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sábado, 2 de julho de 2011

O TREM-BALA E O PT DE CAMPINAS.

Nós vamos que vamos”, disse, animada, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) ao prefeito de Campinas, Dr. Hélio (PDT), na noite do último dia 6 de abril. Marta ligou às 18h01 para a secretária particular de Dr. Hélio, Cinthia dos Reis Paranhos, cujos telefones estavam grampeados pelo Ministério Público Estadual. O MP de São Paulo investiga um esquema milionário de desvio de dinheiro público na administração de Dr. Hélio, prefeito de Campinas há dois mandatos. O diálogo entre a senadora e o prefeito (leia abaixo) foi capturado por acaso, já que Dr. Hélio não é alvo das investigações do MP. A animação de Marta se devia à aprovação iminente no Senado da medida provisória que criaria a estatal responsável pelo projeto do trem-bala e autorizaria o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a emprestar até R$ 20 bilhões para o projeto.

Fotos: Denny Cesare/Futura Press e Dida Sampaio/AE

Marta era a relatora da medida provisória. Sete dias depois da conversa telefônica entre os dois, a medida foi aprovada pelos senadores. O diálogo aparentemente corriqueiro entre uma senadora e um prefeito do Estado que ela representa revela com clareza o interesse do grupo político de Marta no PT de São Paulo (fazem também parte desse grupo o deputado federal Carlos Zarattini e os irmãos Ênio e Jilmar Tatto) em levar adiante a construção do polêmico Trem de Alta Velocidade (TAV). O trem-bala, cujo trajeto atual irá de São Paulo ao Rio de Janeiro, com parada em Campinas, é a obra mais cara do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O custo de sua construção está estimado em R$ 34,6 bilhões. A senadora Marta disse a ÉPOCA manter “uma relação cordial” com o Dr. Hélio e que a reunião pedida no telefonema se deveu à “vontade de provocar debate político e dar conhecimento à região sobre minha participação como relatora do projeto”. “O projeto não foi discutido em nenhum momento com o prefeito, os parlamentares e a sociedade civil do Estado, em razão do curto espaço de tempo para votação no Senado”, disse Marta.

Uma das peças-chave na articulação política de Marta em Campinas para viabilizar o trem-bala é o engenheiro-agrônomo Gerson Bittencourt, eleito deputado estadual em São Paulo pelo PT em 2010. As ligações de Bittencourt com o universo dos transportes são antigas. Ele começou a carreira política na União Nacional dos Estudantes (UNE) e na Central Única dos Trabalhadores (CUT), foi presidente da SPTrans, a empresa municipal de transportes coletivos, e secretário de Transportes na gestão de Marta Su-plicy na prefeitura de São Paulo, entre 2001 e 2004. Bittencourt se autointitula o “pai do bilhete único”, o sistema de integração de passagens entre ônibus, trem e metrô adotado em São Paulo durante o governo de Marta, uma das principais bandeiras de sua gestão. Foi com a marca do bilhete único que Bittencourt acabou instalado, com o aval de Marta e do ex-ministro José Dirceu, na cadeira de secretário de Transportes de Campinas desde o primeiro mandato de Dr. Hélio, iniciado em 2005.

Agora, o nome de Bittencourt aparece relacionado à primeira prova obtida pelo Ministério Público de que um esquema de desvio de verba em Campinas alimentou o financiamento ilegal de campanhas. Na casa de Carlos Henrique Pinto, ex-secretário de Segurança Pública do governo de Dr. Hélio, os promotores apreenderam uma planilha, a que ÉPOCA teve acesso, em que estão descritas encomendas de material de campanha feitas à empresa Artes Brasil. A Artes Brasil é uma empresa de publicidade que faz adesivos e panfletos e tem, entre seus clientes, a Sanasa, a empresa de saneamento de Campinas (um foco de corrupção segundo as investigações), a prefeitura de Guarulhos e de Vinhedo, em São Paulo, e o governo federal.

