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domingo, 20 de outubro de 2013

A ARENA VEM AÍ!

Amarildo
Criada em 1966 e responsável pela eleição de todos os presidentes do Brasil durante o regime militar, a Aliança Renovadora Nacional (Arena) está de volta. O partido, que defende o conservadorismo, o nacionalismo, a maioridade penal aos 16 anos e até mesmo o integralismo – corrente ultraconservadora favorável à manutenção das hierarquias sociais – já tem diretório nacional reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e busca musculatura para entrar no páreo nas eleições de 2016.

À frente dessa movimentação, não está nenhum militar ou figura que tenha vivenciado o período da ditadura. Quem defende a volta da Arena, com base nos preceitos militares, é uma estudante gaúcha nascida em 1989. Criada na região metropolitana de Porto Alegre, Cibele Baginski se diz desiludida com os atuais partidos. “De cabeça, não me lembro de nenhum que seja honesto, mas deve ter”.

Beneficiária de uma das principais bandeiras sociais do governo Lula – o ProUni, que concede bolsas de estudo em faculdades particulares a estudantes com baixa renda familiar, egressos de escolas públicas –, a nova presidente nacional da Arena quer o fim das cotas raciais e sociais e o isolamento de traficantes em presídios.

“Não vou te dizer 'faça uma prisão em forma de triângulo em uma ilha deserta', mas é preciso ouvir especialistas, porque muitos traficantes continuam atuando de dentro das prisões e isso pega mal para o país”, avalia Cibele, que acrescenta aos seus anseios a volta da Educação Moral e Cívica à grade curricular das escolas, porque “faltam noções de etiqueta” aos brasileiros.

A líder da “nova” Arena desconsidera as atrocidades do regime militar e ressalta que “as pessoas mais velhas têm saudade” do partido que pretende trazer de volta à vida. Dizendo que “as medidas provisórias” usadas pelo modelo presidencialista “são absurdamente ditatoriais”, Cibele afirma: “o decreto-lei (usado pelos militares) era menos perigoso”.

Hoje a Arena tem quase metade das 491 mil assinaturas necessárias para ser reconhecida. Num momento em que os partidos estão em crise de identidade e a política cada vez mais desacreditada, ter um discurso contundente, sem medo de posicionamentos, pode ser um diferencial. Mas, neste caso, remete o Brasil a um passado nada glorioso, onde o simples fato de discordar do poder era sinônimo de mordaça. É andar para trás.

"Jair Bolsonaro é um cara espontâneo"



Bolsista do Programa Universidade para Todos (ProUni), lançado pelo ex-presidente Lula (PT), a universitária Cibele Bumbel Baginski quer atuar como advogada. Aos 24 anos, a gaúcha de Porto Alegre se uniu a um grupo de amigos de Caxias do Sul para recriar a Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido que sustentou o regime militar no país. Admiradora do deputado Jair Bolsonaro, a jovem defende valores morais, condena beijos em público e diz que o PSDB e o PSB, partidos que hoje se colocam como opositores do PT de Dilma Rousseff, são siglas semelhantes. Confira a entrevista:

Como surgiu a ideia de refundar a Arena?

Eu trabalho, já há algum tempo, com amigos e colegas de trabalho que dialogam sobre política. Chegou uma hora que o grupo estava tão indignado que alguém disse: 'vamos ver como se monta um partido?'. Pesquisamos os ideais, a cartilha de propostas, projetos de governo antigos. Vimos que alguns temas, como a falta de emprego, a seca no Nordeste, a desnutrição, ainda existem. O Brasil não se desenvolveu.


Será uma reprodução do partido que deu apoio aos militares?

É uma releitura mais moderna, porque temos que olhar para frente. Ninguém dirige um carro olhando pelo retrovisor. A gente quer trabalhar pelo Brasil do futuro, com uma perspectiva de algo novo e moderno. As pessoas não estão acostumadas a serem ouvidas. Se você for formar um grêmio estudantil, um diretório, as pessoas ficam te olhando sem saber o que fazer, porque sempre há um grupo com ideias prontas, com o modelo já formulado.

Como está a coleta de assinaturas? Em quantos Estados vocês já têm diretórios?

Está dando bastante trabalho. A gente tem uma falha muito grande ao chegar aos cartórios, porque as pessoas têm letras horríveis, os nomes são muito comuns, não se acham os números de títulos eleitorais. Estamos beirando as 200 mil assinaturas. Nossa meta é ter o partido reconhecido para a eleição de 2016, e já temos diretórios no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal, Pernambuco, Ceará, Sergipe, Amapá, Roraima, Acre e Amazonas.


O DEM e o PP são remanescentes da Arena. O que deu errado?

Eu já fui do DEM e eles são centristas. Defendem o liberalismo moderado. O PP, se fores olhar, verás que eles têm vergonha de terem sido Arena. A direita tem bastante vergonha de ser direita. O nível de instrução das pessoas não chega ao nível de elas procurarem saber das coisas. Tem gente que prefere acreditar nas novelas.


O PSDB, com Aécio Neves, e o PSB, de Eduardo Campos, se colocam como opositores do PT. Qual sua avaliação?

O PSDB não se difere do PT, e o PSB, pelo menos aqui no Sul do Brasil, é um partido de microempresários. Os dois se apresentam como sendo ‘o novo’, e terão que mostrar isso.

Uma proposta da Arena é o retorno do ensino de Educação Moral e Cívica e Latim nas escolas. Qual a utilidade disso?

As pessoas não sabem como se comportar num evento, não sabem os símbolos do país. Isso existia antes e ninguém reclamava, muito pelo contrário, porque se aprendia a receber turistas, a se comportar no exterior. Hoje as pessoas não sabem nem por que tem estrelinhas na bandeira do Brasil. Quanto ao Latim, não defendo fazer as crianças fluentes, porque realmente não serviria para nada. Mas serviria para ampliar o idioma, entender as normas de Língua Portuguesa.

No seu Facebook, há uma foto em que você aparece ao lado do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RS), um político que defende a volta dos militares e adota posturas ditas como homofóbicas. Você o admira?

Jair é uma pessoa espontânea. Às vezes o que acontece é uma interpretação errada do que ele diz. Não acho que ele seja preconceituoso com essas pessoas. Ele só não quer que façam coisas obscenas na frente das famílias com filhos. Ele sabe que tem gente que exagera.


Dois homens ou duas mulheres se beijarem em público é obsceno?

Assim como um homem e uma mulher também. Tem criança que não entende.

Então os casais não devem se beijar em público?

Um cara quase 'comendo' o outro na frente de alguém é uma cena complicada. Tem pessoas que se transformam em máquinas de sucção. Bom-senso e noção é algo que qualquer um deve ter.
Fonte: Praça Oito - A Gazeta

