sábado, 12 de outubro de 2013

SAÚDE PÚBLICA DE MINAS GERAIS EM 10 IMAGENS
























SAÚDE PÚBLICA DE TOCANTINS EM 10 IMAGENS
























SAÚDE PÚBLICA DA BAHIA EM 10 IMAGENS




















SEMELHANÇAS, A FALTA DE FIDELIDADE DOS POLÍTICOS SOBRA NUM CACHORRO

Infelizmente, na falta de ética e dignidade política, o melhor e mais inspirador exemplo da semana veio de um cachorro


Qual a semelhança entre uma Rede furada, um delegado de trânsito, dezenas de políticos e uma cadela? A resposta resume-se numa palavra: fidelidade (ou a falta dela).

Quando lançou-se no mar político, a Rede de Marina Silva uniu as mais distintas mentes. Figurando como novidade, logo tornou-se a grande alternativa política. Porém, ao mesmo tempo, serviu de refúgio para as infinitas picuinhas da esquerda.

Os membros que outrora habitaram o PT, um dia fundaram o PSOL. De lá, outra briga gerou o PSTU. Mesmo com objetivos comuns, a esquerda tem o costume de se rachar em micropartidos sem expressão. Assim, os filhos desgarrados da consciência de classe rumaram para a Rede. Em questão de tempo, os eternos conflitos pela “certeza de estar certo” começaram a furar a Rede e deixar passar a possibilidade de oficialização do partido. No fim, a Rede só pescou traíra.

Quase morrendo na praia, Marina provou que até as boas intenções precisam entrar no jogo para sobreviver. Distante de ideologia, a ex-senadora aliou-se a Eduardo Campos, repousando sua intenção de presidir o país. A decisão deixou sem rumo seus seguidores, como Gustavo de Biase, ex-PSOL, militante do Rede, mas que se filiou ao PSB. Por aqui, De Biase já foi o principal opositor justamente do governo PSB de Casagrande. Seu destino leva a especulações no mínimo satíricas, como a possibilidade de sua propaganda dizer: “Eu sou Gustavo De Biase. Vamos conversar?”.

Tal como Marina e marineiros, o delegado Fabiano Contarato tem em mãos a mesma missão: manter-se fiel a si mesmo. O desafio é grande, pois Contarato aliou-se justamente a Magno Malta, o moço das camisas pretas com frases de efeito.

Como delegado de Trânsito, Contarato sempre fez uso de seu discurso justiceiro, fazendo valer a lei e lançando fortes críticas à política nacional, condenando quem fazia uso do poder para promoção pessoal. Por ironia do destino, Malta é conhecido por sua grife sensacionalista que lhe serve de trampolim político.

O senador já desfilou com os looks de “Todos contra a Pedofilia”, “Maconha Não”, “O Petróleo é Nosso” e “Redução da Maioridade Penal Já”. Alguém ainda tem dúvidas que sua próxima campanha será sobre a violência no trânsito?

O delegado ainda terá como colega Edson Ribeiro, o “cheirador de Bíblia” e ex-candidato a Prefeitura de Vitória. Caberá a Contarato provar que é o nome que o Senado necessita. De todo modo, seu primeiro ato configurou uma infração digna de ser enquadrada no Código de Trânsito.

Os últimos dias também foram de reajustes nas ideologias inexistentes e de novos pactos obscuros pelo poder. De olho em 2014, mais de 50 deputados federais já trocaram de partido, enchendo as novas legendas, como o PROS e o Solidariedade (SDD).

Junto da infidelidade partidária há, ainda, a medíocre estratégia de atrair votos com celebridades. Em 2014, o PSDB lançará o ex-jogador Giba como deputado, enquanto o PSB aposta no astronauta Marcos Pontes. Já o PSC deposita fichas no cirurgião plástico Dr. Rey, e o PTB pretende puxar votos com o pagodeiro Belo. Todos grandes conhecedores da política.