A planilha apreendida pelo MP lista gastos sem nota fiscal no valor de R$ 330 mil

Didática, a tabela relaciona cerca de 20 nomes de candidatos a deputado estadual ou federal em São Paulo nas eleições de 2010 apoiados pela aliança de partidos comandada por Dr. Hélio em Campinas. Ao lado dos nomes há duas colunas com as inscrições “com NF” e “sem NF”, o que, segundo o MP, significa com nota fiscal e sem nota fiscal. O valor total dos gastos sem nota de campanha soma R$ 330 mil. De acordo com a planilha, Bittencourt gastou R$ 2.100 sem nota fiscal em sua campanha vitoriosa à Assembleia Legislativa de São Paulo. A Artes Brasil disse que não presta serviço sem nota fiscal e diz desconhecer a origem da planilha. Todos os contratos de publicidade da prefeitura de Campinas estão sob investigação do MP por suspeita de desvios.

   Reprodução
LISTADOS
O nome do deputado estadual Gerson Bittencourt (abaixo) aparece no documento. Thiago Ferrari, outro da relação, é vereador em Campinas e namorou a filha de Dr. Hélio


Ari Paleta/Futura Press

Com a citação de Bittencourt na planilha, essa é a segunda vez em que um quadro do PT aparece diretamente relacionado a irregularidades na administração campineira (o primeiro foi Demétrio Vilagra, vice-prefeito de Dr. Hélio). A aliança dos petistas com Dr. Hélio em Campinas foi consolidada no segundo turno das eleições municipais de 2004. A máquina montada pelo PT foi fundamental na captação de recursos que assegurou a vitória de Dr. Hélio. Na composição do governo municipal, a Secretaria de Transportes foi um prêmio a Bittencourt pelos serviços prestados pelo partido. Em 2002, ele foi uma espécie de “faz-tudo” de José Dirceu durante a campanha de Lula à Presidência da República. “A indicação do Bittencourt foi um arranjo negociado entre o diretório estadual do partido, a Marta, o Zé Dirceu e o Dr. Hélio, sem nossa participação”, diz um dirigente municipal do PT em Campinas, que afirma ter sido surpreendido com a nomeação.

Depois de sua transferência de São Paulo para Campinas, Bittencourt se ambientou rapidamente. Comandou reuniões para incluir no projeto do trem-bala uma parada em Campinas. Quando se licenciou do cargo de secretário de Tranportes, em março de 2010, para disputar uma vaga como deputado estadual, Bittencourt pediu a seu sucessor, Sérgio Torrecillas, para manter ingerência sobre os assuntos relacionados ao projeto do trem-bala. No comando da área de transportes de Campinas, além de cuidar do trem-bala, Bittencourt tratou de aumentar vertiginosamente a arrecadação de sua pasta. Entre 2005 e 2010, o número de multas por excesso de velocidade por radares eletrônicos em semáforos passou de 4 mil para 58 mil, um aumento de 1.400%. Os radares, instalados na gestão de Bittencourt, são operados por um consórcio, do qual faz parte a empresa Engebrás. O contrato com a Engebrás é investigado por uma CPI na Câmara de Vereadores de Campinas depois de uma denúncia em que um representante da empresa foi flagrado negociando propinas com uma prefeitura do Rio Grande do Sul. A CPI já descobriu que a Engebrás atuava em Campinas sem ter contrato.

A administração da área de transportes de Campinas por Bittencourt foi o foco de várias outras irregularidades. Ele foi condenado três vezes pelo Tribunal de Contas de São Paulo por problemas na contratação de serviços de uma empresa para a sinalização de ruas e avenidas. Funcionários da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) também acusaram Bittencourt de tê-los constrangido a distribuir material de sua campanha para deputado estadual em garagens de ônibus durante o expediente de trabalho. Em sua passagem pela prefeitura de São Paulo, Bittencourt já exibira métodos de trabalho igualmente questionáveis. Sob as ordens de Jilmar Tatto, então secretário de Transportes, recebeu a incumbência de disciplinar a relação da prefeitura com os empresários de ônibus, que haviam sido chamados pela então prefeita, Marta Suplicy, de “gângsteres”, em 2003. Bittencourt cumpriu a missão, mas foi acusado de ajudar a formar cartéis de ônibus na cidade. No ano passado, foi condenado pela 3a Vara da Fazenda Pública da capital por improbidade administrativa. O juiz entendeu que Bittencourt favoreceu uma empresa de ônibus em uma licitação enquanto ele era presidente da SPTrans em São Paulo e determinou a cassação de seus direitos políticos.

