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sábado, 29 de outubro de 2011

OS ENEMGANADOS

Estudantes protestam nas ruas e pedem a saída do ministro Haddad. Justiça dá três dias para MEC se pronunciar sobre o pedido de anulação do Enem em todo o país.

Surge nova denúncia de vazamento de questões em Minas Gerais. MP estipula prazo para que a autarquia do MEC se posicione

Adenúncia de que uma questão igual à cobrada no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi aplicada em um simulado do colégio Bernoulli, em Minas Gerais, pode derrubar a tese defendida pelo Ministério da Educação (MEC) de que o problema do vazamento está restrito à escola particular Christus, em Fortaleza. Nos últimos dias, a pressão por um tratamento nacional às falhas no exame ganhou corpo, apesar de o MEC ainda manter uma posição defensiva. Em Fortaleza, cerca de 300 estudantes realizaram, na sede do Ministério Público Federal, um protesto intitulado Enemganados.

Ontem, a Justiça Federal do Ceará estipulou que, até segunda-feira, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) tem que se pronunciar sobre o pedido de cancelamento total ou parcial do Enem, feito pelo procurador da República Oscar Costa Filho. Responsável pela vara, o juiz Luis Praxedes Vieira da Silva reconhece o caráter de urgência da medida e disse que decidirá com ou sem manifestação do governo. O MEC afirmou que vai recorrer da decisão.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse ter a convicção de que os professores do colégio Christus, em Fortaleza, foram os responsáveis pela reprodução e pela distribuição das questões do pré-teste aos alunos. Segundo ele, com base no monitoramento das redes sociais, é possível se chegar a essa conclusão. Haddad ainda descartou a possibilidade de as apostilas terem circulado em outras escolas.

Investigações preliminares da Polícia Federal (PF) apontam que as nove questões copiadas estavam em dois cadernos diferentes do pré-teste. Segundo a assessoria do MEC, dois alunos do colégio Christus faltaram no dia da aplicação do pré-teste. Por isso, há suspeitas de que o vazamento teria vindo dessas duas provas, que se tornaram "extras" no momento da aplicação. "Já sabemos que a falha aconteceu dentro do colégio (de Fortaleza) e para benefício do colégio. Houve um ato criminoso que não foi cometido pela empresa aplicadora", afirmou o ministério, em nota. Em contrapartida à declaração, a assessoria de imprensa da PF afirma ainda ser cedo para apontar culpados no caso, já que a investigação está no início.

Para o defensor público federal Ricardo Salviano, o MEC não pode se eximir da responsabilidade dos processos que envolvem o Enem. "De qualquer forma, se a prova vazou, houve falha. E o responsável pelo exame sempre será o Inep. A responsabilidade em garantir uma organização e uma fiscalização adequada do exame como um todo é do ministério", avalia. A Ordem dos Advogados do Brasil também defendeu, ontem, a anulação do exame. Para o presidente da entidade, Ophir Cavalcanti, não há garantias de que as provas que vazaram ficaram restritas a um colégio ou a um estado.

Mais pressão
Após pedido do Ministério Público Federal do Ceará para anular o Enem 2011, a Defensoria Pública da União confirmou ontem que fez a mesma recomendação ao Inep. O Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG) também entrou com pedido de anulação do exame em todo o país depois que mais de 100 escolas do estado entraram em contato com a instituição para cobrar medidas. "Nós acreditamos que, com a velocidade da internet e os telefones celulares, essas informações podem ter se espalhado rápido demais", disse Emiro Barbini, presidente do Sinep-MG.
Em Fortaleza e nas cidades gaúchas de Porto Alegre e Santa Maria estudantes iniciaram o que eles próprios prometeram, em redes sociais da internet, tratar-se de uma onda de protestos contra o Enem.

Na capital cearense, com nariz de palhaço, faixas e pinturas no rosto, os estudantes pediram a saída do ministro. Outros 300 manifestantes marcharam no interior do Rio Grande do Sul, com palavras de ordem contra o exame. Parte do grupo pedia o retorno do vestibular nas universidades federais ou a criação de provas semelhantes ao Enem, mas regionalizadas. Na capital gaúcha, os estudantes marcaram presença, em forma de protesto, na abertura 57ª edição da Feira do Livro

Fonte: Correio Brasiliense

segunda-feira, 6 de junho de 2011

MEC - 14 MILHÕES PARA ENSINAR QUE 10-7=4

BRASÍLIA - O Ministério da Educação pagou R$ 13,6 milhões para ensinar que dez menos sete é igual a quatro a alunos de escolas públicas da zona rural do país. No segundo semestre de 2010, foram distribuídas com erros graves 200 mil exemplares do Escola Ativa, material destinado às classes que reúnem alunos de várias séries diferentes.

