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sábado, 22 de junho de 2013

DILMA NO INFERNO DA STANDARD AND SPOOR'S, DAS PESQUISAS E PASSEATAS

ROLF KUNTZ *
O Brasil de dona Dilma vai mal quando cai o dólar, vai mal também quando sobe. É um país invejável. Em todo o mundo, oscilações das moedas principais podem causar tensão e mexer com as bolsas, mas neste país o desarranjo tem sido maior. Em tempos de valorização, o real dispara. Diante da política frouxa no mundo rico, ninguém falou tanto quanto as autoridades brasileiras em tsunami monetário e em guerra cambial. Se o sinal se inverte, como nos últimos dias, a depreciação do real também é maior, como na quinta-feira. Em nenhum outro mercado o dólar chegou a subir 2,45%. A grandeza é a marca nacional. "Temos muita bala na agulha", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, procurando tranquilizar os brasileiros enquanto crescia a turbulência nos mercados. Até o arsenal de intervenção é superior. Nas armas comuns, a conta é uma bala por agulha.
Quanto ao volume de reservas, US$ 376,11 bilhões no dia 19, o ministro Mantega tinha razão. O governo dispõe de bom volume de moeda estrangeira para combater a variação excessiva do câmbio. Mas nem sempre isso basta. Na quinta-feira, o Banco Central ofereceu cerca de US$ 3 bilhões, com escasso resultado. Numa crise prolongada, as reservas se perdem e sai vitorioso quem joga contra a moeda nacional.
É cedo para saber quando os mercados se acomodarão e onde estará o real nesse momento. De toda forma, o governo daria um passo no rumo certo se reconhecesse o mau estado da economia, a tendência de piora de vários indicadores e a vulnerabilidade do País.
O pessoal da Standard & Poor's explicou direitinho por que impôs um viés negativo à perspectiva econômica do País. Os economistas da Moody's também justificaram tecnicamente a decisão de reavaliar a economia brasileira. Não é preciso, no entanto, ter alguma formação econômica para perceber muita coisa fora dos eixos. O alerta das agências de classificação de risco e a perda de popularidade mostrada nas pesquisas sobre o governo apareceram praticamente ao mesmo tempo. Simples casualidade? É difícil e arriscado sustentar essa hipótese, especialmente quando se consideram as reivindicações apresentadas nas passeatas - muito mais amplas que a mera exigência de redução das tarifas de transporte público.
Na quinta-feira, dirigentes do PT conclamaram militantes para entrar nas passeatas com camisas vermelhas e bandeiras do partido. Tentaram e foram rechaçados. Boa parte dos envolvidos nas marchas deve ter votado, no entanto, em Lula, em Dilma e em vários de seus companheiros, incluídos alguns postes. Não está claro se perceberam, mas vários protestos - alguns dos mais notáveis - foram contra iniciativas e políticas federais dos últimos dez anos. Pessoas de espírito mais prosaico já haviam classificado como irresponsabilidade o compromisso de organizar e hospedar a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. Já haviam chamado a atenção, há anos, para o atraso das obras, para o aumento dos custos e o risco de bandalheiras, quando fosse preciso compensar o tempo perdido. A organização Contas Abertas, especializada no acompanhamento das finanças públicas, atualizou com frequência os valores comprometidos e as previsões de desembolso. Quem quisesse poderia acompanhar pela internet, sem maior esforço, a formação de mais um imbróglio financeiro e econômico. Novos gastos, alguns muito pesados e de relevância mais que discutível, foram postos no alto da escala de prioridades, tornando mais bagunçada uma gestão pública já muito ruim.
A perda de tempo e boa parte do encarecimento das obras decorreram de um escandaloso desleixo do governo. Nada, ou quase nada, foi feito no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele batalhou com empenho para trazer as competições ao Brasil e foi vitorioso em 2007. A partir daí, parece haver esquecido o assunto. O trabalho duro ficou para o governo seguinte, já herdeiro de uma inflação elevada, de uma economia com baixo padrão de investimentos e de contas externas em situação de risco. Os dados básicos são claros:
1. Nos dois primeiros anos do novo governo o produto interno bruto (PIB) ficou estagnado, com expansão de 2,7%, em 2011, e 0,9%, em 2012. O quadro continua feio em 2013, mas a obrigação de gastar com a Copa e com os Jogos Olímpicos permanece em pé.
2. Enquanto isso, pioram as contas públicas, arrasadas pela gastança, pela multiplicação irresponsável de incentivos fiscais improvisados e também de transferências do Tesouro para os bancos federais. A grande preocupação do governo, nessa área, é inventar meios de continuar fingindo fidelidade à política de metas fiscais. Os truques contábeis empregados até há pouco tempo já foram escrachados.
3. A inflação tem recuado ligeiramente, mas a parcela de itens com elevação de preços ainda supera 60%. A desinflação dos alimentos terminou e os grandes fatores inflacionários, como a gastança federal, permanecem.
4. O Banco Central refez as projeções das contas externas e elevou de US$ 67 bilhões para US$ 75 bilhões o déficit em conta corrente esperado para 2013. As exportações, nesse quadro, serão 2,22% maiores que as do ano passado. As importações aumentarão 7,97% e o superávit comercial diminuirá 63,93%, de US$ 19,41 bilhões para US$ 7 bilhões.
Que fazer? Há uma pauta evidente na área dos investimentos, na tributação (até agora sujeita a remendos mal escolhidos e mal costurados), na educação (com a redefinição urgente de padrões e prioridades) e no campo da tecnologia. Na hora do aperto, no entanto, a presidente corre para ouvir seu padrinho, guru e conselheiro mor da República e da Prefeitura de São Paulo, como se ele fosse inocente da maior parte dos grandes problemas de hoje, incluído o abacaxi multibilionário dos grandes jogos.