Enquanto a fidelidade pessoal e com o país falta na política, uma cadela tornou-se o melhor exemplo da semana. Ao ver seu parceiro morador de rua ser preso por furtar um carrinho de mão, a vira-lata Neném seguiu a viatura policial e passou dois dias de prontidão na delegacia.

Sua fidelidade rendeu-lhe um acidente em plena Avenida Vitória e um fêmur quebrado. Mesmo assim, ao reencontrar seu dono, ela esqueceu a lesão e se jogou em seus braços. Se dependesse apenas dela, continuaria vivendo na rua, ao lado de quem se tornou seu parceiro, mesmo sem condições adequadas.

Na história de Neném não há oportunismo, decepções ou infidelidade. Não há Rede Furada, decepções prévias nem interesses obscuros. Por isso a vira-lata percorreu o país nos noticiários.

Hoje, embora triste, é necessário destacar que, infelizmente, na falta de ética e dignidade política, o melhor e mais inspirador exemplo da semana veio de um cachorro.

Gabriel Tebaldi, 20 anos, é estudante de História da Ufes

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

COMO MELHORAR A OFERTA DE SERVIÇOS PÚBLICOS PARA A NOVA CLASSE MÉDIA?

Protesto no Brasil (Getty)
Para Banco Mundial, América Latina precisa suprir ‘lacunas’ em serviços públicos
Quando estudantes, profissionais e integrantes de uma nova classe média saíram às ruas de Brasil, Chile e Peru nos últimos meses para reivindicar mais e melhores serviços públicos, logo surgiu um debate sobre como essas demandas poderiam ser atendidas.
Para acadêmicos e autoridades econômicas reunidas em um evento em Washington que abordou o tema, a resposta passa por mudanças de prioridades no direcionamento das políticas públicas, mais investimentos em infraestrutura e reformas estruturais para aumentar as capacidades das economias no longo prazo – e por consequência, dar prosseguimento à prosperidade que esses países vinham experimentando.
O debate desta quinta-feira, parte do programa da reunião semestral do FMI e do Banco Mundial (Bird) na capital americana, reuniu opiniões como a presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, e o presidente do Bird, Jim Yong Kim.
Os palestrantes ressaltaram que as manifestações sacudiram um continente onde 50 milhões de pessoas engrossaram a classe média na última década.
Jim Yong Kim disse que a classe média abarca hoje 32% da população latino-americana – proporção maior que a de pobres (27%) pela primeira vez na história. Essa nova configuração social colocou pressão em serviços públicos, como saúde, educação e transporte.
"As novas classes médias estão pagando caro por serviços que não recebem", disse o vice-presidente para América Latina da instituição, Hasan Tuluy, referindo-se à incapacidade do setor público de alguns países latino-americanos de acompanhar a mobilidade ascendente de suas próprias classes sociais.
"As novas classes médias estão pagando caro por serviços que não recebem ", disse o vice-presidente para América Latina do Banco Mundial."
Hasan Tuluy, vice-presidente para América Latina do Banco Mundial
"Não significa que os governos fracassaram", disse Tuluy. Pelo contrário: Chile, Brasil ou Peru são bons exemplos de sociedades onde grandes faixas da população transitaram de uma condição de baixa renda para média.
Para atender às novas demandas, os governos terão de superar dificuldades "financeiras e institucionais", ele afirmou.

'Agenda diferente'

