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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A "DEMOCRACIA" DAS FARC

O Estado de S.Paulo
Na retomada das conversações de paz entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o governo colombiano, em Havana, a narcoguerrilha marxista faz exigências que, se aceitas, representarão a completa desmoralização do Estado.
A negociação, mediada por Cuba, Venezuela, Noruega e Chile, começou em 2012 e tem sido, no geral, positiva, embora esteja ocorrendo sem um cessar-fogo. Em maio passado, as partes chegaram a um acordo sobre uma reforma agrária, uma das principais imposições da guerrilha. Entre os pontos acertados estão a criação de um fundo para compra de terras e a implantação de programas para capacitação rural, além de investimentos em saneamento, educação e saúde para os pequenos agricultores. Está previsto ainda um plano de combate à fome na zona rural.
Agora, o tema em discussão é a participação dos integrantes das Farc na vida política, e o grupo não se faz de rogado: exige que o Estado colombiano financie totalmente a estrutura que julga necessária para esse fim.
O chefe da delegação das Farc, Luciano Marín Arango, aliás "Iván Márquez", detalhou a exótica pretensão. Disse que era necessário "garantir de maneira efetiva, real e material, os direitos políticos de todos os integrantes das organizações guerrilheiras em rebelião contra o Estado". Para as Farc, não basta conquistar o direito de formar partidos e de participar de eleições, o que é uma reivindicação legítima. O grupo quer "condições especiais" de acesso a meios de comunicação. "Márquez" foi didático: "Por acesso entenda-se o acesso à propriedade e à participação nos meios públicos estatais, inclusive em sua programação. Em todo caso, o financiamento será estatal".
Os narcoguerrilheiros querem, "em especial", que se financie "um diário impresso, uma revista de teoria e análise política e uma emissora de TV com cobertura nacional". Só assim, argumentou "Márquez", as Farc poderão entrar na política em condições de igualdade com os demais partidos, uma desculpa mal ajambrada para esconder o estatismo patológico dessa turma.
As exigências estapafúrdias, porém, não param aí. As Farc querem também que todas as "instâncias parlamentares" do país reservem um certo número de vagas para os futuros políticos oriundos da guerrilha. Para isso, seria necessário criar o que as Farc chamam de "circunscrição de paz" dentro do Congresso colombiano, onde atuariam esses parlamentares. A intenção é "garantir a participação direta no Poder Legislativo".
Tais imposições são evidentemente despropositadas, mas não surpreendem. Num passado não muito distante, durante as negociações de paz realizadas entre 1998 e 2002, o então presidente colombiano, Andrés Pastrana, desmilitarizou uma parte do território e cedeu o controle da área às Farc, conforme exigia a guerrilha. Ao aceitar abrir mão da soberania do Estado sobre um pedaço do país e dá-lo a um grupo armado que pretendia destruir esse mesmo Estado, o governo desmoralizou-se.
Agora, as Farc querem uma espécie de "zona desmilitarizada" no Congresso e cobram privilégios inaceitáveis numa democracia, mesmo em se tratando de um processo excepcional de transição num país conflagrado pela guerra civil. O atual presidente, Juan Manuel Santos, não pode cometer o mesmo erro que Pastrana. Não pode ceder aos caprichos de guerrilheiros que, conforme mostra o histórico das negociações de paz, raras vezes demonstraram autêntico interesse em acabar de vez com a guerra.
Os colombianos não são tolos. Uma recente pesquisa mostra que 63% deles não apoiam o atual processo de paz, pois estão vacinados contra as velhacarias das Farc. Além disso, 45% não acreditam que as negociações resultem no fim dos conflitos. Para contornar esse ceticismo, o governo Santos precisa convencer as Farc, de uma vez por todas, que determinadas condições são inegociáveis, a começar pelo autêntico respeito às regras do jogo democrático

terça-feira, 12 de outubro de 2010

REVISTA COLOMBIANA DENUNCIA ENVOLVIMENTO DO GOV. LULA COM AS FARC.

A revista colombiana Cambio publicou hoje que a presença das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) no Brasil "chegou até as mais altas esferas" do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao PT, aos líderes políticos brasileiros e ao Poder Judiciário.


A conclusão da revista, que entrou em circulação hoje, foi tirada de supostos e-mails encontrados no computador do ex-porta-voz internacional das Farc Raúl Reyes. A publicação afirma que o governo colombiano, no entanto, "usou seletivamente os arquivos do computador de Raúl Reyes".

Segundo a Cambio, os dados sobre o governo brasileiro foram manuseados "por baixo da mesa" para não comprometer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto as informações sobre os presidentes da Venezuela e Equador, Hugo Chávez e Rafael Correa, foram divulgadas. Com "Equador e Venezuela, (os arquivos) foram usados para colocar em contradição (o presidente venezuelano Hugo) Chávez e (o presidente equatoriano Rafael) Correa, hostis a (o chefe de Estado colombiano Álvaro) Uribe".

Com o Brasil, "a articulação foi feita embaixo da mesa para não comprometer Lula, que se mostrou mais hábil e menos combativo com a Colômbia", destacou a revista Cambio. Nos e-mails de "Reyes" - cujo nome verdadeiro era Luis Edgar Devia e que foi morto por tropas colombianas em solo equatoriano em primeiro de março - são mencionados "cinco ministros, um procurador-geral, um assessor especial da Presidência, um vice-ministro, cinco deputados, um vereador e um juiz superior" brasileiros, acrescentou a revista.

A mesma reportagem diz que "a expansão das Farc na América Latina não incluiu apenas funcionários dos governos de Venezuela e Equador, mas também comprometeu importantes dirigentes, políticos e altos membros do PT". De acordo com a revista, algumas mensagens foram escritas durante o governo do então presidente colombiano Andrés Pastrana "e envolvem um prestigioso juiz e um alto ex-oficial das Forças Armadas brasileiras".

A Cambio cita o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, o ex-ministro de Ciência e Tecnologia Roberto Amaral, a deputada distrital Erika Kokay e o chefe de Gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho. Também são mencionados nesses e-mails o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, o assessor especial de Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, o subsecretário de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Perly Cipriano, o secretário de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, e o assessor presidencial Selvino Heck.

