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terça-feira, 11 de outubro de 2011

CELSO DANIEL E A MALDIÇÃO DA MÚMIA.

O "sacristão" do Planalto perseguido por fantasmas e pela Justiça Do Observatório de Inteligência

A sociedade brasileira continua na letargia inaugurada em 2003 com a instalação do governo aparelhador do Estado, subjugador de dez partidos políticos sob o manto protetor da estrela vermelha do PT, que amarrou as cadeiras da Câmara Federal da República e anestesiou a opinião pública com a fanfarra da sua propaganda. A partir do último "7 de Setembro", timidamente indignadas , as novas gerações iniciaram duvidoso ensaio geral de protestos contra o desgoverno e a corrupção no país.

Usufruímos de um ciclo de progresso nos campos econômico e social favorecido pela conjuntura mundial, tirocínio do empresariado nacional e estímulos oficiais inarredáveis, dentro de um período governamental dos mais corruptos da história republicana, inclusive aos olhos clínicos de governos estrangeiros.

Pairam fatos que intrigam aos que não estão acostumados com os gabinetes executivo, legislativo e judiciário de Brasília, onde a cartilha dos fins tem justificado os meios e a acomodação de interesses permeia relações pessoas e corporativas. Tudo, parte do jogo de cena dentro do poder, onde moral e ética são valores adormecidos pelas conveniências da politicagem, cinicamente projetadas na mídia.

A dança das cadeiras e o fantasma de Santo André

Nos bastidores da mídia, nas redes da net e círculos esclarecidos da sociedade, afloram indagações sobre familiares e aparentados que vão se destacando na vida pública como atores de uma novela de espanto, suspense e terror.

O deputado federal Antonio Palocci, ex-poderoso ministro de Mr.Da Silva, recebeu uma penada da Sra. Rousseff e foi substituído, intempestivamente, pela senadora paranaense Gleisi Hoffmann, no Gabinete Civil da Presidência da República. Ex-diretora da ITAIPÚ Binacional, nada menos que esposa do sindicalista Paulo Bernardo, Ministro das Comunicações , ex-ministro do Planejamento de Mr.Da Silva.

Professor Celso Daniel, torturado e morto nos moldes das organizações criminosas Gilberto Carvalho, paranaense,Secretário-Geral da Presidência da República, ex-chefe de gabinete de Mr.Da Silva, é irmão de Miriam Belchior, Ministra do Planejamento, que foi casada com Celso Daniel, ex-prefeito de Santo André, inusitadamente seqüestrado, torturado e assassinado em Juquitiba, jurisdição da delegacia seccional de Policia do Taboão da Serra.

Os manos Gilberto e Miriam foram seus secretários de governo em Santo André e o preparavam para ser Ministro do Planejamento de Mr.Da Silva. Em boa hora, a Sra Rousseff homenageou o desconhecido falecido , colocando a sua ex-consorte na cadeira a ele reservada. Ambos envolvidos no caso das malas da propina da municipalidade, que eram destinadas a Zé Dirceu, presidente do PT para investimentos em campanhas eleitorais, em pauta no judiciário.

A delegada da polícia civil de São Paulo, Elizabete Sato, escalada para o intrigante processo do extermínio do prefeito Celso Daniel, é tia de Marcelo Sato, marido da senhora Lurian que, por ironia do destino, é filha do ex- metalúrgico e ex- presidente Mr. Da Silva, cuidando de deixar guardados por 8 anos os emblemáticos esqueletos dos "cumpanheros", Celso Daniel , morto em janeiro de 2002, e de Toninho do PT, prefeito de Campinas, também assassinado misteriosamente, seis meses depois.

Pois é , Marcelo Sato, o genro do ex-presidente da República Federativa do Brasil, é sobrinho da delegada Elisabete Sato, titular do 78º DP. Foi justamente ela que manteve em banho-maria o emblemático processo da Secretaria de Segurança Púbica de São Paulo, afrontando a inteligência de promotores e procuradores da justiça.

A maldição da múmia

A delegada simplesmente concluiu que o caso Celso Daniel foi um "crime comum", sem motivação política, sucedido de 14 testemunhas misteriosamente mortas, inclusive do médico legista Carlos Delmonte Printes, cujo suicídio e alegadas motivações não foram convincentes para argutos policiais e promotores, no instante em que ultimava laudo pericial sustentando que o ex-prefeito de Santo André foi violentamente torturado entre as suas nádegas, agonizou e foi friamente morto a tiros.

Dr. Delmonte foi encontrado morto no dia 12 de outubro de 2005, em seu escritório na Vila Clementino, próximo à residência de "Zeca Diabo", o poderoso ex-ministro de Mr.Da Silva, exonerado em 2006.

A promotora de justiça Eliana Vendramini, em setembro de 2010 , teve seu carro blindado abalroado criminosamente em via expressa e escapou com vida. Ela apurava o crime da "Maldição da Múmia”.

Elisabete Sato prefere ficar eternamente muda sobre os fatos investigados e as três páginas da sua pálida conclusão encaminhada ao MP e à Justiça. A Justiça, instada pelas investigações do GAECO se empenha no ritual do processo que envolve Gilberto Carvalho, hoje, espião de Mr. D Silva e o PT, e quem sabe recuperará a dinheirama do assalto a Prefeitura de Santo André.

Senador-xerife Romeu Tuma, o homem que sabia demais Em Santa Catarina, a sociedade barriga-verde considera Marcelo Sato poderoso. Uusufruiu de vantajosa oportunidade de assessoria no Banco de Santa Catarina - BESC , hoje, federalizado pelo governo aparelhador, tendo como protetor Jorge Lorenzetti, diretor do banco. O mesmo que se tornou conhecido como o churrasqueiro- mor de Mr.Da Silva, e agente do escândalo da compra de dossiês cantado em prosa e verso pela mídia. A senadora petista Ideli Salvatti, ex-ministra da Pesca de Mr.Da Silva, hoje, ministra das Relações Institucionais da Sr. Rousseff, é mulher do churrasqueiro.
Sra.Rousseff quer distância do fantasma de Santo André

Nada é por acaso, mas quem poderia ter contado toda a verdade sobre a prematura desencarnação do martirizado Celso Daniel, já está em sua companhia, o saudoso senador-xerife Romeu Tuma, policial paulista que levou para o túmulo o grande segredo da máfia mortal de Santo André. Os filhos do "cumpanhero " mereceram as devidas deferências de Mr.Da Silva: o ex-delegado seccional de Taboão da Serra que investigou o trucidamento de Celso Daniel tornou-se Secretário Nacional de Segurança Pública e outro, diretor da Petrobrás.

A sra. Rousseff, hoje, avó e sexagenária, avessa a histórias de terror, assaltos e assassinatos, não quer nem ouvir e receber clippings da assessoria de comunicação palaciana, com notas da máfia e o fantasma de Santo André, pois sabe que o seu secretário geral no Palácio do Planalto está sujeito a acertar contas com a Justiça e ilustrar as páginas da mídia.

Esses são fatos que sugerem enredo de novela para a famosa TV carioca , ou uma história de fantasia política ou terror para inglês ler. (OI/Brasil acima de tudo)

BRASIL E TURQUIA REPETEM A PARCERIA PARA GARANTIR O TRIUNFO NO CAMPEONATO DO RIDÍCULO

Coluna de Augusto Nunes - 09/10/2011

No campeonato do ridículo, o Brasil Maravilha registrado em cartório é sempre um fortíssimo candidato ao título. Torna-se imbatível quando joga em parceria com a Turquia, confirmou Dilma Rousseff nesta sexta-feira. A última façanha da dupla ocorreu em maio de 2010, quando o presidente Lula e o primeiro-ministro Recep Erdogan baixaram no Irã para fechar um acordo com os aiatolás atômicos. A maluquice foi pulverizada pelas potências de verdade e os negociadores trapalhões tiveram de engolir o fiasco sem engasgos. Na passagem por Ancara, ao lado do colega turco Abdullah Gil, Dilma resolveu liquidar com um falatório a crise econômica internacional. Tem tantas chances de sucesso quanto a missão Lula-Erdogan em Teerã.

Em 2008, o reconstrutor do País do Carnaval ordenou a Barack Obama que proibisse o tsunami financeiro de cruzar o Atlântico. Dilma acaba de ordenar aos governantes europeus que deem um jeito nos problemas que andam criando. Depois de dar um pito nos países desenvolvidos, a presidente búlgara do Brasil torturou o tradutor com palavrórios desconexos, a gramática com pontapés na concordância e a Europa com conselhos sem pé nem cabeça ? concebidos, presume-se, para ensinar ao inexperiente Velho Mundo o que devia ter sido feito e o que é preciso fazer agora.

Reproduzidos sem correções, os trechos em itálico dão uma ideia do que foi a aula em dilmês castiço. “Os europeus não definiram os modelos de regulação capazes de resolver a pesada dívida soberana que pesa sobre seus própios bancos” (…) A Turquia e o Brasil têm sabido resisitir à crise porque aposta no fortalecimento dos seus mercados domésticos, porque aposta na expansão dos investimentos industriais, agrícolas e de infraestrutura. (…) E também tem estrutura de coordenação. (…) Todos nós devemos discutir como fazer para superar essa fase, que é uma fase grave das crise internacional até porque, indiretamente, ela afeta todos nós. Somos países muito similares e, como disse os que me antecederam, complementares“.

Em maio de 2010 depois do fiasco no Teerã, escrevi neste espaço que o problema não é o complexo de vira-lata diagnosticado por Nelson Rodrigues. Essa disfunção só deu as caras por aqui entre 1950, quando a derrota na final contra o Uruguai transformou o brasileiro no último dos torcedores, e 1958, quando a Seleção triunfou na Copa da Suécia. O problema destes trêfegos trópicos é o oposto do complexo de vira-lata: é a síndrome de com-o-Brasil-ninguém-pode.

Aprende-se ainda no útero que a nossa bandeira é a mais bonita do mundo, embora ninguém se atreva a sair por aí tentando combinar camisa azul, calça verde e paletó amarelo. Aprende-se no berço que o nosso hino é o mais bonito do mundo, muitos sustenidos e bemóis à frente da Marselhesa. Aprende-se no jardim da infância que Deus é brasileiro. Portador da síndrome em sua forma mais aguda, Lula botou na cabeça que um país assim merecia um governante que pode tudo.

