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sábado, 4 de dezembro de 2010
ENTREVISTA COM BELTRAME.
O planejamento definido para a ocupação do Complexo do Alemão e apoio incondicional das Forças Armadas deram ao secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, uma certeza quase que só dele: não haveria resistência nem troca de tiros na retomada do território. Apesar de admitir o poderio bélico dos criminosos — que resultou em 19 mortos, em 27 de junho de 2007 —, Beltrame assumiu a responsabilidade e antecipou em 15 meses a ocupação da “central de distribuição da desgraça”, do “coração do mal”. A O DIA, fez comparação entre as duas ações, falou do momento de maior tensão, garantiu punição para os abusos policiais e admitiu que houve falhas na ação, apesar de alcançar o objetivo de devolver ao Estado o domínio daquele lugar.
Sobre a mesa do gabinete de Beltrame, cartas de gente que aprovou a ação no Alemão, a quem promete responder
Foto: Fabio Gonçalves / Agência O Dia
Como foi ansiedade durante o planejamento da ação e nos minutos que antecederam a entrada da polícia no Complexo do Alemão? Já deu para descansar?
Mais ou menos. Passei esses dias todos praticamente aqui dentro. Ficava em casa apenas quatro horas por dia. Até ontem os mapas e os planos ainda estavam por aqui, em cima da mesa. Num momento como esse, não pode ser um grupo muito grande porque quanto mais se abre, mais se discute e menos se chega a alguma solução. Então, temos que juntar pessoas com muita experiência e mesclar com alguns planejadores, como o Roberto Sá (superintendente de Planejamento e Integração Operacional) e o Roberto Alzir (superintendente de Planejamento Operacional), e a inteligência. Tivemos que conversar rapidamente e decidir. Tive que deixar muito claro que a decisão era minha. Se desse errado, vocês iam estar aqui. Se desse certo vocês iam estar aqui também. Eu tinha a obrigação de trazer isso para mim. Quando a gente acerta, a gente acerta; quando a gente erra, a gente erra; e quando a gente recua, muitas vezes pode ser um ato de estratégia e não de covardia.
O senhor achou que essa estratégia poderia dar errado em algum momento?
Toda estratégia tem o seu risco. Na minha opinião, ela não ia dar errado porque nós só iríamos lá se efetivamente nós pudéssemos ocupar. Quando se completaram as condições para ocupar, ela não tinha mais como dar errado. A decisão é tomada com base no porquê eu estou fazendo aquilo. E naquele momento a Vila Cruzeiro (no Complexo da Penha) era a grande central de recepção das informações que vinham dos presídios. E dali capilarizava para o resto da cidade. Em vez de botar um policial em cada lugar apagando incêndio, ou tentando correr atrás muitas vezes de menores, porque esses atos foram protagonizados infelizmente por menores - inclusive eu soube que eles usaram até dependentes, que tinham que acertar contas de R$ 10 ou R$ 15, para tacar fogo - decidimos ir lá sem perder a viagem. Era para ir e ocupar.
E por que a decisão de ocupar só agora, e não em 2007, na última operação, quando morreram 19 pessoas?
Mas não era para ficar, naquela época. O que nós tínhamos que fazer em 2007 era localizar um paiol com 15 mil cartuchos de fuzil 7.62 e nós conseguimos. As pessoas, que no início do ano tinham protagonizado cenas horrorosas, de metralhar delegacias e queimar pessoas vivas na Avenida Brasil, elas estavam lá também. Então, não iríamos para dar uma resposta. Tínhamos um objetivo concreto. Essa foi a nossa missão. Se eu sei onde estão 15 mil cartuchos de fuzil, e eu não vou, eu estou prevaricando. Aqueles cartuchos eram para ser usados e muitos foram usados contra a polícia na progressão. Nesse passeio que eu fiz no Alemão, ontem (quinta-feira), fiz questão de fazer o mesmo caminho que naquela vez. Em 2007, levamos quatro horas para atravessar. Desta vez, levei 20 minutos.
Qual a diferença entre as duas operações?
Aquela era uma operação pontual. Tinha objetivo específico. Nós não tínhamos arquitetado o plano da UPP. Nós tínhamos recém pego uma cidade inteira para cuidar, nós tínhamos um Pan-Americano três meses na nossa frente. Não se tinha fôlego para fazer isso. Pode ver que a UPP tem dois anos, nós levamos 18 meses planejando a UPP. Por isso que se entrou e saiu. E, hoje, se tivermos um objetivo específico, a gente vai, não necessariamente para colocar UPP. O que não pode mais é "vou lá para dar uma resposta", "vou lá porque está muito barulho", como normalmente se fazia. Tem que ir atrás de alguma coisa. Não se tem mais gente nem condições de fazer essas coisas. Acho que essas entradas não foram boas para a polícia e fez, de uma certa forma, que o comportamento dos bandidos fosse este. "Eles vem aqui e batem em nós, vamos bater neles que eles vão embora". Nós temos que racionalizar e otimizar isso. Às vezes, o policial ia lá para retirar um carro roubado. Você está sujeito a ferir alguém lá dentro ou ter sua patamo toda ferida. Então, a gente planeja e vai lá buscar.
A decisão de entrar no Alemão e ocupá-lo foi no momento da fuga de traficantes da Vila Cruzeiro?
Não, não. Foi antes. O Complexo do Alemão e a Vila Cruzeiro estavam na fila das UPPs lá na frente, talvez em 15 meses, um pouco mais, um pouco menos. Quando a gente viu que tinha que ir lá, a gente trouxe o planejamento para hoje. Mas o planejamento tinha lacunas porque até lá eu iria ter mais policiais que eu tenho hoje e uma configuração de (veículos) blindados para soltar o pessoal lá dentro. Aí que eu pedi: "Nos ajudem aqui porque eu tenho que ir lá". Era entra e consolida. Toda entrada que a gente faz com plano é feita com grande cerco. Cercar todo o Alemão era difícil, é uma área de um milhão de metros quadrados. E eu precisava treinar uma polícia com instruções de polícia comunitária. Eu não quero colocar polícia de viatura e patamo. Eu quero montar uma PM a partir do conceito de UPP.
Agora que os policiais estão saindo, restará o Exército. Os soldados ficam até quando?
Até outubro do ano que vem. Nada disso foi solicitado sem uma análise prévia. Aqui no Rio, graças a Deus, nos reunimos, fizemos o planejamento e decidimos. Não houve nenhum problema. E ainda me disseram que se os batalhões daqui não atenderem, podem puxar um de São Paulo. Não dá mais para construir isso sozinho. Se o Ministério da Defesa não puder atender, eu, polícia, não saio mais de lá. Porque não vou perder a oportunidade. Aí, eu vou ter que criar uma outra forma de cuidar da cidade porque eu não vou mais deixar aquilo lá sem polícia. Nós conseguimos, por força dos eventos que aconteceram no Rio, acabar com a agência reguladora do crime nessa cidade. E eu não vou perder aquilo lá. E não acho que o Exército vai recuar. Tenho certeza de que eles vão fazer um grande trabalho ali. É uma oportunidade excelente, tem muita coisa a ser vasculhada naquela área. Não acredito que vá haver confronto mais ali e o Exército tem uma estrutura de envolver a comunidade com dentistas, hospitais de campanha. Acho que vai ser um caso de muito sucesso. Os batalhões de fora já saíram. Vamos colocar batalhão de campanha, mas a ideia é que eles possam fazer a transição para o Exército sair também.
Muitos bandidos fugiram. Como a polícia vai buscar essas pessoas? Essa fuga poderia ter sido evitada?
Nem todo traficante ou pessoas que lidam com o tráfico podem ser caracterizadas como portadoras de arma. Vocês viram correndo muita gente armada e muita gente desarmada (nas imagens filmadas pela TV Globo). Se essa pessoa se despoja de sua arma, ela passa na cara da polícia. Eu só posso prender uma pessoa em flagrante ou com processo judicial. Se não tem, ela passa rindo na cara da polícia. Quantas daquelas pessoas em fuga será que têm mandado de prisão ou estão já condenados? Muita gente gravita pelo tráfico endolando droga em casa por R$ 15 por dia, andando de moro por R$ 15 por dia, em cima de uma laje soltando pipa e com um radinho por R$ 15 por dia. Mas quando você vai subindo, você encontra um cinturão de pessoas que realmente fazem a segurança dos cascudos, como a gente chama. O cascudo tem 10, 15 anos no tráfico, e ao longo desse tempo obviamente ele já tem uma passagem ou condenação. Mas o soldado muitas vezes não tem. As pessoas cobram sobre o bando de bandidos correndo, mas na forma da lei, como bandido deve ser preso, nós estamos com 120. Se sobe o helicóptero e (faz gesto de arma) ... Aí, vocês iam vir aqui dizendo que morreram 50 pessoas, que tinha uns ali que não tinham nada a ver, que tinha uns ali só com mochila. Tudo isso tem que ser levado em consideração. Entendo que o objetivo foi um sucesso porque o território está consagrado e aquelas pessoas estão livres da didatura imposta pelo tráfico, da estigma do fuzil. Temos infinitamente mais coisas positivas que negativas.
Houve falhas?
Claro que sim. Era uma operação envolvendo 2.600 homens, decidida em algumas horas, num lugar que é um queijo suíço e tem 62 saídas, fora pular o mudo, pular o telhado. E tem esse aspecto, do cara que está há dois, três anos no tráfico, dispensa a sua arma e vai embora. Quando chegasse a vez do Alemão, eu ia sem dúvida fazer um grande cerco e entrar. Mas o princípio da oportunidade me fez antecipar. Algumas situações não puderam ser afinadas de uma hora para a outra, mas o objetivo da operação foi alcançado. Acabamos com essa central de distribuição da desgraça. Já que fomos num lugar difícil, fica, permanece, consolida e avança.
Quais são essas falhas? O fato de os bandidos terem conseguido espacar pelas galerias subterrâneas foi uma falha?
Eu digo falhas porque a gente tem um ideal e não aconteceu esse ideal. Isso vai ser motivo de uma grande reunião nossa. Qual seria o mundo ideal? Colocar dois mil homens no entorno e aí subir. Isso seria feito lá na frente. A gente não tinha como cercar as galerias porque elas são internas e não saem na beira da favela. Tem galeria que sai em Inhaúma. Em junho de 2007, tivemos casos de que as galerias serviram como depósito de armas. As galerias com essa estrutura de altura e dimensão foram construídas nas obras do PAC. E as plantas, o Bope só conseguiu essas plantas agora, exatamente para fazer um estudo disso.
Qual foi o momento de mais tensão?
Foi complicado, muito difícil. Um menor de idade com uma garrafa de 250ml de gasolina, ele gera uma sensação de insegurança nas pessoas muito grande. Mas ele é só um menor de idade e tem tratamento diferenciado. Essa é uma desigualdade e tínhamos que buscar de onde vinha isso. O mais difícil foi detectar que a gente tinha que ir ali. Porque a gente sabia que teria que organizar toda essa estrutura. Quando eu vi, e isso vai ficar no meu imaginário, aquele blindado subindo o morro eu disse: "Tá ganho". Nossa luta, desde que cheguei, foi configurar um veículo blindado. Meu pessoal foi à Rússia, Estados Unidos, África do Sul e Israel, e você não consegue configurar um carro desses para levar o efetivo. Quando eu vi que tinha fogo e o blindado só colocou de lado, eu disse: "Deu".
O senhor pretende comprar um blindado como o da Marinha, com esteira?
A integração e a resposta que a gente teve, não vou dizer que eles garantem isso, mas nos alivia muito. Inclusive os helicópteros. Eu acho que a integração efetivamente se deu. Antes, podia existir algumas rusgas e tinha a compreensão de GLO (Garantia de Lei e Ordem) genérica. Hoje, o Ministério da Defesa faz uma GLO específica (definindo a atuação de cada força na ação). Hoje posso dizer que eles podem me emprestar equipamento diversos. Temos uma área difícil de sobrevoar e que também toma muito tiro por baixo. Esse carro serve para capilarizar o policiamento.
A que o senhor atribui a aprovação da sociedade e comunidade?
A população estava cansada. A sociedade sofreu muito com isso. Muita gente tem algum amigo, algum familiar que sofreu alguma coisa, ou está sempre vendo notícias de jornal. Havia muitas soluções mirabolantes, entra e sai e nada de concreto, palpável e objetivo. As pessoas se preocupavam em atuar em cima da mídia negativa: incendiou um carro na Linha Amarela, bota policiamento lá. E se esquecia de um plano de território, um plano de desarmar. No dia a dia, não se via uma arquitetura. A gente quer acabar com territórios ocupados por armas e por trás disso tem um grande resultado que ninguém discutiu. Quando a gente tira armas, a gente proporciona um outro ambiente. Mas entendo que os moradores ainda estejam desconfiados. Antes, nós tínhamos medidas pirotécnicas. A história mostra para eles que as coisas não aconteceram. Como nós vamos vencer isso? Garantindo que nós vamos ficar. Com atitude de que vamos ficar. De lá não saio mais. Com ou sem a ajuda do Ministério da Defesa, de lá eu não saio. Eu dei essa garantia e eu seguro isso.
O senhor tem um plano B, caso o Exército queira sair antes do prazo combinado?
Claro! Quando caminhei lá, vi as pessoas acenando discretamente. Prefiro esse aceno, que eu sei que é sincero. Em todas que eu fui, foi assim. E hoje eu volto, passados dois anos, e vejo a diferença. Nós não ganhamos nada, não admito clima nenhum de euforia. No momento em que não há homens armados, eu crio a ambiência, não só para que os serviços cheguem. Tinha um colégio lá onde um cara passava de moto armado. Que educação é essa? Vou jogar bola e tem um cara com uma granada na cintura, na beira do campo. Não é só a retomada do território, mas o ambiente que você proporciona e a probabilidade de um pequeninho que cresce ali não conviver mais com isso. A perspectiva que ele tinha ali, o modelo, era aquele cara.
Os morros da Fé e da Chatuba, no Complexo da Penha, serão beneficiados com as UPPs?
Claro. Não há como fazer separadamente. Primeiro ocupamos o Cruzeiro, não dava para vir por outro lado. Eu não tinha garantias de que eu ia tomar o grande. Mas a ação das forças de paz vai incluir toda essa região.
O senhor já tem a confirmação de algum abuso de policiais?