A Cambio disse que teve acesso aos 85 e-mails trocados entre 1999 e fevereiro de 2008. Dentre eles, há correspondências entre Reyes e o líder máximo das Farc, Manuel Marulanda ou "Tirofijo", cujo nome verdadeiro era Pedro Antonio Marín e que morreu este ano.

Ainda segundo a Cambio, há mensagens de Reyes para o chefe militar das Farc, Mono Jojoy - cujo nome verdadeiro é Jorge Briceño -, e para Francisco Antonio Cadena Collazos - conhecido como padre Olivério Medina e "Cura Camilo" e que atua como delegado das Farc no Brasil - e de todos eles com dois homens identificados como "Hermes" e "José Luis".

José Dirceu

Em um dos e-mails, endereçado a Reyes em 4 de junho de 2005 por uma pessoa identificada como "José Luis", aparece o nome do ex-ministro José Dirceu. "Chegou um jovem de uns 30 anos e se apresentou como Breno Altman (ligado ao PT). (Ele) me disse que vinha por parte do ministro José Dirceu". Segundo a revista, o remetente afirma que as relações deveriam ser feitas através do ministro com a representação de Altman, por motivos de segurança.

No fim da mensagem, José Luis diz que o governo brasileiro e o PT dará proteção a Medina enquanto avançava o trâmite da extradição do padre Olivério Medina, "chefe de imprensa das Farc", preso em São Paulo. Em uma correspondência de 24 de junho de 2004, Reyes comenta a medida sobre a possível saída de Dirceu do governo Lula e diz: "pode afetar a abertura das relações conosco".

Gilberto Carvalho e Marco Aurélio

Em uma correspondência, com data de 23 de dezembro de 2006, do padre Olivério Medina a Reyes, há referências de Lula e de Marco Aurelio García, Gilberto Carvalho e Silvino Heck. Medina afirma que mandou um presente de Natal a Lula e dois de seus assessores

"É possível que um assessor especial de Lula, chamado Silvino Heck, que, junto Gilberto Carvalho, é outro que nos tem ajudado bastante".

"Estive falando com a deputada federal María José Maninha. Combinamos que ela vai me abrir caminho rumo ao presidente via Marco Aurélio Garcia", diz Medina a Reyes em outro e-mail, esse sem data.

No fim da mensagem, José Luis diz que o governo brasileiro e o PT dará proteção a Medina enquanto avançava o trâmite da extradição de Cura Camilo, "chefe de imprensa das Farc" preso em São Paulo. Em uma correspondência de 24 de junho de 2004, Reyes comenta a Medina sobre a possível saída de Dirceu do governo Lula e diz: "pode afetar a abertura das relações conosco".

"Porta-voz" das Farc no País

Cura Camilo, preso em São Paulo em agosto de 2005, vivia no Brasil há oito anos e foi beneficiado com uma proteção especial por ser casado com uma brasileira. Em 2006, o Comitê Nacional para Refugiados (Conare) concedeu a "Cura Camilo" o status de refugiado, decisão que pesou bastante para o Supremo Tribunal Federal (STF) negar seu pedido de extradição para a Colômbia.

Camilo foi "chefe de imprensa" da guerrilha colombiana no início dos frustrados diálogos de paz em San Vicente del Caguán. O chamado "dossiê brasileiro" diz que estas mensagens "revelam a importância do Brasil na agenda externa das Farc (...) para dar suporte à estratégia continental da guerrilha".

As Farc, acrescenta a Cambio, aproveitaram "a conjuntura criada pela chegada de Lula e do influente PT ao poder para chegar até as mais altas esferas do governo". A revista também disse que, "apesar de os e-mails serem apenas indícios de um possível comprometimento do governo Lula com as Farc - pois nenhum dos funcionários enviou mensagens pessoais a algum dos membros do grupo guerrilheiro - despertam muitas dúvidas que exigem uma resposta do governo" brasileiro.

Em depoimento à Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados em abril, Garcia disse repudiar os métodos usados pelas Farc, como seqüestros, ataques terroristas e uso de dinheiro do narcotráfico. Naquela oportunidade, Garcia afirmou que o Brasil tem que assumir uma posição de não interferir no conflito colombiano, mas que também não pode ficar indiferente.

Recentemente, Garcia classificou como "irrelevantes" as mensagens encontradas no computador periciado pelo governo colombiano. Consultada, a assessoria da imprensa da Presidência da República disse que desconhecia o conteúdo da matéria da Cambio.

Com informações da EFE.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

El 'dossier' brasileño.



En el atardecer del sábado 19 de julio, en la hacienda Hatogrande, la casa presidencial al norte de Bogotá, el presidente Álvaro Uribe, sonriente y desparpajado como pocas veces, no dudó en ofrecerle a su homólogo brasileño Luiz Inácio 'Lula' Da Silva, una copa de aguardiente antioqueño para mitigar el frío que calaba los huesos.


La copa selló la primera parte de la intensa jornada que había empezado el viernes 18 y que terminaría al domingo en Leticia con la celebración del Día de la Independencia. Una celebración que, como nunca, congregó a artistas de la talla de Shakira y a la cual concurrió también el presidente peruano Alan García.

La agenda 'Lula' y Uribe, alrededor de acuerdos bilaterales, fue condimentada con mutuos elogios públicos. El presidente Uribe les agradeció a su homólogo brasileño y a su gobierno seis años de relaciones dinámicas y de confianza. Sin embargo, en una reunión privada que sostuvieron ante muy pocos testigos, Uribe le hizo a 'Lula' un breve resumen sobre una serie de archivos que las autoridades colombianas encontraron en los computadores de 'Raúl Reyes' que comprometía a ciudadanos y funcionarios de su gobierno con las Farc.

Contrario a lo que pasó con la información relacionada con servidores públicos del Gobierno de Rafael Correa y ciudadanos ecuatorianos, que el Gobierno hizo pública, en el caso de Brasil las instrucciones del Presidente fueron mantenerlas en reserva y manejarlas diplomáticamente para no deteriorar las relaciones comerciales y de cooperación con el gobierno de 'Lula'.

El Gobierno colombiano ha usado en forma selectiva los archivos del PC de 'Raúl Reyes'. Mientras que con Ecuador y Venezuela fueron utilizados para poner en entredicho a Chávez y a Correa, hostiles con Uribe, con Brasil los ha manejado por debajo de la mesa para no comprometer a Lula Da Silva, quien se ha mostrado más hábil y menos pugnaz con Colombia que sus otros colegas.

