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sábado, 7 de maio de 2011

QUE VENHA O REFERENDO!!!

Que venha o novo referendo pelo desarmamento. Votarei NÃO, como da primeira vez, e quantas forem necessárias. Até que os Governos Federal, Estaduais e Municipais, cada qual em sua competência, revoguem as leis que protegem bandidos, desarmem-os, prendam-os, invistam nos sistemas penitenciários, impeçam a entrada ilegal de armas no País e entendam de uma vez por todas que não lhe cabe desarmar cidadãos de bem.


Nesse ínterim, proponho que outras questões sejam inseridas no referendo:

Voto facultativo? SIM! Apenas 2 Senadores por Estado? SIM! Reduzir pela metade os Deputados Federais e Estaduais e os Vereadores? SIM!

Acesso a cargos públicos exclusivamente por concurso, e não por nepotismo? SIM!

Reduzir os 37 Ministérios para 12? SIM! Cláusula de bloqueio para partidos nanicos sem voto? SIM!

Fidelidade partidária absoluta? SIM!

Férias de apenas 30 dias para todos os políticos e juízes? SIM!

Ampliação do Ficha-limpa? SIM!

Fim de todas as mordomias de integrantes dos três poderes, nas três esferas? SIM!

Cadeia imediata para quem desviar dinheiro público? SIM!

Fim dos suplentes de Senador sem votos? SIM! Redução dos 20.000 funcionários do Congresso para um terço? SIM!

Voto em lista fechada? NÃO!

Financiamento público das campanhas? NÃO! Horário Eleitoral obrigatório? NÃO!

Maioridade penal aos 16 anos para quem tirar título de eleitor? SIM!

Um BASTA! na politicagem rasteira que se pratica no Brasil? SIM !!!!!!!!!!!
 
 A Carta publicada ontem no Globo.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

REFLEXÃO E AÇÃO.

Analfabeto (de cada quatro só um lê e interpreta um texto de uma página), inculto, com baixo indice de instrução , não deve ter direito a ter armas, assim como a bons governantes, não sabe escolhe-los; não pode dirigir carro, não devia nem ter carro para não matar os outros.


Deve ser sempre roubado pelos politicos que tem; não deve ter direito a transporte público decente, mas deve pagar caro por esse transporte;

deve pagar pela agua quase o dobro do que o americano paga; pagar a mais cara internet do mundo e ter uma das mais lentas bandas largas do mundo tambem; pagar as maiores tarifas telefonicas moveis do mundo e ter um serviço precário.

Deve pagar quase o dobro da luz que o americano paga, pagar a segunda mais cara gasolina do mundo, pagar mais pelo gas natural que sua grande Petrobras queima aos milhoes de m³ nas plataformas de campos por não fazer a armazenagem e distribuição conveniente; não ter estradas de ferro para passageiros e cargas suficientes , ter péssimas estradas de rodagem, nem entre as principais capitais do pais .

Enfim, esse povinho tem tudo o que merece ter......menos ser cidadão ou cidadania tão decantada pela propaganda oficial , regiamente paga as emissoras de rádio e televisão.

Mais:

Americanos tem mais de quatrocentos milhões de armas distribuidas á população e não assassinam 47000 pessoas por ano. Pelo menos no territorio deles!! Sua Associação Nacional de rifles tem dois milhões de afiliados. Praticam o tiro desportivo em familia. Fizeram a maior democracia do mundo com o cidadão portando sua arma para se defender de um possivel tirano no governo.

Tem a maior frota de automóveis do planeta e não matam ceerca 40.000 pessoas em acidentes de transito por ano, como os brasileiros.

Ingleses são proibidos de portar armas, afinal são tão educados que tem uma policia que não anda armada, só em ocasioes especiais, mas servem às forças armadas , a começar pela familia real e, praticam tiro ao alvo nos seus clubs de tiro.

Suiços guardam fuzis em casa, com munição e seu equipamento militar individual. Fazem exercicios regulares de tiro e produzem as melhores armas leves do mundo, junto com os austriacos. Não saem por la matando gente !