Até agora, a receita de combate à pobreza do continente se baseou em programas de transferência de renda.
Mas daqui para frente, "a agenda para dar continuidade à prosperidade é totalmente diferente da agenda que gerou a prosperidade até agora", argumentou o ministro de Economia e Finanças do Uruguai, Fernando Lorenzo.
"Temos uma enorme tarefa de expansão dos serviços básicos, e isso coloca uma questão diferente de financiamento e estrutura de gastos", ele afirmou.
O ministro colombiano do Tesouro, Maurício Cárdenas, lembrou as novas classes médias, em muitos casos, criam demandas por serviços do governo mas contribuem relativamente pouco com o caixa, dada a arquitetura dos governos e a própria capacidade econômica dessas classes.
A especialista Nancy Birdsall, presidente do Centro para o Desenvolvimento Global, disse que países da região podem fazer reformas fiscais para taxar melhor as classes mais altas.
Muitos governos da região enfatizam as receitas a partir de impostos sobre mercadorias, que têm pouca progressividade, ela exemplificou. É o que o Banco Mundial chama de "ciclo vicioso de baixa tributação e baixa qualidade de serviços públicos".
Para Birdsall, a região também se beneficiaria de reformas legislativas para incentivar contratações e reduzir a informalidade.
O ministro uruguaio lembrou que tais reformas – quer sejam tributárias, fiscais ou outras – passam por destravar resistências políticas e corporativas. "Vou ser claro", disse o ministro. "Não há receita. Não é o mesmo processo por que passamos até agora: é mais complexo."
Lorenzo disse que "negociar reformas tributárias é um esforço político tremendo", e que o atual impasse que paralisou Washington é um bom exemplo disso.

'Reforçar o contrato social'

"Nenhum país está imune a uma revolução via Twitter"
Jim Yong Kim, presidente do Banco Mundial
Porém, na avaliação do vice-presidente do Banco Mundial Hasan Tuluy, encontrar soluções para atender às novas demandas é a única forma de "reforçar o contrato social" nas economias latino-americanas.
Participantes do painel apontaram o risco de que as demandas não atendidas levem a uma "crise de representatividade" nos países afetados por protestos. O presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, lembrou que "nenhum país está imune a uma revolução via Twitter".
Mas a diretora da organização Latinobarómetro, Marta Lagos, crê que essa crise é uma "explosão de pluralidade". "Vejo isso como um processo positivo", disse Lagos.
Em sua intervenção ao encerrar a discussão, Luciano Coutinho disse que a ascensão social na América Latina está criando "três pressões": sobre o mercado de trabalho, o sistema de seguridade social e a saúde.
Além disso, as manifestações pedem mais investimentos em infraestrutura econômica e social não só nas cidades, como no campo. "Isso contrasta com a escassez de poupança, escassez de capacidade fiscal e crédito de longo prazo", diagnosticou o presidente do BNDES.
"O grande problema é que não se pode fazer reformas sem priorizar tanto a poupança fiscal quanto a capacidade de investimento", avaliou Coutinho, apontando para as parcerias entre os setores público e privado como uma das possíveis soluções.
Coutinho concordou que a crise de representação pode ser "perigosa" para a democracia, se não for tratada pelos governos.

Para ele, os governos precisam fazer com que as classes médias sejam "um fator que impulsione a democratização e a transformação (social) em um sentido positivo, e não um fator de divisão e paralisia da sociedade".
Fonte: BBC Brasil

