilha que operava no coração do poder.

Coisa grave, sim!

Parem um pouco para pensar. O esquema, segundo a apuração da Polícia Federal, envolve uma funcionária graduada da Presidência, o número dois da, atenção!, Advocacia-Geral da União (que representa os interesses da Federação) e diretores de agências reguladoras — justamente as agências!, que deveriam ser a expressão do estado árbitro entre os prestadores de serviços e a sociedade que paga por eles. Uma súcia, pois, estava instalada no coração do poder e operando a poucos centímetros, no que concerne ao aspecto funcional, de Dilma Rousseff. E algumas nomeações, como está claro, se fizeram para satisfazer a vontade do Babalorixá de Banânia. Lembro: Luís Inácio Adams, o número um da AGU, ainda pode ser considerado pré-candidato ao Supremo. A infiltração, segundo a PF, havia chegado até o número dois…

Pior: não foram os mecanismos de controle do Executivo que detectaram as ações fraudulentas. Não fosse o arrependimento — ou algo assim — de um dos beneficiários da tramoia criminosa, o grupo continuaria a operar sem temor nem perigo, como se percebe, certo de que detinha as boas garantias. Não por acaso, quando a Polícia Federal chegou, Rose teve uma ideia: telefonar para José Dirceu — a quem havia servido por 12 anos (originalmente, foi ele quem a apresentou a Lula) — para ver se algo poderia ser feito. Consta que o homem que quer “julgar o STF” nas ruas não atendeu.

Um desses tontolinos que andam por aí (se não for coisa pior) nos conclama a aplaudir o governo Dilma por conta da independência da Polícia Federal e do Ministério da Justiça, ao qual o órgão é vinculado, porque leva adiante a operação… EU NÃO APLAUDO, NÃO! SOU UM HOMEM CONVENCIONAL. EU VAIO UM GOVERNO EM QUE ESSA GENTE TODA OCUPA CARGOS DE CONFIANÇA — E CARGOS DA MAIS ALTA RELEVÂNCIA! POR QUE EU APLAUDIRIA?

“Ah, Reinaldo, mas o governo não impediu a Polícia Federal de agir…”

Só faltava isso, não? Imaginem se ocorreria a alguém a sugestão de que Barack Obama poderia impedir uma investigação do FBI. Por que eu deveria aplaudir a independência da PF, atribuindo-a ao governo Dilma — pagando, pois, quando menos, um tributo moral à turma — SE A CONSTITUIÇÃO ME DÁ DE GRAÇA A INDEPENDÊNCIA DA POLÍCIA FEDERAL? Por que eu devo pagar por aquilo que é uma garantia constitucional?

Eu vaio, mas Dilma será aplaudida

É claro que algumas notícias já nascem com perfis, desenhados pela máquina de propaganda, pelo viés ideológico do noticiário, pelo espírito do tempo… Esse noticiário já veio à luz com a marca “Dilma não tolera a corrupção e demite mesmo”. Os nomes de Lula e Dirceu associados à turma da maracutaia não indisporão o eleitorado petista com a presidente e ainda servirão para despertar a simpatia em setores da sociedade refratários à dupla. Compreendo o mecanismo que leva a isso, mas não posso me esquecer de que à Presidência da República coube a nomeação da quadrilha.

Um grupo operando no coração mesmo do poder só nos informa a que distância estamos de uma República de fato e como é ineficaz responder a certos desafios com algumas feitiçarias legiferantes. A questão é mesmo de outra ordem. Mas isso fica para outro post, que este já foi longe.

A síntese é esta: mais um escândalo envolvendo “a mulher” e os homens de Lula é a evidência do “moderno” estado arcaico petista.

Reinaldo Azevedo

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O PT DE ROSEMARY

Carlos Brickmann –


Certos candidatos a certas nomeações, ao que parece, precisam apresentar entre seus documentos um atestado de antecedentes incompleto. Só o completarão, como folha corrida, como capivara, no exercício do cargo.
Mas esta não é uma novidade. Novidade seria explicar o motivo que levou a Polícia Federal, subordinada ao Ministério da Justiça, a investigar assuntos do Governo e gente influente do Governo anterior. Há alguns palpites, que podem até ser verdadeiros, mas que neste momento não passam de palpites:

a) há pouco tempo o Governo negou o aumento reivindicado pela Polícia Federal (só que essa investigação não começou há pouco tempo);

