sábado, 21 de abril de 2012

NÃO CUSTA SONHAR ( By Marco Sobreira )


Todos os dias percorro 80km para ir e voltar a um dos hospitais que trabalho, é o tempo que aproveito para fazer minhas reflexões e pensar no que acontece em meu Estado e no Brasil. Há muito já detectei que um dos grandes problemas de nossa juventude é a dificuldade de freqüentar uma faculdade após o término do ensino médio que na grande maioria das vezes não capacita ninguém para uma profissão. As famílias não têm condições de bancar os filhos nas faculdades particulares e as públicas são raras e de difícil acesso, para exemplificar, aqui no sul do Esp. Santo elas inexistem.
De repente me dei conta que sou um privilegiado, filho de família de poucos recursos, meu pai foi Promotor de Justiça numa época em que a profissão não era valorizada, com dez irmãos, mudando de cidade freqüentemente e estudando sempre em escolas públicas, minhas chances de cursar medicina eram muito pequenas. Ao concluir o cientifico tive que ir para Vitória tentar o vestibular na Faculdade de Medicina da UFES onde fiquei reprovado e como já estava lá, tentei na Emescam, uma faculdade particular e para minha surpresa e de toda a família fui aprovado.
Como medicina é um curso que exige dedicação integral, a possibilidade de trabalhar não existia, meu pai fez e refez as contas e concluiu que não teria condições de me manter  pois além da mensalidade cara, teria os gastos com moradia, alimentação, livros, enfim, passado a euforia do vestibular, meu sonho não poderia ser realizado, confesso minha frustração foi grande e quando tudo parecia perdido eis que através de um compadre do meu pai, consegui uma bolsa de estudo de uma grande fábrica de cimento e só assim consegui cursar a faculdade o que mudou minha vida para sempre.
Pensando na minha situação, na sorte que tive é que de repente me dei conta que se tivesse vontade política de fazer uma revolução na educação desse país, se estivesse disposto abrir mão de uma boa parte da arrecadação do imposto de renda, era só criar uma lei aos moldes da Lei Rouanet da cultura e permitir que empresas e pessoas físicas fornecessem uma bolsa de estudos em troca do abatimento integral em sua declaração do imposto de renda. Já imaginaram a quantidade de jovens teriam acesso ao curso superior? Tenho certeza que dentro de poucos anos o Brasil seria um exemplo para o mundo e assim como um dia tive minha vida mudada por uma empresa, milhares de nossos jovens teriam o mesmo destino, isso sim, seria um grande salto na qualidade de vida de nosso povo.
Utopia? Não sei, não custa sonhar e você que me deu a honra desta leitura o que acha? Dê sua opinião, se concordar me ajude a divulgar, quem sabe tocamos no coração de algum político e essa idéia pode tomar corpo e vir a ser uma realidade?  Poderemos ter milhares de médicos, engenheiros, advogados, dentistas, cientistas, professores, administradores, sociólogos, enfim poderíamos mudar o Brasil.

6 comentários:

  1. Eu sempre fui a favor que as empresas pudessem dar bolsas e abater no imposto de renda..Sem dúvida a história seria outra..Mas o governo¹³ ordinário prefere manter o cabresto com o tal prouni.

    ResponderExcluir
  2. Pertinente seus sonho! Realmente a saída é a educação ampla, geral e irrestrita a todos! Com o apoio de empresas privadas e afins.

    Facilitar o acesso, porém com consistência no ensino do próprio acesso como no Superior! Boas escolas, cursos técnico, universidades, possibilidade aprimoramento educacional e profissionalizante, enfim a saída, a solução é a EDUCAÇÂO de todos! Belo sonho e desejos. Nós de certeza forma estamos contribuindo com a formação da massa critica e de opinião! Abraços! Parabéns!

    ResponderExcluir
  3. Primeiro, esse esforço fez de vc o grande médico que é hoje. Segundo, concordo.Seria excelente e, pelo menos esse dinheiro de imposto não seria roubado.

    ResponderExcluir
  4. Excelente ideia, amigo, só há crescimento de fato quando é feito investimento na Educação.
    O governo quase nada faz pela sociedade e se alguma coisa melhora neste país é devido à iniciativa privada.

    ResponderExcluir
  5. Aqui no Rio, as Casas Sendas dava educação para os filhos dos funcionários até o segundo grau. A Fundação Bradesco também tem escolas ótimas abertas para todos. Acredito que tenha mais empresas fazendo isto, portanto Sobreira, parece que só o governo ainda não atentou que abrir mão de alguma grana do IR é lucro e não prejuízo. Não há tesouro maior para o país do que sua população esclarecida,educada e com ótima formação estudantil.

    ResponderExcluir
  6. Mercia Almeida Neves22 de abril de 2012 07:06

    Amigo querido, teus sonhos são os nossos.Mas é complexo.
    "Formar" inúmeros de diplomados nos dias atuais, já não é, como na tua época, algo raro; temos faculdades EAD, temos semi-presencias,temos PROUNI, temos até o ENEM.Os indicadores do nível da educação no Brasil, o IDEB, é burlado...por troca de votos.São trocados por computadores, por bicicletas, (em zona rurais.Por materias didáticos."Profissionais" da educação, numa total falta de integridade, o tornam em estatísticas.Esses alunos que respondem as tais questões do IDEB é que serão os futuros alunos das faculdades.Até universidades.É duro, mas é real.
    Jamais compararia teus esforços,teus estudos, pelos atuais.
    Educação também virou mercadoria.A saúde também.O lazer também.O amor também....Mas eu sonho, nós sonhamos.Não consigo vislumbrar acertativas.Nos dias atuais, penso,que pessoas de menos possibilidades, seria interessante viabilizar para sí, cursos técnicos profissionalizantes.Para trabalhar.E não apropiar-se de um diploma "universitário" em mãos.O mercado de trabalho está cheio deles.Deverá, como um cilco vicioso, ser objeto de troca de votos...
    "Eu tive um sonho"...

    ResponderExcluir