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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
UM PARAÍSO DE PATIFES NUMA REPUBLIQUETA DE CANALHAS
A pirâmide da corrupção debaixo de um magistrado praticante do ilícito pode ter dezenas de envolvidos, sem contar os tentáculos assessórios que se multiplicam conforme a demanda do submundo da corrupção pública e privada.
Estamos orgulhosos da coragem da Corregedora Nacional da Justiça Eliana Calmon Alves que permitiu que se desnudasse o Brasil, não apenas como somente um Paraíso de Patifes que todos já sabem que é, mas muito mais do que isso, como um bunker continental de uma organização criminosa que tem em sua retaguarda de proteção nada menos do que dezenas ou centenas de representantes do próprio Poder Judiciário.
A consequência direta dessa desgraça para o país é que togados corruptos e seus cúmplices, tendo em vista suas absurdas remunerações acrescidas de ganhos ilícitos fazem parte da elite social e jurídica do país, considerando sua subordinação ou cumplicidade ao desgoverno fascista do PT, é conduzir a sociedade refletir em larga escala os efeitos imorais de suas posturas corruptas e prevaricadoras.
Talvez não exista na história da Civilização Ocidental um nível de corrupção da Justiça algo nem de muito longe parecido e tão degenerado como o que está acontecendo no Brasil.
Fica explicada com clareza a facilidade com que o PT e sua base aliada impuseram ao país sucessivos estelionatos eleitorais e transformaram o poder público em um Covil de Bandidos.
A paralisação das investigações que estava sendo conduzida pela Corregedora do CNJ, por nada menos do que o STF, demonstra como o corporativismo corrupto envolvendo o próprio STF, a AMB, a Ajufe e a Anamatra, todas estas últimas sendo associações de juízes, acaba de demonstrar para a sociedade que dizer que o Poder Judiciário é o mais corrupto do país não é apenas uma crítica sem fundamento ou de efeito político, mas sim uma dura realidade que, perante a opinião pública não deixa mais dúvidas: o Regime Ditatorial Civil Fascista imposto pelo PT ao país está respaldado pelo Poder Judiciário.
O que estarão pensando as forças policiais federais e civis, não envolvidas com a corrupção, que têm seus quadros tratados com todo o rigor das leis na hora da apuração de seus desvios de conduta, mas presenciam a absurda situação de um Poder Judiciário com milhares de bandidos entre togados e outros funcionários tendo garantidos a impunidade pelos seus crimes, e que põem em liberdade praticamente todos os cúmplices do PT e de outros partidos presos pela Polícia Federal, ou quando simplesmente desqualificam de forma irresponsável e ilegal operações policiais que custaram milhões dos cofres públicos?
O que estarão pensando os cidadãos comuns que sabem que a sua prática de ato ilícito, geralmente será duramente penalizada com a ação de uma polícia civil e militar que se, não é corrupta, é despreparada para o correto exercício de suas funções?
O que estarão pensando as “casernas” ao assistirem covardemente a união entre o PT sua base aliada e o Poder Judiciário para garantir que as burguesias e oligarquias públicas e privadas fiquem simplesmente milionárias com o roubo do dinheiro dos contribuintes?
Temos provas diárias que a Abertura Democrática não passou de uma fraude para acabar com o Regime Militar, desqualificar as Forças Armadas e impor ao país uma sociedade controlada por oligarquias e burguesias de ladrões que lotearam o poder público transformando o mesmo em um repositório de covis de bandidos agora com a liderança do Poder Executivo respaldado pelo Poder Judiciário.
É muita idiotice alguém dizer que vivemos em uma democracia fingindo que não percebe que a Fraude da Abertura Democrática, na verdade, transformou o país em uma Republiqueta de Canalhas que abriga um Paraíso de Patifes, patrocinado por milhares de esclarecidos canalhas de todas as classes sociais formadoras de opinião e detentoras do poder político e econômico.
Um regime de cotas também divide agora divide o país entre os que podem roubar impunimente e os que têm que temer as leis e as forças repressoras de um Regime Fascista Civil que abriga a maior corruptocracia que o mundo já deve ter conhecido.
Que esses milhares de canalhas, pulhas, patifes, covardes, bandidos, mentirosos, safados, levianos, hipócritas que formam as legiões de corruptos que tomam conta do país quando estiverem com suas famílias na Ceia de Natal tenham um mínimo de consciência e arrependimento por estarem empurrando o país para uma guerra civil de consequências impossíveis de serem avaliadas.
Enquanto o povo ganha as esmolas de uma bolsa qualquer e uma dependência sem fim de um Estado Covil de Bandidos, a classe média acovardada trabalha mais de cinco meses por ano e vive endividada para sustentar as elites da corrupção que ficam milionárias a exemplo de juízes que ganham mais de R$200.000,00 reais por mês por dentro e por fora, conforme diversas denúncias na Internet, que ainda pratica um jornalismo livre e que tem vergonha na cara, porque o resto está perdendo o seu verdadeiro papel de uma imprensa que luta pela democracia com a verdade dos fatos e não com suas manipulações e edições para agradar ou não desafiar os podres poderes constituídos.
Até quando todos esses desgraçados pensam que podem fazer isso com a sociedade?
Até quando eles pensam que as casernas ficarão imóveis e acovardadas a partir do momento que o poder mais corrupto do país é o Poder Judiciário cúmplice de uma Poder Executivo que dá as cartas no Regime Ditatorial Fascista que transformou o Brasil em uma Republiqueta de Canalhas e um Paraíso de Patifes que está se especializando no maior centro de lavagem de dinheiro do mundo?
Temos que gritar para essa presidente que o papel das Forças Armadas não é garantir a impunidade de um Poder Público Covil de Bandidos, mas sim garantir o cumprimento da Constituição e cuidar da segurança interna e externa, sabendo avaliar as consequências, para a segurança nacional, da degradação moral da sociedade provocada pelos próprios podres poderes da Republiqueta de Canalhas, e quando isso terá que ter um fim.
Espero que todos que leiam esta crônica não se omitam de retransmiti-la sem limites.
Parabéns Corregedora Eliana Calmon Alves por ter mostrado ao país o que representa realmente esse Poder Judiciário influenciado por uma máfia de togados corruptos que não passam de grupamentos de canalhas traidores do país e do seu povo. Se esta sociedade tiver um pingo ainda de vergonha na cara deverá sair nas ruas para lhe dar apoio e impedir que esse Poder Judiciário corrupto a desqualifique para continuar sua luta em defesa da honra e da dignidade do Poder Judiciário, enfim do nosso país.
