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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

BARRIL DE PÓLVORA



Solto na tarde terça-feira (11) em Aparecida de Goiânia, onde estava preso em decorrência de sentença judicial que o condenou a 39 anos de prisão, o contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, deixou a prisão mandando um duro recado à cúpula petista. Disse que é “o garganta profunda do PT”, numa referência ao informante do jornal “The Washington Post” durante o escândalo que ficou conhecido como Watergate e derrubou o presidente Richard Nixon, dos Estados Unidos.

Que Cachoeira tem muito a revelar todos já sabiam, inclusive os próprios petistas. Tanto é assim, que o advogado Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça, comandou inicialmente a defesa do contraventor, a mando de Lula, que temia algum depoimento revelador de Cachoeira.

Nas vezes que compareceu à CPI batizada com o seu nome, Cachoeira se reservou ao direito de permanecer em silêncio, mas ele disse que está disposto a depor à Comissão ainda nesta quarta-feira (12), para revelar ao Brasil todos os escândalos envolvendo o PT.

Se isso de fato acontecer, a farsa de Lula será desmontada e alguns políticos de destaque devem ficar em situação delicada, começando pela presidente Dilma Rousseff e os governadores Sérgio Cabral Filho, do Rio de Janeiro, e Agnello Queiroz, do Distrito Federal. De quebra será arrastado ao olho do furacão o empresário Fernando Cavendish, dono da Delta Construção, que alimentou financeiramente o esquema.

A cada dia que surge o PT vê a sua imagem sendo destruída no rastro dos tantos escândalos que ocorreram na última década, cujos alguns dos protagonistas dos mesmos decidiram contar a verdade. É o caso de Cachoeira e Marcos Valério, só faltando Rosemary Nóvoa de Noronha, a Marquesa de Garanhuns e namorada de Lula

Fonte: Ucho.Info

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

HOMEM-BOMBA



Circulou na manhã desta terça-feira (27) o boato de que Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, fora internado em um hospital de Goiânia por causa de um suposto envenenamento, o que até prova em contrário é obra de ficção. Cachoeira foi internado por estresse e insônia, além de alguns problemas relacionados ao seu estado emocional.

O máximo que se poderia imaginar é que Carlinhos Cachoeira teria procurado um hospital como forma de se proteger de o séquito de seus irritados inimigos, que estão sem dormir desde que o contraventor anunciou que colocará “os pingos nos is” e o povo goiano voltará a sentir orgulho dele.
Cachoeira, como é de conhecimento de todos, sabe muito mais do que a extensa maioria dos envolvidos nos escândalos gostaria que ele de fato soubesse. Acostumado a gravar suas reuniões e encontros, Carlinhos Cachoeira tem um invejável arsenal de provas contra muita gente.

Se de fato o contraventor goiano, que permaneceu preso desde o dia 29 de fevereiro, resolver contar o que sabe, por certo a República virá abaixo. Afinal, correu muito dinheiro de caixa 2 na campanha presidencial de Dilma Rousseff, grande parte doada pela Delta Construção por meio das fatídicas empresas laranjas.

Resumindo, quando Cachoeira resolver colocar os anunciados pingos nos is, com certeza faltará a terceira vogal para tantos pingos. E corra quem puder, pois o conteúdo dos pingos é explosivo e o contraventor não pagará sozinha a conta que é de muitos. Com ele cairão pelo menos duas dúzias de autoridades.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

CHEGA DE INTERMEDIÁRIOS, VOTE CACHOEIRA



Feliz com o julgamento do Mensalão? Pois a CPI do Cachoeira, que investiga a movimentação ilegal de R$ 30 bilhões pelo bicheiro e sua turma, parou: como disse o presidente da CPI, até o primeiro turno da eleição não há como fazer com que parlamentares apareçam lá para trabalhar. Ele é otimista: depois de 7 de outubro, dia do primeiro turno, há cidades com segundo turno, há composições em torno dos eleitos, coisas de interesse deles a fazer com o nosso dinheiro. Aí entra a temporada de férias e festas de fim de ano.

