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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

SÃO PAULO DEFINE (Merval Pereira )

“Se vencer a eleição em São Paulo por um voto, venço a eleição presidencial”. Essa frase do senador Aécio Neves explica bem a prudência que toda a cúpula do PSDB está tendo para manter a união partidária em seu principal reduto eleitoral. A declaração que deu ontem a favor da ação política do ex-governador José Serra, que supostamente o estava incomodando, foi combinada, para restabelecer no partido a unidade de pensamento depois que alguns partidários de sua candidatura começaram a se enervar com a demora da oficialização.
Depois de uma rodada de conversas em São Paulo, primeiro com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e com o governador Geraldo Alckmin, e no dia seguinte com o próprio Serra, Aécio decidiu aliviar o ambiente tucano, desaconselhando as críticas que têm sido feitas a Serra por suas palestras e viagens pelo país na roupagem de também candidato à presidência.
Quanto mais forte a figura de Serra estiver em São Paulo, reflexo de uma imagem nacional que ele está cultivando nos últimos dias, melhor será para o desempenho do PSDB a nível nacional. A diferença a favor dos candidatos tucanos em São Paulo vem se reduzindo nas últimas eleições, reflexo do fortalecimento do PT no Estado.
Fernando Henrique nas duas eleições em que venceu Lula no primeiro turno, tirou uma vantagem de cerca de 5 milhões de votos em 1994 e 1998. Alckmin venceu em 2006 por 3,8 milhões e Serra em 2010 por 1.846.036. A questão é que perderam para Lula e Dilma em Minas e no Rio. Os três estados juntos representam cerca de 40% do eleitorado.
Em 2010, Dilma venceu em Minas por 1,7 milhão de votos de diferença, e em 2014 a expectativa dos tucanos é que Aécio coloque uma frente de 3 a 4 milhões de votos, o que transformaria Minas em sua São Paulo em termos de performance eleitoral.
No Rio de Janeiro, ela também abriu 1,7 milhão de votos de vantagem, neutralizando a derrota de São Paulo. Aécio acha que na próxima eleição tem condições de equilibrar a disputa no Rio, pelo menos reduzindo a diferença em favor de Dilma, se houver.
A vantagem final de Dilma se deveu basicamente à diferença obtida no Nordeste (38 pontos) e Norte (15 pontos), o que somou mais de 11 milhões de votos de diferença. As diferenças de votos a favor da Dilma nos quatro Estados de maiores eleitorados no Nordeste ampliaram sua vitória em 9.146.751 votos: Bahia (2.788.495), Pernambuco (2.344.718), Ceará (2.325.841) e Maranhão (1.687.697).
Na avaliação do comando do PSDB, hoje a questão se resume a perder de pouco no nordeste e manter a hegemonia nas regiões onde o PSDB tradicionalmente vence. O cenário político hoje é diferente do 2010, mais favorável à oposição no Nordeste, apesar da prevalência governista.
A simples presença da candidatura de Eduardo Campos, governador de Pernambuco, já retira de Dilma boa parte de sua vantagem na região. Na Bahia, o prefeito de Salvado ACM Neto está montando um palanque competitivo com a candidatura dissidente de Geddel Vieira Lima. No Ceará o PSDB terá a volta de Tasso Jereissatti favorito para o Senado fazendo um palanque forte. 
No Amazonas, com a presença vitoriosa hoje do prefeito de Manaus Arthur Virgilio, dificilmente Dilma conseguirá repetir a façanha de ganhar pela diferença de 866.274 votos, uma frente que compensou a vitória que o PSDB teve no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
Por isso é fundamental para o PSDB manter a hegemonia em São Paulo, dando espaço para uma liderança política com votos como o ex-governador José Serra, que pode concorrer ao Senado em 2014 ou, como é a preferência das bases tucanas, à Câmara, puxando uma bancada federal importante.
A possibilidade de compor a chapa com Aécio na qualidade de vice, embora não o atraia no momento, pode vir a ser uma estratégia vitoriosa, aproveitando inclusive sua presença nacional. Seria uma maneira engenhosa de ter uma ação sincronizada durante a campanha eleitoral, assim como Lula fará com Dilma e Marina com Eduardo Campos.
De qualquer maneira, um vice de São Paulo pode ser a prioridade tucana para 2014, como maneira de preservar a hegemonia nos dois maiores colégios eleitorais do país


Merval Pereira

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

SERRA PREGA UNIÃO DAS OPOSIÇÕES

Fernanda Nascimento
FREDY VIEIRA/JC
Ex-governador tucano chega para almoço com empresários
Ex-governador tucano chega para almoço com empresários
O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) garante que nada está definido no cenário eleitoral de 2014, especialmente depois do ingresso da ex-senadora Marina Silva no PSB, do governador de Pernambuco e pré-candidato à presidência da República, Eduardo Campos. O tucano, que foi derrotado nas eleições presidenciais de 2002 e de 2010 pelos petistas Lula e Dilma Rousseff, respectivamente, não descartou uma terceira tentativa ao afirmar que “o PSDB vai escolher o candidato em março”. As declarações ocorreram durante a reunião-almoço Tá na Mesa, da Federasul, ontem, em Porto Alegre.

Serra evitou falar sobre uma futura disputa interna pela indicação do PSDB para a corrida presidencial contra o senador e presidente nacional da sigla, Aécio Neves. “Vou estar com o candidato do meu partido”, desconversou. A possível candidatura de Aécio fez com que vários partidos assediassem Serra, oferecendo espaço para que se candidatasse. Sem entrar no assunto, Serra disse que a escolha por permanecer no PSDB “foi uma decisão pela não decisão de sair do partido” e que os “convites são naturais”. 

O tucano preferiu adotar o discurso de que a oposição precisa se unificar para construir uma “alternativa para derrotar o PT e oferecer um novo rumo ao Brasil”. Ele afirmou que essa será uma de suas principais tarefas durante a campanha eleitoral e avalia que o momento é positivo, pois “o Brasil quer mudar”. Ao analisar o papel da oposição no governo petista, Serra disse que “não é fácil fazer oposição no Brasil, com uma minoria”, mas não negou erros estratégicos. “Não dou nota 100, mas não dou nenhuma nota. Poderia ser melhor, mas essas são questões subjetivas.” O ex-governador avaliou ainda o ingresso de Marina Silva no PSB como “surpreendente”. 

As críticas ao governo federal foram o pano de fundo de todos os comentários. “O quadro eleitoral está indefinido, mas a herança dos problemas está bem definida. Temos pelo menos dez grandes problemas que precisarão ser resolvidos pelo futuro presidente”, disse. Entre as dificuldades elencadas por Serra, está a política externa brasileira e a carência de infraestrutura. Serra também criticou o que chamou de “partidarização do Estado” e “loteamento de cargos” na gestão do governo petista.

PDT acena para aliança com PSB

Fernanda Bastos

O PDT estadual se reúne na próxima segunda-feira com o PSB para debater possibilidade de coligação em 2014. O objetivo do encontro é estabelecer diálogo com potenciais aliados para o pleito, sinalizando a intenção dos pedetistas de encabeçarem uma chapa ao governo. O DEM também confirmou presença na reunião.

O presidente do PDT de Porto Alegre, deputado federal Vieira da Cunha, que colocou seu nome à disposição para ser o candidato pedetista ao Piratini, é quem está agendando o encontro com os partidos. As outras legendas convidadas - que Vieira ainda não quis revelar - devem confirmar presença até amanhã.