Geraldo Almendra
Estamos orgulhosos da coragem da Corregedora Nacional da Justiça Eliana Calmon Alves que permitiu que se desnudasse o Brasil, não apenas como somente um Paraíso de Patifes que todos já sabem que é, mas muito mais do que isso, como um bunker continental de uma organização criminosa que tem em sua retaguarda de proteção nada menos do que dezenas ou centenas de representantes do próprio Poder Judiciário.
A consequência direta dessa desgraça para o país é que togados corruptos e seus cúmplices, tendo em vista suas absurdas remunerações acrescidas de ganhos ilícitos fazem parte da elite social e jurídica do país, considerando sua subordinação ou cumplicidade ao desgoverno fascista do PT, é conduzir a sociedade refletir em larga escala os efeitos imorais de suas posturas corruptas e prevaricadoras.
Talvez não exista na história da Civilização Ocidental um nível de corrupção da Justiça algo nem de muito longe parecido e tão degenerado como o que está acontecendo no Brasil.
Fica explicada com clareza a facilidade com que o PT e sua base aliada impuseram ao país sucessivos estelionatos eleitorais e transformaram o poder público em um Covil de Bandidos.
A paralisação das investigações que estava sendo conduzida pela Corregedora do CNJ, por nada menos do que o STF, demonstra como o corporativismo corrupto envolvendo o próprio STF, a AMB, a Ajufe e a Anamatra, todas estas últimas sendo associações de juízes, acaba de demonstrar para a sociedade que dizer que o Poder Judiciário é o mais corrupto do país não é apenas uma crítica sem fundamento ou de efeito político, mas sim uma dura realidade que, perante a opinião pública não deixa mais dúvidas: o Regime Ditatorial Civil Fascista imposto pelo PT ao país está respaldado pelo Poder Judiciário.
O que estarão pensando as forças policiais federais e civis, não envolvidas com a corrupção, que têm seus quadros tratados com todo o rigor das leis na hora da apuração de seus desvios de conduta, mas presenciam a absurda situação de um Poder Judiciário com milhares de bandidos entre togados e outros funcionários tendo garantidos a impunidade pelos seus crimes, e que põem em liberdade praticamente todos os cúmplices do PT e de outros partidos presos pela Polícia Federal, ou quando simplesmente desqualificam de forma irresponsável e ilegal operações policiais que custaram milhões dos cofres públicos?
O que estarão pensando os cidadãos comuns que sabem que a sua prática de ato ilícito, geralmente será duramente penalizada com a ação de uma polícia civil e militar que se, não é corrupta, é despreparada para o correto exercício de suas funções?
O que estarão pensando as “casernas” ao assistirem covardemente a união entre o PT sua base aliada e o Poder Judiciário para garantir que as burguesias e oligarquias públicas e privadas fiquem simplesmente milionárias com o roubo do dinheiro dos contribuintes?
Temos provas diárias que a Abertura Democrática não passou de uma fraude para acabar com o Regime Militar, desqualificar as Forças Armadas e impor ao país uma sociedade controlada por oligarquias e burguesias de ladrões que lotearam o poder público transformando o mesmo em um repositório de covis de bandidos agora com a liderança do Poder Executivo respaldado pelo Poder Judiciário.
É muita idiotice alguém dizer que vivemos em uma democracia fingindo que não percebe que a Fraude da Abertura Democrática, na verdade, transformou o país em uma Republiqueta de Canalhas que abriga um Paraíso de Patifes, patrocinado por milhares de esclarecidos canalhas de todas as classes sociais formadoras de opinião e detentoras do poder político e econômico.
Um regime de cotas também divide agora divide o país entre os que podem roubar impunimente e os que têm que temer as leis e as forças repressoras de um Regime Fascista Civil que abriga a maior corruptocracia que o mundo já deve ter conhecido.
Que esses milhares de canalhas, pulhas, patifes, covardes, bandidos, mentirosos, safados, levianos, hipócritas que formam as legiões de corruptos que tomam conta do país quando estiverem com suas famílias na Ceia de Natal tenham um mínimo de consciência e arrependimento por estarem empurrando o país para uma guerra civil de consequências impossíveis de serem avaliadas.
Enquanto o povo ganha as esmolas de uma bolsa qualquer e uma dependência sem fim de um Estado Covil de Bandidos, a classe média acovardada trabalha mais de cinco meses por ano e vive endividada para sustentar as elites da corrupção que ficam milionárias a exemplo de juízes que ganham mais de R$200.000,00 reais por mês por dentro e por fora, conforme diversas denúncias na Internet, que ainda pratica um jornalismo livre e que tem vergonha na cara, porque o resto está perdendo o seu verdadeiro papel de uma imprensa que luta pela democracia com a verdade dos fatos e não com suas manipulações e edições para agradar ou não desafiar os podres poderes constituídos.
Até quando todos esses desgraçados pensam que podem fazer isso com a sociedade?
Até quando eles pensam que as casernas ficarão imóveis e acovardadas a partir do momento que o poder mais corrupto do país é o Poder Judiciário cúmplice de uma Poder Executivo que dá as cartas no Regime Ditatorial Fascista que transformou o Brasil em uma Republiqueta de Canalhas e um Paraíso de Patifes que está se especializando no maior centro de lavagem de dinheiro do mundo?
Temos que gritar para essa presidente que o papel das Forças Armadas não é garantir a impunidade de um Poder Público Covil de Bandidos, mas sim garantir o cumprimento da Constituição e cuidar da segurança interna e externa, sabendo avaliar as consequências, para a segurança nacional, da degradação moral da sociedade provocada pelos próprios podres poderes da Republiqueta de Canalhas, e quando isso terá que ter um fim.
Espero que todos que leiam esta crônica não se omitam de retransmiti-la sem limites.
Parabéns Corregedora Eliana Calmon Alves por ter mostrado ao país o que representa realmente esse Poder Judiciário influenciado por uma máfia de togados corruptos que não passam de grupamentos de canalhas traidores do país e do seu povo. Se esta sociedade tiver um pingo ainda de vergonha na cara deverá sair nas ruas para lhe dar apoio e impedir que esse Poder Judiciário corrupto a desqualifique para continuar sua luta em defesa da honra e da dignidade do Poder Judiciário, enfim do nosso país.
Geraldo Almendra
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
VEREADORES PRESOS DURANTE A SESSÃO
Histórico de turbulência
Cercado: O prédio onde funciona a Câmara Municipal foi praticamente cercado pelos policiais. Quando entraram na Casa, o vereador Samuel Nascimento, mais conhecido como Coronel Nascimento, estava fazendo seu discurso de posse.