b) a Polícia Federal é dividida em várias alas (mas seria estranho que alguma delas agisse num nível tão alto sem que o ministro da Justiça fosse informado);

c) o advogado geral da União, Luís Inácio Adams, era apontado como um dos preferidos de Dilma para o Supremo (e sua indicação ficou difícil pelo envolvimento no caso de seu adjunto e homem de confiança, cuja escolha para o cargo defendeu com todo o empenho). Outra possibilidade de escolha da presidente Dilma seria o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo – que vem a ser, por coincidência, o chefe da Polícia Federal. O afastamento do nome de Adams reforça, sem dúvida, o nome de Cardozo.

Depois das desastrosas declarações do ministro sobre as prisões brasileiras, sob sua responsabilidade, seria esta também uma maneira de tirá-lo do posto, promovendo-o para fora do Governo.

Perguntas

Se Cardozo sabia das investigações, terá contado a Dilma? Se sabia e a informou, por que não houve providências imediatas, como afastar Rose Noronha antes que o caso se tornasse público? Se sabia e não a informou, continuará merecendo confiança?
Se não sabia, como manter-se no cargo que não terá exercido?

Fábula fabulosa

Diz a história que um dos Três Porquinhos fez uma casa de palha; o outro, de madeira; o terceiro, de tijolos. O que a fábula não conta é que, como os Três Mosqueteiros, os Três Porquinhos eram quatro. O quarto, em vez de uma casa, construiu um bunker de concreto reforçado.
Lá, protegido e seguro, dedicava-se à sua atividade favorita: trair os outros porquinhos e os donos da porcada.

Dúvidas, dúvidas

1 – Para que existem gabinetes da Presidência da República em vários Estados? Com o avanço extraordinário das telecomunicações, para que servem?

2 – A secretária Rose Noronha foi demitida do gabinete paulista, e não terá substituto. Se o cargo era necessário, por que não substituí-la? Se o cargo era desnecessário, por que se pagava uma funcionária para exercê-lo?

3 – Quando estourou o Mensalão, o presidente Lula se disse apunhalado pelas costas. Agora, o ex-presidente Lula se disse apunhalado pelas costas. Afinal de contas, para que servem seus guarda-costas?

4 – Lula provém de família pobre, foi operário, foi líder sindical, fundou um partido importante, elegeu-se duas vezes presidente da República, elegeu sua sucessora. Mas vive dizendo que foi traído. Será que Lula se considera ingênuo? Será que alguém no país seria capaz de considerá-lo simplório?

DESESPERO DE LULA



Desespero total – Por ocasião da Assembleia Nacional Constituinte, que culminou com a Carta Magna de 1988, o então deputado federal Luiz Inácio da Silva deu as costas ao parlamento, alegando lá existirem trezentos picaretas. Por certo Lula, naquele momento, fez também uma autocrítica, que tem sido comprovada ao longo dos anos.

Em cima de um palanque Lula é um animal político, mas quando está acuado é capaz de atos inacreditáveis. Desaparecido desde a deflagração da Operação Porto Seguro, que atingiu a sua mais que protegida Rosemary Nóvoa de Noronha, então chefe de gabinete do escritório da Presidência em São Paulo, Lula entrou em desespero com a possibilidade de a oposição criar, no Congresso, uma CPI para investigar o mais novo escândalo de corrupção da era petista.

Temendo pelo pior, Lula, creiam, está telefonando a líderes da oposição e pedindo um “voto de confiança”, como antecipou o jornalista Claudio Humberto. Esse ato desespero é porque cresce a possibilidade de criação da CPI da Rosemary, o que reduziria Lula a pó, não sem antes revelar à nação e à própria família o seu verdadeiro caráter.

Por ocasião da CPMI dos Correios, a oposição teve a derradeira chance de ejetar Lula do Palácio do Planalto por causa dos pagamentos feitos a Duda Mendonça no exterior. Soberba, a oposição descartou a possibilidade de impeachment, alegando que era preciso manter a governabilidade do País. Na ocasião José Sarney entrou em campo para auxiliar o então presidente, cobrando pelo trabalho, e Lula continuou mais alguns anos a patrocinar e endossar escândalos de todos os naipes.