DE TODOS OS PICARETAS

Fernando Gabeira* - O Estado de S.Paulo
O intenso fim de semana na política foi um dos temas do Twitter. Dois candidatos da oposição uniram forças e foram muito comentados, perdendo apenas para temas como um quadro do Programa Raul Gil (SBT). As eleições presidenciais estão chegando e cada um, de acordo com suas limitações de tempo e restrições profissionais, tem a missão de fazer alguma coisa.
Individualmente, tentei fazer o PV e Marina Silva se entenderem e o partido ser o plano B caso a Rede não conseguisse registro no TSE, o que considerava altamente provável. Achava que o campo grosseiramente definido como socioambiental precisava apresentar-se como alternativa. Ele ainda é muito fraco. Dependia de uma união interna para disputar a simpatia do conjunto da oposição. Nos meus cálculos, o campo precisaria também rever alguns de seus dogmas para sair do gueto ecológico. Um é o de se fixar só na defesa de um Código Florestal abstrato, lutando contra ruralistas, que defendem outra abstração.
Minha proposta, em primeiro lugar, é introduzir o elemento científico para definir quanto de uma área deve ser preservado e quantos metros da margem de um rio serão resguardados para protegê-lo. No caso específico dos rios, considerava que a discussão em Brasília era muito limitada e deveria contar com os comitês de bacia, que conhecem o tema e trabalham diariamente com ele. Isso no caso de comitês de bacia que trabalham e venceram a etapa do faz de conta.
O mais importante para fortalecer o campo socioambiental seria reconhecer a importância da alimentação num planeta que brevemente chegará aos 9 bilhões de habitantes. Posso discorrer muito tempo sobre a importância política desse tema, mas a Primavera Árabe e revoltas em países africanos revelam como ele pode desestabilizar governos incapazes, momentaneamente, de financiar alimentos a preços acessíveis. Dentro dessa visão planetária, não tem sentido hostilizar o agronegócio, mas sim dialogar com ele e levá-lo, quando possível, a uma convergência com as propostas de sustentabilidade.
No meu caso particular, aprendi muito sobre a realidade agrícola discutindo com ex-ministro Alysson Paulinelli, ou sobre a produção de carne ouvindo o também ex-ministro Pratini de Moraes. Não tenho medo de ser chamado de velho conciliador, desde que acrescentem o adjetivo curioso. Colocar o tema dos alimentos numa projeção ecológica não só aumenta a credibilidade da proposta, como indica pé no chão, contato com a dura realidade cotidiana.
Meus esforços para reaproximar Marina e o PV foram em vão e as razões do fracasso não cabem numa análise política. Talvez num outro suporte, um romance psicológico, conseguisse explicar o que aconteceu. Os dois lados estavam irredutíveis.
Por baixo desse esforço havia outra divergência: a necessidade de um plano B. A realidade tem desmentido minha análise de que o plano B é tão importante quanto uma capa de chuva em Bruxelas. A insistência em não tê-lo significa confiar em certos resultados que podem falhar. Não me parece oportunista um candidato a presidente que tenha planos B. Em caso de vitória, terá de se acostumar com eles.
Com os rumos da oposição já traçados, mais a escolha de reduzir candidaturas, e não ampliar o leque, como pedia minha análise, só me resta agora tentar contribuir de outra maneira, dentro de minhas limitações. Uma forma de contribuir com uma alternativa para o Brasil foi ler 1.200 páginas dos debates da chamada esquerda democrática e produzir uma síntese para a Fundação Astrojildo Pereira, do PPS.
Quando os atores são tão imprevisíveis, é importante concentrar-se no roteiro. Apesar do apelo eleitoral, não basta condenar o PT e conseguir com isso um vínculo de simpatia em escala nacional. É preciso dizer como seria o Brasil pós-PT. De que forma impulsionar o crescimento econômico, como estabelecer políticas institucionais mais respeitosas, como se situar no mundo sem arroubos bolivarianos - há muitas coisas que precisam ser definidas com clareza.
O senso comum nos garante que acompanhando e participando da política podemos transformá-la. Mas o universo político brasileiro move-se com tanta independência e autonomia que parece uma galáxia distante. O balcão de negócios está instalado com toda a franqueza. Deputados vendem emendas, votos e, agora, o próprio mandato aos partidos em competição por bancadas numerosas.
O governo do PT contempla isso tudo com a maior tranquilidade porque acha que, no fundo, a desagregação vai ajudá-lo a permanecer no poder, sua obsessão. Não importa se seu reino se transformou num pântano, o importante é sentar na cadeira presidencial, distribuir cargos, verbas, enfim, o combustível que move essa sórdida engrenagem. Os marqueteiros ensinam o caminho do coração popular. Basta reservar para a propaganda uma boa parte dos recursos.
Espionado freneticamente pelos americanos, salvo pelos médicos cubanos e marchando triunfalmente para o topo da economia mundial, apesar do pessimismo dos próprios economistas, o PT vai construindo sua fantástica narrativa. Tudo pode acontecer num país imprevisível, onde os presidentes nem se preocupam mais em fazer sentido. As respostas desconexas de Dilma são apenas a continuidade hesitante da sólida ignorância de Lula, que sonhava com uma Terra quadrada para atenuar a poluição e com um mundo mais justo onde as mães não nascessem analfabetas. Tudo isso com penteado produzido por um cabeleireiro japonês, que deve prestar também seus serviços à Coreia do Norte, a julgar pelo estilo de Kim Jong-un.
Parece ironia, mas se a oposição deixar também de fazer sentido, seja por uma tardia descoberta dos encantos da literatura ou pela recusa a analisar friamente os problemas nacionais, aí, então, estaremos perdidos. Só nos restará escolher entre o bom humor dos comediantes e o mau humor dos manifestantes, mas até neste caso um tipo de síntese conciliatória é desejável. Um bom exercício seria completar a frase: Brasil, um país de todos...