Operação: Em 2009, o MPES fez uma operação visando a combater um esquema de fraude na contratação de empresa para fazer concurso público. Dez pessoas foram presas, incluindo o ex-secretário de gabinete e primo do prefeito Ademar Deves, Rubens Devens; o então procurador-geral e servidores da prefeitura.
Prefeito: Prefeito desde 2005, Devens já foi afastado do cargo duas vezes acusado de improbidade administrativa. No último, passou 158 dias fora das funções. Ação do MPES o acusa de fraude em licitações.
Vereadores: Após pedido do MPES, a Justiça ainda afastou liminarmente cinco vereadores - o então presidente Gil Furieri, Luciano Frigini, Ronis do Devens, Paulinho da Vila e George Coutinho.
Rachid: Todos são acusados de "rachid", no qual ficavam com parte do salário de assessores, e/ou de manter "servidores fantasma" em seus gabinetes. Os cinco chegaram a retomar suas cadeiras no Legislativo.
Prisão: Em nova ação, o vereador Gil Furieri foi preso na semana passada. Ontem, também foram presos mais três parlamentares e afastados outros três.
Tempo
5 dias preso: Desde quinta-feira, Gil Furieri está preso por determinação da Justiça.
158 dias de afastamento: O prefeito Ademar Devens ficou fora do cargo de outubro de 2010 a maio de 2011.
Cercado: O prédio onde funciona a Câmara Municipal foi praticamente cercado pelos policiais. Quando entraram na Casa, o vereador Samuel Nascimento, mais conhecido como Coronel Nascimento, estava fazendo seu discurso de posse.
Operação: Em 2009, o MPES fez uma operação visando a combater um esquema de fraude na contratação de empresa para fazer concurso público. Dez pessoas foram presas, incluindo o ex-secretário de gabinete e primo do prefeito Ademar Deves, Rubens Devens; o então procurador-geral e servidores da prefeitura.
Prefeito: Prefeito desde 2005, Devens já foi afastado do cargo duas vezes acusado de improbidade administrativa. No último, passou 158 dias fora das funções. Ação do MPES o acusa de fraude em licitações.
Vereadores: Após pedido do MPES, a Justiça ainda afastou liminarmente cinco vereadores - o então presidente Gil Furieri, Luciano Frigini, Ronis do Devens, Paulinho da Vila e George Coutinho.
Rachid: Todos são acusados de "rachid", no qual ficavam com parte do salário de assessores, e/ou de manter "servidores fantasma" em seus gabinetes. Os cinco chegaram a retomar suas cadeiras no Legislativo.
Prisão: Em nova ação, o vereador Gil Furieri foi preso na semana passada. Ontem, também foram presos mais três parlamentares e afastados outros três.
Tempo
5 dias preso: Desde quinta-feira, Gil Furieri está preso por determinação da Justiça.
158 dias de afastamento: O prefeito Ademar Devens ficou fora do cargo de outubro de 2010 a maio de 2011.
Foram presos os vereadores Jocimar Rodrigues Borges, mais conhecido como Manego (PSB), Ozair Coutinho Gonçalves Auer (PMDB) e Orvanir Pedro Boschetti (PMDB). Além deles, também foram presos o secretário municipal de Infraestrutura Urbana e ex-vereador, Ismael Rós Auer - marido da parlamentar Ozair - e o advogado Guilherme Loureiro.
Também foram afastados os vereadores Ronis do Devens ( PDT), Paulinho da Vila (PT) - que já estavam fora do cargo e tomariam posse ontem - e Luciano Frigini (PSD).
De acordo com o delegado Leandro Barbosa Morais, titular da Delegacia de Polícia Civil de Aracruz, a operação para o cumprimento de mandados judiciais é um desdobramento da que aconteceu na quinta-feira passada, com colaboração do Ministério Público do Estado (MPES) e as Polícias Federal e Civil. As investigações do Ministério Público apontam suspeitas de fraude em licitações, rachid e contratação de funcionários fantasma.
Outros presosNa última quinta-feira, o vereador e ex-deputado estadual Gilberto Furieri (PMDB) foi preso. Também foram presos a empresária e filha do vereador, Cíntia Teixeira Furieri, o sócio dela, Márcio Devens Barcelos, e a presidente da Comissão de Licitação da Câmara Municipal, Renata Aquilino Tavares. Márcio Devens e o empresário Gilmar Luiz Vassoler, que teve a prisão temporária decretada, foram soltos.
Segundo as investigações, os acusados estariam envolvidos em um suposto esquema de fraude em licitação que beneficiaria a empresa Speed- TI, de propriedade de Cíntia e dos empresários Márcio Devens Barcelos e Gilmar Luiz Valosser. (Com colaboração de Mariana Montenegro)
Câmara ficou com quatro representantes
Com as prisões e os afastamentos ocorridos, só restaram na Câmara Municipal de Aracruz quatro vereadores. São eles: Coronel Samuel Nascimento (PSB), Anderson Guidetti (PTB), George Coutinho (PDT) e o presidente do Legislativo, Ronaldo Cuzzuol (PMDB).
E quem acompanhou a sessão de ontem ficou assustado. "Foi a primeira vez que eu entrei na Câmara de Aracruz. Nunca poderia imaginar um acontecimento desse", declarou o biólogo Juarez Pessanha que, assim como vários ambientalistas, se deslocou até o local para acompanhar a votação de doação de uma área localizada na Praia dos Padres para o Instituto Chico Mendes.
A operação aconteceu por volta das 18h20 e contou com 25 policiais do Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção (Nuroc), 10 policiais de Aracruz e três delegados.
Fonte: A Gazeta
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
DE LOBOS E CORDEIROS. LUPI E AGNELO POR UM FIO
Governador do DF agora admite ter recebido dinheiro de lobista, conforme informou VEJA
Que coisa! Antigamente, os lobos eram carnívoros, e os cordeiros, herbívoros. Em Brasília, Esopo ficaria espantado. A etimologia celebra a sua ironia na capital da República Federativa do Brasil… Onde está a pureza, Deus meu?
Carlos Lupi, o ministro do Trabalho, está encrencado. Ninguém mais quer saber dele, nem parte considerável do PDT. A reportagem de VEJA desta semana é, vamos dizer, acachapante. Em que seu caso se diferencia do de Orlando Silva? As evidências de falcatruas são ainda mais escancaradas. E seu partido, à diferença do PC do B, não se digna a atestar a sua inocência. “Lupi”, em latim, é plural de “lupus”, que quer dizer “lobo”, e genitivo singular: “do lobo”.