Aún así, algunos medios brasileños tenían información parcial sobre unos pocos archivos y por eso el 27 de julio consultaron al ministro de Defensa Juan Manuel Santos, quien en una entrevista al diario O Estado de São Paulo confirmó que el Gobierno colombiano había informado a 'Lula' sobre el tema. "Hay una serie de informaciones de conexiones que entregamos al Gobierno brasileño para que pueda actuar como considere más apropiado", dijo Santos, pero se abstuvo de comentar sobre si había o no políticos y funcionarios oficiales con nexos con el grupo que hoy encabeza 'Alfonso Cano'.

A las declaraciones del Ministro respondió en forma inmediata Marco Aurelio García, asesor de política internacional de Brasil, quien calificó como irrelevantes los datos suministrados por Colombia.

'El Cura Camilo'

No se sabe con exactitud cuánta y qué tan detallada fue la información que el presidente Uribe le dio al presidente 'Lula', pero el que podría llamarse "el dossier brasileño" tendría implicaciones más serias que las derivadas de la información relacionada con Venezuela y Ecuador.

CAMBIO conoció 85 correos electrónicos que, entre febrero de 1999 y febrero de 2008, circularon entre 'Tirofijo', 'Raúl Reyes', 'el Mono Jojoy', 'Oliverio Medina' -delegado de las Farc en Brasil- y dos hombres identificados como 'Hermes' y 'José Luis'.

A juzgar por el contenido de los mensajes, la presencia de las Farc en Brasil llegó hasta las más altas esferas del gobierno de Lula, el Partido de los Trabajadores, PT -el partido del Presidente-, la dirigencia política y la administración de Justicia. En ellos son mencionados cinco ministros, un procurador general, un asesor especial del Presidente, un viceministro, cinco diputados, un concejal y un juez superior.

El personaje central de los correos es 'Oliverio Medina', también conocido como 'El Cura Camilo', un sacerdote que ingresó a las Farc en 1983 y quien en su rápido ascenso llegó a ser secretario de 'Tirofijo'. Llegó a Brasil como delegado especial de las Farc en 1997 y estuvo en Colombia durante el proceso del Caguán, en el que hizo de jefe de prensa del grupo.

Tras la ruptura de las conversaciones en febrero de 2002, regresó a Brasil donde continuó su misión, y su influencia llegó hasta altos niveles de la administración de 'Lula', quien asumió el cargo en enero de 2003. Pero gracias a la presión de las autoridades colombianas, fue capturado en agosto de 2005. Colombia lo pidió en extradición, pero el Tribunal Supremo de Justicia de Brasil no solo la negó el 22 de marzo de 2007, sino que le reconoció a 'Medina' la condición de refugiado político.


Hasta el 'curubito'

La cárcel no fue obstáculo para que 'El cura Camilo' suspendiera su labor proselitista y propagandística. Prueba de ello son los numerosos correos que le envió a 'Reyes' y que muestran cómo logró llegar hasta la cúpula del gobierno brasileño.

Cuatro de los correos conocidos por CAMBIO se refieren al presidente 'Lula'. En uno de ellos, fechado el 17 de julio de 2004, 'Raúl Reyes' le dice a 'Tirofijo' que el gobierno de 'Lula' ayudaría con el acuerdo humanitario: "Los curas me enviaron carta pidiendo entrevista con ellos en Brasil -escribe 'Reyes'-. Según dicen hablaron con 'Lula' y este asumió el compromiso de ayudar en lo del acuerdo humanitario, intercediendo ante Uribe para efectuar la reunión en su país".

En el segundo, fechado el 25 de septiembre de 2006, 'Oliverio Medina' le cuenta a 'Reyes': "No le he dicho que hace algunos días 'Lula' llamó al ministro Pablo Vanucchi (ministro de la Secretaría Nacional de DD.HH.), indicándole que telefoneara al abogado Ulises Riedel y lo felicitara por el éxito jurídico en su brillante defensa a favor de mi refugio".

En el tercero, con fecha 23 de diciembre de 2006, 'Medina' le informa a 'Reyes' que "a 'Lula' y dos de sus asesores que nos han ayudado les mandé el afiche de aguinaldo". Los funcionarios son Silvino Heck, asesor especial del Presidente, y Gilberto Carvalho, jefe de Gabinete, que aparecen mencionados en un correo del 23 de febrero de 2007, también dirigido a 'Reyes': "Es posible que me visite un asesor especial de 'Lula' llamado Silvino Heck, que junto con Gilberto Carvalho ha sido otro que nos ha ayudado bastante".

Entre los 85 correos conocidos por CAMBIO, hay uno sin fecha, también enviado por 'Medina' a 'Reyes', que dice: "Estuve hablando con la diputada federal María José Maninha. Quedamos en que va a abrirme camino rumbo al Presidente vía Marco Aurelio García". García es secretario de Asuntos Internacionales.

No menos comprometedores son aquellos en los que aparecen mencionados algunos ministros. En uno de ellos, dirigido a 'Reyes' el 4 de junio de 2005 por un tal 'José Luis', figura el nombre del ministro de la Presidencia José Dirceo. "Llegó un joven de unos 30 años y se presentó como Breno Altman (dirigente del PT), me dijo que venía de parte del ministro de la Presidencia José Dirceo, que por motivos de seguridad ellos habían acordado que las relaciones no pasaran por la Secretaría de Relaciones Internacionales, sino que se hicieran directamente a través del ministro con la representación de Breno".

Al final del mensaje, 'José Luis' dice que el Gobierno brasileño y el PT le darán protección a 'Medina' mientras avanza el trámite de la extradición: "Le repliqué (sic) si podíamos estar tranquilos, que no lo iban a secuestrar o a deportar a Colombia y me contestó: 'Pueden estar tranquilos' ".

En un correo del 24 de junio de 2004, 'Reyes' le comenta a 'Medina' sobre la posible salida de Dirceo del Gabinete y le dice: "De ser cierto, esta medida en provecho de los detractores de 'Lula' puede afectar la incipiente apertura de las relaciones con nosotros".