No cérebro do ex-presidente, a área reservada à acumulação de conhecimentos é um terreno baldio. Por não ter assistido a uma só aula de geografia, precisa de ajuda para localizar o Oriente Médio no mapa-múndi. Mas achou que podia encerrar com duas reuniões confrontos sobre os quais nada sabe. Por nunca ter lido um livro de história, ignora que o Irã é a antiga Pérsia, confunde o xá com chá, não faz a menor ideia de quem foi Khomeini. Desconhece o passado que produziu os ahmadinejads do presente. Mas tratou como amigo de infância um psicopata sem remédio.

O Brasil é uma procissão de primitivismos. Há mais de 12 milhões de analfabetos, o sistema educacional não educa, a rede de saneamento básico atende a metade das moradias, cicatrizes apavorantes percorrem o sistema de saúde, favelas miseráveis seguem penduradas em morros sem lei, milhares de quilômetros de fronteira estão fora do alcance do Estado, zonas de exclusão encolheram o mapa oficial em milhões de quilômetros quadrados, a violência é epidêmica, a corrupção endêmica e impune sangra os cofres públicos, a infraestrutura é de terceiro mundo, há uma demasia de carências a eliminar.

Não é pouca coisa, e não é tudo. O mundo vai descobrindo que a potência de araque não sabe sequer organizar uma Copa do Mundo. Faltam aeroportos modernos, a rede ferroviária em frangalhos é um problema secundário para quem vive brincando de trem-bala, os farsantes celebram proezas inexistentes e inauguram pedras fundamentais. Como Lula durante oito anos, há nove meses Dilma faz de conta que isso é conversa de inimigo da pátria, traidor da nação, gente que torce para que tudo dê errado.

Depois que Lula se promoveu sem concurso a conselheiro político do universo, só faltava a doutora em nada nomear-se consultora econômica do planeta. Depois da performance na Turquia, já não falta mais nada.

Orion Alencastro

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

MAIS DO MESMO.

O Brasil tende a aderir aos principais países ocidentais e reconhecer o Conselho Nacional de Transição da Líbia como o verdadeiro governante do país, mas só depois que a Liga Árabe e outros países da região como o Egito, a Tunísia e a Autoridade Palestina deram seu "apoio pleno" aos rebeldes líbios.

Mas o porta-voz do Itamaraty ressalvou que o Brasil ainda pretende conversar com seus parceiros do Brics (além do Brasil, a Rússia, a Índia, a China e a África do Sul) para tornar a decisão oficial.

Não foi por acaso, portanto, que um membro do Conselho Nacional de Transição disse que os rebeldes líbios não têm problemas com países ocidentais como Itália, França ou Reino Unido, mas preveem "problemas políticos" com Rússia, China ou Brasil.

Já quando o Conselho de Segurança da ONU aprovou ações contra a Líbia "para defender os civis", o Brasil se absteve, juntamente com a Rússia e a China.

E, mais adiante, quando da proposta de advertência ao governo da Síria de Bashar Al Assad pela violência com que tentava controlar as manifestações contra sua ditadura, o próprio ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, anunciou a oposição brasileira.

Mais que isso, representantes dos governos do Brasil, da África do Sul e da Índia estiveram com Al Assad, e um comunicado conjunto defendeu a soberania da Síria, apoiando as reformas prometidas pelo governo sírio e condenando a violência "dos dois lados", argumentação que a diplomacia brasileira costuma utilizar quando não quer condenar apenas as ditaduras que apoia.

Assim como acontecera ainda na gestão de Celso Amorim, quando o Brasil deu para o regime do Irã condições políticas de não ficar isolado quando assumiu uma negociação sobre o programa nuclear ao lado da Turquia, também dessa vez o comunicado conjunto do Brasil, da África do Sul e da Índia serviu para que o ditador sírio mostrasse ao mundo que não estava isolado pelas críticas da ONU e dos principais países ocidentais.

O chanceler Antonio Patriota colocou ainda em questão a ação das Nações Unidas na Líbia, usando os ataques aéreos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Líbia para justificar a "hesitação" que, segundo ele, os membros do Conselho de Segurança estavam experimentando em relação às ações contra a Síria.

O fato de, durante os vários dias que duraram as manifestações no Egito e na Tunísia, até o desfecho com a renúncia dos ditadores, não ter havido nem bandeiras de outros países queimadas nem slogans que não fossem relacionados com as reivindicações nacionais foi considerado como sintomático de que as revoluções populares daqueles países, e agora também na Líbia, expressam os anseios da chamada "rua árabe" de liberdade, de democracia, de melhores condições de vida, de mais justiça social e igualdade de oportunidades.

Na Líbia, as forças de apoio à ditadura de Kadafi demonstraram que, sem o apoio dos Estados Unidos e de outras nações ocidentais, provavelmente ele não correria o risco de ser derrubado, como parece iminente.

É claro que não há garantias de que extremistas não se apossem das "revoluções populares" mais adiante, e sobretudo na Líbia, quando chegar o momento. O Ocidente terá que agir para garantir que a democracia saia vitoriosa.

Mas a excessiva cautela do governo brasileiro parece ainda indicar que o centro de nossa política externa não teve alterações, e não é por receio de que extremistas assumam o poder nesses países que o Brasil teve posições ambíguas, frequentemente favoráveis aos ditadores já instalados.

A nomeação do ex-chanceler Celso Amorim para o Ministério da Defesa esclareceu o que realmente a presidente Dilma achava da política externa brasileira nos oito anos de governo Lula.

A não permanência de Amorim à frente da pasta, apesar dos apelos do presidente Lula e do desejo expresso de Amorim na ocasião, juntamente com declarações da presidente logo depois de eleita, a respeito da defesa dos direitos humanos, deu a impressão de que havia uma percepção diferente por parte dela, mesmo tendo escolhido o segundo de

Amorim, o embaixador Antonio Patriota, para o cargo.

A declaração da presidente contra o apedrejamento de mulheres no Irã e a favor dos direitos humanos foi compreendida como mais um passo no rumo contrário ao que se defendia na gestão anterior.

Pois hoje se sabe exatamente o que Dilma pensa de Amorim, que assumiu o Ministério da Defesa "porque já deu mostras de ser um brasileiro muito dedicado ao Brasil".

Os fatos posteriores mostraram que não havia divergências de fundo sobre a condução da política externa, mas apenas uma diferença de estilo. Talvez a mesma coisa que acontece agora dela em relação ao ex-presidente Lula.

Merval Pereira

terça-feira, 19 de abril de 2011

AS BONDADES DO GOVERNO PASSADO E AS CONSEQUÊNCIAS.

A generosidade do Brasil com nossos vizinhos da onda vermelha que tingiu a América Latina, exceto no Chile, Peru e Colômbia, tem servido bem à Bolívia e ao Paraguai, objeto de “bondades”. Não só, porém, por afinidade ideológica, mas seguramente com vista à aspiração por uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU, verdadeira obsessão do governante passado. O Brasil sempre será uma voz importante na América Latina, sem pretensão hegemônica.


Os Estados Unidos estavam atolados no Vietnã quando o presidente Nixon recebeu a visita do presidente Médici.

Disse-lhe publicamente: “Para onde o Brasil for a América Latina se inclinará por ir”. A frase levou os países andinos a nos apelidar de subimperialistas, lacaios dos americanos. Nos oito anos passados, o Brasil cresceu no panorama mundial. Não diria que pelo crescimento econômico que o fez membro do G-20, as 20 maiores economias do mundo, e daí ao Bric. Nesse período, o Brasil ficou abaixo do crescimento da média mundial. Como aconselha o embaixador Rubens Ricupero, “o governo (anterior) exagera ao ressaltar a importância que o Brasil está adquirindo no cenário internacional. Um pouco de sobriedade não faz mal”.

As “bondades”, insisto, foram investimentos na escalada do Brasil para a conquista do ambicionado assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. No fundo significam, paralelamente, uma confissão do apelidado subimperialismo do período militar que teria motivado o acordo com a construção do gasoduto partilhado com a Bolívia e o Tratado de Itaipu, com o Paraguai, no período militar. Ainda que em ambos os casos não tenha deles participado diretamente, acompanhei-os de perto — o tratado, quando ministro da Educação; e o gasoduto, senador que era. Nos dois o Brasil observou a equanimidade e foi generoso. No acordo sobre o gasoduto, aceitamos financiar jazidas de gás como garantia da produção contratada e, principalmente, uma cláusula onerosa. Pagamos o princípio do “leve ou pague”. Pagamos, ainda que não necessitando do volume máximo contratado. A diferença resulta de aumento da produção e gás nos campos brasileiros, mas continuamos pagando pelo todo.

O presidente Evo Morales veio ao Brasil, conversou com o presidente Lula e ainda obteve a “bondade” do aumento do preço do gás contratado. Pagam, por isso, os consumidores de gás de cozinha, aumentado seu preço. Pior ainda foi a expropriação de duas refinarias da Petrobras na Bolívia. Antes eram bolivianas, mas não produziam os derivados necessários ao consumo boliviano. Compradas e pagas pela Petrobras, a empresa brasileira modernizou-as e produziu o suficiente para satisfazer à demanda total da Bolívia. Expropriadas, foram militarmente ocupadas pelo poderoso Exército boliviano, arrogantemente. Recolhemo-nos ao silêncio, passivamente, para ajudar a próxima eleição que Morales ia enfrentar. Colaboração do “imperialismo” brasileiro do período militar, assim reconhecido pelo governante brasileiro como a exploração do mais fraco. Evo é amigo ideológico do nosso ex-presidente, não porém do Brasil que, segundo ele, “comprou o Acre por dois cavalos”. O barão do Rio Branco não merecia a galhofa.

O caso da usina binacional de Itaipu é mais escandaloso. A obra foi estimada em US$ 18 bilhões, inicialmente. A metade cabia ao Paraguai. Falto de crédito, o Brasil avalizou o título. Exigiu a mudança de ciclagem diferente da brasileira, de 50 para 60 ciclos, a fim de atender a indústria paraguaia, serva da indústria argentina quanto ao ciclo. O preço do kw ficou mais alto para nós. Afinal, tudo acertado entre as partes, surgiu um problema. Eu estava despachando com o presidente Médici, quando o ajudante de ordens entrou na sala a pedido do ministro das Relações Exteriores, embaixador Mario Gibson Barbosa. Desculpou-se, mas precisava, em caráter de emergência, consultar o presidente.