Mas Brasília também se depara com a hora do cordeiro — em latim, “agnus”. “Agnulus” (cordeirinho) deu em italiano a palavra “agnello”, origem do nome do governador do Distrito Federal, que tem tudo para se afogar nas águas turvas. E, desta feita, não há lobo nenhum lhe fazendo qualquer falsa acusação.
Dinheiro de lobista
Em julho, o lobista da indústria farmacêutica (União Química) Daniel Almeida Tavares disse à VEJA — sempre essa VEJA… — que havia pagado, em 2008, R$ 5 mil de propina a Agnelo quando o agora governador era diretor da Agência Nacional de Saúde. Seria só parte de uma bolada de R$ 50 mil para que o “cordeirinho” lhe arranjasse algumas facilidades. Com a memória prejudicada, Agnelo jurou mais inocência do que o outro, o da fabula de Esopo. Disse que nem conhecia o tal. Teve um surto de memória, embora premido pelos fatos.
Na Folha de hoje, Felipe Coutinho, Felipe Seligman e Andreza Matais informam:
O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), admitiu ontem que recebeu em sua conta pessoal R$ 5.000 de um lobista quando trabalhava como diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, em 2008. O dinheiro foi transferido para a conta de Agnelo por Daniel Almeida Tavares, que na época trabalhava para a farmacêutica União Química. (…). No mesmo dia em que o dinheiro caiu na conta de Agnelo, em 25 de janeiro de 2008, a União Química obteve da Anvisa um certificado sem o qual não poderia participar de licitações nem registrar novos medicamentos. Não foi uma decisão do colegiado da agência. Como diretor da área responsável por conceder o certificado na época, coube a Agnelo decidir sozinho a autorização.
A gente, que aprendeu a acreditar no cordeiro de Esopo, acha um tantinho estranha a história do cordeiro do PT. Segundo ele, o dinheiro era só “pagamento de um empréstimo”. Ah, bom!
O governador admite o que antes negara à VEJA porque as águas começaram a realmente ficaram turvas para o seu lado. Informa a Folha:
O lobista Daniel Tavares procurou a deputada distrital Celina Leão (PSD) há duas semanas afirmando que estava sofrendo ameaças e que precisava de proteção policial. Ele repetiu as acusações contra Agnelo e apresentou documentos, como extratos bancários. Segundo a deputada, o lobista afirmou que os R$ 5.000 transferidos para a conta de Agnelo representam parte de uma propina de R$ 50 mil paga ao petista. Tavares sustenta que os demais R$ 45 mil foram pagos em dinheiro vivo. “Fui orientada pela Polícia Federal para que ele venha à Câmara Distrital e preste depoimento oficial, inclusive para que possamos solicitar proteção policial”, disse ela. Tavares contou a interlocutores ter um vídeo que comprovaria a entrega de dinheiro a Agnelo, além de extratos de outros cinco depósitos bancários que somariam mais R$ 30 mil.
Sim, vocês estão certos: Agnelo é o mesmo cordeiro que antecedeu Orlando Silva no Ministério do Esporte, quando a, digamos, logística com as ONGs foi montada. Um inquérito investigando a sua atuação dormita no STJ (Superior Tribunal de Justiça). Ele pertencia, então, ao PCdoB. Depois migrou para o PT. O agora governador e seu partido tiveram papel fundamental na crise que varreu do Distrito Federal as “famílias” de José Roberto Arruda e Joaquim Roriz. Tudo parecia ir muito bem. Com o apoio da maioria membros da Câmara Distrital, Agnelo parecia destinado a ser o novo “godfather” de Brasília.
PT preocupado e renúncia
Desde o começo, o PT ficou especialmente preocupado com a crise no Ministério do Esporte, como aqui informei tantas vezes, porque ela fatalmente acabaria chamando a atenção para Agnelo Queiroz e seus métodos. Também lhes contei que a demissão de Orlando Silva foi apressada pelo Planalto quando a ministra Carmen Lúcia aceitou a abertura de inquérito, o que faria de Silva um investigado pelo STF. Ruim para o governo? Ruim! Mas o pior para o PT era outra coisa: a ministra determinou que os autos sobre Agnelo migrassem do Superior Tribunal de Justiça para o Supremo. Orlando saindo, tudo seria devolvido, como foi, para o STJ, onde, por alguma razão, os petistas acreditam que as coisas estão sob controle.
Também já contei aqui que a própria Dilma Rousseff comentou com assessores, em tom entre a preocupação e a extrema irritação, a situação de Agnelo. Deixou escapar um “ele que renuncie!”. Deve saber por que disse isso melhor do que nós todos.
Um governador enrolado em falcatruas sempre é uma má notícia em ano eleitoral. Se esse governador é do Distrito Federal, depois de tudo o que se viu lá, aí é mesmo um desastre. O DEM já disse que vai pedir o impeachment de Agnelo. Tem autoridade moral para isso, sim. Afinal, botou na rua os seus larápios.
Reinaldo Azevedo
Que coisa! Antigamente, os lobos eram carnívoros, e os cordeiros, herbívoros. Em Brasília, Esopo ficaria espantado. A etimologia celebra a sua ironia na capital da República Federativa do Brasil… Onde está a pureza, Deus meu?
Carlos Lupi, o ministro do Trabalho, está encrencado. Ninguém mais quer saber dele, nem parte considerável do PDT. A reportagem de VEJA desta semana é, vamos dizer, acachapante. Em que seu caso se diferencia do de Orlando Silva? As evidências de falcatruas são ainda mais escancaradas. E seu partido, à diferença do PC do B, não se digna a atestar a sua inocência. “Lupi”, em latim, é plural de “lupus”, que quer dizer “lobo”, e genitivo singular: “do lobo”.
Mas Brasília também se depara com a hora do cordeiro — em latim, “agnus”. “Agnulus” (cordeirinho) deu em italiano a palavra “agnello”, origem do nome do governador do Distrito Federal, que tem tudo para se afogar nas águas turvas. E, desta feita, não há lobo nenhum lhe fazendo qualquer falsa acusação.