Bittencourt está recorrendo da decisão. Por e-mail, ele disse que é “uma das maiores autoridades em transporte reconhecidas no país”. Afirmou também que não participou de qualquer comissão do governo federal para estudos, licitação ou implantação do trem-bala. Reconheceu, no entanto, que o trem-bala foi uma das suas bandeiras de campanha à Assembleia Legislativa em 2010. Ele disse que as denúncias de uso da máquina pública para fazer campanha foram arquivadas pelo Ministério Público.

Uma testemunha da investigação feita pelo Ministério Público em Campinas afirma que parte do orçamento da pasta sob comando de Bittencourt tinha o mesmo destino que os milhões desviados da Sanasa. Segundo a testemunha, uma vez por mês, Dr. Hélio e seus secretários – Bittencourt, entre eles – se reuniam em um hotel de São Paulo com Armando Peralta. Peralta era um dos donos da NDEC, empresa de publicidade que, em 2004, foi usada para pagar os serviços do marqueteiro João Santana para a campanha de Dr. Hélio. (Uma conversa de Santana com Dr. Hélio também foi flagrada pelos grampos da investigação do Ministério Público. Nela, o prefeito faz gestões para que a presidente Dilma Rousseff visite um estande de uma empresa chinesa durante sua viagem à China.) A NDEC atuou também na campanha de Marta Suplicy à prefeitura de São Paulo em 2000 e é acusada de ter participado de fraudes em contratos com o governo de Zeca do PT em Mato Grosso do Sul, entre 1999 e 2007.

Segundo testemunha do MP, esquema em Campinas
teria saldado dívidas de quatro campanhas

Na campanha de Dr. Hélio, segundo relatos de um dirigente nacional do PT e de uma testemunha do Ministério Público, Peralta atuou como emissário de José Dirceu e do empresário José Carlos Bumlai, grande pecuarista e amigo próximo do ex-presidente Lula. A missão de Peralta era recolher o dinheiro que Bumlai e Dirceu conseguiam levantar junto a empresários para a campanha de Dr. Hélio. Terminada a eleição, Peralta, segundo a testemunha do MP, passou a gerenciar o recolhimento do dinheiro desviado de Campinas. O dinheiro teria sido usado para saldar dívidas de campanha contraídas pelo PT na campanha municipal de 2004 em quatro cidades: Campinas, Ribeirão Preto, Piracicaba e Curitiba. Dessas quatro cidades, o partido sagrou-se vitorioso apenas em Campinas, o que explicaria o volume de dinheiro desviado na cidade.

Peralta e Bumlai são investigados pelo Ministério Público. Mário Sérgio Duarte Garcia, advogado de Bumlai, afirma que “não há veracidade na versão do envolvimento de Bumlai” no caso de Campinas e que seu cliente já explicou tudo em depoimento ao Ministério Público. Diz ainda não saber se ele mantém relação com José Dirceu e que nunca ouviu falar em Peralta. O escândalo provocou tensão na cúpula nacional do PT. José Dirceu disse que não faz parte da investigação do MP, mas fez algumas reuniões em Campinas logo depois que o escândalo estourou. Lula defendeu publicamente Dr. Hélio: “Estou de saco cheio de ver companheiros serem acusados, terem a família destruída, e depois não ter prova (contra eles)”. A movimentação petista, o material apreendido e os depoimentos de testemunhas sugerem, porém, que os interesses do partido na administração de Campinas são antigos, consistentes e vão muito além dos limites do município.

reprodução/Revista Época
 
Fonte: Revista Época

sábado, 27 de novembro de 2010

O PÓS-ELEIÇÃO.

Recebi, dia desses, um e-mail de um amigo com a historinha de alguém que morreu e visitou o céu e o inferno antes de escolher onde queria ficar. No céu tudo era branco e monótono, enquanto no inferno havia competições esportivas, gente bonita e muitas festas. Ao escolher, então, o inferno, quando lá voltou um dia depois tudo estava diferente: muita sujeira, sofrimento e torturas. Ele, então, perguntou: "E onde estão as competições e as festas?". E o diabo respondeu: "É que ontem estávamos em campanha".


