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segunda-feira, 23 de julho de 2012

DE ONDA A TSUNAMI



É preciso insistir no assunto.
Por que, em pouco mais de dois meses, o país foi tomado por monumental onda de greves, prevendo-se para depois de agosto um tsunami de proporções asiáticas?
Vale, de início, a ressalva: porque os assalariados, públicos ou privados, sentem a cada dia diminuir o valor do que recebem pelo seu trabalho, em proporção aritmética, ao tempo em que suas despesas aumentam em proporção geométrica.
Não se fala, por certo, das minorias incrustadas no aparelho estatal, do tipo ministros, procuradores, parlamentares e penduricalhos. Sequer vale citar os vigaristas das estruturas privadas, do tipo banqueiros, empreiteiros, empreendedores, bem nascidos e similares. Estes, como aqueles, constituem a casta de quantos, milenarmente, vivem às custas da maioria.
A indagação vai por conta da gente comum, da massa de funcionários públicos, professores, trabalhadores, operários e até integrantes das profissões ditas liberais que de repente protestam contra o modo de vida a que se encontram reduzidos.
Pouco importa se componentes das massas miseráveis subiram de patamar, claro que não tanto quanto a propaganda oficial alardeia, porque na hora das greves são eles a integrar os primeiros contingentes do protesto.
Do que se indaga é das razões de porque, de um dia para outro, despertou a indignação dos oprimidos, alguns, até, sem motivos para indispor-se tão depressa assim diante de injustiças milenares.
É nessa parte da equação que se questiona a forma, não o fundo.
Alguma influência exógena terá precipitado a reação natural e justa das camadas oprimidas, acima e além de seus reclamos naturais.
Aqui pode repousar a resposta dessa charada envolta num mistério circundado por um enigma de proporções mais do que definidas: estão querendo despertar forças naturais através de métodos canhestros cujo objetivo é domínio do poder. Quem?

Aqueles empenhados em desempenhar o papel de defensores dos oprimidos, ainda que pretendendo oprimi-los um pouco mais.
A CUT e o PT e seus serviçais. Com que objetivo? De retomar o controle do Estado e de suas instituições, que um dia, durante os oito anos do governo Lula, mantiveram através da contenção dos movimentos sociais, conseguindo sufocá-los.
Descobre-se a chave para a compreensão dessa nova realidade. Querem enquadrar a presidente Dilma, transformá-la no marionete que era quando escolhida pelo primeiro-companheiro para sucede-la, transformando-se numa sombra.
Acontece que a presidente, se não libertou-se, ao menos sacudiu a crosta em que pretendiam envolve-la. Estrilou e discordou do modelo engendrado para torna-la mero interregno entre dois mandatos do Lula.
Como combate-la?
Ironicamente, com as armas que serviram para derrotar a ditadura. Estimulando greves que não tiveram lugar nos dois mandatos anteriores. E que não teriam agora caso a personalidade de Dilma fosse outra.
Na verdade, imaginaram deter o poder integral. Contrariados, tratam-na como adversária. Ninguém se iluda, vem mais por aí, atingindo outras categorias do serviço público
e, em especial, estendendo-se à área privada. Metalúrgicos e bancários estão sendo preparados.
Carlos Chagas

sábado, 30 de abril de 2011

A GREVE E O SOCIAL

A maioria das prefeituras da Grande Vitória e daqui a alguns dias o governo do Estado viverão um momento de reflexão sobre a o tratamento dispensado à educação. Em praticamente todos os municípios os professores estão de braços cruzados. Em Vitória, o movimento já passa dos 40 dias.


A coluna sempre bateu na tecla de que as paralisações nos setores públicos, de serviço, sobretudo, prejudicam a população. E é evidente que uma greve na educação é um dos problemas mais graves, afinal é com a educação que se formam os futuros agentes sociais.

A CUT, de onde surgiu o movimento sindical organizado, com orientação politicamente de esquerda, e as outras centrais que são fruto disso, deveriam ficar atentas a esses movimentos grevistas. Claro que são legítimos, afinal o professor é um dos profissionais mais importantes para a construção de uma sociedade justa e é evidente que na sociedade brasileira ele não tem o tratamento adequando para a importância de sua função.

Mas o movimento sindical deveria buscar alternativas dentro deste contexto para que a luta não se traduza em prejuízo social, ou conflito. É muito importante que a sociedade participe e entenda o movimento. Quando ela se volta contra os professores, a categoria se enfraquece e a solução dos problemas não acontece.