 O ano que vem (após a Semana Santa, claro) é outro ano, com outros temas. O objetivo maior da CPI já foi atingido: criar problemas para o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo. E a Construtora Delta? Esqueça: Delta é apenas a quarta letra do alfabeto grego.

E, saiba o caro leitor, é preciso reconhecer o talento de Cachoeira. Indicou secretários, presidente de autarquia, botou a irmã de seu operador num carguinho legal – fora isso, nomeou muito mais gente para empregos menos cotados. Interferiu em concorrências, aliou-se a uma grande construtora, espalhou-se por Tocantins, Goiás, Brasília, tinha sob controle, trabalhando para ele, até um promotor daqueles bravos, metido a honesto, denunciando os malfeitos dos outros.

Amasiou-se por dois anos com a mulher de um amigo. Quando o amigo soube, foi buscar consolo com quem? Com Cachoeira. E, ao que se comenta, mesmo preso Cachoeira já recompôs seu esquema operacional.

Quando ele for solto, esqueça os intermediários: vote no Cachoeira.

Carlos Brickman

segunda-feira, 4 de junho de 2012

BOMBA!!! E A INTEGRIDADE FISICA DO CACHOEIRA COMO FICA SE TUDO ISSO É VERDADE?

Ainda estava escuro quando, às 6 horas da manhã, do dia 29 de fevereiro de 2012, a mansão de luxo, na Rua Cedroarana, Quadra G-3, Lote 11, no Residencial Alphaville Ipês, em Goiânia, de propriedade do Governador de Goiás Marconi Pirillo, até 2010, foi invadida pela "swat" da Polícia Federal. Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso numa ação cinematográfica.O arrombamento da porta da sala e a chegada dos agentes federais ao quarto de Carlos Cachoeira coroava a Operação Monte Carlo. Cachoeira, como é chamado, acordou assustado. No corredor, a sua prisão era assistida pela fresta da porta por uma criança de 12 anos, sua enteada, e pela esposa, Andressa.

O Delegado que comandava a operação pediu que o contraventor abrisse o cofre, mas Cachoeira argumentou que não sabia o segredo. Só Andressa tinha a senha. A polícia entrou no quarto e exigiu que o cofre fosse aberto. Imediatamente a esposa de Cachoeira mostrou o que havia guardado em segredo: joias, inclusive de família, uma quantia em dinheiro de um imóvel vendido por Andressa, documentos e alguns DVDs de conteúdo ainda não revelado.Era Governador de Goiás Marconi Perillo.O delegado espalhou sobre a cama todas as joias, a maioria herança de família, principalmente dos avós e do ex-marido de Andressa, Wilder Morais, atual suplente do Senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

 A esposa do contraventor pediu ao delegado que deixasse as joias e que não invadisse o quarto em que sua filha dormia. O pedido foi atendido. Cachoeira foi levado pela polícia, enquanto a criança, atônita, tentou ir ao seu encontro, sem entender o que se passava. Até este momento, Andressa estava forte. Mas, ao ver a filha, a esposa de Cachoeira desmontou.A Polícia Federal acreditou ter fechado a Operação Monte Carlo naquele momento, mas não sabia que ali começava um dos maiores escândalos da política brasileira. Cachoeira foi para a carceragem da PF, em Brasília, e preferiu o silêncio.Em fevereiro de 2004, Carlinhos foi protagonista do escândalo Waldomiro Diniz, em que o Assessor do Ministro Chefe da Casa Civil José Dirceu, foi denunciado por receber propina do esquema de jogo clandestino no país.

Naquele momento, Cachoeira recebeu total apoio do PT comandado por Zé Dirceu, que rotulava o contraventor como "empresário do jogo", e o Ministério Público como "aparelho repressor e conspiratório." O ministro da Justiça era Márcio Tomaz Bastos. O advogado era Antônio Carlos de Almeida e Castro, o Kakay. Quem acusava era o mesmo Ministério Público que, agora, também comanda a operação, só que a serviço do PT .As digitais do PT foram constatadas quando a Polícia Federal começou as investigações sob o comando da sede em Brasília.