Las Farc también intentaron llegar al despacho del ministro de Relaciones Exteriores, Celso Amorín. En un correo del 22 de febrero de 2004, 'José Luis' le escribe a 'Reyes': "Por intermedio del legendario líder del PT Plinio Arruda Sampaio, le llegamos a Celso Amorín, actual ministro de Relaciones Exteriores. Plinio nos mandó a decir con Albertao (concejal de Guarulhos) que el Ministro está dispuesto a recibirnos. Que tan pronto tenga un espacio en su agenda nos recibe en Brasilia".

El Procurador y el Juez

El embajador de las Farc hizo tan bien su oficio que también logró llegar hasta el procurador Luis Francisco De Souza, quien es mencionado en un extenso correo del 22 de agosto de 2004 que 'Medina' y 'José Luis' le enviaron a 'Reyes' y a 'Rodrigo Granda': "Él dio el siguiente consejo: andar con una máquina de fotografía y en lo posible con una grabadora para en caso de volver a parar un agente de información fotografiarlo y grabarlo, teniendo cuidado de no permitirle que agarre la cámara y la grabadora. Que en relación con lo sucedido hagamos una denuncia dirigida a él como Procurador para hacerla llegar al jefe de la Policía Federal y a la Agencia Brasileña de Información".

Algunos correos fueron escritos durante el proceso del Caguán e involucran a un prestigioso juez y a un alto ex oficial de las Fuerzas Armadas brasileñas. Por ejemplo, en uno fechado el 19 de abril de 2001, 'Mauricio Malverde' le informa a 'Reyes': "El juez Rui Portanova amigo nuestro, nos planteó que quiere ir a los campamentos a recibir instrucción y conocer la vida de las Farc. Costea su viaje". Portanova era entonces juez superior de la Corte Estatal de Rio Grande Do Sul, de Portoalegre.


Tres días antes, el 16 de abril, 'Medina' le relata a 'Reyes' un encuentro de Raimundo, Pedro Enrique y Celso Brand -al parecer enlaces de las Farc en Brasil- con el brigadier del Aire Iván Flota, ex jefe de la Fuerza Aérea de Brasil. "El hombre se interesó y dijo que le gustaría tener un encuentro personal con nosotros. Dijo que están comenzando a madurar la toma de la base de Alcántara por las fuerzas nacionalistas para impedir que Estados Unidos se quede con 600 kilómetros cuadrados que están bajo su dominio".

La pequeña muestra de los 85 correos electrónicos conocidos por CAMBIO revelan la importancia de Brasil en la agenda exterior de las Farc, manejada por 'Raúl Reyes', y no cabe duda de que 'El cura Camilo', para apuntalar la estrategia continental de la guerrilla, aprovechó la coyuntura creada por el arribo al poder de 'Lula' y su influyente Partido de los Trabajadores para llegar hasta las más altas esferas del Gobierno.

Y si bien es cierto que los correos son apenas indicios de un posible compromiso del gobierno de 'Lula' con las Farc, pues ninguno de los funcionarios envió mensajes personales a alguno de los miembros del grupo guerrillero, despiertan muchos interrogantes que exigen una respuesta del Gobierno brasileño.

LOS CONTACTOS DE LAS FARC

La expansión de las Farc en América Latina no solo incluyó a funcionarios de los gobiernos de Venezuela y Ecuador, sino que también comprometió a destacados dirigentes, políticos y altos miembros del Partido de los Trabajadores, al que pertenece el presidente Luiz Inácio 'Lula' Da Silva. Además el grupo guerrillero mantuvo contactos con procuradores y jueces de Brasil.

- José Dirceu, ministro de la Presidencia.

- Roberto Amaral, ex ministro de Ciencia.

- Erika Kokay, diputada.

- Gilberto Carvalho, jefe de Gabinete.

- Celso Amorín, canciller.

- Marco A. García, asesor Asuntos Internacionales.

- Perly Cipriano, subsecretario Promoción DD.HH.

- Paulo Vanucci, ministro Secretaría de DD.HH.

- Selvino Heck, asesor presidencial.

SECUESTRO DE NOVARTIS

20 de septiembre de 2001

De: Jorge Briceño 'Mono Jojoy'

A: Secretariado

Edwin, viejo conocido comandante de La Policarpo junto a Julián, se robaron medio millón de dólares por una parte y 700 millones de pesos por otra, del secuestro de Novartis. Se tiraron el negocio que estaba planeado para 10 millones de verdes. Para completar, se armó un lío con México, Suiza y Brasil porque no entregábamos a los tipos. Hablé con representantes de esos países y acordamos que nos daban medio millón de dólares más y nosotros poníamos en libertad a los dos señores. Ordené soltarlos y hasta ahora no han pagado. Si se hacen los pesados pienso asustarlos".

INVITACIÓN AL CAMPAMENTO

12 de junio de 2005

De: 'Raúl Reyes'

A: 'José Luis'

"Al vocero de Brasil hay que invitarlo a que nos visite aquí y explicarle que en función de construir definiciones se hace imprescindible su conversación con el Secretariado. Decirle que tenemos formas seguras de recibirlo en nuestros campamento sin que sea registrado por las autoridades colombianas".

APOYO FINANCIERO

6 de julio de 2005

De: 'Cura Camilo'

A: 'Raúl Reyes'

"Solidaridad recibida durante el primer semestre de 2005: diputado Paulo Tadeu US$ 833,33. Sindicato de la Empresa de Energía de Brasilia US$ 666,66. Corriente Comunista Luis Carlos Prestes US$766,66. Señora Solene Bomtempo US$ 250,00. Concejal Leopoldo Paulino US$ 433,33. Sindicato de la Empresa de Acueducto de Brasilia US$ 33,33".

EXTRADICIÓN DE CAMILO'

17 de septiembre de 2005

De: 'Raúl Reyes'

A: 'Roque'

"Bastante significativa la solidaridad de los partidos comunistas de Brasil y de otros países con la lucha de las Farc en el empeño de impedir la extradición del 'cura' (Francisco Medina, 'Cura Medina'). Existe en Brasil un importante grupo de amigos solidarios con nosotros en los que hay sindicalistas, maestros, congresistas, ministros, abogados y personalidades ocupados de presionar la libertad inmediata de Camilo".

EL EMPLEO

17 de enero de 2007

De: 'Cura Camilo'

A: 'Raúl Reyes'

"El lunes 15 inició 'la Mona' su empleo nuevo y para asegurarla o cerrarle el paso a la derecha por si en algún momento les da por molestar, entonces la dejaron en la Secretaría de Pesca desempeñándose en lo que aquí llaman un cargo de confianza ligado a la Presidencia de la República".