sexta-feira, 28 de junho de 2013

AS MUITAS PEDRAS NO CAMINHO

Durante caminhada por um parque público, o autor destas linhas ouviu trechos da conversa entre dois senhores com mais de 60 anos: "O problema é o aparelhamento do poder pelos partidos que estão no governo federal e até em outros; só interessa, só se faz o que é conveniente para manter no poder o pessoal desses partidos; sindicatos, associações, nada disso importa mais". Não é de estranhar, assim, que os movimentos de rua tenham sido mobilizados, via internet e telefones celulares, pelas redes sociais, que independem de partidos. Nem que 77% das pessoas mobilizadas por essas vias tenham diploma universitário (77%) e menos de 25 anos de idade (53%), segundo pesquisa recente (Folha de S.Paulo, 19/6).
As redes sociais abrangem 79 milhões de pessoas no País (Estado, 18/6). Setenta entidades já se mobilizam agora para reunir 1,5 milhão de assinaturas em favor de uma Assembleia exclusivamente Constituinte - embora não se saiba qual será o projeto básico para essa nova Constituição - e há partidários e adversários no Congresso e no Judiciário. Mas parte dos manifestantes não aceita a participação de parlamentares (Agência Estado, 21/6). O próprio presidente do PT-SP, Edinho Silva, aceita a crítica de que seu partido não assimilou os novos movimentos sociais (21/6) e precisa encontrar uma "agenda para a juventude". Talvez por isso, esta semana o PT deu alguns sinais de rebeldia, criticando a presidente da República.
Que respostas a parte da sociedade desligada de partidos e governos dará aos cinco projetos básicos enunciados pela presidente? Esta começou pela proposta de "responsabilidade fiscal" nos governos federal, estaduais e municipais. Mas como se fará isso num regime generalizado de incentivos fiscais para tantos setores? Como se fará se há Estados que já concederam um total de incentivos - para instalação de empresas em seus territórios - equivalente a mais de dez vezes sua arrecadação anual e não abrem mão desses sistema, como se tem visto nas discussões no Congresso e no Confaz? E o passe livre combina com a proposta? Quem pagará?
O segundo ponto é o da "reforma política", com plebiscito, já com contestadores nos partidos e fora, até argumentando que a internet "não revogou a Constituição", que tem dispositivos específicos para esse caminho. E se tudo precisa passar pelo Congresso, como esquecer que ali tiveram apoio projetos - execrados nas ruas - a favor da revogação de poderes do Ministério Público para investigações (afinal rejeitada, sob pressão) e da "cura gay", entre vários? Como deslembrar que o Executivo federal tem partilhado o poder com agremiações políticas e parlamentares que defendem posições repudiadas nas passeatas? Correrá o risco de perder esse apoio e tornar-se minoritário no Parlamento?
Um terceiro tema do pronunciamento presidencial, o dos transportes, colide com a pregação do equilíbrio fiscal, ao propor a isenção de contribuições, desoneração de impostos estaduais e municipais, alívio nos impostos sobre energia elétrica e óleo diesel, além de mais verbas orçamentárias (R$ 50 bilhões) para investimentos na "mobilidade urbana" (enquanto se entopem as ruas com veículos produzidos com incentivos fiscais). A destinação de 75% dos royalties do petróleo para a educação e 25% para a saúde pode enfrentar a resistência de Estados produtores.
O capítulo dos transportes urbanos talvez seja o mais complicado, porque não se circunscreve à questão do preço dos bilhetes. A cidade de São Paulo, por exemplo, perde R$ 33 bilhões anuais com o trânsito, 10% do seu PIB (Estado, 19/9/2010). E o tempo médio consumido pelo paulistano para se deslocar não para de crescer: há dois anos já era de duas horas e 49 minutos diários, o que significa um total de um mês por ano. A frota brasileira em dez anos dobrou (21/10), em São Paulo foram mais de 3,4 milhões de veículos entre 2001 e 2011. Mas o que se planeja é um multibilionário trem-bala Rio-São Paulo. Como se pretende enfrentar essas questões?
Da mesma forma, não parece definido com eficácia o que se fará na área da saúde. Um ponto já levanta acirrada polêmica, seja entre profissionais da saúde, seja na população: a contratação de médicos no exterior.
E tudo isso acontece em meio à queda nos índices de aprovação do governo e da presidente, assim como em meio à descrença progressiva nos três Poderes da República. A presidente e seu Ministério viram cair para apenas 19% seu índice de aprovação alta, ante 51% na avaliação anterior (Folha de S.Paulo, 19/6). Isso pode indicar que não faltará apoio para novas manifestações convocadas pelas redes sociais.
Tudo leva às mesmas perguntas já formuladas no artigo da semana passada neste espaço: conseguirão as redes sociais formular um projeto político para o País - e não apenas reivindicações pontuais? Se conseguirem e tiverem apoio social, como conseguirão torná-lo viável em termos legais? Como ficará o governo, que até aqui se tem mantido graças a apoio negociado com uma base política que se mantém adstrita a seus interesses específicos, e não a desejos mais amplos da sociedade? Ou caminhamos, como outros países, rumo a transformações bruscas, mas também ineficazes? Ou ainda - o que parece menos provável - haverá um esvaziamento dos protestos? Sem falar que o País continua sem uma estratégia básica que dê prioridade a suas vantagens comparativas, a começar pelas áreas de energia e recursos naturais.
Parece não haver dúvida de que vivemos um tempo em que as instituições se mostram defasadas em relação às aspirações sociais. Excetuados os países mais ricos da América do Norte ou do Norte da Europa, onde problemas sociais são menos agudos, e países fechados politicamente, autoritários - a China é o exemplo mais forte -, o panorama em toda parte só desperta aflições. E o que se anuncia para o Brasil não parece ainda mudar o panorama.
* WASHINGTON NOVAES

sábado, 4 de maio de 2013

BRASIL JÁ TEM 30 PARTIDOS E PODE GANHAR MAIS 28

Foto: AE
AE
Pré-candidata à Presidência, Marina Silva busca apoios para fundar sigla

A salada mista de partidos políticos no Brasil pode dobrar de tamanho. Além das 30 siglas em atividade no país, outras 28 estão batendo na porta da Justiça Eleitoral pedindo registro. Calma! Isso não significa que o eleitor será mais bem representado. O problema, apontam especialistas, é quando essa pulverização de novas legendas indica mais uma distorção do sistema político do que a consolidação de agremiações com raízes sociais.

Na fila de agrupamentos mobilizados em busca de sucesso figuram inusitadas denominações: Partido Militar Brasileiro, Partido da Mulher Brasileira, Partido dos Servidores Públicos e dos Trabalhadores da Iniciativa Privada do Brasil e até Arena (Aliança Renovadora Nacional) – legenda de “direita” que sustentou a ditadura militar e tenta ser refundada.

O mais recente aspirante a partido é o Rede Sustentabilidade, gestado pela ex-senadora Marina Silva. Mesmo com recall, ela não conseguiu adesões suficientes – até ontem, contabilizava 263.515 assinaturas. Contra tais iniciativas, e embora sempre “enterre” a reforma político-eleitoral, o Congresso, de súbito, quase aprovou uma emenda constitucional que retira tempo de TV e fundo partidário para novas legendas.

Presidenciável, Marina chamou de ”casuísmo” a manobra eleitoral visando a 2014, por ter sido patrocinada para favorecer a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) e consolidar o “gigantismo” da coalização do PT e do PMDB no poder central. O caso do Rede, porém, parece isolado dos demais.

A maioria desses grupos começou a se organizar depois de 2007, quando uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral passou a ameaçar políticos que mudam de partido com a perda do mandato, a menos que troquem de “camisa” por motivos como fusão ou criação de novas siglas. Desde 2011, três siglas foram fundadas: os nanicos PPL e PEN e o PSD - nascido da costela do frágil DEM rumo ao barco governista e único com algum vigor político.

Segundo pregam os adeptos da barreira a novas legendas, a democracia amadurece com grandes e poucos partidos de bandeiras e representação social definidas. Além disso, essa restrição impediria negociatas de legendas que alugam tempo de TV nas coligações eleitorais.

Já os “nanicos” negam falta de identidade programática ou ideológica e pregam que essa limitação concentra poderes nas mãos de caciques.

O Brasil já conviveu até com o bipartidarismo em parte da ditadura militar, quando havia a Arena e o MBD, de oposição consentida. Com a volta do pluripartidarismo na legislação eleitoral, PT, PSDB e PMDB assumiram protagonismo num xadrez cada vez mais heterogêneo e complexo: de três partidos em 1981, passando para 23 em 1997 até chegar aos 30 atuais.

O nó partidário no Brasil

Como tirar um partido do papel
Passo a passo
1- Reunir interessados na criação da nova legenda
2- Elaborar e aprovar o estatuto e o programa
3- Coletar cerca de 500 mil assinaturas distribuídas por ao menos nove Estados
4- Homologar as assinaturas recolhidas na Justiça Eleitoral
5- Publicar os dois documentos em uma edição do Diário Oficial para que o Tribunal Superior Eleitoral conceda o registro.

Geleia Geral
Fila de pedidos
O Brasil tem 30 partidos em atividade atualmente. Outros 28 buscam registro, sendo mais de 10 só no Ceará e Rio Grande do Sul. Não houve iniciativa no Espírito Santo.