Eu tenho sérias denúncias. Nesse momento, um defensor público, corregedores das duas instituições, mais o corregedor geral estão analisando as primeiras denúncias. Eu também estou farto de fazer um trabalho dessa dimensão e ter que responder por alguns casos dessa natureza. Por isso que o Mário Sérgio (comandante da PM) tem meu apoio. Participei de dois briefings e ele disse que vai punir com demissão, com a tropa formada. Considero isso essencial. Vamos dizer que eles sejam 20, 30, 50 (envolvidos em abusos). Eles estão desmoralizando instituições de 50 mil homens. Então, temos que são eles que estão nos desmoralizando. Pode ser uma atitude forte, triste, mas tem que fazer o caminho inverso. Essas operações grandes, sem dúvida vão apresentar esses problemas. Mas eu quero que se chegue nisso, até para dizer à sociedade e aos próprios policiais: "Esses caras aqui desmoralizaram você, que subiu naquele domingo, suscetível a todo o tipo de calibre, a uma ponto 50, uma arma de chumbo".
O senhor acha que uma punição assim vai acontecer?
Vai ser muito cobrado. Procura-se testemunhas idôneas, mas temos que chegar. Denúncia a gente tem um monte. Assim como a gente tem denúncia de que vizinho está roubando vizinho e botando na conta do tráfico ou da polícia. Hoje recebi mais uma denúncia de que estão jogando as coisas dentro das casas que tem bilhete informando que o local já foi vasculhado. Não vejo outra alternativa, senão vasculhar todas as casas. Lá tem muita coisa. O Rio, as pessoas talvez não tenham alcançado a importância do Alemão para aquela quadrilha. Num homicídio, ou o cara é de lá, ou foi se esconder lá, ou a moto que ele usou era de lá, ou ele desovou a moto lá, ou a arma ele conseguiu lá, a munição ele conseguiu lá, ou a droga que ele teve que dar uma cheirada antes de fazer o que fez. Alguma coisa das ações criminosas tinham um DNA dali.
O senhor disse que os policiais foram para lá suscetíveis a levar tiros de qualquer calibre. O senhor imaginava que ocuparia o complexo sem tiros?
Imaginava. Esse pessoal resolveu parar porque eles sentiram o tamanho do problema. O tráfico sempre tentou o Estado, que nem filho pequeno. Você diz "meu filho não mexe aí", ele faz aquela carinha, mas vai lá e pega. A polícia ia dar uma batida, com quatro, cinco patamos, e eles metiam bala. Na medida em que aumentava a força, eles aumentavam a força também. E tinha aquela história de não chamar as forças militares porque tinha aquele pânico de pedir ajuda externa. Na época do período eleitoral, eles não fizeram nada, achando que o governador e esse secretário maluco iriam embora e que tudo iria ficar como antes. Passado o processo eleitoral, veio a UPP dos Macacos e eles sabiam que ia ser diferente. Eles nos testaram quando anunciamos que íamos mandar os cabeças para fora do estado. Essa questão de botar fogo é muito antiga, ainda mais em lugares que são mais politizados. Aí, a pessoa que tem interesse político, ou desgaste, recua. Eu não gosto da palavra enfrentamento, mas a gente tem objetivo e segue em frente. Ninguém quer matar ninguém.
O senhor acha que eles fugiram depois de ver os tanques?
Ah, meu amigo, aí não tem ninguém que, com o mínimo de razoabilidade, queira enfrentar. Os líderes não são mais da guerra. Eles deixam para aqueles que correram, os buchas. Eles são tudo isso lá dentro, se tirar o muro de arma, eles pulverizam. O crime não vai acabar, mas eles vão ficar suscetíveis a serem pegos. Polícias do mundo inteiro tentam controlar o crime.
A ocupação do Alemão vai interferir no planejamento das próximas UPPs? A Rocinha vai sofrer atraso, em função dessa antecipação?
Fui um dos primeiros a pedir que o Ministério da Defesa nos ajudasse porque esse efetivo vem para dentro do Alemão e libera os policiais para eu seguir o meu programa até 2014. Quando eu tiver os policiais prontos, eles entram e as forças de paz saem. O cronograma está pronto e eu simplesmente vou tirar o Alemão da fila. A Rocinha vai ser feita dentro do planejado. E vou seguir com o planejamento com uma possibilidade muito boa de integração.
A inteligência apontou para que traficantes do Alemão estejam na Rocinha, mesmo sendo de quadrilhas rivais?
Não, o que temos é uma tentativa de entendimento num nível muito baixo da estrutura. Isso não vai acontecer. Por que o FB vai lá com o Nem (chefe do tráfico na Rocinha)? Só se for para o Nem matar o FB. Ele não vai dividir os negócios dele. Esse pessoal que está num nível estratégico pensa dessa forma. A ADA não quer nada, quer ficar quieta para não ser incomodada. A pessoa do Comando Vermelho que for procurar a outra facção vai completamente rendida. E eles têm muita coisa a acertar. Acho difícil, só um ato desesperado poderia fazer com que isso acontecesse.
Diante da pouca resistência de traficantes no Alemão, o senhor acha que a ocupação na Mangueira será fácil?
É que nem futebol, não tem jogo fácil, nem jogo ganho. A gente vai com a proposta de 'debelem armas'. Nós queremos o território, para tirar aquelas armas, aquelas drogas, aquela cultura do tráfico de perto das crianças, de toda uma geração que está vindo aí. E acabar com o cinismo do estado, de que não põe médico ou professor ali porque não pode entrar. O estado se libertou dessa responsabilidade usando cinicamente esse argumento. Fiquei muito feliz em ver a Prefeitura do Rio tão rapidamente realizando serviços. O secretário vai fazer seu trabalho lá, mas vai chegar um momento em que eu vou dar o serviço como pronto, como já está em três lugares. Tem que ficar claro que não é o policialzinho da UPP que vai segurar tudo sozinho. A gente está criando uma ambiência para a mudança.
Fonte: O DIA. http://bit.ly/fDGbA6
Sobre a mesa do gabinete de Beltrame, cartas de gente que aprovou a ação no Alemão, a quem promete responder
Foto: Fabio Gonçalves / Agência O Dia
Como foi ansiedade durante o planejamento da ação e nos minutos que antecederam a entrada da polícia no Complexo do Alemão? Já deu para descansar?
Mais ou menos. Passei esses dias todos praticamente aqui dentro. Ficava em casa apenas quatro horas por dia. Até ontem os mapas e os planos ainda estavam por aqui, em cima da mesa. Num momento como esse, não pode ser um grupo muito grande porque quanto mais se abre, mais se discute e menos se chega a alguma solução. Então, temos que juntar pessoas com muita experiência e mesclar com alguns planejadores, como o Roberto Sá (superintendente de Planejamento e Integração Operacional) e o Roberto Alzir (superintendente de Planejamento Operacional), e a inteligência. Tivemos que conversar rapidamente e decidir. Tive que deixar muito claro que a decisão era minha. Se desse errado, vocês iam estar aqui. Se desse certo vocês iam estar aqui também. Eu tinha a obrigação de trazer isso para mim. Quando a gente acerta, a gente acerta; quando a gente erra, a gente erra; e quando a gente recua, muitas vezes pode ser um ato de estratégia e não de covardia.
O senhor achou que essa estratégia poderia dar errado em algum momento?
Toda estratégia tem o seu risco. Na minha opinião, ela não ia dar errado porque nós só iríamos lá se efetivamente nós pudéssemos ocupar. Quando se completaram as condições para ocupar, ela não tinha mais como dar errado. A decisão é tomada com base no porquê eu estou fazendo aquilo. E naquele momento a Vila Cruzeiro (no Complexo da Penha) era a grande central de recepção das informações que vinham dos presídios. E dali capilarizava para o resto da cidade. Em vez de botar um policial em cada lugar apagando incêndio, ou tentando correr atrás muitas vezes de menores, porque esses atos foram protagonizados infelizmente por menores - inclusive eu soube que eles usaram até dependentes, que tinham que acertar contas de R$ 10 ou R$ 15, para tacar fogo - decidimos ir lá sem perder a viagem. Era para ir e ocupar.
E por que a decisão de ocupar só agora, e não em 2007, na última operação, quando morreram 19 pessoas?
Mas não era para ficar, naquela época. O que nós tínhamos que fazer em 2007 era localizar um paiol com 15 mil cartuchos de fuzil 7.62 e nós conseguimos. As pessoas, que no início do ano tinham protagonizado cenas horrorosas, de metralhar delegacias e queimar pessoas vivas na Avenida Brasil, elas estavam lá também. Então, não iríamos para dar uma resposta. Tínhamos um objetivo concreto. Essa foi a nossa missão. Se eu sei onde estão 15 mil cartuchos de fuzil, e eu não vou, eu estou prevaricando. Aqueles cartuchos eram para ser usados e muitos foram usados contra a polícia na progressão. Nesse passeio que eu fiz no Alemão, ontem (quinta-feira), fiz questão de fazer o mesmo caminho que naquela vez. Em 2007, levamos quatro horas para atravessar. Desta vez, levei 20 minutos.
Qual a diferença entre as duas operações?
Aquela era uma operação pontual. Tinha objetivo específico. Nós não tínhamos arquitetado o plano da UPP. Nós tínhamos recém pego uma cidade inteira para cuidar, nós tínhamos um Pan-Americano três meses na nossa frente. Não se tinha fôlego para fazer isso. Pode ver que a UPP tem dois anos, nós levamos 18 meses planejando a UPP. Por isso que se entrou e saiu. E, hoje, se tivermos um objetivo específico, a gente vai, não necessariamente para colocar UPP. O que não pode mais é "vou lá para dar uma resposta", "vou lá porque está muito barulho", como normalmente se fazia. Tem que ir atrás de alguma coisa. Não se tem mais gente nem condições de fazer essas coisas. Acho que essas entradas não foram boas para a polícia e fez, de uma certa forma, que o comportamento dos bandidos fosse este. "Eles vem aqui e batem em nós, vamos bater neles que eles vão embora". Nós temos que racionalizar e otimizar isso. Às vezes, o policial ia lá para retirar um carro roubado. Você está sujeito a ferir alguém lá dentro ou ter sua patamo toda ferida. Então, a gente planeja e vai lá buscar.
A decisão de entrar no Alemão e ocupá-lo foi no momento da fuga de traficantes da Vila Cruzeiro?
Não, não. Foi antes. O Complexo do Alemão e a Vila Cruzeiro estavam na fila das UPPs lá na frente, talvez em 15 meses, um pouco mais, um pouco menos. Quando a gente viu que tinha que ir lá, a gente trouxe o planejamento para hoje. Mas o planejamento tinha lacunas porque até lá eu iria ter mais policiais que eu tenho hoje e uma configuração de (veículos) blindados para soltar o pessoal lá dentro. Aí que eu pedi: "Nos ajudem aqui porque eu tenho que ir lá". Era entra e consolida. Toda entrada que a gente faz com plano é feita com grande cerco. Cercar todo o Alemão era difícil, é uma área de um milhão de metros quadrados. E eu precisava treinar uma polícia com instruções de polícia comunitária. Eu não quero colocar polícia de viatura e patamo. Eu quero montar uma PM a partir do conceito de UPP.
Agora que os policiais estão saindo, restará o Exército. Os soldados ficam até quando?
Até outubro do ano que vem. Nada disso foi solicitado sem uma análise prévia. Aqui no Rio, graças a Deus, nos reunimos, fizemos o planejamento e decidimos. Não houve nenhum problema. E ainda me disseram que se os batalhões daqui não atenderem, podem puxar um de São Paulo. Não dá mais para construir isso sozinho. Se o Ministério da Defesa não puder atender, eu, polícia, não saio mais de lá. Porque não vou perder a oportunidade. Aí, eu vou ter que criar uma outra forma de cuidar da cidade porque eu não vou mais deixar aquilo lá sem polícia. Nós conseguimos, por força dos eventos que aconteceram no Rio, acabar com a agência reguladora do crime nessa cidade. E eu não vou perder aquilo lá. E não acho que o Exército vai recuar. Tenho certeza de que eles vão fazer um grande trabalho ali. É uma oportunidade excelente, tem muita coisa a ser vasculhada naquela área. Não acredito que vá haver confronto mais ali e o Exército tem uma estrutura de envolver a comunidade com dentistas, hospitais de campanha. Acho que vai ser um caso de muito sucesso. Os batalhões de fora já saíram. Vamos colocar batalhão de campanha, mas a ideia é que eles possam fazer a transição para o Exército sair também.
Muitos bandidos fugiram. Como a polícia vai buscar essas pessoas? Essa fuga poderia ter sido evitada?
Nem todo traficante ou pessoas que lidam com o tráfico podem ser caracterizadas como portadoras de arma. Vocês viram correndo muita gente armada e muita gente desarmada (nas imagens filmadas pela TV Globo). Se essa pessoa se despoja de sua arma, ela passa na cara da polícia. Eu só posso prender uma pessoa em flagrante ou com processo judicial. Se não tem, ela passa rindo na cara da polícia. Quantas daquelas pessoas em fuga será que têm mandado de prisão ou estão já condenados? Muita gente gravita pelo tráfico endolando droga em casa por R$ 15 por dia, andando de moro por R$ 15 por dia, em cima de uma laje soltando pipa e com um radinho por R$ 15 por dia. Mas quando você vai subindo, você encontra um cinturão de pessoas que realmente fazem a segurança dos cascudos, como a gente chama. O cascudo tem 10, 15 anos no tráfico, e ao longo desse tempo obviamente ele já tem uma passagem ou condenação. Mas o soldado muitas vezes não tem. As pessoas cobram sobre o bando de bandidos correndo, mas na forma da lei, como bandido deve ser preso, nós estamos com 120. Se sobe o helicóptero e (faz gesto de arma) ... Aí, vocês iam vir aqui dizendo que morreram 50 pessoas, que tinha uns ali que não tinham nada a ver, que tinha uns ali só com mochila. Tudo isso tem que ser levado em consideração. Entendo que o objetivo foi um sucesso porque o território está consagrado e aquelas pessoas estão livres da didatura imposta pelo tráfico, da estigma do fuzil. Temos infinitamente mais coisas positivas que negativas.
Houve falhas?