Disse que o presidente do Paraguai, esperado em visita oficial ao Brasil, viria postular a revisão dos cálculos, considerando as águas do Rio Paraguai, como um todo paraguaio, e não meio a meio com o Brasil.

Era demais. O presidente Médici foi taxativo, em linguagem nada diplomática: “Comunique ao presidente que não venha. Construiremos a usina na Amazônia”. A absurda pretensão não foi apresentada. O Paraguai não consome a quota de energia que lhe cabe desde a inauguração da usina de Itaipu. Pelo tratado, o excedente é vendido ao Brasil.

Agora, depois de entrevista com a possível concordância do então presidente Lula, o Paraguai pretende liberdade de negociar a expressiva sobra com quem lhe aprouver e pleiteia o aumento do preço do que nos vende. Uma vez aceito, terá acréscimo de cerca de R$ 1,5 bilhão para mais de R$ 3 bilhões. Nossos honrados deputados da base multipartidária que apoia o governo, ainda sensível ao do passado, já aprovaram o pleito. Dependemos do Senado. A “bondade”, além de sugerir haver sido um tratado imposto pelo “Brasil imperialista”, deverá pesar no bolso dos brasileiros

Jarbas Passarinho.




sexta-feira, 25 de março de 2011

BRASIL MUDA DE POSIÇÃO NA ONU E IRRITA O IRAN.



O Brasil votou favoravelmente no Conselho de Direitos Humanos da ONU ao envio de um relator para investigar a situação das garantias individuais no Irã, informa o correspondente Jamil Chade. A ordem do Itamaraty era a de mostrar que o País terá nova postura em relação ao tema. ONGs e países ocidentais comemoraram a decisão. O Irã acusou o governo de Dilma Rousseff de “dobrar-se" à pressão dos Estados Unidos e insinuou traição. "É mesmo lamentável ver o Brasil adotar essa posição", disse o embaixador do Irã na ONU, Sayad Sajjadi. Teerã esperava uma abstenção, repetindo o padrão de votação durante o governo Lula. A avaliação do chanceler Antonio Patriota é que a relação entre os dois países é "madura para não ficar refém de uma ou outra decisão". A proposta teve 22 votos a favor, 7 contra e 14 abstenções.

Mac Margolis: Voto mostra divergência de Dilma com antecessor

Dilma não concordara com a posição brasileira no caso do apedrejamento de Sakineh. Ontem, confirmou suas declarações.

Fonte : O Estadão.

quarta-feira, 23 de março de 2011

QUEM É QUEM.

Se for verdade que o ex-presidente Lula acredita que a imprensa elogia a sucessora Dilma Rousseff para deixá-lo mal na comparação, ou para abrir uma cunha no relacionamento entre ambos, mais uma vez ele estará se deixando mistificar pela teoria conspiratória a que sempre apela para desqualificar as opiniões que o incomodam. No seu governo, especialmente depois do escândalo do mensalão, qualquer crítica ao que dissesse ou fizesse era rebatida como se fosse prova do "complô das elites" - expressão que não se cansaria de repetir - para derrubá-lo. O complô só existiu na imaginação do autor, contaminada afinal pela própria versão para consumo externo.


Agora, diz achar "no mínimo hilariante" a mídia apontar diferenças de desempenho entre ele e a nova presidente. Na segunda-feira, ao participar de um jantar em sua homenagem, promovido pela Federação das Associações Muçulmanas do Brasil, em São Paulo, foi assim que ele concluiu um raciocínio que prima pela quase-lógica de inumeráveis outros argumentos de sua lavra. "Durante oito anos alguns adversários tentaram vender que éramos a continuidade do governo anterior", acusou, como se isso não fosse verdade em matéria de política econômica. "Agora que elegemos uma pessoa para dar continuidade, eles estão dizendo que está diferente."

Está - no fundo e na forma. Basta citar, na primeira categoria, o claro contraste entre o que vinha sendo e o que passou a ser a política externa brasileira, no campo dos direitos humanos, que serve cada vez mais para aferir a coerência entre palavras e atos dos países que aspiram ao respeito da comunidade internacional. Lula invocava o que seria o interesse nacional para confraternizar com tiranos como o iraniano Mahmoud Ahmadinejad e o líbio Muamar Kadafi. Já Dilma parece entender que a promoção do interesse nacional é compatível, quando não beneficiada, com atos objetivos em defesa de valores compartilhados com o que o mundo tem de melhor.

Na forma, então, nem se fala. A compostura, a contenção verbal e o manifesto respeito pela instituição que lhe tocou comandar representam uma formidável mudança simplesmente impossível de ser ignorada - e elogiada por todos quantos acreditam que palácio não é palanque e civilidade política fortalece a democracia. Se fosse preciso condensar em um único episódio o alcance dessa transformação, eis aí, ainda muito vivas, a decisão de Dilma de convidar todos os ex-presidentes para o almoço com o presidente americano, Barack Obama, no Itamaraty, e a decisão de Lula de não comparecer.

O convite da presidente foi mais do que um ato de consideração por seus antecessores ou de reconhecimento da importância da visita para o País. Foi uma oportunidade para mostrar, a quem quisesse ver, que o País é uma democracia amadurecida em que o Estado fala com voz única com os seus interlocutores estrangeiros. Mais do que isso, uma oportunidade para reconhecer, pública e explicitamente, que não avaliza o sentido do "nunca antes na história deste país", admitindo que o que houve de bom no governo Lula só foi possível porque a herança que ele recebeu do seu antecessor, particularmente no que se refere ao saneamento das finanças do Estado nacional, foi rigorosamente respeitada, por seu ministro da Fazenda, Antonio Palocci.

Fez isso, com requintes de elegância, primeiro, colocando Fernando Henrique Cardoso na sua mesa e, depois, caminhando até ele para tocar sua taça na hora do brinde oficial. Ela poderia ter sido apenas correta; escolheu ser cordial, fazendo um claro gesto político.

Já Lula, com a sua ausência, escolheu a grosseria que não é alheia ao seu temperamento, mas que não se esperaria fosse dirigir à presidente de quem foi o primeiro e maior cabo eleitoral. Pior do que a recusa foi a versão difundida pelo seu pessoal de que, na realidade, ele não queria "ofuscar" a sua apadrinhada.

O fato é que Lula tem alergia a dividir o palco com quem quer que seja. No almoço, ele seria um ex-presidente ao lado de outros quatro - uma condição intolerável para quem não consegue desencarnar da Presidência e a ela pretende voltar. Afinal, algo se ganhou com a desfeita. Serviu para mostrar quem é quem.

Fonte: O Estadão - http://bit.ly/e6tovx





terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

KADAFI , O AMIGO DO LULA.


O homem que Luiz Inácio Lula da Silva cumprimenta efusivamente na foto acima ordenou esta semana aos coronéis do exército que disparassem de helicóptero contra a população do seu próprio país. Organizações de direitos humanos estimam que 300 a 400 pessoas morreram. Em conjunto com milhares de outras, elas protestavam para tirar o ditador do poder.


Durante seu mandato, Lula se reuniu pessoalmente quatro vezes com o ditador da Líbia, Muamar Kadafi, que governa o país com mãos de ferro há 41 anos. Só em 2009 foram duas vezes. Na foto, clicada pela assessoria de imprensa do Planalto, os dois se encontraram na Cúpula América do Sul- África, que aconteceu na Isla Margarita, Venezuela, dia 26 de setembro de 2009. Poucos meses antes, em visita a Sirte, na Líbia, Lula chamou Kadafi de “meu amigo, meu irmão, líder”.

Na época, houve muitas críticas à aproximação de Lula com o ditador líbio. Aconselhado por seus assessores mais próximos (o ex-ministro Celso Amorim e o assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia), Lula dizia que o Brasil não tinha preconceitos e que se tratava de uma diplomacia pragmática. Nada como um dia atrás do outro. Lula hoje é “irmão” de um maluco que manda atirar de helicóptero em seu próprio povo para se manter no poder.

Quais eram as reais motivações do ex-presidente? Uma delas pode ter sido o interesse das construtoras brasileiras, doadoras importantíssimas para as campanhas eleitorais. Rica em petróleo, a Líbia investiu bilhões de dólares em infraestrutura nos últimos anos. A Odebrecht foi a primeira construtora brasileira a se instalar no País em 2007, com obras no valor de US$ 1,4 bilhão. Foi seguida pela Andrade Gutierrez e pela Queiroz Galvão.

Talvez o presidente brasileiro tenha sido influenciado pelo colega venezuelano Hugo Chávez, que possui relações muito próximas com Kadafi. Os contatos entre Chávez e Kadafi começaram porque os dois países possuem reservas significativas de petróleo, mas evoluíram. São tão próximos hoje que o chanceler do Reino Unido, William Hague, chegou a afirmar que Kadafi teria fugido para Caracas.

Na sua coluna de hoje no jornal O Globo, Miriam Leitão, lembra que Lula não foi o único. Segundo a jornalista, o então primeiro-ministro britânico, Tony Blair, tratou Kadafi como estadista, os Estados Unidos normalizaram suas relações com a Líbia, enviando um embaixador, e a Organização das Nações Unidas aceitou que o país participasse como membro não permanente do Conselho de Segurança. No ano passado, a Líbia chegou a ser eleita para o conselho de direitos humanos da ONU. No foco de EUA e Inglaterra, estavam as reservas de petróleo da Líbia.

A diplomacia pragmática é, muitas vezes, uma necessidade, mas não pode ser uma regra. As contrutoras tem todo o direito de fazer lobby junto ao seu governo para defender seus interesses no exterior. O que não significa que o governo deve concordar. Lula representava um país. E é o Brasil agora que passa pelo vexame de ser “amigo” de um ditador assassino. Dilma Rousseff é “cria” de Lula e manteve Garcia no cargo, mas como ex-guerrilheira torturada pela ditadura deu sinais de que não vai sucumbir aos mesmos erros. “Não vou negociar nos direitos humanos. Não há concessões nessa área”, repetiu a presidente mais de uma vez. Tomara.

Fonte: O Estadão - http://bit.ly/g6JsfQ


OS DONOS DO MUNDO.

As forças que hoje disputam o poder no mundo articulam-se em três projetos de dominação global.