Fora do governo Tarso Genro (PT) há menos de um mês, o PSB seguiu orientação do diretório nacional, que pediu a saída dos governos petistas em prol da candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, à presidência da República. O PDT pode seguir o mesmo caminho no Estado, esvaziando a coalizão montada por Tarso. A sigla decidirá se deixa os cargos no Executivo em 7 de dezembro, em pré-convenção.


FONTE  Jornal do Comércio

quinta-feira, 27 de junho de 2013

PROBLEMAS DEMAIS, GOVERNO DE MENOS

JOSÉ SERRA *
As manifestações que tomaram conta do Brasil nas últimas semanas derreteram a agenda política nacional, até então dominada pela prematuríssima campanha eleitoral, com três ou quatro candidatos já definidos. Sejam quais forem suas origens, seus mecanismos de propagação, virtudes, defeitos e consequências, o fato é que as mobilizações já produziram na vida brasileira um daqueles momentos em que "o futuro não será mais como era", para evocar Paul Valery.
Neste momento, partidos e governos, nas três esferas, sentem-se acuados, mas o foco principal de tensões situa-se no Palácio do Planalto, o grande responsável, aos olhos da população (e é mesmo!), pela condução do País.
O governo federal já vivia uma situação difícil, em razão do esgotamento do modelo econômico lulista: rápido crescimento do consumo, baixo investimento, forte criaçãoempregos menos qualificados e inflação baixa. Esse modelo foi viabilizado pela notável bonança externa, juntamente com o crescimento acelerado das importações, o aumento do crédito para o consumo e a sobrevalorização cambial. Foi a época da farra de divisas e da lei do menor esforço, com estatuto semelhante ao da lei da gravidade.
A eclosão das manifestações coincidiu com o fim desse ciclo e a estagflação. Elas podem não ser efeito direto das condições da economia, mas é evidente que eclodem numa dada realidade, e não no vácuo: desaceleração do consumo em razão do menor crescimento darenda, do endividamento familiar elevado e da maior inflação; desaceleração da criação de empregos menos qualificados e falta de perspectivas para os assalariados de maior renda.
Nada pior para um governo já sem rumo do que a ventania contrária das ruas. Daí a ansiedade, a atrapalhação e a exacerbação do marketing das soluções virtuais. O emblema do desatino foi a tal Constituinte com o fim específico de fazer a reforma política. A proposta, tida como irrevogável, era de tal sorte absurda que foi revogada em 24 horas. Ficou a pergunta: como pôde a Presidência da República errar de forma tão bisonha? Agora, a fim de disfarçar o recuo, trocou-se a Constituinte exclusiva pelo plebiscito, proposta impraticável.
Além do "pacto" da reforma política, a presidente propôs o pacto da educação: 100% dos royalties do petróleo para o setor. Resumir os problemas da educação à elevação do orçamento seria equivocado. Mesmo assim, os novos recursos vindos desses royalties serão bem menores do que se alardeia, pois a vinculação só vale para contratos de exploração firmados a partir de dezembro de 2002. E eles não gerarão petróleo antes de seis anos; dentro de uns dez o total destinado à educação poderia chegar a R$ 8,5 bilhões anuais - cerca de 3% do Orçamento da União, dos Estados e municípios.
Já o "pacto" da saúde consiste em importar uns 6 mil médicos estrangeiros - a quase totalidade, cubanos. Alguém é contra água encanada ou luz elétrica? Assim, quem se opõe a que o Brasil tenha mais médicos? O problema é como fazer. Eles estão é mal distribuídos, concentrados nas regiões do País com mais infraestrutura. É preciso criar condições para que atuem no interior - e pouco se faz nesse sentido. Nada contra, é evidente, a que profissionais de outros países atuem aqui, desde que seus diplomas sejam revalidados mediante exames, que o Ministério da Saúde quer dispensar. Nota: apenas 5% dos médicos cubanos que a eles se submeteram foram aprovados.
A má distribuição dos médicos é apenas um dos problemas da saúde. O PT reduziu de 53% para 44% a fatia dos gastos totais no setor, jogando mais peso nas costas de Estados e municípios. A Anvisa foi loteada, padrão Agnelo Queiroz; a Funasa, degradada. Durante a gestão petista, a participação das despesas correntes do Ministério da Saúde no SUS caiu de 17% para 14% do total do governo federal (excluídos o benefícios previdenciários). A rede hospitalar tem sido fragilizada, sufocando as Santas Casas. Se a proporção de recursos do SUS para o atendimento hospitalar fosse a herdada do governo FHC, hoje seriam destinados a essa área R$ 7,5 bilhões a mais por ano.
Outro "pacto" anunciado é o dos transportes urbanos: R$ 50 bilhões. A gente fica com a impressão de que são recursos a fundo perdido. Não! Viriam principalmente na forma de oferta de crédito a Estados e municípios. Além disso, matéria do Valor evidenciou que, dos recursos federais disponíveis para essa finalidade, 93% não foram ainda utilizados. Na prática, transportes urbanos nunca foram prioridade do governo petista. Do contrário, jamais teria lançado, há seis anos, o alucinado projeto do trem-bala entre São Paulo e Rio, cujo custo deve andar ali pelos R$ 70 bilhões. Por sorte, a incapacidade executiva do governo não permitiu que o projeto andasse depressa, mas já deve ter consumido cerca de R$ 1 bilhão, com direito à criação de mais uma estatal. Cancelar o trem-bala e concentrar os recursos em trens urbanos seria medida mais que oportuna quando se fala em pactos pelo Brasil.
O bom senso, aliás, recomendaria o barateamento do custo das eleições e maior proximidade entre eleitor e eleito, como a adoção do voto distrital. Se o Planalto quer diminuir a corrupção na máquina pública, não precisa de propostas mirabolantes. Que se exija certificação dos 25 mil cargos de confiança e dos altos funcionários de todas as empresas federais e se refaça com critérios técnicos todo o quadro de dirigentes de agências reguladoras. Mais ainda, que se regulamente com urgência o parágrafo 3.º do artigo 37 da Constituição federal, sobre a participação dos usuários na administração pública direta e indireta, com ênfase no controle da qualidade dos serviços.
Tais medidas, entre outras, seriam simples e eficazes. Mas no petismo o fácil é sempre difícil, pois eles são especialistas em obter vantagens com as dificuldades que criam, e têm a convicção de que os problemas do País se resolvem com marketing e anúncios solenes.
* JOSÉ SERRA É EX-GOVERNADOR E EX-PREFEITO DE SÃO PAULO. 

sexta-feira, 9 de março de 2012

OS SETE "Ps" DE JOSÉ SERRA

Serra e Matarazzo durante encontro com apoiadores (Foto: Joel Silva/Folhapress)

Em evento ontem com cerca de 300 militantes que apoiavam Andrea Matarazzo e agora estão com José Serra nas prévias do PSDB, o ex-governador lançou o que chamou de “os sete Ps” que nortearão sua nova administração à frente da Prefeitura de São Paulo, se eleito.

Serra iniciou sua fala fazendo uma crítica a líderes tucanos. Segundo ele, o PSDB não sabe “faturar” em cima de suas boas ações políticas. Por isso, o primeiro P seria o de “prestar contas”.

“Temos que preparar material específico mostrando o que fizemos em cada região da cidade”, disse Serra. Ele lembrou de Etec (Escola Técnica) feita pelo PSDB em Paraisópolis, na zona sul da capital paulista, que é creditada pela população ao PT.

“A babá dos meus netos mora lá e veio me dizer que o pessoal acha que foi o [ex-presidente] Lula quem fez a Etec”, exemplificou.

