Mostrando postagens com marcador fundamentalismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador fundamentalismo. Mostrar todas as postagens

domingo, 13 de fevereiro de 2011

ONDA DEMOCRATIZANTE.

Os recentes levantes populares no mundo árabe, principalmente na Tunísia e no Egito, trouxeram aos olhos dos líderes ocidentais a possibilidade de ascensão de governos islâmicos fundamentalistas semelhantes ao do Irã. Os impasses já vividos com este regime alertaram os EUA e alguns países europeus quanto à onda de protestos no mundo árabe. No entanto é preciso considerar se há motivos que justifiquem esse receio.


A onda de protestos na Tunísia foi uma surpresa. O país tem IDH alto, é o mais bem posicionado entre os africanos e está pouco atrás do Brasil nesse ranking (81° e 73°). Governado por Ben Ali desde 1987, a nada democrática Tunísia vivia alguma estabilidade política e prosperidade econômica.

Além disso, a Tunísia tem um regime secular que apresentava a melhor emancipação feminina dentre os países do mundo árabe. O governo gozava de certa estabilidade dada àquela prosperidade econômica, o que fazia sua população aceitar o autoritarismo. No entanto essa prosperidade já não se via há algum tempo, gerando a revolução que forçou Ben Ali a renunciar.

Até o momento, não há sinais de que um regime fundamentalista tomará o poder no país, apesar de ser incerta a natureza da próxima gestão.

O Egito, por sua vez, foi a peça seguinte do dominó. Após 18 dias de protestos, Hosni Mubarak renunciou e entregou o poder às Forças Armadas, que formação um governo transitório até as já marcadas eleições de setembro. O país, apenas o 101° no ranking de IDH, passa por uma crise que compromete os empregos da juventude, parcela considerável da população.

Com a queda de Mubarak, o governo transitório terá de acenar para a superação da crise, assim como terá de organizar as eleições presidenciais de setembro. O descontentamento da população era com a situação econômica e com a corrupção, mas não com a secularização do país. A Irmandade Muçulmana, que liderou a oposição nas negociações com o governo antes da renúncia não parece mais ser um grupo extremista. Além disso, apesar de ter o apoio de aproximadamente 35% da população egípcia, também ela foi desautorizada em praça pública ao falar em nome do povo.

Apesar do medo dos líderes ocidentais sobre a ascensão de regimes fundamentalistas islâmicos e anti-Israel no mundo árabe, o cenário que parece se montar não é o de um efeito dominó sobre o fundamentalismo, mas sim sobre uma onda democratizante.

Fonte: A Gazeta - http://glo.bo/gCZ2rC