Austriacos tem tambem as melhores industrias de armas leves , assim como belgas. tchecos e ninguém faz campanha para fecharem suas fabricas.

Os "pacificos" suecos tem sua enorme Bofors e outras industrias belicas que me fogem o nome agora.

Os jovens israelenses, quando prestam o serviço militar, andam com fuzis a tira colo pelas ruas, vão ao cinema e discotecas com eles, tomam coca-cola nas lanchonetes com eles e não se matam, apesar de estarem em guerra com os palestinos. Nem estes se matam tanto a varejo quanto os brasileiros num ano! E tem muito mais armas.

E o Brasil só produz trabucos esses é que sobram para o povão se matar, não as sabem usar por falta de educação e por falta de uma mentalidade desportiva de pratica do tiro esportivo e, de quebra por ter um sistema legal castrador inepto e falido .

Tudo isso dá motivo para campanhas pacifistas ridículas que antes de tudo visam a RESTRINGIR O LIVRE ARBITRIO DO CIDADÃO E A SUA LIBERDADE
 
Celso Ferri

terça-feira, 26 de abril de 2011

DESARMAMENTO: A ALEGRIA DO CRIME!!! -- (Félix Maier)



História para quem esqueceu, ou nunca soube:

Em 1929, a União Soviética desarmou a população ordeira. De 1929 a 1953, cerca de 20 milhões de dissidentes, impossibilitados de se defenderem, foram caçados e exterminados.

Em 1911, a Turquia desarmou a população ordeira. De 1915 a 1917, um milhão e meio de armênios, impossibilitados de se defenderem, foram caçados e exterminados.

Em 1938, a Alemanha desarmou a população ordeira. De 1939 a 1945, 13 milhões de judeus e outros "não arianos", impossibilitados de se defenderem, foram caçados e exterminados.

Em 1935, a China desarmou a população ordeira. De 1948 a 1952, 20 milhões de dissidentes políticos, impossibilitados de se defenderem, foram caçados e exterminados.

Em 1964, a Guatemala desarmou a população ordeira. De 1964 a 1981, 100.000 índios maias, impossibilitados de se defenderem, foram caçados e exterminados.

Em 1970, Uganda desarmou a população ordeira. De 1971 a 1979, 300.000 cristãos, impossibilitados de se defenderem, foram caçados e exterminados.

Em 1956, o Camboja desarmou a população ordeira. De 1975 a 1977, um milhão de pessoas "instruídas", impossibilitados de se defenderem, foram caçados e exterminados.

Pessoas indefesas caçadas e exterminadas nos países acima, no século XX, após o desarmamento da população ordeira, sem que pudessem se defender: 56 milhões.

Há doze meses o governo da Austrália editou uma lei obrigando o proprietários de armas a entregá-las para destruição. 640.381 armas foram entregues e destruídas, num programa que custou aos contribuintes mais de US$ 500 milhões. Os resultados, no primeiro ano, foram os seguintes:

Os homicídios subiram 3.2%, as agressões 8.6%, os assaltos a mão armada 44%. Somente no estado de Victoria, os homicídios subiram 300%. Houve ainda um dramático aumento no número de invasões de residências e agressões a idosos. Os políticos australianos estão perdidos, sem saber como explicar aos eleitores a deterioração da segurança pública, após os esforços e gastos monumentais destinados a "livrar das armas a sociedade australiana".

Naturalmente, a população ordeira entregou suas armas, enquanto os criminosos ignoraram essa lei, como já ignoravam as demais.

O mesmo está acontecendo no Reino Unido. País tradicionalmente tranqüilo, onde até a polícia andava desarmada, adotou o desarmamento da população ordeira. Pesquisa realizada pelo Instituto Inter-regional de Estudos de Crime e Justiça das Nações Unidas revela que Londres hoje é considerada a capital do crime na Europa. Os índices de crimes a mão armada na Inglaterra e no País de Gales cresceram 35% logo no primeiro ano após o desarmamento. Segundo o governo, houve 9.974 crimes envolvendo armas entre abril de 2001 e abril de 2002. No ano anterior, haviam sido 7.362 casos.