As forças históricas que hoje disputam o poder no mundo articulam-se em três projetos de dominação global: o "russo-chinês" (ou "eurasiano"), o "ocidental" (às vezes chamado erroneamente "anglo-americano") e o "islâmico". Cada um tem uma história bem documentada, mostrando suas origens remotas, as transformações que sofreu ao longo do tempo e o estado atual da sua implementação. Os agentes que os personificam são, respectivamente:

1) A elite governante da Rússia e da China, especialmente os serviços secretos desses dois países.

2) A elite financeira ocidental, tal como representada especialmente no Clube Bilderberg, no Council of Foreign Relations e na Comissão Trilateral.

3) A Fraternidade Muçulmana, as lideranças religiosas de vários países islâmicos e alguns governos de países muçulmanos.

Desses três agentes, só o primeiro pode ser concebido em termos estritamente geopolíticos, já que seus planos e ações correspondem a interesses nacionais e regionais bem definidos. O segundo, que está mais avançado na consecução de seus planos de governo mundial, coloca-se explicitamente acima de quaisquer interesses nacionais, inclusive os dos países onde se originou e que lhe servem de base de operações. No terceiro, eventuais conflitos de interesses entre os governos nacionais e o objetivo maior do Califado Universal acabam sempre resolvidos em favor deste último, que hoje é o grande fator de unificação ideológica do mundo islâmico.

As concepções de poder global que esses três agentes se esforçam para realizar são muito diferentes entre si porque brotam de inspirações heterogêneas e às vezes incompatíveis.

Embora em princípio as relações entre eles sejam de competição e disputa, às vezes até militar, existem imensas zonas de fusão e colaboração, ainda que móveis e cambiantes. Este fenômeno desorienta os observadores, produzindo toda sorte de interpretações deslocadas e fantasiosas, algumas sob a forma de "teorias da conspiração", outras como contestações soi disant "realistas" e "científicas" dessas teorias.

Boa parte da nebulosidade do quadro mundial é produzida por um fator mais ou menos constante: cada um dos três agentes tende a interpretar nos seus próprios termos os planos e ações dos outros dois, em parte para fins de propaganda, em parte por genuína incompreensão.

As análises estratégicas de parte a parte refletem, cada uma, o viés ideológico que lhe é próprio. Ainda que tentando levar em conta a totalidade dos fatores disponíveis, o esquema russo-chinês privilegia o ponto de vista geopolítico e militar; o ocidental, o ponto de vista econômico e o islâmico, a disputa de religiões.

Essa diferença reflete, por sua vez, a composição sociológica das classes dominantes nas áreas geográficas respectivas:

1) Oriunda da Nomenklatura comunista, a classe dominante russo-chinesa compõe-se essencialmente de burocratas, agentes dos serviços de inteligência e oficiais militares.

2) O predomínio dos financistas e banqueiros internacionais no establishment ocidental é demasiado conhecido para que seja necessário insistir sobre isso.

3) Nos vários países do complexo islâmico, a autoridade do governante depende substancialmente da aprovação da umma – a comunidade multitudinária dos intérpretes categorizados da religião tradicional. Embora haja ali uma grande variedade de situações internas, não é exagerado descrever como "teocrática" a estrutura do poder dominante.

Assim, pela primeira vez na história do mundo, as três modalidades essenciais do poder – político-militar, econômico e religioso – encontram-se personificadas em blocos supranacionais distintos, cada qual com seus planos de dominação mundial e seus modos de ação peculiares. Isso não quer dizer que cada um não atue em todos os fronts, mas apenas que suas respectivas visões históricas e estratégicas são delimitadas, em última instância, pela modalidade de poder que representam. Não é exagero dizer que o mundo atual é objeto de disputa entre militares, banqueiros e pregadores.

Praticamente todas as análises de política internacional hoje disponíveis na mídia do Brasil ou de qualquer outro país refletem a subserviência dos "formadores de opinião" a uma das três correntes em disputa, e portanto, o desconhecimento sistemático de suas áreas de cumplicidade e ajuda mútua. Esses indivíduos julgam fatos e "tomam posições" com base nos valores abstratos que lhes são caros, sem nem mesmo perguntar se suas palavras, na somatória geral dos fatores em jogo no mundo, não acabarão concorrendo para a glória de tudo quanto odeiam.

Os estrategistas dos três grandes projetos mundiais estão bem alertados disso, e incluem os comentaristas políticos, jornalísticos ou acadêmicos, entre os mais preciosos idiotas úteis a seu serviço.

 Olavo de Carvalho - http://bit.ly/eFjDWJ







domingo, 20 de fevereiro de 2011

O GRANDE JOGO DA POLITICA INTERNACIONAL.


No “grande Jogo” da Política Internacional, qualquer estrategista, olhando o tabuleiro, vislumbra cenários de ameaças e oportunidades. Alguns dos cenários até podem evoluir no sentido imaginado, mas alguns seguem outro rumo. Por causa dos acontecimentos que se desviam do esperado, após o levantamento dos cenários é necessário um acompanhamento.

Estes lances intelectuais de jogos de guerra e poder, nos revelam uma situação inédita face as potências dominantes. Pela primeira vez na História, ao enfrentar a ambição das grandes potências, teremos que nos defender sozinhos. Ninguém mais nos protege. Da independência até a I Guerra Mundial, a Inglaterra, tendo grandes lucros aqui, garantia que ninguém mais metesse o bedelho. Depois, até recentemente, na órbita dos EUA, contávamos com certa proteção, que ocasionalmente até se transformava em parceria para não perder o aliado. Agora, quase auto-suficiente e desligado do anterior “protetor” a situação se transforma.

Vejamos, resumidamente, algumas das potenciais ameaças, ainda no estágio de observação Observe-se que não são estanques, mas acontecem de forma combinada.

Primeira ameaça Estratégica

Com o dólar perdendo o valor, os EUA procuram voltar a ser a potência industrial de antigamente. Para isto necessitam de petróleo e de diversos minerais. Não podendo comprar, buscarão onde puderem, inclusive garantindo a independência das áreas indígenas que tem minérios estratégicos no sub solo.

Não é a toa que a IV Frota norte-americana já volta a patrulhar as águas da América Latina. Em português claro, posiciona-se para garantir a hegemonia sobre os recursos naturais deste lado do continente.

Segunda Ameaça Estratégica

As manufaturas baratas da China acabam com a viabilidade das indústrias brasileiras. O Brasil se torna totalmente dependente da exportação de produtos primários para a própria China, ou seja um verdadeiro satélite, mesmo sem guerra.

A nossa economia já depende quase inteiramente da dela. Já vivemos, em outras épocas, situações semelhantes em relação ao Reino Unido e aos EUA, e não foi bom.

Terceira ameaça estratégica

As convulsões no mundo árabe tendem a radicalizar o Islam, alterando o equilíbrio de força no Oriente Médio. O desenvolvimento e a posse de armas nucleares por parte de governos radicais islâmicos levará Israel e os EUA a atacar preventivamente, arrastando o Ocidente, e mesmo a Rússia e a China, que também se sentem ameaçadas.

Resumindo: estamos vivendo um jogo sobre o poder. Os mais poderosos impõem seus interesses em cada área do mundo. Entram em jogo os modelos de capitalismo, as interpretações de democracia e as estruturas religiosas desfiguradas, pois os verdadeiros motivos dos ambiciosos - o jogo de interesses - podem ser suficientes para matar, mas não para morrer. Isto fica para os idealistas ou para quem não tenha alternativa.

Temos alternativa? Claro. É só integrar e ocupar as áreas indígenas; recusar a fornecer produtos primários, aumentando paulatinamente o valor agregado, e principalmente, criar uma força de dissuasão suficiente para evitar pressões, quer para aceitar a secessão das áreas indígenas, quer entrar em uma guerra que não nos diga respeito.

Em minha opinião, essa força de dissuasão só será efetiva se tiver capacidade nuclear..

Pequenas notícias para compor

De Paul Wolfowitz, Sub-Secretário de Defesa de Bush, agora Presidente do Banco Mundial: “É consideração prioritária, na formulação de qualquer estratégia de defesa, que se impeça, de qualquer maneira, o surgimento de uma potência na região cujos recursos naturais sejam suficientes para alçá-la ao patamar dos Estados Unidos da América”. - Só existe um alvo possível: o nosso Brasil. E isto é ainda antes do desespero para conseguirem matérias primas sem poder comprar com dólares

Do Wikileaks:.”As reservas de petróleo da Arábia Saudita foram superdimensionadas Esse fato poderia antecipar uma crise energética de proporções gigantescas” -Talvez seja a razão pela qual os EUA estão empenhados em assumir o controle das jazidas do Irã.

Da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA): “As restrições ambientais são uma das causas da inflação de alimentos e aumentará o risco de alta nos preços se os produtores não tiverem acesso a financiamento por causa de pendências ambientais”. - Certamente, se aprovado o código florestal proposto por Aldo Rebelo será eliminada a causa principal da inflação de alimentos

De Paulo Cesar Quartieiro, líder da resistência na Raposa-Serra do Sol: “Mesmo sendo de oposição, apoio integralmente a construção da hidrelétrica de Belo Monte. Se os verdes e os índios conseguirem bloquear a construção de Belo Monte, jamais conseguiremos construir a hidrelétrica de Cotingo, que libertará Roraima da dependência da Venezuela”. - Enfim alguém pensa geopoliticamente em soberania

De José Antonio Reguffe, deputado que recusou os 14º e 15 salários: “Não quero receber mais salários do que o povo que represento”. - Um com vergonha na cara, num Congresso que aumenta desproporcionalmente os próprios salários.

Do grupo Viva Rio: “Nunca reaja a um assalto. É muito perigoso. O bandido não tem nada a perder e sua vida vale mais. Nem olhe para ele. Ande com algum dinheiro para que ele não se aborreça e se torne violento”. - A idéia é acovardar a população, em conseqüência a nação

Do grupo Viva Brasil: “Desestimulando a autodefesa, e pessoas decentes não mais enfrentarão aos rufiões. cederão a qualquer ameaça sem pensar em reagir.” - E face a qualquer ameaça estrangeira o Brasil cederá; será dominado sem reagir, pois seu povo estará acostumado a deixar que o dominem.