Foram impressos ao todo 7 milhões de livros – cada coleção do Escola Ativa contém 35 volumes. Os erros foram detectados no início do ano, e um grupo de especialistas contratados pelo ministério julgou que eles eram tão graves, tão grosseiros e tão numerosos que não bastava divulgar uma “errata” à coleção.

Os livros com erros foram distribuídos a 39.732 classes multisseriadas da zona rural, presentes em 3.109 municípios e todos os Estados do país. Segundo publicação do MEC, essas classes atendem 1,3 milhão de alunos.

Provocado pelo Estado, o ministro da Educação, Fernando Haddad pediu à Controladoria-Geral da República (CGU) a abertura de sindicância para apurar o tamanho do prejuízo e os responsáveis por ele. Ao mesmo tempo, mandou uma carta aos coordenadores de escolas da zona rural recomendando que os livros do Escola Ativa não sejam usados em sala de aula. A coleção foi retirada do ar também na internet.

“O número de erros é razoável, isso não se resolve com errata”, disse Haddad ao estado, na tarde desta sexta-feira. A reportagem busca informações do MEC sobre o destino da coleção Escola Ativa desde segunda-feira. “Houve uma falha de revisão, essa revisão foi muito malfeita”, admitiu o ministro, insistindo que se trata de um material de apoio às classes multisseriadas no campo. “A interrupção do uso não vai comprometer o ensino, porque esse é um material de uso opcional”, completou.

A última versão da coleção do Escola Ativa teve a impressão encomendada à gráfica e editora Posigraf, de Curitiba. Segundo registro no Portal da Transparência, site mantido pela Controladoria-Geral da União, o trabalho custou aos cofres públicos exatos R$ 13.608.033,33.

O dinheiro seria suficiente para a construção de 36 escolas de educação infantil, segundo cálculo usado recentemente pelo próprio ministério. As 200 mil coleções foram impressas e distribuídas no segundo semestre do ano, sem que percebessem as falhas na edição.

Erros primários. O MEC informou não ter toda a coleção disponível para a consulta em Brasília. Mas, entre os exemplos que condenaram a edição, os erros de matemática são os mais notáveis. Na página 29 do Guia 4 de Matemática, o Escola Ativa convida os alunos a fazer descobertas com números, na companhia dos personagens Joana e Pedro. A página apresenta uma tabela na qual, na qual 10-7=4.

A página 138 do Guia 3, também de Matemática, apresenta tabelas de adição e subtração, para que os alunos confiram os resultados de operações com números entre 9 e 18. Nas tabelas, o Escola Ativa, o aluno da zona rural aprende que 16-8=6 e 16-7=5.

A pedido do MEC, a Controladoria-Geral da República deve abrir sindicância nesta segunda-feira para investigar o caso. O secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do MEC à época da contratação era André Lázaro, atual secretário executivo da Secretaria Nacional de Direitos Humanos. Na última segunda-feira ele disse que a coleção ficara indisponível “para pequenas correções”. Na sexta, não respondeu à reportagem.

Fonte: O Estadão

domingo, 22 de maio de 2011

A EDUCAÇÃO EM MARCHA À RÉ.