Militar e Cristão
Nomes inusitados
Com nomes que remetem a causas sociais, a segmentos os mais diversos e até a categorias profissionais, essas agremiações têm vários títulos: Partido dos Militares do Brasil, Partido Ecológico Cristão, Partido dos Servidores Públicos e dos Trabalhadores da Iniciativa Privada do Brasil e Partido Novo (fundado por empresários desiludidos com a política tradicional).

Interesses
Fundo partidário
Mesmo sem representação no Congresso, as novas legendas ganham acesso aos recursos do Fundo Partidário, o que atrai interesses de todo tipo. Formado por verbas do Orçamento da União, o fundo distribuiu R$ 350 milhões no ano passado – o valor não passava de 700 mil em 1994.

Estados Unidos
Sistema de barreiras
Já nos Estados Unidos, são mais fortes as barreiras a legendas, só ultrapassadas pelos Democratas e Republicanos, dentro dos quais convivem várias correntes e setores.

Análise: “Nosso sistema gera distorções”

Infelizmente, nosso sistema eleitoral estimula e abre a possibilidade de criação de muitos partidos. O fato de vários grupos pedirem registro na Justiça Eleitoral é indício de que há democracia, mas essa fragmentação de legendas gera distorções. O principal problema são os partidos de aluguel, a venda de legendas nas coligações eleitorais. Precisamos de um modelo com menos partidos, mas que sejam mais ativos e detenham maior representatividade da sociedade. Nos Estados Unidos, por exemplo, a cláusula de barreira tem forte poder de restrição à sobrevivência de novas agremiações. Só conseguem ultrapassar essas cláusulas e eleger representantes os maiores partidos, Democrata e Republicano.

Ricardo Caldas, Cientista político/UnB

Fonte: A Gazeta
 

sábado, 20 de abril de 2013

CASUÍSMO CONTINUÍSTA

O Estado de S.Paulo

Urge que se adotem no Brasil regras mais rígidas para que se autorize o funcionamento de novos partidos políticos. Conviria desde já impedir que representantes do povo mudem de legenda como trocam de camisa ao longo do mandato sem respeitar a vontade do eleitor que o sufragou. Tais providências são necessárias para dar mais legitimidade à democracia representativa. Mas isto não deveria servir de mero pretexto para uma malandra intervenção nas regras do jogo democrático com o claro objetivo de facilitar a permanência de quem já está no poder.

Este é, claramente, o caso da lei aprovada a toque de caixa na Câmara para limitar o campo de ação de novas siglas numa tentativa sem disfarces de evitar que a presidente Dilma Rousseff tenha de disputar o segundo turno da eleição presidencial de 2014. Tal possibilidade se abriria com as presenças no pleito da ex-correligionária Marina Silva e do aliado, prestes a deixar de sê-lo, Eduardo Campos. No avesso das facilidades dadas à organização do Partido Social Democrático (PSD) do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, brindado com a partilha fraterna do Fundo Partidário e do horário de propaganda partidária no rádio e na televisão, as novas siglas serão tratadas a pão e água.

Quando a lei entrar em vigor, parlamentares não poderão mais levar junto com seu mandato a parcela que lhes cabe no tempo de propaganda na televisão e no rádio e nas verbas públicas que, na prática, fazem os partidos funcionar.

O emprego de dois pesos e duas medidas - tapete vermelho para receber Kassab e um número expressivo de ex-oposicionistas do Democratas (DEM) na coligação que se formou para apoiar a reeleição da presidente da República, de um lado, e, de outro, o "rigor da lei" para os ex-amigos Campos e Marina, que ameaçam desafiar a candidatura oficial em 2014 - denuncia as intenções dos governistas. Só isso justifica o açodamento para a aprovação das novas regras, com a adoção de urgência urgentíssima de um texto que mira a eleição presidencial a ser disputada em um ano e meio, na terça-feira, e a votação acachapante, no dia seguinte - 240 votos a favor, 30 contra e 13 abstenções. A expressão "rolo compressor", usada no jargão parlamentar para descrever ações governistas para obter apoio parlamentar para seus projetos, pode ser usada no caso, portanto, com toda a propriedade. O governo nem escondeu este propósito: o repórter do Estado João Domingos ouviu a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, cobrar a fidelidade das bancadas governistas em telefonemas para seus líderes.

Neste rolo, aliás, até os oposicionistas do Democratas (DEM), debilitado com a criação do PSD, pegaram uma carona oportunista: emenda do ruralista e deputado pelo DEM Ronaldo Caiado (GO) condicionará a distribuição de verbas para o Fundo Partidário e tempo na propaganda eleitoral às votações obtidas pelas legendas nas eleições anteriores. Em tese, trata-se de uma providência que adota "um princípio de justiça válido", na definição do cientista político Cláudio Gonçalves Couto, da FGV. Pois a permissão para transportar verbas e tempo dos parlamentares sem levar em conta as siglas pelas quais foram eleitos favorece novos partidos e prejudica os que já funcionam.

Só que esta redução das proporções de tempo e verbas públicas que cabem às legendas menores e a súbita generosidade com as bancadas em ação no Congresso foram adotadas para facilitar a vitória de Dilma no primeiro turno da eleição. A iniciativa foi inspirada no temor da repetição do fenômeno Marina Silva, que levou a disputa de 2010 para o segundo turno. Tudo foi feito para dificultar adesões a sua Rede Sustentabilidade, que já enfrenta dificuldades com a lei vigente. E a pressa para a adoção das novas regras tenta impedir a proliferação de siglas atreladas ao projeto de disputa da Presidência por um aliado do governo que ameaça partir para voo próprio, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). O oportunismo desses objetivos retira da iniciativa governista qualquer nobreza. É só casuísmo continuísta, que nada tem de ético.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

BARGANHAS POLITICAS E O VALE-TUDO ELEITORAL

Desde os tempos dos nossos avós, a atividade política sempre foi desenvolvida na base do toma lá, dá cá. Mais recentemente, chegamos a imaginar que esse modo de fazer política tivesse desaparecido. Que nada! Apenas se modernizou. Ficou mais sofisticado. Agora é praticado virtualmente, inclusive na hora do repasse de vantagens pecuniárias. E olha que a legislação eleitoral e a fiscalização estão cada vez mais rigorosas! Imagine se a coisa corresse solta?!

Os partidos políticos, por exemplo, só se opõem entre si quando não estão do mesmo lado. Não tem mais aquele negócio de esquerda é esquerda, centro é centro e direita é direita. Os últimos acontecimentos políticos, as convenções partidárias mostram que é perfeitamente factível colocar lado a lado, no mesmo balaio, o partido do Maluf com o partido dos Rebellos. Vale tudo quando é para conquistar o poder ou se manter no poder. Corruptos e "comedores" de crianças não representam nenhum risco como antes...

Essas loucuras políticas deixam claro que os princípios republicanos, às vezes tão decantados, só valem no papel.

Será que somos utópicos demais, pretendendo que "política seja coisa séria", como discursava e defendia o falecido Jones dos Santos Neves Filho?

Pelas brigas homéricas que temos visto, em nível nacional, entre PT e PSDB, seria inimaginável que esses dois partidos se coligassem em algum momento e em algum Estado! No entanto, aqui mesmo, no Espírito Santo, esses partidos fecharam parceria para as eleições deste ano em alguns municípios, segundo as convenções do último sábado, 30 de junho.

Talvez estejamos desiludidos demais com os políticos, apesar da certeza de que ainda existem políticos éticos, credores da nossa confiança.

Sem dúvida não podemos perder a esperança de que os políticos melhorem cada vez mais o seu desempenho, centrado na ética e na decência.

Só assim os políticos e os partidos poderão ser levados mais a sério pelos eleitores que, por sua vez, precisam ter uma consciência mais cidadã, mais republicana, para que o Brasil não fique parecendo uma daquelas repúblicas de bananas.

Alencar Garcia

sexta-feira, 15 de junho de 2012

A ESQUERDA MORREU?