Os assassinatos com armas de fogo registraram aumento de 32%. A polícia já está armada.

Nos Estados Unidos, onde a decisão de permitir o porte de armas é adotada independentemente por cada estado, todos os estados com leis liberais quanto ao porte de armas pela população ordeira têm índices de crimes violentos em muito inferiores à média nacional, enquanto os estados com maiores restrições ostentam índices de crimes violentos expressivamente superiores à média nacional. Washington, onde a proibição é total, é a cidade mais violenta dos EUA.

Você não verá as informações acima disseminadas na imprensa local. Com honrosas exceções, a imprensa está fechada com as ONGs internacionais que pregam o desarmamento, por mais perigoso e ineficaz, Deus sabe com que propósitos.

Armas em poder da população ordeira e responsável salvam vidas e defendem propriedade. Leis de desarmamento afetam somente a população ordeira.

Em 2003, com a aprovação do absurdo Estatuto do Desarmamento, o Brasil iniciou o processo de desarmar a população ordeira. Salvo engano, isso quer dizer Você. E se você não lutar contra isso, você ou sua família poderão ser as próximas vítimas indefesas.

Com armas, somos cidadãos. Sem armas, somos súditos. Quem desarma a vítima fortalece o agressor. Na hora do perigo, será que a polícia vai estar lá? Chamar a polícia pode levar alguns segundos, esperar por ela pode levar o resto da sua vida. Uma arma na mão é melhor que um policial ao telefone.

O Brasil tem a mania de andar na contra-mão da história. E aqueles que tomam, por nós, as decisões, estão confortavelmente protegidos pelo aparato de segurança do Estado, circulando em carros blindados, tudo pago pelo nosso dinheiro.

Quem não luta pelos seus direitos, não tem direitos.

Não atire para matar, mas atire para ficar vivo. Criminosos adoram o desarmamento das vítimas. Faz a atividade deles muito mais segura.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

DAVI E GOLIAS OU A PRAGA DO DESARMAMENTO.

Os “filisteus” não suportavam os “judeus”. Uma “gentalha”, acusavam.


Apesar de mais fortes e mais poderosos do que os seus vizinhos de hábitos simples, os “filisteus”, povo considerado à época, de claudicantes padrões morais, não se cansavam de maltratá – los, e queriam à força submetê – los, totalmente.

Por isso, com maciça propaganda (boataria...), alardeavam as qualidades e a onipotência de seus deuses e menosprezavam os hábitos (como a circuncisão...) e as suas crenças religiosas, dos "judeus", principalmente, o seu Deus.

Para isso, usavam de inúmeros artifícios, desde a promoção de diferenças raciais, financeiras, preferências sexuais etc, entre os “judeus”, como acusar os morenos de perseguirem os loiros, os ricos de explorarem os mais pobres, os com - rebanho de sacanear os sem, os sem - terra de acusar os com, os mais machos de achincalharem os menos, os da tribo A de serem melhores do que os da tribo B, etc.

Enfim, para os “filisteus” o que importava era enfraquecer para aniquilar os “pestilentos” desafetos.

Por serem mais fortes e ameaçadores oneravam o povo “judeu”, que com os pesados impostos, chafurdava na pobreza. Assim, a chacota e a desmoralização eram constantes.

No início, não era assim, mas pouco a pouco, de abuso em abuso, a “sociedade judaica” foi se subordinando, aceitando e, praticamente, era um povo escravo das maldades e atrocidades dos “filisteus”.

Até que, num belo dia da pugna anual, em que um guerreiro dos “filisteus” digladiar – se - ia com um representante “judeu”, estava para acontecer.

Era o dia da humilhação pública (o povaréu aglomerava - se nas colinas de Efes-Damim). O resultado há dezenas de anos era óbvio.