 O Palácio do Planalto acompanhava tudo e aguardava o momento certo para contrapor o escândalo do Mensalão que será votado, nos próximos meses, pelo Supremo Tribunal Federal.Cachoeira tinha um forte esquema de proteção na Polícia Federal de Goiás, onde contava com seu fiel escudeiro o Chefe da Inteligência da Polícia Federal. Cachoeira sempre foi um homem muito bem relacionado.

Colaborador de todas as horas nas campanhas políticas, principalmente do PT. As investigações aconteciam e surpreendiam o comando da PF. Políticos de alto escalão se misturavam comempresários e contraventores.Cachoeira foi transferido, como preso comum, para a Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Desembarcou na cidade sob um sol escaldante, de 42 graus, e foi levado para a cela 17 do presídio.Parecia que a situação tinha chegado ao fim, quando o contraventor foi chamado para raspar a cabeça e receber o tratamento de preso de alta periculosidade.Enquanto a máquina deixava à vista o couro cabeludo de Cachoeira, lágrimas de ódio rolavam pelo seu rosto. Naquele momento, revendo o filme da prisão de Fernandinho Beira Mar, o silêncio de Carlos Cachoeira se transformava em ira contra o PT. Somente no dia seguinte teve o direito de encontrar seu advogado Ricardo Sayeg.Aí começava o desabafo de alguém que sabe muito e não vai evitar a vingança! Os responsáveis pela Operação Monte Carlo foram os petistas; o alvo, o líder de oposição Demóstenes Torres (DEM-GO) e a isca, o mesmo Cachoeira que, no passado, foi tão amigo do PT, e agora é tão usado.Com a chegada do Senador Aécio Neves (PSDB-MG) ao Congresso, era esperado que, naturalmente, o neto de Tancredo Neves fosse o líder da oposição ao Governo Dilma.

Aécio recebeu algum recado e se mantém apagado no cenário político. Com isso, o líder do Democratas destacou-se nacionalmente como o homem que lidera a oposição. Com o destaque, o Senador passou a ser o inimigo número um do Partido dos Trabalhadores, que começou a caçada. Aécio Neves, taxado por ter telhado de vidro, trabalhou como bom mineiro: no silêncio, e assiste o colega de oposição servindo de boi de piranha. Nos bastidores comenta-se que Aécio só irá assumir a liderança da Oposição no último ano do Governo Dilma, evitando o desgaste prematuro.Apesar de o PT ter pesado a mão sobre Demóstenes Torres, não foram encontradas provas que possam calar a voz da oposição. A relação do Senador com Carlos Cachoeira é meramente social, como as mantidas com outros empresários do estado de Goiás. É menos íntima, por exemplo, do que a mantida entre o Ex-Presidente Lula e o seu churrasqueiro Jorge Lorenzetti, envolvido num escândalo de repasse de R$ 18,5 milhões em verba pública para sua ONG.

Tanto barulho por conta de um fogão e uma geladeira, presentes de casamento da esposa de Carlinhos para a esposa de Desmóstenes, amigas de longa data? Com certeza, há mais fartura à mesa do PT.O exército de Cachoeira também foi desestabilizado. Funcionários públicos, empresários, políticos, policiais, familiares e pessoas que emprestavam o próprio nome para manter a força e o poder de quem hoje detém um arsenal capaz de mudar a história política do país foram presos ou desarticulados com a Operação Monte Carlo.Cachoeira sempre foi um homem prevenido.