Claro que sim. Era uma operação envolvendo 2.600 homens, decidida em algumas horas, num lugar que é um queijo suíço e tem 62 saídas, fora pular o mudo, pular o telhado. E tem esse aspecto, do cara que está há dois, três anos no tráfico, dispensa a sua arma e vai embora. Quando chegasse a vez do Alemão, eu ia sem dúvida fazer um grande cerco e entrar. Mas o princípio da oportunidade me fez antecipar. Algumas situações não puderam ser afinadas de uma hora para a outra, mas o objetivo da operação foi alcançado. Acabamos com essa central de distribuição da desgraça. Já que fomos num lugar difícil, fica, permanece, consolida e avança.
Quais são essas falhas? O fato de os bandidos terem conseguido espacar pelas galerias subterrâneas foi uma falha?
Eu digo falhas porque a gente tem um ideal e não aconteceu esse ideal. Isso vai ser motivo de uma grande reunião nossa. Qual seria o mundo ideal? Colocar dois mil homens no entorno e aí subir. Isso seria feito lá na frente. A gente não tinha como cercar as galerias porque elas são internas e não saem na beira da favela. Tem galeria que sai em Inhaúma. Em junho de 2007, tivemos casos de que as galerias serviram como depósito de armas. As galerias com essa estrutura de altura e dimensão foram construídas nas obras do PAC. E as plantas, o Bope só conseguiu essas plantas agora, exatamente para fazer um estudo disso.
Qual foi o momento de mais tensão?
Foi complicado, muito difícil. Um menor de idade com uma garrafa de 250ml de gasolina, ele gera uma sensação de insegurança nas pessoas muito grande. Mas ele é só um menor de idade e tem tratamento diferenciado. Essa é uma desigualdade e tínhamos que buscar de onde vinha isso. O mais difícil foi detectar que a gente tinha que ir ali. Porque a gente sabia que teria que organizar toda essa estrutura. Quando eu vi, e isso vai ficar no meu imaginário, aquele blindado subindo o morro eu disse: "Tá ganho". Nossa luta, desde que cheguei, foi configurar um veículo blindado. Meu pessoal foi à Rússia, Estados Unidos, África do Sul e Israel, e você não consegue configurar um carro desses para levar o efetivo. Quando eu vi que tinha fogo e o blindado só colocou de lado, eu disse: "Deu".
O senhor pretende comprar um blindado como o da Marinha, com esteira?
A integração e a resposta que a gente teve, não vou dizer que eles garantem isso, mas nos alivia muito. Inclusive os helicópteros. Eu acho que a integração efetivamente se deu. Antes, podia existir algumas rusgas e tinha a compreensão de GLO (Garantia de Lei e Ordem) genérica. Hoje, o Ministério da Defesa faz uma GLO específica (definindo a atuação de cada força na ação). Hoje posso dizer que eles podem me emprestar equipamento diversos. Temos uma área difícil de sobrevoar e que também toma muito tiro por baixo. Esse carro serve para capilarizar o policiamento.
A que o senhor atribui a aprovação da sociedade e comunidade?
A população estava cansada. A sociedade sofreu muito com isso. Muita gente tem algum amigo, algum familiar que sofreu alguma coisa, ou está sempre vendo notícias de jornal. Havia muitas soluções mirabolantes, entra e sai e nada de concreto, palpável e objetivo. As pessoas se preocupavam em atuar em cima da mídia negativa: incendiou um carro na Linha Amarela, bota policiamento lá. E se esquecia de um plano de território, um plano de desarmar. No dia a dia, não se via uma arquitetura. A gente quer acabar com territórios ocupados por armas e por trás disso tem um grande resultado que ninguém discutiu. Quando a gente tira armas, a gente proporciona um outro ambiente. Mas entendo que os moradores ainda estejam desconfiados. Antes, nós tínhamos medidas pirotécnicas. A história mostra para eles que as coisas não aconteceram. Como nós vamos vencer isso? Garantindo que nós vamos ficar. Com atitude de que vamos ficar. De lá não saio mais. Com ou sem a ajuda do Ministério da Defesa, de lá eu não saio. Eu dei essa garantia e eu seguro isso.
O senhor tem um plano B, caso o Exército queira sair antes do prazo combinado?
Claro! Quando caminhei lá, vi as pessoas acenando discretamente. Prefiro esse aceno, que eu sei que é sincero. Em todas que eu fui, foi assim. E hoje eu volto, passados dois anos, e vejo a diferença. Nós não ganhamos nada, não admito clima nenhum de euforia. No momento em que não há homens armados, eu crio a ambiência, não só para que os serviços cheguem. Tinha um colégio lá onde um cara passava de moto armado. Que educação é essa? Vou jogar bola e tem um cara com uma granada na cintura, na beira do campo. Não é só a retomada do território, mas o ambiente que você proporciona e a probabilidade de um pequeninho que cresce ali não conviver mais com isso. A perspectiva que ele tinha ali, o modelo, era aquele cara.
Os morros da Fé e da Chatuba, no Complexo da Penha, serão beneficiados com as UPPs?
Claro. Não há como fazer separadamente. Primeiro ocupamos o Cruzeiro, não dava para vir por outro lado. Eu não tinha garantias de que eu ia tomar o grande. Mas a ação das forças de paz vai incluir toda essa região.
O senhor já tem a confirmação de algum abuso de policiais?
Eu tenho sérias denúncias. Nesse momento, um defensor público, corregedores das duas instituições, mais o corregedor geral estão analisando as primeiras denúncias. Eu também estou farto de fazer um trabalho dessa dimensão e ter que responder por alguns casos dessa natureza. Por isso que o Mário Sérgio (comandante da PM) tem meu apoio. Participei de dois briefings e ele disse que vai punir com demissão, com a tropa formada. Considero isso essencial. Vamos dizer que eles sejam 20, 30, 50 (envolvidos em abusos). Eles estão desmoralizando instituições de 50 mil homens. Então, temos que são eles que estão nos desmoralizando. Pode ser uma atitude forte, triste, mas tem que fazer o caminho inverso. Essas operações grandes, sem dúvida vão apresentar esses problemas. Mas eu quero que se chegue nisso, até para dizer à sociedade e aos próprios policiais: "Esses caras aqui desmoralizaram você, que subiu naquele domingo, suscetível a todo o tipo de calibre, a uma ponto 50, uma arma de chumbo".
O senhor acha que uma punição assim vai acontecer?
Vai ser muito cobrado. Procura-se testemunhas idôneas, mas temos que chegar. Denúncia a gente tem um monte. Assim como a gente tem denúncia de que vizinho está roubando vizinho e botando na conta do tráfico ou da polícia. Hoje recebi mais uma denúncia de que estão jogando as coisas dentro das casas que tem bilhete informando que o local já foi vasculhado. Não vejo outra alternativa, senão vasculhar todas as casas. Lá tem muita coisa. O Rio, as pessoas talvez não tenham alcançado a importância do Alemão para aquela quadrilha. Num homicídio, ou o cara é de lá, ou foi se esconder lá, ou a moto que ele usou era de lá, ou ele desovou a moto lá, ou a arma ele conseguiu lá, a munição ele conseguiu lá, ou a droga que ele teve que dar uma cheirada antes de fazer o que fez. Alguma coisa das ações criminosas tinham um DNA dali.
O senhor disse que os policiais foram para lá suscetíveis a levar tiros de qualquer calibre. O senhor imaginava que ocuparia o complexo sem tiros?
Imaginava. Esse pessoal resolveu parar porque eles sentiram o tamanho do problema. O tráfico sempre tentou o Estado, que nem filho pequeno. Você diz "meu filho não mexe aí", ele faz aquela carinha, mas vai lá e pega. A polícia ia dar uma batida, com quatro, cinco patamos, e eles metiam bala. Na medida em que aumentava a força, eles aumentavam a força também. E tinha aquela história de não chamar as forças militares porque tinha aquele pânico de pedir ajuda externa. Na época do período eleitoral, eles não fizeram nada, achando que o governador e esse secretário maluco iriam embora e que tudo iria ficar como antes. Passado o processo eleitoral, veio a UPP dos Macacos e eles sabiam que ia ser diferente. Eles nos testaram quando anunciamos que íamos mandar os cabeças para fora do estado. Essa questão de botar fogo é muito antiga, ainda mais em lugares que são mais politizados. Aí, a pessoa que tem interesse político, ou desgaste, recua. Eu não gosto da palavra enfrentamento, mas a gente tem objetivo e segue em frente. Ninguém quer matar ninguém.
O senhor acha que eles fugiram depois de ver os tanques?
Ah, meu amigo, aí não tem ninguém que, com o mínimo de razoabilidade, queira enfrentar. Os líderes não são mais da guerra. Eles deixam para aqueles que correram, os buchas. Eles são tudo isso lá dentro, se tirar o muro de arma, eles pulverizam. O crime não vai acabar, mas eles vão ficar suscetíveis a serem pegos. Polícias do mundo inteiro tentam controlar o crime.
A ocupação do Alemão vai interferir no planejamento das próximas UPPs? A Rocinha vai sofrer atraso, em função dessa antecipação?
Fui um dos primeiros a pedir que o Ministério da Defesa nos ajudasse porque esse efetivo vem para dentro do Alemão e libera os policiais para eu seguir o meu programa até 2014. Quando eu tiver os policiais prontos, eles entram e as forças de paz saem. O cronograma está pronto e eu simplesmente vou tirar o Alemão da fila. A Rocinha vai ser feita dentro do planejado. E vou seguir com o planejamento com uma possibilidade muito boa de integração.
A inteligência apontou para que traficantes do Alemão estejam na Rocinha, mesmo sendo de quadrilhas rivais?
Não, o que temos é uma tentativa de entendimento num nível muito baixo da estrutura. Isso não vai acontecer. Por que o FB vai lá com o Nem (chefe do tráfico na Rocinha)? Só se for para o Nem matar o FB. Ele não vai dividir os negócios dele. Esse pessoal que está num nível estratégico pensa dessa forma. A ADA não quer nada, quer ficar quieta para não ser incomodada. A pessoa do Comando Vermelho que for procurar a outra facção vai completamente rendida. E eles têm muita coisa a acertar. Acho difícil, só um ato desesperado poderia fazer com que isso acontecesse.
Diante da pouca resistência de traficantes no Alemão, o senhor acha que a ocupação na Mangueira será fácil?
É que nem futebol, não tem jogo fácil, nem jogo ganho. A gente vai com a proposta de 'debelem armas'. Nós queremos o território, para tirar aquelas armas, aquelas drogas, aquela cultura do tráfico de perto das crianças, de toda uma geração que está vindo aí. E acabar com o cinismo do estado, de que não põe médico ou professor ali porque não pode entrar. O estado se libertou dessa responsabilidade usando cinicamente esse argumento. Fiquei muito feliz em ver a Prefeitura do Rio tão rapidamente realizando serviços. O secretário vai fazer seu trabalho lá, mas vai chegar um momento em que eu vou dar o serviço como pronto, como já está em três lugares. Tem que ficar claro que não é o policialzinho da UPP que vai segurar tudo sozinho. A gente está criando uma ambiência para a mudança.
Fonte: O DIA. http://bit.ly/fDGbA6
AERODILMA VOA PARA O DESPERDICIO.
A cogitada compra de novo avião para a Presidência da República contradiz o discurso da presidente eleita prometendo austeridade nos gastos do setor público
Em diversos aspectos, a sociedade tem dúvidas sobre linhas de procedimento da futura gestão Dilma Rousseff. Ainda assim, entre as propostas anunciadas, muitas agradam. É o caso da austeridade nos gastos do setor público. O povo brasileiro não aceita que governos gastem acima do que seja sustentável", disse a presidente no primeiro discurso após eleita.
Nesse caso, como explicar a intenção de comprar o Aerodilma? Parece esbanjamento. Contradiz a promessa de gastos inconvenientes. Mesmo que esse não fosse o discurso da presidente, o quadro de contas do governo impõe à União regime fiscal muito mais rigoroso do que o observado em 2010. Comprar avião novo seria a última coisa a fazer. Significaria voar sobre a realidade financeira, fugindo dela. É preciso pé no chão.
O governo alega que não tem dinheiro nem para bancar o crescimento das despesas com a saúde pública. Falta acrescentar cerca de R$ 50 bilhões por ano ao orçamento do Ministério desse setor, segundo cálculo do próprio Executivo. Além disso, ficam de herança R$ 50 bilhões de restos a pagar deixados pela gestão Lula. Aliás, nem a poupança necessária para cumprir a meta de superávit primário o governo está conseguindo fazer sem drenar dinheiro das estatais. Nessa situação, soa como contrassenso pensar em aumento de despesa para a presidente fazer viagens.
É muito alto o preço do equipamento voador que está cogitado para Dilma Rousseff. A depender do modelo escolhido pode custar até R$ 500 milhões. É dinheiro que daria para construir, por exemplo, um bom aeroporto em Vitória. Esse valor é cinco vezes mais alto do que foi desembolsado em 2005 para comprar o Aerolula (Airbus-319 executivo) - que, aliás, está novinho.
Não se troca de avião a cada cinco anos, a não ser que se esteja nadando em dinheiro. O Sucatão, apelido do Boeing 707-300C que servia à Presidência, foi fabricado em 1958. Seu uso pelo chefe da nação ocorreu de 1987 ao início de 2005. Eventuais problemas de obsolescência (que não é o caso do Aerolula) nunca afetaram compromissos oficiais que dependiam de viagem. A substituição de aeronaves seria defensável, até necessária, caso o Aerolula colocasse em risco a segurança dos passageiros. Mas essa hipótese não existe, felizmente.
Sem demonstrar preocupação com o valor a ser desembolsado, o presidente Lula defende a aquisição de novo avião. "Não tem por que não comprar. Acho que o Brasil precisa de um avião com mais autonomia para o presidente". Ele considera "humilhação" com as escalas do Aerolula para abastecer. Engano. O governo que ele pilota consolidou imagem positiva do Brasil e nunca faltou autonomia de competência para isso. Ademais, existem situações muito mais humilhantes no país
Editorial de A Gazeta.
Em diversos aspectos, a sociedade tem dúvidas sobre linhas de procedimento da futura gestão Dilma Rousseff. Ainda assim, entre as propostas anunciadas, muitas agradam. É o caso da austeridade nos gastos do setor público. O povo brasileiro não aceita que governos gastem acima do que seja sustentável", disse a presidente no primeiro discurso após eleita.