Dinheiro de lobista
Em julho, o lobista da indústria farmacêutica (União Química) Daniel Almeida Tavares disse à VEJA — sempre essa VEJA… — que havia pagado, em 2008, R$ 5 mil de propina a Agnelo quando o agora governador era diretor da Agência Nacional de Saúde. Seria só parte de uma bolada de R$ 50 mil para que o “cordeirinho” lhe arranjasse algumas facilidades. Com a memória prejudicada, Agnelo jurou mais inocência do que o outro, o da fabula de Esopo. Disse que nem conhecia o tal. Teve um surto de memória, embora premido pelos fatos.
Na Folha de hoje, Felipe Coutinho, Felipe Seligman e Andreza Matais informam:
O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), admitiu ontem que recebeu em sua conta pessoal R$ 5.000 de um lobista quando trabalhava como diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, em 2008. O dinheiro foi transferido para a conta de Agnelo por Daniel Almeida Tavares, que na época trabalhava para a farmacêutica União Química. (…). No mesmo dia em que o dinheiro caiu na conta de Agnelo, em 25 de janeiro de 2008, a União Química obteve da Anvisa um certificado sem o qual não poderia participar de licitações nem registrar novos medicamentos. Não foi uma decisão do colegiado da agência. Como diretor da área responsável por conceder o certificado na época, coube a Agnelo decidir sozinho a autorização.
A gente, que aprendeu a acreditar no cordeiro de Esopo, acha um tantinho estranha a história do cordeiro do PT. Segundo ele, o dinheiro era só “pagamento de um empréstimo”. Ah, bom!
O governador admite o que antes negara à VEJA porque as águas começaram a realmente ficaram turvas para o seu lado. Informa a Folha:
O lobista Daniel Tavares procurou a deputada distrital Celina Leão (PSD) há duas semanas afirmando que estava sofrendo ameaças e que precisava de proteção policial. Ele repetiu as acusações contra Agnelo e apresentou documentos, como extratos bancários. Segundo a deputada, o lobista afirmou que os R$ 5.000 transferidos para a conta de Agnelo representam parte de uma propina de R$ 50 mil paga ao petista. Tavares sustenta que os demais R$ 45 mil foram pagos em dinheiro vivo. “Fui orientada pela Polícia Federal para que ele venha à Câmara Distrital e preste depoimento oficial, inclusive para que possamos solicitar proteção policial”, disse ela. Tavares contou a interlocutores ter um vídeo que comprovaria a entrega de dinheiro a Agnelo, além de extratos de outros cinco depósitos bancários que somariam mais R$ 30 mil.
Sim, vocês estão certos: Agnelo é o mesmo cordeiro que antecedeu Orlando Silva no Ministério do Esporte, quando a, digamos, logística com as ONGs foi montada. Um inquérito investigando a sua atuação dormita no STJ (Superior Tribunal de Justiça). Ele pertencia, então, ao PCdoB. Depois migrou para o PT. O agora governador e seu partido tiveram papel fundamental na crise que varreu do Distrito Federal as “famílias” de José Roberto Arruda e Joaquim Roriz. Tudo parecia ir muito bem. Com o apoio da maioria membros da Câmara Distrital, Agnelo parecia destinado a ser o novo “godfather” de Brasília.
PT preocupado e renúncia
Desde o começo, o PT ficou especialmente preocupado com a crise no Ministério do Esporte, como aqui informei tantas vezes, porque ela fatalmente acabaria chamando a atenção para Agnelo Queiroz e seus métodos. Também lhes contei que a demissão de Orlando Silva foi apressada pelo Planalto quando a ministra Carmen Lúcia aceitou a abertura de inquérito, o que faria de Silva um investigado pelo STF. Ruim para o governo? Ruim! Mas o pior para o PT era outra coisa: a ministra determinou que os autos sobre Agnelo migrassem do Superior Tribunal de Justiça para o Supremo. Orlando saindo, tudo seria devolvido, como foi, para o STJ, onde, por alguma razão, os petistas acreditam que as coisas estão sob controle.
Também já contei aqui que a própria Dilma Rousseff comentou com assessores, em tom entre a preocupação e a extrema irritação, a situação de Agnelo. Deixou escapar um “ele que renuncie!”. Deve saber por que disse isso melhor do que nós todos.
Um governador enrolado em falcatruas sempre é uma má notícia em ano eleitoral. Se esse governador é do Distrito Federal, depois de tudo o que se viu lá, aí é mesmo um desastre. O DEM já disse que vai pedir o impeachment de Agnelo. Tem autoridade moral para isso, sim. Afinal, botou na rua os seus larápios.
Reinaldo Azevedo
sábado, 20 de agosto de 2011
PF APURA FRAUDE EM CONTRATO MILIONÁRIO.
FGV foi usada para fraudar licitação na Agricultura, no valor de R$ 9,1 milhões
A Polícia Federal vai investigar indícios de fraude num contrato de R$ 9,1 milhões entre o Ministério da Agricultura e a Fundação São Paulo (Fundasp), mantenedora da PUC no Estado.
Assinado em agosto de 2010, com intermediação do lobista Júlio Fróes, o contrato teria sido firmado com uso indevido do nome e do timbre da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que pediu a investigação do caso e a punição dos responsáveis, segundo denúncia publicada ontem no jornal Folha de S.Paulo.
O contrato se destinava ao treinamento dos funcionários do ministério e a Fundasp já teria recebido R$ 5 milhões do montante previsto. Por meio da assessoria, a PF informou que a denúncia será investigada no âmbito do inquérito 1526, aberta no início da semana para apurar corrupção, desvio de dinheiro, tráfico de influência e outras irregularidades na pasta.
As denúncias provocaram a demissão do ministro Wagner Rossi, substituído na quinta-feira pelo deputado Mendes Ribeiro (PMDB). Ainda segundo a PF, a direção da Fundasp será intimada a depor na próxima semana, além dos demais envolvidos.
No requerimento protocolado ontem, a FGV alega que os fraudadores do contrato teriam falsificado a assinatura do professor Antônio Dal Fabbro, que coordena o setor de aprimoramento de executivos. Por meio de nota, a Fundasp se dispôs a devolver imediatamente o dinheiro já recebido e anular o contrato se ficar comprovada a fraude.
LobbyCom o discurso de que "lobista é uma coisa, ladrão é outra", o ministro da Agricultura toma posse na terça. Ele defendeu a regulamentação do lobby para identificar os setores de pressão. Após a primeira reunião com a presidente Dilma, ontem, Ribeiro disse que recebeu carta branca para mudar o que julgar necessário. E deixou claro que haverá demissões. "Para mudar, vou ter de tirar alguém".