Vi na internet uma brincadeira sobre a utilidade do papel higiênico que é na verdade uma crítica inteligente e bem-humorada à política brasileira. Na folha de um rolinho está escrito: "O PSDB leva no bolso; o DEM leva na meia; o PT leva na cueca; e o povo leva no mesmo lugar de sempre..." Parto do chiste para uma provocação. Com a conversão do PT à direita, talvez até à direita do DEM, a esquerda — aquela que andava de cabeça erguida — morreu no Brasil. Pelo menos em termos de partidos com forte inserção popular. Considero PSB e PPS de centro. O PSDB, de centro-direita. O PMDB, o velho guarda-chuva de sempre. Continua sendo uma frente e abriga políticos de todos os matizes.
Depois da ascensão de Lula ao poder, em vez da ética na política que o país tanto esperava, veio a frustração. E o discurso de esquerda sofreu duro golpe. Foi avacalhado por mensaleiros, aloprados, assessor com dólar na cueca, camaradas que roubam até o dinheiro do lanche das criancinhas... Quando adolescente, ser de esquerda, no meu conceito, era quase um atestado de boa índole. Descobri, pouco a pouco, que não passava de um bobo sonhador. Sim: a ética não é monopólio de ninguém. Mas, à época, eu parecia cego. Vi dom Hélder pregar a luta desarmada, e o julguei um equivocado.
Hoje, me pergunto: será que a verdadeira postura de esquerda não era a de dom Hélder, Gandhi e Luther King? Gente que saía às ruas e enfrentava os tiranos de peito aberto. Na linha de frente. Sem defender o extermínio de quem quer que fosse. Há coragem maior do que morrer lutando por justiça de verdade? E não por justiçamento? Continuo a defender um mundo mais justo, mais fraterno, sem discriminações raciais nem religiosas, sem favelas, sem ninguém passando fome nem morando nas ruas.
No Brasil, não pode haver retrocesso. A distribuição de renda deve ser cada vez mais aprofundada. Mas não pode servir de álibi a quadrilhas que a condicionam ao "direito" de saquear os cofres públicos. Faz falta ao país uma nova esquerda. Comprometida com a democracia. A justiça social. E com a ética. O combate sem trégua à corrupção devolveria a dignidade à política. Há líderes que poderiam encabeçar esse movimento. Uns raros que dignificam o Congresso. Mas parecem mais céticos e desanimados do que eu, apesar de não terem desistido da política.

Plácido Fernandes Vieira - Correio Brasiliense

terça-feira, 15 de maio de 2012

DO FLAGELO PARTIDÁRIO AO OCASO DA OPOSIÇÃO

O Brasil deve estar em festa. Faz pouco, foi anunciada a criação do 30.º partido político nacional. Sim, caro leitor, você não leu errado, temos a fantástica cifra de 30 agremiações partidárias! No entanto, uma simples pergunta insiste em navegar perdida nos mares de meus pensamentos: será que temos ao menos 30 políticos autênticos? Caso não consiga apresentar-me uma resposta nominal, fique tranquilo: o questionamento, que não quer calar, seguirá falando por si só. É lamentável e assustador ter de conviver com a suposição de que inexista um político digno para cada partido. Aliás, talvez fosse melhor ter apenas pedido meio político, pois, assim, bastariam 15 potenciais candidatos a políticos inteiros. Seria aquela velha fórmula de dois para valer um, ou seja, em matéria política a matemática é inexata. Enfim, vivemos um tempo tão paradoxal que não é de duvidar que haja mais partidos do que políticos de boa cepa.


Será? E se sim, por quê?

Bem, esse descalabro dos quadros políticos tem nome e sobrenome: tibieza partidária. Enquanto os partidos brasileiros forem uma confraria de amigos, não podemos esperar muita coisa. Ora, não existe política alta sem partidos fortes. E, como sabido, partidos não são erguidos com improvisações.

Infelizmente, a história partidária brasileira tem como marca o flagelo institucional. Sem cortinas, é possível dizer que durante a República Velha a insinceridade era o traço das urnas - poderíamos ter usado um termo mais penetrante, mas vamos ser delicados e convir que insinceridade já diz o que tem de dizer. Nesse contexto, a busca da lisura eleitoral foi um dos objetivos do Código Assis Brasil. Por falar no bom e velho Joaquim Francisco de Assis Brasil, é oportuno lembrar que em 1928 foi fundado o Partido Libertador e entre seus princípios norteadores estava a imposição do voto secreto como condição impreterível da moralidade dos pleitos. O Código Eleitoral de 1932 foi, nessa medida, uma reação à falta de probidade e igualdade das eleições.

Com o advento Estado Novo, os partidos vieram a ser extintos em dezembro de 1937. Concomitantemente ao movimento nacional de retomada da liberdade, os partidos ressurgiram em 1945, com a exigência de que deveriam ser de âmbito nacional. A ferro e fogo, os partidos foram criando corpo, unindo semelhantes e afastando dissidentes. Aos poucos, com muito tato e labor artesanal, um esboço de vida partidária voltou a ser desenhado no País. Todavia, traindo os preceitos que ensejou, o movimento de 1964 fez o que fez: para atender aos interesses do arbítrio, ou ao arbítrio dos interessados, os partidos foram novamente extintos, pelo malsinado Ato Institucional n.º 2, de outubro de 1965. A partir daí tivemos um bipartidarismo forçado e perneta, pois um dos partidos tinha de ser másculo e potente, enquanto o outro haveria de ser esquálido e frágil; um tinha de ganhar todas, o outro estava condenado a viver na derrota permanente. Acontece que, como dizia a inteligência luminosa de Otávio Mangabeira, ninguém pode tudo, ninguém pode sempre. Cedo ou tarde, aquilo que agride a natureza das coisas desmorona sobre suas pífias estruturas.

Enquanto esse bipartidarismo de fantasia atendeu aos donos do poder, o modelo foi mantido. Mas incompreensivelmente, como num passe de mágica, os ventos mudaram, trazendo novos interesses, e em 1979 se voltou a permitir o que estava proibido. Foi partido para cima, para baixo, para a direita, para a esquerda... Em judiciosa expressão, foi o "facilitário partidário". O objetivo da medida, fracionar a oposição, que, apesar de todas as dificuldades e dos impedimentos, ganhava força nas ruas e arregimentava crescentes fiéis para a causa democrática. A Constituição de 88 consagrou a livre criação, fusão, incorporação e extinção dos partidos. Com a volta do clima democrático, foi natural a explosão de instituições partidárias. Nesse fértil terreno de siglas e mais siglas, para não dizer letras sobre letras, a decisão do colendo Supremo Tribunal Federal no sentido de assegurar a fidelidade partidária, bem como o recente pronunciamento sobre a constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa deixam a palpável esperança de que algo positivo começa a delinear-se.

Como se vê, resta claro e incontestável que a acidentada vida partidária brasileira é um elemento que não pode ser desconsiderado no tabuleiro incoerente da política nacional. Com a chegada do PT ao governo foi possível ver que o discurso cândido de outrora não passava de conversa pra boi dormir. Nossos políticos e partidos são muito parecidos. Ocasionalmente discutem em público, mas ao cair da noite se deitam na mesma cama, fazendo juras de amor. Olhando as coisas como estão, independentemente do que aconteça, com um sol bonito ou no relampejar das trovoadas, o PMDB será sempre governo; o PDT ainda busca um norte pós-Brizola; o DEM, especialmente após o caso Demóstenes, parece estar rumo ao ostracismo; o PSDB, para fazer uma oposição madura e aguerrida, precisa voltar a ter coesão interna e deixar as vaidades pessoais de lado; Kassab precisa decidir se é de direita ou de esquerda, pois, quem tudo quer acaba sem nada; e o PSOL e o PV precisam ganhar mais corpo e representatividade coletiva.