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

SERRA PREGA UNIÃO DAS OPOSIÇÕES

Fernanda Nascimento
FREDY VIEIRA/JC
Ex-governador tucano chega para almoço com empresários
Ex-governador tucano chega para almoço com empresários
O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) garante que nada está definido no cenário eleitoral de 2014, especialmente depois do ingresso da ex-senadora Marina Silva no PSB, do governador de Pernambuco e pré-candidato à presidência da República, Eduardo Campos. O tucano, que foi derrotado nas eleições presidenciais de 2002 e de 2010 pelos petistas Lula e Dilma Rousseff, respectivamente, não descartou uma terceira tentativa ao afirmar que “o PSDB vai escolher o candidato em março”. As declarações ocorreram durante a reunião-almoço Tá na Mesa, da Federasul, ontem, em Porto Alegre.

Serra evitou falar sobre uma futura disputa interna pela indicação do PSDB para a corrida presidencial contra o senador e presidente nacional da sigla, Aécio Neves. “Vou estar com o candidato do meu partido”, desconversou. A possível candidatura de Aécio fez com que vários partidos assediassem Serra, oferecendo espaço para que se candidatasse. Sem entrar no assunto, Serra disse que a escolha por permanecer no PSDB “foi uma decisão pela não decisão de sair do partido” e que os “convites são naturais”. 

O tucano preferiu adotar o discurso de que a oposição precisa se unificar para construir uma “alternativa para derrotar o PT e oferecer um novo rumo ao Brasil”. Ele afirmou que essa será uma de suas principais tarefas durante a campanha eleitoral e avalia que o momento é positivo, pois “o Brasil quer mudar”. Ao analisar o papel da oposição no governo petista, Serra disse que “não é fácil fazer oposição no Brasil, com uma minoria”, mas não negou erros estratégicos. “Não dou nota 100, mas não dou nenhuma nota. Poderia ser melhor, mas essas são questões subjetivas.” O ex-governador avaliou ainda o ingresso de Marina Silva no PSB como “surpreendente”. 

As críticas ao governo federal foram o pano de fundo de todos os comentários. “O quadro eleitoral está indefinido, mas a herança dos problemas está bem definida. Temos pelo menos dez grandes problemas que precisarão ser resolvidos pelo futuro presidente”, disse. Entre as dificuldades elencadas por Serra, está a política externa brasileira e a carência de infraestrutura. Serra também criticou o que chamou de “partidarização do Estado” e “loteamento de cargos” na gestão do governo petista.

PDT acena para aliança com PSB

Fernanda Bastos

O PDT estadual se reúne na próxima segunda-feira com o PSB para debater possibilidade de coligação em 2014. O objetivo do encontro é estabelecer diálogo com potenciais aliados para o pleito, sinalizando a intenção dos pedetistas de encabeçarem uma chapa ao governo. O DEM também confirmou presença na reunião.

O presidente do PDT de Porto Alegre, deputado federal Vieira da Cunha, que colocou seu nome à disposição para ser o candidato pedetista ao Piratini, é quem está agendando o encontro com os partidos. As outras legendas convidadas - que Vieira ainda não quis revelar - devem confirmar presença até amanhã.