Recordei a mensagem ao constatar o discurso pós-eleitoral dos nossos políticos. Agora é austeridade, corte de verbas, impossibilidade de aumentar o salário mínimo, congelamento da tabela do imposto de renda. Durante a campanha eleitoral, tudo era possível: erguer escolas técnicas, creches, clínicas, estradas, portos, reduzir a carga tributária, valorizar o trabalhador e o aposentado. Quanta diferença!

Na campanha, Lula era anunciado como o presidente que mais fez pelo Espírito Santo. Agora, todos se confessam "frustrados" por ter o governo federal honrado apenas 0,25% das emendas coletivas incluídas pela bancada capixaba no orçamento de 2010. A participação dos repasses federais na assistência à saúde diminuiu, deixando a solução das carências cada vez mais nas costas do Estado e dos municípios. Até o governador eleito considera que as emendas incluídas pela bancada no orçamento federal "são de difícil resgate".

Durante a campanha eleitoral tudo é lindo, maravilhoso e possível: "O pobre agora pode comprar geladeira, casa própria, comer bem", dizia a propaganda. Dias depois, o ministro fala em "bolha de crédito", os juros reais pagos pelos brasileiros se mantêm como os maiores do mundo e as prestações após a entrega das chaves dos imóveis são muito diferentes das anunciadas no início da obra. É a hora de cair na real, como se diz no popular.

Não é de se admirar que seja tão baixa a credibilidade dos políticos. As urnas mal tinham sido fechadas quando os governadores eleitos pediram a volta da CPMF, os legislativos e o Judiciário reivindicaram aumentos de suas verbas e salários e os partidos apresentaram as contas com os ministérios e secretarias a que julgam ter direito. É a partilha do poder, espetáculo a que o país assiste ao final de cada eleição. Como os recursos são finitos e a fome de verbas e cargos é ilimitada, não falta quem proponha aumentar ainda mais os impostos.

Enquanto isso, no mundo real, a bandidagem anda solta incendiando automóveis e ônibus em desafio à ação policial, o crack avança vitimando famílias inteiras e o trânsito continua matando mais que a interminável guerra do oriente médio. E se a Grande Vitória ainda está livre, pelo menos por enquanto, das bombas incendiárias - que, aliás, já nos atormentaram no passado -, o mesmo não se pode falar do tráfico de drogas, que impõe a sua lei em 17 bairros enquanto a população, coitada, ainda tem que se espremer nos poucos ônibus que restam de uma greve em que milhões se tornam reféns de meia dúzia.

Só falta - será que falta? - colocar no rosto aquele nariz vermelho de palhaço para fingirmos todos que somos muito, mas muito felizes.

José Carlos Corrêa - A Gazeta

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A CAMPANHA NA INTERNET, SEGUNDO MARCELO BRANCO. SONINHA E CAIO TULIO.

Abaixo, dois vídeos interessantes que esclarecem bem como a campanha de Dilma Rousseff viu a internet nestas eleições.


Tratam de uma palestra de Marcelo Branco, o coordenador da campanha de Dilma para as mídias sociais.

No primeiro vídeo ele defende que estas eleições apresentaram uma inovação. Antes, havia dois grandes formadores de opinião durante as eleições: os partidos políticos, os candidatos e as suas equipes de campanha, por um lado; e a grande mídia, por outro. Nesta eleição, apareceu, segundo Marcelo Branco, um terceiro bloco: a internet e as mídias sociais. Veja o que ele diz



Agora, no segundo vídeo, Marcelo Branco explica que, enquanto o fluxo de informações da campanha derrotada de José Serra partiu da massmídia para as redes sociais, o da campanha de Dilma — vitoriosa — nasceu nas redes sociais da internet e invadiu a chamada grande midia. Com casos curiosos, como o da revista Época, em que uma capa contra Dilma acabou sendo usada pela campanha de internet da petista a seu favor. Veja



Aqui abaixo, Soninha Francine, da campanha de internet de Serra, admite que os tucanos foram surpreendidos pela força da internet



E Caio Tulio Costa, da campanha de internet de Marina Silva, critica as campanhas de Dilma e de Serra



Fonte: Poder Online . http://bit.ly/as5hLE

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

JOSÉ SERRA: ENFRENTAMOS FORÇAS TERRÍVEIS.

