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sábado, 20 de abril de 2013

DILMA VAI GASTAR 208 MIL COM FLORES ESTE ANO

Marina Dutra e Dyelle Menezes
Do Contas Abertas
A Presidência da República adiantou a primavera e garantiu que a estação das flores perpetue para o ano inteiro. A Pasta firmou na última semana um contrato de fornecimento de flores nobres, tropicais e de campo com a empresa Cadmo Costa Oliveira. Do total de R$ 208 mil previstos no contrato, já foram empenhados R$ 206 mil para a compra de diversos tipos de flores, inclusive de coroas fúnebres.
As aquisições florais serão utilizadas, segundo assessoria da Presidência em datas natalícias, falecimentos de autoridades, arranjos para eventos com a presença da Presidenta da República, de Ministros de Estado e de autoridades estrangeiras, na decoração do Gabinete Pessoal, da Residência Oficial e dos Gabinetes Regionais da Presidência da República.
Mais da metade da verba será empregada na compra de flores ornamentais. Segundo a nota de empenho, bromélias, antúrios, crisântemos, azaleias, orquídeas com floração nova e botões abrindo e plantadas de forma artística compõem os pedidos da Pasta. As plantas devem estar em caxepôs (vasos com rodinhas) de vidro, cerâmica, em alguns casos, chinesas, vime ou madeira. As plantas podem ter ainda acabamentos artísticos.
 
Serão 992 plantas ornamentais, ao custo de R$ 105,5 mil. O ornamento mais barato, que consiste em crisântemos e azaléias, sairá por R$ 55. Já a orquídea do tipo Denfales, com cascas de madeira e musgo para acabamento custará R$ 122.
 
Outros 25% do valor total empenhado será utilizado para a compra de arranjos florais. Serão 1.850 arranjos, ao custo de 58,4 mil. O mais simples, composto por folhagens, asparagus, dracena eucalipto e outras folhas sairá por R$ 6,00. Por outro lado, o arranjo mais sofisticado será adquirido por R$ 250 cada. Esse é do tipo jardineira com caimento e contêm flores nobres de primeira qualidade como rosas, copos de leite, lírios, orquídeas e tulipas.
 
A terceira maior compra, segundo a nota de empenho, foi de 80 coroas fúnebres grandes, que custarão R$ 42 mil. O valor de cada coroa varia entre R$ 500 e R$ 550. As coroas são feitas de flores de primeira qualidade e medem 200 cm de altura por 150 cm de largura. Cada uma deverá ter, no mínimo, 200 flores.
 
A compra dos arranjos florais ocorreu por pregão eletrônico e cada item do edital foi “oferecido” separadamente para as empresas participantes. A instituição vencedora de todos os itens do leilão às avessas, isto é, porque ganha a entidade que oferecer o menor valor do que as outras, foi a Cadmo Costa Oliveira.  A mesma entidade venceu licitações semelhantes em 2011 e 2012. Em 2011, a Cadmo embolsou R$ 38,4 mil e em 2012, R$ 89,8 mil.
 
Segundo a assessoria da Pasta, a razão principal no aumento dos valores destinado à compra de flores diz respeito a mudanças no quantitativo de itens contratados. Tendo percebido aumento da necessidade ou da demanda de alguns itens em 2012, foi requerida a contratação de quantidade superior de alguns tipos de arranjos.
 
A Presidência afirmou ainda que, por se tratar de contrato para fornecimento de itens sob demanda, o gestor estima quantidades e variedades de itens conforme a experiência de anos anteriores, buscando evitar o esgotamento de itens contratados no período contratado, bem como a necessidade de realizar novo processo licitatório naquele período.
Confira aqui a nota de empenho
 
Fonte: Revista Veja

sábado, 30 de abril de 2011

A CAMÉLIA CAIU DO GALHO, O JARDINEIRO TAMBÉM.

A antiga marchinha de carnaval conta da tristeza do jardineiro ao ver a flor despencada, sem vida. Era um tempo em que os jardins públicos tinham flores. E jardineiros. Mas esses também se foram e não há esperanças de que um dia voltem.


Foi-se o tempo em que a vizinhança conhecia o jardineiro pelo nome. Era ele que atendia, com muito prazer, as senhoras que ao final da missa de domingo pediam uma mudinha de violeta ou de murta. O jardim era seu local de trabalho e de prazer. Ali passava o dia inteiro revolvendo a terra, podando galhos, replantando mudas, admirando o seu pedaço de paraíso. E vigiando para que nenhum moleque pisasse em suas flores. Porque jardim público era lugar de rosas, dálias, manacás, lírios, margaridas, esporinha, veludo, brincos de princesa, beijos, violetas, jasmins....

Mas as coisas mudaram para pior. Nossos jardins perderam as flores e ganharam um novo layout, uma tendência nacional que fez de cada um igual a qualquer outro. E nenhum é bonito. Não perca seu tempo fotografando seu amor nestes recantos. Nunca se saberá se a foto foi feita na Praça dos Namorados ou em outra qualquer de Aracaju, de Belém ou do Rio.

Nossos jardineiros foram vítimas da praticidade dos administradores municipais que terceirizaram os serviços. Agora, de tempos em tempos, um batalhão de operários (outro dia contei dezesseis) pousa sobre os gramados dos parques e dos canteiros centrais das avenidas. São jardineiros de outra galáxia. Vêm munidos de cortadores elétricos de grama, óculos especiais e luvas. Ora, vamos e venhamos, não podem ser jardineiro aqueles que no final do dia têm as unhas tão limpas como a de um dentista! Jardineiro de verdade mete a mão na terra com a intimidade que a natureza lhe concede em retribuição ao amor que ele devota às plantas. Mas esse pelotão intergalático deixa a grama limpa e bem aparada durante a semana que se segue. Depois o mato volta, a tiririca toma conta e o que se vê é feio e triste.

Temos uma flora rica e diversificada, mas longe dos olhos da população. Quem não se encanta com nossas orquídeas? São muitas, belíssimas e objeto de cobiça de colecionadores de todo o mundo. Mas só podemos admirá-las durante a Semana do Verde, quando são expostas e comercializadas em tendas armadas pelas prefeituras. Por que os jardins públicos não têm orquidários?

Fazer a coisa certa não é tão difícil e tão caro como parece. Em São Paulo, cada praça tem um zelador que monitora os espaços e cuida das plantas. E - morramos de inveja dos franceses - os 52 km lineares de canteiros dos jardins do Chateau de Vilandry são cuidados por apenas 13 jardineiros. E são lindos e floridos como as peças publicitárias que exaltam os nossos prefeitos.

Marcos Alencar.