 Na era dos escândalos detonados, dentro e fora dos Governos, o contraventor documentava todos os encontros com seus "parceiros", em vídeo, áudio, contratos de gaveta, e transações bancárias, no Brasil e no exterior. Monitorava seus "sócios" através de agentes de informações. Durante todos esses anos que transitou nas altas rodas políticas e sociais do País, Carlinhos Cachoeira produziu vários documentários, capazes de mudar o curso da vida, principalmente de quem será julgado ainda este ano pelo Supremo, com a chance de ter o Ministro algoz do Mensalão do PT, Joaquim Barbosa, na Presidência da maior instância jurídica do País.No encontro com o seu advogado Ricardo Sayeg, em Mossoró, Cachoeira avisou que a família e amigos têm nas mãos "esse" material que será despejado na imprensa nos próximos dias.

Nesta sexta-feira, o contraventor começou a cumprir sua promessa. A Revista Veja divulgou ‘on line’, vídeo no qual Carlinhos tem uma conversa com o Deputado Federal Rubens Otoni (PT-GO), na qual oferece R$ 100 mil para ajudar o petista e insinua já ter contribuído com a mesma quantia para o candidato, em outra campanha. Só um detalhe: Otoni nunca declarou a quantia ao Tribunal Regional Eleitoral e não consegue explicar o porquê disso.

A TRAJETÓRIA DE CACHOEIRA

Carlinhos Cachoeira cresceu no meio da jogatina. Seu pai fez parte do grupo de Castor de Andrade e levou para Goiás o conhecido jogo do Bicho. Seus irmãos difundiram pelo Estado o jogo e a chegada das máquinas caça-níqueis. Cachoeira, no entanto, aperfeiçoou-se em projetos oferecidos em vários Estados, batizados de “On Line Real Time”. Trata-se de um ‘software’ que permite ligar as caça-níqueis diretamente à Caixa Econômica, buscando, nos moldes das Loterias, a legalização do jogo.Carlinhos montou várias empresas, para gerenciar o jogo nos Estados. E começou sua fortuna. Procurava grupos coreanos, italianos, espanhóis e vendia à vista, a exploração do jogo pelo País.

Assim passou a recrutar políticos que viabilizavam a exploração dos jogos de azar pelos Governos estaduais. Cachoeira sofisticou seus negócios, a partir da implantação de seu novo sistema, com o apoio do então Governador de Goiás Maguito Vilella, padrinho do seu primeiro casamento.

Carlinhos criou a empresa Gerplan no governo de Vilella.Com a entrada do governador tucano Marconi Pirillo, o empresário do jogo expandiu seus negócios para vários Estados, até bater de frente com os interesses do então Ministro Chefe da Casa Civil, o petista Zé Dirceu.Waldomiro Diniz, assessor de Zé Dirceu na Casa Civil, trabalhava para a família Ortiz, forte concorrente de Carlinhos Cachoeira. Os Ortiz lutavam pela permanência do jogo clandestino, pois reconheciam que o negócio era mais rentável. Carlos Cachoeira queria a legalização, porque detinha toda uma estrutura profissional, com tecnologia de ‘hardware’ e ‘software’ para a arrecadação do jogo pelo governo, em tempo real e com a garantia de desconto dos impostos.

Cachoeira então gravou Waldomiro, pedindo propina para a campanha do PT em 2002. Com isso, o empresário do jogo usava o flagrante para combater a propina paga pela família Ortiz ao assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz, responsável também pelo pagamento do mensalão do PT dentro do Congresso Nacional.Waldomiro era tido como uma águia, mas foi abatido pelo Ministério Público em pleno voo. O escândalo fragilizou José Dirceu, permitindo o ataque de Roberto Jefferson, que culminou com a cassação do mandato de Deputado e a demissão da Casa Civil.Cachoeira foi cercado de atenções pelo PT durante todos esses anos, para evitar um escândalo maior em torno do financiamento de campanhas em vários Estados.

Esse roteiro, com conteúdo explosivo, desta vez virá à tona, pois Carlinhos planeja, em sua solidão na cela 17 do Presidio de Segurança Máxima de Mossoró, como se vingar do PT que o abandonou e o colocou nessa situação.Nesse arsenal explosivo há várias empresas: Construtoras, Laboratórios, Bancos no Brasil e no Exterior. Na próxima edição, o “Quidnovi” vai mostrar, com documentos, como a máfia do jogo atua com o braço político nos cofres públicos.

