sábado, 8 de janeiro de 2011

NILO PEÇANHA - PAZ E AMOR (PRESIDENTES)

NILO PEÇANHA ( 14/06/1909  a 15/11/1910 )

Vice de Afonso Pena, Nilo Peçanha assumiu o governo após a morte do Presidente e em meio à campanha sucessória entre São Paulo e Minas. Em pouco mais de um ano de mandato, reformulou seu Ministério, criou o Serviço de Proteção aos Indios.






QUEM FOI NILO PEÇANHA?

Nilo Procópio Peçanha (Campos dos Goytacazes, 2 de outubro de 1867Rio de Janeiro, 31 de março de 1924) foi um político brasileiro. Assumiu a presidência da república após o falecimento de Afonso Pena, em 14 de junho de 1909, e governou até 15 de novembro de 1910. Foi, talvez, o único mulato presidente do Brasil.

Era filho de Sebastião de Sousa Peçanha, padeiro, e de Joaquina Anália de Sá Freire, descendente de uma família importante na política norte fluminense. Teve quatro irmãos e duas irmãs. A família vivia pobremente em um sítio no atual distrito de Morro do Coco, Campos dos Goytacazes até que se mudou para o centro da cidade quando Nilo Peçanha chegou na idade escolar. Seu pai era conhecido na cidade como "Sebastião da Padaria".


Foi descrito como sendo mulato e frequentemente ridicularizado na imprensa em charges e anedotas que se referiam à cor da sua pele. Durante sua juventude, a elite social de Campos dos Goytacazes chamava-o de "o mestiço de Morro do Coco".

Nilo Peçanha.Em 1921, quando concorreu à presidência da República como candidato de oposição, cartas atribuídas falsamente ao candidato governista, Artur Bernardes, foram publicadas na imprensa e causaram uma crise política pois insultavam o ex-presidente Marechal Hermes da Fonseca, representante dos militares, e também Nilo Peçanha, outro ex-presidente, que era xingado de mulato. Gilberto Freyre, escrevendo sobre futebol, usou-o como paradigma do mulato que vence usando a malícia e escondendo o jogo mencionando que "o nosso estilo de jogar (…) exprime o mesmo mulatismo de que Nilo Peçanha foi até hoje a melhor afirmação na arte política".

Alguns pesquisadores afirmam que suas fotografias presidenciais eram retocadas para branquear sua pele escura. Alberto da Costa e Silva diz que Nilo Peçanha foi apenas um dos quatro presidentes brasileiros que esconderam os seus ancestrais africanos, sendo os outros Campos Sales, Rodrigues Alves e Washington Luís. Já o presidente Fernando Henrique Cardoso confirmou ser descendente de uma escrava.

Abdias Nascimento afirma que, apesar de sua tez escura, Nilo Peçanha escondeu suas origens africanas e que seus descendentes e família sempre negaram que ele fosse mulato.

A biografia oficial escrita por um parente, Celso Peçanha, nada menciona sobre suas origens raciais, mas uma outra biografia posterior o faz. Portanto, alguns pesquisadores expressam dúvidas sobre se Nilo Peçanha era ou não mulato. Em qualquer caso, suas origens foram muito humildes: ele mesmo contava ter sido criado com "pão dormido e paçoca".

Terminou os estudos preliminares em sua cidade, no Colégio Pedro II. Estudou na Faculdade de Direito de São Paulo e depois na Faculdade do Recife, onde se formou.

Casou-se com Ana de Castro Belisário Soares de Sousa, conhecida como "Anita", descendente de aristocráticas e ricas famílias campistas. O casamento foi um escândalo social, pois a noiva teve que fugir de casa para poder se casar com um sujeito pobre e "mulato", embora político promissor.

Participou das campanhas abolicionista e republicana. Iniciou a carreira política ao ser eleito para a Assembleia Constituinte em 1890. Em 1903 foi eleito sucessivamente senador e presidente do estado do Rio de Janeiro, permanecendo no cargo até 1906 quando foi eleito vice-presidente de Afonso Pena. Como presidente do estado do Rio de Janeiro, assinou, em 26 de fevereiro de 1906, o Convênio de Taubaté.