A íntegra do pronunciamento do candidato derrotado do PSDB a presidente, José Serra: “Quero agradecer aos brasileiros de todos os cantos do nosso território. No dia de hoje, os eleitores falaram. Nós recebemos com respeito e humildade a voz do povo nas ruas. Quero aqui cumprimentar a candidata eleita Dilma Rousseff e desejar que faça bem para o nosso país. Eu disputei com muito orgulho a Presidência da República. Quis o povo que não fosse agora. Mas digo aqui, de coração, que sou muito grato aos 43,6 milhões brasileiros e brasileiras que votaram em mim. Sou muito grato a todos e a todas que colocaram um adesivo, uma camiseta, que carregaram uma bandeira com o Serra 45. Meu imenso muito obrigado a vocês de todo o nosso país.


Quero agradecer também aos milhões de que lutaram nas ruas e na internet em defesa da nossa mensagem de um Brasil soberano, democrático e que seja propriedade do seu povo.

Vou carregar comigo cada olhar, cada abraço, cada frase que recebi em todo o Brasil. Cada mensagem de estímulo, de vibração, inclusive no meu Twitter, que tem centenas de milhares de participantes. E vou dizer a vocês uma coisa que disse muitas vezes: recebi toda energia para essa campanha, com sete meses, foram sete meses, desde que saí do governo de São Paulo, de muita energia, de muita movimentação e de muito equilibro que foi necessário. E chego hoje nesta etapa final com a mesma energia que eu tive ao longo dos últimos meses. O problema é como despender essa energia nos próximas dias e semanas. É uma energia que foi passada em todo o Brasil.

Insisto, nas ruas, em todos os lugares, as pessoas falando, as pessoas abraçando. E quero lembrar que, ao lado desses 43,6 milhões de votantes, recebemos também votos que elegeram dez governadores que nos apoiaram em todo o país.

Dos quais, um está presente: meu querido companheiro de muitas jornadas Geraldo Alckmin.

Quero dizer que se empenhou mais na minha eleição do que se empenhou na sua.

Mas a maior vitória que conquistamos nesta campanha não foi mérito meu, mas foi mérito de vocês. Pode parece estranho para um candidato que não ganhou a eleição, mas vim aqui não para falar de frustração, mas para falar da confiança e da esperança. Nestes meses duríssimos, quando enfrentamos forças terríveis, vocês alcançaram um vitória estratégica no Brasil. Cavaram uma grande trincheira. Construíram uma fortaleza. Consolidaram um campo político de defesa da liberdade e da democracia no Brasil. Um grande campo político em defesa da democracia, da liberdade e das grandes causa sociais e econômicas do nosso país, que estão aí vivas no sentimento de toda a nossa população.

Nossa campanha trouxe ao cenário eleitoral uma juventude que ama o Brasil, que a ma a liberdade. Encontrei os jovens no Brasil inteiro, pessoalmente, na internet, por todo o canto. Ao longo da campanha, vi em muitos deles, dos jovens, em centenas, em milhares, o jovem que também fui um dia, sonhando e lutando por um país melhor, como faço até hoje. Por um país melhor, mais justo e democrático, onde os políticos fossem servidores do povo e não se servissem do nosso povo. Vocês, repito, não imaginam quanto energia tirei daí. Como isso me jogou para diante, mesmo nos momentos mais difíceis.

E para os que nos imaginam derrotados, quero dizer: nós apenas estamos começando uma luta de verdade. Estamos no começo do começo. E vamos dar a nossa contribuição em defesa da pátria, da liberdade, da democracia, do direito que todos têm de falar e de serem ouvidos, da justiça social.

Vamos dar contribuição como partidos da nossa frente de partidos, como indivíduos, como parlamentares, como governadores.