sábado, 1 de junho de 2013

O INFERNO ASTRAL DO PALÁCIO DO PLANALTO

    
A presidente Dilma e sua equipe parecem viver uma espécie de inferno astral
                                               
A presidente Dilma e sua equipe parecem viver uma espécie de inferno astral, a julgar pelos problemas em série surgidos nas últimas semanas. Os resultados ruins na economia, a relação difícil com a base partidária no Congresso (em especial na votação da MP dos Portos), a CPI da Petrobrás e a confusão envolvendo o Bolsa-Família não deram um momento sequer de tranquilidade à cúpula do Palácio do Planalto. Agora é a parceria com o PMDB que começa a azedar, colocando em risco candidaturas do PT e a aliança dos petistas com os peemedebistas em Estados como Bahia, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Minas e Rio.

Em paralelo, o imbróglio na votação da Medida Provisória das tarifas de energia colocou a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil), e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), em rota de colisão.

São muitas notícias ruins de uma só vez, aumentado as instabilidades no entorno do governo. Como consequência, fica parecendo que o governo bate cabeça seguidamente e não consegue acertar a condução da política e da economia.

Se essa combinação de eventos perdurar, periga a abalar a imagem de gestora de Dilma e a da estabilidade de seu governo. O crescimento da inflação e o PIB baixo, por exemplo, já trazem incertezas quanto aos fundamentos da estabilidade econômica.

A gestão parece atrelada à agenda eleitoral, antecipada pelo próprio Lula e pela presidente. Por parecerem atreladas a essa agenda, as medidas do governo para segurar a alta de preços e manter a economia no rumo são colocadas em xeque.

Nem o Bolsa-Família, uma das principais vitrines do governo Lula, escapou dos desgastes. Primeiro ficou parecendo que partiu da oposição a boataria que provocou o corre-corre às agências da Caixa.

Integrantes do governo e do PT surfaram à vontade nessa onda. Dilma chegou a chamar o ato de “criminoso” e “desumano”. Depois a “Folha de S. Paulo” apontou que a Caixa depositou antecipadamente o benefício. E isso é que teria provocado os tumultos em boa parte do país.

Até hoje esse caso não foi bem esclarecido. O que sabe é que setores do governo erraram feio, e o Palácio do Planalto errou também ao culpar a oposição. E o fato é que, no geral, os sinais são de que o poder central vem tendo bem mais tropeços que acertos.

Se tudo isso terá reflexos na disputa de 2014, é cedo para dizer. De concreto, há a constatação que o caminho de Dilma vai se tornando acidentado demais. Isso não estava no radar dela, de Lula e do PT.


Radanezi Amorim  - A Gazeta

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O INFERNO ASTRAL DE ROSE DE FREITAS

O inferno astral de Rose A deputada Rose de Freitas (PMDB) acabou tendo um desgaste bem maior que o esperado na eleição da presidência da Câmara. Ao colocar uma candidatura alternativa no próprio partido, ela desagradou aos cardeais nacionais do PMDB. Depois desse revés, fica mais distante a possibilidade de ela colocar uma eventual candidatura ao Senado em 2014.

Os 47 votos obtidos por Rose foram muito abaixo dos 150 esperados por ela. A deputada acreditava que ela e o também candidato Júlio Delgado (PSB-MG) poderiam levar a disputa para o segundo turno, o que não ocorreu, apesar da divisão dos votos.