Além do atraso com que foi enviado ao Congresso, o Plano Nacional de Educação (PNE) para 2011-2020 não deverá ser aprovado tão cedo. Ele está em fase de audiências públicas e, em seguida, será examinado por uma comissão de especialistas escolhidos no mês passado.
As mais importantes das 20 metas do PNE propõem para os próximos dez anos a criação de 4,3 milhões de vagas em creches e pré-escolas, a erradicação do analfabetismo, a redução em 50% do analfabetismo funcional, a adoção do ensino em tempo integral em 50% das escolas públicas, o aumento em 33% do número de vagas no ensino superior e a equiparação do salário médio dos professores das escolas públicas com formação superior ao rendimento de profissionais de outros setores com escolaridade equivalente - o que implicará um aumento de 60% a 1,9 milhão de professores.
As metas são ambiciosas e os especialistas em educação e finanças discutem se a União, os Estados e os municípios terão recursos suficientes para atingi-las. Pelos cálculos do Ministério da Educação, a implantação do PNE deverá custar cerca de R$ 61 bilhões aos cofres públicos. Já os especialistas em investimentos educacionais falam em R$ 80 bilhões. O projeto determina que os governos federal, estaduais e municipais ampliem progressivamente o investimento público em educação até atingir 7% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2020. Esse porcentual estava previsto no PNE válido para o período 2001-2010, mas, segundo as entidades do setor educacional, a meta não foi cumprida. Atualmente, o País investe 5% do PIB em educação.
Os especialistas afirmam que, a exemplo do que ocorreu com o último Plano, o novo PNE não define com clareza a responsabilidade financeira de cada ente da Federação. Também não fecha as brechas que permitem aos Estados e municípios contabilizar na conta da educação itens que nada têm a ver com atividade de ensino.
Havendo poucos pontos objetivos a debater, as discussões em torno do PNE acabam sendo extravagantes. Entidades ligadas à educação, por exemplo, estão propondo que o investimento público no setor atinja no mínimo 10% do PIB no final da década - o que é irrealista. Em nome da "valorização do magistério público", sindicatos e associações corporativas pleiteiam que os salários dos professores do ensino básico sejam equiparados aos vencimentos dos professores do ensino superior. E, a título de subsidiar os debates, o Ministério da Educação acaba de enviar para a Câmara dos Deputados dois documentos - nenhum dos quais esclarece quais serão as fontes de recursos para o setor educacional nos próximos dez anos.
Em entrevista ao jornal Valor, o ministro Fernando Haddad acrescentou pouco ao óbvio, dizendo que o dinheiro dependerá do crescimento da economia e do aumento da arrecadação da União, dos Estados e dos municípios. Já os especialistas em educação e orçamento alegam que os dois documentos do MEC tornaram o debate ainda mais confuso, uma vez que trazem dados que não constam da versão original do PNE. Além disso, consultores da União Nacional dos Secretários Municipais da Educação questionam o valor escolhido pelo MEC para calcular a ampliação da oferta de vagas no ensino básico nos próximos dez anos. Segundo eles, as autoridades educacionais subestimaram o gasto efetivo por aluno na educação infantil e na educação de jovens e adultos, o que afetou a estimativa dos recursos que serão necessários com a inclusão de novos alunos.
A tramitação do PNE é mais uma evidência da incapacidade das autoridades educacionais de promover a melhora no ensino. Há um ano, o Conselho Nacional de Educação aprovou parecer detalhando o que considera ser indispensável para melhorar a qualidade do ensino. O documento define número médio de alunos por turma, piso salarial do magistério e quantidade de livros, dicionários, equipamentos eletrônicos e cadeiras por escola. Até hoje, porém, o MEC não decidiu se homologa ou rejeita a proposta. Simplesmente, não sabe o que fazer.

Fonte: - O Estado de S.Paulo

sexta-feira, 20 de maio de 2011

LIVRO PRA INGUINORANTES.

Confeço qui to morrendo de enveja da fessora Heloisa Ramos que escrevinhou um livro cheio de erros de Português e vendeu 485 mil ezemplares para o Minestério da Educassão. Eu dou um duro danado para não tropesssar na Gramática e nunca tive nenhum dos meus 42 livros comprados pelo Pograma Naçional do Livro Didáctico. Vai ver que é por isso: escrevo para quem sabe Portugues!

A fessora se ex-plica dizendo que previlegiou a linguagem horal sobre a escrevida. Só qui no meu modexto entender a linguajem horal é para sair pela boca e não para ser botada no papel. A palavra impreça deve obedecer o que manda a Gramática. Ou então a nossa língua vai virar um vale-tudo sem normas nem regras e agente nem precisamos ir a escola para aprender Português.