Da Folha de São Paulo: “Para sobrar 54 bilhões bastaria reduzir em 3% a Taxa Selic. Afinal, para cada 0,5% de juros, o Governo dá cerca de 9 bilhões de reais para os banqueiros”. - Tornaria desnecessário o corte de 50 bilhões do orçamento. Contudo, destes, saudamos o corte nas emendas dos parlamentares

Que Deus guarde a todos vocês!

Adendendo: RAONI NÃO QUER PROGRESSO, por Janer Cristaldo

RAONI NÃO QUER PROGRESSO

Retirado de artigo de Janer Cristaldo

Cerca de uma centena de índios, liderados pelo cacique Raoni Metuktire, pisaram a grama do Congresso, em Brasília, para protestar contra a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu. Segundo a imprensa, a presença de jornalistas e profissionais de mídia foi grande, inclusive de veículos de outros países, o que atesta o apelo internacional que possui o tema, por conta dos impactos socioambientais e do polêmico debate que vem se ampliando na sociedade civil.

De fato, as questões relativas à Amazônia sempre tiveram grande apelo internacional. Em abril ano passado, James Cameron, o diretor de Avatar – aquele solene abacaxi produzido para adolescentes e bobalhões outros – esteve nesta terra de botocudos e criticou a construção da usina. Disse que iria ped ir apoio de congressistas norte-americanos na luta contra o projeto. “Esta não é uma questão só do Brasil, mas do mundo todo. Vou para Washington para conversar com senadores”.

Se conversou, não sei. Mas imagine o leitor o inverso, um cineasta brasileiro protestando em Washington contra a construção de uma usina pelos Estados Unidos. A imprensa ianque o tomaria por alucinado. No Brasil, jornalistas deslumbrados vêem Cameron como um profeta.

Volto a Raoni, que, segundo os jornais, falou na sua língua nativa, com a dignidade da velhice que mantém seus ideais. Por artes mágicas da Funai, o cacique, que era txucarramãe, de repente virou caiapó. O que está por trás desta troca de tribos, ignoro. Mas alguma intenção oculta há de haver.

Raoni, se alguém não lembra, é aquele cacique que, nos anos 80, exibia orgulhosamente aos jornais a borduna com que matou onze peões de uma fazenda. Não só permaneceu impune, totalmente alheio à legislação brasileira, como foi recebido com honras de chefe de Estado na Europa. O papa João Paulo II, François Mitterrand e os reis da Espanha, entre outros, o receberam como líder indígena. Raoni, com seus beiços, se deu inclusive ao luxo de expor sua pintura em Paris. Um dos quadros do assassino atingiu US$ 1.600 em uma lista de preços que começava a partir de mil dólares. Em 2008, Raoni recebeu o título de Dr. Honoris Causa pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso). Enfim, isso de universidades homenagear assassinos está virando praxe acadêmica. Fidel Ruz Castro também é Dr. Honoris Causa pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).< /span>

Dr. Raoni Metuktire, portanto. Que em setembro de 2009 encontrou-se com Nicolas Sarkozy na Embaixada da França, em Brasília, pouco antes do desfile da Independência. O presidente francês ficou impressionado com os belços do bugre, círculo de 8 cm de diâmetro que Raoni tem no lábio inferior. O cacique tem um instituto, que leva seu nome, e desenvolve projetos econômicos sustentáveis no parque do Xingu além de ações para proteção ambiental das áreas indígenas, com apoio financeiro de organismos europeus. Sempre haverá na Europa quem se oponha a projetos de desenvolvimento no Terceiro Mundo. Questão de proteção de mercado.

Há uns bons quatro anos, comentei reportagem do 60 Minutes sobre uma região da Índia que abrigava quarenta milhões de habitantes. O programa começava mostrando mulheres e crianças carregando em baldes, para próprio consumo, uma água preta e lamacenta. Outras juntavam esterco de vaca, usado como combustível. Havia um projeto de uma represa para abastecer de energia elétrica e água potável a região toda. Uma ONG vetou o projeto junto ao Banco Mundial, com a argumentação de que a represa ameaçava uma espécie qualquer de tigre. A represa gorou e quarenta milhões de pessoas continuaram a beber água podre e cozinhar com esterco de vaca.

A reportagem entrevistava em Nova York, em um elegante apartamento, a porta-voz da ONG que conseguiu sepultar a represa. Não sei se a moça percebeu a ironia, mas o repórter a filma enchendo um copo de límpida água de torneira. O repórter quer saber porque privar milhões de pessoas de água limpa. A moça dizia mais ou menos o seguinte (cito de memória): não queremos que aquelas populações adquiram os hábitos de consumo do Ocidente. É como se dissesse: esses hábitos do Ocidente são privilégios de ocidentais. Vocês aí, continuem catando esterco de vaca.

Todas as casas de Roma tinham água encanada antes de Cristo. No Brasil, até hoje, milhões de pessoas não dispõem deste conforto. Mais de trezentos projetos de barragens já foram engavetados no mundo, especialmente na África, Ásia e América Latina, por obra de ONGs. Estas organizações estão cometendo crimes contra a humanidade, ao condenar milhões de pessoas a viver longe da água potável e energia elétrica. Seus militantes são sempre oriundos de países desenvolvidos, todos pontilhados de represas. Sua ação sempre incide sobre países do Terceiro Mundo, que precisam de energia para abandonar esta condição.

O cacique assassino, tido hoje como símbolo internacional do movimento de defesa da Amazônia, quer dizer à presidente que os povos indígenas da região do Rio Xingu, no Pará, não querem a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. “Vim para falar que somos contra, que não queremos Belo Monte. Se o governo pudesse me ouvir, queria dizer que não construam a usina. Não temos mais espaço. Vocês homens brancos já tomaram conta de todas as terras. O governo deveria deixar os índios onde os índios estão. Quero que rios e florestas fiquem para os meus netos e vou lutar por isso”.

Coitadinhos dos bugres. São os maiores latifundiários do Brasil e se queixam da falta de espaço. Quando branco possui uma grande extensão de terra produtiva, é insultado pela imprensa como latifundiário. Indígenas que nada produzem a não ser folclore têm extensões ainda maiores de terra se queixam de pouco espaço. Com a carinhosa complacência dos jornalistas que anatematizam quem trabalha e produz alimentos.

Um assassino em série, que deveria estar na cadeia e hoje se arvora em defensor do meio-ambiente, exige de a uma chefe de governo que proíba a construção de uma hidrelétrica.

Que tempos, os que nos foram dado viver!

Gelio Fregapani










segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

"FALHAS DE HAVANA SERÃO CRITICADAS, PROMETE DILMA.



A presidente Dilma Rousseff citou ontem, em entrevista a jornais argentinos, o regime de Cuba como exemplo de sua posição em relação aos direitos humanos. Questionada sobre a ditadura, disse que se deve protestar "contra todas as falhas que existam em relação aos direitos humanos em Cuba", ressalvando, porém, que está havendo uma "transformação" naquele país.

A declaração indica mais uma vez uma possível inflexão quanto ao tema na comparação com Lula. A presidente chega hoje à Argentina, em sua primeira viagem internacional no cargo. Segundo um assessor, a viagem busca passar a mensagem de que ela terá um engajamento na defesa dos direitos humanos, o que será simbolizado pela reunião na Casa Rosada, a sede do governo argentino, com as avós e mães da praça de Maio -grupos de mulheres que buscam desaparecidos da última ditadura.

Fonte: Folha de São Paulo

NA ARGENTINA, DILMA ADVERTE OUTROS VIZINHOS.



Na primeira viagem internacional depois da posse, Dilma Rousseff encontra-se hoje com a presidente Cristina Kirchner. Dilma deve reafirmar a parceria estratégica entre os dois países. Em entrevista a jornais argentinos, ela enviou recado para Bolívia, Equador e Paraguai, dizendo que não aceitará quebra de compromissos empresariais e comerciais

Fonte: O Estado de São Paulo

ITAMARATY PEDE A EMBAIXADAS REAVALIAÇÃO DA POLITICA EXTERNA.

Por ordem do ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, os principais departamentos do Itamaraty, as embaixadas e a missão do Brasil na Organização das Nações Unidas preparam uma reavaliação da política externa brasileira. Esse trabalho, com conclusão prevista para março, tratará de temas como os direitos humanos em países de regimes autoritários, o papel do Brasil nas questões relacionadas ao Irã e o relacionamento com os Estados Unidos.


O Estado obteve informações sobre o despacho confidencial enviado por Patriota aos diplomatas brasileiros com representantes do País na Europa e no Oriente Médio. Essa ordem teria partido depois de uma conversa entre o ministro e a presidente Dilma Rousseff, que já fez declarações na contramão de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, em relação à condenação da iraniana Sakineh Ashtiani. Para Dilma, os direitos humanos não são negociáveis;

Fonte: O Estado de São Paulo

domingo, 30 de janeiro de 2011

A CHINA EM CRISE?

Protagonista da mais espetacular história de emergência econômica de tempos recentes, a China desafiou os inúmeros analistas que nos últimos anos previram que seu desenfreado crescimento seria reduzido por uma inevitável crise financeira. Nenhum deles acertou e a China saiu fortalecida do terremoto que atingiu o mundo em 2008, graças ao peso do Estado e da generosa oferta de crédito que deu origem a milhares de projetos de infraestrutura em todo o país.


Mas um número crescente de observadores começa a se convencer de que a China não poderá escapar para sempre da lógica econômica tradicional e viverá cedo ou tarde uma turbulência financeira, a exemplo do que ocorreu com outros países emergentes no passado. A mais recente indicação nesse sentido veio de uma pesquisa da Bloomberg com 1.000 de seus clientes que são investidores, operadores do mercado e analistas.

A China enfrentará uma crise dentro de cinco anos, na opinião de 45% dos entrevistados, enquanto outros 40% acreditam que a tempestado virá depois de 2016. Só 7% afirmaram ter confiança de que o país escapará ileso das distorções que ameaçam sua economia.

É paradoxal, mas o pessimismo aumentou com a divulgação do bom resultado do PIB de 2010, que acelerou sua expansão no quarto trimestre, apesar das medidas de contenção adotadas pelo governo. Os analistas viram na expansão de 10,3% no ano uma indicação de que a economia está crescendo além de sua capacidade, o que poderá exigir ações mais pesadas para redução de sua velocidade.