Nesse caso, como explicar a intenção de comprar o Aerodilma? Parece esbanjamento. Contradiz a promessa de gastos inconvenientes. Mesmo que esse não fosse o discurso da presidente, o quadro de contas do governo impõe à União regime fiscal muito mais rigoroso do que o observado em 2010. Comprar avião novo seria a última coisa a fazer. Significaria voar sobre a realidade financeira, fugindo dela. É preciso pé no chão.
O governo alega que não tem dinheiro nem para bancar o crescimento das despesas com a saúde pública. Falta acrescentar cerca de R$ 50 bilhões por ano ao orçamento do Ministério desse setor, segundo cálculo do próprio Executivo. Além disso, ficam de herança R$ 50 bilhões de restos a pagar deixados pela gestão Lula. Aliás, nem a poupança necessária para cumprir a meta de superávit primário o governo está conseguindo fazer sem drenar dinheiro das estatais. Nessa situação, soa como contrassenso pensar em aumento de despesa para a presidente fazer viagens.
É muito alto o preço do equipamento voador que está cogitado para Dilma Rousseff. A depender do modelo escolhido pode custar até R$ 500 milhões. É dinheiro que daria para construir, por exemplo, um bom aeroporto em Vitória. Esse valor é cinco vezes mais alto do que foi desembolsado em 2005 para comprar o Aerolula (Airbus-319 executivo) - que, aliás, está novinho.
Não se troca de avião a cada cinco anos, a não ser que se esteja nadando em dinheiro. O Sucatão, apelido do Boeing 707-300C que servia à Presidência, foi fabricado em 1958. Seu uso pelo chefe da nação ocorreu de 1987 ao início de 2005. Eventuais problemas de obsolescência (que não é o caso do Aerolula) nunca afetaram compromissos oficiais que dependiam de viagem. A substituição de aeronaves seria defensável, até necessária, caso o Aerolula colocasse em risco a segurança dos passageiros. Mas essa hipótese não existe, felizmente.
Sem demonstrar preocupação com o valor a ser desembolsado, o presidente Lula defende a aquisição de novo avião. "Não tem por que não comprar. Acho que o Brasil precisa de um avião com mais autonomia para o presidente". Ele considera "humilhação" com as escalas do Aerolula para abastecer. Engano. O governo que ele pilota consolidou imagem positiva do Brasil e nunca faltou autonomia de competência para isso. Ademais, existem situações muito mais humilhantes no país
Editorial de A Gazeta.
SUSPEITO DE CHEFIAR MÁFIA DOS COMBUSTIVEIS FOI RECEBIDO POR FILHO DE MINISTRO.
Gravações da Polícia Civil do Rio revelam que o empresário Ricardo Magro, suspeito de chefiar uma quadrilha de sonegadores de tributos na área de combustíveis, foi recebido, no ano passado, pelo então senador Edison Lobão Filho (PMDB-MA), em Brasília. O encontro foi agendado por um assessor da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Depois disso, decisões tomadas por dirigentes da ANP, indicados pelo então ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, pai do senador conhecido como Lobinho, favoreceram as empresas do grupo Magro, todas envolvidas em sonegação.
As gravações foram produzidas pela Operação Alquila, investigação iniciada no ano passado pela Delegacia de Polícia Fazendária do Rio sobre fraudes para burlar o recolhimento do ICMS praticadas por distribuidoras que gravitam em torno da Refinaria de Manguinhos. Fiscais da Secretaria Estadual de Fazenda estimam um prejuízo anual de R$ 162 milhões com as fraudes.
Como a polícia constatou o envolvimento de um "deputado federal ou senador da República", de um "ministro de Estado e de seu filho", além de funcionários da ANP no esquema (os nomes não foram identificados), a juíza Maria Elisa Lubanco, da 20 Vara Criminal, decidiu remeter o inquérito para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Você concorda co indicações políticas para preenchimento de cargos políticos?
Magro, indicam as gravações, esteve com Lobão Filho em torno das 15h do dia 15 de setembro do ano passado. Uma das conversas mostra que a reunião fora agendada por Cesar Ramos Filho, ex-superintendente de Abastecimento e atual assessor da ANP, já investigado pela Polícia Federal por envolvimento com a máfia de sonegadores. Magro e Cesar são amigos íntimos, a ponto de circularem juntos, de barco, por Angra dos Reis.
Sob influência do PMDB, a ANP tomou decisões que beneficiaram o grupo Andrade Magro. Em uma delas, em fevereiro deste ano, Dirceu Amorelli, superintendente de Abastecimento da ANP, aprovou, contrariando normas internas, cota extra de 2,7 mil metros cúbicos de gasolina A, adquirida pela Distribuidora Manguinhos (do mesmo grupo) na Petrobras, "à semelhança das que lhe foram homologadas pela agência em dezembro de 2009". Além de Amorelli, Allan Kardec, diretor da ANP, assina a aprovação
Fonte: http://bit.ly/gk2UXa
As gravações foram produzidas pela Operação Alquila, investigação iniciada no ano passado pela Delegacia de Polícia Fazendária do Rio sobre fraudes para burlar o recolhimento do ICMS praticadas por distribuidoras que gravitam em torno da Refinaria de Manguinhos. Fiscais da Secretaria Estadual de Fazenda estimam um prejuízo anual de R$ 162 milhões com as fraudes.
Como a polícia constatou o envolvimento de um "deputado federal ou senador da República", de um "ministro de Estado e de seu filho", além de funcionários da ANP no esquema (os nomes não foram identificados), a juíza Maria Elisa Lubanco, da 20 Vara Criminal, decidiu remeter o inquérito para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Você concorda co indicações políticas para preenchimento de cargos políticos?
Magro, indicam as gravações, esteve com Lobão Filho em torno das 15h do dia 15 de setembro do ano passado. Uma das conversas mostra que a reunião fora agendada por Cesar Ramos Filho, ex-superintendente de Abastecimento e atual assessor da ANP, já investigado pela Polícia Federal por envolvimento com a máfia de sonegadores. Magro e Cesar são amigos íntimos, a ponto de circularem juntos, de barco, por Angra dos Reis.
Sob influência do PMDB, a ANP tomou decisões que beneficiaram o grupo Andrade Magro. Em uma delas, em fevereiro deste ano, Dirceu Amorelli, superintendente de Abastecimento da ANP, aprovou, contrariando normas internas, cota extra de 2,7 mil metros cúbicos de gasolina A, adquirida pela Distribuidora Manguinhos (do mesmo grupo) na Petrobras, "à semelhança das que lhe foram homologadas pela agência em dezembro de 2009". Além de Amorelli, Allan Kardec, diretor da ANP, assina a aprovação
Fonte: http://bit.ly/gk2UXa
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
ITAMARATY É CONSIDERADO INIMITO DA POLITICA DOS EUA, REVELA O WIKILEAKS.
Mensagens confidenciais reveladas pelo grupo ativista Wikileaks, mostram que o governo norte-americano considera o MRE (Ministério das Relações Exteriores) do Brasil um adversário que adota uma "inclinação antinorte-americana". Os telegramas foram divulgados no Brasil pelo jornal Folha de S.Paulo nesta terça-feira (30/11).
Os telegramas também mostram que, para os EUA, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, é um aliado, em contraposição ao Itamaraty. Jobim, que continuará no cargo durante o governo da presidente eleita, Dilma Rousseff, é elogiado e descrito como "talvez um dos mais confiáveis líderes no Brasil".
Reprodução
Trecho de um dos memorandos elaborados pelo ex-embaixador dos EUA no Brasil, Clifford Sobel
Em documento enviado no dia 25 de janeiro de 2008, o então embaixador norte-americano em Brasília, Clifford Sobel, relata aos seus superiores como havia sido um almoço com Jobim dias antes. No encontro, o ministro brasileiro teria contribuido para reforçar a imagem negativa do MRE frente aos norte-americanos.
Indagado sobre acordos bilaterais entre os dois países, Jobim mencionou o então secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães. Segundo o relato de Sobel, "Jobim disse que Guimarães 'odeia os EUA' e trabalha para criar problemas na relação [entre os dois países]".
Já em memorando datado de 13 de março de 2008, Sobel afirma que o Itamaraty trabalhou ativamente para limitar a agenda de uma viagem de Jobim aos EUA. Ao tratar sobre essa visita, realizada entre 18 e 21 de março de 2008, os EUA afirmaram que "embora existam boas perspectivas para melhorar nossa relação na área de defesa com o Brasil, a obstrução do Itamaraty continuará um problema".
Os telegramas também mostram que, para os EUA, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, é um aliado, em contraposição ao Itamaraty. Jobim, que continuará no cargo durante o governo da presidente eleita, Dilma Rousseff, é elogiado e descrito como "talvez um dos mais confiáveis líderes no Brasil".
Reprodução
Trecho de um dos memorandos elaborados pelo ex-embaixador dos EUA no Brasil, Clifford Sobel
Em documento enviado no dia 25 de janeiro de 2008, o então embaixador norte-americano em Brasília, Clifford Sobel, relata aos seus superiores como havia sido um almoço com Jobim dias antes. No encontro, o ministro brasileiro teria contribuido para reforçar a imagem negativa do MRE frente aos norte-americanos.
Indagado sobre acordos bilaterais entre os dois países, Jobim mencionou o então secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães. Segundo o relato de Sobel, "Jobim disse que Guimarães 'odeia os EUA' e trabalha para criar problemas na relação [entre os dois países]".
Já em memorando datado de 13 de março de 2008, Sobel afirma que o Itamaraty trabalhou ativamente para limitar a agenda de uma viagem de Jobim aos EUA. Ao tratar sobre essa visita, realizada entre 18 e 21 de março de 2008, os EUA afirmaram que "embora existam boas perspectivas para melhorar nossa relação na área de defesa com o Brasil, a obstrução do Itamaraty continuará um problema".
GASTO SUPÉRFLUO.
Gastar R$ 500 milhões para comprar novo avião presidencial é tratar muito mal o dinheiro público, condena Otavio Leite
O deputado Otavio Leite (RJ) criticou nesta sexta-feira (3) a pretensão do Planalto de comprar um novo avião presidencial para substituir o Aerolula, que tem apenas cinco anos de uso. Já apelidada de “Aerodilma”, a aeronave pode custar aos cofres públicos, a depender do modelo escolhido, até R$ 500 milhões. Esse montante é cinco vezes superior ao que foi gasto em 2005.
O parlamentar lembrou também que o próprio presidente Lula afirmou querer comprar um novo modelo simplesmente porque o atual tem autonomia de até 12 horas e em algumas viagens mais longas precisa fazer paradas de abastecimento. “Estamos falando de um gasto supérfluo, pois a Presidência da República já tem uma aeronave com pouco tempo de uso. Gastar para essa finalidade, por uma mera questão de comodidade, é tratar muito mal o dinheiro público”, condenou.
Otavio Leite criticou ainda a postura de Lula ao afirmar que as escalas deixam o país em posição humilhante. “Nunca soube em toda minha vida pública que existissem comparações entre aeronaves presidenciais e que isso fosse critério para o status de um presidente. A respeitabilidade não está numa aeronave, mas sim na postura política”, avaliou.
A presidente eleita, Dilma Rousseff, ainda não se manifestou sobre a compra, apesar de sua equipe econômica ter adotado um discurso de corte nos gastos da União. Não há verba orçamentária para a aquisição do novo avião, mas o financiamento é de longo prazo e dependerá ainda da aprovação de um projeto no Congresso.
6.250 casas populares poderiam ser construídas com os R$ 500 milhões que a gestão petista pretende usar para comprar um novo avião presidencial, usando-se como referência o valor máximo do imóvel do programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida” para uma família que ganha entre três e seis salários mínimos e mora longe dos grandes centros urbanos (R$ 80 mil).
Atestado de incompetência
→ O jornalista Paulo Moreira Leite, da revista “Época”, avalia que mesmo quem concorda que a Presidência precisa de um avião de meio bilhão há de concordar que é preciso saber por que e como se fez uma compra errada há apenas cinco anos. “O problema é que não dá para passar uma borracha num gasto de cem milhões de dólares realizado em 2005 com a compra do Aerolula. Não é uma questão econômica, mas de gestão e de cuidado com gastos públicos, até porque mesmo um teco-teco de fazendeiro costuma ser adquirido para longos períodos de uso”, apontou Moreira Leite.
→ Em editorial, o jornal “Folha de S.Paulo” também critica a ideia. ”Trocá-lo por outro avião depois de período tão curto seria não apenas um atestado de incompetência do Executivo, mas uma sinalização equivocada de desperdício de recursos num momento em que as finanças públicas exigem forte ajuste”, afirma o diário paulista.
Fonte: http://bit.ly/hQioQK
O deputado Otavio Leite (RJ) criticou nesta sexta-feira (3) a pretensão do Planalto de comprar um novo avião presidencial para substituir o Aerolula, que tem apenas cinco anos de uso. Já apelidada de “Aerodilma”, a aeronave pode custar aos cofres públicos, a depender do modelo escolhido, até R$ 500 milhões. Esse montante é cinco vezes superior ao que foi gasto em 2005.
O parlamentar lembrou também que o próprio presidente Lula afirmou querer comprar um novo modelo simplesmente porque o atual tem autonomia de até 12 horas e em algumas viagens mais longas precisa fazer paradas de abastecimento. “Estamos falando de um gasto supérfluo, pois a Presidência da República já tem uma aeronave com pouco tempo de uso. Gastar para essa finalidade, por uma mera questão de comodidade, é tratar muito mal o dinheiro público”, condenou.
Otavio Leite criticou ainda a postura de Lula ao afirmar que as escalas deixam o país em posição humilhante. “Nunca soube em toda minha vida pública que existissem comparações entre aeronaves presidenciais e que isso fosse critério para o status de um presidente. A respeitabilidade não está numa aeronave, mas sim na postura política”, avaliou.
A presidente eleita, Dilma Rousseff, ainda não se manifestou sobre a compra, apesar de sua equipe econômica ter adotado um discurso de corte nos gastos da União. Não há verba orçamentária para a aquisição do novo avião, mas o financiamento é de longo prazo e dependerá ainda da aprovação de um projeto no Congresso.
6.250 casas populares poderiam ser construídas com os R$ 500 milhões que a gestão petista pretende usar para comprar um novo avião presidencial, usando-se como referência o valor máximo do imóvel do programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida” para uma família que ganha entre três e seis salários mínimos e mora longe dos grandes centros urbanos (R$ 80 mil).