A fessora dice também que escreveu desse jeito para subestituir a nossão de “certo e errado” pela de “adequado e inadequado”. Vai ver que quis livrar a cara do Lula que agora vive dando palestas e fala muita coisa inadequada. Só que a Gramatica eziste para encinar agente como falar e escrever corretamente no idioma portugues. A Gramática é uma espéce de Constituissão do edioma pátrio e para ela não existe essa coisa de adequado e inadequado. Ou você segue direitinho a Constituição ou você está fora da lei - como se diz? - magna.

Diante do pobrema um acessor do Minestério declarou que “o ministro Fernando Adade não faz análise dos livros didáticos”. E quem pediu a ele pra fazer? Ele é um homem muito ocupado, mas deve ter alguém que fassa por ele e esse alguém com certesa só conhece a linguajem horal. O asceçor afirmou ainda que o Minestério não é dono da Verdade e o ministro seria um tirano se disseçe o que está certo e o que está errado. Que arjumento absurdo! Ele não tem que dizer nada. Tem é que ficar caladinho por causa que quem dis o que está certo é a Gramática. Até segunda ordem a Gramática é que é a dona da verdade e o Minestério que é da Educassão deve ser o primeiro a respeitar.

Carlos Eduardo Novaes, Jornal do Brasil







quarta-feira, 18 de maio de 2011

A PEDAGOGIA DA IGNORÂNCIA.

Ao anunciar que o Ministério da Educação (MEC) não recolherá o livro didático com erros gramaticais distribuído a 485 mil estudantes, o ministro Fernando Hadad voltou a ser protagonista de confusões administrativas. Depois das trapalhadas que cometeu na aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio em 2009 e 2010, agora ele afirma que não pode interferir no conteúdo das publicações adquiridas pelo Programa Nacional do Livro Didático nem julgar o que é certo ou errado em matéria de português, cabendo-lhe apenas decidir o que é "adequado" em política pedagógica.

Com isso, embora tenha por diversas vezes prometido melhorar a qualidade do ensino fundamental, Haddad, paradoxalmente, endossou a pedagogia da ignorância. Produzido por uma ONG e de autoria da professora Heloísa Ramos, o livro Por uma vida melhor defende a supremacia da linguagem oral sobre a linguagem escrita, admitindo que "é certo falar errado". Corrigir o erro é "preconceito". A tese não é nova, já foi rechaçada pela Academia Brasileira de Letras e sempre foi duramente criticada nas faculdades de pedagogia. Além disso, o livro do MEC que admite erro de português não é uma obra de linguística, mas uma publicação pedagógica. Não foi escrito para linguistas, mas para quem precisa de um bom professor de português para ler, falar e escrever de modo correto - condição básica para que se possa emancipar culturalmente.
"Não tem de se fazer livros com erros. O professor pode falar na sala de aula que temos outra linguagem, a popular. Os livros servem para os alunos aprenderem o conhecimento erudito", diz a professora Míriam Paura, do Programa de Pós-Graduação em Educação da UERJ. "Uma coisa é compreender a evolução da língua, que é um organismo vivo. A outra é validar erros grosseiros. É uma atitude de concessão demagógica. É como ensinar tabuada errada. Quatro vezes três é sempre doze, seja na periferia ou no palácio", afirma o escritor Marcos Vilaça, presidente da ABL.
Sem argumentos para refutar essas críticas, o MEC alegou que a aquisição do livro Por uma vida melhor foi aprovada por "especialistas", com base em parecer favorável de docentes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e afirmou que o edital para a aquisição de livros didáticos enfatiza a importância de "novos tipos de reflexão sobre o funcionamento e as propriedades da linguagem em uso" e da "sistematização dos conhecimentos linguísticos correlatos mais relevantes". Isso dá a medida da falta de rigor do processo de escolha, que "desperdiça dinheiro público com material que emburrece, em vez de instruir", como diz a procuradora da República Janice Ascari.
A autora do livro politizou a discussão. "No tempo em que só a elite ia para a escola, talvez a norma culta bastasse. Hoje, com o acesso da classe popular, a formação tem de ser mais ampla. Nosso livro é direcionado para aquele que pode ter sido discriminado por falar errado", disse ela. Em outras palavras, exigir a correção de linguagem é ser preconceituoso. A reação foi imediata. "É um absurdo esse paternalismo condescendente de não corrigir erros gramaticais. Com isso, consolida-se o conceito de coitadinho, pernicioso e prejudicial ao desenvolvimento dos cidadãos. Qualquer um pode cometer os barbarismos linguísticos que quiser, mas deve saber que eles só se sustentam dentro de um contexto e têm preço social", diz a escritora Ana Maria Machado, doutora em Linguística e Semiologia, integrante da ABL e ganhadora do Prêmio Hans Christian Andersen - o Nobel da literatura infantil.
Como o País tem um padrão de ensino reconhecidamente baixo, o que se deveria esperar do MEC é um mínimo de responsabilidade na escolha dos livros didáticos distribuídos na rede pública. Ao impor a pedagogia da ignorância a pretexto de defender a linguagem popular, as autoridades educacionais prejudicam a formação das novas gerações.
É por isso que um grupo de membros do Ministério Público, liderado pela procuradora Janice Ascari, anunciou que processará o MEC por "crime contra a educação".