Repasse, pois é chegada a hora !!!

Milton Jensen Júnior

QUEM TEM MEDO DO PAGOT?

Bruxa solta – Por causa do feriado de Corpus Christi, a semana será mais curta em Brasília, pois na tarde de quarta-feira (6) o Congresso Nacional será uma espécie de cidade-fantasma, uma vez que os parlamentares que foram até à capital dos brasileiros estarão voando rumo aos seus estados.

Enquanto a política anda de lado nos próximos dias, a CPI do Cachoeira vive momentos de tensão. Ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot deixou o cargo debaixo de uma enxurrada de acusações, mas agora parece disposto a dar o troco. Desde que a CPI foi criada para investigar a teia de relacionamentos do contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o ex-chefão do DNIT tem dado mostras inequívocas de sua disposição para revelar o que sabe sobre o órgão vinculado ao Ministério dos Transportes, o contraventor e a Delta Construção.

Desde suas primeiras declarações, integrantes da CPI, em especial os petistas, estão com o pé atrás em relação a Pagot, que a qualquer momento pode apontar sua verborragia na direção do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), cujas obras estão em maior número em poder da Delta, investigada pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo.

Filiado ao Partido da República, Luiz Antonio Pagot pode atingir também a oposição, mas esse detalhe pode sair de cena por conta do apoio do PR à candidatura do tucano José Serra à prefeitura paulistana, costurado no final de semana.

Mesmo assim, o medo maior é da chamada base aliada, pois Pagot disse recentemente que, em 2010, o caixa da campanha de Dilma Rousseff, o petista José de Filippi Júnior, o procurou para arrecadasse dinheiro juntos às empreiteiras. Fora isso, o ex-diretor do DNIT já declarou que peemedebistas trabalharam nos bastidores do Ministériodos Transportes para favorecer a Delta Construção.

Fonte: Ucho.Info

terça-feira, 22 de maio de 2012

SILÊNCIO E IRONIA

Data: 26/01/2012 - ES - VitÃ?ria - JosÃ? AntÃ?nio Pimentel, cconselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo - Editoria: Política - Foto: Fábio Vicentini - GZ------LARG 15ALE
"Estou aqui como manda a lei. Fui advertido
pelos meus advogados para não dizer nada. Eu não vou falar nada aqui"
Carlinhos Cachoeira, em depoimento à CPI

Brasília


O contraventor Carlinhos Cachoeira confirmou a expectativa de sua defesa e se limitou, ontem, a dizer que não iria falar nada durante a sessão da CPI que investiga esquema de corrupção comandando por ele.

A reunião durava pouco mais de duas horas quando – sem obter nenhuma resposta do depoente – o presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), decidiu pôr fim ao "depoimento". Antes mesmo de ser encerrado, alguns deputados e senadores já tinham deixado a sala.

De terno e gravata, mais magro e com o cabelo um pouco branco, Cachoeira aparentou na sessão estar bem abatido. A sessão foi aberta por Vital, que logo em seguida chamou o bicheiro. Ele teria 20 minutos para falar no início, mas o fez em menos de três.

"Boa tarde para os senhores e senhoras. Estou aqui como manda a lei. Fui advertido pelos meus advogados para não dizer nada. Eu não vou falar nada aqui. Somente depois da audiência que vamos ter no juiz, se por ventura achar que eu deva contribuir, pode chamar que eu virei para falar", disse. "Tenho muito a dizer depois da audiência", comentou para logo em seguida, a uma nova pergunta, responder com ironia: "Esta é uma boa pergunta para ser respondida depois".

Audiência
Aparato policial e sem algemas
Um total de 36 pessoas, entre policiais federais, agentes penitenciários e membros da Polícia Legislativa do Congresso, atuaram na operação para levar Cachoeira à CPI. Ele foi trazido desde o presídio da Papuda, onde está preso, sob escolta de quatro viaturas. Ele veio em uma delas, uma van da PF e foi entregue sem algemas à Polícia Legislativa.
A audiência de Cachoeira na Justiça, segundo seu advogado, Márcio Thomaz Bastos, será em 31 de maio e 1º de junho.