Essa será a nossa luta dos próximos anos. Por isso a minha mensagem de despedida neste momento, não é um adeus é um até logo. A luta continua, viva o Brasil.

Vou aqui falar o último verso do nosso hino, que é muito significativo, que mais de uma vez eu disse na nossa campanha: “Mas se ergues da Justiça a clava forte,Verás que um filho teu não foge à luta, nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada, entre outras mil, és tu, Brasil, ó Pátria amada! Dos filhos deste solo és mãe gentil, pátria amada, Brasil! ”

sábado, 17 de julho de 2010

BANDEIRA DA ÉTICA DEIXADA DE LADO NA CAMPANHA.

A bandeira da ética, uma das armas mais temidas em eleições passadas, poderá até aparecer neste ano na campanha para a Presidência, mas sem a contundência de outros tempos.


Estrategistas das campanhas do ex-governador José Serra (PSDB) e das ex-ministras Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) disseram que não vão brandir denúncias de corrupção contra os adversários na propaganda eleitoral gratuita. Também vão fazer vista grossa para as contradições entre eventuais discursos sobre moralidade no serviço público e a formação de alianças com candidatos fisgados na rede da lei da Ficha Limpa.

O diretor-executivo da ONG Transparência Brasil, Cláudio Abramo, diz que os candidatos tentam se manter afastados de discussões sobre corrupção porque não querem abrir o flanco para ataques dos adversários. No xadrez político atual, com alianças baseadas apenas em conveniências políticas momentâneas, qualquer ofensiva pode redundar em contra-ataque. Ele sustenta que o tema, além de não atrair votos, é pouco compreendido.

“Esse assunto é evitado pelos candidatos. Em geral, eles não têm o que dizer, não têm noção das medidas que devem ser adotadas. Também tem acusações para tudo quanto é lado. Se o Serra usar o mensalão contra a Dilma, a Dilma usa o mensalão lá de Minas contra o Serra”, diz.

Mensalão

O escândalo do mensalão estourou em 2005, triturou o núcleo base do governo Lula e tirou o brilho de estrelas do PT, como o deputado cassado José Dirceu e os deputados José Genoíno e João Paulo Cunha. A onda de denúncias arrastou o PSDB de Minas Gerais, liderado à época pelo senador Eduardo Azeredo. No fim de 2009, outro mensalão implodiu o principal líder da nova geração do DEM, o ex-governador José Roberto Arruda.

“A usina de produção de dossiês é com o PT. A gente não sabe fazer isso. O PSDB tem notória dificuldade de tratar desse tema. Denúncias contra o governo Lula normalmente nascem em brigas na própria base do governo”, diz o presidente do PSDB, Sérgio Guerra.

O deputado José Eduardo Cardozo (PT) diz que denúncias de corrupção estão fora do esquadro. “Nossa ideia é fazer uma campanha propositiva. Não entraremos no denuncismo ou numa situação que saia do debate programático”. (Agência Globo)

“Justiça não pode ter dois pesos”, reclama Dilma

São Paulo

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, disse ontem em Jales (SP) que a Justiça Eleitoral não pode ter "dois pesos e duas medidas", numa referência aos elogios feitos pelo governador de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB), ao candidato tucano à Presidência, José Serra.

A vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, considerou "caso de abuso de poder político" as declarações elogiosas que o presidente Lula fez a Dilma em evento oficial ocorrido na terça-feira.

Já sobre as declarações de Goldman, Cureau afirmou que também configuram abuso de poder político. "Não pode, falando oficialmente como governador, dizer as coisas boas que Serra fez. Ele está indicando à população que Serra é a pessoa ideal para governar o país."

Zelo

Ela ainda não decidiu se vai abrir procedimento para apurar as declarações do governador, mas destacou que o PSDB tem demonstrado mais zelo e respeito à Lei Eleitoral do que o PT.

"Não vou entrar nessa polêmica com a procuradora", afirmou Dilma ontem. "Agora, acho que não se pode na vida ter dois pesos e duas medidas."