GIRA POR BRASIL

15 de febrero de 2007

De: 'Cura Camilo'

A: 'Raúl Reyes'

Los responsables de organizar la gira del camarada Carlos Lozano son: Albertao y Pietro Lora en Guarulhos, São Pablo y Río. En Brasilia: Paulo Tadeo, Erica Kokay. Para la actividad de Río se apoyarán en el ex diputado Federal Milton Temer, del Partido Socialismo y Libertad. Y en Florianópolis un diputado estadual que ellos ayudaron y está dispuesto a ayudar".

ENCUENTRO CON MINISTROS


23 de febrero de 2007

De: 'Cura Camilo'

A: 'Raúl Reyes'

"La defensora pública le está organizando a 'la Mona' un encuentro con el Ministro, el Viceministro y el principal asesor de la Secretaría de Derechos Humanos vinculada a la Presidencia, en su orden Paulo Vannuchi, Perly Cipriano y Dalma de Abreu Dalasi, que es un prestigioso jurista al que el ministro relator le tiene pavor. El viceministro Perly hablará con el presidente de la Comisión de Derechos Humanos de la Cámara Federal. Serán visitadas entidades importantes que nos apoyaron, comenzando por la Comisión Brasileña de Justicia y Paz".

ACTUAR CON CAUTELA

14 de abril de 2007

De: 'Cura Camilo'

A: 'Raúl Reyes'

"Debo actuar con cautela para no facilitar al enemigo argumentos que lleven a cuestionar el refugio. En ese sentido, el haber conseguido el traslado de 'la Mona' y 'la Timbica' para la capital del país, ha sido importante. Ese bajo perfil lo mantendré hasta la neutralización. Obtenida esta, tendré pasaporte brasileño y lo primero que debo pensar es en irlos a ver".

domingo, 18 de julho de 2010

MOVIMENTO BOLIVARIANO DAS FARC.

Os recentes esperneios de Chávez desde Caracas e de Correa desde Moscou, em torno das complexas relações diplomáticas, políticas e comerciais com a Colômbia, corroboram uma vez mais que por trás das atitudes teatrais destes dois peõezinhos de Fidel Castro estão a dupla moral de Lula da Silva, os interesses geoestratégicos da Rússia, as ambições comerciais da França, a obsessão extremista muçulmana em acabar com a civilização ocidental, a estupidez funcional dos democratas norte-americanos que preferem calar frente a uma realidade tão evidente, e a indiferença crônica do povo colombiano por sua sorte e seu destino, produto da corruptela tradicional e da violência comunista envolta com o narcotráfico que não nos permitem sair do atoleiro.


Somado a isto, a palhaçada de Lula da Silva de confabular-se com a Venezuela para que compre armamento em toneladas fabricado na Rússia, ao mesmo tempo em que o Brasil entra na injustificada carreira armamentista nuclear e, concomitantemente, dizer a Uribe que lhe preocupa a presença norte-americana em bases colombianas pela suposta segurança regional, só serve para confirmar:

1. O complô comunista contra a Colômbia está latente e mexe-se com muita força nos cenários internacionais, frente à inoperância da Chancelaria colombiana e seus corpos diplomáticos e consulares creditados no exterior, indiferentes e ineficientes para prevenir a ação publicitária e propagandística das FARC e seus comissários políticos.

Por desgraça, os burocratas do Ministério de Relações Exteriores, do mesmo modo que os politiqueiros responsáveis pela prolongada débâcle que nos tem carcomido durante mais de meio século, continuam convencidos de que a agressão narco-terrorista dos comunistas armados e desarmados contra a Colômbia, não lhes diz respeito e que se trata apenas de um problema de ordem pública que as mal equipadas e sempre vilipendiadas Forças Militares e Policiais devem resolver.

2. O manhoso espicha-encolhe de Correa e seu pitoresco chanceler, corrobora que não interessa ao mandatário equatoriano recompor as relações com a Colômbia, senão atuar ao estilo das FARC: com dilações calculadas, com trapaças, com mentiras em uníssono com a construção de uma série de provas fictícias, que no médio prazo justificariam sua negativa para abrir negociações diplomáticas com a Colômbia.

Claro, com o duplo propósito de incidir nas próximas eleições presidenciais, pois Uribe é a pedra no sapato, é o obstáculo que é necessário remover do caminho, para que os mandantes da ditadura cubana imponham Teodora ou qualquer outro bandido de colarinho branco filo-comunista no cargo presidencial.

E nessa ordem de idéias, Uribe seria o responsável de que a "boa-vontade" do "agredido" presidente Correa não pudesse se cristalizar na normalização das relações. Típica cartilha de Fidel Castro, o mesmo que pede abertura dos Estados Unidos à Cuba, e simultaneamente diz que os Estados Unidos são os responsáveis pela miséria que sua ditadura levou ao povo cubano.

3. O massacre dos jovens colombianos na Venezuela foi um crime de Estado, perpetrado pela sinistra associação delitiva entre os serviços de segurança chavistas e terroristas do ELN, cobiçados por esse governo dentro do território venezuelano. Isto deve ser denunciado com veemência pela Colômbia em todos os tribunais internacionais.

A pantomima chavista da captura de dois espiões do DAS e a maquiavélica demora da entrega dos cadáveres, muito ao estilo da permanente mediação de "Colombianos pela Paz" para a libertação dos seqüestrados, corroboram que todas estas atividades pró-FARC estão sincronizadas com as trapaças de Lula, com os "fervorosos desejos pacifistas do Foro de São Paulo", com a astuciosa proposta do acordo humanitário, com as virulentas críticas de comunistas chiques e invejosos contra Uribe por permitir a presença gringa em quartéis colombianos, e com o evidente plano chavista de agredir a Colômbia para recuperar sua imagem interna, apoiar às FARC, cumprir as determinações de Lula e Fidel, e apoiar o boquirroto mandatário equatoriano em sua negativa de normalizar as relações com a Colômbia.

4. Os narcotraficantes de todos os cartéis, inclusive o das FARC, encontraram nos governos da Venezuela e do Equador os aliados ideais para movimentar carregamentos de coca, ingressar insumos, lavar dinheiro e conspirar contra as instituições colombianas, como demonstra, por exemplo, que Chávez tivesse em seu poder cópias de documentos de inteligência do DAS, ou que o Departamento de Estado tenha sido reiterativo em assinalar a Venezuela como santuário narco-terrorista.