Fonte: O Estadão - http://bit.ly/m1qYlx

segunda-feira, 16 de maio de 2011

SE PELO MENOS ENSINASSEM PORTUGUÊS.

Os brasileiros falam de muitos modos. Há alguns programas de rádio no Nordeste que são simplesmente incompreensíveis para os paulistas. Um linguajar gaúcho bem cantado soa difícil em Manaus. Mas, quando se trata de estudar Matemática ou Ciências, todos os alunos brasileiros precisam saber o português, digamos, oficial, a chamada norma culta. Ou, ainda, quando uma companhia de Tecnologia da Informação (TI) lança um novo produto, uma máquina têxtil, por exemplo, o manual estará escrito no português normatizado, o dos dicionários.

Logo, as escolas brasileiras devem ensinar esse português, certo? Não é bem assim - é o que estão dizendo professores e linguistas alinhados na tese de que não há o certo e o errado no uso da língua. Há apenas o adequado e o inadequado. Assim, "nós pega o peixe" não está errado. E se alguém disser que é, sim, errado, estará cometendo "preconceito linguístico".

Essa tese se encontra no livro Por Uma Vida Melhor, da Coleção Viver, Aprender (Editora Global), que foi adotado, comprado e distribuído pelo Ministério da Educação a milhares de alunos. Daí a polêmica: trata-se de um livro didático, não apenas de uma obra de linguística.

Mas a polêmica está tomando caminhos equivocados. O pessoal favorável a essa tese argumenta com a variedade da língua falada e com a evolução permanente da língua viva, acrescentando algumas zombarias com o que consideram linguajar culto, das elites, mas que não passa de um falar empolado.

Um velho amigo se divertia fazendo frases assim: "ele saiu em desabalada carreira pela via pública", em vez de "ele foi correr" ou "fazer jogging".

Brincadeiras. No entanto, um aluno de 15 anos deveria rir dessa brincadeira.

O que o senhor acha, caro leitor? O aluno médio de uma escola pública brasileira perceberá o jogo com aquelas palavras? Entenderá sem esforços que se trata de um modo rococó de dizer algo simples?

Eis o equívoco em que nos estamos metendo. Em vez de tomar como prioridade absoluta o ensino da língua "oficial", aquela na qual vêm escritos os jornais, os manuais de TI, os livros de Matemática e os de Ciências, abre-se um debate para dizer que as crianças brasileiras podem falar e escrever "os menino pega os peixe".

É claro que podem. Mas precisam saber que esse não é o correto. E, se não souberem o correto, não poderão ler aquilo que os vai preparar para a vida profissional e para a cidadania.

Vamos falar francamente: uma pessoa que se expressa mal, que conhece poucas palavras e poucas construções, é uma pessoa que pensa mal, que compreende pouco.

Os alunos de Xangai foram muito bem no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês) - o teste internacional para jovens do ensino médio, aplicado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A prova avalia o conhecimento da língua, Matemática e Ciências. Na imensa China, entre 1,35 bilhão de habitantes, falam-se muitas línguas e muitos dialetos. Mas há uma língua oficial, escrita e falada, na qual os chineses estão alcançando posições de ponta na ciência e na tecnologia. Ensinam a língua intensamente.

Os alunos brasileiros vão mal no Pisa. Apresentam baixíssimo índice de compreensão de textos. Não sabem Português, e esse é um problema social e econômico. A baixa educação simplesmente condena à pobreza.