Para piorar, a Rose é atribuída a confecção de um dossiê entregue anonimamente nos gabinetes dos deputados, na segunda-feira pela manhã, antes da eleição na Câmara. O material continha a lista de denúncias contra o candidato oficial do PMDB, Henrique Alves (RN).

Além disso, o discurso dela após a eleição soou como desabafo. Ela disse que os colegas de partido foram enquadrados para votar no agora presidente Henrique Alves.

“O ambiente para ela era de saída do partido”, avalia um colega de bancada de Rose. Diante do clima de mal-estar no PMDB, já surgem cogitações que a deputada poderia migrar para PSD – onde teria mais chances para pleitar a candidatura ao Senado ou a reeleição –, ou para o PSDB.

Qualquer que seja a opção, contudo, o resultado da eleição na Câmara fez Rose perder densidade política. É bom lembrar que ela sempre foi considerada uma espécie de “despachante” de prefeitos.

Porém, após ela bater de frente com o partido, não é improvável que agora passe a encontrar algumas portas fechadas na Esplanada dos Ministérios.

Para um integrante da bancada capixaba, Rose errou feio com a candidatura. Por ter sido vice-presidente, ela poderia ter negociado um espaço importante numa comissão da Câmara.

Até a eleição de 2014 ainda falta uma eternidade. Pode ser que até lá a deputada consiga se reinventar ou reduzir os desgastes. Mas, por enquanto, ela se tornou persona non grata no PMDB. E o clima já não andava bom para ela entre os companheiros da bancada capixaba. Por ora, a deputada vive uma espécie de inferno astral.

Fonte: A Gazeta

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

LULA VIVE NOVO INFERNO ASTRAL


As acusações não partiram de nenhum "mequetrefe", mas do próprio operador do mensalão, condenado por isso mesmo a 40 anos de prisão

Já encrencado com o "Caso Rosemary Noronha", o ex-presidente Lula sofre agora um golpe ainda mais duro, sendo acusado de comandar o esquema do mensalão em seu governo. As acusações não partiram de nenhum "mequetrefe", mas do próprio operador do mensalão, condenado por isso mesmo a 40 anos de prisão.
Desde que deixou o poder, esse é o momento mais crítico do ex-presidente. Sua reputação está sendo colocada a toda prova. Por mais que o empresário Marcos Valério seja condenado ou um "canalha", como disse Roberto Jefferson, as acusações são graves demais para passarem em branco.

Não é à toa que o presidente do STF, Joaquim Barbosa, e o Ministério Público Federal defendem abertura de investigação para apurar o possível envolvimento de Lula nas denúncias.

Como visto nas páginas anteriores, entre várias acusações, Valério disse que Lula deu o "ok" para os empréstimos que serviram para pagar o mensalão, e também teve despesas pessoais pagas pelo dinheiro usado no esquema. O empresário atingiu outros petistas, como José Dirceu e Antonio Palocci, citou ainda um encontro com Lula no Palácio do Planalto, e chegou a dizer que foi ameaçado de morte.

Pelas declarações que deu no depoimento e pelas informações que parece ter, Valério se tornou definitivamente homem-bomba da República. É cedo para dizer o alcance do que veio à tona, mas está claro que Lula e PT vivem seu pior momento.

Maior estrela do partido e com status de mito, Lula nunca foi alvo de uma investigação mais consistente. Agora isso pode ocorrer. O momento é grave: o ex-presidente e seu partido são alvos de dois escândalos simultâneos. E essa onda negativa acaba tendo repercussão no governo Dilma, que continua o projeto do anterior.

Curiosamente, o PT chegou ao poder fazendo campanhas eficientes em defesa da ética na política. Quando Lula foi eleito presidente pela primeira vez, em 2002, a campanha nacional do partido era "Xô corrupção", que dizia: "Se a gente não acabar com eles, eles vão acabar com o Brasil".

Agora o partido termina seu décimo ano comandando o país com o pilar da ética danificado, querendo regulamentar a imprensa, atacando STF e com seu maior líder envolto em suspeitas. Ontem, Lula só disse que as acusações de Valério são "mentira". Mas a declaração parece ter convencido tanto quanto àquelas sobre ter sido apunhalado ou traído. O momento atual faz lembrar mais uma vez a famosa frase de Nelson Rodrigues sobre Brasília, nos anos 70: "Todos são inocentes e todos são cúmplices"

Radanezi Amorim