Fonte: A Gazeta
A Polícia Federal vai investigar indícios de fraude num contrato de R$ 9,1 milhões entre o Ministério da Agricultura e a Fundação São Paulo (Fundasp), mantenedora da PUC no Estado.
Assinado em agosto de 2010, com intermediação do lobista Júlio Fróes, o contrato teria sido firmado com uso indevido do nome e do timbre da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que pediu a investigação do caso e a punição dos responsáveis, segundo denúncia publicada ontem no jornal Folha de S.Paulo.
O contrato se destinava ao treinamento dos funcionários do ministério e a Fundasp já teria recebido R$ 5 milhões do montante previsto. Por meio da assessoria, a PF informou que a denúncia será investigada no âmbito do inquérito 1526, aberta no início da semana para apurar corrupção, desvio de dinheiro, tráfico de influência e outras irregularidades na pasta.
As denúncias provocaram a demissão do ministro Wagner Rossi, substituído na quinta-feira pelo deputado Mendes Ribeiro (PMDB). Ainda segundo a PF, a direção da Fundasp será intimada a depor na próxima semana, além dos demais envolvidos.
No requerimento protocolado ontem, a FGV alega que os fraudadores do contrato teriam falsificado a assinatura do professor Antônio Dal Fabbro, que coordena o setor de aprimoramento de executivos. Por meio de nota, a Fundasp se dispôs a devolver imediatamente o dinheiro já recebido e anular o contrato se ficar comprovada a fraude.
LobbyCom o discurso de que "lobista é uma coisa, ladrão é outra", o ministro da Agricultura toma posse na terça. Ele defendeu a regulamentação do lobby para identificar os setores de pressão. Após a primeira reunião com a presidente Dilma, ontem, Ribeiro disse que recebeu carta branca para mudar o que julgar necessário. E deixou claro que haverá demissões. "Para mudar, vou ter de tirar alguém".
Fonte: A Gazeta
sábado, 25 de setembro de 2010
VALE TUDO PELO MALOTE DOS CORREIOS.
Em junho, em uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros e o então presidente dos Correios, Carlos Henrique Custódio, a então chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, afirmou que os Correios enfrentavam uma crise operacional. Para exemplificar o quadro e constranger Custódio, Erenice contou a história de um envelope enviado por Sedex a ela a partir de Santo Antônio de Posse, no interior de São Paulo, para Brasília. Segundo ela, o pacote teria demorado entre quatro e cinco dias para chegar. Lula ficou mais impressionado com a origem do documento do que com a informação da demora do Sedex.
“Santo Antônio de Posse é a terra do Neto (ex-jogador do Corinthians e comentarista de futebol)”, disse Lula. “Mas o que é que você tem lá?” Erenice afirmou: “Meu marido é de lá”. Há pouco tempo, soube-se que o marido de Erenice, o empresário José Roberto Camargo Campos, foi beneficiado por decisões da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e tem cinco empresas de consultoria de telecomunicações e energia em Santo Antônio de Posse, a “cidade do Neto”.
A provocação de Erenice foi considerada parte de uma estratégia para afastar a diretoria dos Correios. No loteamento da administração pública, o setor estava nas mãos do PMDB. Custódio havia sido indicado pelo ex-ministro das Comunicações Hélio Costa e por políticos do partido. Erenice queria derrubar a turma do PMDB e distribuir os cargos para o PT. Pouco tempo após a reunião, o primeiro passo foi dado. Um dos protegidos de Hélio Costa, Marco Antônio Oliveira, foi exonerado da diretoria de Operações, área que mantém contratos bilionários. Três meses depois, surgiram as denúncias de que o filho de Erenice, Israel Guerra, atuou como lobista entre o governo e a MTA, empresa aérea que presta serviços de transporte de carga dos Correios. Era a deflagração da guerra entre PT e PMDB. A mesma que ensaia contaminar a montagem de um eventual governo Dilma Rousseff.
Marco Antônio Oliveira não foi o primeiro diretor dos Correios a perder o emprego por acaso. Sob sua responsabilidade estava um negócio promissor. Tratava-se de substituir as empresas aéreas que prestam serviço para os Correios pela criação de uma nova estatal. A empresa se dedicaria a transportar cargas dos Correios. A justificativa, no argumento de Hélio Costa, é que essa seria a solução para contornar as persistentes falhas nas aeronaves das prestadoras de serviços e, portanto, os atrasos na entrega de correspondências. Nos últimos dez anos, algumas empresas contratadas pelos Correios têm sido investigadas pelo Ministério Público e Polícia Federal por envolvimento em possíveis irregularidades. As empresas são acusadas de conluio para fraudar concorrências e suspeitas de pagar propina para obter contratos com a empresa estatal.
No final de julho, Erenice conseguiu o que queria. Afastou o presidente dos Correios, Carlos Henrique Custódio, e o diretor de Recursos Humanos, Pedro Magalhães, ambos ligados ao PMDB, e nomeou para a diretoria operacional Eduardo Artur Rodrigues. Coronel da reserva da Aeronáutica, Rodrigues foi indicado a Erenice pelo advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Lula. As demissões e as nomeações feitas por Erenice não passaram pelo crivo do ministro das Comunicações, José Artur Filardi, ex-chefe de Gabinete de Hélio Costa e, em última instância, o chefe dos Correios.
O escanteamento de Filardi reforça a ideia de que a Casa Civil estava disposta a não dividir as decisões relativas aos Correios com o PMDB. Mas Erenice enfrentou resistências. O senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), que havia apadrinhado Marco Antônio Oliveira para o cargo, esteve com Filardi e pediu a nomeação do ex-senador pelo Amapá Jonas Pinheiro Borges. Quintanilha também falou sobre o assunto com o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Quintanilha afirma que não indicou ninguém para os Correios. Mas foi um dos quatro senadores a ter audiência com Erenice Guerra durante os cinco meses em que ela esteve à frente da Casa Civil. A insistência do PMDB em permanecer nos Correios chegou ao conhecimento de Lula. “Mas já não tirou o PMDB de lá?”, perguntou o presidente, dando a entender que o PMDB não tinha mais a diretoria de Operações dos Correios.
Antes de ser detonado pela Casa Civil, Marco Antônio levantou para a direção dos Correios a suspeita de que os carros que atendem o colegiado estariam grampeados. O assunto foi discutido numa reunião entre os diretores. No começo de maio, a estatal enviou ofícios à Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e à Polícia Federal solicitando os préstimos das duas instituições para apurar “eventual prática de crime contra a administração pública, decorrente de instalação, sem anuência ou s conhecimento prévio da ECT, de dispositivos de rastreamento em veículos usados por dirigentes da ECT”. No final de junho, a Polícia Federal respondeu aos Correios dizendo não haver justa causa para instaurar inquérito policial. A Abin nem respondeu à estatal porque o trabalho não faria parte de suas atribuições.