5. Os comunistas latino-americanos, fiéis aos ensinamentos terroristas e ortodoxos de Marx e Lênin, estão em guerra contra a institucionalidade democrática, a livre empresa e a liberdade de expressão na América Latina, pois lhes assiste o credo dogmático e arcaico inspirado por seu patrão, o terrorista cubano Fidel Castro, que o socialismo está vigente e que a solução aos males gerados pela violência comunista, o narco-tráfico consentido por todos os governos esquerdistas como uma forma de atacar o "império" e a fanfarronice de corruptos dirigentes políticos de todas as vertentes, se soluciona com a imposição de uma ditadura similar à cubana em todo o hemisfério.

São retrógrados assim os comunistas chiques, seus comparsas e a grande quantidade de estúpidos funcionais que, por falta de uma visão futurista, comungam com o atraso e o obsoleto credo esquerdista em contraste com a celeridade com que os países industrializados ingressam no comércio sem fronteiras, no intercâmbio cultural, na liberdade de expressão, na defesa da individualidade, etc.

6. As persistentes declarações do índio cocalero boliviano contra a presença militar gringa na Colômbia, é uma prova a mais de que os comunistas latino-americanos estão preocupados com que seu odiado inimigo (USA) combata o tráfico de cocaína com o qual as FARC financiam os projetos propagandísticos de guerra política internacional contra a Colômbia. É a mesma razão pela qual Correa se opôs às fumigações na fronteira.

7. O pior é que não cessa a consuetudinária tragicomédia colombiana. Enquanto a Corte Suprema macaqueia com emboscadas e de costas para os colombianos para torpedear a lista tríplice para o novo Procurador, o candidato Rafael Pardo Rueda, cuja passagem pelo Ministério da Defesa foi vergonhoso e que com certeza era um João Ninguém antes das eleições parlamentares de 2006, cuja cadeira no parlamento foi obtida por fingir que era uribista, agora procede como o cão que morde a mão do dono que o alimenta. Do mesmo modo faz a fútil ex-chanceler e ex-embaixadora Noemí, que critica de viva voz o que nunca foi capaz de fazer. É ver para crer...

Em meio desse entorno de graves agressões contra a Colômbia, de conspirações politiqueiras de altas instancias judiciais, de descarados argumentos "democráticos" de Samper, Gaviria, Noemí, Pardo Rueda e de todos os donos do caos atual, as massas amorfas colombianas seguem silenciosas e indiferentes ante sua sorte e seu destino.

Enquanto os comunistas de dentro e de fora do país conspiram com persistente gravidade, atacam por todos os meios possíveis o presidente Uribe, verdadeiro obstáculo a seus interesses particulares, nem a imprensa, nem a academia, nem os diretórios políticos, nem ninguém com poder decisório convoca o país a refletir acerca de realidades sensíveis tais como: a iminente agressão armada do governo venezuelano contra a Colômbia, a gravidade da legalização progressiva que os governos de Cuba, Venezuela, Brasil, Nicarágua, Equador e Bolívia dão às FARC, a necessidade de demandar tais governantes ante instâncias internacionais, a necessidade de tirar a Chancelaria da preguiça em que vive, a inadiável continuidade da Estratégia de Segurança Democrática, a despolitização dos entes judiciais e muito mais.

Pelo contrário, Chávez injeta com dinheiro clandestino os grupos de esquerda (armados e desarmados) que propugnam tirar Uribe do poder e impedir sua necessária reeleição. Em várias regiões do país há células chavistas construindo os embriões dos mesmos planos com que Chávez manipula os venezuelanos. Prova disso é a aproximação do mandatário venezuelano com [Gustavo] Petro e outros membros do Polo, o financiamento dos "concertos pela paz" de Teodora, os bloqueios aos produtos colombianos, a junção siamesa entre Chávez e Lula para Zelaya retornar a Honduras, a descarada presença de funcionários da embaixada venezuelana em atividades políticas de esquerda na Colômbia, a beatificação de Tirofijo e outros terroristas na Venezuela, até o vergonhoso extremo que os cubanos que manipulam Chávez a seu bel prazer, impuseram que nos textos de ensino primário e secundário os estudantes aprendam que Tirofijo não era um bandido mas um herói, etc.

A conclusão é que, por trás das atitudes teatrais dos peõezinhos de Fidel Castro (Chávez e Correa), estão a dupla moral de Lula da Silva, os interesses geoestratégicos da Rússia, as ambições comerciais da França, a obsessão extremista muçulmana para acabar com a civilização ocidental, a estupidez funcional dos democratas norte-americanos que preferem calar frente a uma realidade tão evidente, e a indiferença crônica do povo colombiano por sua sorte e seu destino.

Por coronel Luis Alberto Villamarin Pulido

RELAÇÕES PERIGOSAS, AS FARC, O PT E O GOVERNO LULA.

Vocês vão entender por que publico o documento acima, assinado por Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil e agora pré-candidata do PT à Presidência.








Reportagem no Estadão deste domingo (ver post abaixo) informa que a Polícia Federal descobriu uma base das Farc no Brasil:

“A guerrilha colombiana não só tem violado sistematicamente a fronteira Colômbia-Brasil como tem utilizado o território brasileiro para seus negócios, especialmente o narcotráfico. A conclusão faz parte do relatório final da investigação que levou à prisão, no dia 6, de José Samuel Sánchez, o ‘Tatareto’, apontado pela Polícia Federal como integrante da comissão de logística e finanças da 1.ª Frente das Farc, um dos mais importantes destacamentos da guerrilha colombiana.”



Pois é, leitor… A história dos petistas e do governo Lula com as Farc pode ser contada em capítulos. Nem é preciso fazer uma pesquisa muito exaustiva. Comecemos por observar que, ao longo dos anos, o lulo-petismo tem sido mais duro com o governo constitucional e democrático da Colômbia do que com os narcoterroristas. Explica-se.

Brasil neutro

Lula, o Itamaraty e os petistas não consideram as Farc terroristas — seqüestrar pessoas, degolá-las, manter campos de concentração na selva etc. não parecem caracterizar terrorismo para os nossos iluminados. Em março de 2008, numa entrevista ao jornal francês Le Figaro (publiquei tradução), Marco Aurélio Top Top Garcia declarava:

“Eu lhes lembro que o Brasil tem uma posição neutra sobre as Farc: nós não as qualificamos nem de grupo terrorista nem de força beligerante. Acusá-las de terrorismo não serve pra nada quando a gente quer negociar.”