Dizer aos meninos, em livros didáticos, que "nós pega o peixe" está certo não é apenas um equívoco, é um crime. E discutir essas teses é perda de tempo, energia e dinheiro.

É como se tivessem desistido. Como não se consegue ensinar o Português, então vale o modo errado. E quem pensa diferente é preconceituoso. E então não precisa ensinar mais nada, não é mesmo?

Nossos professores, educadores e linguistas deveriam concentrar seus esforços num tema: como ensinar a língua culta para todos os alunos das escolas públicas e rapidamente. Conseguido isso, depois que nossas notas no Pisa alcançarem os primeiros lugares, então, tudo bem, vamos discutir as variações e os modos populares.

Nada de mais. O ex-vice-presidente da República e ex-senador Marco Maciel tem certamente uma ampla experiência política para transmitir. Mas não em assuntos de turismo e trânsito na cidade de São Paulo.

Mesmo assim, o prefeito Gilberto Kassab o nomeou conselheiro da São Paulo Turismo e da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), cargos que exigem uma reunião mensal e pagam R$ 6 mil ao mês, cada.

Maciel aceitou. E desistiu das vagas na quinta-feira, 15 dias depois de ter sido nomeado. Disse que vai continuar lutando pelos "princípios sociais-liberais".

O prefeito não falou nada. Nomeou, desistiu, pronto, não tem nada de mais.

E, entretanto, os dois políticos revelaram um total descaso pelo cidadão (e contribuinte) paulistano.

O trânsito em São Paulo é um desastre. A cidade se pretende de "turismo de negócios", mas não tem hotéis nem centros de convenção suficientes nem estádio para a Copa do Mundo. Não há nenhum programa estrutural do prefeito para esses dois gargalos da metrópole.

Ou seja, nem Kassab poderia ter nomeado nem Maciel ter concordado. Só desistiram porque pegou mal na imprensa. Nenhum pedido de desculpas. Danem-se os moradores presos no trânsito

Carlos Alberto Sardenberg - O Estado de S.Paulo

segunda-feira, 2 de maio de 2011

DOUTRINAÇÃO POLITICA.

Parlamentares do PSDB pedirão a convocação do ministro da Educação, Fernando Haddad, para esclarecer a aprovação e distribuição de livros didáticos que exaltam a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva e criticam o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O senador Cyro Miranda (GO) vai apresentar requerimento à Comissão de Educação, anunciou o líder tucano no Senado, Alvaro Dias (PR). Na Câmara, o deputado Rogério Marinho (RN) encaminhará um pedido de informação ao ministro e cobrará providências, como o recolhimento das obras.


De acordo com a Folha de S. Paulo, 97% das escolas públicas do país receberam o material que viola uma regra básica do próprio ministério: a ausência de doutrinação política nas obras utilizadas. Alvaro Dias classificou a distribuição de “procedimento deplorável do governo” e disse que as escolas deveriam devolver os livros utilizados com objetivos escusos. “É inadmissível querer transformar a escola em comitê eleitoral. Não creio que o livro didático seja o espaço ideal para esse debate. Há inúmeras outras razões para sua existência”, apontou.

Para o senador, a utilização de materiais escolares com o propósito da ideologização é algo oriundo de outra época e “remonta às escolas alemãs do período nefasto do Nazismo”. Segundo ele, essa é uma prática que deve ser combatida, principalmente porque o livro didático precisa ser um instrumento puramente pedagógico.

Rogério Marinho comparou o episódio às atitudes do governo Hugo Chávez, e afirmou que a ação merece total repúdio da população. Segundo ele, a produção dos livros representa uma tentativa de cooptação das pessoas, com a distorção da verdade e dos fatos. “Na Comissão de Educação, vamos formular nosso protesto e peticionar o ministro e as demais autoridades constituídas para que os critérios sejam colocados de forma republicana e que esses livros sejam recolhidos. Caso contrário, ao invés de educar, estarão doutrinando as pessoas sob uma ótica nada republicana”, afirmou.

O deputado Luiz Carlos (AP) também rechaçou a utilização dos livros pelos alunos da rede pública. A seu ver, o governo tenta desconstruir o legado deixado pelo governo Fernando Henrique Cardoso ao país, ao estimular e criar mentiras. Além da devolução dos livros, o parlamentar afirma que o governo deve um pedido de desculpas à sociedade por tentar “desconstruir a história da redemocratização brasileira.”