O segundo P seria de “primeiro dia de governo”. “Temos que chegar em ritmo acelerado desde o primeiro dia”, disse o tucano. “Revendo contratos para reduzir custo. Fazer mais com menos”, ressaltou.

O terceiro P, de “parcimônia”. “Queria dizer austeridade. Austeridade com dinheiro público. Mas usei parcimônia para ter o P”, explucou Serra.

A cartilha dos sete Ps de Serra continuou com prioridade, planejamento, parcerias e participação. “Quero o partido todo participando, mobilizado nas ações da prefeitura”, afirmou.
Andrea Matarazzo, que discursou antes de Serra pediu que os militantes se mantivessem empenhados na divulgação da canidatura de Serra para dar ao ex-governador uma vitória “estrondosa” nas prévias.

A maioria dos militantes era da Zona Leste da cidade. Prefeitos de outras cidades e vereadores também compareceram à reunião.

Por Daniela Lima, de São Paulo - Folha.com

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

FATOR SERRA ATRAPALHA ALIANÇAS DO PT

Os partidos se preparam para a disputa pela Prefeitura de São Paulo – a mais importante disputa do ano – de olho nas alianças partidárias e, principalmente, no tempo de televisão a que tem direito cada partido.

Foi muito mais neste aspecto que a candidatura de José Serra atingiu a candidatura de Fernando Haddad, do PT.

O partido esperava repetir este ano um amplo arco de alianças, mas a candidatura de Serra acabou atraindo outros partidos que estão com o PT nacional e, ainda, está estimulando o lançamento de outros candidatos – como Tiririca, do PR e Paulo Pereira da Silva, do PDT, partidos que apóiam o governo Dilma em Brasília, além do PSD, com o qual o PT chegou a flertar.

Segundo cálculos de petistas e tucanos, embora as negociações estejam ainda em curso, José Serra deverá contar com o apoio de PSDB, PV, PPS, DEM, PSD e PP. Já o PT poderá contar com o PSB, conforme promessa do presidente do partido, Eduardo Campos, e ainda do PR – se o partido desistir da candidatura do deputado Tiririca. Gabriel Chalita do PMDB está com compromisso com PSC, PSL, PTC, PHS.

Todos disputam o apoio do PTB e do PC do B, mas segundo petistas, o PTB não deve ir para o palanque de Serra; assim como o PC do B também não quer repetir a aliança com o PT em São Paulo porque não recebeu o apoio dos petistas no Rio Grande do Sul, por exemplo.

As articulações pelas alianças estão intensas, mas todos concordam que a entrada de Serra na disputa acabou gerando um fato importante.

- Foi muito bom para o PSDB que terá tranquilidade até 2014 (se Serra ganhar ou perder, não será desde já candidato à presidência) e, principalmente, para Aécio Neves, que terá o caminho livre – reconheceu um petista.

Aécio Neves, por sua vez, fez questão de elogiar a decisão de José Serra, a quem chamou de “grande líder” do partido, e aproveitou para dar uma estocada no PT.

- A candidatura de Serra demonstrou que o PT deu dois tiros no pé ao tentar se aproximar do PSB: o primeiro, porque estimulou o lançamento da candidatura de Serra. e o segundo porque perdeu apoios e o discurso crítico a Kassab pois, o eleitor de São Paulo vai entender que não pode o PT ver virtudes em Kassab quando quer tê-lo como aliado e só defeitos quando não está aliado- disse.

O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, também fez elogios à decisão de Serra, observando que agora o PSDB tem chances fortes de vitória em São Paulo.

Os tucanos não contavam com uma declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em que ele recoloca Serra na lista de possíveis candidatos do PSDB à presidência. Aécio disse que não se sente compelido a se dedicar à uma pré-campanha, alegando que seria pretensão se apresentar desde já:

- Ainda não vejo essa relação direta da candidatura de Serra a prefeito ( com sua uma candidatura à presidência). O Serra já assumiu seus compromissos, mas nós políticos não somos donos de nosso destino. Estamos decidindo porque isso é uma questão para 2014 e não podemos esquecer que o partido tem Geraldo Alckmin, Beto Richa, Marcone Perillo, e pela vitalidade que tem demonstrado, por que não falar em Fernando Henrique Cardoso – disse Aécio

Cristiana Lôbo

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

JOSÉ SERRA SOB PRESSÃO TOTAL



 Enquanto alguns partidos já anunciaram seus candidatos à disputa pela prefeitura paulistana, o PSDB, que tem quatro postulantes (Angelo Andrea Matarazzo, Bruno Covas, José Aníbal e Ricardo Tripoli), aguarda até a meia-noite desta terça-feira (14) uma decisão do ex-governador José Serra.

Semanas atrás, Serra disse que não participaria da corrida rumo à prefeitura de São Paulo, pois estava focado em assuntos de âmbito federal. Em outras palavras, José Serra acalentava o sonho de mais uma vez participar da sucessão presidencial, o que se transformou em pesadelo depois que Fernando Henrique Cardoso disse que o mineiro Aécio Neves é o candidato natural do PSDB em 2014.

Com isso, Serra ficou sem espaço político e voltou a ser pressionado para disputar a prefeitura da maior cidade brasileira. A entrada do ex-governador no páreo muda o quadro sucessório, pois o atual prefeito, Gilberto Kassab, deve desistir da aliança do PSD com o PT, pois é aliado de primeira hora do tucano Serra.

O governador Geraldo Alckmin aposta em uma decisão favorável de Serra, que de alguma forma precisa estar na vitrine política se quiser desmontar a tese de FHC. Por conta disso, o presidente municipal do PSDB, Julio Semeghini, afirma que “há chance concreta” de Serra ser o candidato do partido. No caso de José Serra aceitar a missão de disputar a prefeitura paulistana em outubro, a prévia do PSDB deve ser cancelada
Fonte: Ucho.Info

domingo, 8 de janeiro de 2012

TODOS "JAPONESES"

A eleição para a prefeitura de São Paulo, conforme está se desenhando até o momento, mais parece a perfeita tradução da mediocridade da política brasileira. Todos os candidatos até aqui apresentados são "japoneses", diz-se na gíria política, isto é, são todos igualmente desconhecidos do eleitorado e semelhantes nos seus anonimatos.

Diante desse quadro, não restou ao PSDB alternativa que não fosse a prévia, uma maneira de a direção partidária lavar as mãos na escolha de seu candidato, deixando que a militância decida o destino do partido que, pela primeira vez em muitos anos, ela, direção, não conseguiu definir.
Ao mesmo tempo, as prévias podem impulsionar uma revitalização da militância tucana na capital paulista, o que daria novo fôlego ao partido.

Os tucanos estão à frente do governo do estado de São Paulo há nada menos que 16 anos e retomaram o controle da prefeitura em 2004, quando José Serra, derrotado em 2002 para a Presidência da República por Lula, venceu a petista Marta Suplicy, tendo como vice Gilberto Kassab, àquela altura no DEM, que assumiria o posto para Serra disputar (e vencer) o governo do Estado em 2006.
O único nome forte para o PSDB tentar manter a hegemonia política na prefeitura seria o do próprio Serra, que até o momento mostra-se firme na disposição de não concorrer, guardando-se para uma hoje improvável candidatura presidencial em 2014 pelo PSDB.

Mas ainda há setores do partido que alimentam a esperança de que Serra venha a se candidatar no último momento, que seria entre março e abril.
O adiamento das prévias para março foi feito de comum acordo entre o governador Geraldo Alckmin e Serra. O governador espera dar tempo para Serra se decidir. Serra diz que ganhou tempo para tentar um acordo entre os partidos aliados.