É Pouco? Pois eu lembro mais. Naquele ano, a Colômbia havia atacado um acampamento dos narcoterroristas situado no Equador. Eles contavam com a proteção do governo daquele país, comandado pelo filoterrorista Rafael Correa. Leiam o que disse Marco Aurélio ao jornal francês:

“O Brasil condena firmemente o ataque colombiano ao território equatoriano, que é, antes de mais nada, uma violação da soberania territorial. Nós exortamos a Colômbia a apresentar suas desculpas ao Equador. Paralelamente, o Brasil age para baixar a tensão na região, que atingiu níveis inquietantes. O presidente Lula vai receber hoje [ontem] o Presidente equatoriano, Rafael Correa, e nós vamos pedir a criação de uma comissão de investigação no âmbito da Organização dos Estados Americanos.”

O Equador protegia terroristas e traficantes que seqüestravam e matavam na Colômbia, mas Marco Aurélio exigia desculpas dos colombianos!

Laços antigos

É compreensível! Vocês se lembram do Fórum de São Paulo, entidade fundada por Lula e Fidel Castro para reunir partidos e organizações da esquerda da América Latina? PT e Farc dividiram o mesmo teto na organização durante um bom tempo. Oficialmente, os narcoterroristas deixaram o Fórum. Quando estavam lá, já faziam o que fazem hoje: seqüestros, assassinatos, tráfico de drogas… Sob a bandeira da luta revolucionária marxista. Não que isso também não seja uma droga. Mas é outra.

Na reunião da OEA, que debateu o ataque, o Brasil atuou contra a Colômbia com a mesma fúria com que atuou contra Honduras. Hugo Chávez, o amigão das Farc, ameaçou ir à guerra!!! Naquela ação, morreu um dos chefões do bando, o terrorista pançudo Raul Reyes. Seu laptop, que foi apreendido, trouxe revelações espetaculares, indicando os laços entre o grupo e os governos da Venezuela e do Equador. E continha algumas coisas interessantes sobre o Brasil!!!

“Padre Medina”, sua mulher e Dilma Rousseff

Um dos chefões das Farc, o tal Padre Olivério Medina, mora no Brasil na condição de “refugiado político”. Desde 2006. Dele se diz ser um “ex-terrorista”. O laptop de Rayes trazia troca de mensagens entre os dois. Publicou o jornal colombiano El Tiempo no dia 10 de maio de 2008:

“(…) o contato das Farc, Francisco Antonio Caderna Collazos, o ‘Camilo’ [dois outros nomes de Medina] - casado com uma professora brasileira e encarregado de trocar cocaína por armas e do recrutamento de simpatizantes -, não pôde ser extraditado para a Colômbia porque goza do status de refugiado desde 2006″ (a íntegra da reportagem do jornal está aqui).

No dia 4 de junho de 2008, Diogo Mainardi revelou em sua coluna na VEJA que a mulher de Medina, Angela Maria Slongo, era funcionária do governo Lula, mais precisamente do Ministério da Pesca. A revista Cambio, da Colômbia, publicou o e-mail em que Medina informa a nomeação a Reyes:

17 de enero de 2007

De: ‘Cura Camilo’

A: ‘Raúl Reyes’

“El lunes 15 inició ‘la Mona’ su empleo nuevo y para asegurarla o cerrarle el paso a la derecha por si en algún momento les da por molestar, entonces la dejaron en la Secretaría de Pesca desempeñándose en lo que aquí llaman un cargo de confianza ligado a la Presidencia de la República”.

Traduzindo

Na segunda-feira, dia 15, a “Mona” começou em seu novo emprego e para garanti-la ou impedir que a direita em algum momento a hostilize, a colocaram na Secretaria da Pesca, trabalhando no que chamam aqui de cargo de confiança ligado à Presidência da República.

“Mona” é como Medina, o “Cura Camilo”, se refere à sua mulher. A palavra tem tanto o sentido de coisa “fofa”, “delicada”, quando de macaca. Escolham… O que o e-mail evidencia? Que a contratação da “fofa” ou da “macaca” foi mesmo parte de uma ação política. Ora, quem será este sujeito indeterminado de “colocaram” e “chamam”?

Resposta: Dilma Rousseff. O requerimento que está no alto desta página foi publicado pela primeira vez do jornal Gazeta do Povo, do Paraná. Ali está o pedido de transferência. E o mais curioso: ela foi trabalhar no Ministério da Pesca em… Brasília! Vai ver passa as tardes pescando lambaris no lago Paranoá…

Segundo o jornal El Tiempo, Medina é um dos chefões de um troço chamado CCB - Coordinadora Continental Bolivariana. É o braço internacional das Farc, instalado em vários países. Reyes, o pançudo morto no Equador, divida a chefia da CCB com Medina e com Orlay Jurado Palomino, ou “Hermes”, que está na Venezuela.

O mistério dos US$ 5 milhões




No dia 16 de março de 2005, era esta a capa da revista VEJA.

Informava-se ali (íntegra aqui).

Nos arquivos da Agência Brasileira de Inteligência em Brasília há um conjunto de documentos cujo conteúdo é explosivo. Os papéis, guardados no centro de documentação da Abin, mostram ligações das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) com militantes petistas. O principal documento nos arquivos foi datado de 25 de abril de 2002, está catalogado com o número 0095/3100 e recebeu a classificação de “secreto”. Em apenas uma folha e dividido em três parágrafos, esse documento informa que, no dia 13 de abril de 2002, um grupo de esquerdistas solidários com as Farc promoveu uma reunião político-festiva numa chácara nos arredores de Brasília. Na reunião, que teve a presença de cerca de trinta pessoas, durou mais de seis horas e acabou com um animado forró, o padre Olivério Medina, que atua como uma espécie de embaixador das Farc no Brasil, fez um anúncio pecuniário. Disse aos presentes que sua organização guerrilheira estava fazendo uma doação de 5 milhões de dólares para a campanha eleitoral de candidatos petistas de sua predileção. A notícia foi recebida com aplausos pela platéia. Faltavam então menos de seis meses para a eleição. Um agente da Abin, infiltrado na reunião, ouviu tudo, fez um informe a seus chefes, e assim chegou à Abin a primeira notícia de que as relações entre militantes esquerdistas, alguns deles petistas, e as Farc podem ter ultrapassado a mera simpatia ideológica e chegado ao pantanoso terreno financeiro.