Caso tenha esquecido alguém ou algum, esclareço que foi por lapso involuntário. Falando nisso, lembrei-me de mais um personagem que não poderia deixar de ser mencionado: afinal, "nunca antes na História deste país" ocorreram fatos tão alarmantes. Entre tantas incertezas e incredulidades, é imperioso reconhecer que o lulismo foi ou é um fenômeno que não pode ser ignorado, mas para falar desse assunto necessariamente teremos de analisar o esfacelamento do princípio da legalidade em favor de uma permissividade absoluta aos amigos do poder. Aí terei de escrever um artigo só sobre esse tema. Será que então terei a oposição de 30 com valor de 15? Aliás, qual o valor da oposição brasileira?

Sebastião Ventura P.da Paixão Jr. - O Estadão

terça-feira, 11 de outubro de 2011

MERCADO PARTIDÁRIO

A corrida infame de políticos para mudar de partido se repetiu nas últimas semanas, mais uma vez, embora em menor grau que no passado. Mas o velho enredo desta vez teve novos personagens: os recém-criados PSD e PPL. Foram, respectivamente, o 28º e o 29º partidos registrados no país. Por oferecerem brechas na lei da infidelidade partidária, acabaram se tornando mais atrativos para quem quer disputar um mandato em 2012.

Por isso, encerrado o prazo final para filiações, ambos apresentaram um "patrimônio" de mais lideranças com mandato do que outras agremiações que já existem há mais tempo.

Só no Estado, o PSD deve ter mais de 90 vereadores e cinco prefeitos. Bem menos conhecido, o PPL (Partido Pátria Livre) larga com 17 vereadores. Na Câmara dos deputados, o PSD nasceu com 54 parlamentares, formando a terceira maior bancada da Casa.

Fonte: A Gazeta

O que exatamente isso quer dizer para o eleitor? Mais opções ideológicas, programas alternativos, novas lideranças, um olhar inovador sobre a política e a gestão pública? É pouco provável. As "novidades" soam como mais do mesmo. E o que a maioria de seus filiados buscou, como quase todos os que trocaram de sigla, foi uma opção mais confortável para disputar eleição ou apoiar seus aliados.

Teve gente que se filiou e mudou de partido novamente, na última hora. Outros tentaram virar caciques fundando uma nova legenda. Como não deu certo, o jeito foi recorrer a uma agremiação já existente. Toda essa farra foi cometida nas brechas da lei eleitoral.

A norma que coibiu o troca-troca partidário poderia ter sido mais rígida. E por si só não vai fazer que a maior parte dessa sopa de letras tenha programas ou ideologias. De qualquer forma, ao menos reduziu o problema.

Já se sabe que os eleitores quase não conhecem os partidos, dificilmente se identificam com eles e raramente votam em alguém por conta da origem partidária. Até porque várias delas são "siglas de aluguel", que negociam o apoio em coligações em troca de gordas quantias. Diante disso, se questiona se haveria a necessidade de se criar novas legendas no país.

Todas elas recebem dinheiro do contribuinte, o Fundo Partidário, além de recursos de outras fontes. Este ano, segundo o site Contas Abertas, serão repassados às 27 siglas (sem incluir o PPL e o PSD) R$ 301,5 milhões.

Não há perspectiva desse quadro de inchaço partidário mudar em breve. Por ora, o filtro mais eficaz contra os mais políticos e os partidos de mentirinha são a informação e o voto consciente. É pouco, mas é o que temos

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

PARTIDO PÁTRIA LIVRE FOI CRIADO POR MEMBROS DO MR8

Mais de 40 anos depois de ter sido criado para combater a ditadura, o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) funda seu partido político: o Partido Pátria Livre (PPL), cujo pedido de registro foi deferido nesta terça-feira (04Out) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Muitos dos membros do partido são dissidentes do PMDB, que começou a acolher militantes do MR-8 em suas bases já no início da década de 1970. A fundação do PPL, no entanto, não é produto de qualquer conflito do movimento com os políticos do maior partido do Brasil, mas sim da crise internacional, desencadeada em 2008.

- Pelo que a gente conhece do Brasil, nosso país sempre conseguiu se desenvolver quando se abriram crises internacionais. Foi nessas fases que o projeto de nação possibilitou que o país se desenvolvesse. Hoje, com a profunda crise internacional do capitalismo, nós sentimos que é o momento de se abrir uma possibilidade de se desenvolver. Achamos que era necessário criar um partido que fosse mais definido nessa questão - afirmou o presidente regional do partido no Rio de Janeiro, Irapuan Santos, que entrou no MR-8 em 1977 e chegou a se candidatar a vereador pelo PMDB em 2008, naquela que foi sua primeira e única experiência nas urnas.

Nome 'Pátria Livre' vem da intenção de 'libertar a nação dos interesses do capital financeiro'

O MR-8 vinha funcionando como um núcleo informal do PMDB desde a década de 1970. Irapuan, junto com outros colegas, saiu do partido há dois anos, quando começou a trabalhar na criação do PPL. Segundo ele, por mais que a maioria das pessoas filiadas ao partido venha do movimento, muitos tinham outras filiações, como o PSB, ou nunca tinham entrado na política partidária.

O nome "Pátria Livre" vem da intenção do grupo de "libertar a nação dos interesses do capital financeiro internacional", que consideram ser o principal entrave para acabar com a miséria no Brasil. Para o PPL, a libertação começou com Tiradentes, morto por participar da Inconfidência Mineira em 1789, como diz o seu programa. Por mais que o MR-8 da década de 1960 fosse inspirado nos passos de Ernesto "Che" Guevara - que morreu no dia 8 de outubro de 1967, na Bolívia, dando nome ao grupo brasileiro - hoje, a idolatria ao argentino deu espaço a outro representante: o ex-presidente Getúlio Vargas. O programa do PPL traz também nomes como o de Juscelino Kubitschek e João Goulart.

- O Pátria Livre é um partido de linha nacionalista, inspirado principalmente na experiência de Getúlio Vargas - explica Irapuan. "

O Pátria Livre é um partido de linha nacionalista, inspirado principalmente na experiência de Getúlio Vargas (...)

(...) O PPL é o 29º partido do Brasil e sua criação foi criticada pelo presidente do TSE, ministro Ricardo Lewandowski, logo após o deferimento de seu registro. Para o jurista, a formação de um novo partido revela que o Brasil está inovando na ciência política.

- Estamos indo além do pluripartidarismo, estamos ingressando no hiperpartidarismo. É uma novidade que criamos no Brasil - afirmou.

Irapuan aceita a crítica, mas acredita que o fato de o PPL ter colhido um milhão e 200 mil assinaturas significa que o país quer um novo partido. Ele ressalta que a lei permite novos partido e que, por mais que existam tantos, somente alguns vão se firmar e continuar existindo no futuro.

- O número de assinatura para nós desmistifica duas questões: a de que existem partidos demais e a de que as pessoas não querem saber da política. Se essas coisas fossem verdade, não teríamos colhido tantas assinaturas - opina.

Membro do antigo MR-8 e afastado do grupo há muitos anos, Fernando Gabeira, hoje no PV, não sabia da formação do novo partido.

- Soa como algo de outra galáxia - brincou o verde.

Partido tem dificuldade para filiar possíveis candidatos às eleições de 2012

Observação do site www.averdadesufocada.com

História do MR-8
O Movimento Revolucionário 8 de outubro (MR-8) surgiu na década de 60 como uma das principais organizações de combate armado à Ditadura Militar, não para reempossar joão Goulart , mas para implantar uma ditadura comunista , tendo como modelo Cuba.

O nome, Movimento Revolucionário 8 de Outubro - MR-8 - faz referência à data em que Che Guevara foi preso na Bolívia, em 1967.

Inspirados na experiência cubana, o MR-8 defendia a revolução para derrubar o governo e instalar no Brasil um Estado socialista. Promoviam assaltos a bancos, invasões a presídios e explosões de prédios estratégicos para lutar contra os ditadores e a burguesia.

Em setembro de 1969, o grupo protagonizou um dos episódios mais marcantes dos anos de chumbo: o sequestro do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, realizado em conjunto com Ação Libertadora Nacional (ALN), de Carlos Marighella.

Os guerrilheiros urbanos raptaram o diplomata para exigir a libertação de 15 prisioneiros que estavam em poder dos militares - entre eles o ex-ministro José Dirceu-- e a publicação na imprensa de uma carta contra o regime e com críticas ao imperialismo norte-americano.