Na sua visão, o ideal seria que cada um dos partidos potencialmente aliados - PSDB, PSD, DEM e PPS - indicasse seu candidato, e as pesquisas e negociações decidiriam a chapa mais forte.
Há, no entanto, quem acredite, inclusive no PT, que Serra deixou a decisão para março para ganhar mais tempo. Desta vez, a famosa indecisão de Serra tem sua razão de ser: se anunciar que disputará a Prefeitura, estará ao mesmo tempo anunciando que abandonou de vez seu sonho de vir a presidir o Brasil.

Isso porque, para dissipar qualquer dúvida de que ficará na prefeitura até o final do mandato se eleito, uma de suas principais fontes de rejeição hoje, teria que também anunciar seu apoio à candidatura de Aécio Neves à Presidência pelo PSDB em 2014.
Mesmo que sua candidatura à Presidência continue inviável no PSDB, Serra sempre teria a opção de tentar seu sonho presidencial por outra legenda, o PSD de Kassab ou o PPS, numa manobra radical.

O fato é que para disputar a prefeitura paulistana de forma competitiva será necessário ter um discurso coerente, o que fica difícil para o PSDB em relação à gestão de Kassab. se os dois partidos forem para a disputa desunidos.
Este foi o problema de Alckmin em 2008: não podia atacar a prefeitura, pois Kassab completara, de modo absolutamente fiel, o mandato de Serra na cidade, e também não podia defendê-la.

Neste ano, separados, nem o PSDB nem o PSD terão discurso na campanha, e o mais provável é que, sem a aliança, Kassab opte por não lançar candidato próprio, para não virar o grande saco de pancada da campanha, além do mais com pouco tempo de TV.

Para uma aliança, o PSD tem um candidato mais forte politicamente que os pré-candidatos do PSDB: o vice-governador Afif Domingos, que entra bem na classe média paulistana e tem a rede das Associações Comerciais como suporte a um discurso de defesa do consumidor, que marca sua vida política, levando-o a quase se eleger para o Senado. A outra opção de Kassab, o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, peca pela falta de apoio político.

Se a aliança do PSD de Kassab com o PSDB se mostrar inviável - e tudo indica que o será, pela distância que separa Alckmin do prefeito - , o mais provável é que o PSD se aproxime do PT, o que poderia dar vitória ao candidato de Lula, o hoje ministro da Educação Fernando Haddad, até mesmo no primeiro turno, pois traria para ele parte da classe média paulistana.

Mesmo com a impopularidade do prefeito em baixa neste momento, ele tem ainda recursos para reverter essa imagem. Além do mais, será difícil para o PSDB atacar sua gestão, pois ele tem se mantido fiel às diretrizes da gestão de Serra, e um ataque à sua gestão pode reverter contra o próprio PSDB.

O governador Geraldo Alckmin tem na reeleição seu objetivo principal, e considera que a eleição para a prefeitura não é determinante para o resultado da eleição de governo do estado.
Em conversas com aliados, ele tem lembrado que perdeu a prefeitura em 2000, mas ganhou o estado em 2002.

Num quadro mais amplo, Jânio ganhou de Fernando Henrique em 1985, e o PMDB ganhou o estado em 1986 com Quércia; Erundina ganhou em 1988 pelo PT, mas Quércia fez o sucessor em 1990. Maluf ganhou em 1992, mas Covas venceu em 1994. Serra perdeu em 1996, mas Covas se reelegeu em 1998.

Desta vez, no entanto, com a disposição de Lula de desbancar o PSDB do controle político de São Paulo, o quadro é diferente: o PT está entrando no décimo ano no governo central, com uma máquina política funcionando a pleno vapor e Lula no auge de seu prestígio político, mesmo que sua capacidade de influir na eleição de São Paulo seja reduzida, como mostraram as derrotas de Marta Suplicy e de Mercadante.

Se obtiverem o apoio da prefeitura, com Gilberto Kassab à frente do PSD, terão também uma máquina local para alavancar a candidatura de Haddad, e o prefeito se livrará da principal fonte de críticas a seu governo.
Os demais candidatos, tanto Gabriel Chalita pelo PMDB quanto eventualmente Celso Russomano pelo PRB e Soninha pelo PPS, não têm cacife político para transformar as críticas à prefeitura paulistana em elemento catalisador da campanha.

Fonte: Merval Pereira - O Globo

domingo, 18 de dezembro de 2011

A FICÇÃO DO AMAURY

O livro "Privataria tucana", da Geração Editorial, de autoria de Amaury Ribeiro Jr, é um sucesso de propaganda política do chamado marketing viral, utilizando-se dos novos meios de comunicação e dos blogueiros chapa-branca para criar um clima de mistério em torno de suas denúncias supostamente bombásticas, baseadas em "documentos, muitos documentos", como definiu um desses blogueiros em uma entrevista com o autor do livro.

Disseminou-se a idéia de que a chamada "imprensa tradicional" não deu destaque ao livro, ao contrário do mundo da internet, para proteger o ex-candidato tucano à presidência José Serra, que é o centro das denúncias.

Estariam os "jornalões" usando dois pesos e duas medidas em relação a Amaury Jr, pois enquanto acatam denúncias de bandidos contra o governo petista, alegam que ele está sendo processado e, portanto, não teria credibilidade?

É justamente o contrário. A chamada "grande imprensa", por ter mais responsabilidade que os blogueiros ditos independentes, mas que, na maioria, são sustentados pela verba oficial e fazem propaganda política, demorou mais a entrar no assunto, ou simplesmente não entrará, por que precisava analisar com tranqüilidade o livro para verificar se ele realmente acrescenta dados novos às denúncias sobre as privatizações, e se tem provas.

Outros livros, como "O Chefe, de Ivo Patarra, com acusações gravíssimas contra o governo de Lula, também não tiveram repercussão na "grande imprensa" e, por motivos óbvios, foram ignorados pela blogosfera chapa-branca.

Desde que Pedro Collor denunciou as falcatruas de seu irmão presidente, há um padrão no comportamento da "grande imprensa": as denúncias dos que participaram das falcatruas, sejam elas quais forem, têm a credibilidade do relato por dentro do crime.

Deputado cassado e presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson desencadeou o escândalo do mensalão com o testemunho pessoal de quem esteve no centro das negociações, e transformou-se em um dos 38 réus do processo.

O ex-secretário de governo Durval Barbosa detonou a maior crise política da história de Brasília, com denúncias e gravações que culminaram com a prisão do então governador José Roberto Arruda e vários políticos.

E por aí vai. Já Amaury Ribeiro Jr. foi indiciado pela Polícia Federal por quatro crimes: violação de sigilo fiscal, corrupção ativa, uso de documentos falsos e oferta de vantagem a testemunha, tendo participado, como membro da equipe de campanha da candidata do PT, de atos contra o adversário tucano.

O livro, portanto, continua sendo parte da sua atividade como propagandista da campanha petista, e evidentemente tem pouca credibilidade na origem.
Na sua versão no livro, Amaury jura que não havia intenção de fazer dossiês contra Serra, e que foi contratado "apenas" para descobrir vazamentos internos, e usou seus contatos policiais para a tarefa que, convenhamos, conforme descrita pelo próprio, não tem nada de jornalística.

Ele alega que a turma paulista de Rui Falcão (presidente do PT) e Palocci queria tirar os mineiros ligados a Fernando Pimentel da campanha, e acabou criando uma versão distorcida dos fatos.
No caso da quebra de sigilo de tucanos, na Receita de Mauá, Amaury diz que o despachante que o acusou de ter encomendado o serviço mentiu por pressão de policiais federais amigos de José Serra.