Atestado de incompetência
→ O jornalista Paulo Moreira Leite, da revista “Época”, avalia que mesmo quem concorda que a Presidência precisa de um avião de meio bilhão há de concordar que é preciso saber por que e como se fez uma compra errada há apenas cinco anos. “O problema é que não dá para passar uma borracha num gasto de cem milhões de dólares realizado em 2005 com a compra do Aerolula. Não é uma questão econômica, mas de gestão e de cuidado com gastos públicos, até porque mesmo um teco-teco de fazendeiro costuma ser adquirido para longos períodos de uso”, apontou Moreira Leite.
→ Em editorial, o jornal “Folha de S.Paulo” também critica a ideia. ”Trocá-lo por outro avião depois de período tão curto seria não apenas um atestado de incompetência do Executivo, mas uma sinalização equivocada de desperdício de recursos num momento em que as finanças públicas exigem forte ajuste”, afirma o diário paulista.
Fonte: http://bit.ly/hQioQK
O PSICOPATA POLITICO.
Tenho um amigo psicanalista que, a exemplo de todos os psicanalistas (que eu saiba ao menos), se nega a tratar de psicopatas. Não seria fascinante? “Fascinante talvez, certamente perigoso e, acima de tudo, inútil”. Por mais estropiada que seja a cabeça de um sujeito, ele tem certo senso de moralidade, que lhe impõe limites: “Isso, eu não faço”. O psicopata não! É certo o que lhe convém.
Lula não deve ser um psicopata clínico. Acho que não. Mas é beneficiário da psicopatia política. E, por isso mesmo, precisa ser visto com olhos menos convencionais. Quando inventou a fantasia da “herança maldita”, estava assinando um seguro: “Se der tudo errado, culpo FHC; se der tudo certo, dirão que sou Pelé, Picasso, Mozart — eu mesmo direi que sou Jesus Cristo, mas não o que vai pra cruz, e sim o que vai pra farra”.
Hoje, ele voltou a afirmar que, à diferença dele, Dilma está recebendo uma herança bendita — ela própria, neófita, já se saiu com essa. Pensemos: se der tudo certo, o responsável será Lula; se der tudo errado, a culpada será Dilma, e Dom Sebastião pode se oferecer em 2014 para arrumar as coisas.
No fim das contas, nas formulações de Lula, nem FHC nem Dilma existem. O psicopata político engole as biografias alheias em benefício de sua lenda pessoal.
Não tem tratamento nem cura, me diz aquele amigo.
Por Reinaldo Azevedo
Lula não deve ser um psicopata clínico. Acho que não. Mas é beneficiário da psicopatia política. E, por isso mesmo, precisa ser visto com olhos menos convencionais. Quando inventou a fantasia da “herança maldita”, estava assinando um seguro: “Se der tudo errado, culpo FHC; se der tudo certo, dirão que sou Pelé, Picasso, Mozart — eu mesmo direi que sou Jesus Cristo, mas não o que vai pra cruz, e sim o que vai pra farra”.
Hoje, ele voltou a afirmar que, à diferença dele, Dilma está recebendo uma herança bendita — ela própria, neófita, já se saiu com essa. Pensemos: se der tudo certo, o responsável será Lula; se der tudo errado, a culpada será Dilma, e Dom Sebastião pode se oferecer em 2014 para arrumar as coisas.
No fim das contas, nas formulações de Lula, nem FHC nem Dilma existem. O psicopata político engole as biografias alheias em benefício de sua lenda pessoal.
Não tem tratamento nem cura, me diz aquele amigo.
Por Reinaldo Azevedo
ACORDO COM LULA NÃO VALE.
O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse ontem que não está mais valendo o acordo fechado, em novembro do ano passado, entre os governadores do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre distribuição dos royalties. Segundo ele, o acordo foi derrotado politicamente e deve ser reconstruído no próximo ano. O acordo previa uma nova distribuição dos royalties apenas para as áreas do pré-sal a serem licitadas e não alterava as áreas em produção. "Aquele acordo foi derrotado", disse Padilha.
INCERTEZA SOBRE A RECEITA DO PETRÓLEO.
A Gazeta - Editorial
Lula já teria decidido nos bastidores vetar. É o que vazou ontem em sites conceituados. Representa a esperança dos dois Estados que mais produzem petróleo no Brasil - Rio de Janeiro e Espírito Santo, de não perderem recursos de royalties.
As declarações feitas ontem pelo ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e pelo deputado Cândido Vaccarezza estariam preparando terreno para o anúncio da decisão presidencial - que certamente provocará reações políticas. Padilha tornou clara sua posição em favor do veto, enquanto o líder do governo na Câmara diz ser "natural" a decisão de vetar.
O argumento de Vaccarezza é didático e incisivo. "Você não vai ter navio trafegando em Belo Horizonte, então não é justo que Belo Horizonte receba o mesmo que o Rio de Janeiro", afirma o líder do governo. Para ele, a emenda aprovada é "ilegal, inconstitucional e incorreta com a Federação". Parece pouco provável que ele esteja dizendo isso sem consultar o Palácio do Planalto.
Em reportagem publicada em A GAZETA em 26 de junho último, período pré-eleitoral, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, fazia uma revelação: o presidente da República lhe prometera que as emendas Ibsen Pinheiro e Pedro Simon (aprovadas naquele mês no Senado) não iriam virar lei. É mais um reforço à expectativa dos Estados petrolíferos. Ontem, em declaração à televisão, Cabral disse confiar na promessa de Lula.
A sequência de fatos referentes à batalha dos Estados petrolíferos para não perder receitas de royalties também registra, em junho último, a criação no Espírito Santo do Comitê Pró-Veto. É composto por representantes de centrais sindicais, movimentos populares, lideranças religiosas e Ordem dos Advogados do Brasil. Está na hora desse colegiado voltar a se articular. O seu surgimento não foi premonição do que aconteceria no dia 1º de dezembro. Sabia-se que era grande a probabilidade de a Câmara modificar a distribuição da renda obtida com a exploração de petróleo, inclusive nas áreas já licitadas. Isso configura quebra de contrato, mas interessa a 25 Estados.
A emenda que recebeu sinal verde dos deputados prevê que os royalties petrolíferos sejam divididos com todos os Estados e municípios pelos critérios dos fundos de participação, que privilegia regiões mais pobres. O texto prevê ainda que as vultosas perdas de recursos dos Estados e municípios produtores de petróleo e gás sejam compensadas pela União. É uma armadilha. O histórico de repasses do governo federal é problemático. Está sujeito a eternos contingenciamentos. A Lei Kandir demonstra tal realidade.
O cenário é de incertezas. A Câmara poderá derrubar o veto do presidente da República - se é que vai acontecer. Isso provavelmente transferiria para o terreno judicial a contenda entre Estados pelo dinheiro da extração do petróleo.
O veto de Lula à proposta aprovada na Câmara adiaria a discussão da divisão dos recursos do petróleo para 2011. Participariam Dilma e os novos governadores
Não empolga a proposta de compensação financeira da União às perdas dos Estados petrolíferos. A Lei Kandir mostra que os repasses do governo são problemáticos
Lula já teria decidido nos bastidores vetar. É o que vazou ontem em sites conceituados. Representa a esperança dos dois Estados que mais produzem petróleo no Brasil - Rio de Janeiro e Espírito Santo, de não perderem recursos de royalties.
As declarações feitas ontem pelo ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e pelo deputado Cândido Vaccarezza estariam preparando terreno para o anúncio da decisão presidencial - que certamente provocará reações políticas. Padilha tornou clara sua posição em favor do veto, enquanto o líder do governo na Câmara diz ser "natural" a decisão de vetar.
O argumento de Vaccarezza é didático e incisivo. "Você não vai ter navio trafegando em Belo Horizonte, então não é justo que Belo Horizonte receba o mesmo que o Rio de Janeiro", afirma o líder do governo. Para ele, a emenda aprovada é "ilegal, inconstitucional e incorreta com a Federação". Parece pouco provável que ele esteja dizendo isso sem consultar o Palácio do Planalto.
Em reportagem publicada em A GAZETA em 26 de junho último, período pré-eleitoral, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, fazia uma revelação: o presidente da República lhe prometera que as emendas Ibsen Pinheiro e Pedro Simon (aprovadas naquele mês no Senado) não iriam virar lei. É mais um reforço à expectativa dos Estados petrolíferos. Ontem, em declaração à televisão, Cabral disse confiar na promessa de Lula.
A sequência de fatos referentes à batalha dos Estados petrolíferos para não perder receitas de royalties também registra, em junho último, a criação no Espírito Santo do Comitê Pró-Veto. É composto por representantes de centrais sindicais, movimentos populares, lideranças religiosas e Ordem dos Advogados do Brasil. Está na hora desse colegiado voltar a se articular. O seu surgimento não foi premonição do que aconteceria no dia 1º de dezembro. Sabia-se que era grande a probabilidade de a Câmara modificar a distribuição da renda obtida com a exploração de petróleo, inclusive nas áreas já licitadas. Isso configura quebra de contrato, mas interessa a 25 Estados.
A emenda que recebeu sinal verde dos deputados prevê que os royalties petrolíferos sejam divididos com todos os Estados e municípios pelos critérios dos fundos de participação, que privilegia regiões mais pobres. O texto prevê ainda que as vultosas perdas de recursos dos Estados e municípios produtores de petróleo e gás sejam compensadas pela União. É uma armadilha. O histórico de repasses do governo federal é problemático. Está sujeito a eternos contingenciamentos. A Lei Kandir demonstra tal realidade.
O cenário é de incertezas. A Câmara poderá derrubar o veto do presidente da República - se é que vai acontecer. Isso provavelmente transferiria para o terreno judicial a contenda entre Estados pelo dinheiro da extração do petróleo.
O veto de Lula à proposta aprovada na Câmara adiaria a discussão da divisão dos recursos do petróleo para 2011. Participariam Dilma e os novos governadores
Não empolga a proposta de compensação financeira da União às perdas dos Estados petrolíferos. A Lei Kandir mostra que os repasses do governo são problemáticos
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
PARTIDA E CHEGADA, COMENTÁRIO DE SANDRA NO BLOG.
Partida e Chegada
Richard Simonetti
Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de beleza rara.
O barco, impulsionado pela força dos ventos,
vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor.
Não demora muito e só podemos contemplar
um pequeno ponto branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o céu se encontram.
Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclamará:
“Já se foi!”
Terá sumido? Evaporado?
Não, certamente. Apenas o perdemos de vista.
O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha
quando estava próximo de nós.
Continua tão capaz quanto antes de levar ao porto de destino as cargas recebidas.
O veleiro não evaporou, apenas não o podemos mais ver.
Mas ele continua o mesmo.
E talvez, no exato instante em que alguém diz: “Já se foi!”
haverá outras vozes, mais além, a afirmar: “Lá vem o veleiro”.
Assim é a passagem desta vida.
Quando o veleiro parte, levando a preciosa carga de um amor que nos foi caro,
e o vemos sumir na linha que separa o visível do invisível dizemos:
“Já se foi!”
Terá sumido? Evaporado?
Não, certamente. Apenas o perdemos de vista.
O ser que amamos continua o mesmo. Sua capacidade mental não se perdeu.
Suas conquistas seguem intactas, da mesma forma que quando estava ao nosso lado.
Conserva o mesmo afeto que nutria por nós.
Nada se perde, a não ser o corpo físico de que não mais necessita no outro lado.
E é assim que, no mesmo instante em que dizemos: “Já se foi!”,
no mais além, outro alguém dirá feliz: “Já está chegando!”
Chegou ao destino levando consigo as aquisições feitas durante a viagem terrena.
A vida jamais se interrompe nem oferece mudanças espetaculares, pois a natureza não dá saltos.
Cada um leva sua carga de vícios e virtudes, de afetos e desafetos,
até que se resolva por desfazer-se do que julgar desnecessário.
A vida é feita de partidas e chegadas. De idas e vindas.
Assim, o que para uns parece ser a partida, para outros é a chegada.
Um dia partimos do mundo espiritual na direção do mundo físico;
noutro partimos daqui para o espiritual!
Num constante ir e vir, como viajantes da imortalidade que somos todos nós.
2 de dezembro de 2010 12:27
Richard Simonetti
Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de beleza rara.
O barco, impulsionado pela força dos ventos,
vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor.
Não demora muito e só podemos contemplar
um pequeno ponto branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o céu se encontram.
Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclamará:
“Já se foi!”
Terá sumido? Evaporado?
Não, certamente. Apenas o perdemos de vista.
O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha
quando estava próximo de nós.
Continua tão capaz quanto antes de levar ao porto de destino as cargas recebidas.
O veleiro não evaporou, apenas não o podemos mais ver.
Mas ele continua o mesmo.
E talvez, no exato instante em que alguém diz: “Já se foi!”
haverá outras vozes, mais além, a afirmar: “Lá vem o veleiro”.
Assim é a passagem desta vida.
Quando o veleiro parte, levando a preciosa carga de um amor que nos foi caro,
e o vemos sumir na linha que separa o visível do invisível dizemos:
“Já se foi!”
Terá sumido? Evaporado?
Não, certamente. Apenas o perdemos de vista.
O ser que amamos continua o mesmo. Sua capacidade mental não se perdeu.
Suas conquistas seguem intactas, da mesma forma que quando estava ao nosso lado.
Conserva o mesmo afeto que nutria por nós.
Nada se perde, a não ser o corpo físico de que não mais necessita no outro lado.
E é assim que, no mesmo instante em que dizemos: “Já se foi!”,
no mais além, outro alguém dirá feliz: “Já está chegando!”
Chegou ao destino levando consigo as aquisições feitas durante a viagem terrena.
A vida jamais se interrompe nem oferece mudanças espetaculares, pois a natureza não dá saltos.
Cada um leva sua carga de vícios e virtudes, de afetos e desafetos,
até que se resolva por desfazer-se do que julgar desnecessário.
A vida é feita de partidas e chegadas. De idas e vindas.
Assim, o que para uns parece ser a partida, para outros é a chegada.
Um dia partimos do mundo espiritual na direção do mundo físico;
noutro partimos daqui para o espiritual!
Num constante ir e vir, como viajantes da imortalidade que somos todos nós.
2 de dezembro de 2010 12:27
DIA 1º DE DEZEMBRO DE 2010, O DIA QUE MORRI UM POUCO...
