terça-feira, 17 de maio de 2011

PALOCCI: COBRANÇA DA FATURA.

O Palácio do Planalto na era Dilma Rousseff vive sua primeira tormenta, tendo no centro do furacão seu principal ministro, Antonio Palocci (Casa Civil). Momento visto pela base aliada como a oportunidade tão esperada para cobrar o atendimento de pedidos esquecidos nos escaninhos do Planalto.
É o velho filme de sempre. A cada crise no governo de plantão, os chamados aliados costumam se dividir em duas alas. A dos que buscam apoiar de imediato o ministro em apuros para se tornarem credores confiáveis. E a dos que fazem cobranças públicas por se considerarem alijados. Afinal, não veem motivos para defender quem não lhes estende a mão.
Por enquanto, o grupo dos que hipotecam apoio a Palocci é maioria. Nem todos o fazem com sinceridade. Muitos cumprem apenas a encenação necessária diante da crença de que a tormenta passará e o ministro seguirá a vida no comando da Casa Civil. Reservadamente, alguns chegam a dizer que ele deveria dar explicações mais detalhadas para o aumento de seu patrimônio revelado pela Folha.
Cobrança que alguns petistas estão fazendo publicamente. Não deixam de defender o aliado, mas em seguida acrescentam que seria interessante Palocci esclarecer publicamente o que sua empresa de consultoria, a Projeto, fazia, quanto faturava, buscando eliminar qualquer tipo de dúvida sobre a origem dos recursos que bancaram a compra do apartamento de R$ 6,6 milhões em São Paulo.
O fato é que Palocci terá de conviver, nos próximos dias, com esses dois tipos de aliados. O risco, para ele, é o grupo dos que fazem cobranças aumentar de acordo com o desenrolar do noticiário. Risco que, na avaliação de amigos, existe, na medida em que o ministro da Casa Civil decidiu não revelar nenhum detalhe sobre o cotidiano de sua empresa de consultoria.
Sua decisão só faz reforçar o argumento daqueles que enxergam irregularidades em seus negócios privados. Quanto mais se recusa a dar detalhes sobre as atividades de sua consultoria, mais estimula seus inimigos e pretensos aliados a levantarem questionamentos sobre a lisura dos serviços que prestava. Ainda mais tendo sido ele ministro da Fazenda e muito próximo do ex-presidente Lula, alguém com acesso a gabinetes de Brasília. Ou seja, argumentos e dados seus adversários têm de sobra para dispararem torpedos na sua direção.
Tendo já enfrentado outras crises, Palocci sabe muito bem que todo aquele que decide atuar na vida pública corre riscos e deveria estar preparado para não deixar perguntas sem respostas. Por sinal, essa deveria ser uma regra básica para todo aquele que decide ter um cargo público. Estar preparado para responder todo e qualquer tipo de questão sobre dados que possam, de uma forma ou de outra, interferir no seu trabalho

Valdo Cruz - Folha.com

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