Enfim, Amaury Ribeiro Jr, tem que se explicar antes de denunciar outros, o que também enfraquece sua posição.
Ele e seus apoiadores ressaltam sempre que 1/3 do livro é composto de documentos, para dar apoio às denúncias. Mas se os documentos, como dizem, são todos oficiais e estão nos cartórios e juntas comerciais, imaginar que revelem crimes contra o patrimônio público é ingenuidade ou má-fé.
Que trapaceiro registra seus trambiques em cartórios?

Há, a começar pela escolha do título ? Privataria Tucana ? uma tomada de posição política do autor contra as privatizações.
E a maneira como descreve as transações financeiras mostra que Amaury Ribeiro Jr. se alinha aos que consideram que ter uma conta em paraíso fiscal é crime, especialmente se for no Caribe, e que a legislação de remessa de dinheiro para o exterior feita pelo Banco Central à época do governo Fernando Henrique favorece a lavagem de dinheiro e a evasão de divisas.

É um ponto de vista como outro qualquer, e ele tenta por todas as maneiras mostrar isso, sem, no entanto, conseguir montar um quadro factual que comprove suas certezas.
Vários personagens, a maioria ligada a Serra, abrem e fecham empresas em paraísos fiscais, com o objetivo, segundo ilações do autor, de lavar dinheiro proveniente das privatizações e internalizá-lo legalmente no País.

Acontece que passados 17 anos do primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso, e estando o PT no poder há 9 anos, não houve um movimento para rever as privatizações.
E os julgamentos de processos contra os dirigentes da época das privatizações não dão sustentação às críticas e às acusações de "improbidade administrativa" na privatização da Telebrás.

A decisão nº 765/99 do Plenário do Tribunal de Contas da União concluiu que, além de não haver qualquer irregularidade no processo, os responsáveis "não visavam favorecer em particular o consórcio composto pelo Banco Opportunity e pela Itália Telecom, mas favorecer a competitividade do leilão da Tele Norte Leste S/A, objetivando um melhor resultado para o erário na desestatização dessa empresa".

Também o Ministério Público de Brasília foi derrotado e, no recurso, o Tribunal Regional Federal do Distrito Federal decidiu, através do juiz Tourinho Neto, não apenas acatar a decisão do TCU mas afirmar que "não restaram provadas as nulidades levantadas no processo licitatório de privatização do Sistema Telebrás. Da mesma forma, não está demonstrada a má-fé, premissa do ato ilegal e ímprobo, para impor-se uma condenação aos réus. Também não se vislumbrou ofensa aos princípios constitucionais da Administração Pública para configurar a improbidade administrativa.".

O livro de Amaury Ribeiro Jr. está sem sexto lugar na lista dos mais vendidos de "não-ficção". Talvez tivesse mais sucesso ainda se estivesse na lista de "ficção".

Merval Pereira - O Globo

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

PRESSÃO TOTAL

(Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom - ABr)

Pressão total – Deputado federal pelo PSDB do Paraná, Fernando Francischini protocolou terça-feira (13), na Procuradoria-Geral da República, pedido de investigação do governador do Distrito Federal (DF), Agnelo Queiroz, e outras oito pessoas, entre elas os irmãos, um cunhado e a mãe do governante, suspeitos de enriquecimento ilícito e envolvimento em atos de corrupção, segundo o parlamentar.

Além da investigação, Francischini requereu a decretação da prisão preventiva de Agnelo Queiro e do seu irmão Ailton, a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos acusados e o bloqueio judicial dos bens dos mesmos.

Agnelo Queiroz é alvo de denúncias de participação em um esquema de desvio de verbas do Programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte. A edição desta semana da revista IstoÉ traz reportagem que levanta suspeitas de enriquecimento ilícito de Agnelo e parentes. O patrimônio da família, segundo a revista, cresceu mais de R$ 10 milhões em três anos, valor que seria incompatível com a renda do governador e dos parentes dele.

A representação de Francischini foi entregue ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, a quem cabe decidir se encaminha a denúncia e o pedido de prisão do governador ao Superior Tribunal de Justiça, que tem atribuição de julgar atos dos governadores.

Perdido politicamente desde que deixou o poder central, o PSDB encontra dificuldades para se firmar como âncora de uma oposição pífia, que nos últimos anos ganhou notoriedade como usina de denúncias e catapulta de ministros acusados de irregularidades. Não se trata de compactuar com supostos atos de corrupção no Distrito Federal, mas é preciso destacar que o pedido de Francischini surge dias depois do lançamento de um livro que coloca no olho do furacão o ex-governador José Serra, eventual candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo.

Diferentemente do que pensam os adversários do Palácio do Planalto, o Brasil precisa de uma oposição republicana e responsável, o que permitiria ao País avançar rumo ao futuro de forma objetiva e séria. Arma covarde utilizada pelo PT enquanto oposição, o denuncismo foi duramente condenado pelos oposicionistas de agora. Em outras palavras, a incoerência continua emoldurando a política nacional, para o desespero dos brasileiros.

Em nota enviada ao ucho.info, o governador do Distrito Federal rebate as acusações que constam da reportagem, classificadas como “mentiras grosseiras e sem relação com a realidade”.

Confira abaixo a íntegra da nota enviada pela Secretaria de Comunicação Social

“De todas as tentativas criminosas de atacar a imagem do governador Agnelo Queiroz, esta é a mais irresponsável e repugnante, ao desrespeitar seus familiares, e principalmente sua mãe, com mentiras grosseiras e sem relação com a realidade.
A reportagem sonega informações esclarecedoras, descumprindo o dever jornalístico, ao construir um texto mal intencionado e mentiroso, que está a serviço de um consórcio criminoso. Usa falsos fundamentos que escandalizam pela falta de ética jornalística.
A matéria traz valores irreais de renda e patrimônio. O governador Agnelo Queiroz repudia a invasão à vida de seus familiares como forma de ataque político, em ação sem escrúpulos.
A revista e o repórter serão processados.
A matéria está a serviço da velha conspiração contra a renovação dos costumes políticos no DF. Mais uma tentativa de forjar uma denúncia que vai ser desmascarada.”

Fonte: Ucho.Info

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

"LIXO É LIXO"

O ex-governador José Serra (PSDB-SP) chamou de “lixo” o livro “Privataria Tucana” do jornalista Amaury Ribeiro Júnior. Na publicação, o repórter fala de um suposto esquema de corrupção no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que envolveria Serra, que ocupou a pasta do Planejamento.

“Vou comentar o que sobre lixo? Lixo é lixo”, afirmou Serra ao ser questionado sobre o livro. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) também evitou comentar a publicação e a classificou como “literatura menor”. Os dois participaram nesta tarde da inauguração de uma sala da liderança tucana na Câmara batizada de Artur da Távola.

Amaury Ribeiro Júnior foi acusado no ano passado durante a campanha eleitoral de ter encomendado a quebra de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB. Tiveram o sigilo violado o vice-presidente do partido, Eduardo Jorge Caldas Pereira, a filha de Serra, Verônica, entre outros. O jornalista negociou participação na pré-campanha da presidente Dilma Rousseff. Amaury afirmou na época que estava buscando informações para seu livro e negou a prática de ilegalidade.

Fonte: O Estado de São Paulo

sábado, 3 de dezembro de 2011

SERRA VOLTA AO JOGO

Tucanos e democratas que conversaram com José Serra nos últimos dias dizem que ele não rejeita mais a possibilidade de se candidatar a prefeito de São Paulo no ano que vem.