Ainda durante sessão, convicto de que o contraventor nada falaria, o presidente da CPI propôs antecipar o fim da reunião, para ouvi-lo somente depois da audiência.

Ao entrar na sala da CPI, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL -AP ) defendeu que a comissão convoque para depor a atual mulher de Cachoeira. "Ela tem muitas informações importantes. Toda a negociação se passava com o conhecimento dela".

Fernando Francischni (PSDB-PR) fez vários questionamentos sobre a relação de Cachoeira com o governo do Distrito Federal e do Paraná. A CPI deve marcar nova data para o depoimento do contraventor.
Tudo o que ele (não) disse

31 vezes
"Respostas"
Carlinhos Cachoeira se manifestou 31 vezes durante o depoimento.

Relator
Ao deputado Odair Cunha (PT-MG)
- "Tenho muito a dizer, depois da minha audiência. Pode me convocar."
- "Vou te ajudar demais, é outra pergunta muito boa para responder depois disso."

Calado
Ao deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP)
"Vou permanecer calado, deputado, por favor."

Depois
Ao deputado Filipe Pereira (PSC-RJ)
"Posso muito ajudar, mas depois."

Sempre
Ao deputado Rubens Bueno (PPS-PR)
"Eu só respondo...Quero permanecer calado. Sempre."

Direito
Ao deputado Ronaldo Fonseca (PR-DF)
"Em respeito a V. Exª, não vou responder. Vou usar meu direito constitucional."
 
Fonte: A Gazeta

domingo, 13 de maio de 2012

CRIME ORGANIZADO

O comentário do senador Pedro Taques, do PDT de Mato Grosso, de que o bicheiro Carlinhos Cachoeira já estava no terceiro estágio do crime organizado, buscando negócios legais, resume bem o estado de espírito dos parlamentares que participaram do depoimento teoricamente secreto do delegado da Polícia Federal (PF) Raul Alexandre Marques Souza na CPI.

Mesmo oriundo do Ministério Público, assim como Demóstenes, o senador Taques tem experiência de acompanhar esse tipo de ação criminosa e não estava fazendo um comentário leviano.

As investigações revelaram com uma profusão de detalhes as ligações de Cachoeira com praticamente todos os níveis de poder da República, sendo que tinha no bolso do colete pelo menos um senador - Demóstenes Torres, ex-DEM de Goiás, que o delegado classificou como o braço político da organização - e dois deputados federais - Carlos Leréia, do PSDB, e Sandes Júnior, do PP, ambos de Goiás.

Além do Congresso, o bicheiro tinha influência importante sobre pelo menos dois governadores, o tucano Marconi Perillo (Goiás) e o petista Agnelo Queiroz (Brasília).

A atuação do mafioso não se limitava a Goiás, seu estado natal, ou ao Centro-Oeste, como quis fazer crer num primeiro momento o relator petista, tentando circunscrever as investigações ao interesse de setores de seu partido.

Seu império se espalhava por todo o país, e há ainda a se provar sua participação na empreiteira Delta, de quem parece ser um sócio oculto.

É por esse caminho que um terceiro governador, o do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), pode vir a ser convocado para depor na CPI, mas até agora não há indicação de que sua relação promíscua com o empreiteiro dono da Delta, Fernando Cavendish, seja razão para tal convocação.

O vice-presidente Michel Temer tem razão ao afirmar que jantar com empreiteiros não é crime em si, mas pode indicar crimes praticados, já que se sabe, conforme nos ensinou Milton Friedman, que não existem jantares grátis, o que por si só já seria motivo para investigação, que neste primeiro estágio caberia ao Ministério Público ou à Assembleia Legislativa do Rio.

Há ainda a apurar informação não confirmada de que o bicheiro do Centro-Oeste estaria querendo entrar no mercado do Rio e teria se utilizado de canais especiais do empreiteiro Cavendish para realizar essa ampliação de seu negócio.