Como os amigos e seguidores que acompanham esse blog sabem, sou médico, trabalho exclusivamente em serviço público, sou Diretor Geral do PAM de Presidente Kennedy e Diretor Clinico do Hospital Municipal de Atílio Vivácqua, faço ambulatório de Clinica Médica de 2ª a 5ª no PAM e sou responsável pelos pacientes internados ou em observação. No hospital, dou plantão 2ª e 3ª feiras no período de 19 às 07 h, além de ambulatório de clinica médica, tuberculose e hanseníase nas 6ª feira e faço acompanhamento dos pacientes internados na 5ª e 6ª feira. Como podem ver, vivo na estrada entre esses dois municípios. Como Diretor, sou responsável pelos plantonistas e cobrir suas eventuais faltas.
O que vou relatar aqui, faz parte da minha rotina, mas quero compartilhar, até para desabafar, com os amigos, as 24 horas em que morreu um pedaço de mim.
Para que possam entender melhor, Rodrigo é o meu quarto filho, perdeu o João Lucas
http://bit.ly/hCZx9L e http://bit.ly/aDfRTG , após um ano e meio sua esposa Fernanda engravidou novamente e nasceu Felipe em 26/11/10, forte e lindo, para alegria de todos nós. Em 27/11 foi constatado que o mesmo nascera com eritroblastose fetal apesar de todos os procedimentos de imunização da mãe que é RH negativo, após o parto de João Lucas e todos os procedimentos de rotina no Pré-natal de Felipe. Todos os médicos envolvidos ( obstetra, radiologista ( usg semanais), pediatras e intensivistas ainda não têm explicação, do porque não houve a imunização esperada.
Dia 29/11 , 2ª feira ,16h
-A recepcionista do PAM me interfona para dizer que o Dr. Antonio, plantonista da quarta-feira mandou atestado médico de 3 dias ( por fax ) com data de 29/11.
Liguei para uma colega e consegui que ela viesse cobrir o plantão no período da noite, já que durante o dia, trabalhava no PSF e em último caso eu seguraria o plantão durante o dia, como faço eventualmente.
Dia 30/11, 3ª feira, 09,30 h a Diretora Administrativa do Hospital me liga e informa que a Dra. Ângela, plantonista de quarta-feira dia, estava internada e não poderia trabalhar.
Como não posso estar em dois lugares ao mesmo tempo, tinha que conseguir um plantonista. Orientei a Diretora Administrativa que ligasse para todos os nosso médicos do corpo clinico e outros de contatos e tentasse conseguir um plantonista, se não conseguisse, ligasse para a Secretária de Saúde pra ver se poderia liberar alguém do PSF para dar cobertura no Hospital.
Dia 30/11, 3ª feira, 12 h
Recebo telefonema da Diretora do Hospital :
- Dr Marco
- Fala Elza
- Liguei pra todo mundo, infelizmente não consegui ninguém...
- E o colega do PSF?
- É melhor o Sr ligar para a Secretária.
- Ok, tchau
Ligo para a Secretária:
- Oi Adriana, como vai?
- Tudo bem, olhe o Dr. Valter alega que está com a agenda cheia no PSF e não pode ir cobrir o hospital. A decisão é dele, não posso obrigar.
- Entendo, não sei o que fazer, não posso estar em dois lugares ao mesmo tempo, já te falei que precisamos arranjar um plantonista definitivo para as 4ª feiras, já que a Dra Ângela não está bem de saúde , só que com o salário no nível que está não consigo quem queira, já te falei que se não melhorar o salário vai ficar cada vez mais difícil, até porque estamos muito abaixo do que paga hoje o mercado.
- Eu sei, mas o Sr também sabe que isso não depende só de mim, precisamos nos reunir com o Prefeito, mas te adianto que não é fácil no momento conseguir um reajuste.
- Ok, secretária, vou continuar tentando, mas está difícil, tchau, abraços.
- Tchau.
Neste meio tempo, descubro que o colega que mandou o atestado médico estava de plantão no PAM Paulo Pereira em Cachoeiro, ligo pra ele mas o telefone está desligado.
Entro em contato com a enfermeira e peço que lhe dê um recado nos seguintes termos:
Peça ao Dr. Antonio que me ligue, pois tenho um assunto urgente e de interesse dele.
Nesse meio tempo continuo atendendo os meus pacientes agendados no ambulatório de clinica médica.
Dia 30/11 , 14,30 h
Toca o celular e vejo que é o Dr. Antonio,
-Oi Marco, quer falar comigo?
-Sim, estou muito preocupado, você mandou um atestado de três dias, ontem, hoje e amanhã, e todo mundo já sabe que está de plantão aí em Cachoeiro, isso vai trazer problemas pra vc, amigo.
-Você sabe que estou com problemas, mas me ligaram dizendo que não tinha ninguém aqui no Paulo Pereira e me imploraram pra que eu viesse, mas não estou bem...
- Olhe amigo, entendo, mas preciso que você venha trabalhar, te ajudo no que puder aqui, vou retirar o seu atestado pra não te dar problemas e à tarde já consegui uma colega pra cobrir o plantão da noite e te libero, ok?
- Ta bom, vou sim e a gente conversa aí...
- Certo, vou retirar seu atestado e a gente conversa, abraços.
Parte do problema resolvido, faltava o plantonista do hospital, termino meu ambulatório, dou uma olhada nos pacientes internados, peço alguns exames e me preparo para ir para Atílio Vivácqua pois pegaria no plantão às 19 hs, não sem antes ligar para o recursos humanos e cancelar o atestado médico do Dr. Antonio.
Na estrada, pensando no problema, lembrei que a Dra Nina faria ambulatório de Ginecologia em Presidente Kennedy na quarta-feira e como também trabalha comigo no Hospital de Atílio Vivácqua tive uma idéia, assim que chegar vou ligar pra ela. Meus pensamentos voam até Vitória onde meu netinho continuava internado na UTIN me causando profundas preocupações e decidi que ligaria pro meu filho assim que chegasse.
Dia 30/11, 17,30h
Ligo para o meu filho, não consigo falar e ligo então para a Dra Nina.
-Oi Nina boa tarde, tudo bem?
-Tudo bem, como vai seu netinho?
-Não tive noticias hoje, vou tentar falar com meu filho mais tarde. Olhe amiga, tive um dia difícil e preciso de um favor seu...
-Hum, quando você me liga já sei que é só problema...
-Pode atrasar um pouco seu ambulatório em P. Kennedy e segurar o plantão em Atílio pra mim até as 9,30? Tenho que ir a Kennedy resolver uns problemas no PAM, conversar com o Antonio, aviso que vc vai atrasar um pouco, retorno e assumo o plantão...
-Tudo bem, avise lá...
-Obrigado Nina, olhe o Antonio não está bem, se precisar dê uma mãozinha a ele lá no plantão, beijos.
Dia 30/11, 19 h
Inicio o plantão, o hospital está lotado e o primeiro caso é de um rapaz com um profundo corte na testa, causado pela parte de trás de um machado que bateu num arame atingindo o moço, apesar do susto e de estar sangrando muito, gastei uns 30 minutos pra suturar e verificar que não tinha maiores danos, mantive-o em observação e me preparei para continuar atendendo, mas antes liguei pro meu filho.
-Rodrigo
-Oi pai, tudo bem?
-Comigo sim, como está o Felipe?
-Acabei de sair no hospital, amanhã deve sair da luz (fototerapia), a icterícia diminuiu, a urina está mais clara, mas teve um exame do fígado ( não soube me explicar qual) que deu um pouco alterado, ele tomou um plasma, mas segundo a médica de plantão está evoluindo bem...
-Será que ele vai precisar de mais sangue?
-Pai, segundo a pediatra não será mais preciso...
-Ok filho, estou de plantão, por favor, dê noticias pois estou preocupado, e você como está?
-Estou bem, acho que tudo vai dar certo...
-Ta bom filho, Deus te Abençoe, dê um beijo na Fernanda.
Continuei atendendo no plantão, parei para jantar às 23,30h aproveitei para ir um pouco ao twitter e postar alguma coisa no blog. A partir daí o plantão foi daqueles que ninguém gosta, pacientes chegando no espaço mais ou menos de uma hora entre um e outro, o que significa que o máximo que consegui foi uns cochilos entre um e outro atendimento, quando foi 5,30 atendi mais um paciente , desisti de tentar dormir e me levantei, aproveitei para dar uma olhada nos pacientes internados.
Dia 01/12, 7,00hs
Dra Nina chegou, agradeci me despedi prometendo retornar às 9,30hs como combinamos, encarei a estrada sem imaginar que seria um dos piores dias da minha vida.
Cheguei no PAM em Presidente Kennedy às 07,40h e após um rápido café fui examinar os pacientes internados, avisei que a Dra Nina chegaria por volta das 10h, fui à sala da direção para tomar conhecimento dos acontecimentos da noite e me preparei para conversar com o Dr Antonio.
Esperei acabar de atender uma urgência e me reuni com ele, esclarecemos os fatos e lhe disse que teria que ir para Atílio, pois estava sem plantonista, mas que às 18h uma colega viria substituí-lo. Avisei a minha atendente que se conseguisse alguém para segurar o plantão no hospital voltaria para fazer o ambulatório às 13h, se não, que ela remarcasse as consultas para o dia seguinte pela manhã. Peguei a estrada para percorrer os 40km e retornar ao hospital, assumir o plantão e liberar a Dra Nina.
Dia 01/12 , 09,22h
Ao entrar no hospital o celular tocou, quando vi o nome do meu filho, o coração disparou e fui tomado de terrível pressentimento...
-Rodrigo?
-Pai, o hospital acabou de me ligar, o Felipe teve uma parada cardíaca e não resistiu, ele morreu...
-Pelo amor de Deus meu filho, não me diga isso, meu Deus...
-Pai, o que vou fazer, como dizer isso à Fernanda...
-Calma meu filho, procure se acalmar, já estou indo pra aí, não sei o que dizer meu filho, só procure se acalmar por favor...
-Pai, o que vou fazer? De novo, perdi meu filho, de novo...
-Por favor meu filho, tenha força, papai está indo...
-Ta bem pai, venha....
Minhas lágrimas escorriam rosto abaixo, o pessoal do hospital espantados, não sabia o que fazer ou dizer, em prantos liguei para meus filhos e minha esposa, todos ficaram inconsoláveis e preocupados comigo. Meu primeiro impulso foi pegar a estrada, mas me convenceram a esperar meu filho caçula que iria dirigir pra mim, já que não tinha dormido à noite. Avisei a Dra Nina, pedi que ela ficasse no plantão e fui pra casa. Pedi para não avisar a minha filha mais nova ( Nathália) que estava no colégio fazendo provas, pedi a mãe que mandasse buscá-la e só então desse a notícia. Aguardei meu filho chegar e fomos para Vitória , foram os 160 km mais longos da minha vida, estava doido pra chegar, abraçar, beijar meu filho, tentar de alguma maneira aliviar ou pelo menos dividir sua dor.
Como consolar, o que dizer ao filho que perdeu seu segundo filho? O que fiz foi abraçar, beijar e chorar. Dia 1º de dezembro de 2010, o dia que junto com Felipe, eu e toda minha família morremos um pouco.
O que vou relatar aqui, faz parte da minha rotina, mas quero compartilhar, até para desabafar, com os amigos, as 24 horas em que morreu um pedaço de mim.
Para que possam entender melhor, Rodrigo é o meu quarto filho, perdeu o João Lucas
http://bit.ly/hCZx9L e http://bit.ly/aDfRTG , após um ano e meio sua esposa Fernanda engravidou novamente e nasceu Felipe em 26/11/10, forte e lindo, para alegria de todos nós. Em 27/11 foi constatado que o mesmo nascera com eritroblastose fetal apesar de todos os procedimentos de imunização da mãe que é RH negativo, após o parto de João Lucas e todos os procedimentos de rotina no Pré-natal de Felipe. Todos os médicos envolvidos ( obstetra, radiologista ( usg semanais), pediatras e intensivistas ainda não têm explicação, do porque não houve a imunização esperada.
Dia 29/11 , 2ª feira ,16h
-A recepcionista do PAM me interfona para dizer que o Dr. Antonio, plantonista da quarta-feira mandou atestado médico de 3 dias ( por fax ) com data de 29/11.
Liguei para uma colega e consegui que ela viesse cobrir o plantão no período da noite, já que durante o dia, trabalhava no PSF e em último caso eu seguraria o plantão durante o dia, como faço eventualmente.
Dia 30/11, 3ª feira, 09,30 h a Diretora Administrativa do Hospital me liga e informa que a Dra. Ângela, plantonista de quarta-feira dia, estava internada e não poderia trabalhar.
Como não posso estar em dois lugares ao mesmo tempo, tinha que conseguir um plantonista. Orientei a Diretora Administrativa que ligasse para todos os nosso médicos do corpo clinico e outros de contatos e tentasse conseguir um plantonista, se não conseguisse, ligasse para a Secretária de Saúde pra ver se poderia liberar alguém do PSF para dar cobertura no Hospital.
Dia 30/11, 3ª feira, 12 h
Recebo telefonema da Diretora do Hospital :
- Dr Marco
- Fala Elza
- Liguei pra todo mundo, infelizmente não consegui ninguém...
- E o colega do PSF?
- É melhor o Sr ligar para a Secretária.
- Ok, tchau
Ligo para a Secretária:
- Oi Adriana, como vai?
- Tudo bem, olhe o Dr. Valter alega que está com a agenda cheia no PSF e não pode ir cobrir o hospital. A decisão é dele, não posso obrigar.
- Entendo, não sei o que fazer, não posso estar em dois lugares ao mesmo tempo, já te falei que precisamos arranjar um plantonista definitivo para as 4ª feiras, já que a Dra Ângela não está bem de saúde , só que com o salário no nível que está não consigo quem queira, já te falei que se não melhorar o salário vai ficar cada vez mais difícil, até porque estamos muito abaixo do que paga hoje o mercado.
- Eu sei, mas o Sr também sabe que isso não depende só de mim, precisamos nos reunir com o Prefeito, mas te adianto que não é fácil no momento conseguir um reajuste.
- Ok, secretária, vou continuar tentando, mas está difícil, tchau, abraços.
- Tchau.