Caso tropece na mais recente esparrela de Lula, a oposição está assinando um atestado da própria incompetência. Luiz Inácio da Silva é persuasivo e tem um impressionante arquivo de informações sobre os adversários. O negócio é enfrentar as ameaças sem medo e limpar o Brasil.

Fonte: Ucho.Info

terça-feira, 27 de novembro de 2012

O TAMANHO DO ESCÂNDALO


O Estado de S.Paulo

A cada nova informação revelada pela Operação Porto Seguro, da Polícia Federal (PF), afigura-se mais amplo o esquema de tráfico de influência em favor de interesses privados montado dentro do governo federal, espraiando-se por vários setores da administração. Além das Agências Nacionais de Transportes Aquaviários (Antaq), de Águas (ANA) e de Aviação Civil (Anac), estão envolvidos a Advocacia-Geral da União (AGU), a Secretaria do Patrimônio da União (SPU), o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério da Educação (MEC). Neste último, a desenvolta atuação de um dos principais integrantes da organização criminosa, Paulo Rodrigues Vieira, então diretor da ANA, indica que os delitos eram práticas assustadoramente comuns.

Como mostram escutas da PF feitas em março passado e noticiadas pela Folha (27/11), Paulo Vieira conseguiu de um funcionário do Ministério da Educação uma senha para entrar no sistema do órgão e modificar informações financeiras da Faculdade de Ciências Humanas de Cruzeiro (SP), pertencente à sua família, provavelmente para obter benefícios do Programa Universidade para Todos (ProUni). No diálogo interceptado, ele conversa com Márcio Alexandre Barbosa Lima, da Secretaria Especial de Regulação do Ensino Superior. "Eu tô querendo entrar aqui no MEC com sua senha", diz Paulo Vieira. Em seguida, com a maior naturalidade, ele pede: "Me fala seu CPF". O pedido é atendido por Lima. Logo depois, em outra conversa gravada pela PF, uma funcionária da faculdade diz a Paulo Vieira que, conforme suas ordens, havia alterado alguns valores em 15%, e ele manda: "Aumenta agora 20%".

Outra ação de Paulo Vieira no MEC envolveu Esmeraldo Malheiros dos Santos, consultor jurídico do ministério que, segundo a investigação da PF, ajudou a quadrilha a obter pareceres favoráveis a faculdades ameaçadas de descredenciamento. Em e-mail enviado a Santos, Paulo Vieira cobra um parecer positivo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep): "Peça para a sua amiga fazer um bom relatório e logo". No mesmo e-mail, ele sugere o pagamento de propina: "Há 20 exemplares da obra à sua disposição na minha casa na próxima semana. É para a suas leituras de férias". Os "20 exemplares" seriam R$ 20 mil, segundo a PF.

Paulo Vieira, como se sabe, entrou no governo graças ao esforço de Rosemary Noronha, que era chefe de gabinete da Presidência em São Paulo. Rose foi secretária de José Dirceu durante 12 anos. Quando Luiz Inácio Lula da Silva se elegeu presidente, em 2003, ele lhe deu emprego na representação do governo federal em São Paulo, que passou a chefiar em 2005 por ordem de Lula. Foi Rose quem indicou Paulo Vieira para a ANA e o irmão dele, Rubens Vieira, para a Anac - e um dedicado Lula forçou a nomeação de Paulo a despeito da oposição do Congresso. Segundo a PF, era Rose quem agendava as reuniões entre a quadrilha e autoridades governistas, como o governador da Bahia, Jaques Wagner, e o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel. Em troca de empregos públicos para a família e de mimos como um cruzeiro marítimo, Rose, que se orgulhava de sua proximidade com Lula, tornou-se a face rastaquera de um esquema que, no entanto, nada tem de trivial.

Como era previsível, Dilma Rousseff tratou logo de demitir os principais envolvidos, reeditando a "faxina" pirotécnica que caracterizou o início de seu mandato. Desta vez, porém, a rápida e inequívoca ação da presidente contra funcionários tão próximos de Lula decerto haverá de causar algum mal-estar na relação de Dilma com seu padrinho - que até agora não abriu a boca.

A tropa de choque governista está tentando caracterizar Rose como alguém menor, de "terceiro escalão", embora suas ligações com Lula e José Dirceu sejam antigas, firmes e inegáveis. Para o líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), Rose é apenas "uma secretária", razão pela qual não deveria ser chamada a depor no Congresso. Diante do crescente acúmulo de evidências de que o escândalo mal começou, porém, essa tentativa de evitar que Rose fale mostra que ela certamente tem muito o que dizer.
 