4 dias após o Convênio de Taubaté, em 1 de março de 1906, foi eleito vice-presidente da república, com 272.529 votos contra apenas 618 votos dados a Alfredo Varela.

Seus seguidores eram chamados de nilistas.

Foi maçom e Grão-mestre do Grande Oriente do Brasil de 23 de julho de 1917 a 24 de setembro de 1919, quando renunciou ao cargo

MINISTÉRIO DE NILO PEÇANHA
 
Ministro da Fazenda: José Leopondo de Bulhões Jardim
 
                                                        José Leopoldo de Bulhões Jardim
 
Ministro da Marinha: Alexandrino Faria de Alencar
 
Alexandrino Faria de Alencar

Ministro das Relações Exteriores: José Maria da Silva Paranhos (Barão do Rio Branco)


                                                            José Maria da Silva Paranhos
                                                                (Barão do Rio Branco)


Ministro da Viação e Obras Públicas: Miguel Calmon Du Pin e Almeida
                                                       +Francisco de Sá

Miguel Calmon Du Pin e Almeida

Ministro da Agricultura, Industria e Comércio: Antônio Cândido Rodrigues
                                                                    +Francisco Sá
                                                                    +Rodholfo Nogueira da Rocha Miranda


Ministro da Guerra: Luiz Mendes de Moraes
                            +Carlos Eugênio de Andrade Guimarães
                            +Jose Bernardino Borman
 
Luiz Mendes de Moraes

Ministro da Justiça e Negócios Interiores: José Maria da Silva Paranhos
                                                             +Augusto Tavares de Lyra



Barão do Rio Brano


CULTURA

O ano de 1910 foi descrito como o "Ano de Ouro" do cinema nacional. Muitas produções, salas sempre cheias. O grande sucesso da temporada foi "Paz e Amor", musical que satirizava a politica nacional, a começar pelo personagem Onil I, rei cujo nome era um anagrama de Nilo. Era o tipo de programa para se chegar cedo ou não se acharia lugar. Foi exibido mais de mil vezes...

Também no cinema surgia um clássico da música brasileira. O pianista Ernesto Nazareth compôs Odeon, em homenagem à sala que ele tocava para entreter os espectadores. A composição é considerada um chorinho nos dias de hoje, mas, na época, foi apresentada como tango brasileiro.

Embora os jornais da época não tenham registrado, foi em 1910, que Carmem Miranda desembarcou ainda bebê no Brasil, vinda do norte de Portugal com a família. No mesmo ano nasceria o sambista das Malocas, Adoniran Barbosa e a militante Paula Galvão, a Pagu dos tempos modernistas.





SERVIÇO DE PROTEÇÃO AO INDIO

Dirigido pelo sertanista Cândido Rondon, o governo criou em 1910 o Serviço de Proteção ao Indio (SPI) inspirado em projeto de José Bonifácio de 1823. A instituição defendia a assistência e ao direito de eles viverem de acordo com seus costumes. Na época, a guerra de extermínio de índigenas ainda era defendida no sul do País. Rondon salvou centenas de povos do desaparecimento. O SPI foi substituído pela FUNAI em 1967.


India Camacã Mongoyo


CAMPANHA CIVILISTA

A escolha do sucessor de Nilo Peçanha, causou a quebra da aliança do "café com leite", colocando São Paulo e Minas em lados opostos. Por isso, dizem que a primeira eleição em que teve disputa, foi essa. Nilo lançou Hermes da Fonseca, sobrinho de Deodoro, representante do Rio Grande do Sul e apoiado por Minas. Mas seria a vez de São Paulo escolher o sucessor. São Paulo lança então a "Campanha Civilista", com Rui Barbosa para Presidente e Albuquerque Lins para vice. Apesar das denúncias de irregularidade, Hermes da Fonseca e o vice Wenscelau Brás foram declarados vencedores.

Fonte: Wikipédia, O Estadão, Google



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