O temor é que a pisada no freio seja muito brusca e provoque um pouso nada suave da segunda maior economia do mundo, com impacto sobre o restante do mundo, incluindo o Brasil. No curto prazo, a maioria dos analistas acredita que o país evitará turbulências e crescerá em 2010 a um invejável ritmo próximo de 9%.

Mas há uma minoria que vê distorções preocupantes, provocadas pela inundação do mercado por dinheiro farto e barato, que alimenta o crescimento, mas também infla bolhas cada vez maiores, especialmente no mercado imobiliário. Mesmo com restrições para compra de imóveis, os preços continuam a subir e o governo prevê que ficarão em média 12% mais altos em 2011.

Entre os céticos está o norte-americano Patrick Chovanec, professor da universidade de maior prestígio na China, a Tsinghua, onde estudou o presidente Hu Jintao. “O crescimento chinês é mais frágil do que parece, porque está baseado em políticas insustentáveis”, disse ele ao Estado em texto publicado domingo, que você pode ler aqui.

Nos últimos dois anos, a quantidade de dinheiro em circulação na economia aumentou em 50% e atingiu a espetacular cifra de US$ 11 trilhões, quase o dobro do tamanho do PIB. O efeito colateral é o aumento do preço dos ativos e da inflação, que ameaça sair do controle. O grande desafio de Pequim em 2011 é segurar os preços sem dar uma freada brusca. A questão colocada por Chovanec é até quando isso será sustentável

Cláudia Trevisan

sábado, 29 de janeiro de 2011

VENEZUELANO DEIXA CHANCELER BRASILEIRO EM SAIA JUSTA.

Com menos de um mês no cargo, o chanceler Antônio Patriota já teve de explicar diante de uma plateia internacional, durante uma sessão sobre perspectivas do Brasil, por que o governo brasileiro apoia governos autoritários e silencia diante da violação de direitos humanos. A pergunta, em tom de cobrança, foi feita pelo economista venezuelano Ricardo Hausmann, professor de Harvard e veterano frequentador dos encontros anuais do Fórum Econômico Mundial.

Até a questão embaraçosa, os expositores brasileiros - o próprio chanceler, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e o presidente do Citigroup, Vikram Pandit - haviam vendido com aparente sucesso a imagem de um país com economia saudável, rico de oportunidades e preparado para um papel internacional construtivo.

Patriota ouviu a pergunta sem alteração visível. Hausmann detalhou a questão: lembrou o silêncio do governo brasileiro diante do apoio venezuelano às Farc, o comentário de Lula sobre a morte de um oposicionista cubano em greve de fome (comparou os presos políticos a bandidos nas cadeias brasileiras) e o silêncio diante das violações de direitos humanos praticadas por governos autoritários, como o iraniano.

O chanceler repetiu a resposta padrão de seu antecessor, o ministro Celso Amorim, acentuando dois pontos: a ação silenciosa pode ser mais eficaz que a censura pública e a diplomacia brasileira valoriza a ação conciliadora e a Unasul (União das Nações Sul-americanas) tem servido a esse propósito. E foi um pouco além. Mencionou os progressos na proteção interna dos direitos, a existência de secretarias dos Direitos Humanos e da Igualdade Racial e a eleição de uma mulher para a Presidência - neste caso, uma vítima da tortura.

Ação repetida. Hausmann repetiu o discurso do ano passado, quando ele foi escalado para ser moderador dos debates numa reunião a respeito do Brasil. As discussões se concentraram em questões como impostos e oportunidades de negócios até o professor venezuelano abandonar a posição neutra de moderador e mestre de cerimônias e passar a questionar as autoridades.

Na época, a resposta foi dada pelo ex-ministro do Desenvolvimento Luiz Furlan. Segundo ele, o governo dava preferência ao lado venezuelano, na disputa com a Colômbia, porque o Brasil vendia mais à Venezuela do que ao mercado. Era uma questão de pragmatismo, segundo Furlan. Ontem, como no ano passado, Hausmann classificou a resposta como insatisfatória.


Fonte: O Estadão - http://bit.ly/hVvSLd




segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

PAÍS RETROCEDEU NA AGENDA DOS DIREITOS HUMANOS.


FHC critica política externa da era Lula, para ele mais voltada à promoção do 'prestígio de alguns do que dos interesses nacionais'



A política externa brasileira é "improvisada" e está guiada mais pela promoção do "prestígio de alguns do que dos interesses nacionais do País". A afirmação é do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que, em entrevista ao Estado, acusou a política externa do governo Lula de ter distanciado o Brasil de uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU. Agora, cobra da presidente Dilma Rousseff que seja "consequente" com as declarações de que vai pôr os direitos humanos no centro de sua agenda. Para Fernando Henrique, o Brasil foi "ingênuo" ao lidar com o Irã.


A presidente Dilma afirmou que Brasil errou com voto sobre o Irã na ONU que tratava de lapidação, em que o governo Lula se absteve. É sinal de mudança?

Gostei da declaração da Dilma de que ela não aceita a lapidação. Ela falou algo que era verdadeiro. São direitos universais. Não pode haver concessão. O problema é que agora vamos ver se o governo vai ser mesmo consequente com isso e com essa postura.

O que é ter politica externa consequente com direitos humanos?

Apesar de ter uma posição econômica e até política de aproximação com um país, ser consequente com direitos humanos é dizer: "com isso aí eu não concordo". Não implica romper com ninguém nem fazer uma politica de bloqueio. É acreditar que direitos humanos são valores universais.

O Brasil foi consequente com a agenda de direitos humanos durante os últimos oito anos?

O Brasil retrocedeu na agenda dos direitos humanos, assim como havia retrocedido na questão do meio ambiente e de não aceitar metas de limitação de emissões. Agora, na parte ambiental, o governo recuperou uma posição mais positiva. Mas na questão dos direitos humanos retrocedeu e até agora não vi nada novo ainda.

Parte da agenda de direitos humanos com o Irã está intimamente ligada à questão nuclear. Como equilibrar esses dois pilares da agenda?

A questão nuclear é complicada. O Brasil sempre teve uma posição favorável à pesquisa. Não pode nem cogitar fazer bomba atômica. Mas estamos entrando em um momento delicado no cenário internacional. Há um aumento de usinas nucleares no mundo. Ninguém discute isso e não está resolvido. Precisamos passar para um debate mais amplo. Enquanto o Irã defender a autonomia da pesquisa, temos de estar de acordo. Pois queremos a mesma coisa. Mas se se trata de fazer uma bomba, temos de estar contra. É um crime contra a humanidade. No caso do Irã, o governo do Brasil alega que teve sinal de Obama para mediar um acordo nuclear. Os americanos dizem que não. O que não dá para entender de nenhuma forma é Lula levantar a mão de Ahmadinejad. Isso foi glorificar a pessoa que nega o Holocausto. Como não há o Holocausto?

Hillary Clinton disse que Brasil foi ingênuo com o Irã. O sr. concorda?

Acredito que fomos muito ingênuos. No mínimo achando que estávamos fazendo um papel bom e positivo. Mas o que vemos é que o resultado foi negativo. Pelo menos para o Brasil. O que vimos foi uma redução das chances do Brasil de participar de tais negociações depois do que ocorreu. Foi um passo audacioso. Mas não temos alavancagem para jogar aquele jogo. O Brasil precisa fazer um pouco mais do que a China faz. A China só se move em termos de interesse nacional restrito. Quando seu interesse está em jogo e ela tem meios de fazer valer sua palavra, então entra em campo. Nós opinamos um pouco demais. É mais uma questão da promoção do prestigio de alguns que do interesse nacional. Buscam o prestígio da diplomacia, do presidente, da ideia de um Brasil potência. No Oriente Médio, temos de falar de direitos humanos. Essa é a nossa linguagem. Não a linguagem de que eu tenho o poder de mudar as regras do jogo lá. É muito complicado mexer com essa região. Mexe com interesses imensos, com a cultura. Para o Brasil jogar, teria de estar mais preparado. Foi arriscado e mostrou improvisação. Foi um gol contra.

E quais podem ser as consequências para o governo Dilma?

O pior é que tudo isso distanciou o Brasil do objetivo declarado da diplomacia brasileira, que era ter um lugar no Conselho de Segurança. Atrapalhou um dos objetivos da diplomacia brasileira e vai levar muito tempo para recuperar a posição em que estávamos antes. Veja a Índia, que recebeu um aval dos Estados Unidos para ter um lugar no Conselho de Segurança.


Fonte: O Estadão - http://bit.ly/e3OdB0




sábado, 15 de janeiro de 2011

NOVOS RUMOS NAS RELAÇÕES EXTERIORES.

Não foram poucos os equívocos da política externa do governo Lula. O maior deles talvez tenha sido a posição de apoio explícito ao Irã, formalizada solenemente com a troca de visitas de mais alto nível, uma nação que desafia sanções, viola a democracia e os direitos humanos, nega o holocausto e contraria o Tratado de Não-Proliferação Nuclear. Foi lamentável, também, que o Brasil tenha renunciado a acionar os meios pacíficos do Direito Internacional em defesa dos interesses brasileiros atropelados pela violação boliviana de tratados e contratos sobre o gás.


Muitas outras derrapagens nas relações internacionais poderiam ser citadas como, por exemplo, a parcialidade visível na complacência com que foram tolerados os comportamentos de Cuba com relação aos prisioneiros de consciência e da Venezuela nas provocações sucessivas feitas aos colombianos.

Tais fatos evidenciam que o país, durante o governo Lula, seguiu em sua política externa uma linha fortemente influenciada pela ideologia do PT, como revela o documento "A Política Internacional do PT", discutido no congresso do partido realizado há um ano. O diplomata Paulo Roberto Almeida, em trabalho em que compara as políticas seguidas pelos governos Lula e Fernando Henrique, tem a mesma opinião: "É nas relações exteriores e na sua política internacional que o governo do presidente Lula mais se parece com o discurso do PT".

A assessoria internacional da Presidência da República, dirigida por Marco Aurélio Garcia e criada em 2003, é apontada, tanto pelo PT quanto pelos especialistas, como o canal que empurrou Lula na implementação da linha ideológica da política externa, neutralizando em parte o pragmatismo do Itamaraty. Seria esta a fonte principal das posições críticas à globalização e aos países desenvolvidos tão claras no não engajamento em demandas de liberalização comercial, na oposição à Alca e na opção preferencial pelas relações com países fora do eixo hegemônico da economia mundial.