O governador do Estado, Geraldo Alckmin, avalia que Serra aceitará concorrer em outubro de 2012. Essa é a principal razão para Alckmin jogar pelo adiamento de uma decisão do PSDB paulistano. Na visão do governador, o partido não tem hoje outro postulante com chance de vitória.
Desde a derrota presidencial no ano passado, Serra alimenta o desejo de concorrer pela terceira vez ao Palácio do Planalto. Ele foi o candidato tucano em 2002 e 2010. Mas o PSDB nacional está cada vez mais fechado com o projeto de lançar o senador mineiro Aécio Neves em 2014.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acredita que a vez é de Aécio. Muitos outros caciques do tucanato paulista passaram a pensar o mesmo. Até aliados do governador paulista dizem que o caminho natural de Alckmin é a reeleição.

Trocando em miúdos: a pista presidencial no PSDB está interditada para Serra.
Nesse cenário, perde força o argumento de aliados de Serra de que a candidatura a prefeito o tiraria da corrida pelo Palácio do Planalto. Na prática, ele está fora desse páreo.

Na opinião de serristas mais aguerridos, se o ex-governador optar pela prefeitura paulistana, dará o passo definitivo para encerrar a carreira. Mas, como Aécio é o virtual candidato a presidente, ficar sem mandato seria um fim a carreira pior ainda.

Um terceiro argumento tem sido apresentado a Serra: se não concorrer em 2012, será grande a chance de eleição do atual pré-candidato do PT a prefeito, o ministro da Educação, Fernando Haddad.
Na oposição, Serra tem sida a voz mais dura contra o governo Dilma e o PT. Enfrentar Haddad permitiria continuar nesse nicho. Mais: o ex-governador teria o apoio de Alckmin, do PSDB, do DEM e do PSD do prefeito Gilberto Kassab. Formaria uma aliança forte, com gás para tentar impedir o avanço petista na maior cidade do país.

Por último, pesaria o imponderável. Faltam três anos para a próxima disputa presidencial. É tempo suficiente para reviravoltas. Uma raposa tucana diz que a fortuna sorriria mais facilmente para um prefeito de São Paulo do que para alguém entrincheirado num blog.

*
OBSTÁCULOS

No Palácio dos Bandeirantes, gente importante faz a seguinte avaliação: será um erro desprezar Haddad. Com taxa de rejeição na faixa dos 10%, o ministro da Educação terá o apoio de um ex-presidente popular e de uma presidente bem avaliada nas pesquisas.

A candidatura de Serra teria de responder com eficácia à crítica de que ele poderia usar novamente a Prefeitura de São Paulo como trampolim. Eleito em 2004, Serra deixou a prefeitura em 2006 para concorrer ao governo de São Paulo. Em 2010, saiu do Palácio dos Bandeirantes para disputar contra Dilma. A rejeição no patamar dos 30% será outro desafio do tucano.

Kennedy Alencar - Folha de São Paulo

domingo, 27 de novembro de 2011

O QUE FAZER COM SERRA?

Seria nacionalmente relevante uma eleição em que os três maiores partidos apresentassem sua nova geração: Fernando Haddad, pelo PT; Gabriel Chalita, pelo PMDB; e um "nome novo" do PSDB. Em vez do enésimo enfrentamento da "velha guarda", nomes para o futuro
Sociólogo e presidente do instituto Vox Populi

Como aqueles entes sobrenaturais incômodos que, às vezes, aparecem nas casas antigas, o ex-governador José Serra, volta e meia, se manifesta. Desde o início do ano, foram várias.
Em todas, causou embaraços e constrangimentos a seus correligionários. Quando, por exemplo, no primeiro semestre, resolveu pisar fundo nas críticas ao PT e a Dilma, em um texto que denunciava a "herança maldita de Lula" (vindo de quem havia se apresentado, em 2010, como o "Zé que vai continuar a obra de Lula"). Justo na hora em que os governadores e os parlamentares tucanos procuravam estabelecer um clima de diálogo com o governo.

Outro dia, materializou-se, subitamente, no encontro peessedebista que estava sendo realizado no Rio de Janeiro, marcado — talvez por coincidência — para quando tinha dito que estaria indisponível. Voltou às pressas da Europa e lá surgiu. Como a maior parte dos debatedores ali reunidos reprovava a campanha que fizera ano passado, teve que ouvir o que não queria.

Procurando acomodá-lo no arranjo partidário que emergiu da convenção de maio, arrumaram-lhe uma função para a qual se revelou inapto. Não faz sentido que o conselho político de um partido seja presidido por quem não dá mostras de querer ouvir os outros. Por quem quer apenas externar pontos de vista individuais.

Até agora, no entanto, Serra não tinha ido tão longe como foi na discussão da estratégia do PSDB para a sucessão da prefeitura de São Paulo. Na última terça feira, para espanto do meio político, saiu-se com a tese de que seu partido não deveria ter candidato a prefeito na maior cidade do país, a capital do estado que governa desde 1994 e o principal bastião tucano nacional.

Seu argumento é de que o PSDB não tem "candidatos viáveis" e que, por isso, deveria se aliar ao PSD, cerrando fileiras em torno da candidatura de Guilherme Afif. Os quatro pré-candidatos tucanos que estão em campo — alguns intimamente ligados a ele — seriam perdedores.

Disputam a indicação os secretários José Aníbal, Andrea Matarazzo e Bruno Covas e o deputado Ricardo Trípoli. Todos, cada um a seu modo, estão qualificados para reivindicá-la — dois são deputados federais bem votados, um foi o campeão de votos para a Assembleia Legislativa (além de ser neto de Mário Covas), outro foi ministro de FHC e subprefeito na administração Serra.

Qualquer um deles é um "nome novo" para a prefeitura (especialmente Bruno Covas). O que não seria nada extraordinário na eleição que, provavelmente, teremos em São Paulo no ano que vem, pois vários dos possíveis candidatos de outros partidos também o são.

Seria nacionalmente relevante uma eleição em que os três maiores partidos apresentassem sua nova geração: Fernando Haddad, pelo PT; Gabriel Chalita, pelo PMDB; e um "nome novo" do PSDB. Em vez do enésimo enfrentamento da "velha guarda", nomes para o futuro.

Lula e Temer sabem que seus partidos precisam disso. Todas as movimentações de Alckmin sugerem que ele também. Os três raciocinam partidariamente (além de pensar, como a vasta maioria dos seres humanos, também em si mesmos). Serra, ao que parece, não. Sua aposta nunca é o novo. É o que ele considera "viável".

A questão é como defini-lo. Em uma de suas frequentes amnésias seletivas, Serra se esquece de sua própria trajetória. Em 1988, quis ser candidato a prefeito e teve uma performance de nanico, com pouco mais do que 5% dos votos (mas não se achava "inviável"). Em 1996, com Fernando Henrique no poder e o Plano Real nas alturas, voltou ao páreo e nem chegou ao segundo turno (mas continuou se acreditando "viável").

Há quem ache que ele "não quer" ser candidato a prefeito em 2012, por ter medo de vencer e, assim, ser obrigado a abdicar de seu sonho presidencial. É improvável: o que tem é um fundado receio de perder, justificado pelo fraco desempenho nas pesquisas.

O que ele quer, mais uma vez, é que o PSDB faça o que ele quer. Se não é candidato, que ninguém o seja, assim permitindo que o partido seja usado na montagem da "estratégia nacional" que imaginou. E que só interessa a ele mesmo (e a seus amigos).

Os tucanos que resolvam. Às vezes, é melhor ter muitos adversários que um só companheiro assim.