EXCESSO DE DESENVOLTURA

 Há três possibilidades no escândalo Rosemary Noronha, a Rose: ou Dilma não sabia da operação da PF, ou sabia e não falou para Lula, ou sabia, falou para Lula e ambos combinaram lavar as mãos.

Se a presidente não foi informada, ponto para o Ministério da Justiça e para a PF, que agiram profissionalmente e serviram ao país, não a um governo de plantão.

Se foi informada e não interveio no trabalho da PF, ponto para Dilma, mas o clima não deve estar nada bom entre ela e Lula, que prestigiava tanto a ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo que sempre a levava em viagens internacionais.

Se Dilma autorizou a operação e avisou Lula, ponto para ambos, mas a própria Rose, com tanto poder nos dois mandatos de Lula, deve estar se sentindo traída. Uma arara.

Afora o tal cruzeiro do Bruno e Marrone, parece que Rose não é nada modesta. Além de empregar na Anac e na ANA os companheiros agora presos, também arranjou três (três!) vagas gordas para o marido e boquinhas para a filha, para o genro e sabe-se lá mais para quem. Boa mãe...

Afinal, ela se autoinvestiu desse poder ou recebeu delegação de quem mandava de fato e de direito? Caberia ao presidente do Senado, José Sarney, e ao líder do governo Lula na Casa, Romero Jucá, contar por que --e por quem-- inverteram as regras, a tradição e o bom-senso para aprovar em plenário um cidadão que tinha sido rejeitado duas vezes para uma agência reguladora. E que acabou preso pela PF pela venda de pareceres para empresas privadas.

Será que os dois ilustres senadores fizeram das tripas coração para aprovar o sujeito por um cândido pedido de Rose? Ou ela tinha tanta desenvoltura que usava e abusava do nome do então presidente Lula? E ele não tinha ideia de que isso ocorria?

Dilma volta à fase da "faxina" e Lula espalha que não viu, não ouviu, não sabia, mal conhecia a moça. Os dois se dizem indignados. Deveriam ficar também muito preocupados.

Eliane Castanhêde

COITADINHO!!!!

conversar com petistas, Lula disse ter sido traído por Rosemary Noronha, que era chefe do gabinete da Presidência em SP AFP Photo
BRASÍLIA - Apontado como o padrinho de Rosemary Nóvoa Noronha desde sua ida para o governo, o ex-presidente Lula chegou sábado da Índia e, segundo interlocutores, recebeu com surpresa e grande insatisfação a participação de Rosemary em esquema que, segundo a Polícia Federal, favorecia empresas e pessoas interessadas em obter vantagens ilícitas junto a órgãos federais e agências reguladoras.
Além do ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral), Lula tem conversado com outros petistas sobre a operação da PF. Assim como aconteceu na época do mensalão, Lula se disse traído pela ex-assessora.
Eu me senti apunhalado pelas costas. Tenho muito orgulho do escritório da Presidência, onde eram feitos encontros com empresários para projetos de interesse do país desabafou Lula, segundo gente com quem ele conversou.
Rosemary trabalhou, durante anos, no Partido dos Trabalhadores e foi para o governo federal depois que Lula foi eleito. Nomeada para a chefia de gabinete da Presidência em SP pelo ex-presidente, ela foi mantida no cargo pela presidente Dilma, a pedido de Lula.
Lula e Dilma se reuniram pelo menos três vezes este ano no escritório da Presidência em São Paulo. Oficialmente, a assessoria de imprensa do ex-presidente Lula afirmou que ele não vai se pronunciar porque seria leviano comentar investigação ainda em andamento.
Petistas reagiram neste domingo ao que consideram uma tentativa de ligar Lula à denúncia, por ter pedido para que Rosemary fosse mantida no cargo por Dilma. Para pessoas ligadas ao PT, há uma tentativa de desgastar e atingir Lula por vias transversas, como aconteceu com o mafioso Al Capone.
Ex-líder do governo na Câmara, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) diz que é inadequada a decisão de associar Lula a uma funcionária de terceiro escalão. Segundo ele, foi Lula quem indicou Dilma para sua sucessão e muitos ministros e funcionários do atual governo são ligados ao ex-presidente. Ele diz que é amigo de Rosemary e foi surpreendido pela denúncia da PF:
Pegar um funcionário de terceiro escalão e tentar associar ao Lula não é adequado. Todos são, eu fui líder de governo e sou ligado ao Lula. Acho de muito mau gosto, cretinice falar de Al Capone.
Vaccarezza vai defender, na reunião de bancada do PT, que o partido não se oponha se a oposição quiser mesmo levar adiante a convocação de pessoas denunciadas no esquema. O deputado Otavio Leite (PSDB-RJ) confirmou que irá apresentar, amanhã, requerimento para que Rose e os demais envolvidos sejam inquiridos em comissões.
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que o momento agora é de aguardar as apurações da PF.
A nossa orientação é que a Polícia Federal cumpra seu papel seguindo estritamente as ordens disse Cardozo.
O governador da Bahia, Jacques Wagner (PT), estranhou o fato de seu nome ter sido pinçado da agenda de encontros mantidos no escritório da Presidência em São Paulo, onde vários outros ministros e governadores mantêm agendas.
 