A surra seria tremenda. Demorava o tempo em que o representante “judeu” corria esbaforido fugindo das garras do herói “filisteu”. Depois, pego, o massacre impiedoso.

Naquele ano, tudo sinalizava o repeteco de sempre. De um lado Golias, o formidável, do outro; Davi, um tampinha.

O que falar de Golias? A não ser que era um gigante, um guerreiro imbatível. Do lado oposto, um esquálido cidadão.

Iniciada a peleia, Golias esbraveja, ameaça e ri. Seu adversário lhe causa frouxos de riso.

Do outro, a certa distancia, Davi e a sua funda. A diferença era tão grande e grotesca que nem o “judeu” mais otimista poderia imaginar o resultado.

Davi, sem temor, agacha – se, escolhe uma pedra no solo, coloca - a na sua funda e, agilmente, a rodopia em torno e acima de sua cabeça, até imprimir – lhe uma alucinante velocidade.

No momento certo, solta um dos lados da funda e a pedra desprende - se como um bólido letal.

A pedrada atingiu Golias na testa.

A certeira pancada arriou o gigante que dobrou os joelhos e caiu ao solo. Depois, Davi aproximou – se da besta inerme e cortou sua cabeça.

Vitória dos “judeus”, um delírio.

Os “filisteus”, assombrados reclamavam, principalmente, o mais radical deles, que sentenciou: “Eu não falei que era para proibir os "judeus" de terem armas, vocês viram o estrago que uma funda faz?”

Da breve estória, um lacônico ensinamento:

Se você é “filisteu”, ou simpatizante, vote a favor do desarmamento; se “judeu” ou a favor, vote contra”.

Valmir Fonseca Azevedo Pereira - http://bit.ly/esPl4B








ARMAR OU DESARMAR É SÓ MAIS UMA QUESTÃO.

Armar, desarmar, amar, desamar. O assassinato dos adolescentes em Realengo acionou inúmeras discussões adormecidas. Desde o princípio tive uma atitude pedestre diante dela, baseado na frase de Guimarães Rosa: quem mói no áspero não fantasia. A única pressa que se justificava diante do fato consumado era, no meu entender, discutir a pressa de prestar socorros. Quanto tempo é possível abreviar para que a polícia chegue ao lugar onde acontecem fatos como os de Realengo? Não seria interessante, pelo menos, colocar um alarme nas escolas e dotar todos as viaturas públicas de GPS? Mas o curso das discussões nos levou para outro lado. As interpretações psicológicas eram inevitáveis e, por mais delirante que pareçam, acabam contribuindo como uma forma de elaborar a dor.


Mas houve muita gente que desprezou qualquer raciocínio tático, qualquer busca tecnológica, argumentando que o problema são as relações entre as pessoas, mais amor, tolerância com as diferenças - enfim, todo um programa para uma sociedade harmônica que levará muito tempo a ser alcançada.

Os políticos são mais rápidos no gatilho. A ideia de reviver o plebiscito sobre a venda de armas é uma resposta direta que parece dar a cada um a tarefa de impedir que isso aconteça de novo, marcando o voto sim para proibir o comércio legal.

Não houve nenhuma reflexão sobre o plebiscito de 2005, em que a maioria, 64%, votou pelo direito de comprar armas. O raciocínio único é este: com o impacto emocional do massacre em Realengo, a opinião pública mudará sua opinião. A favor desse argumento se pode mencionar o caso da Escócia. Depois de um assassinato desse tipo, foi possível caminhar para a proibição da venda de armas no país. Mas as coisas aqui são diferentes.

Todos se lembram de que no plebiscito de 2005 a tese da proibição tinha maioria no Congresso e era esposada também pela imprensa e pela TV, com raras exceções. Estatísticas mostrando que usar armas era mais perigoso do que não usar foram apresentadas com insistência. Grande parte das armas que os bandidos portam foi tomada de pessoas de bem, já se dizia na época.