Marco Aurélio e sua assessoria foram mantidos no governo Dilma, mas surgem alguns indícios de "mudanças importantes de estilo e de ênfases", como comentou em texto publicado em "O Globo" o ex-embaixador Rubens Barbosa. Para ele, os discursos de posse da presidente e do novo ministro Patriota sinalizam ações "mais pragmáticas e menos ideológicas". Entre essas mudanças estariam o compromisso com os interesses permanentes do Estado brasileiro (e não com a plataforma de um partido político), o fim dos "excessos retóricos e ativismo pirotécnico" e a reconsideração das políticas em relação aos países desenvolvidos, especialmente os Estados Unidos, que não seriam mais tratados de maneira preconceituosa.

O Irã, terça-feira, fez um protesto formal contra críticas de Dilma ao desrespeito dos direitos humanos naquele país. Os Estados Unidos serão um dos primeiros países a serem visitados pela presidente. Tomara que esteja se confirmando a previsão de Barbosa de que haja, de fato, uma disposição concreta do governo brasileiro em dar um novo rumo às relações internacionais do Brasil.

Fonte: A Gazeta - http://glo.bo/gKGdWN

BRASIL REJEITA CONVITE DO IRÃ.

Em mais um sinal da aparente fim de lua de mel nas relacoes entre Brasília e Teerã, o Itamaraty recusou-se a integrar uma missao internacional convidada pelo regime iraniano para supostamente inspecionar a partir de hoje as instalações nucleares do Irã e dar aval de que os projetos de Teerã têm fins pacíficos.


O Brasil, que em 2010 causou polêmica por ter mediado um acordo nuclear com Teerã, optou agora por ficar no mesmo lado dos países do Conselho de Segurança da ONU. Rússia e China também se negaram a fazer parte da viagem, alegando que o trabalho de inspeção não cabe a países e o Irã deve abrir suas portas à ONU. A Turquia, que também havia participado de uma mediação com o Brasil, foi outra que recusou a oferta.

Ontem, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, conseguiu levar a Teerã apenas diplomatas da Liga Árabe, e de membros do Movimento dos Países Não Alinhados, Egito, Omã, Cuba, Venezuela e Síria. Os observadores internacionais visitariam a usina de enriquecimento de Natanz e um reator em Arak. "Diplomatas poderão ver tudo o que quiserem. Essa é uma viagem para oferecer total transparência", disse Ali Asghar Soltanieh, embaixador do Irã na Agência Internacional de Energia Atômica.

Segundo a diplomacia europeia, o tour patrocinado pelo Irã tem como objetivo converter-se em instrumento de propaganda do regime.

A decisão do Brasil ocorre menos de uma semana depois que Teerã apresentou ao governo brasileiro uma queixa formal pelos comentários da presidente Dilma Rousseff sobre a situação dos direitos humanos no Irã. Dilma, em uma entrevista nos EUA antes de assumir o governo, declarou que o Brasil sob a gestão de Celso Amorim no Itamaraty havia errado em se abster em uma votação na ONU que condenava o apedrejamento no Irã.

Fonte: O Estadão - http://bit.ly/h7Jvhi

Comento: Vocês sabem da minha visão crítica em relação a esse Governo que aí está e em relação à Presidente Dilma Roussef, entretando devo admitir que ela tem se esforçado, apesar de todo o Lulismo que a rodeia, para imprimir uma marca própria nas ações governamentais. Agora, ao se negar a integrar a convite do Irâ, a comitiva para inspecionar as instalações nucleares, segue as grandes potências e a orientação da ONU e rompe com o apoio absurdo do Brasil a esse regime facista, para desespero de Lula, Celso Amorim, Marco Aurélio Garcia e cia. Parabéns para a Presidente, marcou um ponto positivo no meu conceito do seu Governo.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

LET'S GO TO BRAZIL.

Para quem não conhece, John Dillinger - interpretado no cinema pelo ator americano Johnny Depp - foi o gângster mais procurado pelo FBI em Chicago no início dos anos 1930. Nas cenas finais do filme Inimigos Públicos (Public Enemies), Dillinger, encurralado pela polícia após a morte de seus comparsas, abraça a namorada, Billie Frechette, e lhe propõe: "Vamos fugir. Let"s go to Brazil."


Infelizmente, não só no cinema, no imaginário de Hollywood, mas também na vida real o Brasil adquiriu fama internacional de país da impunidade e é visto no exterior como porto seguro para fugitivos da Justiça. Aqui buscaram refúgio, no passado recente, criminosos de todo tipo, dentre outros, o famoso assaltante britânico Ronald Biggs, conhecidos nazistas alemães, como Franz Stangl e Gustav Franz Wagner, terroristas como o belga Patrick Hamers ou membros de organizações paramilitares como os montoneros e os tupamaros, ditadores sul-americanos (Stroessner é um deles ), mafiosos de várias nacionalidades (quem não se lembra do italiano Tommaso Buschetta?), traficantes de drogas e, recentemente, o israelense Elior Hen, que espancava crianças em nome de uma seita religiosa.

Cesare Battisti, por coincidência, também escolheu o Brasil. Por que deveríamos mantê-lo em nosso território? O que ganharíamos com isso, além de ver nossa reputação mais abalada ainda?

Battisti é um homicida. Matou ou participou da morte como coautor de quatro pessoas, dentre elas um açougueiro e um joalheiro italianos. Cometeu, pois, infrações penais comuns, sem motivação política alguma, como decidido pelo Supremo Tribunal Federal, seguindo, aliás, parecer do procurador-geral da República. Tollitur quaestio. Ninguém, nem o presidente da República, pode mais alterar a natureza ou a motivação dos crimes imputados a Battisti.

Battisti alega, no entanto, que não haveria prova suficiente de sua participação nesses quatro assassinatos. Ele seria inocente. A Justiça italiana disse exatamente o contrário. As provas seriam contundentes e aptas a suportar juízo condenatório. Battisti, para o Judiciário italiano, é realmente culpado. Nesse contexto, seria teratológico imaginar que um tribunal brasileiro, e muito menos autoridades do Poder Executivo, pudessem absolver Battisti sumariamente, funcionando como uma espécie de órgão revisor das decisões das Cortes de país estrangeiro.

Os crimes, por outro lado, não estão prescritos, quer aqui, no Brasil, quer lá, na Itália. Assim também decidiu a nossa Corte Suprema, com força de coisa julgada, como se diz no jargão jurídico.

Acrescente-se, ainda, que a insuspeita Corte Europeia de Direitos Humanos, ao julgar o caso Battisti, concluiu que a ele tinha sido garantido, pelos tribunais italianos, o mais amplo acesso aos meios processuais de defesa e ao devido processo legal. Vale dizer: segundo a jurisdição europeia, a condenação de Battisti resultou de um processo justo sob todos os aspectos legais, ao contrário do que apregoam, falsamente, os seus advogados e admiradores.

Sim, é certo, um ex-ministro da Justiça entrou em cena extemporaneamente, quando já tramitava o processo extradicional, e criou um imbróglio dando a Battisti o status de "refugiado político". No Supremo, onde impera o bom senso, o tresloucado ato administrativo foi tido por ilegal, já que Battisti não preenchia os requisitos previstos em lei para ser reconhecido como refugiado - o que, aliás, o órgão competente nessa matéria, o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), do Ministério da Justiça, já havia dito antes. Logo, Battisti não é mais um "refugiado político". E não pode, é claro, "readquirir" esse status, sob pena de se afrontar decisão da mais alta Corte do País.

Não há, em suma, nenhum título jurídico que garanta a permanência de Battisti no Brasil. É um estrangeiro, passível de extradição, que se encontra em situação ilegal no País: não tem passaporte (o que tinha era falsificado), não tem visto (também falsificado) e, o que é pior, é um foragido condenado pela Justiça italiana.

Cabe, por isso, às autoridades brasileiras entregá-lo imediatamente à Itália. É obrigação ex lege. Se não a cumprirem, estarão violando a lei, isto é, o Tratado de Extradição Brasil-Itália, que, aprovado pelo Congresso Nacional e promulgado pelo presidente da República, se incorporou definitivamente ao nosso ordenamento jurídico.

Dizem, todavia - e é verdade -, que o tratado prevê uma hipótese única de recusa de entrega do extraditando: "razões humanitárias" (sic). Por aí, por essa brecha da lei Battisti escaparia da Justiça uma vez mais, agora com o aval do ex-presidente da República, que, pasme-se, se negou a entregá-lo à Justiça italiana.

"Razões humanitárias"? Pelo que se sabe, Battisti não está no leito da morte, não é portador de nenhuma doença grave e incurável, tampouco tem família ou filhos brasileiros que dele dependam para seu sustento, e seria um delírio alguém concluir que nas prisões italianas terá tratamento mais desumano do que nos cárceres brasileiros. Pior asneira ainda seria imaginar que em pleno século 21 Battisti pudesse sofrer algum tipo de perseguição em território de país europeu, onde há efetivo controle internacional de violações de direitos humanos.

Enfim, além do vexame internacional, o ato presidencial é um rematado absurdo, tanto jurídico como político, mas tudo é possível nesse caso, em que definitivamente, não imperam mais a razão, o bom senso e o Direito. Se ficar no Brasil por "razões humanitárias", terá valido a pena para Battisti seguir o conselho do gângster americano e de tantos outros criminosos que aqui aportaram: "Let"s go to Brazil."

Guilherme Magaldi Netto - O Estado de S.Paulo

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

ITALIA CONGELA ACORDO COM O BRASIL.

Proposta, feita na véspera, foi aprovada por todos os partidos. Objetivo é refletir sobre a negativa da extradição do ex-ativista.


A Câmara de Deputados da Itália decidiu reenviar à comissão de Relações Exteriores da casa a ratificação do acordo de defesa entre Itália e Brasil, segundo a agência Ansa.



Como já era previsto, todos os partidos votaram a favor da proposta de "congelar" o acordo, feita no dia anterior pela relatora e vice-presidente da comissão, a parlamentar Fiamma Nirenstein, do governista partido Povo da Liberdade (PDL).



O objetivo, segundo ela, é refletir sobre o caso do ex-ativista Cesare Battisti, cujo pedido de extradição foi recusado em 31 de dezembro de 2010 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que provocou reação e recursos do governo italiano.