Fora do governo Tarso Genro (PT) há menos de um mês, o PSB seguiu orientação do diretório nacional, que pediu a saída dos governos petistas em prol da candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, à presidência da República. O PDT pode seguir o mesmo caminho no Estado, esvaziando a coalizão montada por Tarso. A sigla decidirá se deixa os cargos no Executivo em 7 de dezembro, em pré-convenção.


FONTE  Jornal do Comércio

PESQUISA PARA PRESIDENTE NO PARANÁ, TUDO EMBOLADO!

       Por meses a fio se especula sobre a possibilidade do ex-presidente Lula substituir a presidente Dilma, como candidato do PT nas eleições de 2014. Mas tem crescido nestes semanas a interrogação sobre quem será o candidato do PSDB e, nas últimas horas sobre quem será o candidato do PSB. Somente uma pesquisa nacional pode definir o tamanho e o embaraço político desta indefinição.
Mas por hora, vamos ficar com uma pesquisa feita no Paraná pelo Instituto Paraná Pesquisas e que foi publicada hoje no jornal O Estado do Paraná. Nela, a presidente Dilma (PT) tem 25,3% das intenções de voto, José Serra (PSDB) tem 23%, Marina Silva (PSB) 18%, Aécio Neves (PSDB) 16,1%, Eduardo Campos 3,4%. Não sabem 7,2% e nenhum 7,1%.
Há outro cenário. Neste, Dilma tem 29,5%, Marina 25,4%, Aécio 21,3% e Eduardo 6,4%. Não sabe 8,8% e nenhum 8,5%. Foram feitas 2.512 entrevistas em 90 municípios do Paraná entre os dias 30 de setembro e seis de outubro.
Estes números talvez representem uma pista do quadro em nível nacional. Nós próximos dias, quando saírem as pesquisas nacionais vamos conferir
FONTE: Panorama político - Ilimar Franco

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

GERAÇÃO DO DIPLOMA, DECEPÇÃO DO MERCADO



Estudante (Foto Reuters)
Número de instituições de ensino superior mais que dobrou desde 2001
Nunca tantos brasileiros chegaram às salas de aula das universidades, fizeram pós-graduação ou MBAs. Mas, ao mesmo tempo, não só as empresas reclamam da oferta e qualidade da mão-de-obra no país como os índices de produtividade do trabalhador custam a aumentar.
Na última década, o número de matrículas no ensino superior no Brasil dobrou, embora ainda fique bem aquém dos níveis dos países desenvolvidos e alguns emergentes. Só entre 2011 e 2012, por exemplo, 867 mil brasileiros receberam um diploma, segundo a mais recente Pesquisa Nacional de Domicílio (Pnad) do IBGE.
“Mas mesmo com essa expansão, na indústria de transformação, por exemplo, tivemos um aumento de produtividade de apenas 1,1% entre 2001 e 2012, enquanto o salário médio dos trabalhadores subiu 169% (em dólares)", diz Rafael Lucchesi, diretor de educação e tecnologia na Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A decepção do mercado com o que já está sendo chamado de "geração do diploma" é confirmada por especialistas, organizações empresariais e consultores de recursos humanos.
"Os empresários não querem canudo. Querem capacidade de dar respostas e de apreender coisas novas. E quando testam isso nos candidatos, rejeitam a maioria", diz o sociólogo e especialista em relações do trabalho da Faculdade de Economia e Administração da USP, José Pastore.
Entre empresários, já são lugar-comum relatos de administradores recém-formados que não sabem escrever um relatório ou fazer um orçamento, arquitetos que não conseguem resolver equações simples ou estagiários que ignoram as regras básicas da linguagem ou têm dificuldades de se adaptar às regras de ambientes corporativos.
"Cadastramos e avaliamos cerca de 770 mil jovens e ainda assim não conseguimos encontrar candidatos suficientes com perfis adequados para preencher todas as nossas 5 mil vagas", diz Maíra Habimorad, vice-presidente do DMRH, grupo do qual faz parte a Companhia de Talentos, uma empresa de recrutamento. "Surpreendentemente, terminanos com vagas em aberto."
Outro exemplo de descompasso entre as necessidades do mercado e os predicados de quem consegue um diploma no Brasil é um estudo feito pelo grupo de Recursos Humanos Manpower. De 38 países pesquisados, o Brasil é o segundo mercado em que as empresas têm mais dificuldade para encontrar talentos, atrás apenas do Japão.
É claro que, em parte, isso se deve ao aquecimento do mercado de trabalho brasileiro. Apesar da desaceleração da economia, os níveis de desemprego já caíram para baixo dos 6% e têm quebrado sucessivos recordes de baixa.
Linha de montagem da Ford (Foto BBC)
Produtividade da industria aumentou apenas 1,1% na última década, segundo a CNI
Mas segundo um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) divulgado nesta semana, os brasileiros com mais de 11 anos de estudo formariam 50% desse contingente de desempregados.
"Mesmo com essa expansão do ensino e maior acesso ao curso superior, os trabalhadores brasileiros não estão conseguindo oferecer o conhecimento específico que as boas posições requerem", explica Márcia Almstrom, do grupo Manpower.