Fonte: O Globo

BANCA DE NEGÓCIOS



 O fato de a Operação Porto Seguro ter resvalado na Advocacia-Geral da União, culminando com o afastamento de José Weber Holanda Alves, segundo na hierarquia do órgão depois de Luís Inácio Adams, deve levar a Polícia Federal a investigar mais profundamente o caso.
Longe de derramar dúvidas e suspeitas sobre os integrantes da AGU, mas na cidade de São Paulo há pelo menos uma dúzia de conhecidos advogados vendendo facilidades no órgão, em especial para conseguir pareceres técnicos ou impedir que a União se manifeste em determinadas ações judiciais em que é ré.

Trata-se de um esquema aparentemente muito bem orquestrado, em que os advogados falam com muita tranquilidade sobre o assunto, inclusive citando nomes de integrantes da AGU. Há alguns meses, um renomado advogado, com suntuoso escritório fincado no elegante bairro do Jardim América, ofereceu seus serviços para que em uma ação de indenização a União não recorresse da decisão judicial condenatória.

Em outras palavras, o esquema é altamente criminoso e de amplitude inimaginável. Ou o governo investiga o assunto a fundo, ou a credibilidade da Advocacia-Geral da União irá pelo ralo. Sem contar que o sonho do advogado-geral Luís Inácio Adams ser indicado para o Supremo Tribunal Federal virou pesadelo e dos grandes.

Fonte: Ucho.Info

O DONO DO ESCÂNDALO


O Estado de S.Paulo

Recém-desembarcado de um voo decerto turbulento para ele, depois de uma viagem à África e à Índia, o ex-presidente Lula teria dito a pessoas de sua confiança que se sentia "apunhalado pelas costas" por outra pessoa de sua confiança, a então chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha, a Rose. Secretária do companheiro José Dirceu durante 12 anos, da década de 1990 até a ascensão do PT ao Planalto, Lula a empregou na representação do governo federal na capital paulista. Dois anos depois, em 2005, entregou-lhe a chefia da repartição. Na sexta-feira passada, ela e José Weber Holanda, o sub do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, foram indiciados pela Polícia Federal (PF), no curso da Operação Porto Seguro, pela participação em um esquema de venda de facilidades instalado em sete órgãos federais.

O indiciamento alcançou 11 outros ocupantes de cargos públicos, além do notório ex-senador Gilberto Miranda. Cinco pessoas foram presas, entre as quais três irmãos, o empresário Marcelo Rodrigues Vieira, um diretor da agência reguladora da aviação civil (Anac), Rubens Carlos Vieira, e outro da agência de águas (ANA), Paulo Rodrigues Vieira - ambos patrocinados pela amiga de Lula. A PF devassou o apartamento de Rose e o gabinete de Holanda. No dia seguinte, a presidente Dilma Rousseff afastou de suas funções os diretores das agências (tendo mandato aprovado pelo Senado, eles não podem ser demitidos sumariamente) e mandou abrir processo disciplinar contra eles. O caso da nomeação de Paulo Rodrigues, tido como chefe da gangue e também chegado a Lula e a Dirceu, é um capítulo de livro de texto sobre a esbórnia no Estado sob o governo petista e a serventia de seus aliados nos altos círculos do poder nacional.