A confusão causada pelas desconfianças de Marco Antônio tem outra razão. De acordo com Renato Fonseca, responsável pela prestadora de serviço, o que houve foi a instalação de rastreadores nos veículos dos diretores para aferir a quilometragem e a localização dos carros. O contrato entre a locadora e os Correios previa um limite de 2.000 quilômetros por mês somente no Distrito Federal. “O Marco Antônio ia com o carro dos Correios e o motorista até para Juiz Fora”, diz Fonseca. “O carro que ficava à disposição dele excedia em até 5.000 quilômetros a franquia prevista no contrato.”
O substituto de Marco Antônio, coronel Eduardo Artur, apadrinhado de Roberto Teixeira, assumiu o cargo alardeando que compraria 13 aviões por US$ 30 milhões cada um. A criação de uma subsidiária dos Correios de capital misto já havia despertado o interesse de gigantes do setor aéreo. Consórcios estavam sendo organizados por empresas aéreas como a TAM e a Azul, a fabricante Embraer e até multinacionais como a francesa Peugeot, que tem um braço com atuação na área de logística, interessadas em participar da parceria. “Os Correios não têm experiência para cuidar desse negócio”, afirma Respício Espírito Santo, presidente do Instituto Brasileiro de Estudos Estratégicos e de Políticas Públicas em Transporte Aéreo (Cepta). “É um equívoco. Certamente vai sair mais caro e pior do que se houvesse uma licitação realizada com correção.” Respício diz que haveria implicações de difícil solução, entre elas a necessidade em manter pilotos e tripulantes de avião, um tipo de mão de obra especializada estranho à estatal. Na semana passada, o coronel Eduardo Artur Rodrigues pediu demissão.
A ânsia de Erenice em controlar os Correios provocou efeitos colaterais há três semanas. Ela perdeu o emprego por causa do envolvimento do filho Israel Guerra nos negócios com a MTA. Entre março e julho, a MTA venceu quatro contratos e hoje é a segunda empresa que mais fatura em transporte de cargas dentro da estatal. Um dos parceiros de Israel Guerra nos negócios seria Vinícius Castro, funcionário da Casa Civil até o escândalo estourar. Castro participou de ao menos duas reuniões relacionadas aos Correios, onde seu tio, Marco Antônio Oliveira, foi diretor de Operações. Vinícius também caiu.
A família de Marco Antônio Oliveira e de Vinícius Castro é de Bicas, cidade mineira próxima a Juiz de Fora. Em abril, quando Hélio Costa já havia deixado o Ministério das Comunicações e fazia pré-campanha para ser governador pelo interior do Estado, visitou Bicas e participou da inauguração de uma agência dos Correios no município. Marco Antônio acompanhou Costa. Os dois chegaram de helicóptero à cidade. Marco Antônio reuniu as principais lideranças da comunidade num almoço oferecido ao aliado. Durante o evento, o ex-ministro considerou como certa a transferência do Centro de Distribuição dos Correios que funciona no Aeroporto Internacional Franco Montoro, em Guarulhos, São Paulo, para o Aeroporto Regional da Zona da Mata. A ideia é atribuída a Marco Antônio e serviria para Costa angariar votos no sul de Minas. Grande parte da coleta e entrega de correspondências está em São Paulo, onde funciona o atual Centro de Distribuição dos Correios.
Em meio às mudanças na direção dos Correios, a área financeira, comandada por Décio Oliveira, apresentou números do desempenho da estatal. O lucro da empresa triplicou nos sete primeiros meses de 2010 na comparação com o mesmo período do ano passado. “Diante desses números, não entendia as mudanças ocorridas na direção dos Correios”, afirma o ex-presidente da estatal Carlos Henrique Custódio. “Somente agora tenho uma compreensão melhor.” As mudanças promovidas por Erenice deveriam fazer com que os Correios voltassem à normalidade. Isso, ao menos por enquanto, está distante. A crise desencadeada pela disputa entre PT e PMDB ainda não acabou. Se está assim no final de um governo, a concorrência entre os dois partidos unidos na corrida eleitoral promete muito mais quando eles tiverem de dividir os milhares de cargos em um eventual governo Dilma Rousseff.
Revista Veja - http://bit.ly/bTBBWC
“Santo Antônio de Posse é a terra do Neto (ex-jogador do Corinthians e comentarista de futebol)”, disse Lula. “Mas o que é que você tem lá?” Erenice afirmou: “Meu marido é de lá”. Há pouco tempo, soube-se que o marido de Erenice, o empresário José Roberto Camargo Campos, foi beneficiado por decisões da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e tem cinco empresas de consultoria de telecomunicações e energia em Santo Antônio de Posse, a “cidade do Neto”.
A provocação de Erenice foi considerada parte de uma estratégia para afastar a diretoria dos Correios. No loteamento da administração pública, o setor estava nas mãos do PMDB. Custódio havia sido indicado pelo ex-ministro das Comunicações Hélio Costa e por políticos do partido. Erenice queria derrubar a turma do PMDB e distribuir os cargos para o PT. Pouco tempo após a reunião, o primeiro passo foi dado. Um dos protegidos de Hélio Costa, Marco Antônio Oliveira, foi exonerado da diretoria de Operações, área que mantém contratos bilionários. Três meses depois, surgiram as denúncias de que o filho de Erenice, Israel Guerra, atuou como lobista entre o governo e a MTA, empresa aérea que presta serviços de transporte de carga dos Correios. Era a deflagração da guerra entre PT e PMDB. A mesma que ensaia contaminar a montagem de um eventual governo Dilma Rousseff.
Marco Antônio Oliveira não foi o primeiro diretor dos Correios a perder o emprego por acaso. Sob sua responsabilidade estava um negócio promissor. Tratava-se de substituir as empresas aéreas que prestam serviço para os Correios pela criação de uma nova estatal. A empresa se dedicaria a transportar cargas dos Correios. A justificativa, no argumento de Hélio Costa, é que essa seria a solução para contornar as persistentes falhas nas aeronaves das prestadoras de serviços e, portanto, os atrasos na entrega de correspondências. Nos últimos dez anos, algumas empresas contratadas pelos Correios têm sido investigadas pelo Ministério Público e Polícia Federal por envolvimento em possíveis irregularidades. As empresas são acusadas de conluio para fraudar concorrências e suspeitas de pagar propina para obter contratos com a empresa estatal.