Marcos Coimbra - Correio Brasiliense

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

CAVALARIA TUCANA

Economistas ligados a Fernando Henrique Cardoso e a Aécio Neves montam a agenda do PSDB para 2014. A transição no PSDB começa hoje

Depois de passarem este primeiro ano do governo Dilma Rousseff praticamente isolados em suas brigas internas, os tucanos parecem dispostos a sair do casulo e da mesmice. Pelo menos, é esse o plano com um seminário hoje, no Hotel Sheraton, na Avenida Niemeyer, um endereço nobre entre Leblon e São Conrado. E, apostando nos tempos de alegria que os economistas e sociólogos lhe renderam uma era de ouro nos anos 1990, é a eles que o partido agora recorre para elaborar a "A nova agenda: desafios e oportunidades para o Brasil", o pomposo título do encontro.

A lista de palestrantes mescla gente nova no ninho a vozes experientes na área pública. Na ala dos menos conhecidos em Brasília estão os economistas Mônica de Bolle, Armando Castelar, Marcelo Caetano, André Médici e o sociólogo Claudio Beato, que coordenou o programa de governo de Antonio Anastasia em Minas Gerais. Os rostos carimbados na capital da República são os pais do real, Edmar Bacha e Pérsio Arida, e os ex-presidentes do Banco Central Gustavo Franco e Armínio Fraga.

E também o sociólogo, cientista político e administrador Simon Schwartzman, que já presidiu o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Parece ironia reunir os pais do Real para jogar o PSDB no futuro, mas não é. O PSDB sabe que perdeu seu discurso da estabilização da economia como pilar do avanço social que o Brasil obteve nos últimos anos. Essa conta do bem foi para o portfólio de Lula, que, ao longo dos últimos nove anos, abriu um diálogo direto com a população, com seu linguajar simples e de fácil entendimento por todos os brasileiros. Nesse período, o PSDB sentiu o gosto amargo de três derrotas eleitorais. Nas três campanhas presidenciais, faltou ao PSDB a coragem de defender o governo Fernando Henrique Cardoso e as privatizações. Na área de telefonia, por exemplo, foi essa iniciativa que permitiu a popularização do telefone celular.

A avaliação do partido é a de que não adianta brigar pelo que passou e sim olhar para frente, usando os mesmos atributos que permitiram a criação do Real — a ousadia e o conhecimento técnico. E a partir daí, feito o programa, o próximo passo é pedir aos marqueteiros que embalem tudo para presente, como um pacote bem bonito para ser exibido no horário eleitoral gratuito. Foi assim que funcionou nas duas campanhas vitoriosas de Fernando Henrique Cardoso, que, aliás, irá encerrar o seminário na tarde de hoje.

O novo plano vai incorporar segurança pública, Previdência Social e medidas criativas de promoção dos empregos. Marcelo Caetano é claro num artigo que escreveu recentemente: "A política ideal é aquela que oferece aos cidadãos alternativas de saída da pobreza por meio do seu trabalho e que não simplesmente reponham renda quando perderam condição de gerá-la". É uma crítica ao programa que transfere renda sem dar as condições de empregabilidade ao cidadão, leia-se Bolsa Família. A nova classe C quer algo mais e é isso que os tucanos tentam se preparar para oferecer.

O seminário é um ponto de partida, mas politicamente não resolve o crucial: mostrar uma unidade no PSDB. Prova de que nem tudo vai bem no ninho é a ausência do ex-governador de São Paulo José Serra. Ele avisou que só volta ao Brasil na terça-feira. A não ser que chegue hoje de surpresa, estará fora das discussões, portanto, se sentirá à vontade depois para criticar qualquer projeto que sair da reunião.

Serra não convive bem com Gustavo Franco nem Pérsio Arida, economistas convidados. E, a olhar a composição do debate, a preferência por Aécio Neves é clara. Claudio Beato, que estará à mesa no debate sobre a agenda social do Brasil, é da UFMG e coordenou vários programas do PSDB mineiro.

Como dizem alguns tucanos, não há mais divisão no PSDB. A maioria é Aécio. E agora só falta montar um programa que sirva de alicerce ao candidato. Para isso, vem a cavalaria de FHC e do próprio Aécio. Não estarão ali como palestrantes nem Mauro Ricardo Costa nem Andrea Calabi, economistas ligados a Serra. A transição do PSDB começa hoje

Fonte: Correio Brasiliense

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

EI, PSDB, O MUNDO NÃO VAI ACABAR EM TRÊS ANOS

Alguém faria um grande favor à oposição e às instituições do Estado Democrático de Direito no Brasil se lembrasse ao tucanato de alta plumagem que ainda faltam mais de três anos para a eleição presidencial e, antes dela, está agendada uma disputa por votos em todos os municípios brasileiros. Os dois principais ex-governadores do Brasil, o de São Paulo, José Serra, e o de Minas Gerais, Aécio Neves, agem como se ambos não tivessem acabado de protagonizar um dos maiores malogros eleitorais da História do Brasil: a derrota para uma adversária jejuna, desprovida de cintura e sem nenhum charme pessoal, dispondo apenas da alavanca do extraordinário prestígio eleitoral de um presidente no fim do segundo mandato. Quem perdeu foi Serra, dirão os adeptos de Aécio, como se este não tivesse trocado o governo de um Estado da importância capital que Minas Gerais sempre teve no cenário político nacional por um desempenho pífio e impotente num Congresso no qual à legenda dos dois não se atribui sequer o papel de figurante interpretando uma horda indígena num western spaghetti.

"Se for a vontade do partido, estarei pronto para disputar com qualquer candidato do campo do PT, seja Lula ou Dilma", disse o neto de Tancredo Neves à repórter Christiane Samarco, da sucursal deste Estado em Brasília. Depois da divulgação do feito espetacular da presidente, que ultrapassou o índice alcançado por seus dois popularíssimos antecessores em princípio de governo, Fernando Henrique Cardoso, correligionário de Aécio, e Lula da Silva, companheiro de Dilma, na terceira avaliação de desempenho pessoal e de governo, a afirmação do mineiro está mais para bravata do que para promessa. É claro que até 2014 muita água movimentará os moinhos eleitorais e, com Mantega e Tombini e sem Palocci nem Meirelles, a chefe do governo pode dar com seus burros nessas águas.

Mas, mesmo na política, uma dama mais trêfega e caprichosa do que a cantada por Rossini na ópera O Barbeiro de Sevilha, o anúncio soa mais como bilhete de suicida do que como convite para festa. Será que Sua Excelência não percebeu que um partido incapaz de constituir uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) e de aproveitar as oportunidades que o PT e seus aliados têm dado não terá chance de chegar ao topo?

O senador das Alterosas disse que o partido dele e de Serra "amadureceu o suficiente para ver que, ou vamos unidos, ou não teremos êxito". Bem, essa poderia ter sido a amarga lição da derrota para Dilma, provocada pela convicção de Serra de que é melhor perder para os petistas a eleição e a Presidência do que ter de compartilhar o eventual poder após a vitória com os adversários internos de Minas e por ter Aécio preferido a solidão do plenário ao convívio com um parceiro hostil e enfezado. A prova, contudo, de que a lição dolorosa não foi devidamente aprendida, nem sequer assimilada, é a sofreguidão com que, contrariando a prudência dos ancestrais, o neto do símbolo do político manhoso de Minas opta pelo fato consumado, encerrando a conversa ao pé do borralho.