Submetida ao Senado, como requerido, a indicação começou mal e seguiu pior. A primeira votação terminou empatada. Na segunda, o nome foi rejeitado por um voto de diferença. Se os mandachuvas da República se pautassem pela decência, a história terminaria por aí. Não terminou porque, contrariando até mesmo um parecer da Comissão de Constituição e Justiça da Casa, o seu presidente José Sarney ordenou uma terceira votação da qual o afilhado de Rose saiu vencedor por confortável maioria. A essa altura, 2010, estava para mudar a sorte da madrinha - cuja influência derivava diretamente de sua intimidade com Lula, a quem, aliás, acompanhava nas viagens ao exterior, não se sabe bem para fazer o que. Eleita Dilma, que só a manteria no posto em São Paulo para não criar caso com o padrinho, Rose tentou em vão conseguir uma boquinha em Brasília. O imponderável fez o resto.

Em um dia de março do ano passado, um servidor do Tribunal de Contas da União (TCU) procurou a Polícia Federal para se confessar. Contou que aceitara uma propina de R$ 300 mil, dos quais já havia recebido um adiantamento de R$ 100 mil, para produzir um parecer técnico sob medida para uma empresa que atua no Porto de Santos. Além disso, Paulo Rodrigues Vieira falsificou um documento acadêmico para beneficiar o funcionário. Mas este se arrependeu, devolveu o dinheiro e revelou aos federais o que sabia. A PF abriu inquérito, obteve autorização judicial para grampear telefonemas e interceptar e-mails. Do material, emergiu uma Rose que lembra a personagem do samba de Chico Buarque que pedia apenas "uma coisa à toa" - no caso, um cruzeiro de Santos a Ilha Grande animado por uma dupla sertaneja, um serviço de marcenaria, uma pequena operação… Claro que ela também empregou uma filha na Anac e o marido na Infraero. Tinha fama de mandona e jeito de alpinista social.

Mas o dono do escândalo é quem deu a Rose o aparentemente inexplicável poder de que desfrutava, a ponto de o Senado de Sarney inovar em matéria de homologação de um futuro diretor de agência reguladora. Ao se declarar "apunhalado pelas costas", Lula faz como fez quando o mensalão veio à tona, e ele, fingindo ignorar a lambança, se disse "traído". Resta saber se, desta vez, tornará a repetir mais adiante que tudo não passou de uma "farsa" - quem sabe, uma conspiração da Polícia Federal com a mídia conservadora, a que a sua sucessora no Planalto afinal sucumbiu.

BOMBA-RELÓGIO



 A cada hora que passa aumentam em todo o País os rumores sobre a intensa intimidade entre o ex-presidente Luiz Inácio da Silva e Rosemary Nóvoa de Noronha, ex-chefe de gabinete do escritório da Presidência, em São Paulo, que pediu demissão do cargo após a deflagração da Operação Porto Seguro, da Polícia Federal.

De acordo com a PF, Rosemary de Noronha integrava uma quadrilha infiltrada na máquina federal para fraudar pareceres técnicos em favor de empresários que desejavam realizar negócios com o governo ou para outros fins.

Se Lula e Rosemary eram amantes, ou não, é um problema que deve ser tratado a três. Entre os dois e Dona Marisa Letícia, a nossa ex-primeira-dama. A intimidade entre ambos era tamanha, que Rosemary chamava Lula de “tio.

Pois bem, até nesse tipo de confusão o PT comete lambança, deixando digitais por todos os lados. Por outro lado, o Brasil tem na sua história ex-presidentes que tiveram amantes, mas foram discretos.

Um deles, em viagem ao exterior, escalou na comitiva uma jornalista, sua amante de longa data. Para entrar na suíte do presidente sem ser flagrada pelas câmeras de segurança do hotel, a jornalista-amante foi colocada na parte inferior do carrinho usado por garçons para levar comida aos hóspedes em seus aposentos. Como o carrinho estava coberto por uma elegante toalha branca, a jornalista, de porte pequeno, não foi flagrada pelas câmeras de segurança e passou a noite com o presidente. E para sair pela manhã foi utilizada a mesma estratégia.

Esse pulo do gato se repetiu várias vezes e à época os jornalistas que cobriam o cotidiano do Palácio do Planalto batizaram a tramoia de “Operação Padrão

Fonte: Ucho.Info