Se, no decorrer das investigações, ficar comprovado que o verdadeiro dono da Delta era mesmo o bicheiro Cachoeira, como acredita o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, aí, sim, o governador do Rio teria que prestar contas à CPI.

Pelo que se sabe das investigações, e com as muitas mil horas de conversas telefônicas gravadas com autorização judicial, fica patente que o crime organizado estava infiltrado no Poder Legislativo e em alguns Executivos estaduais, e tinha planos ambiciosos de fazer do senador Demóstenes Torres um membro do Supremo Tribunal Federal.

Em termos regionais, o mais próximo que andamos de um cenário de domínio pelo crime organizado de um estado foi no Espírito Santo, onde nos anos 90 do século passado os três poderes estaduais foram todos cooptados, tendo sido preciso a intervenção forte de força-tarefa policial e política para restabelecer a ordem.

A declaração do delegado da PF de que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, engavetou a investigação deu nova força aos que querem usar a CPI como instrumento de vingança contra a Procuradoria e a imprensa, pelas mesmas razões: as denúncias sobre o mensalão.

Com relação à imprensa, o delegado Raul Souza foi categórico ao afirmar que a PF não encontrou qualquer indício de ilegalidade nos contatos do diretor da revista "Veja" em Brasília, Policarpo Junior, com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

"Apensas conversas entre jornalista e fonte" foi a definição do delegado. Ora, se é verdade que existem mais de 200 ligações telefônicas entre o jornalista e o bicheiro, como gostam de alardear os blogs chapas-brancas, muitos financiados pelo governo exatamente para fazer esse trabalho de solapar a grande imprensa, como não se consegue nenhum diálogo direto entre os dois ou mesmo entre o jornalista e membros do grupo do bicheiro, que revele a suposta troca de favores que evidenciaria o crime?

Até o momento o que há são conversas entre os criminosos sobre o jornalista, que servem para alimentar ilações grotescas sobre conluio da direção da revista com o crime organizado.

Do mesmo modo, não há qualquer indicação nos dados da PF de que Gurgel ou sua mulher, a subprocuradora Cláudia Sampaio, tivessem alguma relação com o esquema criminoso, e é leviana a suspeita de que tenham agido com espírito de corpo. E a explicação oficial dos dois de que a Operação Vegas não tinha indícios suficientes para abrir um processo no STF contra o senador Demóstenes Torres ou outros parlamentares, mas que resolveram sobrestar o caso até que novas investigações em curso pudessem complementar as informações, pode ser confirmada pelo próprio comentário do delegado na CPI: o caso não foi arquivado nem devolvido à Justiça Federal de Goiás para novas investigações, permanecendo três anos aberto até que, com a Operação Monte Carlo, pôde ter sequência com a abertura de inquérito contra o senador de Goiás no início deste ano.

Caberá, portanto, ao procurador-geral da República agir rápido para desfazer a intriga de que não há explicação razoável para sua demora em abrir o inquérito contra Demóstenes Torres, e sua reação foi mais do que adequada. Roberto Gurgel explicitou o que já se sabia, a ação contra ele é mais uma manobra dos que querem confundir o julgamento do mensalão para neutralizar sua atuação, colocando-o sob suspeita.

Isso levaria a suspeita de envolvimento com o crime organizado às portas do STF, o que seria desastroso para a democracia brasileira. Justamente por isso é preciso que a CPI seja prudente ao tratar do assunto, para não servir de pretexto para os que querem tumultuar o julgamento do mensalão.

Merval Pereira

domingo, 6 de maio de 2012

AS MENTIRAS DO SENADOR

O "doutor", que o seu bom amigo "professor" ambicionava até vê-lo um dia de toga, como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), foi levado a descer aos infernos de seu ofício, a uma distância intransponível das alturas que se imaginava capaz de escalar. "Doutor" era o tratamento que o senador goiano Demóstenes Torres recebia do batoteiro Carlinhos Cachoeira, a quem se dirigia como "professor" em algumas passagens dos 298 telefonemas trocados entre eles de fevereiro a agosto do ano passado e interceptados pela Polícia Federal.