Neste meio tempo, descubro que o colega que mandou o atestado médico estava de plantão no PAM Paulo Pereira em Cachoeiro, ligo pra ele mas o telefone está desligado.
Entro em contato com a enfermeira e peço que lhe dê um recado nos seguintes termos:
Peça ao Dr. Antonio que me ligue, pois tenho um assunto urgente e de interesse dele.
Nesse meio tempo continuo atendendo os meus pacientes agendados no ambulatório de clinica médica.
Dia 30/11 , 14,30 h
Toca o celular e vejo que é o Dr. Antonio,
-Oi Marco, quer falar comigo?
-Sim, estou muito preocupado, você mandou um atestado de três dias, ontem, hoje e amanhã, e todo mundo já sabe que está de plantão aí em Cachoeiro, isso vai trazer problemas pra vc, amigo.
-Você sabe que estou com problemas, mas me ligaram dizendo que não tinha ninguém aqui no Paulo Pereira e me imploraram pra que eu viesse, mas não estou bem...
- Olhe amigo, entendo, mas preciso que você venha trabalhar, te ajudo no que puder aqui, vou retirar o seu atestado pra não te dar problemas e à tarde já consegui uma colega pra cobrir o plantão da noite e te libero, ok?
- Ta bom, vou sim e a gente conversa aí...
- Certo, vou retirar seu atestado e a gente conversa, abraços.
Parte do problema resolvido, faltava o plantonista do hospital, termino meu ambulatório, dou uma olhada nos pacientes internados, peço alguns exames e me preparo para ir para Atílio Vivácqua pois pegaria no plantão às 19 hs, não sem antes ligar para o recursos humanos e cancelar o atestado médico do Dr. Antonio.
Na estrada, pensando no problema, lembrei que a Dra Nina faria ambulatório de Ginecologia em Presidente Kennedy na quarta-feira e como também trabalha comigo no Hospital de Atílio Vivácqua tive uma idéia, assim que chegar vou ligar pra ela. Meus pensamentos voam até Vitória onde meu netinho continuava internado na UTIN me causando profundas preocupações e decidi que ligaria pro meu filho assim que chegasse.
Dia 30/11, 17,30h
Ligo para o meu filho, não consigo falar e ligo então para a Dra Nina.
-Oi Nina boa tarde, tudo bem?
-Tudo bem, como vai seu netinho?
-Não tive noticias hoje, vou tentar falar com meu filho mais tarde. Olhe amiga, tive um dia difícil e preciso de um favor seu...
-Hum, quando você me liga já sei que é só problema...
-Pode atrasar um pouco seu ambulatório em P. Kennedy e segurar o plantão em Atílio pra mim até as 9,30? Tenho que ir a Kennedy resolver uns problemas no PAM, conversar com o Antonio, aviso que vc vai atrasar um pouco, retorno e assumo o plantão...
-Tudo bem, avise lá...
-Obrigado Nina, olhe o Antonio não está bem, se precisar dê uma mãozinha a ele lá no plantão, beijos.
Dia 30/11, 19 h
Inicio o plantão, o hospital está lotado e o primeiro caso é de um rapaz com um profundo corte na testa, causado pela parte de trás de um machado que bateu num arame atingindo o moço, apesar do susto e de estar sangrando muito, gastei uns 30 minutos pra suturar e verificar que não tinha maiores danos, mantive-o em observação e me preparei para continuar atendendo, mas antes liguei pro meu filho.
-Rodrigo
-Oi pai, tudo bem?
-Comigo sim, como está o Felipe?
-Acabei de sair no hospital, amanhã deve sair da luz (fototerapia), a icterícia diminuiu, a urina está mais clara, mas teve um exame do fígado ( não soube me explicar qual) que deu um pouco alterado, ele tomou um plasma, mas segundo a médica de plantão está evoluindo bem...
-Será que ele vai precisar de mais sangue?
-Pai, segundo a pediatra não será mais preciso...
-Ok filho, estou de plantão, por favor, dê noticias pois estou preocupado, e você como está?
-Estou bem, acho que tudo vai dar certo...
-Ta bom filho, Deus te Abençoe, dê um beijo na Fernanda.
Continuei atendendo no plantão, parei para jantar às 23,30h aproveitei para ir um pouco ao twitter e postar alguma coisa no blog. A partir daí o plantão foi daqueles que ninguém gosta, pacientes chegando no espaço mais ou menos de uma hora entre um e outro, o que significa que o máximo que consegui foi uns cochilos entre um e outro atendimento, quando foi 5,30 atendi mais um paciente , desisti de tentar dormir e me levantei, aproveitei para dar uma olhada nos pacientes internados.
Dia 01/12, 7,00hs
Dra Nina chegou, agradeci me despedi prometendo retornar às 9,30hs como combinamos, encarei a estrada sem imaginar que seria um dos piores dias da minha vida.
Cheguei no PAM em Presidente Kennedy às 07,40h e após um rápido café fui examinar os pacientes internados, avisei que a Dra Nina chegaria por volta das 10h, fui à sala da direção para tomar conhecimento dos acontecimentos da noite e me preparei para conversar com o Dr Antonio.
Esperei acabar de atender uma urgência e me reuni com ele, esclarecemos os fatos e lhe disse que teria que ir para Atílio, pois estava sem plantonista, mas que às 18h uma colega viria substituí-lo. Avisei a minha atendente que se conseguisse alguém para segurar o plantão no hospital voltaria para fazer o ambulatório às 13h, se não, que ela remarcasse as consultas para o dia seguinte pela manhã. Peguei a estrada para percorrer os 40km e retornar ao hospital, assumir o plantão e liberar a Dra Nina.
Dia 01/12 , 09,22h
Ao entrar no hospital o celular tocou, quando vi o nome do meu filho, o coração disparou e fui tomado de terrível pressentimento...
-Rodrigo?
-Pai, o hospital acabou de me ligar, o Felipe teve uma parada cardíaca e não resistiu, ele morreu...
-Pelo amor de Deus meu filho, não me diga isso, meu Deus...
-Pai, o que vou fazer, como dizer isso à Fernanda...
-Calma meu filho, procure se acalmar, já estou indo pra aí, não sei o que dizer meu filho, só procure se acalmar por favor...
-Pai, o que vou fazer? De novo, perdi meu filho, de novo...
-Por favor meu filho, tenha força, papai está indo...
-Ta bem pai, venha....
Minhas lágrimas escorriam rosto abaixo, o pessoal do hospital espantados, não sabia o que fazer ou dizer, em prantos liguei para meus filhos e minha esposa, todos ficaram inconsoláveis e preocupados comigo. Meu primeiro impulso foi pegar a estrada, mas me convenceram a esperar meu filho caçula que iria dirigir pra mim, já que não tinha dormido à noite. Avisei a Dra Nina, pedi que ela ficasse no plantão e fui pra casa. Pedi para não avisar a minha filha mais nova ( Nathália) que estava no colégio fazendo provas, pedi a mãe que mandasse buscá-la e só então desse a notícia. Aguardei meu filho chegar e fomos para Vitória , foram os 160 km mais longos da minha vida, estava doido pra chegar, abraçar, beijar meu filho, tentar de alguma maneira aliviar ou pelo menos dividir sua dor.
Como consolar, o que dizer ao filho que perdeu seu segundo filho? O que fiz foi abraçar, beijar e chorar. Dia 1º de dezembro de 2010, o dia que junto com Felipe, eu e toda minha família morremos um pouco.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
A REFORMA MINISTERIAL.
- O Estado de S.Paulo
Nunca se deve subestimar o gosto do presidente Lula pelo som da própria voz. Ainda assim, é improvável que neste seu derradeiro mês no Planalto ele ainda tenha tempo de proferir uma falsidade comparável às suas reiteradas garantias de que não indica nomes para Dilma Rousseff porque o futuro Ministério tem de ter "a cara" dela. Teria se a sucessora tivesse barba e bigode. De fato, o que se desenrola em Brasília nas últimas semanas, à vista do País, é menos a constituição de um novo Gabinete, de acordo com as preferências pessoais e os compromissos políticos de um líder em vias de assumir a Presidência, do que outra reforma ministerial do governo Lula.
Foi ele, afinal, quem manteve nos seus lugares - por enquanto - o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o titular da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha. Dilma também fez a vontade de Lula trazendo o antecessor de Mantega, Antonio Palocci, para a Casa Civil, o coração do poder. Nesse caso, aliás, pode-se falar em indicações em sequência. Foi Lula quem instalou o ex-ministro na cúpula da campanha da sua apadrinhada, de onde ele desalojou o amigo mais próximo da candidata, Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte. Passada a eleição, nada mais natural que Palocci conduzisse a transição de governo.
A lista continua. Por escolha do presidente, ficará no Planalto, porém em outra sala, o seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, transferido para a Secretaria-Geral da Presidência. Ainda graças a Lula, sairá do Planalto, em direção à Esplanada, a assessora Miriam Belchior, promovida a ministra do Planejamento - cujo titular, Paulo Bernardo, deverá por sua vez migrar para as Comunicações. Lula ainda se movimenta para manter no governo, embora não mais no Banco Central, o atual presidente Henrique Meirelles. Na montagem da coligação dilmista, Lula tentou emplacar o seu nome como vice, mas o PMDB exigiu Michel Temer.
Agora, com o aval do patrono de Dilma, Meirelles ocuparia o futuro (e cobiçado) Ministério dos Portos e Aeroportos. Lula também aconselhou a sua pupila a conservar Nelson Jobim na Defesa e Marco Aurélio Garcia como assessor internacional. Teria feito o mesmo por Carlos Luppi no Trabalho e por Sérgio Gabrielli na Petrobrás. Em relação a todos eles, as preferências do presidente ou nem precisavam ser enunciadas ou foram transmitidas com relativa discrição. Caso excepcional é o do ministro da Educação, Fernando Haddad, cujo cargo, vorazmente disputado pela companheirada paulista, parecia fadado a mudar de mãos, depois dos sucessivos fiascos do Enem.
Os políticos petistas não gostam do acadêmico Haddad porque ele não lhes dá a atenção de que se julgam merecedores. Mas o presidente gosta de sua atuação - a ponto de transformar três eventos da área do ensino, anteontem, em comícios de campanha ministerial. Foi no primeiro deles que Lula deu o seu show de hipocrisia ao negar de pés juntos que interferira na montagem do Ministério. O que, aliás, vem repetindo todos os dias, desde que a formação do Ministério de Dilma passou a ocupar lugar predominante no noticiário político, recorrendo, como sempre, às metáforas futebolísticas tipo "o técnico tem de ter liberdade para mudar seu time".
Já se escreveu que jamais um presidente brasileiro interferiu tanto na composição da equipe do sucessor. Mas a verdade é que a presente conjuntura é única na história da democracia brasileira. Antes de 1964, só um presidente (Vargas) viu eleger-se quem apoiava (Dutra). Depois da ditadura, Sarney herdou o governo que Tancredo montara, Itamar completou o mandato de Collor, com a glória do lançamento do Real, Fernando Henrique e Lula foram os seus próprios sucessores. Para completar o ineditismo, elege-se presidente uma figura que nunca disputou um mandato, carente de base política própria, escolhida, construída e conduzida à vitória por seu mentor.
Mesmo que Lula fosse honesto ao falar em "rei morto, rei posto", seria apenas natural que Dilma Rousseff fosse bater à sua porta na hora de escalar o seu time. O Brasil terá quatro anos para saber até onde irá essa dependência.
Nunca se deve subestimar o gosto do presidente Lula pelo som da própria voz. Ainda assim, é improvável que neste seu derradeiro mês no Planalto ele ainda tenha tempo de proferir uma falsidade comparável às suas reiteradas garantias de que não indica nomes para Dilma Rousseff porque o futuro Ministério tem de ter "a cara" dela. Teria se a sucessora tivesse barba e bigode. De fato, o que se desenrola em Brasília nas últimas semanas, à vista do País, é menos a constituição de um novo Gabinete, de acordo com as preferências pessoais e os compromissos políticos de um líder em vias de assumir a Presidência, do que outra reforma ministerial do governo Lula.
Foi ele, afinal, quem manteve nos seus lugares - por enquanto - o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o titular da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha. Dilma também fez a vontade de Lula trazendo o antecessor de Mantega, Antonio Palocci, para a Casa Civil, o coração do poder. Nesse caso, aliás, pode-se falar em indicações em sequência. Foi Lula quem instalou o ex-ministro na cúpula da campanha da sua apadrinhada, de onde ele desalojou o amigo mais próximo da candidata, Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte. Passada a eleição, nada mais natural que Palocci conduzisse a transição de governo.
A lista continua. Por escolha do presidente, ficará no Planalto, porém em outra sala, o seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, transferido para a Secretaria-Geral da Presidência. Ainda graças a Lula, sairá do Planalto, em direção à Esplanada, a assessora Miriam Belchior, promovida a ministra do Planejamento - cujo titular, Paulo Bernardo, deverá por sua vez migrar para as Comunicações. Lula ainda se movimenta para manter no governo, embora não mais no Banco Central, o atual presidente Henrique Meirelles. Na montagem da coligação dilmista, Lula tentou emplacar o seu nome como vice, mas o PMDB exigiu Michel Temer.
Agora, com o aval do patrono de Dilma, Meirelles ocuparia o futuro (e cobiçado) Ministério dos Portos e Aeroportos. Lula também aconselhou a sua pupila a conservar Nelson Jobim na Defesa e Marco Aurélio Garcia como assessor internacional. Teria feito o mesmo por Carlos Luppi no Trabalho e por Sérgio Gabrielli na Petrobrás. Em relação a todos eles, as preferências do presidente ou nem precisavam ser enunciadas ou foram transmitidas com relativa discrição. Caso excepcional é o do ministro da Educação, Fernando Haddad, cujo cargo, vorazmente disputado pela companheirada paulista, parecia fadado a mudar de mãos, depois dos sucessivos fiascos do Enem.
Os políticos petistas não gostam do acadêmico Haddad porque ele não lhes dá a atenção de que se julgam merecedores. Mas o presidente gosta de sua atuação - a ponto de transformar três eventos da área do ensino, anteontem, em comícios de campanha ministerial. Foi no primeiro deles que Lula deu o seu show de hipocrisia ao negar de pés juntos que interferira na montagem do Ministério. O que, aliás, vem repetindo todos os dias, desde que a formação do Ministério de Dilma passou a ocupar lugar predominante no noticiário político, recorrendo, como sempre, às metáforas futebolísticas tipo "o técnico tem de ter liberdade para mudar seu time".