Dilma visitou Jales acompanhada do seu candidato a vice, Michel Temer (PMDB), do candidato a governador Aloizio Mercadante (PT-SP), dos candidatos paulistas ao Senado Marta Suplicy (PT) e Netinho de Paula (PC do B) e de seu assessor especial Antonio Palocci.

Ao ser questionado sobre os elogios que recebeu, Serra se limitou a dizer que "hoje, aqui em Ilhéus, não vai ter ti-ti-ti".

Serra e Dilma trocam de discurso na eleição

Rio

Uma análise de entrevistas e discursos dos presidenciáveis José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) desde o início oficial da campanha mostra um troca-troca de bandeiras. Na cartilha dos dois, a estratégia de neutralizar o discurso adversário, segundo especialistas.

O Bolsa-Família, um dos temas prediletos do tucano nas duas últimas semanas, foi abordado duas vezes mais por Serra do que pela candidata petista. Já Dilma tratou de economia e da desoneração tributária três vezes mais do que o tucano. A Saúde foi o assunto mais abordado pelos dois candidatos.

“Há uma inversão de papéis. Dilma repete que o candidato oposicionista vai acabar com programas sociais. Serra, então, tem um contradiscurso para insistir na defesa desses programas. Dilma, por sua vez, tem um discurso mais voltado para empresários, classe média e agricultores, afetados pela alta tributação. Essa inversão aquece a campanha, já que um entra no terreno do outro”, diz o historiador Marco Antônio Villa.

Economia

Nos discursos entregues ao Tribunal Superior Eleitoral, Serra cita o Bolsa-Família cinco vezes. Uma a mais do que Dilma. O assunto foi abordado pelo tucano em outras quatro entrevistas. Já Dilma citou quatro vezes o termo “economia” na primeira versão entregue ao TSE, enquanto Serra usou o termo quatro vezes. Marina, no registro de sua candidatura, não citou uma única vez o Bolsa-Família e falou sobre economia por três vezes. O tucano falou sobre Saúde 19 vezes – menos do que Dilma, que citou o termo em 23 momentos do discurso.

“Quando Serra diz que é pai do Bolsa-Família, toca talvez na maior peça chave da campanha de Dilma. Dilma, por sua vez, tem falado em desoneração, bandeira do PSDB”, diz o cientista político David Flescher, da UnB.

Para o cientista político Eurico Figueiredo, da Universidade Federal Fluminense (UFF), é legítimo que Serra, por estratégia eleitoral, se apresente como defensor do Bolsa-Família: “Não dá para combater política pública aplicada por um presidente com 77% de aprovação. Mas, às vezes, tenho impressão que o discurso da Dilma é o do Serra”. (Agência Globo)

Falta profundidade nas promessas, diz especialista

Rio

As promessas, repetidas em frases pelos candidatos nas entrevistas nos primeiros dez dias de campanha e expostas nos programas de governo apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostram, na avaliação de especialistas, falta de profundidade e de preocupação em esclarecer o modo como serão cumpridas. O que não surpreende, segundo o historiador Marco Antônio Villa.

“Candidatos falam de temas clássicos, como Saúde, Educação, transporte e Segurança. O eleitor não cobra como as coisas serão feitas, o Brasil não tem tradição de querer saber como vai ser feito. Quer ouvir a proposta. Então, o candidato bate na tecla de uma ideia. Discutir orçamento não é preocupação nem do Congresso”.

Na avaliação do cientista político Eurico Figueiredo, da UFF, existe, de fato, convergência entre os discursos de Dilma e Serra. As diferenças entre os dois, segundo ele, não ficam evidentes nos discursos. “Em relação ao papel do Estado na economia, ao investimento na área social, à luta contra a inflação, nenhum dos dois disputa”.

Como exemplos de discursos vagos, especialistas apontam as promessas de acabar com a “praga destruidora do crack”, presente nos discursos de Dilma. E “dar prioridade à qualidade do ensino”, promessa que Serra vem repetindo em suas entrevistas.

Nas entrevistas e discursos, Marina Silva, candidata do PV, tem falado sobre sustentabilidade e sobre o papel do Estado na economia. Está perdendo a chance, segundo especialistas, de tratar de temas que estão na ordem do dia. (Agência Globo)