Mas, ainda assim, a maioria votou não. O que determinava sua posição era o medo de não poder comprar armas, cercada de bandidos fortemente armados. Esse medo não conseguimos alterar substancialmente no Brasil. Como esperar mudanças num novo plebiscito, contando apenas com o impacto emocional de Realengo? Fatos emocionais, sozinhos, são um bumerangue. Se Wellington tivesse sobrevivido, o grande debate hoje seria um plebiscito sobre a pena de morte.

Setores do governo abraçaram rapidamente a causa, porque, colocada nessa dimensão, ela obscurece o fracasso de nossa política de controle de armas ilegais. Numa viagem a Cali, documentei batidas para recolher armas em vários pontos da cidade. Funcionavam e ainda sinalizavam para futuros infratores que era difícil circular com armas ilegais em Cali.

Nada disso é feito no Brasil. Não temos nenhum esquema especial de controle nas estradas nem avançamos nos entendimentos diplomáticos com EUA e Paraguai com o objetivo de controlar, eventualmente, a vinda de armas desses países. Os EUA, como centro de venda, e o Paraguai, como plataforma de reinserção de armas compradas no Brasil, podem contribuir muito para nossos objetivos.

Em vez de apresentar um plano crescente de combate às armas ilegais, um calendário em que se possam observar os avanços, conjugação com queda dos índices de criminalidade, o Brasil volta ao tema de 2005 apenas com o pavor do crime de Realengo nas mãos.

A maioria do povo brasileiro não aplica derrotas como a do plebiscito de 2005 apenas por aplicar. Ela nos transmite ensinamentos. Não se pode comparar sua atitude mecanicamente com a americana. Aqui, 64% optaram pelo direito de comprar armas, mas não necessariamente as compraram: no Brasil há 16 milhões de armas, ante 270 milhões nos EUA.

Tenho medo de esse debate resvalar para a aspereza das discussões de 2005 no Congresso e ofuscar nossas propostas, como a de analisar minuciosamente e com calma o crime de Realengo. Numa análise desse tipo, concluiremos que a chegada da polícia ao colégio foi acidental. Precisamos calcular quanto tempo levaria o socorro em circunstâncias normais, o que fazer para encurtar esse tempo. Wellington ainda tinha 66 balas quando morreu. Isso também é assustador.

Outro aspecto que pode ser ofuscado é o debate sobre a segurança nas escolas. Alguns intelectuais apostam apenas na convivência tolerante e amorosa. Acontece que o mundo mudou. É o que experimento no Rio, nestes anos em que discutimos as escolas em áreas vulneráveis. Desastre naturais, bandidos em fuga desesperada, balas perdidas, tráfico de drogas e agora a síndrome de Amok, como chamam no exterior essa fúria assassina, são muitos os fatores que indicam a necessidade de uma reavaliação.

Um professor que escapou na Escola Tasso da Silveira teve de pedir emprestado o telefone celular para pedir socorro. Isso não seria necessário em escolas preparadas para algumas emergências.

Desde o princípio do debate, firmou-se a tese de que o atentado em Realengo era inevitável. Tese correta, considerando que em muitos outros países, com esquemas mais sofisticados de segurança, isso também aconteceu. Mas tanto a tese da inevitabilidade como a proposta oportunista do plebiscito não podem inibir aqueles que querem lutar contra o inevitável, por caminhos modestos e práticos. A morte também é inevitável e todos os dias trabalhamos para prolongar a vida.

Será preciso esperar que as coisas se acalmem para nos sentarmos e começarmos a perguntar coisas mais simples. Uma delas diz respeito ao governo: se o Estatuto do Desarmamento não é aplicado com rigor e imaginação, como esperar saída em mais um plebiscito? Derrotado em 2005, troco agora o lugar de Quixote pelo de Sancho Pança, para advertir, como ele: olhe mestre, olhe bem o que está falando.

Fernando Gabeira - O Estado de S.Paulo




PLEBISCITO OPORTUNISTA.