Após o sequestro , com a repressão atuante fizeram uma pequena pausa nas ações.

O ressurgimento veio no final da década de 1970, quando a organização decidiu ingressar no MDB (atual PMDB) com o respaldo de Orestes Quércia, principal aliado de peso do grupo dentro da sigla. Em 2009, o MR-8 decidiu sair do PMDB e fundar, em 21 de abril de 2009, junto com outros militantes não-organizados, uma nova sigla: o Partido Pátria Livre (PPL).

MUITA ATENÇÃO: são muitos os membros do novo partido remanescentes dessa época.
Veja o vídeo e a periculosidade da organização:
http://youtu.be/lXcP8bTAK04
Fonte: O Globo

sábado, 27 de agosto de 2011

PARTIDOS DE FAZ DE CONTA.

Os partidos políticos no Brasil são, em geral, instituições frágeis, sem identidade ideológica, sem regras rígidas de fidelidade e com pouco significado para o eleitorado. O Congresso Nacional conta atualmente com 22 partidos. Como não há hierarquia interna ou fidelidade nas legendas, para construir a sua base parlamentar o governo acaba tendo de negociar acordos no varejo com lideranças de maior expressão. Esses acordos, como se sabe, incluem distribuição de cargos e verbas, o que cria um ambiente favorável ao fisiologismo.

O cientista político Sérgio Abranches chama esse modelo de presidencialismo de coalizão. Claro que coalizões partidárias existem em qualquer democracia, mas, no Brasil, ocorre um fenômeno diferenciado: no processo eleitoral, não há vinculação entre as origens partidárias do presidente da República e do Congresso. Isso é agravado pelo fato de os partidos serem instituições amorfas.

Existem algumas medidas que poderiam aperfeiçoar essas instituições. A primeira seria a adoção de regras mais rigorosas para a fidelidade partidária. A segunda seria a adoção da chamada cláusula de barreira: para ter assento no Congresso, um partido teria que alcançar pelo menos 5% dos votos nacionais. Isso asseguraria um mínimo de representatividade. Essas medidas, combinadas, reduziriam o número de partidos, sufocariam as legendas de aluguel e levariam à organização de instituições mais programáticas.

Os partidos menores, ideológicos, poderiam se associar àqueles com os quais tenham mais afinidade. Internamente, os grupos lutariam pela hegemonia e, num segundo momento, lutariam para chegar ao poder. A trajetória do PT, por sinal, foi parecida com isso. O que ocorreu depois de sua ascensão são outros quinhentos.

Fonte: A Gazeta

sábado, 20 de agosto de 2011

OUTRO OLHAR.

"Ideologia, eu quero uma pra viver!". Essa foi a frase cantada por Cazuza em 1988. Junto ao clamor que fazia por um norte em sua vida, o polêmico poeta deixou um desabafo ainda contemporâneo: "Meu partido
é um coração partido".
Na época de Cazuza, as gerações que iam mudar o mundo entenderam que a política poderia ser o mecanismo ideal para tal transformação. Surgiram, assim, os partidos populares, que levantavam bandeiras em nome da mudança. Porém, passados vinte anos, falar de ideologia na política chega a ser cômico, uma utopia juvenil. Mas que atire a primeira pedra aquele que não tem um ideal! Ou melhor... Espere um pouco! Dadas as atuais circunstâncias políticas, parece-me prudente não incitar tal ato, pois é certo que receberia pelo menos 27 pedradas. Vinte e sete: o número de partidos políticos registrados no Brasil.

Em primeira análise, o exagero partidário pode aparentar multiplicidade de ideias. Mas se é assim, como explicar a coligação formada, por exemplo, para eleger o atual governador do Estado? Para os que não se recordam, foram dezesseis siglas diferentes (mais da metade existente no país!), "Juntas pelo Futuro". É, contudo, improvável que tantos pensamentos convirjam para uma só pessoa. O fato é que o exemplo capixaba é a prova viva de que tais grupos só pensam no poder. Por aqui é assim: Ideologia, eu quero uma pra vender!

Aliado ao absurdo das coligações, o cenário brasileiro coloca-nos diante de contradições que se apresentam logo de cara. O significado das legendas partidárias e as supostas ideologias nelas contidas são lastimáveis. O PT (Partido dos Trabalhadores) é a piada pronta. Para falar de sua ideologia, parafraseio o humorista Danilo Gentili, em seu espetáculo Politicamente Incorreto: "Para mim, petista perdeu o direito de discutir política quando Lula se aliou a Collor e a Sarney. Se querem ganhar a eleição, assumam. Mas não venham falar de ideologia".

Ainda interpretando a esquerda (se é que ela existe), tem-se a Causa Operária (PCO), que não opera, os Trabalhadores Unificados (PSTU), que não se unificam e os Socialistas (PSOL), que não socializam. Já à "direita", vê-se a inexpressiva oposição do PSDB e a invisível contribuição dos democratas (DEM). Diante disso, evidencia-se a confusão dos princípios e das práticas. E nesse contexto paradoxal, nossa realidade é ilustrativa: afinal, o que faz o governador Casagrande filiado ao Partido Socialista Brasileiro? Qual o conceito de socialismo do governador?

Com tantas polêmicas, certeza é que ideal político é algo inexistente nas coligações brasileiras. Contudo, direcionar críticas a partidos ainda significa tocar na ferida dos filiados. E ai temos nosso grande problema: ainda não dissociamos a paixão da política. Para alguns, as bandeiras partidárias estão acima do bem e do mal, e esperanças passadas encobrem os fatos rotineiros. Dessa forma, àqueles que crêem em suas vendas, recomendo Cazuza: "As ilusões estão todas perdidas. Os meus sonhos foram todos vendidos".

A empolgação, por vezes cega, dos chamados "militantes", somada à ignorância propagada pelo partidarismo, mantém o Brasil "deitado eternamente em berço esplêndido". E a conclusão é trágica: enquanto não acordarmos desse sono profundo, e enxergarmos quem está por trás
das máscaras partidárias, seremos sempre um povo que aplaude e defende bandidos.

A tentativa de mudar o mundo que as gerações de 70 e 80 empregaram foi, de fato, frustrada e teve seu fim. Com isso, o momento atual é novo, diferenciado. Portanto, deve ser encarado a partir de uma nova mentalidade. O racionalismo do século XXI deve ser aplicado em resposta aos joguetes partidários. Ao mesmo tempo, devemos ser realistas, mas sonhadores (sim, isso é possível). Realistas para não perdermos a crítica essencial à inteligência e sonhadores para nunca deixarmos de crer em nós mesmos. Hoje sei que "meus inimigos estão no poder". Portanto, caro leitor, "Ideologia, eu quero uma pra viver".

Gabriel Tebaldi, 18 anos, é estudante de História da Ufes

domingo, 29 de maio de 2011

PERIGOSA SENSAÇÃO DE FRAGILIDADE.

A crise de relacionamento entre o governo Dilma e as forças partidárias e a volta de Lula ao centro do palco político - cumprindo o script de sempre, o de articulador - são os dois grandes fatos que irromperam no centro do poder no país. Não se sabe até que ponto vai chegar essa novela, mas espera-se que ela seja breve. É intranquilizante. E feia.

Lula é considerado por muitos um gênio da política - pela sua trajetória de vida, sucesso no governo, liderança internacional e outros troféus de indiscutível importância. Então, do alto do seu patamar, espera-se que o ex-presidente compreenda a complexidade do papel que assume neste momento. Que não o extrapole, sob qualquer pretexto.

O fato de a discípula, tomada de pânico, ter recorrido ao mestre como salvador nem sempre é entendido com paciência política. Ao contrário, a tendência é passar a imagem de falta de capacidade do Palácio do Planalto de lidar com incêndio. No mínimo, o pedido de socorro a Lula sugere que a coordenação política do governo não está nas mãos da presidente. É um perigo, porque a crise atual, movida pelo imbróglio Palocci, pode não ser a única no percurso do mandato de Dilma.