Na quinta-feira, iniciando uma partida a uma sequência de procedimentos que em pouco mais de 60 dias devem culminar com a cassação de Demóstenes, o senador Humberto Costa, do PT pernambucano, relator no Conselho de Ética do pedido de ação disciplinar apresentado pelo PSOL, aprovou a abertura do processo por quebra do decoro contra o parlamentar que há um mês se desfiliou do DEM para não ser expulso do partido. O Senado cassou até hoje um único dos seus - o representante do Distrito Federal Luiz Estevão, punido em 2000 pelo desvio de R$ 169 milhões da obra da nova sede da Justiça do Trabalho em São Paulo.

Passados sete anos, a Casa preservou o mandato do alagoano Renan Calheiros, embora tivesse sido provado que uma empreiteira pagava por ele uma pensão alimentícia. Nem os dois nem quaisquer de seus pares que, antes do advento da Lei da Ficha Limpa, puderam conservar os direitos políticos renunciando ao mandato para não serem cassados, como o baiano Antonio Carlos Magalhães e o paraense Jader Barbalho, tinham, no entanto, um perfil que se parecesse, ainda que remotamente, com a imagem imaculada que o procurador e ex-secretário de Segurança de Goiás soube confeccionar para si nos seus dois mandatos de senador.

Por mais que os políticos tivessem habituado o público a esperar revelações desabonadoras a seu respeito, ao cair a máscara de Demóstenes a sensação de todos quantos aplaudiam as suas cobranças pela moralização do governo federal foi a de terem sido lesados.

No vértice do triângulo goiano formado por Cachoeira, membros da equipe do governador Marconi Perillo (se não ele próprio) e o diretor regional da construtora Delta, Cláudio Abreu (com a anuência, ou não, do dono Fernando Cavendish), Demóstenes rotineiramente traficava influência nos Três Poderes em favor do bicheiro e da empreiteira da qual foi acusado de ser "sócio oculto" pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

Além de presentes úteis (uma cozinha, um rádio-celular antigrampo) ou desfrutáveis (um lote de cinco garrafas do vinho "Cheval Blanc" 1947, por cerca de US$ 2,8 mil a unidade), ele recebeu de Cachoeira, segundo o Ministério Público, R$ 3,1 milhões. No Conselho de Ética, o relator Humberto Costa guardou-se, porém, de citar as gravações da Polícia Federal que serviram de base para Gurgel pedir ao STF que investigasse o senador. Fez bem. A defesa de Demóstenes quer que a Corte declare nulas as escutas, porque elas teriam infringido o seu direito ao foro privilegiado - a iniciativa teria de partir do Tribunal. Se este acolher a ação, o processo no Senado poderia perder o fundamento.

Em vez disso, Costa invocou palavras e atos de Demóstenes para sustentar a tese de que, em discurso no dia 6 de março, ele mentiu ao se dizer contrário à legalização do jogo de azar no País e ao afirmar que mantinha apenas "relações sociais" com Cachoeira, desconhecendo as suas atividades de "contravenção". Em 2003, defendeu da tribuna a legalização da tavolagem. E pelo menos desde a CPI dos Bingos, em 2006, o ilícito ganha-pão de Cachoeira ficou caracterizado. As comprovadas inverdades de Demóstenes configuram atentado ao decoro; o mesmo vale para a obtenção de "vantagem indevida". Uma coisa e outra são passíveis de cassação de mandato e perda de direitos políticos por 15 anos.

Para que o plenário do Senado se sinta encorajado a endossar a provável decisão do Conselho de Ética nesse sentido, é de desejar também que antes do dia D entre na pauta da Casa e seja aprovado o projeto que acaba com o voto secreto em casos de cassação. A proposta dorme há dois anos.

Fonte: O Estado de São Paulo