Numa explícita demonstração de oportunismo político, com o qual tenta reconstituir alguns traços de sua desgastada imagem popular, o presidente do Senado, senador José Sarney (PMDB-AP), apresentou - com o generoso e igualmente oportunístico apoio de 26 de seus pares, incluindo os líderes dos partidos governistas - projeto de decreto legislativo que convoca novo plebiscito nacional no qual a população dirá se concorda ou não com a proibição da venda de armas de fogo e munição no País.


Trata-se de matéria vencida, sobre a qual a população já deu sua opinião muito clara. Em outubro de 2005, convocados para manifestar-se sobre a proibição do comércio de armas de fogo, os eleitores deram esmagadora vitória ao "não", que obteve 64% dos votos, contra 36% favoráveis à proibição. Portanto, se o projeto for aprovado pelas duas Casas do Congresso, os brasileiros terão de se manifestar novamente, no dia 2 de outubro, sobre questão que já resolveram de maneira tão peremptória. Um desperdício de tempo e dinheiro público.

A questão só está sendo trazida ao debate por interesse pessoal de quem tenta aproveitar um momento de grave preocupação social com a segurança pública, provocada pelo bárbaro assassínio, cometido por um psicopata, de 12 estudantes na Escola Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio de Janeiro. Políticos espertos não perdem a oportunidade para, em nome de boas causas, mas mesmo à custa da razão e do bom senso, e às vezes até dos princípios, apresentar-se ao público como autores de uma iniciativa salvadora.

A proibição da venda de armas de fogo é uma dessas ideias que de tempos em tempos ressurgem. Desta vez, esclareceu o senador maranhense do Amapá, não se propõe um referendo, como foi a consulta popular de 2005, porque, nesta modalidade, o eleitor é chamado a decidir sobre algo que já existe. "O plebiscito é para consultar (a população) sobre se nós podemos ou não modificar lei que já existe", completou Sarney.

Esta explicação sobre a diferença entre referendo e plebiscito é a única coisa útil na iniciativa de Sarney. A proposta, em si, é inútil. Por que chamar novamente a população para se manifestar sobre algo a respeito do qual já deu sua opinião clara há seis anos? Desde então não mudaram as regras do convívio social, nem o quadro da criminalidade que atormenta o País, nem as políticas do governo para conter a violência e o banditismo, a ponto de justificar nova consulta.

Lembre-se, a propósito, que uma consulta popular tem custos para os contribuintes. O referendo de 2005 custou R$ 252 milhões aos cofres públicos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. Por que não utilizar o dinheiro para melhorar as condições operacionais dos órgãos de segurança pública, em vez de realizar uma consulta desnecessária?

A nova consulta é improcedente não apenas porque a resposta já é conhecida, mas, sobretudo, porque uma eventual proibição do comércio de armas de fogo não impedirá que os criminosos continuem a obtê-las pelos mesmos métodos que utilizam hoje. Bandidos em geral não usam armas legalizadas, muito menos registradas em seu próprio nome. Psicopatas com impulsos homicidas - como foi o caso do autor do morticínio em Realengo -, tampouco. Eles as adquirem no mercado clandestino e é isso o que, com ou sem proibição, continuarão a fazer.

Ninguém contesta que a circulação de armas de fogo deve ser rigorosamente controlada pelas autoridades. Mas sua atenção deve estar centrada no combate ao comércio ilegal. Aí está, de fato, um dos caminhos importantes para reduzir a criminalidade. A proibição do comércio de armas é apenas "uma cortina de fumaça", para desviar a atenção dos problemas de segurança pública, como observou o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante.

Além disso, a proibição desarma o cidadão honesto, sem desarmar o criminoso. Não reduz a criminalidade e fere direitos e garantias individuais, como o exercício da legítima defesa por quem é ameaçado por um bandido armado. Na busca apenas de votos e prestígio, os que propõem a proibição omitem esses aspectos de sua proposta.

Fonte: O Estadão