Fonte: http://bit.ly/jlqmgs

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

ENEM 2, o omissão.

O que está acontecendo com o Enem é absolutamente normal.


E nem podia ser diferente. O governo trabalhou duro, de sol a sol, para dar de presente aos brasileiros a eleição de Dilma Rousseff. Como se sabe, os ministros de Lula penduraram o paletó na cadeira e se jogaram na campanha.

Como poderia o ministro da Educação, lá do alto do palanque, enxergar probleminhas numa simples prova de ensino médio?

Vamos pensar grande. O ministro estava olhando para objetivos muito mais nobres, que têm a ver com o futuro do Brasil – e do cargo dele, que ninguém é de ferro.

Fernando Haddad ajudou a eleger Dilma. Contribuiu com seu suor para a permanência do PT no poder. O que o povo quer mais? Que o ministro da Educação, além de tudo, ainda cuide da credibilidade do Enem?

É esse pensamento pequeno-burguês que impede o Brasil de avançar.

O ministro está lá fazendo o trabalho dele, compenetrado nos altos conchavos para ficar mais quatro anos no governo, e vêm os eternos insatisfeitos incomodá-lo com papo de vestibular. O que essa juventude tem na cabeça?

De quebra, ainda estragaram o passeio do senhor Haddad a Moçambique. O ministro estava de malas prontas para embarcar noAeroLula, ao lado do chefe, e teve que ficar na aridez de Brasília, falando de Enem. Ninguém merece.

O pior é que toda essa discussão é inútil. De Moçambique, Lula já declarou que o Enem foi “um sucesso extraordinário”. Por que insistir no tema?

“Até hoje tem gente que não se conforma com o Enem”, afirmou Lula, explicando que há interessados em prejudicar a imagem do exame.

Mas a imagem do Enem está ótima. Os cartões de respostas com as questões trocadas deram até um charme especial à prova. Estava tudo muito careta. As inovações do módulo amarelo, que suprimiam algumas questões e repetiam outras, deram um tom revolucionário ao exame.

Essa gente conservadora não entende nada de revolução.

É disso que a juventude precisa. No momento crucial de sua vida estudantil, buscando vaga na universidade e projetando uma carreira, nada melhor do que dar de cara com uma prova bêbada. É relaxante.

Estão de parabéns o ministro Fernando Haddad e o governo do PT. Pelo segundo ano consecutivo, tiraram o Enem da monotonia. Depois do vazamento e da anulação em 2009, ninguém apostaria na reedição de tanta emoção.

Mas eles conseguiram. Com criatividade e muito suor derramado nos palanques. Ficar no gabinete cuidando de governar é coisa da direita.

Aos queixosos, que ficam no twitter criticando a prova confeccionada pelo Inep(to), o MEC já avisou que estão todos “sendo monitorados”.

É isso aí. Prendam e arrebentem essa garotada malcriada. Quem são eles perto dos 55 milhões de votos da Dilma?

gmfiuza

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

OLHA A CENSURA AÍ GENTE!!!!!

Index Librorum Prohibitorum


Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS, 5 de novembro de 2010.

“Hoje, tenho eu a impressão de que o "cidadão comum e branco" é agressivamente discriminado pelas autoridades e pela legislação infraconstitucional, a favor de outros cidadãos, desde que sejam índios, afrodescendentes, homossexuais ou se autodeclarem pertencentes a minorias submetidas a possíveis preconceitos. Assim é que, se um branco, um índio e um afrodescendente tiverem a mesma nota em um vestibular, pouco acima da linha de corte para ingresso nas Universidades e as vagas forem limitadas, o branco será excluído, de imediato, a favor de um deles! Em igualdade de condições, o branco é um cidadão inferior e deve ser discriminado, apesar da Lei Maior”. (Ives Gandra da Silva Martins)

O Index Librorum Prohibitorum ou Index Librorvm Prohibithorvm (Lista dos Livros Proibidos) foi uma relação de publicações proibidas pela Igreja Católica de livros considerados perniciosos. O Governo Federal tenta reviver a figura do famigerado “Index” tentando proibir a leitura de um dos mais consagrados autores nacionais de literatura infantil.