A sensação de fragilidade no comando do governo constitui o alimento que a oposição precisa para romper, ainda que atabalhoadamente, sua letargia. É também banquete para fisiologistas "aliados" ao poder. Esses grupos já demonstram força no Congresso. Impuseram acachapante derrota ao Executivo na aprovação do Código Florestal. E o Palácio do Planalto vergou-se ainda mais ao suspender o material anti-homofobia, preparado pelo Ministério da Educação, em troca da blindagem do ministro da Casa Civil. Mas isso é duvidoso. Já existem mais de 100 assinaturas de deputados e de senadores solicitando instalação de uma CPI para apurar o veloz enriquecimento de Antonio Palocci.

O Executivo não pode ficar refém de qualquer corrente política, nem de nada. E também precisa de se ver livre da lulodependência. O próprio ex-presidente há de compreender que a função de pai do governo Dilma não é o mesmo que pertencer ao Executivo. Dar apoio é uma coisa, interferir é outra. A imagem do ex-presidente também não aparece saudável à medida que tenta abafar o Caso Palocci prescrevendo um remédio sujo: distribuição de cargos públicos aos que incomodam o governo.

Os que torcem para o bem do país esperam que, baixada a poeira do Caso Antonio Palocci, o Palácio do Planalto possa substituí-lo por um nome menos questionado. E que, a partir daí, remova outros telhados de vidro. É o caso do ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel. A Justiça de Minas Gerais aceitou uma ação de improbidade administrativa contra ele, por atos praticados na Prefeitura de Belo Horizonte. Não se trata de fazer prejulgamento. Mas há necessidade de eliminar pontos politicamente frágeis do governo. É temerário mantê-los. São potenciais focos de ataque ao Executivo, o que pode dificultar a execução de medidas governamentais relevantes

Fonte: A GAZETA

sábado, 30 de abril de 2011

Falcão na Presidência do PT lidera ofensiva final contra a direita

                                  Ex-presidente do PT, José Eduardo Dutra comunicou oficialmente sua renúncia ao comando do partido com um discurso no Diretório Nacional do PT, na manhã desta sexta-feira. Muito aplaudido, Dutra lembrou que alguns companheiros gostariam que ele renovasse a licença, mas acreditava que “não seria justo” nem com ele, nem com o próprio partido. A saída de Dutra e a escolha do deputado estadual Rui Falcão (SP) para o lugar dele significa na realidade, segundo alta fonte no partido, do início da maior ofensiva do PT já realizada contra os partidos da direita em São Paulo, último reduto do PSDB, DEM e PPS.
– Tomei uma decisão sobre a qual tenho total responsabilidade: sair agora da presidência do PT. O partido define seu novo presidente e eu me cuido – disse.
Dutra deixa a Presidência do PT para um tratamento médico que feve durar cerca de 180 dias. Com isso, o vice-presidente Rui Falcão assume o cargo até 2013, época de uma nova eleição no partido, com vistas às eleições presidenciais de 2014.
– Se vocês acompanharam, a minha primeira licença foi de 15 dias. Na véspera do 15º dia, já começaram a especular: ‘volta, não volta, vai ficar três meses fora’. Não é justo com o PT, porque gera instabilidade, porque o partido tem tarefas urgentes na conjuntura política (eleições 2012), e ruim para mim porque essa indefinição gera estresse – disse Dutra sobre as especulações sobre sua continuidade no comando do PT.
Na noite passada, em Brasília, líderes da ala majoritária do partido optaram pela permanência do deputado estadual Rui Falcão (SP) na Presidência do partido, em substituição a José Eduardo Dutra. O nome de Falcão seguiu para votação na reunião da legenda, em São Paulo, e deverá ser aprovado nas próximas horas pelo Diretório Nacional, composto por 81 membros mais os líderes do partido no Congresso. Apoiado pelo ex-ministro José Dirceu, Falcão deverá permanecer no cargo por dois anos. Sua escolha, caso se concretize, devolve o controle da sigla para São Paulo no momento em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva volta ao Estado, no momento em que os petistas lançam uma ofensiva contra o PSDB num dos últimos redutos da oposição.
Observadores políticos acreditam que o objetivo do ex-presidente Lula é fortalecer na legenda no Estado, em um momento de confusão generalizada nos partidos da direita, após o lançamento da dissidência do prefeito Gilberto Kassab na forma do novo partido, o PSD. Fontes no PT acrescentam que Falcão, que também ocupa a Primeira-secretaria da Assembleia paulista, deverá comandar o PT com um colegiado, integrado por nomes como o do secretário nacional de Organização da sigla, Paulo Frateschi, e José Dirceu, que defendeu junto aos seus pares a candidatura de Falcão desde março.
– A escolha do nome de Falcão foi acertada com a presidenta Dilma (Rousseff) e em nenhum momento houve a discordância entre ela a direção do partido. A versão de que o (ex-ministro José) Dirceu teria influenciado nessa escolha também é uma falácia, pois ele sequer participou das discussões finais sobre a escolha do Rui (Falcão) para o posto de (José Eduardo) Dutra – disse a fonte. Dirceu chegou ao país na noite passada de uma série de palestras agendada na Inglaterra.

Delúbio de volta
Junto com a renovação do Diretório Nacional, a cúpula do PT também estuda a possibilidade de refiliação do ex-secretário de Finanças, Delúbio Soares, expulso do cargo durante o escândalo do mensalão, no final do primeiro mandato de Lula. Integrantes da corrente majoritária, Construindo um Novo Brasil, discutem a possibilidade de refiliação de Delúbio Soares, que foi convidado a participar da reunião quando seu nome estiver em pauta.
Delúbio conta com o apoio explícito de parlamentares e ex-correligionários, entre eles o líder do PT na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza, que participou de jantares na residência da senadora Marta Suplicy (PT-SP) para tratar do assunto. Acompanhado da esposa, Mônica Valente, na véspera, Delúbio chegou a se emocionar durante a defesa que fez de sua volta à legenda, durante reunião na sede do partido. Apos cinco anos e meio depois da expulsão, Delúbio recebeu o apoio da corrente majoritária no PT.
– A minha identidade política é a mesma identidade do PT. Preciso da minha identidade política de volta – disse Delúbio, com a voz embargada.
O discurso emocionou os presentes e o deputado Sibá Machado (PT-AC), ao lado do dirigente Francisco Rocha, o Rochinha, seguraram as lágrimas ao ouvir o pronunciamento de Delúbio e, depois, ao defender a volta dele para o seio da legenda.
– Ele segurou o choro e ficou muito emocionado. Mas agora eu sinto que o Delúbio está feliz e aliviado – disse o secretário de Comunicação André Vargas (PT-PR).
Processo

Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema. O caso veio a público quando foi denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson. Segundo Jefferson, atual presidente nacional do PTB, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Em janeiro de 2008, o ex-secretário-geral do PT Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com o acordo, Pereira teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos.
No relatório, Barbosa apontou o ex-ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu; o ex-presidente do PT, deputado José Genoino (SP); o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares; e o ex-secretário-geral Silvio Pereira, como núcleo central do esquema. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genuíno e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa.

O voto do relator apontou ainda que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto por Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles respondem por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

A então presidente do Banco Rural Kátia Rabello e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

A denúncia inclui ainda parlamentares do PT, do PP, do PR (ex-PL), do PTB e do PMDB. Entre os acusados está o ex-deputado federal Roberto Jefferson. O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha responde processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Em setembro do ano passado, saiu a primeira sentença do caso, quando a Justiça Federal condenou o advogado Rogério Lanza Tolentino, apontado como sócio do publicitário Marcos Valério, a sete anos e quatro meses de prisão, mais pagamento de 3.780 salários mínimos, pelo crime de lavagem de dinheiro.

Fonte:  Redação - de São Paulo (JCB)




quarta-feira, 23 de março de 2011

PARTIDO MACUNAÍMA.