Causas

Especialistas consultados pela BBC Brasil apontam três causas principais para a decepção com a "geração do diploma".
A principal delas estaria relacionada a qualidade do ensino e habilidades dos alunos que se formam em algumas faculdades e universidades do país.
Os números de novos estabelecimentos do tipo criadas nos últimos anos mostra como os empresários consideram esse setor promissor. Em 2000, o Brasil tinha pouco mais de mil instituições de ensino superior. Hoje são 2.416, sendo 2.112 particulares.
"Ocorre que a explosão de escolas superiores não foi acompanhada pela melhoria da qualidade. A grande maioria das novas faculdades é ruim", diz Pastore.
Tristan McCowan, professor de educação e desenvolvimento da Universidade de Londres, concorda. Há mais de uma década, McCowan estuda o sistema educacional brasileiro e, para ele, alguns desses cursos universitários talvez nem pudessem ser classificados como tal.
“São mais uma extensão do ensino fundamental", diz McCowan. "E o problema é que trazem muito pouco para a sociedade: não aumentam a capacidade de inovação da economia, não impulsionam sua produtividade e acabam ajudando a perpetuar uma situação de desigualdade, já que continua a ser vedado à população de baixa renda o acesso a cursos de maior prestígio e qualidade."
Para se ter a medida do desafio que o Brasil têm pela frente para expandir a qualidade de seu ensino superior, basta lembrar que o índice de anafalbetismo funcional entre universitários brasileiros chega a 38%, segundo o Instituto Paulo Montenegro (IPM), vinculado ao Ibope.
Estudantes (Foto BBC)
Especialistas questionam qualidade de novas faculdades no Brasil
Na prática, isso significa que quatro em cada dez universitários no país até sabem ler textos simples, mas são incapazes de interpretar e associar informações. Também não conseguem analisar tabelas, mapas e gráficos ou mesmo fazer contas um pouco mais complexas.
De 2001 a 2011, a porcentagem de universitários plenamente alfabetizados caiu 14 pontos - de 76%, em 2001, para 62%, em 2011. "E os resultados das próximas pesquisas devem confirmar essa tendência de queda", prevê Ana Lúcia Lima, diretora-executiva do IPM.
Segundo Lima, tal fenômeno em parte reflete o fato da expansão do ensino superior no Brasil ser um processo relativamente recente e estar levando para bancos universitários jovens que não só tiveram um ensino básico de má qualidade como também viveram em um ambiente familiar que contribuiu pouco para sua aprendizagem.
"Além disso, muitas instituições de ensino superior privadas acabaram adotando exigências mais baixas para o ingresso e a aprovação em seus cursos", diz ela. "E como consequência, acabamos criando uma escolaridade no papel que não corresponde ao nível real de escolaridade dos brasileiros."