No final de julho, Erenice conseguiu o que queria. Afastou o presidente dos Correios, Carlos Henrique Custódio, e o diretor de Recursos Humanos, Pedro Magalhães, ambos ligados ao PMDB, e nomeou para a diretoria operacional Eduardo Artur Rodrigues. Coronel da reserva da Aeronáutica, Rodrigues foi indicado a Erenice pelo advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Lula. As demissões e as nomeações feitas por Erenice não passaram pelo crivo do ministro das Comunicações, José Artur Filardi, ex-chefe de Gabinete de Hélio Costa e, em última instância, o chefe dos Correios.
O escanteamento de Filardi reforça a ideia de que a Casa Civil estava disposta a não dividir as decisões relativas aos Correios com o PMDB. Mas Erenice enfrentou resistências. O senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), que havia apadrinhado Marco Antônio Oliveira para o cargo, esteve com Filardi e pediu a nomeação do ex-senador pelo Amapá Jonas Pinheiro Borges. Quintanilha também falou sobre o assunto com o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Quintanilha afirma que não indicou ninguém para os Correios. Mas foi um dos quatro senadores a ter audiência com Erenice Guerra durante os cinco meses em que ela esteve à frente da Casa Civil. A insistência do PMDB em permanecer nos Correios chegou ao conhecimento de Lula. “Mas já não tirou o PMDB de lá?”, perguntou o presidente, dando a entender que o PMDB não tinha mais a diretoria de Operações dos Correios.
Antes de ser detonado pela Casa Civil, Marco Antônio levantou para a direção dos Correios a suspeita de que os carros que atendem o colegiado estariam grampeados. O assunto foi discutido numa reunião entre os diretores. No começo de maio, a estatal enviou ofícios à Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e à Polícia Federal solicitando os préstimos das duas instituições para apurar “eventual prática de crime contra a administração pública, decorrente de instalação, sem anuência ou s conhecimento prévio da ECT, de dispositivos de rastreamento em veículos usados por dirigentes da ECT”. No final de junho, a Polícia Federal respondeu aos Correios dizendo não haver justa causa para instaurar inquérito policial. A Abin nem respondeu à estatal porque o trabalho não faria parte de suas atribuições.
A confusão causada pelas desconfianças de Marco Antônio tem outra razão. De acordo com Renato Fonseca, responsável pela prestadora de serviço, o que houve foi a instalação de rastreadores nos veículos dos diretores para aferir a quilometragem e a localização dos carros. O contrato entre a locadora e os Correios previa um limite de 2.000 quilômetros por mês somente no Distrito Federal. “O Marco Antônio ia com o carro dos Correios e o motorista até para Juiz Fora”, diz Fonseca. “O carro que ficava à disposição dele excedia em até 5.000 quilômetros a franquia prevista no contrato.”
O substituto de Marco Antônio, coronel Eduardo Artur, apadrinhado de Roberto Teixeira, assumiu o cargo alardeando que compraria 13 aviões por US$ 30 milhões cada um. A criação de uma subsidiária dos Correios de capital misto já havia despertado o interesse de gigantes do setor aéreo. Consórcios estavam sendo organizados por empresas aéreas como a TAM e a Azul, a fabricante Embraer e até multinacionais como a francesa Peugeot, que tem um braço com atuação na área de logística, interessadas em participar da parceria. “Os Correios não têm experiência para cuidar desse negócio”, afirma Respício Espírito Santo, presidente do Instituto Brasileiro de Estudos Estratégicos e de Políticas Públicas em Transporte Aéreo (Cepta). “É um equívoco. Certamente vai sair mais caro e pior do que se houvesse uma licitação realizada com correção.” Respício diz que haveria implicações de difícil solução, entre elas a necessidade em manter pilotos e tripulantes de avião, um tipo de mão de obra especializada estranho à estatal. Na semana passada, o coronel Eduardo Artur Rodrigues pediu demissão.
A ânsia de Erenice em controlar os Correios provocou efeitos colaterais há três semanas. Ela perdeu o emprego por causa do envolvimento do filho Israel Guerra nos negócios com a MTA. Entre março e julho, a MTA venceu quatro contratos e hoje é a segunda empresa que mais fatura em transporte de cargas dentro da estatal. Um dos parceiros de Israel Guerra nos negócios seria Vinícius Castro, funcionário da Casa Civil até o escândalo estourar. Castro participou de ao menos duas reuniões relacionadas aos Correios, onde seu tio, Marco Antônio Oliveira, foi diretor de Operações. Vinícius também caiu.
A família de Marco Antônio Oliveira e de Vinícius Castro é de Bicas, cidade mineira próxima a Juiz de Fora. Em abril, quando Hélio Costa já havia deixado o Ministério das Comunicações e fazia pré-campanha para ser governador pelo interior do Estado, visitou Bicas e participou da inauguração de uma agência dos Correios no município. Marco Antônio acompanhou Costa. Os dois chegaram de helicóptero à cidade. Marco Antônio reuniu as principais lideranças da comunidade num almoço oferecido ao aliado. Durante o evento, o ex-ministro considerou como certa a transferência do Centro de Distribuição dos Correios que funciona no Aeroporto Internacional Franco Montoro, em Guarulhos, São Paulo, para o Aeroporto Regional da Zona da Mata. A ideia é atribuída a Marco Antônio e serviria para Costa angariar votos no sul de Minas. Grande parte da coleta e entrega de correspondências está em São Paulo, onde funciona o atual Centro de Distribuição dos Correios.
Em meio às mudanças na direção dos Correios, a área financeira, comandada por Décio Oliveira, apresentou números do desempenho da estatal. O lucro da empresa triplicou nos sete primeiros meses de 2010 na comparação com o mesmo período do ano passado. “Diante desses números, não entendia as mudanças ocorridas na direção dos Correios”, afirma o ex-presidente da estatal Carlos Henrique Custódio. “Somente agora tenho uma compreensão melhor.” As mudanças promovidas por Erenice deveriam fazer com que os Correios voltassem à normalidade. Isso, ao menos por enquanto, está distante. A crise desencadeada pela disputa entre PT e PMDB ainda não acabou. Se está assim no final de um governo, a concorrência entre os dois partidos unidos na corrida eleitoral promete muito mais quando eles tiverem de dividir os milhares de cargos em um eventual governo Dilma Rousseff.
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