Sob a condição de não reproduzi-los nas páginas da revista, VEJA teve acesso a seis documentos da pasta que trata das relações entre as Farc e petistas simpatizantes do movimento. Dos seis documentos, três fazem menção explícita à doação de 5 milhões de dólares. Num deles, está descrita a forma de pagamento: o dinheiro sairia de Trinidad e Tobago, um pequeno país do Caribe, e chegaria às mãos de cerca de 300 pequenos empresários brasileiros simpáticos ao PT, que, por sua vez, fariam contribuições aos comitês regionais do partido como se os recursos lhes pertencessem. Em outro documento, aparece a informação de que o acerto financeiro fora celebrado entre membros do PT e das Farc durante uma reunião realizada numa fazenda no Pantanal Mato-Grossense - e que os encontros de cúpula seriam articulados com a ajuda de Maria das Graças da Silva, uma funcionária da Câmara dos Deputados em Brasília que já militou no PC do B e seria amiga muito próxima do “comandante Maurício”, apontado como a maior autoridade das Farc no Brasil. Ao contrário da doação financeira e do mecanismo do pagamento, que são descritos em detalhes nos documentos da Abin, a menção à reunião no Pantanal aparece seca e sem detalhes.

“Conheço ele, sim, mas e daí? Não articulei encontro nenhum”, garante a funcionária Maria das Graças, que diz ignorar qualquer reunião no Pantanal.

(…)

Os contatos políticos entre petistas e guerrilheiros das Farc são antigos. Começaram em 1990, quando o PT realizou um debate com partidos políticos e organizações sociais da América Latina e do Caribe para discutir os efeitos da queda do Muro de Berlim.

(…)

A reunião na chácara em Brasília foi uma mistura de encontro político com festa de amigos. A chácara chama-se Coração Vermelho, pertence ao sindicalista Antônio Francisco do Carmo e fica a 40 quilômetros de Brasília. O encontro começou às 11 da manhã e terminou no início da noite. Aconteceu em torno de uma mesa debaixo de árvores, para evitar que um grampo clandestino pudesse captar as conversas. No início, com todos de pé, abriu-se uma bandeira das Farc e cantou-se o hino da guerrilha. Para entrar na chácara, os participantes tinham uma senha: bater com a mão espalmada no peito. Ao meio-dia, serviu-se um churrasco, com arroz e vinagrete, cerveja e refrigerante. Um dos presentes era o vereador Leopoldo Paulino, secretário de Esportes do então prefeito de Ribeirão Preto, o hoje ministro Antonio Palocci. Pouco antes, Paulino fundara o primeiro comitê de apoio às Farc no Brasil, em Ribeirão Preto. Na chácara, exibiu-se um vídeo com a inauguração do comitê, e Paulino explicou seu funcionamento. “Não temos presidente ou diretor. Somos todos guerrilheiros ou não somos. Se somos, então todos fazem parte da luta”, disse ele, conforme o relato transcrito pelo agente infiltrado da Abin. Foi aplaudido pelos presentes.

A VEJA, o vereador Leopoldo Paulino, que foi guerrilheiro da Ação Libertadora Nacional (ALN) e hoje é filiado ao PSB, negou que tenha participado de qualquer reunião na chácara Coração Vermelho. Outro que esteve presente, porém, o bancário Antônio Carlos Viana, um aguerrido militante comunista, confirmou a VEJA que a reunião foi feita, que o assunto era o apoio às Farc, mas disse que ninguém falou em dólares.

(…)

A primeira suspeita da generosidade financeira das Farc com esquerdistas brasileiros apareceu há dois anos, quando o deputado Alberto Fraga, hoje filiado ao PTB, contou que agentes da Abin lhe narraram a história. O deputado fez um discurso-denúncia sobre o assunto na tribuna da Câmara e tentou em vão abrir uma CPI. Não conseguiu recolher o número necessário de assinaturas de deputados. Sua denúncia não recebeu muito crédito, mas o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, do PT paulista, procurou-o. Disse que estava incumbido pelo governo de processar Fraga e queria saber se o deputado tinha provas da denúncia que fizera. Fraga blefou. “Eu disse que podia até apresentar testemunhas em juízo.” Diante disso, Greenhalgh nunca mais tocou no assunto, segundo Fraga. “Eu só falei para que ele tomasse cuidado com aquela história. Disse que ele poderia acabar sendo processado porque a história não era verdadeira”, desmente Greenhalgh. “Eu não estava falando em nome do governo.”

Concluindo

Um ou outro ainda poderiam dizer: “Ah, não exagere!…” Claro que não exagero!

No computador de Reyes, havia mensagens informando que as Farc estavam recebendo armamento da Venezuela. Em julho do ano passado, a Colômbia encontrou lança-foguetes de fabricação sueca, comprados pelo Exército venezuelano, em poder dos narcoterroristas. A negociação foi feita por dois generais próximos a Chávez, um deles acusado pelos EUA de envolvimento com o narcotráfico.

Chávez, inicialmente, negou. Apresentado às armas, deu uma resposta originalíssima: “Elas foram roubadas”. E ameaçou ir à guerra!!! Celso Amorim, o Megalonanico, não disse uma miserável palavra a respeito. Ou melhor, disse: afirmou não ter certeza de que aquilo houvesse mesmo acontecido, embora o próprio Chávez admitisse que as armas eram suas. O debate sobre o uso das bases colombianas pelos EUA estava no auge. Se Amorim nada disse contra a Venezuela, ele atacou duramente a Colômbia. Entre as Farc e os EUA, os nossos valentes já fizeram sua escolha.

Afinal, o Brasil é neutro em relação às Farc, mas não aos EUA… Numa das mensagens de Medina, ele diz que tinha muita esperanças de ficar no Brasil porque apostava bastante em Celso Amorim. Homem sábio!

Dado o conjunto da obra, as Farc passaram a considerar o Brasil um país seguro, com um governo amigo. Medina e Mona que o digam, não é mesmo, Dilma?

Por Reinaldo Azevedo