Se a afirmação de Aécio se apoiasse em fatos, ele não teria assumido publicamente o que todo mundo, inclusive Serra, está careca de saber, mas consumiria o imenso tempo de ócio que lhe permite o mandato senatorial de oito anos para encontrar uma solução para desalojar os adversários federais do comando da capital de seu Estado. Ao que parece, o inegável êxito obtido pelo ex-governador em sua bem-sucedida gestão não foi suficiente para permitir que ouça o óbvio ululante de que lhe será menos difícil apear do vagão compartilhado com petistas e aliados a substituir na prefeitura de Belo Horizonte do que derrotar seja Lula, seja Dilma, que, sem dúvida, terão o voto dos aliados locais de ocasião dele.

Mais fácil ainda será para seu desafeto paulistano derrotar na disputa municipal em São Paulo Fernando Haddad, candidato petista da preferência de Lula, ou Gabriel Chalita, mesmo que o noviço peemedebista receba de Alckmin, amigo tucano no governo estadual, mais suporte do que lhe permite a camisa de força partidária. No entanto, Serra não admite sequer discutir a hipótese, de vez que a vitória municipal significará o fim de qualquer ilusão presidencial em 2014. A impotência da cadeira isolada no Senado de nada serviu a Aécio, que também se mostra incapaz de aprender que o capricho dos eleitores reduz a pó vãs ilusões de projetos aparentemente imbatíveis. E a humilhação de perder para um poste arrastado por um mito também não demoveu em um milímetro a prepotência de Serra, que apanha, mas não aprende.

Com um cacife menor do que o de ambos, o prefeito paulistano, Gilberto Kassab, acaba de lhes prestar inestimável serviço ao demonstrar que o desmanche da oposição é muito mais iminente do que sonham os caciques sem índios do PSDB e os coronéis sem jagunços do DEM. A porta de emergência aberta pelo PSD para a fuga dos oposicionistas que não suportarão mais um mandato longe dos cabides das máquinas públicas municipais, estaduais e federal transmite um sinal claro aos ex-governadores dos Estados com os maiores colégios eleitorais do País. Ou eles cuidam de fortalecer as máquinas partidárias do PSDB e do DEM - não criando diretórios onde não existem, mas mantendo as prefeituras de que dispõem e tomando outras de adversários, ainda que se fantasiem de aliados locais -, ou não terão nenhuma chance na disputa presidencial, seja a chapa adversária encabeçada por Lula, Dilma, Marta ou Mantega.

Fato é que 2014 ainda está muito longe no tempo e é quase inalcançável pelo bico dos tucanos, por mais longo e faminto que seja. Mas não é o fim do mundo nem a data da última disputa presidencial no Brasil. Aécio pode muito bem esperar. Serra, nem tanto. Mas antes um galho para pousar e um ninho para se abrigar do que o abismo inevitável de mais uma queda anunciada.

José Nêumane - O Estado de São Paulo

domingo, 29 de maio de 2011

AÉCIO GANHA FORÇA NO PSDB NACIONAL.

Grupo do senador derrotou o de José Serra e vai assumir principais postos de controle no partido

O ex-governador José Serra saiu derrotado na briga interna pelo comando do PSDB e pela liderança na fila de pré-candidatos da legenda ao Planalto em 2014. No novo balanço de poder do partido, o grupo político do senador Aécio Neves (MG) obteve o comando de postos-chave na máquina partidária. Como prêmio de consolação, Serra vai presidir o Conselho Político do PSDB.

Depois de uma madrugada tensa de negociações, Serra recuou do desejo de presidir o Instituto Teotônio Vilela (ITV). Para minimizar danos e não aprofundar o racha partidário, os caciques do partido decidiram turbinar o Conselho, atribuindo-lhe funções práticas, como a edição de normas internas. Mas apesar de presidir o novo órgão, Serra não terá ali maioria. Do mesmo colegiado farão parte o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o próprio Aécio, e os governadores Geraldo Alckmin (SP) e Marconi Perilo (GO).

A luta pelo ITV, que será presidido pelo ex-senador cearense Tasso Jereissati, mais afinado com Aécio, era o pano de fundo da convenção nacional do PSDB que reelegeu o deputado Sérgio Guerra (PE) presidente nacional do partido. A disputa antecipou 2014, em uma espécie de primeira etapa das prévias partidárias que irão escolher o candidato tucano à sucessão da presidente Dilma Rousseff. O objeto real do duelo entre aecistas e serristas era o controle da estrutura partidária para a construção de uma candidatura presidencial.

Com auditório cheio de convencionais, Aécio, Serra e FHC chegaram juntos ao evento. O trio foi recepcionado por um coro que ora pedia um "tucano na Presidência", ora "Aécio presidente" No palanque, porém, todos os discursos foram de união partidária.

O fato é que nunca antes na história tucana, o racha foi exposto de forma tão clara e o risco de uma ruptura ficou tão iminente. (Agência Estado)

Instituto daria mais poder a Serra no partido
Na noite de sexta-feira, o embate fez subir a temperatura da crise interna a tal ponto que as três maiores estrelas do PSDB de São Paulo - Fernando Henrique, o governador Geraldo Alckmin e José Serra - ameaçaram boicotar a convenção e não vir a Brasília. Foi um alívio quando Serra desembarcou sábado na capital. Convencidos de que o ITV é uma estrutura poderosa para Serra trabalhar seu projeto de candidatura presidencial em todo o Brasil, os aecistas avaliaram que se comandasse o instituto, Serra montaria uma presidência paralela no partido.

Fonte: A Gazeta. 


sábado, 6 de novembro de 2010

UM GUERREIRO - HOMENAGEM A JOSÉ SERRA.

..UM GUERREIRO - HOMENAGEM AO DR JOSÉ SERRA45 - MEU PRESIDENTE!

.por Mariolan Benevides de Matos, terça, 2 de novembro de 2010 às 14:30.

O MAIS LINDO TEXTO QUE Já LI E COM ELE HOMENAGEIO O DR JOSÉ SERRA!

Um Guerreiro é aquele que traz, em sua alma, a vontade de servir à humanidade, em sua mente, a sabedoria de suas lutas, em sua índole, a honra da justiça e, em seu coração, o amor para realizar sua árdua missão.

Sua primeira grande batalha é contra si mesmo, para que sua vitória esteja em superar seu egoísmo e sua vaidade. Suas lutas interiores é que fazem dele uma Grande Alma.

Outra grande batalha é superar a incompreensão que lhe cerca e a solidão. Mas, ele segue sua jornada, acreditando.

Ao guerreiro é primordial oferecer o que tem de melhor ao mundo, associando suas artes e habilidades a grandes projetos, tentando fazer de seus atos um presente que entrega a todos, sem que ninguém peça, não esperando elogios ou agradecimentos, mas apenas ver brotarem frutos.

Os atos têm poder. Em vez de guardar saberes, o guerreiro faz uso deles para se posicionar diante do mundo. Ele tem em mente a postura do exemplo e, ao falar, não está interessado em transmitir apenas ideias e informações - cada palavra pode ser um golpe – de ataque ou de sedução, de violência ou de carinho.

Para o guerreiro, estar disponível é sinal de compaixão e de liberdade, pois sabe que qualquer prática, espiritual ou não, só faz sentido se aumenta nossa liberdade diante das configurações do mundo, das imposições dos outros e, principalmente, diante de nossos condicionamentos e hábitos - porque sabe que somos a liberdade da qual tudo brota.

O guerreiro sabe que cada luta pode ser sua última batalha e treina para que, em qualquer situação, sempre haja saídas e caminhos alternativos, para ele e para os outros. Por isso, aceita a responsabilidade de seus atos, mesmo os mais triviais. A arte do guerreiro é saber equilibrar o terror de ser um homem com a maravilha de ser um homem.

“Quando não se tem a coragem de viver como se pensa, acaba-se por pensar como se vive” (Victória O. campo).