Postura e experiência

A segunda razão apontada para a decepção com a geração de diplomados estaria ligada a “problemas de postura” e falta de experiência de parte dos profissionais no mercado.
“Muitos jovens têm vivência acadêmica, mas não conseguem se posicionar em uma empresa, respeitar diferenças, lidar com hierarquia ou com uma figura de autoridade”, diz Marcus Soares, professor do Insper especialista em gestão de pessoas.
“Entre os que se formam em universidades mais renomadas também há certa ansiedade para conseguir um posto que faça jus a seu diploma. Às vezes o estagiário entra na empresa já querendo ser diretor.”
As empresas, assim, estão tendo de se adaptar ao desafio de lidar com as expectativas e o perfil dos novos profissionais do mercado – e em um contexto de baixo desemprego, reter bons quadros pode ser complicado.
Para Marcelo Cuellar, da consultoria de recursos humanos Michael Page, a falta de experiência é, de certa forma natural, em função do recente ciclo de expansão econômica brasileira.
"Tivemos um boom econômico após um período de relativa estagnação, em que não havia tanta demanda por certos tipos de trabalhos. Nesse contexto, a escassez de profissionais experientes de determinadas áreas é um problema que não pode ser resolvido de uma hora para outra", diz Cuellar.
Nos últimos anos, muitos engenheiros acabaram trabalhando no setor financeiro, por exemplo.
"Não dá para esperar que, agora, seja fácil encontrar engenheiros com dez ou quinze anos de experiência em sua área – e é em parte dessa escassez que vem a percepção dos empresários de que ‘não tem ninguém bom’ no mercado", acredita o consultor.

'Tradição baicharelesca'

Por fim, a terceira razão apresentada por especialistas para explicar a decepção com a “geração do diploma” estaria ligada a um desalinhamento entre o foco dos cursos mais procurados e as necessidades do mercado.

"É bastante disseminada no Brasil a ideia de que cargos de gestão pagam bem e cargos técnicos pagam mal. Mas isso está mudando – até porque a demanda por profissionais da área técnica tem impulsionado os seus salários."
Gabriel Rico
De um lado, há quem critique o fato de que a maioria dos estudantes brasileiros tende a seguir carreiras das ciências humanas ou ciências sociais - como administração, direito ou pedagogia - enquanto a proporção dos que estudam ciências exatas é pequena se comparada a países asiáticos ou alguns europeus.
“O Brasil precisa de mais engenheiros, matemáticos, químicos ou especialistas em bioquímica, por exemplo, e os esforços para ampliar o número de especialistas nessas áreas ainda são insuficientes”, diz o diretor-executivo da Câmara Americana de Comércio (Amcham), Gabriel Rico.
Segundo Rico, as consequências dessas deficiências são claras: “Em 2011 o país conseguiu atrair importantes centros de desenvolvimento e pesquisas de empresas como a GE a IBM e a Boeing”, ele exemplifica. “Mas se não há profissionais para impulsionar esses projetos a tendência é que eles percam relevância dentro das empresas.”
Do outro lado, também há críticas ao que alguns vêem como um excesso de valorização do ensino superior em detrimento das carreiras de nível técnico.
“É bastante disseminada no Brasil a ideia de que cargos de gestão pagam bem e cargos técnicos pagam mal. Mas isso está mudando – até porque a demanda por profissionais da área técnica tem impulsionado os seus salários”, diz o consultor.
Rafael Lucchesi concorda. "Temos uma tradição cultural baicharelesca, que está sendo vencida aos poucos”, diz o diretor da CNI – que também é o diretor-geral do Senai (Serviço Nacional da Indústria, que oferece cursos técnicos).
Segundo Lucchesi, hoje um operador de instalação elétrica e um técnico petroquímico chegam a ganhar R$ 8,3 mil por mês. Da mesma forma, um técnico de mineração com dez anos de carreira poderia ter um salário de R$ 9,6 mil - mais do que ganham muitos profissionais com ensino superior.
“Por isso, já há uma procura maior por essas formações, principalmente por parte de jovens da classe C, mas é preciso mais investimentos para suprir as necessidades do país nessa área”, acredita.

FONTE: BBC BRASIL
FI