Já se escreveu que jamais um presidente brasileiro interferiu tanto na composição da equipe do sucessor. Mas a verdade é que a presente conjuntura é única na história da democracia brasileira. Antes de 1964, só um presidente (Vargas) viu eleger-se quem apoiava (Dutra). Depois da ditadura, Sarney herdou o governo que Tancredo montara, Itamar completou o mandato de Collor, com a glória do lançamento do Real, Fernando Henrique e Lula foram os seus próprios sucessores. Para completar o ineditismo, elege-se presidente uma figura que nunca disputou um mandato, carente de base política própria, escolhida, construída e conduzida à vitória por seu mentor.
Mesmo que Lula fosse honesto ao falar em "rei morto, rei posto", seria apenas natural que Dilma Rousseff fosse bater à sua porta na hora de escalar o seu time. O Brasil terá quatro anos para saber até onde irá essa dependência.
REVELAÇÕES DO WikiLeaks SOBRE O BRASIL.
Os documentos secretos revelados pelo site WikiLeaks comprovam como era tratada nos bastidores a preocupação crescente da comunidade internacional com as relações entre Brasil e Irã entre 2009 e 2010. Em um diálogo com o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, em Teerã, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, argumentou que seu país "não estava fazendo nada diferente do Brasil na esfera nuclear".
Mikhail Klimentyev/AFPEncontro. Ahmadinejad (D) recebe Putin em Teerã: líder russo rejeita argumento do Irã e diz que 'Brasil não fica no Oriente Médio'
Putin teria retrucado afirmando que o Brasil "não se localiza no Oriente Médio".
Em Washington, Paris, Berlim e Moscou, diplomatas defenderam o aumento da pressão contra Ahmadinejad e manifestaram preocupação com a atuação do governo brasileiro. Em diferentes mensagens, a política externa brasileira foi criticada por atrapalhar os planos de sanções. O Brasil é tido como líder emergente que precisa ser atraído.
Segundo pesquisas nos documentos confidenciais ou secretos revelados até aqui, o Brasil entra na lista de preocupações das potências internacionais a partir do início 2009. Segundo relato do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, ao embaixador americano em Moscou em abril do ano passado, o Brasil era usado como álibi por Ahmadinejad quando o assunto era o programa nuclear.
A posição de Brasília volta a ser comentada, desta vez em conversa telefônica entre o líder francês, Nicolas Sarkozy, e o presidente dos EUA, Barack Obama, em novembro de 2009.
Na ocasião, o embaixador americano relata que as altas esferas diplomáticas francesas estão preocupadas com a perda de apoio da opinião pública contra o Irã, porque países como China, Turquia e Brasil continuavam a manter relações diplomáticas ou comerciais com o Irã. O texto cita a visita de Ahmadinejad ao Brasil, em novembro de 2009.
"Países continuam a engajar relações diplomáticas e comerciais com o Irã (a exemplo dos interesses comerciais chineses, da recente visita do primeiro-ministro turco ao Irã e da visita do presidente iraniano Ahmadinejad ao Brasil)", diz o documento, classificado como secreto.
Em 2010, a preocupação com a posição brasileira aumenta e autoridades francesas advertem que o Brasil pode não conhecer o limite da negociação com o Irã. Em maio, o Brasil e a Turquia tentariam intermediar um acordo com o Irã que permitisse a troca de urânio por combustível nuclear para um reator de pesquisas médicas. O acordo seria muito criticado pela comunidade internacional. Em fevereiro, o governo da Alemanha ressaltaria aos americanos a necessidade de seduzir o Brasil, considerado "líder de opinião no Terceiro Mundo".
Em reuniões diplomáticas realizadas em 2010 e 2009, diplomatas dos EUA, França, Alemanha e Rússia tratam da influência brasileira na questão nuclear; Ahmadinejad diz a Putin que "não faz nada diferente do Brasil"
Em agosto de 2009, em uma reunião com a ministra-conselheira americana Kathleen H. Allegrone, em Paris, dois assessores diretos de Sarkozy ressaltaram a necessidade de aumentar a pressão sobre o Irã, para que o país abandonasse seu programa nuclear. François Richier e Patrice Paoli, conselheiros de Assuntos Estratégicos e de Oriente Médio, respectivamente, exortam ainda os EUA a se aproximar de países como o Brasil.
OUTROS SEGREDOS
Zelaya sofreu "golpe de Estado"
A embaixada americana em Tegucigalpa esclareceu, em junho de 2009, que o então presidente hondurenho, Manuel Zelaya, havia sido deposto por "um golpe inconstitucional e ilegal". Esse era o teor da mensagem enviada ao Departamento de Estado.
Elo Chávez-Lugo foi investigado
Diplomatas da Embaixada dos EUA em Assunção tentaram investigar ao longo de 2008 se o presidente venezuelano, Hugo Chávez, estava financiando a campanha do então candidato paraguaio Fernando Lugo, que acabou eleito presidente.
Saúde mental de Cristina preocupa
A diplomacia americana mostrou preocupação com a "saúde mental" da presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner. Hillary Clinton chegou a pedir um relatório sobre o estado de saúde mental da mandatária argentina.
Ambulâncias com arma do Hezbollah
Ambulâncias iranianas do Crescente Vermelho, a versão da Cruz Vermelha para países islâmicos, foram usadas para contrabandear armas do Irã para o grupo xiita libanês Hezbollah durante a guerra com Israel em 2006, segundo a diplomacia israelense.
Khamenei teria câncer terminal
Um empresário da Ásia Central, que viaja com frequência a Teerã, soube por um dos seus contatos que (o ex-presidente iraniano Ali Akbar) Rafsanjani lhe contou que o aiatolá Ali Khamenei tem leucemia em estágio terminal e pode morrer em meses.
Retirada de urânio do Paquistão
EUA temiam que material radioativo fosse usado em ataques terroristas. Desde 2007, Washington tenta remover urânio altamente enriquecido de um reator do Paquistão. Islamabad ainda se recusa a aceitar uma visita de especialistas dos EUA.
Fonte: O Estadão. http://bit.ly/hMCrjh
Mikhail Klimentyev/AFPEncontro. Ahmadinejad (D) recebe Putin em Teerã: líder russo rejeita argumento do Irã e diz que 'Brasil não fica no Oriente Médio'
Putin teria retrucado afirmando que o Brasil "não se localiza no Oriente Médio".
Em Washington, Paris, Berlim e Moscou, diplomatas defenderam o aumento da pressão contra Ahmadinejad e manifestaram preocupação com a atuação do governo brasileiro. Em diferentes mensagens, a política externa brasileira foi criticada por atrapalhar os planos de sanções. O Brasil é tido como líder emergente que precisa ser atraído.
Segundo pesquisas nos documentos confidenciais ou secretos revelados até aqui, o Brasil entra na lista de preocupações das potências internacionais a partir do início 2009. Segundo relato do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, ao embaixador americano em Moscou em abril do ano passado, o Brasil era usado como álibi por Ahmadinejad quando o assunto era o programa nuclear.
A posição de Brasília volta a ser comentada, desta vez em conversa telefônica entre o líder francês, Nicolas Sarkozy, e o presidente dos EUA, Barack Obama, em novembro de 2009.
Na ocasião, o embaixador americano relata que as altas esferas diplomáticas francesas estão preocupadas com a perda de apoio da opinião pública contra o Irã, porque países como China, Turquia e Brasil continuavam a manter relações diplomáticas ou comerciais com o Irã. O texto cita a visita de Ahmadinejad ao Brasil, em novembro de 2009.
"Países continuam a engajar relações diplomáticas e comerciais com o Irã (a exemplo dos interesses comerciais chineses, da recente visita do primeiro-ministro turco ao Irã e da visita do presidente iraniano Ahmadinejad ao Brasil)", diz o documento, classificado como secreto.
Em 2010, a preocupação com a posição brasileira aumenta e autoridades francesas advertem que o Brasil pode não conhecer o limite da negociação com o Irã. Em maio, o Brasil e a Turquia tentariam intermediar um acordo com o Irã que permitisse a troca de urânio por combustível nuclear para um reator de pesquisas médicas. O acordo seria muito criticado pela comunidade internacional. Em fevereiro, o governo da Alemanha ressaltaria aos americanos a necessidade de seduzir o Brasil, considerado "líder de opinião no Terceiro Mundo".
Em reuniões diplomáticas realizadas em 2010 e 2009, diplomatas dos EUA, França, Alemanha e Rússia tratam da influência brasileira na questão nuclear; Ahmadinejad diz a Putin que "não faz nada diferente do Brasil"
Em agosto de 2009, em uma reunião com a ministra-conselheira americana Kathleen H. Allegrone, em Paris, dois assessores diretos de Sarkozy ressaltaram a necessidade de aumentar a pressão sobre o Irã, para que o país abandonasse seu programa nuclear. François Richier e Patrice Paoli, conselheiros de Assuntos Estratégicos e de Oriente Médio, respectivamente, exortam ainda os EUA a se aproximar de países como o Brasil.
OUTROS SEGREDOS
Zelaya sofreu "golpe de Estado"
A embaixada americana em Tegucigalpa esclareceu, em junho de 2009, que o então presidente hondurenho, Manuel Zelaya, havia sido deposto por "um golpe inconstitucional e ilegal". Esse era o teor da mensagem enviada ao Departamento de Estado.
Elo Chávez-Lugo foi investigado
Diplomatas da Embaixada dos EUA em Assunção tentaram investigar ao longo de 2008 se o presidente venezuelano, Hugo Chávez, estava financiando a campanha do então candidato paraguaio Fernando Lugo, que acabou eleito presidente.
Saúde mental de Cristina preocupa
A diplomacia americana mostrou preocupação com a "saúde mental" da presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner. Hillary Clinton chegou a pedir um relatório sobre o estado de saúde mental da mandatária argentina.
Ambulâncias com arma do Hezbollah
Ambulâncias iranianas do Crescente Vermelho, a versão da Cruz Vermelha para países islâmicos, foram usadas para contrabandear armas do Irã para o grupo xiita libanês Hezbollah durante a guerra com Israel em 2006, segundo a diplomacia israelense.
Khamenei teria câncer terminal
Um empresário da Ásia Central, que viaja com frequência a Teerã, soube por um dos seus contatos que (o ex-presidente iraniano Ali Akbar) Rafsanjani lhe contou que o aiatolá Ali Khamenei tem leucemia em estágio terminal e pode morrer em meses.
Retirada de urânio do Paquistão
EUA temiam que material radioativo fosse usado em ataques terroristas. Desde 2007, Washington tenta remover urânio altamente enriquecido de um reator do Paquistão. Islamabad ainda se recusa a aceitar uma visita de especialistas dos EUA.
Fonte: O Estadão. http://bit.ly/hMCrjh
A CULPA É DO GOVERNO.
A gente se acostuma a tudo. Os biólogos dizem que a repetição do estímulo inibe a resposta. Provocar continuadamente uma reação no organismo ou na mente acaba não surtindo mais efeito. Pode-se fazer uma analogia com a nossa desaparecida indignação, que, de tão cutucada, já não se manifesta e, em alguns de nós, parece ter-se convertido em resignação e cinismo amargo. É isso mesmo, os políticos são ladrões, os administradores são incompetentes, os serviços públicos são abomináveis, a educação é um desastre, a saúde é uma calamidade e a insegurança é geral - acabou-se, nada a fazer, o Brasil é assim mesmo.
É triste ver a amada cidade do Rio de Janeiro, orgulho de todos nós, transfigurada numa Bagdá à beira-mar, carros blindados conduzindo tropas de assalto e armamento pesado, soldados de fuzil em punho se esgueirando em ruelas, como víamos somente em filmes de guerra. Entre metralhadoras, granadas, carros e ônibus em chamas, repórteres usando coletes à prova de balas e gente espavorida, é como assistir à cobertura da Guerra do Golfo. Isto é, enquanto uma bala não estilhaçar o televisor, caso em que teremos também recebido, como tantos outros concidadãos, nosso batismo de fogo.
As causas para essa situação são conhecidas e vão desde desigualdades socioeconômicas a uma abordagem ultrapassada da questão das drogas ilegais. Ou seja, problemas que poderiam não mais existir ou ter sido muito minorados, se nossos governantes tivessem, desde sempre, formulado e posto em prática com seriedade políticas públicas integradas e subordinadas a um planejamento racional, de metas claramente definidas. Ou que, pelo menos, encetassem algumas das reformas de que todos sabem que precisamos. Ao ouvir falar em reformas, o governante costuma assentir, com ares graves de quem concorda. Todos concordam, só que ninguém faz nada. Nem nós, que já nos acostumamos a isso e logo nos acostumaremos também a ver tanques de guerra se abastecendo no posto da esquina. Nós somos um povo muito ordeiro.
João Ubaldo Ribeiro - O Estado de S.Paulo
É triste ver a amada cidade do Rio de Janeiro, orgulho de todos nós, transfigurada numa Bagdá à beira-mar, carros blindados conduzindo tropas de assalto e armamento pesado, soldados de fuzil em punho se esgueirando em ruelas, como víamos somente em filmes de guerra. Entre metralhadoras, granadas, carros e ônibus em chamas, repórteres usando coletes à prova de balas e gente espavorida, é como assistir à cobertura da Guerra do Golfo. Isto é, enquanto uma bala não estilhaçar o televisor, caso em que teremos também recebido, como tantos outros concidadãos, nosso batismo de fogo.
As causas para essa situação são conhecidas e vão desde desigualdades socioeconômicas a uma abordagem ultrapassada da questão das drogas ilegais. Ou seja, problemas que poderiam não mais existir ou ter sido muito minorados, se nossos governantes tivessem, desde sempre, formulado e posto em prática com seriedade políticas públicas integradas e subordinadas a um planejamento racional, de metas claramente definidas. Ou que, pelo menos, encetassem algumas das reformas de que todos sabem que precisamos. Ao ouvir falar em reformas, o governante costuma assentir, com ares graves de quem concorda. Todos concordam, só que ninguém faz nada. Nem nós, que já nos acostumamos a isso e logo nos acostumaremos também a ver tanques de guerra se abastecendo no posto da esquina. Nós somos um povo muito ordeiro.
João Ubaldo Ribeiro - O Estado de S.Paulo
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