Depois de muitas idas e vindas, o prefeito Gilberto Kassab anunciou finalmente seu desligamento do Democratas e o início do processo de criação de uma nova agremiação, o Partido Social Democrático (PSD), com o qual pretende viabilizar seu futuro eleitoral, mirando as eleições para o governo do Estado de São Paulo de 2014. É claro que essa intenção não foi explicitada nos eventos destinados a formalizar o anúncio, promovidos em Salvador e na capital paulista. Nessas duas oportunidades, o prefeito de São Paulo e os políticos escalados para coadjuvá-lo limitaram-se a tornar pública uma sucessão de lugares-comuns e obviedades que em nada contribuem para criar alguma expectativa de aprimoramento do quadro político - o que seria o mínimo a esperar da criação de uma nova legenda partidária. Resultou evidente, portanto, que Kassab está fazendo apenas o que seu comportamento nos últimos meses revela para além de qualquer tergiversação: livrar-se de um partido que já lhe parece eleitoralmente inútil, na tentativa de sobreviver num cenário que está longe de lhe ser auspicioso.


De fato, a última pesquisa Datafolha mostra que Kassab enfrenta o maior índice de rejeição pelo eleitorado paulistano desde que se reelegeu, em 2008: 43%, contra apenas 29% na soma dos que avaliam seu governo como ótimo e bom. Uma queda de 8 pontos em quatro meses, enquanto o índice de avaliação de ruim e péssimo aumentou 12 pontos.

Toda a retórica que cercou o advento do novo partido parece ter tido, em primeiro lugar, a intenção de demonstrar o que o PSD não será. Para começar, não será de esquerda nem de direita. Não será integrante da base parlamentar do governo federal petista, mas também não será oposição ao governo de Dilma Rousseff. Não será adversário do governo tucano de São Paulo, mas também não fará oposição a Geraldo Alckmin. Não será absorvido, mais à frente, como se chegou a anunciar, por outros partidos. Por exemplo, o PMDB ou o PSB, com os quais negociações anteriores malograram. Kassab, aliás, foi enfático em sua versão desses acontecimentos: "Não faremos fusão. Fomos convidados por duas legendas, por dirigentes respeitados, o PSB e o PMDB. Vamos caminhar com nossas próprias pernas nas eleições municipais do ano que vem, coligados ou com candidatura própria". Quer dizer, não deixará de se aliar a quem for necessário.

Tarefa um pouco mais difícil é descobrir o que o PSD pretende ser. Segundo Kassab, uma vez que "esquerda e direita não existem mais na política brasileira", o seu partido "nasce independente", o que não quer dizer muita coisa. Será, é claro, "social democrata", o que muitos outros afirmam ser. Mas nem os 12 pontos anunciados como base para o programa a ser elaborado colaboram para tornar um pouco mais nítida a identidade do novo partido, já que se trata de proposições das quais é praticamente impossível alguém discordar. Por exemplo, liberdade de imprensa, promoção da igualdade social, respeito aos cidadãos pagadores de impostos, reforma trabalhista, defesa do livre comércio, etc. Tampouco ajudam as pérolas proferidas pelos dois mais graduados apoiadores de Kassab, igualmente retirantes do DEM. O ex-governador Claudio Lembo manifestou sua "alegria de criar um novo partido que não traz os vícios dos partidos do passado". Já o vice-governador Guilherme Afif Domingos, que terá a responsabilidade de chefiar o grupo que vai preparar o programa partidário, não deixou por menos: "Nós não nascemos para ser contra, nós nascemos para ser a favor do povo e do desenvolvimento brasileiro". Discordar, quem há de?

Enfim, pode ser até que o novo PSD venha a se tornar útil às ambições eleitorais de Kassab e de seus companheiros. Mas, quando se contempla a perspectiva da contribuição que a nova legenda poderá dar ao aprimoramento do cenário institucional brasileiro, é inevitável concluir que a nova legenda se apresenta apenas como a promessa de mais um partido "macunaíma", isto é, sem nenhum caráter. Coisa de que, definitivamente, o País não precisa.

Fonte: O Estadão - http://bit.ly/i0D6wF





quinta-feira, 10 de março de 2011

ATÉ QUANDO?

Até quando os políticos vão abusar da paciência do povo? Até quando acham que todo mundo continuará aceitando passivamente justificativas inconsistentes para armações indisfarçavelmente eleitorais? Essa é a questão que lamentavelmente se coloca quando o noticiário político em São Paulo converge para o comportamento de dois políticos de certo peso eleitoral que, descontentes com seus respectivos partidos, planejam mudar de ares: o prefeito Gilberto Kassab e o deputado federal Gabriel Chalita.


Kassab ingressou na política na década de 80, pelas mãos do atual vice-governador Guilherme Afif Domingos, quando este era presidente da Associação Comercial de São Paulo. Filiado ao extinto Partido Libertador (PL), participou da campanha eleitoral de Afif à Presidência da República, em 1989, e em 1993, já então pelo antigo Partido da Frente Liberal (PFL), elegeu-se vereador da capital e em seguida, por duas vezes, deputado federal. Depois de ter sido secretário do prefeito Celso Pitta, elegeu-se vice-prefeito da capital paulista na chapa encabeçada por José Serra e, quando este se lançou ao governo do Estado, em 2006, assumiu a chefia do Executivo municipal, reelegendo-se em 2008.

Agora, pretendendo se candidatar a governador do Estado em 2014, Kassab está empenhado em montar uma base de sustentação política mais eficiente do que a que pode lhe oferecer seu atual partido, o Democratas (DEM). Chegou a pensar em aderir ao PMDB e depois ao PSB. Mas parece ter optado por um casuísmo que contorna a questão da fidelidade partidária: a fundação de um novo partido que participaria do pleito municipal de 2012 e depois se fundiria com o PSB, legenda em franca ascensão no cenário político nacional, que lhe garantiria a candidatura ao Palácio dos Bandeirantes em 2014. Com a vantagem adicional de que, travestido de socialista, passaria a gozar dos benefícios de fazer parte da base de apoio do governo federal.

Se finalmente chegar ao PSB, Kassab não terá o prazer de encontrar-se com Chalita, que está de saída, um ano e meio depois de ter deixado o PSDB. Eleito vereador ainda muito jovem em sua cidade natal, Cachoeira Paulista, Chalita dedicou-se durante alguns anos à carreira acadêmica, a escrever livros e a militar na organização católica Canção Nova. Retornou à política como secretário da Educação de Geraldo Alckmin, de 2003 a 2006. Ainda pelo PSDB, foi o vereador mais votado na capital em 2008. Passou a sonhar então com uma candidatura ao Senado, em 2010, mas a legenda lhe foi negada. Em busca de espaço, deu uma guinada de 180 graus em sua trajetória política, convertendo-se ao socialismo, tal e qual o ex-presidente da Fiesp Paulo Scaff, e elegeu-se deputado federal pelo PSB com expressiva votação.

Agora, certo de que pode fazer boa figura na eleição para prefeito da capital no próximo ano, mas convencido de que, mais uma vez, não terá o aval de seu partido, o por enquanto socialista Chalita cogita novamente de mudar de ares, quem sabe até fundando sua própria agremiação, como Kassab.

Esse panorama, que seria hilariante se não fosse tão tristemente revelador da falta de pudor com que políticos manipulam os acontecimentos em benefício de interesses pessoais, autoriza pelo menos duas conclusões óbvias. Primeira: é muito fácil, e um bom negócio, abrir um partido político. Não é à toa que já existem tantos: quase 30 registrados nacionalmente e outros tantos em processo de organização. Segunda: às favas a coerência - o que vale é voto na urna. Definições como "conservador", "socialista", "liberal", "comunista", "direitista", "esquerdista", etc., são apenas rótulos vazios e descartáveis ao sabor de conveniências momentâneas. Chega a ser perfeitamente normal, assim, que o palhaço Tiririca se torne membro titular da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados.

É bom lembrar, de qualquer modo, que ninguém se torna mandatário popular por obra e graça das forças do além. Somos nós, cada um de nós, que os elegemos. Temos, portanto, muito a aprender.

Fonte: O Estadão - http://bit.ly/fRruKn