Manifestantes que querem a extradição de Battisti protestam em 4 de janeiro em frente à Embaixada do Brasil na Itália, em Roma. (Foto: Reuters)O parlamento também decidiu que vai examinar no dia 18 uma moção da União do Centro pela extradição de Battisti.

O ex-militante é condenado à prisão perpétua em seu país por quatro assassinatos cometidos na década de 1970, época em que integrava o grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC).

O acordo na área de Defesa prevê o desenvolvimento bilateral de projetos para a construção de navios e fragatas, além da realização de patrulhas.

A aprovação do texto pelo Parlamento italiano é o último passo para a entrada em vigor do acordo, que foi negociado em junho pelos ministros da Defesa da Itália e do Brasil, Ignazio La Russa e Nelson Jobim, respectivamente, e já passou no Senado.

Fonte: G1 - http://glo.bo/g2EW4I

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

FRACASSO ROTUNDO.

Arthur Virgílio - O Estado de S.Paulo


Foi simbólico o fato de o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciar, no último dia de seu mandato, a decisão de não extraditar Cesare Battisti. Representou o triste coroamento de uma política externa eivada de graves equívocos e omissões.

Manter no Brasil um homem acusado de haver cometido quatro assassinatos e condenado pela Justiça da sólida democracia italiana foi o ato derradeiro de extensa série de erros. A atitude -justificada por parecer jurídico de conveniência -, na verdade, exprimiu a simpatia do governo brasileiro pela "causa" de Battisti.

Que causa? O réu e seus companheiros pretendiam derrubar um regime democrático, substituindo-o por uma ditadura de esquerda. Não deveria, então, ser acolhido na condição de perseguido político, a merecer asilo, pois este se o concede a quem luta pela liberdade, e não a terroristas que a ameaçam.

O governo brasileiro, estranhamente, explicitou que a devolução de Battisti à Itália, para cumprir a pena a que fora condenado, poderia "gerar riscos", como se naquele país - berço do Direito Romano, fonte da legislação civil e penal da Europa e do Brasil - as instituições não fossem respeitáveis. Criou desnecessário contencioso com nação amiga, abrindo ferida que levará tempo para cicatrizar, movido por tola visão ideológica. Sem esquecer que a Itália, relevante na União Europeia, poderá, proximamente, tornar-se adversária do Brasil nesse foro.

O caráter político da decisão pode ser medido pelo contraste com o caso dos boxeadores cubanos Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara, que abandonaram a delegação de Cuba durante os Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro, mas foram rapidamente localizados e remetidos a Havana. Neste caso, pela ótica brasileira, a situação não configuraria "riscos", apesar de, poucos anos antes, três jovens terem sido sumariamente fuzilados pelo castrismo. Não eram ativistas políticos. Não atentavam contra Fidel. Apenas tencionavam sair de Cuba e tentar a sorte longe dali. Foram sacrificados sem que certos intelectuais brasileiros redigissem manifesto implorando, se não queriam protestar, pelas jovens vidas em jogo.

Falou alto a simpatia pela ditadura cubana, pela ação no episódio dos boxeadores e pelo silêncio diante dos assassinatos. Outra vergonha: a morte, após 89 dias em greve de fome, do prisioneiro Orlando Zapata, que coincidiu com a foto sorridente de Lula com os irmãos Castro, estampada mundo afora. Mais tarde, o ex-presidente, em dia infeliz, compararia presos de opinião cubanos a criminosos das falanges que atuam nos presídios de São Paulo e do Rio.

Lamentável atração por ditaduras e aspirantes a ditadores, de Hugo Chávez ao genocídio sudanês, chegando ao Irã de Mahmoud Ahmadinejad, que apedreja mulheres e teve no Brasil o primeiro Estado a reconhecer a "legitimidade" de suas últimas eleições, até mesmo comparando a oposição fraudada a torcedores de futebol inconformados com a derrota do seu time. Mais: aliado à Turquia e nela isolado, deu aval à justificativa iraniana para prosseguir com um programa nuclear cujo objetivo é fabricar artefatos atômicos para aumentar a tensão e ameaçar Israel. Lamentável: Brasil e Turquia foram os únicos países a votar, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, contra sanções ao Irã, enquanto 12 votos aprovaram as restrições.

Erro clamoroso. Péssimo para a pretensão, tão exaustivamente perseguida, de obter para o Brasil assento permanente no Conselho de Segurança. Perda de prestígio internacional para o ex-presidente, que visava a afirmar certa posição de liderança no mundo, passando do estágio da curiosidade que despertava à fase do respeito que não faltou a Bill Clinton, Felipe González, Fernando Henrique Cardoso.

Balanço: a cadeira ficou ainda mais distante; em oito anos, perdeu eleições para importantes organismos multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), sem contar, sequer, com o voto do cortejado Chávez. E quando surgiu um brasileiro com possibilidade real de vitória para a Secretaria-Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), abriu mão dessa perspectiva, sempre magnetizado pelo assento permanente no conselho, e colheu nova derrota ao apoiar a frágil candidatura do egípcio Farouk Hosni.

Tantos tropeços - nem tratamos do vexatório episódio Zelaya/Honduras - decorrem da caolha e passadista política Sul-Sul, que sonha em unir países pobres contra ricos, como se aqueles estivessem unidos - não estão! - em torno de uma pauta comum e estes nada tivessem de bom a oferecer ao Brasil na relação política, tecnológica e comercial. No penúltimo dia de mandato, Lula, com rancor juvenil, declarou ser "gostoso passar pela Presidência da República e terminar o mandato vendo os Estados Unidos em crise, vendo a Europa em crise, vendo o Japão em crise, quando eles sabiam tudo para resolver os problemas da crise brasileira, da crise da Rússia, da crise do México". Como se fenômenos econômicos que lhe escapam ao alcance justificassem a errônea política exterior que praticou.

Uma política externa bem-sucedida deve ser, a um tempo, consistente, coerente, pragmática e ética. Não gastarei espaço falando de claras incoerências e inconsistências. Vejo, isso sim, que o apregoado pragmatismo falhou e a ética esteve ausente da ação diplomática.

Afinal, vendeu a alma por um Conselho de Segurança que não veio. O caso Battisti é nódoa que custará a desaparecer. A agressão à ética está nos votos - ou no silêncio ruidoso - com que o Brasil protegeu ditaduras e ditadores toda vez que violaram direitos humanos ou cercearam liberdades públicas, como o direito-dever de informar por meios de comunicação livres de censura e de ameaças.

DIPLOMATA, É LÍDER DA MINORIA NO SENADO

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

BIOGRAFIA MANCHADA.

Para senador, dar asilo a Battisti foi um dos mais graves erros da política externa de Lula


Em nota divulgada nesta quarta-feira (5), o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, Eduardo Azeredo (MG), afirmou que a decisão do ex-presidente Lula de conceder liberdade e asilo a Cesare Battisti foi “um dos mais graves equívocos cometidos em sua condução da política externa brasileira”. O tucano também manifestou solidariedade aos protestos dos italianos ao ato do Palácio do Planalto, tomado no apagar das luzes do governo Lula.

“O asilo a Battisti, terrorista condenado à prisão perpétua por 36 crimes, incluindo quatro assassinatos, coloca em risco as relações excepcionais que o Brasil mantém com a Itália e a União Europeia. Ao mesmo tempo, atrai contra nosso país o desprezo das vítimas sobreviventes, que encabeçam protestos diante da embaixada brasileira em Roma”, alerta o senador.

Na terça-feira (4), manifestações contra a recusa do Brasil de extraditar Battisti ocorreram em toda a Itália. O chefe de governo, Silvio Berlusconi, prometeu firmeza em relação ao caso. Ao se encontrar em Milão com Alberto Torregiani, filho de um joalheiro morto em 1979 durante um atentado atribuído a Cesare Battisti, Berlusconi prometeu dar continuidade à “batalha” junto à nova presidente brasileira, Dilma Rousseff, para obter a extradição do ex-ativista de extrema-esquerda.

Na nota, Azeredo lembra que Battisti teve amplo direito de defesa. “Apesar de não estar presente, instituiu advogado, que acompanhou o processo até a Corte de Cassação Penal, o órgão máximo do Judiciário italiano, que decretou sua prisão perpétua”, destacou. Diante disso, o senador do PSDB afirmou que Lula desrespeitou a Justiça de um país democrático, que possui instituições consolidadas, e à própria justiça brasileira, que considerou o réu criminoso comum.

O presidente da Comissão de Relações Exteriores destacou, ainda, os reiterados apoios de Lula, enquanto presidente, às decisões legais tomadas por regimes totalitários, como os do Irã e de Cuba. No entanto, com a Itália o comportamento foi diferente. “Seria muito mais lógico que defendesse as ações de um Estado de direito, com plenas garantias democráticas, como a Itália. A liberdade de Cesare Battisti, sem dúvida, mancha sua biografia”, reprova Azeredo. (Da redação com assessoria e portal Terra/ Foto: Eduardo Lacerda)

Leia abaixo a íntegra da nota:

“Como Presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, manifesto solidariedade à Nação italiana em seus protestos contra a decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de conceder liberdade e asilo a Cesare Battisti. Tomada nos estertores de sua administração, é um dos mais graves equívocos cometidos em sua condução da política externa brasileira.

O asilo a Battisti, terrorista condenado à prisão perpétua por 36 crimes, incluindo quatro assassinatos, coloca em risco as relações excepcionais que o Brasil mantém com a Itália e a União Europeia. Ao mesmo tempo, atrai contra nosso país o desprezo das vítimas sobreviventes, que encabeçam protestos diante da embaixada brasileira em Roma.

Battisti teve amplo direito de defesa. Apesar de não estar presente, instituiu advogado, que acompanhou o processo até a Corte de Cassação Penal, o órgão máximo do Judiciário italiano, que decretou sua prisão perpétua. Trata-se, portanto, de desrespeito à Justiça de um país democrático, que possui instituições consolidadas, e à própria justiça brasileira, que considerou o réu criminoso comum.

Enquanto era presidente, Lula manifestou, diversas vezes, apoio e respeito às decisões legais tomadas por regimes totalitários, como os do Irã e o de Cuba. Seria muito mais lógico que defendesse as ações de um Estado de direito, com plenas garantias democráticas, como a Itália. A liberdade de Cesare Battisti, sem dúvida, mancha sua biografia.”

Fonte: http://bit.ly/h0IRVh