Além do sindicato dos professores, a Central deveria trabalhar como mediadora entre pais, governos e grevistas, para acelerar as negociações. E arrumar uma posição definitiva. Aliás, deveria encampar o movimento para buscar, além da melhoria salarial, a qualidade no ensino, já que os índices de evasão e de aprendizagem são alarmantes.

O movimento sindical surgiu com a ideia de colocar o trabalhador no debate político, buscando uma sociedade mais participativa. Temos, sim, trabalhadores que defendem apenas o capital e temos também empresários que veem com bons olhos o desenvolvimento social. Cabe à central buscar o equilíbrio. Mas o que vemos nos últimos tempos, sobretudo nos movimentos no setor público, é a greve pela greve, muitas vezes visando ao crescimento político individual, a projeção.

A entrada da Central no movimento garantiria o posicionamento social da greve, sua depuração. E o momento é propício, afinal governo e prefeituras seguem a orientação social, ou, pelo menos, se dizem assim.

Mas, se falam assim, abrem a brecha para a cobrança e aí entra a CUT, para cobrar do poder público a posição concreta, que resolva isso definitivamente. O que não dá é todo ano isso se repetir. Os sindicalistas querendo o índice da inflação e os governantes se escondem atrás da lei de responsabilidade fiscal para não conceder a reposição. Isso sem falar no famigerado recurso ao DT, que nem deveria existir. Enfraquece a categoria e prejudica a sociedade.

A coluna defende a greve, mas chama atenção para o fato de que quem está sem aula é o filho do trabalhador. Ele também tem o direito de ter a qualificação necessária para ingressar no mercado de trabalho. E o governo tem que dar as condições para que ele consiga se qualificar para isso e, quem sabe, depois ingressar no próprio serviço público e tenha orgulho, quem sabe, de dizer que é professor

Caetano Roque

sexta-feira, 23 de abril de 2010

CRIME ELEITORAL.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, deu parecer favorável à aplicação da multa máxima, de 50 mil Unidades Fiscais de Referência (UFIR) – o equivalente a cerca de R$ 53,2 mil – contra o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e sua presidente, Maria Izabel Noronha, por propaganda eleitoral antecipada para prejudicar o candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra.


Em representação à Justiça Eleitoral, o DEM e o PSDB, alegaram que a direção do sindicato instrumentalizou a greve da categoria para difundir propaganda tendenciosa de partidários do PT contra Serra. Durante a greve, deflagrada em março, os dirigentes do sindicato, conforme a representação, dirigiram ofensas ao candidato tucano e defenderam, em discursos e panfletos, que a população não votasse nele para presidente.

“Serra, você não será presidente da República”, avisou a sindicalista em uma das manifestações, em frente ao Palácio dos Bandeirantes. “Esse senhor tem competência para ser presidente do Brasil? Não. Não. Mil vezes não”, disse, na ocasião.

Segundo Gurgel, ficou evidenciado que “houve propaganda eleitoral antecipada negativa”, com foco “na depreciação da imagem do candidato do PSDB”. A legislação eleitoral em vigor prevê multa, para esse tipo de violação, de 20 mil a 50 mil UFIR, mas o procurador optou pelo valor máximo, em razão do princípio da proporcionalidade e gravidade da conduta.

Defesa

A direção da Apeoesp alegou não saber, à época, que Serra era candidato e que as críticas foram dirigidas ao público específico, aos professores, não aos eleitores em geral. Gurgel considerou que a desculpa não procede. “Primeiro, porque o público alvo é grande e influente junto aos eleitores, além de estar situada no maior colégio eleitoral do País (São Paulo). Segundo, porque a manifestação ocorreu em frente ao palácio do governo, lugar de grande circulação de pessoas.”

Gurgel explicou que a conduta dos sindicalistas violou o Artigo 36 da Lei 9.504/97, por isso o movimento grevista, “que deveria destinar-se ao debate das condições de trabalho, terminou sendo utilizado para fazer críticas e veicular propaganda negativa do PSDB e seu pré-candidato”. O objetivo das críticas, anota o procurador, era “levar ao conhecimento de todos que este não é o mais apto ao exercício da função pública e de levar o eleitor a nele não votar nas eleições deste ano.”

Agencia Estado.