- MEC pede reconsideração de veto a Monteiro Lobato

O Ministro da Educação solicitou ao CNE (Conselho Nacional de Educação) que reveja o parecer que recomendou que não fosse mais distribuído o livro de Monteiro Lobato, “Caçadas de Pedrinho”, nas escolas públicas.

- Radicais tentam vetar livro de Monteiro Lobato nas escolas públicas

“Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão”.

Seria hilário se não fosse trágico, a censura ressurge das trevas. O CNE chegou ao desplante de sugerir que o livro “Caçadas de Pedrinho”, distribuído pelo MEC (Ministério da Educação) para as escolas de ensino fundamental, não fosse mais adotado pela rede pública. O CNE alega que a obra tem forte conteúdo racista. O parecer baseia sua ridícula tese afirmando que a personagem Tia Nastácia é chamada, pelo autor, de “negra”, “tição”, “urubu” e “macaco”.

“Não vejo que Monteiro Lobato pinte Tia Nastácia com cores racistas. Ele tinha enorme carinho pela personagem. O livro tem que ser contextualizado em seu tempo histórico”. (Laura Padilha)

A pesquisadora Laura Padilha afirma que Monteiro Lobato não pretendia discriminar a personagem e apenas usava expressões da época. Laura cita outro exemplo do CNE: “Não é à toa que os macacos se parecem tanto com os homens. Só dizem bobagens” e afirma: “Ele (Monteiro Lobato) realmente estava sendo preconceituoso? Contra os homens ou contra os macacos?”.

“Uma adaptação tiraria o cunho original da obra. Então, essas obras poderiam vir com um aviso. Mas o ideal é que não sejam mais publicadas”. (Marlene Lucas)

A radical militante do Movimento Negro do Distrito Federal, Marlene Lucas, é a favor da proibição do livro nas escolas e vocifera: “Tudo aquilo que agride a identidade das pessoas deve ser banido, seja de qual período for, independentemente da importância histórica e artística”. A pretensão de Marlene é mais radical ainda sendo a favor da retirada destas obras não só das escolas, mas do mercado nacional.

- Movimento Negro

“Impedir que um aluno brasileiro, de uma comunidade carente, tenha acesso a uma obra de Monteiro Lobato é errado. Em vez disso, os professores poderiam usar certas frases e expressões para discutir o racismo no Brasil". (Laura Padilha)

Os radicais do Movimento Negro perderam totalmente o bom censo. A sugestão, se necessária, seria a meu ver usar o livro, como sugere Laura Padilha, para promover discussões sobre preconceito. Os movimentos étnicos radicais tentam abrir feridas já cicatrizadas pelo tempo. Estes movimentos tentam a todo custo criar “guetos” num país em que a miscigenação foi exemplo para as demais desde que se lançaram os primeiros alicerces desta grande e bela nação. Criação de cotas, privilégios especiais pela cor ou raça contrariam a Constituição Federal.

- Índios

“Em 2000, um estudo do laboratório Gene, da Universidade Federal de Minas Gerais, causou espanto ao mostrar que 33% dos brasileiros que se consideravam brancos têm DNA mitocondrial vindo de mães índias. ‘Em outras palavras, embora desde 1500 o número de nativos no Brasil tenha se reduzido a 10% do original (de cerca de 3,5 milhões para 325 mil), o número de pessoas com DNA mitocondrial ameríndio aumentou mais de dez vezes’, escreveu o geneticista Sérgio Danilo Pena no ‘retrato molecular do Brasil’. Esses números sugerem que muitos índios largaram as aldeias e passaram a se considerar brasileiros”. [NARLOCH]

O artigo 231 da Constituição Federal estabelece que só deveriam ter direito às terras ocupadas em 5 de outubro de 1988. Interpretações à revelia da lei criaram a figura dos “tempos imemoriais” permitindo a demarcação de gigantescas reservas sem qualquer critério científico.

Somos um povo multirracial. Privilegiar alguns em detrimento de outros contraria a Constituição e a ordem natural das coisas. Estabelecer cotas para estudantes comprovadamente carentes eu concordo, o resto é pura hipocrisia.

Fonte: http://bit.ly/aWHx7t