A briga entre o PT e os partidos aliados por cargos no segundo escalão vai ganhar um novo ingrediente nos próximos dias: a insatisfação dos que já conseguiram um ministério com os cortes no Orçamento de 2011. O valor ainda não está definido, segundo informou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, mas especula-se no governo sobre algo na casa dos R$ 35 bilhões.
Primeiro problema: para conseguir essa economia, será preciso reduzir fortemente os recursos previstos para diversas pastas, precipitando o que assessores já chamam de "guerra" na Esplanada. Segundo problema: esse corte pode não ser suficiente para o governo atingir seus objetivos.
O Orçamento de 2011 foi aprovado no final do ano passado pelo Congresso com um acréscimo de R$ 25 bilhões em receitas e o mesmo montante em despesas. Esse acréscimo foi feito sobre uma estimativa de arrecadação que o próprio governo admitiu ter sido exagerada em pelo menos R$ 8 bilhões. É por causa dessas receitas cuja realização é duvidosa que o governo precisa apertar o cinto.
Ontem pela manhã, a presidente Dilma Rousseff reuniu-se com a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e assessores da área econômica para discutir o corte - tecnicamente chamado de "contingenciamento", porque se trata de uma redução na despesa que pode ser revertida caso a arrecadação supere as estimativas.
A ideia era definir um valor antes da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), mas as chances de isso ocorrer eram consideradas remotas. Definir o corte, dando um sinal ao mercado que o governo será austero este ano, daria condições ao Banco Central de não elevar fortemente os juros.
A tendência, porém, é que o trabalho ainda consuma algumas semanas, pois será necessário discutir a redução das despesas com cada ministério. O maior desafio será conciliar o corte com as diretrizes da presidente Dilma: preservar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o Minha Casa Minha Vida, os programas sociais.
Previsão
R$ 35 bilhões - É o valor especulado pelo governo para o corte no Orçamento, que foi aprovado no final do ano passado com um acréscimo de R$ 25 bilhões. A estimativa de arrecadação foi exagerada em pelo menos R$ 8 bilhões.
Mínimo: centrais sindicais dão ultimato
O deputado federal e presidente da Força Sindical Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), da base aliada do governo, deu um ultimato à presidente Dilma Rousseff. Ontem, em duas ocasiões, cobrou do governo o reajuste da tabela do Imposto de Renda em 6,43% e ameaçou: caso o Palácio do Planalto não chame as centrais sindicais para negociar até segunda-feira, no dia seguinte, terça-feira, elas entrarão com várias ações na Justiça pelo país.
De acordo com o deputado, ao não mexer na tabela do imposto de renda, o governo está praticando um confisco. Pela manhã, depois de se reunir no Palácio do Planalto com o ministro Luiz Sérgio, da Secretaria de Relações Institucionais, Paulinho da Força, como é conhecido, declarou que a pauta de reivindicação das centrais contempla três reajustes: a elevação do salário mínimo de R$ 540 para R$ 580; 10% para os aposentados que ganham acima do mínimo e 6,43% na tabela do Imposto de Renda.
"Se o governo não abrir negociação até segunda-feira, na terça vamos entrar com uma enxurrada de ações no Brasil inteiro", ameaçou
Fonte: A Gazeta - http://glo.bo/fsvzfe
É complicado.
ResponderExcluirAinda bem que Dilma ROussseff é íntima do tema,
suponho que saberá administrar com maestria.
Minha expectativa é de um projeto exequível de fiscalização da aplicação de todos esses bilhões de reais e da execução dos projetos em todos os níveis e alcances.
Um Brasil cada vez mais transparente é possível?